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segunda-feira, 4 de setembro de 2023

Golpes militares marcam o fim da França-África

Desde 1990, dois terços dos golpes de Estado ocorridos na África foram em antigas colônias da França. Nos últimos cinco anos, oito foram em ex-colônias francesas. É o fim do arranjo negociado pelo general e presidente Charles de Gaulle com as elites políticas e econômicas locais para manter a influência da França depois da independência, em 1960.

Com a exceção do Gabão, as outras ex-colônias da França estão entre os países mais pobres do mundo, apesar de serem ricos em minérios, enfrentam o terrorismo de extremistas muçulmanos e estão numa das regiões mais atingidas pelo aquecimento global.

O Gabão é rico em petróleo e tem uma renda per capita quatro vezes acima da média da África Subsaariana. Há quase 56 anos, era um feudo da família Bongo. O líder do golpe, general Brice Oligui Nguema, primo do presidente deposto, foi empossado hoje pelo supremo tribunal do país. Prometeu anistia para presos políticos, eleições livres e uma nova Constituição, mas não marcou data. Meu comentário:

domingo, 8 de março de 2020

Força Aérea da Nigéria bombardeia Boko Haram na Floresta de Sambissa

A Força Aérea da Nigéria atacou na semana passada acampamentos da milícia extremista muçulmana Boko Haram na Floresta de Sambissa, no Nordeste do país. Na quinta-feira, a estrutura do campo Alafa C foi arrasada e os terroristas neutralizados, noticiou a televisão nigeriana citando fontes militares.

No seu segundo mandato popular, o presidente Muhammadu Buhari, ex-general e ex-ditador, decidiu lançar uma guerra total contra o grupo jihadista que aterroriza o Nordeste da Nigéria desde 2009, quando aderiu à luta armada para impor a lei islâmica na região.

Em 2015, o Boko Haram, que significa repúdio à educação ocidental, se dividiu. Surgiu a Província do Estado Islâmico na África Ocidental, que tem suas principais bases na beira do Lago Chade. Além da Nigéria, estes grupos atacam em Camarões, no Chade e no Níger.

A Província do Estado Islâmico na África Ocidental trata seus civis muçulmanos melhor do que o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, o original, e que o Boko Haram. Cava poços de água, policia o pastoreio do gado, oferece serviços de saúde e pune seus milicianos em casas de abusos de civis.

Nas regiões que domina, os civis pagam impostos ao grupo como se fosse um governo legítimo e consideram o ambiente de negócios melhor do que sob o Estado nigeriano.

Para derrotar a insurgência, além do aspecto militar, o governo da Nigéria precisa reconquistar a confiança da população, oferecer serviços públicos de melhor qualidade, combater a impunidade das forças de segurança, garantir o funcionamento dos mercados locais e manter um canal de comunicação com os rebeldes.

quarta-feira, 4 de março de 2020

Congresso dos EUA quer manter forças no Sahel

A aliança entre Al Caeda e o Estado Islâmico na região do Sahel, na África, ameaça alguns dos países pobres do mundo. O Congresso dos Estados Unidos e a França tentam impedir o governo Donald Trump de retirar as forças americanas da região. 

Deputados e senadores americanos quere aprovar uma lei para impedir o presidente Donald Trump de retirar forças dos Estados Unidos que combatem o terrorismo dos extremistas muçulmanos na África. 

A preocupação é com os jihadistas, que estão ganhando espaço na África Oriental e na região do Sahel da África Ocidental. Com a nova doutrina de segurança nacional feita pelo governo Donald Trump, a prioridade deixa de ser a guerra contra o terrorismo deflagrada pelo então presidente George W. Bush depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos. 

Trump está mais preocupado com a competição estratégica com a China e a Rússia. Meu comentário:

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Cooperação Al Caeda-Estado Islâmico aumenta ameaça do terror no Sahel

A rede Al Caeda (A Base) e o grupo Estado Islâmico estão coordenando operações terroristas e dividindo esferas de influência no Mali, no Níger e em Burkina Fasso, noticiou o jornal americano The Washington Post. Esta tríplice fronteira é considerada hoje a região mais crítica no combate ao jihadismo na região do Sahel, na África Ocidental.

De acordo com agentes franceses, os dois grupos estão se tornando mais organizados e mais ágeis na sua guerra contra países pobres e fracos, "realizando ataques com um profissionalismo que não tínhamos visto".

A coordenação entre a Jamaat Nusrat al-Islam Muslimen (Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos), ligada à Caeda , e o Estado Islâmco no Grande Saara vai piorar a situação de segurança na região, com a possibilidade de atentados e sequestros, abrindo caminho para operações de maior envergadura.

Esta cooperação não significa que os dois grandes movimentos jihadistas, que romperam durante a guerra civil da Síria. Foi em janeiro de 2014, depois que o sucessor de Ossama ben Laden como líder d'al Caeda, o médico egípcio Ayman al-Zawahiri, mandou dissolver o Estado Islâmico do Iraque e do Levante para que a organização liderada por Abu Baker al-Baghdadi limitasse suas operações ao Iraque.

Al-Baghdadi não aceitou, alegando não reconhecer as fronteiras traçadas pelo imperialismo ocidental a partir do Acordo Sykes-Picot (1916), em que os Impérios Britânico e Francês dividiram o Oriente Médio entre si com a dissolução do Império Otomano (turco) no fim da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Não houve uma reconciliação entre os dois movimentos. Eles têm inimigos comuns num teatro de operações específico. A situação do Sahel é a mais grave da guerra contra o terrorismo. Países miseráveis, com problemas étnicos, são terreno fértil para recrutamento de jovens para movimentos extremistas.

A França mantém soldados na região desde a intervenção militar no Mali, em janeiro de 2013. Hoje, são 5.100 militares franceses, mas os Estados Unidos ameaçaram reduzir seu contingente que combate o terrorismo na África, focado hoje principalmente na Somália.

domingo, 2 de fevereiro de 2020

França envia mais 600 soldados para o combate ao terror no Sahel

Até o fim de fevereiro, a França vai mandar mais 600 soldados para participar da Operação Barkhane, que combate o terrorismo de extremistas muçulmanos na região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara, anunciou hoje a ministra dos Exércitos da França, Florence Parly. Eles vão se juntar a outros 4,5 mil militares franceses que já estão na região.

A expectativa era que a França enviasse 2,2 mil soldados. O grosso dos reforços vai combater milícias jihadists na região de tríplice fronteira entre o Mali, Burkina Fasso e o Níger. O resto vai atuar diretamente no seio das Forças Armadas do Grupo dos Cinco do Sahel (Mauritânia, Mali, Burkina Fasso, Níger e Chade).

Junto com os 600 reforços, serão enviados cerca de cem veículos (blindados leves e pesados e veículos de transporte). Em novembro, a França perdeu 13 soldados num acidente entre dois helicópteros de combate.

Os grupos jihadistas intensificaram as ações terroristas no Sahel, uma região árida e pobre onde o aquecimento global agrava a miséria e a fome, com jovens homens sem futuro que são facilmente atraídos com promessas dos extremistas.

A intervenção militar francesa no Sahel começou em janeiro de 2013, quando grupos jihadistas e tuaregues marchavam em direção a Bamako, a capital do Mali. Conseguiu recuperar territórios do Norte do país, mas não acabar com as milícias.

Daqui a seis meses, a Operação Barkhane passará por nova avaliação. Numa reunião de cúpula no mês passado, a França e o G5 Sahel fizeram um apelo aos Estados Unidos para que não retirem suas forças do Sahel. Há cerca de 5 mil soldados americanos combatendo o terrorismo na África, a maioria na Somália, que fica no Leste do Sahel.

Um dos objetivos da França é mobilizar outros países europeus para que se engajem na guerra contra o terror na África. Como os EUA devem reduzir seu contingente, o comandante-em-chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas americanas, general Stephen Townsend, apelou aos europeus a que "aceitem o desafio e façam mais para ajudar a França no Sahel".

domingo, 26 de janeiro de 2020

Macron reúne gabinete de segurança para definir estratégia no Sahel

O presidente Emmanuel Macron vai se encontrar na quarta-feira com seus principais assessores de segurança e defesa para discutir a estratégia de combate ao terrorismo muçulmano na região do Sahel, na África, ao sul do Deserto do Saara.

Durante reunião de cúpula com o Grupo dos Cinco (G5) do Sahel (Mauritânia, Burkina Fasso, Mali, Níger e Chade), Macron prometeu enviar mais 2,2 mil soldados franceses para se juntar a um contingente de 4,5 mil militares da França que estão hoje na região, do tamanho da Europa.

A intervenção militar francesa não tem sido suficiente para reduzir a ofensiva jihadista, que explora a miséria e os conflitos étnicos da região e se beneficia com o tráfico de armas para a guerra civil na Líbia, que vive em estado de anarquia desde a queda do ditador Muamar Kadafi, em 2011.

Como os Estados Unidos pretendem retirar as forças estacionadas na África para dar mais ênfase à concorrência estratégica da China e da Rússia do que ao combate ao terrorismo dos extremistas muçulmanos, a responsabilidade da França vai aumentar.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

França e países africanos apelam a EUA para não deixar do Sahel

A França e cinco países da África pediram hoje aos Estados Unidos que não abandonem a luta contra o terrorismo dos extremistas muçulmanos na região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara.

Em reunião de cúpula na cidade de Pau, no Sul da França, o presidente Emmanuel Macron e os líderes de cinco países do Sahel (Burkina Fasso, Chade, Mali, Mauritânia e Níger) resolveram reforçar a cooperação militar na luta contra o extremismo muçulmano.

O Grupo dos Cinco decidiu “manifestar o desejo de manter o engajamento da França no Sahel”, apesar do sentimento antifrancês nas antigas colônias africanas. Também considera crucial o apoio dos Estados Unidos, que anunciaram a intenção da retirar suas forças da região numa revisão estratégica e da doutrina de segurança nacional. 

Macron prometeu enviar mais 2.200 soldados da França, que já tem 4,5 mil tropas na Operação Barkhane, patrulhando uma área do tamanho da Europa. Meu comentário:

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

EUA consideram retirar forças que combatem terrorismo na África Ocidental

Em mais um recuo estratégico de sérias consequências para o combate ao terrorismo dos extremistas muçulmanos e à liderança dos Estados Unidos, o Departamento da Defesa, o Pentágono, está cogitando reduzir significativamente as forças americanas estacionadas na África Ocidental e considera até mesmo a possibilidade de uma retirada total, noticiou na véspera do Natal o jornal The New York Times

Uma redução drástica ou uma retirada total das tropas americanas e sobrecarregar ainda mais as forças da França e dos países africanos miseráveis que combatem o jihadismo na região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara. 

A medida faz parte revisão estratégica e da doutrina de segurança nacional dos EUA feita pelo governo Trump. Há cerca de 200 mil soldados americanos no exterior. O objetivo é abandonar o combate a grupos terroristas geograficamente distantes, que em tese não representam uma ameaça direta aos EUA, e se concentrar na competição estratégica com grandes potências, no caso, a China e a Rússia.

Desta maneira, o governo Donald Trump pode abandonar uma base de drones recém-construída no Níger a um custo de 110 milhões de dólares, mais de 344 milhões de reais, e suspender a ajuda às forças da França que combatem o terrorismo em Burkina Fasso, no Mali e no Níger. Meu comentário:

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Terror mata 71 soldados em ataque a base militar no Níger

Pelo menos 71 soldados do Exército do Níger, um país muito pobre do Leste da África, foram mortos num ataque terrorista atribuído a um grupo ligado à organização terrorista Estado Islâmico. É mais um sinal de que a região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara, se tornou o principal foco da guerra contra o terrorismo dos extremistas muçulmanos.

Outros 12 soldados saíram feridos. Até agora, nenhum grupo reivindicou a responsabilidade pelo ataque. Milícias ligadas à rede terrorista Al Caeda e ao Estado Islâmico se beneficiaram do tráfico de armas na guerra civil da Líbia e são muito ativas na região do Sahel.

A insurgência em Burkina Fasso, no Mali e no Níger, países miseráveis, cresceu muito nos últimos anos. O ministro da Defesa do Níger, Issoufou Katambe, declarou à televisão pública britânica BBC que "um grande número de terroristas" morreu na ação.

A França, antiga potência colonial, e os Estados Unidos ajudam os governos locais a combater o terrorismo.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Trump perdoa ex-assessor de Cheney que revelou identidade de agente da CIA

Em mais um desafio à Justiça, o presidente Donald Trump indultou Lewis Scooter Libby, chefe de pessoal do vice-presidente Dick Cheney, no governo George W. Bush (2001-9), condenado a dois anos e meio de prisão e multa de US$ 250 mil por mentir ao júri e aos investigadores do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos Estados Unidos, e obstrução de justiça no processo sobre a revelação identidade de uma agente secreta da Agência Central de Inteligência (CIA), em 2007.

"Não conheço o Sr. Libby, mas há anos ouço dizer que foi tratado injustamente", declarou Trump. "Espero que este perdão completo vai ajudar a retificar um período muito triste de sua vida." A Casa Branca alegou que desde a condenação ele teve uma conduta "imaculada e continua a ser visto em alta estima por seus pares e colegas".

Valery Plame Wilson é casada o embaixador Joseph Wilson, que fez um relatório negando uma suposta compra de urânio no Níger, um país africano, pelo então ditador do Iraque, Saddam Hussein. A alegação partiu do serviço secreto da Itália, na época governada pelo arquicorrupto primeiro-ministro Silvio Berlusconi.

A compra inexistente de urânio nigerino pelo Iraque foi usada por Bush como argumento para afirmar que Saddam estava desenvolvendo a bomba atômica, entre outras armas de destruição em massa. Wilson denunciou a farsa na imprensa na época da invasão do Iraque, em 2003.

Bush comutou a pena de Libby, que nunca chegou a ser preso, mas se negou a dar o perdão total como queria Cheney. Trump, um presidente sem quaisquer escrúpulos, perdoou Libby no momento em que volta à guerra contra o ex-diretor-geral do FBI James Comey.

"No dia em que o presidente ataca Comey erradamente por ser um 'vazador e mentiroso', ele perdoa um vazador e mentiroso condenado, Scooter Libby", comentou no Twitter o deputado democrata Adam Schiff. "É a maneira do presidente enviar uma mensagem aos implicados no inquérito sobre a Rússia: vocês têm meu apoio e eu tenho o de vocês."

Em livro de memórias, Comey acusou o presidente de ignorar a lei e agir como um chefão da máfia. Ele foi o primeiro e único diretor-geral do FBI demitido por razões políticas. Outro foi afastado por corrupção. Comey presidia a investigação sobre um possível conluio da campanha de Donald Trump com a Rússia.

Diante da demissão de Comey, o Departamento da Justiça nomeou outro ex-diretor-geral do FBI, Robert Mueller, como procurador especial para investigar a interferência indevida da Rússia nas eleições de 2016 nos EUA.

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Cruz Vermelha nega ter negociado libertação de reféns do Boko Haram

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha negou ter participado de negociações para libertar três professores universitários e dez mulheres que estavam em poder da milícia terrorista Boko Haram no Nordeste da Nigéria, informou hoje o jornal nigeriano The Daily Post.

As mulheres foram sequestradas em junho e os professores da Universidade da Maiduguri em novembro do ano passado, nos dois casos no estado de Borno. A Cruz Vermelha afirma que foi chamada apenas para transportar os reféns libertados.

"Estamos muito felizes que estas pessoas tenham sido libertadas e possam rever suas famílias", declarou o subdiretor regional da Cruz Vermelha para a África, Patrick Youssef. "A Cruz Vermelha Internacional não se envolveu em qualquer negociação que tenha levado à entrega dessas 13 pessoas. A oposição armada entregou as 13 pessoas a representantes da Cruz Vermelha, que os transportaram até autoridades nigerianas."

Em outubro de 2016 e maio de 2017, a Cruz Vermelha recebeu e transportou meninas sequestradas numa escola em Chibok, entregando-as as forças de segurança da Nigéria.

"Há muitas pessoas desaparecidas ou detidas contra a sua vontade por causa do conflito", acrescentou o diretor da Cruz Vermelha. Isto cria um sofrimento e um trauma indescritíveis, inclusive para muitas famílias [de países] da orla do Lago Chade [Nigéria, Níger, Chade e Camarões], que precisam viver com uma angústia e uma incerteza diárias de não saber o destino e a localização de suas pessoas amadas. Espero que possam voltar para suas famílias em breve."

Cerca de 20 mil pessoas foram mortas na região desde 2009, quando o grupo extremista muçulmano Boko Haram, que significa "não à educação ocidental", aderiu à luta armada para impor a lei islâmica no Nordeste da Nigéria.

Em março de 2015, seu líder, Abubakar Shekau, jurou lealdade à organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante e passou a se chamar Província do Estado Islâmico na África Ocidental.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Trump bate boca com viúva grávida de soldado morto na África

A viúva rompeu o silêncio. Com apenas 24 anos, grávida, Myeshia Johnson perdeu o marido, o sargento La David Johnson, morto por terroristas ligados ao grupo Estado Islâmico em 5 de outubro no Níger. Ela disse que chorou depois de receber o telefonema do presidente Donald Trump. 

O presidente não sabia nem o nome do soldado morto e falou que o marido dela sabia o que estava fazendo quando entrou para o Exército dos Estados Unidos. Agora, chamou uma viúva de uma família com a estrela de ouro, por ter um filho morto em combate, de mentirosa.

Em entrevista ao telejornal Good Morning, America, da rede de televisão ABC, Myeshia John confirmou a versão divulgada pela deputada democrata Frederica Wilson, atacada por Trump e pelo chefe da Casa Civil da Casa Branca, general John Kelly.

"Eu o ouvi tropeçando ao tentar lembrar o nome do meu marido, e isso foi o que mais me feriu", contou Myeshia.

Trump a desmentiu imediatamente pelo Twitter: "Tive uma conversa respeitosa com a viúva do sargento La David Johnson e falei o nome dele desde o começo, sem hesitação!"

Ela revelou ter recebido poucas informações sobre o que realmente aconteceu com seu marido no Níger, onde os EUA mantêm 800 soldados para ajudar o Exército do país na luta contra o terrorismo. Johnson se perdeu e seu corpo foi abandonado no campo de batalha. Só foi resgatado 48 horas depois da emboscada, quando a patrulha onde estavam os americanos foi atacada por 50 terroristas. Quatro americanos morreram.

"Não vi o que estava dentro daquela caixa", declarou a viúva, falando do caixão. "Até onde sei, poderia estar vazia."

Myeshia não falou nada durante a ligação do presidente. Ficou "muito chateada e ferida. Me fez chorar ainda mais." Ela acrescentou que "não tenho nada a dizer a ele".

Durante a campanha, Trump atacou uma família muçulmana cujo filho soldado morrera em combate.

Em entrevista à televisão pública britânica BBC, o ex-secretário da Defesa Leon Panetta deplorou o bate-boca de Trump com a jovem viúva grávida: "Isso diminui a instituição da Presidência."

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Chefe da Casa Civil da Casa Branca mentiu sobre deputada

Um dos adultos encarregados de pôr um mínimo de ordem no caótico governo Donald Trump foi pego mentindo sobre a deputada que revelou a insensibilidade do presidente dos Estados Unidos ao dar condolências à viúva grávida de um militar morto por terroristas no Níger, na África Ocidental. O chefe da Casa Civil da Casa Branca, general John Kelly, mentiu para atacar a deputada federal Frederica Wilson.

Trump levou 12 dias para encontrar em contato com as famílias dos quatro soldados mortos kem 4 de outubro na África, numa emboscada de terroristas ligados ao grupo Estado Islâmico. Teria dito à viúva: "Seu marido sabia o que estava assinando, mas entendo que dói de qualquer maneira." O presidente nem citou o nome do sargento La David Johnson, indignou-se a mãe dele. A viúva chorou ao desligar o telefone.

A deputada federal democrata Frederica Wilson deu publicidade à indignação da família e logo se tornou alvo das retaliações da Casa Branca. O general Kelly afirmou que, ao participar da inauguração da nova sede do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, em Miami, em 2015, Frederica Wilson teria alegado que ela conseguira os US$ 20 milhões para a obra.

Kelly apresentou Wilson como uma política cínica e oportunista, em busca da notoriedade fácil. Mas um vídeo divulgado pelo jornal The Sun Sentinel, da Flórida, derrubou a versão do general, dando razão à deputada.

Em seu discurso de nove minutos, ela nunca reivindicou para si a obtenção do dinheiro, admitindo ter sido aprovado antes de ser eleita para a Câmara dos Representantes.

Wilson fez, sim, com outros deputados, o projeto para dar ao edifício o nome de dois agentes do FBI, Benjamin Grogan e Jerry Dove, mortos em troca de tiros com assaltantes de bancos em 1986, reportou o jornal Miami Herald.

Hoje a deputada reagiu e levou o caso para a questão racial: "A Casa Branca está cheia de supremacistas brancos", disparou. "Tenho pena dele por achar que precisa mentir sobre mim, que não sou sua inimiga. Não posso nem imaginar por que ele inventou uma mentira dessas. É totalmente insano. Estou pasmada porque era tão fácil de descobrir."

Frederica Wilson era amiga da família. Conhecia La David Johnson desde o ensino fundamental, quando ele entrou para um programa de tutoria criado por ela. A deputada estava com a família dentro da limusine esperando o caixão com o corpo do sargento na pista do aeroporto quando o presidente ligou. Ela ouviu a conversa pelo viva-voz do rádio do carro.

Mais um bate-boca gerado pelo governo Trump suscitou dúvidas sobre o que realmente aconteceu no Níger em 4 de outubro. Aparentemente, os soldados americanos acompanhavam uma patrulha do Exército local perto da fronteira como Mali quando foram surpreendidos por 50 jihadistas. Não tinham homens nem poder de fogo para resistir.

A primeira questão é: que informações de inteligência esses militares tinham para se arriscar andar sem proteção especial numa fronteira de alto risco? O que eles estavam fazendo lá? Quem os mandou para essa missão? Houve negligência?

Os democratas comparam com o ataque terrorista ao consulado dos EUA em Bengázi, na Líbia, em 11 de setembro de 2012, quando morreram o embaixador e outros três americanos. A na época oposição republicana explorou o episódio, mais ainda porque Hillary Clinton era a secretária de Estado, no primeiro governo Barack Obama.

Pior para o governo Trump é a revelação de que o sargento Johnson foi abandonado no campo de batalha. Seu corpo foi resgatado 48 horas depois. A deputada chegou a cogitar que tenha ficado vivo agonizando durante horas. Isso quebra uma regra fundamental das Forças Armadas dos EUA: nenhum soldado pode ser deixado para trás. Johnson era o único negro do grupo.

domingo, 19 de março de 2017

Líder do Boko Haram ameaça tomar a África Ocidental

Para desmentir e desafiar o Exército de Nigéria, que anunciou a derrota militar do grupo, o líder da milícia jihadista Boko Haram, Abubakar Shekau, prometeu lutar até conquistar vários países da África Ocidental e impor a lei islâmica, noticiou o jornal nigeriano The Daily Post.

Em vídeo divulgado na última sexta-feira, Shekau ameaçou derrubar os governos do Benin, de Camarões, do Chade, do Mali, do Níger e da Nigéria. A gravação apresentava armas, munições, insígnias e outros objetos que supostamente pertenciam a soldados camaroneses.

A gravação, de 27 minutos, foi enviada a jornalistas de Abuja, a capital nigeriana, por um jornalista com contato no Boko Haram, cujo nome significa repúdio à educação ocidental. Há três dias, a milícia divulgara outro vídeo anunciado ter matado três homens que acusou de serem espiões do governo.

Ao aderir a luta armada para impor a lei islâmica no Nordeste da Nigéria, em 2009, o Boko Haram deflagrou uma guerra civil com um total de mortos estimado hoje em 15 mil. Em 7 de maio de 2015, Shekau declarou lealdade ao Estado Islâmico do Iraque e do Levante, seu líder Abubaker al-Baghdadi e o califado por ele proclamado.

Desde então, o Boko Haram se apresenta como a Província do Estado Islâmico na África Ocidental. É a segunda maior organização terrorista não estatal em número de mortos, atrás apenas do Estado Islâmico em violência e malignidade.

sábado, 17 de setembro de 2016

Exércitos matam 38 milicianos do Boko Haram no Sul do Níger

Uma operação conjunta dos exércitos do Níger e do Chade matou pelo menos 38 rebeldes da milícia extremista muçulmana nigeriana Boko Haram na região de Difa, no Sul do Níger, na África Ocidental. Dois soldados saíram feridos, noticiou o jornal árabe Asharq Al-Awsat.

A operação foi realizada de segunda a quarta-feira nas vilas de Gueskeru e Tumur, situadas a cerca de 30 quilômetros da cidade de Difa. Os dois exércitos também aprenderam grande quantidade de armas e munições, afirmou o porta-voz do Exército do Níger, Moustapha Ledru.

Os terroristas contra-atacaram em Gueskeru na quarta-feira à noite, sem matar ninguém. "O ataque causou uma psicose na população. Os assaltantes incendiaram casas e lojas, rombaram comida e medicamentos, saqueando lojas e farmácias", declarou um funcionário de uma organização não governamental à Agência France Presse (AFP).

Em sete anos desde que aderiu à luta armada, o Boko Haram, que hoje se apresenta como a Província do Estado Islâmico na África Ocidental, provocou uma guerra civil com total de mortes estimados em pelo menos 20 mil pessoas na Nigéria, no Níger, no Chade e em Camarões.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Crise econômica gera revoltas e fraudes eleitorais na África

Com a desaceleração da China e a queda nos preços dos produtos primários, a África é o continente que mais sofre. A crise econômica gera revoltas populares e manipulação de eleições para não entregar o poder.

As 16 eleições presidenciais previstas para 2016 testam a democracia no continente. Se a oposição chegou ao poder em 2015 na Nigéria e neste ano em Cabo Verde, no antigo Congo Francês, no Níger, em Uganda e em Zanzibar, parte da Tanzânia, houve fraude e manipulação de eleições.

A empresa de análise e consultoria Africa Confidential identifica três tendências inquietantes:
• os presidentes em exercício estão usando a tecnologia da informação para driblar a vontade popular;
• há uma ascensão da "democracia antiliberal" e do "desenvolvimentismo autoritário"; e
• os partidos de oposição mais marginalizados estão boicotando eleições.

Em fevereiro, Yoweri Museveni, no poder desde 1986 em Uganda, reprimiu a oposição e fraudou as eleições para se reeleger. Em março, houve eleições livres e limpas no Benin, em Cabo Verde e no Senegal, mas Denis Sassou-Nguesso teve de mudar a Constituição e manipular as eleições no Congo-Brazzaville (ex-Congo Francês) para se manter no cargo que ocupa desde 1997.

No Sudão, em abril, o ditador Omar Bachir, no poder desde 1989 reprimiu a oposição, manipulou a votação e ameaçou lançar uma nova ofensiva militar para vencer o referendo sobre Darfur, uma região do país onde seu governo islamita é acusado de cometer genocídio matando mais de 300 mil pessoas.

Em março de 2009, Bachir se tornou o primeiro presidente em exercício denunciado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), por genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra em Darfur. O Superior Tribunal de Justiça da África do Sul mandou prendê-lo durante uma reunião de cúpula da União Africana em Joanesburgo em junho de 2015, mas o governo Jacob Zuma ignorou a decisão.

Também em abril foram reeleitos fraudulentamente Teodoro Obiang, no poder desde 1979 na Guiné Equatorial; Idriss Déby, no poder desde 1990 no Chade; e Ismaïl Omar Guelleh, no poder desde 1999 em Djibuti depois de substituir o tio.

Por 233 a 143, graças à maioria do Congresso Nacional Africano (CNA), o presidente Jacob Zuma sobreviveu a um pedido de impeachment na Assembleia Nacional da África do Sul depois que a Suprema Corte o obrigou a devolver aos cofres públicos US$ 23 bilhões gastos na reforma de sua mansão particular.

As eleições municipais de agosto na África do Sul serão um teste para o CNA, que reluta em afastar seu líder corrupto. Também em agosto, será a vez o Gabão, onde há suspeitas de fraude contra o presidente Ali Bongo, no poder desde 2009, quando substituiu o pai, que foi ditador por 42 anos. Na Zâmbia, Edgar Lungu concorre à reeleição. Seus partidários são acusados de intimidar a oposição.

A República Democrática do Congo a Gana realizam eleições gerais em novembro. No antigo Congo Belga e Zaire, o presidente Joseph Kabila, no poder desde 2001, quando sucedeu ao pai, Laurent Kabila, tenta mudar a Constituição para concorrer a um terceiro mandato. A oposição já protesta nas ruas e pode haver violência. Em Gana, a expectativa é de eleições livres e limpas.

Em dezembro, haverá eleições parlamentares na Costa do Marfim, com favoritismo para os partidários do presidente Alassane Ouattara, reeleito em 2015, e na Gâmbia, que na prática é uma ditadura com um partido dominante, sob o comando de Yahya Jammeh, no poder desde 1994.

Esta onda de fraudes e manipulações eleitorais mina a democracia e desanima os partidos e candidatos derrotados, aumentando o risco de recurso à violência para combater a injustiça social, como advertiu o ex-secretário-geral das Nações Unidas Kofi Annan durante um fórum sobre segurança realizado na Etiópia em 25 de abril: "Se um líder não quer deixar o poder, as eleições são vistas como fraudadas para favorecer o líder e ele fica no poder mandato após mandato após mandato, a tendência é acreditar que a única maneira de tirá-lo é através de um golpe ou tomando as ruas."

Um dos instrumentos da fraude eleitoral na África contemporânea é a alta tecnologia, introduzida sob o pretexto de combater as irregularidades.

No Quênia, mais da metade dos kits eletrônicos usados para controlar o acesso dos eleitores às seções de votação não funcionaram, impedindo muita gente de votar nas eleições de 2013. O sistema de transmissão de dados por telefonia celular também não funcionou.

Ninguém foi responsabilizado por problemas semelhantes aos que deflagraram uma onda de violência depois das eleições de dezembro de 2007. A oposição e monitores independentes atribuíram as irregularidades à chapa vencedora, formada pelo presidente Uhuru Kenyatta e o vice-presidente William Ruto, e a seus aliados na Comissão Eleitoral Independente. Como em 2007, Raila Odinga foi roubado.

A exemplo do que aconteceu na eleição de Jorge Salinas no México em 1988, os dois principais candidatos disputavam voto a voto quando houve um problema técnico na apuração. Uma vez resolvido o problema, o candidato oficial dispara.

Em Uganda, sem o uso abusivo da tecnologia da informação, o veterano líder oposicionista Kizza Besigye denuncia que no distrito de Kiruhura, um dos redutos eleitores do presidente Museveni, 67 seções eleitorais registraram 100% de comparecimento às urnas e em 47 seções todos os votos foram para Museveni.

Mesmo depois do anúncio da vitória do presidente com cerca de 60% dos votos, o governo continuou perseguindo a oposição e confiscando documentos capazes de denunciar a fraude em foros internacionais. Besigye está em prisão domiciliar.

Ao impedir a fiscalização direta dos partidos em cada mesa de votação, a tecnologia acaba colaborando para encobrir a fraude. Duas empresas israelenses, SuperTech Ltd. em Gana e Nikuv na Zâmbia e no Zimbábue, foram acusadas por partidos de oposição de manipular resultados e destruir as provas do crime.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Boko Haram usou 44 crianças como terroristas suicidas em 2015

A milícia extremista muçulmana nigeriana Boko Haram usou 44 crianças-bomba em 2015, 11 vezes mais do que no ano anterior, denunciou um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), citado pelo jornal The New York Times.

O Unicef estima que 20% dos terroristas suicidas do Boko Haram nos últimos anos eram menores de idade. A mais jovem tinha apenas oito anos.

"Para mim, é a essência do mal", declarou o coordenador de ações humanitárias da ONU para a África Ocidental. "Não consigo pensar em nada mais horrível.

O Boko Haram, que significa não à educação ocidental, aderiu em 2009 à luta armada para impor a lei islâmica à Nigéria, provocando uma guerra civil em que 20 mil pessoas foram mortas. Também age em países vizinhos como Camarões, o Chade e o Níger. Só em Camarões, houve 22 atentados suicidas cometidos por menores.

Na maioria dos casos, as vítimas eram meninas e às vezes nem sabiam que estava carregando bombas detonadas por controle remoto.

Há dois anos, o grupo sequestrou 273 meninas numa escola cristã em Chibok, no Nordeste da Nigéria. Algumas conseguiram fugir, mas a maioria nunca foi libertada. Muitas foram obrigadas a se casar com os jihadistas e várias se transformaram em militantes voluntariamente ou não.

Houve meninas que aceitaram ser terroristas suicidas na esperança de encontrar um policial e soldado e se entregar.

sábado, 26 de março de 2016

Nigéria anuncia libertação mais de 800 reféns do Boko Haram

O Exército da Nigéria resgatou mais de 800 reféns mantidos pela milícia extremista muçulmana Boko Haram, que há mais de um ano se apresenta como a Província do Estado Islâmico na África Ocidental, noticiou a televisão árabe Al Jazira.

Só na vila de Kussuma foram soltos 520 reféns e mais de 300 em outras aldeias do Nordeste da Nigéria, declarou o porta-voz do Exército, coronel Sani Kukasheka Usman. Pelo menos 25 jihadistas foram mortos.

Derrotar a rebelião muçulmana do Boko Haram, cujo nome significa repúdio à educação ocidental, é uma prioridade do presidente Muhammadu Buhari, no poder há 10 meses. Desde então, o Boko Haram perdeu territórios, mas ainda é capaz de fazer ações terroristas, principalmente no Nordeste da Nigéria. Também atacou países vizinhos como Camarões, Chade e Níger.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

EUA enviam 300 soldados para luta contra Boko Haram em Camarões

O presidente Barack Obama anunciou ontem o envio de 300 militares dos Estados Unidos para a República de Camarões, na África Ocidental, com a missão de realizar operações de espionagem, vigilância e reconhecimento na guerra contra a milícia extremista muçulmana Boko Haram.

A decisão foi tomada por causa do aumento da área de atuação do grupo terrorista nigeriano, que também ameaça países vizinhos como Camarões, Chade e Níger. No domingo passado, dois atentados cometidos por mulheres-bomba mataram nove pessoas e feriram outras 29 no Norte de Camarões.

Só nos últimos quatro meses, houve 15 atentados suicidas naquela região do país, observou o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki Moon, enquanto o Conselho de Segurança condenava os ataques.

Em outra ação atribuída ao Boko Haram, que significa repúdio à educação ocidental, homens-bomba atacaram um mercado de peixe e um campo de refugiados na cidade de Baga Sola, matando 41 pessoas e ferindo outras 50.

Desde a posse do novo presidente Muhammadu Buhari, um ex-ditador e ex-general, a Nigéria intensificou a ofensiva contra o Boko Haram, que agora se apresenta como a província do Estado Islâmico na África Ocidental.

sábado, 10 de outubro de 2015

Bombas do Boko Haram matam 37 pessoas no Chade

Três explosões atribuídas ao grupo terrorista nigeriano Boko Haram atingiram um mercado e um campo de refugiados na cidade de Baga Sola, no Chade, matando pelo menos 37 pessoas e deixando 52 feridas, reportou a televisão árabe Al Jazira.

Baga Sola fica à margem do Lago Chade, compartilhado por Chade, Nigéria, Níger e Camarões, quatro países que enfrentam os rebeldes islamitas da milícia Boko Haram, que agora se apresenta como a província do Estado Islâmico na África Ocidental.

As autoridades chadianas ainda investigam o ataque. A ação tem as características dos ataques do Boko Haram.