Em uma dura crítica aos últimos governos da Nigéria, o ex-ditador e ex-presidente Olusegun Obasanjo criticou a leniência com o grupo terrorista muçulmano Boko Haram e com massacres cometidos por tribos agropastoris no Norte do país, noticiou o jornal nigeriano Daily Post.
"Os atos de violência do Boko Haram e dos pastores não foram tratados como deveriam no começo", declarou Obasanjo ao sínodo dos bispos católicos, reunido na Catedral de São Paulo, da Igreja Anglicana, em Olê, no estado do Delta, no Sul do país, onde a maioria é cristã.
"Ambas as crises foram encubadas e se desenvolveram além do que a Nigéria pode resolver. Agora, estão combinadas e internacionalizadas, sob o controle do Estado Islâmico", acrescentou o político mais prestigiado do país, pacificador da guerra civil de Biafra (1967-70), ditador (1976-79) e presidente eleito na redemocratização da Nigéria (1999-2007).
Obasanjo alerta para a internacionalização de crises internas: "Não é mais uma questão de falta de educação e de falta de emprego para nossos jovens, que estão na origem do problema. É a islamização da África Ocidental e a ação de redes globais do crime organizado, com tráfico de pessoas, tráfico de drogas, tráfico de armas, lavagem de dinheiro, mineração ilegal e mudanças de regime."
O ex-governador Alhaji Sule Lamido, que foi ministro do Exterior no primeiro governo democrático de Obasanjo (1999-2003), criticou o ex-chefe, dizendo que o desapontamento com o governo Muhammadu Buhari não o deve tornar numa pessoa amarga. Mas o alerta está feito.
Se a Nigéria, o país mais rico da África, tem dificuldade para combater o terrorismo, o que dizer dos outros?
Desde 2009, quando aderiu à luta armada para tentar impor a lei islâmica na região, o Boko Haram, que significa repúdio à educação ocidental, é responsável por uma guerra civil com número de mortos estimado em 20 mil. A revolta atinge também os vizinhos Camarões, Níger e Chade,
O presidente Goodluck Jonathan (2010-15), um cristão iorubá do Sul da Nigéria era considerado incapaz de acabar com uma rebelião muçulmana no Norte do país, onde os muçulmanos são maioria. Ele conseguiu controlar a revolta no Delta do Rio Níger, principal região produtora de petróleo do maior produtor da África.
Em 2015, o líder do Boko Haram, Abubakar Shekau, jurou lealdade ao Estado Islâmico e passou a chamar seu grupo de Província do Estado Islâmico na África Ocidental.
Com a miséria, a instabilidade política e o tráfico de armas, que aumentou com a guerra civil na Líbia, a ameaça do jihadismo se espalha hoje por toda a região do Sahel, ao Sul do Deserto do Saara, da Mauritânia à Somália, passando por Burkina Fasso, Mali, Níger, Nigéria, Camarões, República Centro-Africana, Chade, Sudão e Etiópia.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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domingo, 19 de maio de 2019
Ex-presidente da Nigéria adverte para ameaça terrorista na África
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sexta-feira, 18 de março de 2016
Extremistas muçulmanos massacram 500 cristãos na Nigéria
Numa série de ataques desde o mês passado, camponeses extremistas muçulmanos mataram 500 pequenos agricultores cristãos em aldeias do centro da Nigéria. Os matadores ainda estariam escondidos nas vilas. Isso impede os sobreviventes de resgatar os corpos e enterrá-los.
"Temos cadáveres jogados pelo chão como num campo de guerra do Império Romano na época do imperador Nero", declarou Steven Enada, um ativista que trabalha no desenvolvimento da região, em entrevista ao boletim de notícias Morning Star.
Mais de 7 mil pessoas fugiram de suas aldeias para escapar da matança no estado de Benue. Um sobrevivente declarou a uma delegação enviada pelo presidente Muhammadu Buhari que "aldeias inteiras foram completamente destruídas por pastores da etnia fulane. Cadáveres de cristãos não identificados ainda estão sendo encontrados. Suas propriedades foram saqueadas pelos invasores fulanes. Enquanto falo com vocês, pastores fulanes estão vivendo em aldeias desertas. Não consigo acreditar no que vi.""
Líderes dos pastores justificaram os massacres como retaliação pela morte de 10 mil reses, atribuída aos agricultores cristãos, que negam tudo. Para o advogado defensor dos direitos humanos Emmanuel Ogebe, parte de missão investigadora, era impossível matar tanto gado: "Uma matança dessas duraria semanas e as carcaças dos animais estariam por toda a região de Agatu, com um fedor insuportável no ar."
Ogebe atribuiu o massacre ao jihadismo, à "guerra santa" islâmica para converter ou matar os infiéis. Cita como prova o fato de que os assassinos ainda estão nas aldeias como numa guerra de conquista. "Nenhuma mesquita foi incendiada, enquanto todo o resto foi arrasado" afirmou Andy Obeya, de uma equipe de ajuda humanitária.
"Temos cadáveres jogados pelo chão como num campo de guerra do Império Romano na época do imperador Nero", declarou Steven Enada, um ativista que trabalha no desenvolvimento da região, em entrevista ao boletim de notícias Morning Star.
Mais de 7 mil pessoas fugiram de suas aldeias para escapar da matança no estado de Benue. Um sobrevivente declarou a uma delegação enviada pelo presidente Muhammadu Buhari que "aldeias inteiras foram completamente destruídas por pastores da etnia fulane. Cadáveres de cristãos não identificados ainda estão sendo encontrados. Suas propriedades foram saqueadas pelos invasores fulanes. Enquanto falo com vocês, pastores fulanes estão vivendo em aldeias desertas. Não consigo acreditar no que vi.""
Líderes dos pastores justificaram os massacres como retaliação pela morte de 10 mil reses, atribuída aos agricultores cristãos, que negam tudo. Para o advogado defensor dos direitos humanos Emmanuel Ogebe, parte de missão investigadora, era impossível matar tanto gado: "Uma matança dessas duraria semanas e as carcaças dos animais estariam por toda a região de Agatu, com um fedor insuportável no ar."
Ogebe atribuiu o massacre ao jihadismo, à "guerra santa" islâmica para converter ou matar os infiéis. Cita como prova o fato de que os assassinos ainda estão nas aldeias como numa guerra de conquista. "Nenhuma mesquita foi incendiada, enquanto todo o resto foi arrasado" afirmou Andy Obeya, de uma equipe de ajuda humanitária.
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