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terça-feira, 31 de março de 2015

Negociação nuclear com o Irã é prorrogada até amanhã

As negociações das cinco grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia), a Alemanha e o Irã para desarmar o programa nuclear iraniano, que deveriam chegar a um acordo preliminar hoje, foram estendidas até quarta-feira, em Lausanne, na Suíça, informou o jornal The Washington Post. É um sinal de que os dois lados acreditam num acordo.

"Fizemos progressos suficientes nos últimos dias para valer a pena continuar até quarta-feira", declarou a porta-voz do Departamento de Estado americano. "Ainda há muitas questões difíceis."

Apesar da reaproximação entre os Estados Unidos e o Irã, há muitos pontos de desacordo. No fim de semana, o ministro do Exterior e principal negociar iraniano, Mohamed Javad Zarif, recuou da proposta de enviar todo o urânio enriquecido no Irã para armazenamento na Rússia.

O Irã insiste no direito de usar a energia nuclear para fins pacíficos, enquanto os países árabes vizinhos e Israel não confiam no regime fundamentalista iraniano. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, discursou contra o acordo no Congresso dos EUA, em 3 de março, lembrando que a Coreia do Norte fez vários acordos, violou todos e fez a bomba atômica. Nesta reta final das negociações, a França e o Reino Unido defendem os interesses dos países mais céticos.

No passado, o regime iraniano mentiu ao esconder seus dois principais centros de enriquecimento de urânio, em Fordo e Natanz.

Pela proposta em discussão, o Irã seria autorizado a conservar 6 mil das 19 mil centrífugas que têm hoje. A república islâmica exige ainda o direito de continuar fazendo pesquisas atômicas. Já estaria a um ano da capacidade nuclear militar. Um acordo congelaria o programa por dez anos.

Outro aspecto fundamental é a fiscalização. Na semana passada, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o japonês Yukiya Amano, acusou a república dos aiatolás de rejeitar inspeções de surpresa.

Em troca do desarmamento nuclear, o Irã exige o fim imediato das sanções internacionais que pesam sobre a economia do país. Até agora, as grandes potências só concordam com uma retirada gradual das sanções, se a ditadura teocrática iraniana cumprir o acordo, que tem apoio popular de 59% nos EUA.

O prazo final para um acordo definitivo é 30 de junho de 2015. Com ou sem acordo, há o risco de uma corrida armamentista nuclear no Oriente Médio. Outros candidatos a potências regionais, como a Arábia Saudita, o Egito e a Turquia não vão querer ficar atrás do Irã, que financia milícias xiitas no Iêmen, no Iraque, no Líbano e na Síria.

terça-feira, 24 de março de 2015

Irã rejeita inspeções nucleares de surpresa e complica negociações

A uma semana do fim do prazo previsto para um acordo preliminar, o Irã rejeitou um pedido do diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukiya Amano, para realização de inspeções de supresa nas instalações nucleares do país, informou hoje o jornal libanês The Daily Star. As inspeções sem aviso prévio são uma das exigências das grandes potências que negociam o desarmamento do programa nuclear iraniano.

Em texto publicado hoje no sítio da televisão estatal do Irã, o porta-voz iraniano para a questão nuclear, Behrouz Kamalvandi, foi citado dizendo que as inspeções de surpresa são "ilegais".

As negociações das cinco grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas (China, EUA, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha com a República Islâmica do Irã devem ser concluídas até 30 de junho de 2015. A expectativa é chegar a um acordo preliminar até 31 de março. Mas está cada vez mais difícil.

Como o Irã insiste no direito de enriquecer urânio para fins pacíficos, será autorizado a manter um número limitado de centrífugas e de reatores nucleares em atividade. Para ter a certeza de que não enriquecerá urânio ao teor necessário para fazer a bomba atômica nem produzirá plutônio, as grandes potências consideram essencial realizar inspeções de surpresa.

Apesar da recusa, o regime fundamentalista do Irã está interessado no acordo. As autoridades iranianas fecharam no mês passado um jornal semanal linha-dura de propriedade do deputado Hamid Rassai acusado de criticar o presidente Hassan Rouhani por "fazer concessões demais" nas negociações.

"O órgão de fiscalização da imprensa fechou o semanário Noh-e Day por publicar matérias que contradizem a política nuclear do país", noticiou uma agência oficial, citada pela Reuters.

Em janeiro, o jornal disse que "cada passo dado pelo [ministro do Exterior, Mohamed] Zarif durante a caminhada [com o secretário de Estado americano, John Kerry, ao redor do Lago Genebra] destruiu cem quilos da reserva de urânio enriquecido".

Desde novembro de 2013, o Irã congelou as atividades do programa nuclear para ajudar nas negociações. O maior objetivo iraniano é acabar com as sanções que pesam sobre a economia do país.

Ontem, foi revelado que o serviço secreto de Israel espionou os EUA em busca de elementos para bombardear as negociações. Como disse em 3 de março em discurso no Congresso americano, o primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu não acredita na boa fé na república dos aiatolás e teme que um acordo facilite o caminho até a bomba atômica.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

AIEA pede mais acesso a instalações no Irã

O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukiya Amano, declarou hoje que não sabe se o programa nuclear do Irã está desenvolvendo armas atômicas e pede acesso sem restrições às instalações nucleares do país.