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terça-feira, 3 de março de 2020

Irã acelera enriquecimento de urânio e fica mais perto da bomba atômica

A República Islâmica do Irã acelerou o enriquecimento de urânio e pode ter a quantidade necessária para fazer uma arma nuclear dentro de meses. 

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão do sistema Nações Unidas, divulgou hoje seu relatório trimestral sobre as atividades nucleares do Irã, inclusive um segundo documento com detalhes sobre as manobras da República Islâmica para encobrir atividades nucleares do passado. 

É o primeiro relatório desde que o Irã decidiu, em janeiro, negar acesso aos inspetores da AIEA a três instalações não fiscalizadas antes. Meu comentário:

domingo, 5 de janeiro de 2020

Irã abandona o acordo nuclear de 2015

A República Islâmica do Irã anunciou hoje que não vai mais cumprir o acordo nuclear firmado em 2015 com as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha para congelar o programa de armas atômicas do país, a não ser que os Estados Unidos suspendam as sanções econômicas. Mas vai continuar aceitando inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Teerã deve acelerar o enriquecimento de urânio. Através da televisão estatal, o regime dos aiatolás deixou claro que não vai mais respeitar os limites do número de centrífugas, do volume de estoques de urânio enriquecido, da pesquisa e do desenvolvimento previstos pelo Acordo de Viena, negociado pelo governo Barack Obama e abandonado pelo presidente Donald Trump em 8 de maio de 2018.

Desde então, o governo Trump reimpôs sanções econômicas duras para sufocar a ditadura teocrática iraniana. As exportações de petróleo do Irã caíram de 3 milhões para 600 mil barris diários e a Guarda Revolucionária Iraniana iniciou, em maio de 2019, uma série de provocações.

Nos últimos meses, houve uma escalada perigosa no Oriente Médio. Em maio, houve ataques a navios petroleiros no Golfo Pérsico e, em setembro a instalações de petróleo da Arábia Saudita.

Em novembro e dezembro, ataques a quartéis iraquianos onda havia soldados dos EUA levaram ao bombardeio a bases de milícias xiitas iraquianas, ao cerco da embaixada americana em Bagdá e à morte do general Kassem Suleimani, comandante da Força Quods (Jerusalém, em árabe), a tropa de elite da Guarda Revolucionária Iraniana para ações no exterior.

O presidente Trump advertiu ontem que, se cidadãos e interesses dos EUA forem atacados, está preparando uma retaliação que incluiria 52 alvos de importância estratégica, econômica e cultural. Diante da ameaça, o ministro do Exterior, Mohamed Javad Zarif, respondeu que qualquer ataque a prédios históricos será um crime contra a humanidade.

Se não derrubar o regime fundamentalista iraniano, o que não está nos seus planos porque causaria uma guerra arrasadora, uma herança maldita de Trump pode ser um Irã com armas nucleares, tudo o que os EUA e Israel gostariam de evitar.

domingo, 7 de julho de 2019

Irã volta a enriquecer urânio acima do limite do acordo de 2015

O Irã anunciou hoje que está regulando suas centrífugas para aumentar a partir de amanhã o teor do urânio enriquecido acima do limite de 3,67% previsto no acordo nuclear assinado em 2015 com as cinco grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e Alemanha.

É uma tentativa de pressionar a Europa, a China e a Rússia a ajudar o Irã a aliviar o impacto das sanções impostas pelos Estados Unidos desde que o presidente Donald Trump retirou seu país do acordo, em 8 de maio de 2018.

Hoje era o fim do prazo de 60 dias que a República Islâmica deu aos europeus para contornar o problema criado pelas sanções americanas. Extremamente preocupada, a supercomissária europeia para política externa, a ex-chanceler italiana Federica Mogherini, prometeu discutir a questão com a China e a Rússia.

"Apelamos ao Irã para que não tome mais medidas que minem o acordo nuclerar", declarou a porta-voz europeia Maja Kocijancic. "Pedimos encarecidamente ao Irã que pare e reverta todas as atividades inconsistentes com o acordo nuclear."

"É melhor o Irã tomar cuidado", advertiu o presidente Trump.

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, prometeu novas medidas de pressão: "A
última expansão do programa nuclear do Irã vai levar a mais isolamento e mais sanções. Armado com bombas atômicas, o regime iraniano seria um perigo ainda maior para o mundo."

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Coreia do Norte está fabricando novos mísseis

Um mês e meio depois do encontro de cúpula histórico entre o presidente Donald Trump e o ditador Kim Jong Un, a Coreia do Norte está fabricando pelo menos um, talvez dois, mísseis balísticos intercontinentais de combustível líquido num centro de pesquisas na periferia de Pyongyang, noticiou o jornal The Washington Post citando como fonte os serviços secretos dos Estados Unidos.

A descoberta, revelada em imagens de satélites-espiões, desmente a alegação de Trump de que a Coreia do Norte “não é mais uma ameaça nuclear”.

Outros informes confidenciais citam uma instalação de enriquecimento urânio chamada Kangson. Em depoimento no Senado na semana passada, o secretário de Estado, Mike Pompeo, admitiu o regime comunista norte-coreano “continua produzindo material físsil” para bombas atômicas.

Em 12 de junho, Kim e Trump assinaram uma carta de intenções prometendo “trabalhar rumo” à “desnuclearização” da Península Coreana. Desde então, a Coreia do Norte. Fez gestos simbólicos, como desmontar a Estação de Lançamento de Satélites de Sohae, mas, na prática, estaria se esforçando para manter sua capacidade nuclear.

“Vimos indo para o trabalho como antes”, observou um funcionário americano, falando da fábrica de Sanumdong, onde os norte-coreanos estariam trabalhando no míssil Hwasong-15, como mostraram imagens da Agência Nacional de Inteligência Geoespacial.

De acordo com a reportagem do Post, altos funcionários norte-coreanos tentam esconder o número de ogivas nucleares e mísseis, assim como de instalações nucleares, com o objetivo de não dar acesso total a inspetores internacionais. A ditadura stalinista de Pyongyang pretende declarar e entregar 20 ogivas nucleares, preservando dezenas.

terça-feira, 5 de junho de 2018

Irã relança programa de enriquecimento de urânio

Em reação à saída dos Estados Unidos do acordo nuclear firmado em 2015 com as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e Alemanha, o Irã avisa hoje a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) o lançamento de um programa para aumentar sua capacidade de produção de hexafluoreto de urânio.

Quando o presidente Donald Trump retirou os EUA do acordo, em 8 de maio, o Irã anunciou a intenção de enriquecer urânio em escala industrial. Ontem, o porta-voz da Organização de Energia Atômica do Irã, Behruz Kamalvandi, revelou que o país comunica hoje formalmente à AIEA a decisão de acelerar seu programa nuclear.

Em discurso transmitido pela televisão, o Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, declarou ter ordenado preparativos para aumentar a capacidade de enriquecimento de urânio, se o acordo for totalmente rompido.

"É o que o Supremo Líder quis dizer, que devemos acelerar certos processos ligados à nossa capacidade nucler para poder chegar mais rápido em caso de necessidade", observou Kamalvandi.

O Irã faz pressão sobre os outros signatários para que mantenham o acordo. Talvez a China e a Rússia façam isso e ocupem o espaço de empresas ocidentais. O problema para as companhias europeias e mesmo chinesas e russas é que as sanções dos EUA atingem as empresas com negócios no Irã.

Se fizerem negócios com o Irã, as empresas são excluídas do mercado consumidor e do mercado financeiro dos EUA. Não podem operar em dólar. A maioria prefere ficar com o mercado americano.

Enquanto o Irã relança o enriquecimento de urânio, o primeiro-ministro linha-dura de Israel, Benjamin Netanyahu, viaja pela Europa em busca de apoio para isolar o Irã política e diplomaticamente. Na segunda-feira, esteve com a chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel, em Berlim. Hoje, encontra o presidente Emmanuel Macron, em Paris.

Em Berlim, Netanyahu advertiu para o risco de uma nova onda de refugiados como os sírios se a Alemanha não fizer nada para conter a crescente influência do Irã no Oriente Médio. A chanceler reconheceu que a influência iraniana na Síria, no Iêmen e no Líbano é "preocupante", admitindo ser necessário "restringir fortemente as atividades regionais" do Irã.

Merkel é a favor de preservar o acordo nuclear. Netanyahu foi quem mais incentivou Trump a romper o acordo. Hoje Macron fará a mesma defesa, dentro da política comum europeia para o Oriente Médio. Têm pouca chance de sucesso.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Obama afirma que todas vias para bomba iraniana foram fechadas

Ao celebrar hoje o acordo firmado entre as grandes potências e o Irã para desarmar o programa nuclear iraniano, o presidente Barack Obama afirmou que o acordo está baseado não na confiança, mas na fiscalização. 

"Todos os caminhos para o Irã fazer a bomba atômica foram bloqueados", declarou o presidente dos Estados Unidos.

Os EUA negociaram de uma posição de força, com base em princípios, acrescentou Obama, que ameaçou vetar qualquer iniciativa do Congresso para derrubar o acordo.

No Irã, a população saiu às ruas para festejar o acordo. O presidente Hassan Rouhani falou em pronunciamento na TV que é o início de uma nova era nas relações do Irã com o mundo.

As maiores críticas vieram de Israel. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu considerou que houve um "mau acordo" capaz de deflagrar uma corrida armamentista nuclear no Oriente Médio. No momento, Israel é o único país da região com armas atômicas.

Outro grande aliado dos EUA, a Arábia Saudita, que apoia sunitas em conflitos contra xiitas sustentados pelo Irã no Bahrein, no Iêmen, no Iraque, no Líbano e na Síria, teme o fortalecimento do Irã. Próximos do Paquistão, único país muçulmano com armas nucleares, os sauditas já manifestaram interesse em adquirir a tecnologia.

A Turquia, outra candidata a potência regional, também cogita a opção nuclear. O risco de uma corrida armamentista na região mais explosiva do planeta não pode ser descartada.

Como no caso de Cuba, Obama aposta no engajamento político para ver se estimula pressões internas pela liberalização do regime. Enquanto o povo festeja nas ruas, dentro do regime a linha-dura vê um risco para a ditadura teocrática iraniana.

A República Islâmica do Irã se comprometeu a reduzir seus estoques de urânio enriquecido a baixos teores em 98% em 15 anos. Dois terços das centrífugas serão eliminadas, restando as 5.060 ativas no centro de processamento primário de Natanz.

Em troca, as sanções internacionais contra o regime fundamentalista iraniano serão removidas à medida que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) certificar que a república dos aiatolás está cumprindo o acordo. A AIEA, órgão da ONU, poderá fazer inspeções sem aviso prévio em qualquer instalação nuclear, inclusive em áreas militares.

O Irã vai exportar mais petróleo e poderá usar o sistema financeiro internacional em seu comércio exterior. As sanções à venda de armas serão levantadas gradualmente.

domingo, 5 de abril de 2015

Comandante militar do Irã elogia acordo, negociadores e aiatolás

O comandante-em-chefe das Forças Armadas do Irã, general Hassan Firouzabadi, cumprimentou os negociadores iranianos, o presidente Hassan Rouhani e o Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, pelo acordo nuclear preliminar acertado em 2 de abril de 2015 com as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas e a Alemanha, noticiou hoje a Agência France Presse (AFP).

Depois de 35 anos de desconfiança mútua entre os Estados Unidos e o regime fundamentalista iraniano, o acordo é visto com suspeita pela linha-dura da república dos aiatolás, assim como por Israel, pelos países árabes e pela oposição republicana nos EUA.

O apoio do maior chefe militar iraniano reflete o sentimento do alto comando das Forças Armadas, mas não da Guarda Revolucionária do Irã, o verdadeiro instrumento de defesa do regime teocrático e a maior interessada em armas atômicas.

A proposta aprovada em princípio prevê o congelamento parcial do programa nuclear iraniano durante dez anos, com rigorosa fiscalização da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão da ONU, para impedir o país de fazer a bomba atômica. Em troca, serão suspensas progressivamente as sanções internacionais impostas ao Irã pela ONU, os EUA e a União Europeia.

Só uma central nuclear, em Natanz, vai poder continuar enriquecendo urânio, num teor máximo de 3,67%, que só serve para produção de energia em centrais atômicas. O número de centrífugas será reduzido de 19 mil para 6 mil, e o estoque de urânio enriquecido armazenado no Irã será reduzido de 10 mil para 300 quilos.

Um acordo definitivo precisa ser negociado até 30 de junho de 2015. Enquanto tudo não estiver acertado, nada estará valendo. O Irã se comprometeu a paralisar as atividades nucleares temporariamente durante as negociações. O país estaria a um ano de obter a capacidade para fazer armas atômicas.

Ao defender a negociação, o presidente Barack Obama alegou que a alternativa seria uma nova guerra no Oriente Médio, que mataria muita gente sem atingir o objetivo de colocar o programa nuclear iraniano sob supervisão internacional. Mesmo que todas as instalações nucleares do Irã fossem destruídas, o conhecimento científico necessário para fazer bombas atômicas seria preservado e o país teria redobradas razões para se armar.

terça-feira, 31 de março de 2015

Negociação nuclear com o Irã é prorrogada até amanhã

As negociações das cinco grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia), a Alemanha e o Irã para desarmar o programa nuclear iraniano, que deveriam chegar a um acordo preliminar hoje, foram estendidas até quarta-feira, em Lausanne, na Suíça, informou o jornal The Washington Post. É um sinal de que os dois lados acreditam num acordo.

"Fizemos progressos suficientes nos últimos dias para valer a pena continuar até quarta-feira", declarou a porta-voz do Departamento de Estado americano. "Ainda há muitas questões difíceis."

Apesar da reaproximação entre os Estados Unidos e o Irã, há muitos pontos de desacordo. No fim de semana, o ministro do Exterior e principal negociar iraniano, Mohamed Javad Zarif, recuou da proposta de enviar todo o urânio enriquecido no Irã para armazenamento na Rússia.

O Irã insiste no direito de usar a energia nuclear para fins pacíficos, enquanto os países árabes vizinhos e Israel não confiam no regime fundamentalista iraniano. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, discursou contra o acordo no Congresso dos EUA, em 3 de março, lembrando que a Coreia do Norte fez vários acordos, violou todos e fez a bomba atômica. Nesta reta final das negociações, a França e o Reino Unido defendem os interesses dos países mais céticos.

No passado, o regime iraniano mentiu ao esconder seus dois principais centros de enriquecimento de urânio, em Fordo e Natanz.

Pela proposta em discussão, o Irã seria autorizado a conservar 6 mil das 19 mil centrífugas que têm hoje. A república islâmica exige ainda o direito de continuar fazendo pesquisas atômicas. Já estaria a um ano da capacidade nuclear militar. Um acordo congelaria o programa por dez anos.

Outro aspecto fundamental é a fiscalização. Na semana passada, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o japonês Yukiya Amano, acusou a república dos aiatolás de rejeitar inspeções de surpresa.

Em troca do desarmamento nuclear, o Irã exige o fim imediato das sanções internacionais que pesam sobre a economia do país. Até agora, as grandes potências só concordam com uma retirada gradual das sanções, se a ditadura teocrática iraniana cumprir o acordo, que tem apoio popular de 59% nos EUA.

O prazo final para um acordo definitivo é 30 de junho de 2015. Com ou sem acordo, há o risco de uma corrida armamentista nuclear no Oriente Médio. Outros candidatos a potências regionais, como a Arábia Saudita, o Egito e a Turquia não vão querer ficar atrás do Irã, que financia milícias xiitas no Iêmen, no Iraque, no Líbano e na Síria.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Netanyahu tenta impedir acordo nuclear EUA-Irã

Na véspera de um discurso no Congresso dos Estados Unidos em que vai tentar minar o acordo nuclear entre as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas e o Irã, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu alegou que faria qualquer coisa para garantir a segurança de Israel. Ele descreveu o acordo como uma "ameaça à sobrevivência de Israel".

Em discurso hoje no Comitê Americano-Israelense de Assuntos Públicos (AIPAC), o líder da direita em Israel negou estar colocando seu país em meio ao fogo cruzado da política interna dos EUA ao aceitar o convite do presidente da Câmara, o deputado republicano John Boehner, líder da oposição ao governo Barack Obama, para falar no Capitólio.

O primeiro-ministro negou estar desrespeitando o presidente dos EUA, que não vai recebê-lo nesta viagem, mas a imprensa de Israel revelou que partiu dele a proposta do discurso, encampada por Boehner, que então fez o convite formal.

Seu objetivo é claro: pressionar a oposição republicana, que hoje tem maioria na Câmara e no Senado, a votar contra o acordo negociado por EUA, China, Rússia, França, Reino Unido e Alemanha, de um lado, e o Irã, do outro, para desarmar o programa nuclear iraniano e evitar que a república islâmica faça a bomba atômica. Muitos deputados e senadores americanos vão boicotar o discurso.

Ao mesmo tempo, Netanyahu faz campanha para as eleições israelenses de 17 de março de 2015, apresentando-se como o único líder capaz de garantir a segurança do país.

A direita e a maioria da opinião pública de Israel não acredita nas supostas boas intenções do Irã, que tenta se livrar das sanções econômicas internacionais contra o programa nuclear. Netanyahu está certo que o regime dos aiatolás quer apenas ganhar tempo para detonar uma bomba atômica e proclamar seu status nuclear.

Netanyahu exige que o Irã seja totalmente proibido de enriquecer urânio e abra suas instalações nucleares a inspeções irrestritas da Agência Internacional de Energia Atômica. A ditadura teocrática iraniana insiste no direito de enriquecer urânio para uso pacífico em usinas de geração de energia. Neste caso, a direita israelense acredita que só uma operação militar para destruir as instalações militares iranianas acabaria com a ameaça.

O prazo final para um acordo é 30 de junho de 2015, mas a expectativa é que as linhas gerais sejam acertadas até 31 de março.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Irã nega acordo para transferir urânio enriquecido à Rússia

A República Islâmica do Irã desmentiu ter chegado a um acordo com os Estados Unidos para enviar urânio enriquecido excedente à Rússia dentro das negociações para desarmar o programa nuclear iraniano e evitar que o país faça armas atômicas, noticiou hoje a agência Reuters.

Ontem, citando fontes diplomáticas, a agência Associated Press (AP) disse que os EUA e o Irã teriam acertado transferir a maior parte do urânio enriquecido iraniano para a Rússia. O porta-voz do Irã alegou que a divulgação de informações falsas dificulta as negociações e um possível acordo.

O Irã não abre mão de enriquecer urânio, e os EUA acreditam que a única garantia de que não fará a bomba é não ter urânio enriquecido. Este grande impasse emperra as negociações. Como os dois países países estão numa reaproximação sem precedentes desde a Revolução Islâmica, em 1979, não querem perder o que conseguiram em melhoria das relações. Mas um acordo definitivo ainda parece distante.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Irã suspende enriquecimento de urânio a 20%

A Organização de Energia Atômica do Irã declarou hoje ter parado de enriquecer urânio ao teor de 20%, usado em reatores de pesquisas médicas. É um ponto essencial do acordo afirmado com as grandes potências mundiais para paralisar parcialmente o programa nuclear iraniano durante seis meses, enquanto é negociado um acordo definitivo para que o país não desenvolva armas atômicas.

Em troca, pelo acordo provisório, as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha vão suspender parcialmente as sanções à república islâmica, liberando US$ 4 bilhões iranianos congelados no exterior.

O regime fundamentalista do Irã é suspeito de desenvolver armas nucleares. Afirma que seu programa nuclear é totalmente pacífico, destinado à produção de energia. Nos reatores nucleares, usa-se urânio enriquecido a baixos teores, de menos de 10%.

Para fazer a bomba atômica de urânio, é necessário enriquecer urânio a 90%. Os 20% são um teor intermediário. Ao desligar as centrífugas de central nuclear de Natanz, o Irã parou o enriquecimento a 20%. Seu governo também se comprometeu a converter todo seu urânio enriquecido a 20% a um teor de 5% para uso em usinas nucleares.

Uma equipe de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão da ONU, chegou a Teerã há dois dias para fiscalizar o acordo.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Irã pode fazer bomba atômica de plutônio

Até agora, as preocupações em torno do programa nuclear do Irã se concentravam no enriquecimento de urânio, que precisa chegar a teores acima de 90% para uso militar, mas hoje os Estados Unidos e a Europa temem que dentro de um ano o regime fundamentalista iraniano seja capaz de produzir plutônio para bombas atômicas.

Esta segunda via para desenvolver armas nucleares pode prejudicar as negociações com o novo presidente do Irã, Hassan Rouhani, considerado moderado, e aumentar a possibilidade de um bombardeio israelense, observa o jornal conservador The Wall Street Journal, porta-voz do centro financeiro de Nova York.

As atenções estão voltadas para um reator nuclear de água pesada em construção na cidade de Arak, no Noroeste do Irã

segunda-feira, 22 de abril de 2013

EUA vendem US$ 10 bilhões em armas ao Oriente Médio

Três importantes aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio - Israel, Arábia Saudita e Emiradores Árabes Unidos - devem fechar acordos nesta semana para comprar armas e equipamentos militares americanos no valor de US$ 10 bilhões, reforçando-se para enfrentar a ameaça do programa nuclear do Irã.

Os negócios são anunciados depois de mais um fracasso nas negociações entre a República Islâmica do Irã e as cinco grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, Rússia, França e Reino Unido) e Alemanha.

Nos últimos meses, o regime fundamentalista iraniano avançou no desenvolvimento e na instalação de novas centrífugas IR-2m, com uma capacidade de enriquecer urânio duas a cinco vezes maior do que as centrífugas IR-1. O chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, Fereydoon Abassi Davani, declarou que talvez o Irã tenha de enriquecer urânio a um teor superior a 20%.

Para uso em usinas nucleares de produção de energia, basta um teor de 5%. O teor de 20% é usado em reatores de pesquisas médicas. Uma bomba atômica exige teores acima de 90%. A república dos aiatolás aparentemente ainda não chegou lá. Mas a cada novo limite ultrapassado, aumenta o temor no Oriente Médio e no mundo de um Irã com armas nucleares.

Se for atacado militarmente pelos EUA ou Israel, o Irã pode retaliar alvejando os campos de exploração de petróleo dos países vizinhos aliados de Washington. Para se proteger, os EAU estão comprando 26 aviões caças-bombardeiros F-16 Falcão do Deserto e munição teleguiada de precisão a longa distância.

Tanto os Emirados quanto a Arábia Saudita poderiam usar esse tipo de munição para contra-atacar o Irã sem serem detectados pelas defesas antiaéreas iranianas.

Israel vai receber dos EUA aviões capazes de reabastecer seus caças e bombardeiros no ar. Para atacar os Irã, as aeronaves israelenses terão de voar mais de 2,5 mil quilômetros, o que exige reabastecimento no ar. A Força Aérea de Israel tem esse tipo de aparelho. Deve comprar uma quantidade não especificada de KC-135 Stratotankers.

Cada avião-tanque é capaz de reabastecer de quatro e oito aviões de combate. Isso permitiria a Israel usar um número maior de aviões num ataque contra as instalações nucleares iranianas, garantindo a superioridade aérea.

Os EUA também devem vender a Israel mísseis antirradiação ar-terra AGM-88 Harm, mais aptos a destruir as defesas antiaéreas do Irã do que os mísseis AGM-78 de que dispõe atualmente.

Nem todas essas armas garantem o sucesso de bombardeios aéreos para neutralizar o programa nuclear iraniano. Haveria poucas informações de inteligência para identificar os alvos. Alguns, como a instalação nuclear subterrânea de Fordow, onde o Irã estaria enriquecendo urânio a 20%, não seriam destruídos. Para isso, Israel precisaria usar bombas nucleares táticas, capazes de penetrar na rocha e destruir fortalezas subterrâneas. Esta arma não está no pacote, reporta o jornal The New York Times.

Uma ameaça iraniana é fechar o Estreito de Ormuz, na saída do Golfo Pérsico, por onde passam 40% do petróleo exportado no mundo inteiro. Neste caso, os EUA teriam de intervir. Por isso, até agora Washington tenta conter o primeiro-ministro linha-dura israelense, Benjamin Netanyahu, que gostaria de atacar o quanto antes para evitar que o Irã faça a bomba atômica.

O presidente Barack Obama, eleito com a promessa de acabar com as guerras no Afeganistão e no Iraque, reluta em envolver os EUA numa nova guerra no Oriente Médio, mas mantém o "compromisso inabalável" do país com a segurança de Israel. Quer dar mais tempo à diplomacia, que até agora não funcionou. Ao vender armas a vizinhos do Irã, reafirma a possibilidade de uso da força.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Irã rejeita diálogo com EUA sobre questão nuclear

O Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica do Irã, aiatolá Ali Khamenei, o ditator que realmente manda no país, rejeitou hoje qualquer possibilidade de diálogo com os Estados Unidos e as outras grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (China, França, Rússia e Reino Unido), que impuseram duras sanções contra o programa nuclear iraniano, suspeito de desenvolver armas nucleares.

Em declaração divulgada via Internet, o Supremo Líder afirmou que a revolução iraniana não tem medo de "ameaças armadas", numa referência à posição do governo americano de que "todas as opções estão na mesa, inclusive o uso da força.

 Khamenei rejeitou assim uma suposta oferta feita pelo ministro do Exterior, Ali Akbar Salehi, durante a Conferência sobre Segurança realizada em Munique, na Alemanha. A comissária de Relações Exteriores da União Europeia, Catherine Ashton, chegou a anunciar a retomada das negociações com o Irã em 25 e 26 de fevereiro na ex-república soviética do Casaquistão.

Como Salehi não tem poder para tomar decisões sobre o programa nuclear, as grandes potências ficaram esperando a confirmação do Supremo Líder, que sempre tem a palavra final. Hoje, veio a rejeição.

Sob intensa pressão das sanções internacionais aprovadas pela ONU, o Irã deve insistir na sua suspensão como condição prévia para voltar a negociar. As grandes potências do Conselho de Segurança e a Alemanha exigem que o Irã cumpra suas resoluções e pare de enriquecer urânio, a carga da bomba atômica.

"Não sou um diplomata. Sou um revolucionário e expresso minhas palavras honestamente", teria dito Khamenei, citado pelo jornal liberal israelense Haaretz. Israel teme ser o primeiro alvo de uma bomba nuclear iraniana.

Os EUA e o Irã não têm relações diplomáticas desde que estudantes radicais iranianos invadiram a embaixada americana em Teerã, em 4 de novembro de 1979, e mantiveram 52 americanos como reféns durante 444 dias.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Netanyahu desafia Obama e ameaça o Irã

Em mais um lance de seu duelo nuclear com o Irã, o primeiro-ministro linha dura israelense, Benjamin Netanyahu, declarou hoje que "aqueles que se negam a colocar uma linha vermelha para o Irã não tem o direito moral de colocar um sinal vermelho diante de Israel".

Ao mesmo tempo, o chefe de governo de Israel pressiona os Estados Unidos a dar um ultimato ao Irã, fixando um prazo para a república islâmica parar de enriquecer urânio, e ameaça bombardear as instalações nucleares iranianas mesmo sem o aval da Casa Branca.

Uma guerra de Israel para tentar neutralizar o programa nuclear é hoje a maior ameaça à segurança internacional. Como os EUA têm um "compromisso inquebrantável", nas palavras de Obama, com a segurança de Israel, o direitista Netanyahu boicota sistematicamente as políticas do atual presidente americano para a paz no Oriente Médio na certeza de que tem o apoio irrestrito da direita conservadora americana.

A linha dura israelense considera o período pré-eleitoral nos EUA uma oportunidade única para atacar Israel porque nenhum presidente americano teria condições de negar apoio incondicional. Obama é contra um ataque, mas até agora sua estratégia de negociação não deu o menor resultado.

"A comunidade internacional insiste para Israel esperar", afirmou Netanyahu. "Mas esperar o quê? Até quando?", desafiou

O governo Obama rejeitou um pedido de audiência de Netanyahu no fim deste mês, quando ele for aos EUA para participar da reunião anual da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. A situação ficou tão tensa -  e está sendo explorada pela candidatura Mitt Romney - que Obama ligou para Netanyahu e falou com o líder israelense durante meia hora, informa o jornal The New York Times.

Na conversa, os dois líderes concordaram em sua determinação de impedir que o Irã tenha a bomba atômica.

O regime teocrático iraniano afirma que seu programa nuclear tem fins pacíficos e visa exclusivamente à produção de energia, mas os EUA, a Europa e Israel temem que esteja desenvolvendo armas atômicas.

Várias resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas impuseram sanções ao Irã. Nesta semana, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) pediu mais uma vez acesso irrestrito a instalações militares iranianas.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Irã vai enriquecer urânio em instalação subterrânea

Diante da ameaça de um bombardeio dos Estados Unidos e de Israel contra seu programa nuclear, suspeito de desenvolver armas atômicas, a República Islâmica do Irã decidiu transferir o enriquecimento de urânio para uma nova instalação subterrânea, mais protegidas, revela hoje o jornal The New York Times.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Irã se nega a discutir enriquecimento de urânio

O principal negociador do Irã para a questão nuclear, Said Jalili (5196), se recusou a discutir o enriquecimento de urânio hoje, no primeiro dia do reinício do diálogo com as grandes potências mundiais, em Istambul, na Turquia.

A república islâmica sofre uma grande pressão internacional porque estaria desenvolvendo armas nucleares. Assim como a Coreia do Norte, tenta ganhar tempo com as negociações para se tornar uma potência nuclear.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Irã vai enriquecer urânio a 20%

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ordenou o enriquecimento de urânio a um teor de 20%. A medida é vista como uma rejeição pelo governo iraniano da proposta das Nações Unidas e das potências ocidentais para que o país envie urânio para enriquecimento no exterior.

Até agora, oficialmente, o país vinha enriquecendo urânio até 5%, concentração para uso em reatores nucleares.

Com 20%, o Irã terá urânio para reatores para pesquisas médicas. Para fazer uma bomba atômica, precisa enriquecer urânio acima de 90%.

As potências ocidentais fazem pressão para que o regime fundamentalista iraniano mande seu urânio para enriquecimento no exterior, de modo a evitar que o país desenvolva armas atômicas.

Diante da novidade, o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, defendeu a união da sociedade internacional em repúdio ao programa nuclear do Irã, alegando que é a única maneira de convencer a república dos aiatolás a permitir uma ampla inspeção de suas instalações atômicas.

Já a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, declarou que a rede terrorista Al Caeda é uma ameaça maior aos EUA do que a república islâmica.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

2008 marca o fim da era Bush

No plano político, o grande acontecimento do ano é a eleição presidencial de 4 de novembro nos EUA. É o fim da era Bush.

“Tudo apontava para uma vitória democrata”, pondera o economista Paulo Wrobel, assessor da Embaixada do Brasil em Londres. Mas o jogo ainda está em aberto.

As eleições primárias e convenções regionais que indicarão os candidatos dos dois grandes partidos começam em 3 de janeiro pelo estado de Iowa.

No Partido Democrata, a senadora e ex-primeira-dama Hillary Clinton, que estava bem à frente nas pesquisas, foi atropelada na reta final da campanha em Iowa pelo senador negro Barack Obama. Talvez tenha de esperar até a Giga-Terça-Feira, 5 de fevereiro, que substitui a antiga Super-Terça, que era realizada em março. Cerca de 20 estados farão primárias ou convenções.

Com a queda da violência no Iraque, o presidente George W. Bush termina 2007 melhor do que começou, apesar das ameaças à economia dos EUA. Isto ajuda a candidatura do Partido Republicano.

Tido como liberal demais pelo eleitorado conservador do partido, o ex-prefeito de Nova Iorque Rudolph Giuliani, perde terreno para o pastor Mike Huckabee, o típico azarão.

O grande desafio do próximo presidente dos EUA será atacar o problema do déficit triplo: conta corrente, contas públicas e poupança privada.

Wrobel observa “um processo gradual de transformação dos EUA de um país de tradição européia para um país mais complexo lutando pela prosperidade”, com populações de origem latino-americana e asiática cada vez maiores.

A crise do Irã sofreu uma mudança radical. Diante da avaliação dos 16 serviços secretos dos EUA de que o Irã suspendeu seu programa nuclear militar clandestino, afasta-se o fantasma de um bombardeio americano ao Irã, como defendeu claramente o vice-presidente Dick Cheney.

O jogo não acabou. Para fazer uma bomba atômica, é preciso enriquecer urânio a altos teores, e o Irã continua enriquecendo urânio. É uma tecnologia de uso duplo. Mas um ataque é difícil em 2008.