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sábado, 6 de junho de 2020

França mata líder da Al Caeda no Magreb Islâmico

O Exército da França matou na última quarta-feira no Mali o comandante da rede terrorista Al Caeda no Magreb Islâmico, Abdelmalek Droukbel, anunciou ontem à noite no Twitter a ministra dos Exércitos, Florence Party. 
Desde o início do século, ele estava escondido nas florestas impenetráveis de Akfadu, na Cabília, uma região montanhosa do Norte da Argélia, e nos montes de Tebassa, na fronteira com a Tunísia.

A partir de 2013, o Norte do Mali passou a ser o principal teatro de operações das forças militares francesas no combate ao terrorismo na região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara. Droukbel foi localizado depois de uma troca de informações entre os serviços secretos da França e dos Estados Unidos.

Com satélites e aviões-espiões, os EUA fazem uma vigilância aérea na região, que virou o principal foco do terrorismo no mundo depois da derrota do Estado Islâmico no Iraque e na Síria. 

Abdelmalek Droukbar estava com um pequeno grupo quando foi atacado por um comando de operações especiais da França. O corpo foi "identificado formalmente", declarou o porta-voz do Estado-Maior francês, Frédéric Barbry.

A ação foi realizada ao norte do Adrar de Ifogahs, um maciço montanhoso da região de Kidal, no Norte do Mali, a 80 quilômetros a leste da vila de Tessalit, com helicópteros e forças terrestres.

Droukbel nasceu em 20 de abril de 1970 na vila de Zayane, situada a cerca de 50 km de Argel, a capital da Argélia. Estudava engenharia quando começou a guerra civil argelina, em 26 de dezembro de 1991, depois que o governo cancelou o segundo turno das eleições parlamentares diante da iminente vitória da Frente Islâmica de Salvação), um grupo fundamentalismo muçulmano.

Como era simpatizante da FIS, Droukbel foi para a clandestinidade, aderiu ao Grupo Islâmico Armado (GIA) e subiu dentro do movimento islamista até se tornar membro do Conselho de Comando do Grupo Salafista pela Pregação e o Combate (GSPC), que nasceu em 1998 das cinzas do GIA. Por esta posição, foi condenado à morte cinco vezes.

No verão de 2004, Droubkar se tornou comandante. Sem condições de se estabelecer no Norte da Argélia, a região mais povoada do país, perto do Mar Mediterrâneo, a GPSC passou a atuar mais no Sul. Durante a verão de 2015, atacou quartéis do Exército da Mauritânia.

Seis meses depois, Droukbar aderiu à rede Al Caeda e adotou o nome de guerra de Abu Mussab al-Wadud, em homenagem ao então líder da Caeda no Iraque, Abu Mussab al-Zarkawi, morto em 7 de junho de 2006 por forças americanas. Sua missão era aglutinar grupos terroristas do Sahel a Al Caeda.

"Não fazia muito tempo que Droukbar estava no Mali", contou uma fonte oficial da França ao jornal Le Monde. "Sem saber que se tratava de um movimento sob pressão dos acontecimentos na Argélia o se deliberadamente dentro da sua lógica de desenvolvimento, tínhamos informações há um mês que o estado-maior da Caeda havia descido para o Norte do Mali. Isto expôs Drokbel."

Com as eleições legislativas de abril, a crise política e a pandemia da covid-19, a emergência de saúde pública tirou o foco do governo malinês do controle de segurança no Norte do país, facilitando as ações de grupos terroristas.

Há dez anos, o governo central de Bamako perdeu o controle sobre o Norte, o que levou à intervenção militar da França com o apoio das Nações Unidas a partir do início de 2013.

O conflito pela supremacia no movimento jihadista se repete no Sahel, com a aparição do Estado Islâmico do Grande Saara. Nas últimas semanas, os grupos ligados a Al Caeda estariam levando vantagem.

O principal foco do terrorismo no Sahel é a tríplice fronteira entre o Mali, Burkina Fasso e o Níger, três dos países mais pobres do mundo, sem recursos para enfrentar os jihadistas sem a ajuda das grandes potências.

A violência dos extremistas muçulmanos se propagou para outros países da região, Costa do Marfim, Gana, Togo e Benin. Na Nigéria, o grupo terrorista Boko Haram trava uma guerra civil desde 2009, com ramificações por Camarões, Chade e Níger.

Desde 2015, uma dissidência do Boko Haram aderiu ao Estado Islâmico e se apresenta como o Estado Islâmico da África Ocidental, mas Al Caeda está mais enraizada nas miseráveis populações locais.

No Mali, os dois jihadistas mais procurados são Iyad Ag Ghali, um ex-líder do povo tuaregue, hoje comandante do Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos (GSIM, do francês), e seu aliado Amadou Koufa.

Mesmo sem reivindicar, eles são os principais suspeitos do sequestro do líder da oposição no Mali, Soumaila Cissé, ex-ministro das Finanças, três vezes candidato à Presidência, quando fazia campanha para as eleições parlamentares de abril.

Apesar de ter sido um dos chefes da Caeda de maior longevidade, o impacto da morte de Drokbar é mais simbólico. A história das organizações jihadistas indica que elas sobrevivem à morte de seus líderes. Como acontece com os cartéis do tráfico de drogas na América Latina, o corte de cabeças não muda a realidade que os gerou.

Ele foi o último argelino a comandar Al Caeda no Magreb Islâmico, o que implica uma reorganização do grupo. Para o coronel Barbry, "este tipo de operação é apenas uma etapa da solução do problema, que passa pelo desenvolvimento da região e da diplomacia. Temos de festejar este sucesso, mas continuar a pressionar o Estado Islâmico no Grande Saara."

quarta-feira, 4 de março de 2020

Congresso dos EUA quer manter forças no Sahel

A aliança entre Al Caeda e o Estado Islâmico na região do Sahel, na África, ameaça alguns dos países pobres do mundo. O Congresso dos Estados Unidos e a França tentam impedir o governo Donald Trump de retirar as forças americanas da região. 

Deputados e senadores americanos quere aprovar uma lei para impedir o presidente Donald Trump de retirar forças dos Estados Unidos que combatem o terrorismo dos extremistas muçulmanos na África. 

A preocupação é com os jihadistas, que estão ganhando espaço na África Oriental e na região do Sahel da África Ocidental. Com a nova doutrina de segurança nacional feita pelo governo Donald Trump, a prioridade deixa de ser a guerra contra o terrorismo deflagrada pelo então presidente George W. Bush depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos. 

Trump está mais preocupado com a competição estratégica com a China e a Rússia. Meu comentário:

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Cooperação Al Caeda-Estado Islâmico aumenta ameaça do terror no Sahel

A rede Al Caeda (A Base) e o grupo Estado Islâmico estão coordenando operações terroristas e dividindo esferas de influência no Mali, no Níger e em Burkina Fasso, noticiou o jornal americano The Washington Post. Esta tríplice fronteira é considerada hoje a região mais crítica no combate ao jihadismo na região do Sahel, na África Ocidental.

De acordo com agentes franceses, os dois grupos estão se tornando mais organizados e mais ágeis na sua guerra contra países pobres e fracos, "realizando ataques com um profissionalismo que não tínhamos visto".

A coordenação entre a Jamaat Nusrat al-Islam Muslimen (Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos), ligada à Caeda , e o Estado Islâmco no Grande Saara vai piorar a situação de segurança na região, com a possibilidade de atentados e sequestros, abrindo caminho para operações de maior envergadura.

Esta cooperação não significa que os dois grandes movimentos jihadistas, que romperam durante a guerra civil da Síria. Foi em janeiro de 2014, depois que o sucessor de Ossama ben Laden como líder d'al Caeda, o médico egípcio Ayman al-Zawahiri, mandou dissolver o Estado Islâmico do Iraque e do Levante para que a organização liderada por Abu Baker al-Baghdadi limitasse suas operações ao Iraque.

Al-Baghdadi não aceitou, alegando não reconhecer as fronteiras traçadas pelo imperialismo ocidental a partir do Acordo Sykes-Picot (1916), em que os Impérios Britânico e Francês dividiram o Oriente Médio entre si com a dissolução do Império Otomano (turco) no fim da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Não houve uma reconciliação entre os dois movimentos. Eles têm inimigos comuns num teatro de operações específico. A situação do Sahel é a mais grave da guerra contra o terrorismo. Países miseráveis, com problemas étnicos, são terreno fértil para recrutamento de jovens para movimentos extremistas.

A França mantém soldados na região desde a intervenção militar no Mali, em janeiro de 2013. Hoje, são 5.100 militares franceses, mas os Estados Unidos ameaçaram reduzir seu contingente que combate o terrorismo na África, focado hoje principalmente na Somália.

domingo, 2 de fevereiro de 2020

França envia mais 600 soldados para o combate ao terror no Sahel

Até o fim de fevereiro, a França vai mandar mais 600 soldados para participar da Operação Barkhane, que combate o terrorismo de extremistas muçulmanos na região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara, anunciou hoje a ministra dos Exércitos da França, Florence Parly. Eles vão se juntar a outros 4,5 mil militares franceses que já estão na região.

A expectativa era que a França enviasse 2,2 mil soldados. O grosso dos reforços vai combater milícias jihadists na região de tríplice fronteira entre o Mali, Burkina Fasso e o Níger. O resto vai atuar diretamente no seio das Forças Armadas do Grupo dos Cinco do Sahel (Mauritânia, Mali, Burkina Fasso, Níger e Chade).

Junto com os 600 reforços, serão enviados cerca de cem veículos (blindados leves e pesados e veículos de transporte). Em novembro, a França perdeu 13 soldados num acidente entre dois helicópteros de combate.

Os grupos jihadistas intensificaram as ações terroristas no Sahel, uma região árida e pobre onde o aquecimento global agrava a miséria e a fome, com jovens homens sem futuro que são facilmente atraídos com promessas dos extremistas.

A intervenção militar francesa no Sahel começou em janeiro de 2013, quando grupos jihadistas e tuaregues marchavam em direção a Bamako, a capital do Mali. Conseguiu recuperar territórios do Norte do país, mas não acabar com as milícias.

Daqui a seis meses, a Operação Barkhane passará por nova avaliação. Numa reunião de cúpula no mês passado, a França e o G5 Sahel fizeram um apelo aos Estados Unidos para que não retirem suas forças do Sahel. Há cerca de 5 mil soldados americanos combatendo o terrorismo na África, a maioria na Somália, que fica no Leste do Sahel.

Um dos objetivos da França é mobilizar outros países europeus para que se engajem na guerra contra o terror na África. Como os EUA devem reduzir seu contingente, o comandante-em-chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas americanas, general Stephen Townsend, apelou aos europeus a que "aceitem o desafio e façam mais para ajudar a França no Sahel".

domingo, 26 de janeiro de 2020

Macron reúne gabinete de segurança para definir estratégia no Sahel

O presidente Emmanuel Macron vai se encontrar na quarta-feira com seus principais assessores de segurança e defesa para discutir a estratégia de combate ao terrorismo muçulmano na região do Sahel, na África, ao sul do Deserto do Saara.

Durante reunião de cúpula com o Grupo dos Cinco (G5) do Sahel (Mauritânia, Burkina Fasso, Mali, Níger e Chade), Macron prometeu enviar mais 2,2 mil soldados franceses para se juntar a um contingente de 4,5 mil militares da França que estão hoje na região, do tamanho da Europa.

A intervenção militar francesa não tem sido suficiente para reduzir a ofensiva jihadista, que explora a miséria e os conflitos étnicos da região e se beneficia com o tráfico de armas para a guerra civil na Líbia, que vive em estado de anarquia desde a queda do ditador Muamar Kadafi, em 2011.

Como os Estados Unidos pretendem retirar as forças estacionadas na África para dar mais ênfase à concorrência estratégica da China e da Rússia do que ao combate ao terrorismo dos extremistas muçulmanos, a responsabilidade da França vai aumentar.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Burkina Fasso arma vigilantes para combater terrorismo no Sahel

Burkina Fasso, um dos países mais pobres do mundo, vai treinar e armar vigilantes para combater o terrorismo dos extremistas muçulmanos.

Diante do aumento dos ataques terroristas da extremistas muçulmanos na região do Sahel, que fica na África, logo ao sul do Deserto do Saara, o Parlamento de Burkina Fasso aprovou um projeto para treinar e equipar com armas leves grupos de vigilantes, noticiou ontem a agência Reuters. 

Armar os civis pode agravar ainda mais a crise da segurança pública. Em outros países da África, medidas semelhantes aumentaram a violência e exacerbaram as tensões entre povos e tribos. Meu comentário:

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

França e países africanos apelam a EUA para não deixar do Sahel

A França e cinco países da África pediram hoje aos Estados Unidos que não abandonem a luta contra o terrorismo dos extremistas muçulmanos na região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara.

Em reunião de cúpula na cidade de Pau, no Sul da França, o presidente Emmanuel Macron e os líderes de cinco países do Sahel (Burkina Fasso, Chade, Mali, Mauritânia e Níger) resolveram reforçar a cooperação militar na luta contra o extremismo muçulmano.

O Grupo dos Cinco decidiu “manifestar o desejo de manter o engajamento da França no Sahel”, apesar do sentimento antifrancês nas antigas colônias africanas. Também considera crucial o apoio dos Estados Unidos, que anunciaram a intenção da retirar suas forças da região numa revisão estratégica e da doutrina de segurança nacional. 

Macron prometeu enviar mais 2.200 soldados da França, que já tem 4,5 mil tropas na Operação Barkhane, patrulhando uma área do tamanho da Europa. Meu comentário:

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Terror mata 71 soldados em ataque a base militar no Níger

Pelo menos 71 soldados do Exército do Níger, um país muito pobre do Leste da África, foram mortos num ataque terrorista atribuído a um grupo ligado à organização terrorista Estado Islâmico. É mais um sinal de que a região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara, se tornou o principal foco da guerra contra o terrorismo dos extremistas muçulmanos.

Outros 12 soldados saíram feridos. Até agora, nenhum grupo reivindicou a responsabilidade pelo ataque. Milícias ligadas à rede terrorista Al Caeda e ao Estado Islâmico se beneficiaram do tráfico de armas na guerra civil da Líbia e são muito ativas na região do Sahel.

A insurgência em Burkina Fasso, no Mali e no Níger, países miseráveis, cresceu muito nos últimos anos. O ministro da Defesa do Níger, Issoufou Katambe, declarou à televisão pública britânica BBC que "um grande número de terroristas" morreu na ação.

A França, antiga potência colonial, e os Estados Unidos ajudam os governos locais a combater o terrorismo.

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Terrorismo islâmico ameaça países pobres da África

Com a derrota da rede terrorista Al Caeda e do Estado Islâmico em seus países de origem, os grupos jihadistas tentam se estabelecer em outras regiões, especialmente na região do Sahel, que fica ao sul do Deserto do Saara, na África.

Uma mistura de miséria, desesperança, corrupção e governos fracos atrai os terroristas, enquanto a guerra civil sem fim na Líbia desde a queda do ditador Muamar Kadafi, em 2011, aumenta o fluxo de armas, mercenários e jihadistas na região.

A França interveio militarmente no Mali em 2013. Conseguiu conter uma rebelião da tribo dos tuaregues, mas não estabilizar o Sahel, mesmo com o apoio dos EUA.

As potências ocidentais precisam fazer novos planos e se preparar para uma guerra longa com batalhas sangrentas. Meu comentário:


domingo, 19 de maio de 2019

Ex-presidente da Nigéria adverte para ameaça terrorista na África

Em uma dura crítica aos últimos governos da Nigéria, o ex-ditador e ex-presidente Olusegun Obasanjo criticou a leniência com o grupo terrorista muçulmano Boko Haram e com massacres cometidos por tribos agropastoris no Norte do país, noticiou o jornal nigeriano Daily Post.

"Os atos de violência do Boko Haram e dos pastores não foram tratados como deveriam no começo", declarou Obasanjo ao sínodo dos bispos católicos, reunido na Catedral de São Paulo, da Igreja Anglicana, em Olê, no estado do Delta, no Sul do país, onde a maioria é cristã.

"Ambas as crises foram encubadas e se desenvolveram além do que a Nigéria pode resolver. Agora, estão combinadas e internacionalizadas, sob o controle do Estado Islâmico", acrescentou o político mais prestigiado do país, pacificador da guerra civil de Biafra (1967-70), ditador (1976-79) e presidente eleito na redemocratização da Nigéria (1999-2007).

Obasanjo alerta para a internacionalização de crises internas: "Não é mais uma questão de falta de educação e de falta de emprego para nossos jovens, que estão na origem do problema. É a islamização da África Ocidental e a ação de redes globais do crime organizado, com tráfico de pessoas, tráfico de drogas, tráfico de armas, lavagem de dinheiro, mineração ilegal e mudanças de regime."

O ex-governador Alhaji Sule Lamido, que foi ministro do Exterior no primeiro governo democrático de Obasanjo (1999-2003), criticou o ex-chefe, dizendo que o desapontamento com o governo Muhammadu Buhari não o deve tornar numa pessoa amarga. Mas o alerta está feito.

Se a Nigéria, o país mais rico da África, tem dificuldade para combater o terrorismo, o que dizer dos outros?

Desde 2009, quando aderiu à luta armada para tentar impor a lei islâmica na região, o Boko Haram, que significa repúdio à educação ocidental, é responsável por uma guerra civil com número de mortos estimado em 20 mil. A revolta atinge também os vizinhos Camarões, Níger e Chade,

O presidente Goodluck Jonathan (2010-15), um cristão iorubá do Sul da Nigéria era considerado incapaz de acabar com uma rebelião muçulmana no Norte do país, onde os muçulmanos são maioria. Ele conseguiu controlar a revolta no Delta do Rio Níger, principal região produtora de petróleo do maior produtor da África.

Em 2015, o líder do Boko Haram, Abubakar Shekau, jurou lealdade ao Estado Islâmico e passou a chamar seu grupo de Província do Estado Islâmico na África Ocidental.

Com a miséria, a instabilidade política e o tráfico de armas, que aumentou com a guerra civil na Líbia, a ameaça do jihadismo se espalha hoje por toda a região do Sahel, ao Sul do Deserto do Saara, da Mauritânia à Somália, passando por Burkina Fasso, Mali, Níger, Nigéria, Camarões, República Centro-Africana, Chade, Sudão e Etiópia.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Chade captura 250 rebeldes após bombardeio aéreo da França

O Exército do Chade capturou cerca de 250 milicianos da União das Forças da Resistência (UFR), uma aliança de oito movimentos rebeldes criada em 2009, depois que a Força Aérea da França bombardeou um comboio dos guerrilheiros no Nordeste do Chade na semana passada.

Foi um golpe duro. Deve reduzir significativamente a capacidade de ataque da UFR e seu potencial para desestabilizar a região do Sahel. A França decidiu participar da operação depois de relutar em se envolver em guerras civis na África, priorizando o combate ao terrorismo.

A Força Aérea da França bombardeou a UFR em três dias da semana passada, a pedido do governo do Chade, que não conseguiu conter os rebeldes com sua aviação militar. O comboio da UFR saiu do Sul da Líbia e cruzou a fronteira do Chade com 40 veículos. Sofreu os primeiros ataques aéreos da França em 3 de fevereiro.

Desde a intervenção francesa no Mali, em 2013, para conter uma ofensiva de movimentos jihadistas no Norte do país, as tropas francesas estacionadas na África se concentram no combate aos extremistas muçulmanos. Mas esta ação recoloca a antiga potência colonial no papel de força aérea e um governo africano aliado ameaçado por rebeldes.

Tanto a França quanto o ditador Idriss Déby, no poder desde 1990 no Chade, querem matar a rebelião na raiz.

terça-feira, 26 de junho de 2018

Suprema Corte mantém vetos à entrada nos EUA impostos por Trump

Numa vitória do presidente Donald Trump, por 5 a 4, a Suprema Corte manteve hoje a proibição de entrada nos Estados Unidos de cidadãos de cinco países de maioria muçulmana (Iêmen, Irã, Líbia, Síria e Somália) mais Coreia do Norte e Venezuela.

Foi o segundo decreto de Trump sobre o assunto. O primeiro foi derrubado por discriminação religiosa ao visar apenas países muçulmanos. O Iraque foi excluído na segunda versão por causa dos iraquianos que atuaram e atuam junto às forças dos EUA no país.

O Chade fazia parte da primeira versão do segundo decreto. Foi retirado em abril por ser outro país onde há tropas dos EUA para combater o terrorismo na região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara, na África.

A sentença, apoiada pela maioria conservadora e redigida pelo ministro Anthony Kennedy, rejeita o argumento de discriminação e estabelece que o presidente tem autoridade, nos termos da Constituição dos EUA, para impor vetos à entrada no país de cidadãos de determinados países, supostamente considerados inimigos dos EUA.

Para o jornal Los Angeles Times, foi a maior vitória jurídica de Trump. A proibição é mais uma face de sua tortuosa política de imigração.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Grupos armados tomam ministérios na Líbia

Grupos armados ocuparam vários ministérios, entre eles Defesa, Economia e Justiça, ontem em Trípoli, a capital da Líbia, informou a televisão saudita Al Arabiya. São milícias ligadas do Congresso Nacional Geral, o primeiro parlamento eleito depois da queda do ditador Muamar Kadafi, em agosto de 2011.

Com três governos rivais disputando o poder, o Governo do Acordo Nacional, reconhecido internacionalmente vai perdendo força diante das milícias da cidade de Missurata que apoiam o CNG e do Exército Nacional da Líbia que o marechal Khalifa Hifter tenta criar.

A Líbia pós-Kadafi é um país dividido em estado de anarquia, um foco de instabilidade no Norte da África com grandes repercussões em países miseráveis mais ao sul e no Oriente Médio.

Vários países do Sahel enfrentam rebeliões lideradas por extremistas muçulmanos com armas e treinamento líbios. Sob pressão no Oriente Médio, a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante tentou instalar uma base em Sirte, a cidade natal de Kadafi.

quarta-feira, 11 de março de 2015

França reforça presença no Lago Chade na guerra contra Boko Haram

A França vai realocar parte de suas tropas estacionadas na República Centro-Africana para reforçar sua presença militar no Lago Chade no momento em que as Forças Armadas do Chade, do Níger e da Nigéria lançam uma ofensiva conjunta contra a milícia extremista muçulmana nigeriana Boko Haram, anunciou hoje o ministro da Defesa francês, Jean-Yves Le Drian, informou o sítio de notícias africanas Jeune Afrique.

Cerca de 3 mil soldados franceses baseados no Chade, no Mali e na República Centro-Africana participam da Operação Barkhane, lançada em julho de 2014 para apoiar o combate ao terrorismo na região do Sahel, no Sul do Deserto do Saara, em apoio aos governos de Burkina Fasso, Chade, Mali, Mauritânia e Níger.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

45 igrejas cristãs são queimadas no Níger em protesto contra charges

Pelo menos 45 igrejas cristãs foram alvo de incêndios criminosos numa onda de protestos contra a publicação de novas caricaturas do profeta Maomé pelo jornal satírico francês Charlie Hebdo, na quarta-feira passada. Dez pessoas morreram nos ataques.

O governo do Níger, aliado da França e dos Estados Unidos na luta contra o jihadismo na região do Sahel, na África, decretou luto nacional por três dias e prometeu punir os responsáveis.

Depois que a Redação foi metralhada, em 7 de janeiro de 2015, a edição da semana passada voltou a desafiar a lógica dos terroristas, mas muçulmanos do mundo inteiro ficaram revoltados mais uma vez.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Marrocos entra na guerra contra o Estado Islâmico

Quatro caças-bombardeiros F-16 da Força Aérea do Marrocos participaram hoje de ataques da aliança liderada pelos Estados Unidos contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante perto de Badgá e em outras regiões iraquianas, noticiou o sítio Morocco World News.

Nem os EUA nem o Marrocos confirmaram o ataque. A monarquia marroquina já foi alvo de atentados terroristas e reforçou suas defesas contra o extremismo muçulmano, cada vez mais ativo na região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Presidente de Burkina Fasso renuncia

Depois de um dia de revolta em que a sede do Parlamento foi incendiada e os militares dissolveram o governo e a Assembleia Nacional de Burkina Fasso, um país da África Ocidental, o presidente Blaise Compaoré renunciou ao cargo oficialmente hoje.

O comandante das Forças Armadas, general Nabéré Honoré Traoré, prometeu formar um governo provisório para devolver o poder aos civis em no máximo 12 meses.

Compaoré, no poder desde um sangrento golpe de Estado em que o então presidente foi morto, em 1987, era o principal aliado dos Estados Unidos e da França na luta contra extremistas muçulmanos ligados à rede terrorista Al Caeda na região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara.

Sua queda foi provocada por uma revolta popular contra uma proposta de emenda constitucional para autorizar Compaoré a concorrer a um quinto mandato. A multidão festejou hoje nas ruas da capital, Uagadugu. Agora, há uma expectativa de que a revolta inspire outros países africanos onde os presidentes se negam a deixar o cargo.

Burkina Fasso é um dos países mais pobres do mundo, o 181º no ranking de desenvolvimento humano das Nações Unidas, que prometeram enviar uma força de paz em conjunto com a União Africana.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

EUA ampliam presença militar na África

Os Estados Unidos assinaram na segunda-feira, 28 de janeiro de 2013, um acordo com o Níger para estabelecer uma presença militar permanente no Deserto do Saara e na região do Sahel, onde é cada vez maior a atividade de extremistas muçulmanos ligados à rede terrorista Al Caeda.

Assim, os americanos estarão perto do Norte do Máli, no momento alvo de uma intervenção militar francesa para combater jihadistas, e das jazidas de urânio do Níger.

O maior temor dos EUA hoje é que armas de destruição em massa caiam em poder de terroristas. O urânio, carga da bomba atômica, é um desses materiais sensíveis. As usinas nucleares da França, responsáveis por 80% da geração de energia elétrica no país, se abastecem com urânio do Níger.

Depois da intervenção no Máli, os EUA e a França devem criar um centro de informações no Níger, talvez com uma base de onde aeronaves americanas não tripuladas possam patrulhar o Saara e o Sahel.

Com a fuga dos extremistas muçulmanos, a França espera que uma força de países da Comunidade Econômica da África Ocidental (Ecowas, do inglês), uma organização regional liderada pela Nigéria, ajude o Exército do Máli a manter a integridade territorial do país.

Mas o objetivo maior da intervenção francesa é evitar que Al Caeda tenha bases e centros de treinamento na vastidão do deserto do Norte da África, de onde poderia lançar ataques contra a Europa e os EUA.

Depois da morte de Ossama ben Laden, seu sucessor, o médico egípcio Ayman al-Zawahiri teria reorientado Al Caeda para a África, onde haveria mais chance de penetração do extremismo muçulmano, especialmente em Estados em colapso como a Somália ou o Máli depois do golpe militar de março de 2012.

Não está claro quanto militares americanos serão baseados no Níger. No momento, há mais de 50. Algumas pistas de pouso próximas à fronteira com o Máli já foram escolhidas para operações com drones, as aeronaves não tripuladas, ou mesmo de comandos de elite. Estão mais perto da região que tinha sido tomada pelos salafistas do que o aeroporto da capital, Bamako.

Os EUA também querem a ajuda da Argélia, que enfrentou uma violenta guerra civil contra os islamistas com mais de 100 mil mortes, para combater Al Caeda no Magreb Islâmico. Seu governo costuma ser implacável com os rebeldes muçulmanos.

O comando militar americano para a África fica na Alemanha. A maior concentração de equipamento militar americano na África neste momento está em Camp Lemonnier, uma base militar francesa no Djibuti usada para lançar ataques de drones no Iêmen.

Além do pessoal que está no Níger, o governo Barack Obama enviou um batalhão com uns 100 homens para ajudar a combater o Exército de Libertação do Senhor, um grupo guerrilheiro acusado de graves violações dos direitos humanos.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Islamitas compram jovens no Norte do Máli

Com sua riqueza ostensiva, fruto da pilhagem, as milícias da rede terrorista al Caeda no Magrebe Islâmico que tomaram o Norte do Máli há seis meses estão recrutando jovens, enquanto o país espera a intervenção militar de uma força pan-africana para se reunificar.

Em 22 de março de 2012, um grupo de oficiais do Exército deu um golpe e derrubou o presidente Amadou Traoré, que estava no poder desde 8 de junho de 2002. Com os caos político na capital, Bamako, as milícias extremistas muçulmanas do deserto tomaram Gao, uma das principais cidades do Norte do país.

Logo o Movimento Nacional de Libertação de Azawade desabou. No seu vácuo, entrou o Movimento pela Unidade e Jihad na África Ocidental (MUJAO), um grupo salafista que tem se dedicado à destruição de mesquitas e mausoléus sufistas no Norte do Máli.

Hoje o MUJAO, uma dissidência da ACMI, paga um salário-base de 114 euros por mês, entre outras vantagens. "O MUJAO é tão rico", observou um veterano. "Dá comida a seus combatentes, os paga regularmente e financia até mesmo seus casamentos com grandes somas. Os jovens não têm como resistir", reporta o jornal Courrier International.

A vida no Sahel não é nada fácil.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Al Caeda sobrevive um ano após morte de Ben Laden

Quando o comando Focas, da Marinha dos Estados Unidos, matou o líder terrorista Ossama ben Laden no Paquistão em 1º de maio de 2011, e a rede Al Caeda não mostrou capacidade para contra-atacar, o governo americano e vários comentaristas saudaram sua morte.

Mas Al Caeda conseguiu propagar sua ideologia assassina. Está ativa na região do Sahel, no Sul do Deserto do Saara, da Mauritânia à Somália, passando pela importante Nigéria, e também no Oriente Médio. Infiltrou-se no Iraque depois da invasão americana, é acusada por atentados contra o governo na revolta popular na Síria e domina regiões do Iêmen, o mais pobre país árabe.

Em Rada, no Iêmen, os jihadistas chegaram a hastear sua bandeira num quartel no início do ano, noticiou a agência Reuters, citada pela revista Foreign Policy.