Em mais um desafio à Justiça, o presidente Donald Trump indultou Lewis Scooter Libby, chefe de pessoal do vice-presidente Dick Cheney, no governo George W. Bush (2001-9), condenado a dois anos e meio de prisão e multa de US$ 250 mil por mentir ao júri e aos investigadores do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos Estados Unidos, e obstrução de justiça no processo sobre a revelação identidade de uma agente secreta da Agência Central de Inteligência (CIA), em 2007.
"Não conheço o Sr. Libby, mas há anos ouço dizer que foi tratado injustamente", declarou Trump. "Espero que este perdão completo vai ajudar a retificar um período muito triste de sua vida." A Casa Branca alegou que desde a condenação ele teve uma conduta "imaculada e continua a ser visto em alta estima por seus pares e colegas".
Valery Plame Wilson é casada o embaixador Joseph Wilson, que fez um relatório negando uma suposta compra de urânio no Níger, um país africano, pelo então ditador do Iraque, Saddam Hussein. A alegação partiu do serviço secreto da Itália, na época governada pelo arquicorrupto primeiro-ministro Silvio Berlusconi.
A compra inexistente de urânio nigerino pelo Iraque foi usada por Bush como argumento para afirmar que Saddam estava desenvolvendo a bomba atômica, entre outras armas de destruição em massa. Wilson denunciou a farsa na imprensa na época da invasão do Iraque, em 2003.
Bush comutou a pena de Libby, que nunca chegou a ser preso, mas se negou a dar o perdão total como queria Cheney. Trump, um presidente sem quaisquer escrúpulos, perdoou Libby no momento em que volta à guerra contra o ex-diretor-geral do FBI James Comey.
"No dia em que o presidente ataca Comey erradamente por ser um 'vazador e mentiroso', ele perdoa um vazador e mentiroso condenado, Scooter Libby", comentou no Twitter o deputado democrata Adam Schiff. "É a maneira do presidente enviar uma mensagem aos implicados no inquérito sobre a Rússia: vocês têm meu apoio e eu tenho o de vocês."
Em livro de memórias, Comey acusou o presidente de ignorar a lei e agir como um chefão da máfia. Ele foi o primeiro e único diretor-geral do FBI demitido por razões políticas. Outro foi afastado por corrupção. Comey presidia a investigação sobre um possível conluio da campanha de Donald Trump com a Rússia.
Diante da demissão de Comey, o Departamento da Justiça nomeou outro ex-diretor-geral do FBI, Robert Mueller, como procurador especial para investigar a interferência indevida da Rússia nas eleições de 2016 nos EUA.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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sexta-feira, 13 de abril de 2018
segunda-feira, 1 de maio de 2006
Sob pressão da ONU Irã retoma negociação com Rússia sobre enriquecimento de urânio
Diante da ameaça de sanções do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o Irã reiniciou ontem as negociações com a Rússia, que se oferecera para enriquecer urânio em seu território para uso nas usinas nucleares iranianas. O Irã condiciona qualquer avanço à retirada do caso do Conselho de Segurança e sua devolução para a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
"Não aceitaremos nenhuma resolução imposta pela força", declarou o principal negociador iraniano, Ali Larijani, enquanto o porta-voz do ministro do Exterior, Hamid Reza Assefi, comentava que "a proposta russa continua sobre a mesa" ao mesmo tempo em que insistia em que "o enriquecimento de urânio já começou, vai continuar e é irreversível".
No dia 11 de abril, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, anunciou oficialmete que o país enriquecera urânio a 3,5%, teor que permite usá-lo como combustível em usinas nucleares para produção de energia.
Os Estados Unidos e a Europa alegam que o Irã, que tem a quarta maior reserva mundial de petróleo não precisa de energi atômica. Entendem que o objetivo do programa nuclear iraniano é fabricar bombas atômicas.
Sob pressão do Ocidente, o caso foi remetido ao Conselho de Segurança, que deu prazo até 28 de abril para o Irã suspender o enriquecimento de urânio. A república islâmica insiste em que tem o direito de desenvolver seu programa nuclear.
Amanhã as cinco potências com poder de veto no Conselho de Segurança (EUA, China, França, Grã-Bretanha e Rússia) reúnem-se em Paris para decidir que passo adotar. A Rússia e a China resistem à aplicação de sanções. Com a retomada das negociações Irã-Rússia, fica mais difícil a imposição de sanções.
Mas os EUA vêem uma manobra iraniana para ganhar tempo e levar seu programa de armas atômicas a um estágio irreversível. Já estariam escolhendo alvos para um possível bombardeio limitado destinado a pelo menos adiar a fabricação da bomba atômica iraniana. Este programa que viria desde 1974, do governo do xá Reza Pahlevi (1953-1979), apoiado pelos EUA, e teria sido retomado pelo aiatolá Ruhollah Khomeini em 1987, durante a Guerra Irã-Iraque (1980-88).
O governo fundamentalista iraniano está convencido de que a questão nuclear é apenas uma desculpa dos EUA para promover uma mudança de regime político, acabando com a revolução islâmica. Alguns estrategistas americanos alegam que um bombardeio limitado desmoralizaria o governo, provocando o fim do regime. O mesmo argumento foi usado na invasão do Iraque.
"Não aceitaremos nenhuma resolução imposta pela força", declarou o principal negociador iraniano, Ali Larijani, enquanto o porta-voz do ministro do Exterior, Hamid Reza Assefi, comentava que "a proposta russa continua sobre a mesa" ao mesmo tempo em que insistia em que "o enriquecimento de urânio já começou, vai continuar e é irreversível".
No dia 11 de abril, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, anunciou oficialmete que o país enriquecera urânio a 3,5%, teor que permite usá-lo como combustível em usinas nucleares para produção de energia.
Os Estados Unidos e a Europa alegam que o Irã, que tem a quarta maior reserva mundial de petróleo não precisa de energi atômica. Entendem que o objetivo do programa nuclear iraniano é fabricar bombas atômicas.
Sob pressão do Ocidente, o caso foi remetido ao Conselho de Segurança, que deu prazo até 28 de abril para o Irã suspender o enriquecimento de urânio. A república islâmica insiste em que tem o direito de desenvolver seu programa nuclear.
Amanhã as cinco potências com poder de veto no Conselho de Segurança (EUA, China, França, Grã-Bretanha e Rússia) reúnem-se em Paris para decidir que passo adotar. A Rússia e a China resistem à aplicação de sanções. Com a retomada das negociações Irã-Rússia, fica mais difícil a imposição de sanções.
Mas os EUA vêem uma manobra iraniana para ganhar tempo e levar seu programa de armas atômicas a um estágio irreversível. Já estariam escolhendo alvos para um possível bombardeio limitado destinado a pelo menos adiar a fabricação da bomba atômica iraniana. Este programa que viria desde 1974, do governo do xá Reza Pahlevi (1953-1979), apoiado pelos EUA, e teria sido retomado pelo aiatolá Ruhollah Khomeini em 1987, durante a Guerra Irã-Iraque (1980-88).
O governo fundamentalista iraniano está convencido de que a questão nuclear é apenas uma desculpa dos EUA para promover uma mudança de regime político, acabando com a revolução islâmica. Alguns estrategistas americanos alegam que um bombardeio limitado desmoralizaria o governo, provocando o fim do regime. O mesmo argumento foi usado na invasão do Iraque.
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