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sexta-feira, 24 de março de 2023

Deputados republicanos interferem em processo de Trump

O promotor distrital de Manhattan, Alvin Bragg, acusou deputados do Partido Republicano de pressioná-lo por causa da iminente denúncia criminal contra o ex-presidente Donald Trump num caso que envolve pagamento de 130 mil dólares para comprar o silêncio de uma atriz pornô durante a campanha eleitoral de 2016. Trump precisava ter declarado o pagamento como despesa eleitoral.

Sob acusações de espionagem para o regime comunista chinês, o diretor-executivo do Titktok depôs durante cinco horas na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos. Alegou que a empresa é privada e não serve o governo, mas há casos de desaparecimento de empresários na China, indicação de que o Partido Comunista quer manter o controle sobre todas as atividades.

Onde andam personagens centrais da Guerra do Iraque? O jornal britânico The Guardian foi atrás e eu conto aqui:

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

Hoje na História do Mundo: 29 de Setembro

DIVISÃO DA POLÔNIA

    Em 1939, no início da Segunda Guerra Mundial, a Alemanha e a União Soviética dividem a Polônia ao longo o Rio Bug, dando prosseguimento ao Pacto Germano-Soviético, firmado em 23 de agosto.

A Polônia é dividida no século 18 entre o Reino da Prússia, o Império Russo e o Império Austro-Húngaro. Só recupera a independência em 1918, no fim da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Depois da divisão entre Adolf Hitler e Joseph Stalin, volta a ser um país independente em 1918. Antes, em abril e maio de 1940, a polícia política soviética NKVD executa 22 mil militares, policiais, altos funcionários e líderes civis poloneses no Massacre da Floresta de Katyn.

Quando as covas rasas são descobertas, em 1943, a URSS acusa os nazistas. Só em 1990, na Era Mikhail Gorbachev (1985-91), a URSS reconheceu a responsabilidade pelo massacre.

MASSACRE DE BABI YAR

    Em 1941, começa nos arredores de Kiev, a capital da Ucrânia o Massacre de Babi Yar, em que os nazistas matam 34 mil homens, mulheres e crianças judias durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

O Exército da Alemanha ocupa Kiev em 19 de setembro. Logo, as SS (Schuzstaffel), tropas de choque do regime nazista, começam a cumprir a ordem de exterminar todos os judeus e os oficiais do regime comunista soviético.

Nesta data, 30 mil pessoas são levadas para a ravina de Babi Yar, obrigadas a tirar a roupa e metralhadas. O massacre sé concluído no dia seguinte.

Cerca de 6 milhões de judeus e 1 milhão de ciganos, além de comunistas, socialistas, oposicionistas, gays e deficientes foram mortas no Holocausto, num total estimado em 11 milhões.

SOLTA REPÓRTER DO PLAMEGATE

Em 2005, a repórter Judih Miller, do jornal The New York Times, sai da prisão federal de Alexandria, na Virgínia, depois de 2 meses e 23 dias, por concordar em testemunhar no inquérito sobre a revelação de identidade da agente da CIA (Agência Central de Inteligência) Valerie Plame.

Miller decide falar depois que a fonte que estava protegendo, Lewis Scooter Libby, chefe de gabinete do vice-presidente Dick Cheney a autoriza.

O Caso Plame começa em 6 de julho de 2003, quando o marido dela, o diplomata Joseph Wilson, publica artigo no New York Times contestando o principal argumento do governo George W. Bush (2001-9) para justificar a invasão do Iraque em março de 2003, que o ditador Saddam Hussein tria armadas de destruição em massa.

Oito dias depois, em 14 de julho, a identidade de Plame é revelada, o que é crimes nos Estados Unidos por se tratar de uma agente secreta. Wilson vê no ato um retaliação da Casa Branca. Miller fala com Libby dias antes, mas se nega a revelar a fonte aos investigadores com base numa regra de ouro do jornalismo.

Libby é condenado em 6 de março de 2007 e sentenciado em junho do mesmo ano a dois anos e meio de prisão e US$ 250 mil de multa. Mas o presidente Bush comuta a pena e ele não chega a ser preso. Miller deixa o NY Times depois de 28 anos.

QUEDA RECORDE EM WALL STREET

    Em 2008, durante a Grande Recessão (2008-9), o Índice Dow Jones, da Bolsa de Valores de Nova York, sofre a maior queda em pontos da história (777,68) quando o Congresso não aprova o Programa de Alívio de Ativos Tóxicos (TARP), o plano de resgate do sistema financeiro, abalado desde 15 de setembro pela falência do banco de investimentos Lehman Brothers, no valor de US$ 750 bilhões.

O resgate do sistema financeiro é aprovado e a maior parte é devolvida ao governo pelas empresas financeiras.

Depois da posse de Barack Obama, o Congresso aprova um plano de recuperação da economia de US$ 787 bilhões. A maior economia do mundo volta a crescer no segundo semestre de 2009 e segue em alta até ser abalada pela pandemia do coronavírus. O desemprego chega a um pico de 10% e cai até a pandemia.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Trump perdoa ex-assessor de Cheney que revelou identidade de agente da CIA

Em mais um desafio à Justiça, o presidente Donald Trump indultou Lewis Scooter Libby, chefe de pessoal do vice-presidente Dick Cheney, no governo George W. Bush (2001-9), condenado a dois anos e meio de prisão e multa de US$ 250 mil por mentir ao júri e aos investigadores do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos Estados Unidos, e obstrução de justiça no processo sobre a revelação identidade de uma agente secreta da Agência Central de Inteligência (CIA), em 2007.

"Não conheço o Sr. Libby, mas há anos ouço dizer que foi tratado injustamente", declarou Trump. "Espero que este perdão completo vai ajudar a retificar um período muito triste de sua vida." A Casa Branca alegou que desde a condenação ele teve uma conduta "imaculada e continua a ser visto em alta estima por seus pares e colegas".

Valery Plame Wilson é casada o embaixador Joseph Wilson, que fez um relatório negando uma suposta compra de urânio no Níger, um país africano, pelo então ditador do Iraque, Saddam Hussein. A alegação partiu do serviço secreto da Itália, na época governada pelo arquicorrupto primeiro-ministro Silvio Berlusconi.

A compra inexistente de urânio nigerino pelo Iraque foi usada por Bush como argumento para afirmar que Saddam estava desenvolvendo a bomba atômica, entre outras armas de destruição em massa. Wilson denunciou a farsa na imprensa na época da invasão do Iraque, em 2003.

Bush comutou a pena de Libby, que nunca chegou a ser preso, mas se negou a dar o perdão total como queria Cheney. Trump, um presidente sem quaisquer escrúpulos, perdoou Libby no momento em que volta à guerra contra o ex-diretor-geral do FBI James Comey.

"No dia em que o presidente ataca Comey erradamente por ser um 'vazador e mentiroso', ele perdoa um vazador e mentiroso condenado, Scooter Libby", comentou no Twitter o deputado democrata Adam Schiff. "É a maneira do presidente enviar uma mensagem aos implicados no inquérito sobre a Rússia: vocês têm meu apoio e eu tenho o de vocês."

Em livro de memórias, Comey acusou o presidente de ignorar a lei e agir como um chefão da máfia. Ele foi o primeiro e único diretor-geral do FBI demitido por razões políticas. Outro foi afastado por corrupção. Comey presidia a investigação sobre um possível conluio da campanha de Donald Trump com a Rússia.

Diante da demissão de Comey, o Departamento da Justiça nomeou outro ex-diretor-geral do FBI, Robert Mueller, como procurador especial para investigar a interferência indevida da Rússia nas eleições de 2016 nos EUA.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

George Bush pai culpa Cheney e Rumsfeld por fracasso do filho

A "arrogância" e a "linha-dura" do vice-presidente Dick Cheney e do secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, na resposta aos atentatos terroristas de 11 de setembro de 2001 prejudicaram o governo de seu filho e os Estados Unidos, acusa uma nova biografia chamada Destino e Poder: a odisseia americana de George Herbert Walker Bush.

O livro escrito por Jon Meacham se baseia em gravações diárias feitas durante a presidência de George Bush sênior (1989-93) e entrevistas com o ex-presidente e sua mulher, Barbara Bush, noticia hoje o jornal inglês The Guardian.

Richard Cheney foi secretário da Defesa de Bush sr. Teria mudado depois do 11 de setembro: "Não sei, ele se tornou muito linha-dura e muito diferente do Dick Cheney que eu conhecia e com quem tinha trabalhado na reação e no que fazer com o Oriente Médio. Foi muito cu-de-ferro. Aparentemente se rendeu aos durões que querem lutar em todos os casos, usar a força para conseguir o que queremos no Oriente Médio."

Ao mesmo tempo, ele defendeu George Walker Bush: "Ele é meu filho, fez o melhor e o apoio. É simples assim". Mas criticou o filho por permitir que Cheney criasse "uma espécie de seu próprio Departamento de Estado" e pelo discurso inflamado na resposta aos atentados de 2001.

"Preocupo-me com parte da retórica daquele tempo, em parte dele e também das pessoas ao redor dele. Uma retórica inflamada chega às manchetes com grande facilidade, mas não necessariamente resolve os problemas diplomáticos", declarou Bush pai ao biógrafo.

O famoso discurso sobre o Estado da União feito pelo filho perante o Congresso em janeiro de 2002 denunciando um suposto eixo do mal (Coreia do Norte, Irã e Iraque) não escapou da crítica: "Pode ficar provado historicamente que não ajudou em nada."

De fato, depois do discurso e da invasão do Iraque em 2003, a Coreia do Norte e o Irã aceleraram o desenvolvimento de armas atômicas como única garantia contra uma intervenção dos EUA.

Rumsfeld, secretário da Defesa durante a maior parte dos governos do filho, é descrito como um "cara arrogante": "Não gosto do que ele fez e acredito que ele prejudicou o presidente. Nunca fui próximo a ele, de qualquer maneira. Há uma falta de humildade, de ouvir o que os outros pensam. Ele é mais de chutar traseiros, pegar nomes e números. Pagou um preço por isso."

Em entrevista à televisão conservadora Fox News, Cheney considerou a acusação de cu-de-ferro um elogio: "Recebi com um orgulho. O ataque de 11 de setembro foi pior do que o que Pearl Harbor em termos do número de mortos e dos danos produzidos. Penso que muita gente acreditava então, e acredita até hoje, que fui agressivo na defesa e implementação das políticas que eu pensava serem corretas."

O ex-vice-presidente recomendou a leitura: "O diário é fascinante porque você pode ver como ele se sentiu em vários momentos-chaves de sua vida. Estou apreciando o livro. Recomendo aos meus amigos e tenho orgulho de fazer parte dele."

Cheney negou que ele e a filha Liz Cheney fossem eminências pardas do governo de Bush júnior: "Talvez seja sua visão do que aconteceu, mas minha família não estava conspirando para de alguma forma me tornar num indivíduo mais duro, mais nariz-de-ferro. Cheguei lá por mim mesmo."

George W. Bush declarou que seu pai "nunca diria para mim: 'Ei, você precisa controlar Cheney. Ele está arruinando seu governo.' Seria algo que não faz parte do seu caráter. Tomei minhas decisões. Era minha filosofia. É verdade que minha retórica foi muito forte e pode ter incomodado algumas pessoas. Obviamente incomodou, inclusive meu pai, mas ele nunca mencionou isso."

Bush sr. chegou à Casa Branca depois de uma longa carreira. Foi deputado federal, presidente do Partido Republicano, diretor da CIA (Agência Central de Inteligência), embaixador na China e na ONU, e vice-presidente nos governos Ronald Reagan (1981-89). Estava preparado para ser presidente. Foi um conservador moderado num partido que se radicalizava desde a era Reagan.

Ex-governador do Texas, Bush jr. era simplesmente o "candidato conservador mais elegível do país" em 2000, depois de dois governos democratas de Bill Clinton, nas palavras de um líder da Coalizão Cristã na época. Playboy, foi alcoólatra e usuário de drogas na juventude até se converter a um cristianismo reacionário.

Desde a batalha judicial em torno dos votos na Flórida que garantiram sua vitória sobre o então vice-presidente Al Gore na eleição presidencial de 2000, quando perdeu nacionalmente no voto popular, Bush jr. deixou claro que confiava nos amigos do pai para se livrar de problemas. Seu advogado perante a Suprema Corte foi o ex-secretário de Estado e ex-secretário do Tesouro James Baker.

Sem experiência internacional, ao convidar Cheney para vice, colocou uma sombra sobre si mesmo. Foi presa fácil dos neoconservadores convencidos de que os EUA não tinham tirado todo o proveito da vitória na Guerra Fria e queriam usar a força para impor suas ideias em escala planetária.