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terça-feira, 26 de março de 2024

ONU aprova resolução que prevê cessar-fogo na Faixa de Gaza

 Depois de quase seis meses de guerra entre Israel e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) na Faixa de Gaza, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou finalmente a primeira resolução pedindo um cessar-fogo imediato e duradouro, a libertação imediata e incondicional dos reféns e o aumento da ajuda humanitária.

A grande novidade foi que desta vez os Estados Unidos não vetaram, como haviam feito com três projetos de resolução anteriores, isolando Israel num recado ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que suspendeu o envio de uma delegação a Washington.

Aumenta o fosso entre os governos Joe Biden e Netanyahu. O presidente dos EUA está insatisfeito com o grande número de civis inocentes mortos, a destruição da infraestrutura de Gaza e as restrições de Israel à entrada de ajuda humanitária.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

Embaixador polonês na ONU aponta mentiras e hipocrisia da Rússia

Em debate no Conselho de Segurança das Nações Unidas, o embaixador da Polônia, Krzysztof Szczerski, desmascara as mentiras e falsidades do embaixador da Rússia, Vassili Nebenzia.

O representa polonês refuta os argumentos da Rússia para invadir a Ucrânia e lembra que o país agressor está longe de ser invencível. Perdeu várias guerras ao longo da história.

Hoje, a Suécia, que era neutra desde 1814, durante as guerras napoleônicas, entrou para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), que agora tem 32 países, para se proteger da Rússia. Antes, entrou a Finlândia. 

Se um dos objetivos da guerra da Putin era enfraqucer a OTAN, o resultado foi o contrário. Todos os países da orla do Mar Báltico, menos a Rússia, são membros da OTAN.

Outra notícia do dia é que o líder da oposição na Rússia, morto em 16 de fevereiro, estaria para ser libertado numa troca de prisioneiros por um assassino preso na Alemanha de interesse do ditador Vladimir Putin. Dois norte-americanos, um jornalista e um empresário, e Navalny entrariam na troca.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

Hoje na História do Mundo: 17 de Janeiro

COMPLEXO INDUSTRIAL-MILITAR

    Em 1961, no seu discurso de despedida, o presidente Dwight Eisenhower (1953-61), comandante militar dos aliados ocidentais na Segunda Guerra Mundial (1939-45), adverte para o risco da "influência indevida do complexo industrial-militar" sobre a democracia nos Estados Unidos.

Ike governa no auge da Guerra Fria, quando as duas superpotência têm bombas de hidrogênio, mil vezes mais poderosas do que as de Hiroxima e Nagasáki. Ele teme que a indústria bélica mine a democracia.

INÍCIO DA GUERRA DO GOLFO

    Em 1991, com um bombardeio maciço, começa a Guerra do Golfo Pérsico de uma coalizão de mais de 30 países liderada pelos Estados Unidos para expulsar as forças do Iraque do Kuwait, com autorização do Conselho de Segurança das Nações.

O ditador iraquiano Saddam Hussein ordena a invasão do Irã em 22 de setembro de 1980 com o apoio dos EUA, da União Soviética e do mundo árabe para tentar derrubar o regime fundamentalista xiita imposto pelo aiatolá Ruhollah Khomeni depois da Revolução Islâmica de 1919 no Irã.

A guerra dura oito anos, tem intensos bombardeios a cidades e ataques a navios petroleiros no Golfo Pérsico, e mata um e dois milhões de muçulmanos de acordo com a Enciclopédia Britânica. Em 20 de agosto de 1988, Khomeini aceita o cessar-fogo, que chama de "pílula amarga".

Com a economia abalada, Saddam Hussein chantageia a Arábia Saudita e o Kuwait, que o apoiaram na guerra, exgindo compensação ao Iraque por suposto roubo de petróleo em campos na fronteira com esses países. Como eles não cedem, o Iraque invade o Kuwait em 2 de agosto de 1990 sob a alegação de Saddam de que é "a 19ª província do Iraque".

Por temer uma invasão da Arábia Saudita, o que daria a Saddam o controle de uma grande quantidade das reservas de petróleo do mundo, o então presidente dos EUA, George Bush, lança a Operação Escudo no Deserto, envia forças dos EUA para território saudita e exige a retirada total dos iraquianos do Kuwait.

Depois de meses de negociações infrutíferas, o Conselho de Segurança da ONU autoriza o uso da força. A URSS vota a favor e a China se abstém. 

sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

ONU aprova aumento da ajuda humanitária sem exigir trégua

Depois de 77 dias de guerra, o Conselho de Segurança da ONU aprovou nesta sexta-feira a segunda resolução sobre a guerra entre Israel e o grupo terrorista Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), descrita pela TV árabe Al Jazira descreveu como “aguada” depois de cinco dias de negociações para evitar um veto dos Estados Unidos.

 A resolução pede um aumento significativo da ajuda humanitária à Faixa de Gaza em grande escala, sem apelar a um cessar-fogo imediato. Pede a utilização de todas as vias de acesso à Faixa de Gaza” para a distribuição de alimentos, combustíveis e material médico por todo o território. 

O Hamas criticou a resolução como “insuficiente por não responder à situação catastrófica criada pela máquina de guerra sionista”. O embaixador palestino na ONU, Riyad Mansour, saudou a decisão como “um passo em boa direção”, mas insistiu na necessidade de um cessar-fogo imediato”. 

O secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou que “um cessar-fogo humanitário é o único meio para começar a responder às necessidades urgentes da população de Gaza e pôr fim a seu pesadelo”. Para Guterres, o “verdadeiro problema” é a “ofensiva israelense”.

Israel intensificou os bombardeios nos últimos dias, matando pelo menos 390 palestinos em 24 horas, e conseguiu expulsar o Hamas do bairro de Chejaia, assumindo o controle da Zona Sul da Cidade de Gaza. Meu comentário:

quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

Israel usa inteligência artificial para maior impacto dos bombardeios

A guerra iniciada pelo ataque terrorista do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) contra Israel em 7 de outubro completou dois meses hoje sem perspectiva de paz. Israel respondeu com todo o poderio de suas Forças Armadas, menos armas nucleares, que Israel tem. Usa inteligência artificial para maximizar os efeitos dos bombardeios, revelou o jornal francês Libération.

Já são mais de 17 mil palestinos mortos e 7 mil desaparecidos na Faixa de Gaza. É um número de mortos em dois meses sem comparação com as outras guerras do século 21.

Nem campanhas aéreas nem a punição coletiva de punições civis costuma ser suficiente para vencer grupos terroristas. Suas ideias precisam ser derrotadas politicamente. Por isso, a estratégia de Israel é criticada porque a tragédia humanitária favorece o extremismo.

Sob pressão do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, o Conselho de Segurança da ONU deve votar nesta sexta-feira uma resolução proposta pelos Emirados Árabes Unidos propondo um cessar-fogo imediato por razões humanitárias. Se for aprovada, é quase certo que os EUA vetem. Meu comentário:

domingo, 8 de outubro de 2023

Brasil convoca reunião do Conselho de Segurança da ONU

 Como atual presidente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o Brasil convocou uma reunião de emergência neste domingo, mas é difícil que a organização internacional possa acabar com a guerra entre Israel e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), um grupo fundamentalista muçulmano considerado terrorista pela Europa e os Estados Unidos. Poderia condenar o terrorismo do Hamas, mas nem isso conseguiu.


No Art. 24, a Carta da ONU atribui ao Conselho de Segurança a “principal responsabilidade pela manutenção da paz”, dando-lhe poder para definir e executar sanções militares contras os Estados nos casos de “ameaça contra a paz”, “ruptura da paz”, ou “ato de agressão”.

O Conselho de Segurança deve aplicar tais sanções através das forças armadas colocadas à sua disposição pelos países-membros. Desta prerrogativa, decorre total proibição do recurso à força armada para todos os países da organização, a não ser em legítima defesa, como é o caso da guerra ao Hamas declarada por Israel.

O Conselho é composto por 15 membros, cinco permanentes, as grandes potências com direito de veto (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia), e 10 países eleitos para representar as regiões, entre eles às vezes o Brasil, por dois anos, em uma das duas vagas reservadas à América Latina.

Toda decisão do Conselho de Segurança precisa ser aprovada por pelo menos 9 dos 15 membros e não receber nenhum voto contra dos cinco grandes, o que seria um veto. Normalmente, faz-se um anteprojeto de resolução que circula entre os países-membros. Não havendo um consenso mínimo, a questão só é colocada em votação para marcar posição.

Esta hegemonia dos cinco grandes entra em conflito com o Art. 2 da Carta, que prescreve a igualdade entre os Estados, princípio básico do direito internacional.

Assim, o Conselho de Segurança cristaliza o poder dos vencedores da Segunda Guerra Mundial, em 1945. Reflete uma divisão de poder baseada na corrente de pensamento realista em relações internacionais, que acredita que em última análise vale o uso da força, e tenta eliminar o idealismo pacifista que levou ao fracasso da Liga das Nações.

Normalmente, EUA, Grã-Bretanha e França formavam um bloco ocidental e depois negociavam com URSS ou Rússia e China. A invasão do Iraque pelos EUA para derrubar Saddam Hussein, em 2003, abalou esse bloco ocidental, enfraquecendo a posição dos EUA. Resultado: os EUA recorrem menos ao Conselho de Segurança, apenas em caso de necessidade de cooperação internacional, como na reconstrução do Iraque.

O bloco ocidental voltou a se unir depois da invasão da Ucrânia pela Rússia, mas o acirramento da tensão com as grandes potências autoritárias e o risco de uma nova guerra fria torna mais provável o veto da China ou da Rússia.

CRÍTICA

Uma crítica importante ao modelo da ONU é a escolha de uma instância executiva, o Conselho de Segurança, como órgão mais importante, dotado pela primeira vez na história de monopólio da violência legítima na esfera internacional. Na opinião de Hans Kelson, um filósofo e jurista austríaco, somente um órgão jurisdicional poderia ter este poder, já que depende da capacidade de diferenciar três dimensões de uma situação conflituosa:

• o juízo sobre a existência ou não de uma infração da ordem internacional;

• existindo um delito, o juízo sobre que punição aplicar ao Estado faltoso;

• o juízo sobre quem aplicará tal sanção e em que condições.

Kelson admite que a segunda e terceira fases podem ficar a cargo de um órgão executivo mas entende que a primeira cabe a juízes independentes indicados por seu saber jurídico, em vez de representantes de governos nacionais.

Uma vez imparcial e tecnicamente correto, o juízo frearia a atitude belicosa dos Estados mais fortes, uma visão idealista. 

Ao assumir posições claramente políticas, o Conselho de Segurança é necessariamente parcial. Fica evidente que possui um poder discricionário, não jurídico.

Face à hegemonia institucionalizada dos cinco grandes, o CS dá maior proteção aos interesses das grandes potências do que ao direito internacional.

Não havendo governo mundial, não há uma autoridade internacional legítima, razão pela qual os EUA rejeitam o Tribunal Penal Internacional alegando não haver uma autoridade com legitimidade política e democrática por trás do tribunal, o que contraria os princípios do direito norte-americano.

REALPOLITIK

As relações internacionais ainda sofrem forte influência da realpolitik, embora seja evidente uma democratização, um aumento crescente do peso da opinião pública. Todos os governos europeus que apoiaram a invasão do Iraque pelos EUA foram derrotados nas urnas e a aprovação do presidente George W. Bush caiu para 30%, tornando-o um dos presidentes mais impopulares da história.

Talvez tenha se perdido uma oportunidade de mudar o Conselho de Segurança no fim da Guerra Fria, incluindo como membros permanentes Japão e Alemanha, as novas grandes potências econômicas. Isto aumentaria sua contribuição à ONU. Os derrotados de 1945 financiariam a nova ordem internacional. Mas o debate incluiria o acesso dos países em desenvolvimento, como Brasil e Índia.

Haveria uma erosão real do poder da Grã-Bretanha e da França, os grandes impérios coloniais de 1945, hoje membros poderosos da União Européia, além de maior dificuldade em chegar a consenso. Isso traria o risco de paralisar mais ainda o Conselho de Segurança e a ONU como instituição internacional encarregada de preservar a paz internacional.

A carta autoriza o Conselho de Segurança a usar organismos regionais para uma ação coercitiva, mas nenhuma ação coercitiva será levada a efeito sem a autorização do Conselho (Art. 53, § 1º). Um exemplo deste tipo de ação coercitiva está nas missões de paz lideradas pela Nigéria em países do Leste da África, como Libéria e Serra Leoa.

No Cap. VI, a Carta trata da solução pacífica dos litígios em várias etapas. A primeira prevê que as partes em litígio cheguem a uma solução através da “negociação, inquérito, mediação, conciliação, arbitragem, solução judicial, recurso a entidades ou acordos regionais, ou qualquer outro meio pacífico à sua escolha” (Art. 33, § 1º).

O Cap. VII da Carta trata do uso legítimo da força. Ao definir, no Art. 39, que “o Conselho de Segurança determinará a existência de qualquer ameaça à paz ou ato de agressão, e fará recomendações ou decidirá que medidas deverão ser tomadas de acordo com os artigos 41 e 42, a fim de manter ou restabelecer a paz e a segurança internacionais”, a Carta dá amplos poderes aos países-membros, especialmente aos membros permanentes, do CS.

Para prevenir ou resolver conflitos, a Carta enumera algumas etapas a serem percorridas pelo Conselho de Segurança. A primeira tenta congelar o conflito com a adoção de medidas provisórias (Art. 40). Com certeza, no momento, Israel não vai aceitar um cessar-fogo.

A segunda faculta ao Conselho de Segurança convidar os países-membros a aplicar certas medidas, sem recurso às forças armadas. São medidas como a “interrupção completa ou parcial das relações econômicas, dos meios de comunicação ferroviários, marítimos, aéreos, postais, telegráficos, radiofônicos ou de qualquer espécie, e o rompimento das relações diplomáticas” (Art. 41). 

As sanções também são inúteis neste momento. O Hamas já sofre e ninguém vai punir Israel neste momento. Se a resposta israelense for brutal, com a morte de muitos civis palestinos, pode haver uma reação internacional contra a guerra, mas três grandes potências do Conselho de Segurança, os EUA, a França e o Reino Unido, já afirmaram que Israel tem o direito de se defender.

USO DA FORÇA

Numa etapa posterior, o Conselho de Segurança “poderá levar a efeito, por meio de forças aéreas, navais ou terrestres, a ação que julgar necessária para manter ou restabelecer a paz e a segurança internacionais. Tal ação poderá compreender demonstrações, bloqueios ou outras operações por parte das forças aéreas, navais ou terrestres dos membros das Nações Unidas” (Art. 42). 

A indefinição da expressão “outras operações” dá ao Conselho de Segurança amplas prerrogativas para agir, facultando-lhe inclusive a possibilidade de impor a paz militarmente. Mas isso é impensável nesta guerra.

Quando o Conselho de Segurança toma uma decisão, ela é obrigatória para os países-membros, que “se comprometem a proporcionar ao Conselho de Segurança, a seu pedido e de conformidade com o acordo ou acordos especiais, forças armadas, assistência e facilidades, inclusive direitos de passagem” (Art. 43). 

Israel nunca cumpriu as resoluções 242 e 338, que pedem a retirada israelense dos territórios árabes ocupados na Guerra dos Seis Dias (1967), e não sofreu nenhuma sanção.

A única possibilidade de exclusão viria da não conclusão de acordo especial para operacionalizar o uso da força, que deve ser “submetido à ratificação, pelos Estados signatários, de conformidade com seus respectivos processos constitucionais” (Art. 43, § 3º).

Assim, a iniciativa militar coletiva só será possível com o apoio dos membros permanentes nas duas etapas essencias: na primeira, quando deve haver unanimidade de decisão; e, na segunda, quando se tratar da operacionalização. Pode acontecer que um membro permanente apoie a guerra, mas não se disponha a oferecer suas forças armadas, caso da URSS na Guerra do Golfo de 1991.

sexta-feira, 25 de agosto de 2023

Ampliação do BRICS reflete aumento do poder da China

 A 15ª reunião de cúpula do grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) terminou ontem em Joanesburgo, na África do Sul, com o anúncio da entrada de seis países a partir do próximo ano: Argentina, Egito, Etiópia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Irã.

O Brasil, a Índia e a África do Sul resistiram inicialmente porque a expansão dilui sua força dentro do grupo, criado a partir de um memorando de 2001 de um analista do banco de investimentos Goldman Sachs prevendo que Brasil, Rússia, Índia e China, as grandes economias emergentes, seriam os principais motores do crescimento mundial no início do século 20. O BRICS nasceu de uma ideia da Wall Street, o centro financeiro de Nova York, e não no Sul Global.

No centro da expansão, está a determinação da China e da Rússia de desafiar a ordem internacional dominada pelos Estados Unidos e a Europa nos últimos 500 anos. São duas ditaduras. Dos novos membros, só a Argentina é uma democracia. O projeto é da esquerda peronista, que deve perder a eleição presidencial de outubro e novembro deste ano. Os candidatos favoritos, Javier Milei e Patricia Bullrich, são contra.

Entre as propostas citadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estão a reforma do Conselho de Segurança das Nações e a criação de uma moeda contábil para desdolarizar as transações comerciais dos países-membros. Ambas têm pouca chance de acontecer, pelo menos em curto e médio prazos. Meu comentário:

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Assassinato de cientista nuclear dificulta reaproximação EUA-Irã

 O principal cientista nuclear do Irã, Mohsen Fakhrizadeh, conhecido como "pai da bomba atômica iraniana",  foi assassinado hoje num ataque a seu carro quando viajava no Norte do país. Ao que tudo indica, a responsabilidade é de Israel, que se negou a comentar o caso. 

Em aliança com o governo Donald Trump, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tenta bloquear qualquer chance de reaproximação entre o governo Joe Biden e a República Islâmica.

"Terroristas mataram um eminente cientista iraniano hoje", lamentou o ministro do Exterior, Mohamed Javad Zarif no Twitter. "Esta covardia - com sérias indicação de participação de Israel - mostra o desespero dos mercadores da guerra."

Fakhrizadeh foi alvo de uma emboscada quando passava de carro pela cidade de Absard, na região de Damavand, noticiou a televisão iraniana. A mudança de governo nos EUA reduz a capacidade de retaliação do Irã, onde setores mais moderados do regime fundamentalista apostam numa melhoria das relações com Biden.

Durante visita recente a Israel, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, voltou a atacar o Irã ao lado de Netanyahu, que agradeceu a Trump, entre outras medidas, a retirada dos Estados Unidos do acordo nuclear fechado em 2015 pelas grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha com o Irã para congelar por 10 anos o programa nuclear militar iraniano.

É impossível que os EUA não soubessem do ataque. Na campanha, Biden admitiu a possibilidade de retomar o acordo negociado pelo governo Barack Obama quando o presidente eleito era vice-presidente. Ao que se sabe, o Irã ainda não desenvolveu a capacidade de fabricar armas nucleares.

Depois da derrota, Trump pediu a assessores que lhe apresentassem opções para atacar a central nuclear iraniana de Natanz antes de deixar o poder. De acordo com o jornal The New York Times, foi dissuadido pelo vice-presidente Mike Pence e o secretário Mike Pompeo.

Em 3 de janeiro, depois que milícias xiitas iraquianas financiadas, armadas e treinadas pelo Irã atacaram bases dos EUA no Iraque, o governo Trump matou com um míssil o principal general iraniano, Kassem Suleimani, comandante da Forças Quods, o braço armado da Guerra Revolucionária Iraniana para ações no exterior. Apesar das ameaças, a retaliação do Irã foi moderada para evitar uma guerra.

Um bombardeio americano agora deflagraria uma nova guerra. O Irã poderia contra-atacar bases americanas no Oriente Médio. Mas o país está enfraquecido. Tem a pior epidemia da doença do coronavírus de 2019 na região e a econômica enfrente uma crise duríssima por causa das sanções dos EUA.

Por outro lado, Trump prometeu acabar com as "guerras intermináveis" dos EUA. Está retirando parte dos soldados americanos do Iraque e do Afeganistão.

Ao mesmo tempo, Netanyahu sabe que o governo Trump está chegando ao fim. No governo Biden, não terá carta branca para atacar quando quiser.

domingo, 5 de julho de 2020

EUA interceptam ataque de foguete contra embaixada em Bagdá

Horas depois de instalar um sistema de defesa proteger de ataques de artilharia, morteiros e foguetes pequenos, os Estados Unidos conseguiram interceptar um foguete disparado contra a embaixada americana no Iraque em 4 de julho, Dia da Independência dos EUA, noticiou o jornal israelense The Jerusalem Post.

O ataque acontece depois de quatro explosões em instalações nucleares do Irã atribuídas a Israel. Sem assumir a responsabilidade, o ministro do Exterior israelense, Gabi Ashkenazi, declarou: "Temos uma política há vários governo de não permitir que o Irã tenha capacidade nuclear. 

"Este regime com tais habilidades é uma ameaça existencial a Israel e não podemos permitir que se instale na nossa fronteira norte", observou o ministro, numa referência à presença militar iraniana na Síria. "Fazemos ações que é melhor não comentar."

A República Islâmica e suas milícias aliadas tiveram um papel decisivo para sustentar a ditadura de Bachar Assad na guerra civil síria. Em várias ocasiões, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu considerou inaceitável uma presença militar permanente do Irã na Síria, especialmente numa faixa de até 50 quilômetros de distância da fronteira de Israel.

Uma série de explosões misteriosas ocorreu no Irã desde quinta-feira passada. A primeira foi numa instalação próxima do complexo militar de Parchin. O regime dos aiatolás atribuiu o incidente a uma explosão de gás, mas fotos de satélite revelaram que o alvo foi uma fábrica de mísseis.

No mesmo dia, uma explosão num hospital de Teerã matou 19 pessoas. Na sexta-feira, houve um grande incêndio num prédio da central nuclear de Natanz, a maior instalação de enriquecimento de urânio do Irã. Ontem, houve relatos de outro incêndio perto de uma usina de energia elétrica na região de Ahvaz, no Sul do país, perto da fronteira com o Iraque.

Em entrevista à Rádio do Exército, o vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa de Israel, Benny Gantz, tentou desvincular o país das explosões: "Nem todo incidente que transparece no Irã tem de ver conosco. Todos suspeitam de nós todo o tempo, mas nem todo incidente que acontece no Irã necessariamente tem algo a ver conosco."

Gantz, ex-comandante das Forças de Defesa de Israel disputou as últimas eleições contra o primeiro-ministro Netanyahu e formou um governo de coalizão depois de três eleições em que nenhum dos dois conseguiu maioria absoluta. 

"Continuamos a agir em todas as frentes para reduzir a possibilidade de que o Irã se torne uma potência nuclear. Um Irã nuclear é uma ameaça ao mundo, à região e a Israel. Faremos todo o possível para evitar que isto aconteça. E faremos todo o possível para impedir o Irã de difundir o terrorismo e distribuir armas, não vou me referir a nenhum caso específico", acrescentou o ministro da Defesa.

A preocupação de Israel não se limita às armas nucleares. O país quer a prorrogação do embargo das Nações Unidas à venda de armas ao Irã além de outubro, o prazo atualmente estabelecido, para impedir a ditadura teocrática iraniana de adquirir sistemas avanços de armamentos.

O ministro do Exterior lembrou que o Irã arma dezenas de milícias no Oriente Médio. A maior de todas é o Hesbolá (Partido de Deus), do Líbano, país que no momento enfrenta uma séria crise econômica, com protestos nas ruas contra a presença da milícia no governo da união nacional.

A Organização de Energia Atômica do Irã confirmou a ocorrência de um incidente na central nuclear de Natanz, alvo em 2010 de um ataque cibernético com o vírus Stuxnet para atrasar o desenvolvimento da bomba atômica iraniana. Na época, o regime iraniano acusou os EUA e Israel. O Stuxnet é considerado um verme por tornar lentos os computadores que infecta.

Oficialmente, o Irã nega estar desenvolvendo armas nucleares, mas retomou várias atividades de seu programa atômico depois que o presidente Donald Trump retirou, em maio de 2018, os EUA do acordo negociado pelo governo Barack Obama, as outras grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança da ONU ( China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha.

Em janeiro, um ataque de mísseis americanos matou o general Kassem Suleimani, o mais graduado oficial iraniano, no aeroporto de Bagdá, depois de ataques de milícias xiitas iraquianas financiadas, armadas e treinadas pelo Irã. O general comandava a Força Quods, braço da Guarda Revolucionária Iraniana para ações no exterior, e coordenava mais de 60 milícias xiitas no Oriente Médio.

sexta-feira, 6 de março de 2020

Rússia e Turquia fazem acordo de cessar-fogo na Síria

Até alguns minutos antes da meia-noite, os bombardeios continuaram na província de Idlibe, no Noroeste da Síria. À zero hora de 6 de março pela hora local (19h em Brasília), entrou em vigor um cessar-fogo negociado entre a Rússia e a Turquia.

Para o ditador russo, Vladimir Putin, o texto "servirá de base sólida para levar ao fim dos combates na região de Idlibe". Pelo acordo, os dois países signatários se comprometem a criar uma zona de segurança de seis quilômetros para cada lado da rodovia Damasco-Alepo (M4). A estrada que liga as duas maiores cidades sírias passa por Idlibe.

Ao todo, seria um corredor de segurança de 12 km ao longo da estrada. A Rússia e a Turquia ficaram de acertar os detalhes dentro de uma semana. O ditador turco, Recep Tayyip Erdogan, preveniu que seu país se reserva "o direito de responder com todas as nossas forças e em toda parte a qualquer ataque do regime de Damasco."

Na esperança de que este acordo "leve a uma cessação das hostilidades imediata e durável", o secretário-geral das Nações Unidas, o ex-primeiro-ministro português António Guterres destacou que a população do Noroeste da Síria já "suportou um sofrimento enorme".

Depois de meses de um conflito brutal, um milhão de civis fugiram de Idlibe. A próxima etapa da iniciativa de paz é uma reunião do Conselho de Segurança da ONU nesta sexta-feira em Nova York. Mas a expectativa é que a ditadura de Bachar Assad, apoiada pela Rússia e o Irã, retome a ofensiva para conquistar o último bastião rebelde depois de nove anos de guerra civil, que se completam neste mês.

Ao concordar com o cessar-fogo, a Turquia parece disposta a entregar o significativo território ainda em poder dos rebeldes que apoia, extremistas muçulmanos ligados à rede terrorista Al Caeda, em troca de um fim rápido dos combates.

Assim, a Turquia abre caminho para a próxima ofensiva do regime sírio sem nenhuma preocupação sobre a situação dos civis em fuga na região, reduzindo sua esfera de influência na Síria.

Sob o aspecto militar, o corredor de segurança reduz drasticamente a capacidade dos rebeldes de defender a cidade de Idlibe. A cidade rebelde de Jisr al-Shughour fica toda dentro do corredor.

Mesmo sendo questionável militarmente, o acordo é uma vitória diplomática para a Turquia, que melhora suas relações com a Rússia, a potência dominante hoje na Síria, no momento em que abre uma nova crise com a Europa ao permitir a saída de refugiados que querem entrar na União Europeia.

Pelo menos 380 mil pessoas foram mortas em nove anos de guerra civil na Síria e 5,5 milhões fugiram do país. Outras 13,5 milhões tiveram de sair de casa mas ficaram na Síria.

terça-feira, 3 de março de 2020

Irã acelera enriquecimento de urânio e fica mais perto da bomba atômica

A República Islâmica do Irã acelerou o enriquecimento de urânio e pode ter a quantidade necessária para fazer uma arma nuclear dentro de meses. 

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão do sistema Nações Unidas, divulgou hoje seu relatório trimestral sobre as atividades nucleares do Irã, inclusive um segundo documento com detalhes sobre as manobras da República Islâmica para encobrir atividades nucleares do passado. 

É o primeiro relatório desde que o Irã decidiu, em janeiro, negar acesso aos inspetores da AIEA a três instalações não fiscalizadas antes. Meu comentário:

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Palestinos rejeitam na ONU plano de paz de Trump para Oriente Médio

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, denunciou hoje perante o Conselho de Segurança das Nações Unidas, em Nova York, o plano do governo Donald Trump para a paz no Oriente Médio como ilegítimo, unilateral e uma recompensa a Israel pela ocupação de territórios árabes desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967. 

Trump apresentou seu plano com grande fanfarra na Casa Branca ao lado do primeiro-ministro linha-dura de Israel, Benjamin Netanyahu, duas semanas atrás. 

Os palestinos não foram convidados para discutir a proposta, que oferece tudo o que a direita de Israel quer: a anexação das colônias judaicas na Cisjordânia ocupada, o controle sobre o Vale do Rio Jordão, o reconhecimento de Jerusalém como capital indivisível de Israel e a fundação de um Estado Nacional palestino com soberania limitada, sem Forças Armadas, quatro anos depois. 

Abbas descreveu o país palestino proposto por Trump como “um queijo suíço” cheio de assentamentos israelenses. Meu comentário:

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Irã fracassa ao tentar lançar satélite

A Agência Espacial do Irã tentou lançar no espaço ontem o satélite Zafar-1, mas o veículo de lançamento Simorgh não conseguiu atingir a velocidade necessária para entrar em órbita da Terra, noticiou a agência Associated Press (AP).

É a sexta tentativa consecutiva fracassada da República Islâmica de enviar um satélite ao espaço desde a assinatura do acordo nuclear em 2015 com as cinco grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha para congelar o programa nuclear iraniano por 10 anos.

Uma das principais críticas do presidente Donald Trump, que retirou os Estados Unidos do acordo em 8 de maio do ano passado, é que não proíbe o Irã de desenvolver tecnologia de mísseis. O presidente americano também gostaria de impedir a ditadura teocrática iraniana de interferir em outros países do Oriente Médio.

Israel e seus aliados ocidentais acreditam que o regime dos aiatolás usa os lançamentos de satélite para encobrir  o verdadeiro objetivo, desenvolver seu programa de mísseis, já que é uma tecnologia de uso duplo, civil e militar.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Irã faz nova ameaça de fabricar a bomba atômica

O Irã ameaça abandonar o Tratado de Não Proliferação Nuclear, se o caso sobre as violações do acordo nuclear de 2015 for levado ao Conselho de Segurança das Nações Unidas. É mais uma ameaça da fabricar armas atômicas.

Em mais uma tentativa de romper o cerco econômico imposto pelas sanções dos Estados Unidos, a República Islâmica ameaçou mais uma vez hoje que pode fazer a bomba atômica.

Três países europeus signatários do Acordo de Viena, de 2015, para congelar por dez anos o programa nuclear iraniano acionaram em 14 de janeiro deste ano um mecanismo para pressionar o Irã a respeitar os termos do acordo, abandonado em 8 de maio de 2018 pelos Estados Unidos. 

A Alemanha, a França e o Reino Unido afirmaram que não estão aderindo à estratégia de pressão máxima adotada pelo governo Donald Trump. Querem que o Irã volte a respeitar os limites de quantidade de urânio enriquecido, teor de enriquecimento e número de centrífugas em atividade. Também gostariam que o acordo servisse de base para a renegociação exigida pelos Estados Unidos, que não mostram a menor intenção de ceder.

Hoje o ministro do Exterior iraniano, Mohamed Javad Zarif, ameaçou com a retirada do país do Tratado de Não Proliferação Nuclear. Este tratado desigual só autoriza cinco países a ter armas atômicas: os Estados Unidos, a China, a França, o Reino Unido e a Rússia, não por coincidência as cinco grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança da ONU. 

Os outros países que fizeram armas nucleares, Israel, a Índia, o Paquistão e a Coreia do Norte, abandonaram o Tratado de Não Proliferação Nuclear. Meu comentário:

domingo, 19 de janeiro de 2020

Conferência em Berlim tenta abrir caminho para a paz na Líbia

Doze países com interesses na Líbia decidiram hoje respeitar um embargo à venda de armas, retirar o apoio militar às partes em luta e pressionar os dois governos paralelos do país a negociar um total cessar-fogo. 

Este foi o resultado da Conferência de Berlim, convocada pela chancelar (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, para encaminhar uma solução para a guerra civil na Líbia.

Os líderes das duas facções, Fayez al-Sarraj, do Governo do Acordo Nacional, reconhecido internacionalmente, e o marechal Khalifa Hifter, do Exército Nacional da Líbia, foram à capital alemã, mas não sentaram na mesa da conferência.

"Todas as partes ligadas de uma forma ou de outra ao conflito precisam falar com uma só voz, porque as partes dentro da Líbia precisam entender que a única saída não é militar. Conseguimos isto aqui", declarou Merkel.

Participaram o presidente da França, Emmanuel Macron, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, os primeiros-ministros da Itália, Giuseppe Conte, e do Reino Unido, Boris Johnson, e os ditadores da Rússia, Vladimir Putin, e da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.

As deliberações da conferência devem ser referendadas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas. Hiftar e Sarraj ficaram de indicar membros para um comitê militar que vai negociar um cessar-fogo permanente.

Este comitê deve se reunir em Genebra, na Suíça, nos próximos dias, anunciou o secretário-geral da ONU, António Guterres, ex-primeiro-ministro de Portugal. "Temos uma trégua", comentou ele.

Guterres destacou a importância da conferência para evitar uma escalada regional do conflito depois que a Turquia anunciou o envio de tropas para lutar ao lado do Governo do Acordo Nacional. Hiftar controla o Leste da Líbia, inclusive Bengázi, segunda maior cidade do país. Tem o apoio do Egito e dos Emirados Árabes Unidos.

A Líbia está em estado de anarquia desde a queda e a morte do ditador Muamar Kadafi, em 2011, depois de governar o país por 42 anos. Uma intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos EUA, com a aprovação do Conselho de Segurança da ONU, impediu Kadafi de massacrar a rebelião em Bengázi e selou a sorte do ditador.

Faltou uma missão internacional de paz para reconstruir o país, criar Forças Armadas, desarmar as milícias, organizar partidos, eleições e a sociedade civil. Os líbios não queriam uma operação terrestre da OTAN, tendo em vista o que aconteceu no Iraque.

Em tese, uma força internacional de paz árabe resolveria o problema por entender a língua e a cultura locais. As diferentes posições e interesses dos países árabes no conflito impediram a organização da missão de paz. A intervenção na Líbia foi um dos fracassos recentes da ONU e da chamada Primavera Árabe.

domingo, 5 de janeiro de 2020

Irã abandona o acordo nuclear de 2015

A República Islâmica do Irã anunciou hoje que não vai mais cumprir o acordo nuclear firmado em 2015 com as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha para congelar o programa de armas atômicas do país, a não ser que os Estados Unidos suspendam as sanções econômicas. Mas vai continuar aceitando inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Teerã deve acelerar o enriquecimento de urânio. Através da televisão estatal, o regime dos aiatolás deixou claro que não vai mais respeitar os limites do número de centrífugas, do volume de estoques de urânio enriquecido, da pesquisa e do desenvolvimento previstos pelo Acordo de Viena, negociado pelo governo Barack Obama e abandonado pelo presidente Donald Trump em 8 de maio de 2018.

Desde então, o governo Trump reimpôs sanções econômicas duras para sufocar a ditadura teocrática iraniana. As exportações de petróleo do Irã caíram de 3 milhões para 600 mil barris diários e a Guarda Revolucionária Iraniana iniciou, em maio de 2019, uma série de provocações.

Nos últimos meses, houve uma escalada perigosa no Oriente Médio. Em maio, houve ataques a navios petroleiros no Golfo Pérsico e, em setembro a instalações de petróleo da Arábia Saudita.

Em novembro e dezembro, ataques a quartéis iraquianos onda havia soldados dos EUA levaram ao bombardeio a bases de milícias xiitas iraquianas, ao cerco da embaixada americana em Bagdá e à morte do general Kassem Suleimani, comandante da Força Quods (Jerusalém, em árabe), a tropa de elite da Guarda Revolucionária Iraniana para ações no exterior.

O presidente Trump advertiu ontem que, se cidadãos e interesses dos EUA forem atacados, está preparando uma retaliação que incluiria 52 alvos de importância estratégica, econômica e cultural. Diante da ameaça, o ministro do Exterior, Mohamed Javad Zarif, respondeu que qualquer ataque a prédios históricos será um crime contra a humanidade.

Se não derrubar o regime fundamentalista iraniano, o que não está nos seus planos porque causaria uma guerra arrasadora, uma herança maldita de Trump pode ser um Irã com armas nucleares, tudo o que os EUA e Israel gostariam de evitar.

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Guerra civil sem fim ameaça exportação de petróleo da Líbia

Seis meses depois da ofensiva Exército Nacional da Líbia para tomar a capital, Trípoli, a guerra civil que se arrasta desde a queda do ditador Muamar Kadafi, em agosto de 2011, aumenta o risco de uma queda ainda maior na oferta de petróleo no mercado internacional.

Com as sanções dos Estados Unidos ao Irã e os ataques a instalações de petróleo na Arábia Saudita, um colapso das exportações da Líbia pode causar um aumento nos preços do barril.

Hoje, apesar da guerra civil, a Líbia produz pouco mais de 1 milhão de barris por dia. No pico, em outubro de 1973, a produção líbia chegou a 2 milhões 370 mil barris. Em agosto de 2011, quando caiu a ditadura de Muamar Kadafi, a produção caiu para 7 mil barris diários.

A Líbia foi um dos países, ao lado do Iêmen e da Síria, onde a chamada Primavera Árabe deflagrou uma guerra civil sem fim. Quando o ditador se preparava para esmagar a revolta popular em Trípoli, no Leste da Líbia, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou em 31 de março de 2011 uma intervenção militar com base do princípio da responsabilidade de proteger.

Kadafi caiu em agosto de 2011 e foi morto depois meses depois. Meu comentário:

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

EUA fazem exigências para fechar novo acordo com o Irã

O secretário de Estado, Mike Pompeo, citou hoje quatro questões fundamentais para que os Estados Unidos façam um novo acordo com a República Islâmica do Irã: proibição de fabricar armas atômicas e de desenvolver tecnologia de mísseis, apoio a milícia e grupos terroristas e mudar o tratamento de cidadãos americanos presos naquele país.

Estas exigências foram delineadas pelo chefe da diplomacia americana em artigo publicado no jornal USA Today. Há enormes obstáculos para negociar tal acordo.

A ditadura teocrática iraniana anunciou na semana passada que seus depósitos de água pesada superaram o limite de 130 toneladas previsto no acordo nuclear assinado em 2015 com as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha para congelar seu programa nuclear militar por 10 anos.

Em 8 de maio de 2018, contrariando os relatórios de inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e dos serviços secretos ocidentais, o presidente Donald Trump retirou os Estados Unidos do acordo e impôs duras sanções econômicas para impedir o Irã de exportar petróleo.

Sob pressão da guerra econômica do governo Trump, o produto interno bruto da economia iraniana deve cair 6% neste ano e a inflação está em cerca de 50% ao ano.

Nos últimos meses, o regime dos aiatolás anunciou a intenção de parar de cumprir partes do acordo. Estourou o limite dos estoques de urânio enriquecido imposto pelo acordo (130 kg) e anunciou a intenção de enriquecer urânio a 20%, teor usado em equipamentos de medicina nuclear, um passo para chegar aos 90% necessários para uma bomba atômica, e de reativar o reator de Arak.

Ao mesmo tempo, a Guarda Revolucionária Iraniana passou a atacar navios petroleiros no Golfo Pérsico, por onde passam 20% do petróleo exportado no mundo.

Há dois dias, o Irã deu o prazo de um mês aos países da Europa para resgatarem a economia do país, aliviando as sanções dos EUA. A União Europeia chegou a criar um sistema de pagamentos para não usar o mercado financeiro do dólar, mas as empresas europeias resistem, temendo as sanções cruzadas dos EUA com quem fizer negócios com o Irã.

sábado, 20 de julho de 2019

Alemanha, França e Reino Unido exigem liberação de petroleiro tomado pelo Irã

O Irã anunciou hoje a abertura de um inquérito sobre o navio petroleiro britânico capturado ontem pela Guarda Revolucionária Iraniana sob a acusação de usar a rota errada para entrar no Golfo Pérsico e bater num barco pesqueiro, "violando o código marítimo internacional".

A Alemanha, a França e o Reino Unido exigem a libertação imediata do Stena Impero, um navio-tanque de 183 metros de comprimento. O governo britânico notificou hoje Conselho de Segurança das Nações Unidas alegando que o petroleiro foi tomado em águas territoriais de Omã.

Agora, o petroleiro britânico está ancorado no porto de Porto Abás, no Sul do Irã. "Conforme a lei, depois de um acidente é preciso abrir um inquérito", afirmou o diretor-geral da Organização Marítima e Portuária da Província de Hormozgã.

A captura foi uma retaliação da República Islâmica. Em 4 de julho, a Marinha Real britânica tomou um navio-tanque do Irã no Estreito de Gibraltar com destino à Síria, que está sob sanções da União Europeia por causa da guerra civil.

Dias atrás, a Guarda Revolucionária tentou abordar outro petroleiro britânico, mas esse estava sob escolta da Marinha Real. Analistas militares criticaram as autoridades britânicas por deixar o navio navegar sem proteção depois das ameaças iranianas.

No Twitter, sem esconder o cinismo, o ministro do Exterior do Irã, Mohamed Javad Zarif, chamou de pirataria a captura do petroleiro iraniano e descreveu a ação da Guarda Revolucionária Iraniana como uma proteção às normas do direito marítimo internacional.

Zarif estava hoje na Venezuela, onde denunciou o "terrorismo econômico" dos Estados Unidos. A ditadura de Nicolás Maduro também está sob sanções impostas pelo governo Donald Trump.

Sob pressão das sanções, o Irã realiza uma série de atos de provocação. Até agora, o conflito, agravado nos últimos três meses, era entre os Estados Unidos e o Irã porque Trump abandonou o acordo nuclear assinado em 2015 pelo governo Barack Obama para congelar o programa nuclear militar iraniano.

A União Europeia tentava aliviar as sanções criando um sistema de pagamentos fora da órbita do dólar para pagar fazer negócios com o Irã. Mas as empresas europeias temem ser excluídas do mercado americano e do mercado do dólar.

Ao entrar em conflito com um país europeu que não abandonou o acordo nuclear, o Irã derruba uma ponte que poderia usar para sair do isolamento e joga Reino Unido, França e Alemanha nas mãos dos EUA.

terça-feira, 4 de junho de 2019

Aiatolá Khamenei afirma que Irã não abandona programa de mísseis

O Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, declarou hoje que o Irã não será "enganado" pela proposta de negociação dos Estados Unidos e não pretende acabar com seu programa de mísseis, noticiou hoje a agência Reuters.

A rivalidade entre os dois países se acirrou no mês passado, quando o Irã anunciou que não respeitaria mais todos os pontos de acordo firmado em 2015 com as grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha para congelar seu programa nuclear.

Em resposta, os EUA deslocaram porta-aviões rumo ao Golfo Pérsico e anunciaram o envio de mais de 2,5 mil soldados americanos para o Oriente Médio. O assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, foi acusado de querer fomentar uma guerra para derrubar o regime teocrático iraniano.

O presidente Donald Trump retirou os EUA do acordo nuclear com o Irã em maio do ano passado e reimpôs duras sanções econômicas, sob a alegação de que é um acordo péssimo por permitir que a República Islâmica desenvolva tecnologia de mísseis e interfira em outros países do Oriente Médio.

Na semana passada, o presidente americano argumentou que "o Irã pode ser um grande país com a mesma liderança. Não buscamos mudança de regime. Estamos querendo um país sem armas nucleares."

A resposta do aiatolá foi feita hoje em pronunciamento pela televisão: "O presidente dos EUA disse recentemente que o Irã pode atingir o desenvolvimento com os atuais líderes. Isso significa que não quer mudança de regime... Mas este truque não vai enganar os funcionários e a nação iranianos. No programa de mísseis, já chegamos ao ponto de dissuasão e estabilidade. Querem nos tirar isso, mas nunca vão conseguir."

Trump usa suas conhecidas táticas de negociação: provocar o caos, ameaçar e desestabilizar a outra parte na esperança de ganhar com isso. O Irã se nega a negociar enquanto os EUA não tiverem um comportamento "normal".

Depois de fazer várias exigências, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, propôs na semana passada um diálogo com o Irã sem precondições.