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domingo, 5 de janeiro de 2020

Irã abandona o acordo nuclear de 2015

A República Islâmica do Irã anunciou hoje que não vai mais cumprir o acordo nuclear firmado em 2015 com as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha para congelar o programa de armas atômicas do país, a não ser que os Estados Unidos suspendam as sanções econômicas. Mas vai continuar aceitando inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Teerã deve acelerar o enriquecimento de urânio. Através da televisão estatal, o regime dos aiatolás deixou claro que não vai mais respeitar os limites do número de centrífugas, do volume de estoques de urânio enriquecido, da pesquisa e do desenvolvimento previstos pelo Acordo de Viena, negociado pelo governo Barack Obama e abandonado pelo presidente Donald Trump em 8 de maio de 2018.

Desde então, o governo Trump reimpôs sanções econômicas duras para sufocar a ditadura teocrática iraniana. As exportações de petróleo do Irã caíram de 3 milhões para 600 mil barris diários e a Guarda Revolucionária Iraniana iniciou, em maio de 2019, uma série de provocações.

Nos últimos meses, houve uma escalada perigosa no Oriente Médio. Em maio, houve ataques a navios petroleiros no Golfo Pérsico e, em setembro a instalações de petróleo da Arábia Saudita.

Em novembro e dezembro, ataques a quartéis iraquianos onda havia soldados dos EUA levaram ao bombardeio a bases de milícias xiitas iraquianas, ao cerco da embaixada americana em Bagdá e à morte do general Kassem Suleimani, comandante da Força Quods (Jerusalém, em árabe), a tropa de elite da Guarda Revolucionária Iraniana para ações no exterior.

O presidente Trump advertiu ontem que, se cidadãos e interesses dos EUA forem atacados, está preparando uma retaliação que incluiria 52 alvos de importância estratégica, econômica e cultural. Diante da ameaça, o ministro do Exterior, Mohamed Javad Zarif, respondeu que qualquer ataque a prédios históricos será um crime contra a humanidade.

Se não derrubar o regime fundamentalista iraniano, o que não está nos seus planos porque causaria uma guerra arrasadora, uma herança maldita de Trump pode ser um Irã com armas nucleares, tudo o que os EUA e Israel gostariam de evitar.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

AIEA não vê sinais de produção de armas nucleares no Irã desde 2009

Até o fim de 2003,  o Irã estava fazendo esforços "coordenados" para desenvolver armas nucleares. Algumas dessas atividades foram mantidas além disso, mas, depois de cinco meses de investigações, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão das Nações Unidas, concluiu não haver desde 2009 "indícios confiáveis" de que o país queira fazer a bomba atômica.

Desde 2009, o Irã teria feito apenas estudos científicos, sem adquirir capacidades específicas para fazer armas nucleares. Diante dessa constatação, é provável que as grandes potências do Conselho de Segurança da ONU (China, EUA, França, Reino Unido e Rússia) concordem em suspender as sanções ao Irã com base no acordo assinado em julho de 2015.

Além de reduzir o número de centrífugas e o volume de urânio enriquecido em estoque, e de fechar instalações nucleares, a República Islâmica do Irã se comprometeu a abrir suas instalações nucleares a inspeções irrestritas da AIEA, encarregada de fiscalizar o cumprimento do acordo.

A AIEA fez uma ressalva às respostas dadas pelo regime dos aiatolás em relação à base militar de Parchin, onde satélites-espiões dos EUA registraram atividades suspeitas. O governo iraniano alegou que era apenas uma obra na estrada próxima.

É o suficiente para adversários do acordo, especialmente Israel e o Partido Republicano dos EUA, reiniciarem seus ataques.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Irã começa a implementar acordo nuclear

A República Islâmica do Irã começou a desmontar milhares de centrífugas de enriquecimento de urânio como parte do acordo para desarmar seu programa nuclear firmado com as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha, anunciou hoje o diretor da Organização de Energia Atômica do Irã, o ex-ministro do Exterior Ali Akbar Salehi.

O acordo está longe de ser consenso no regime fundamentalista iraniano. Em reação contra o início da implementação do acordo, 20 deputados da linha dura enviaram carta de protesto ao presidente Hassan Rouhani, principal responsável pela reaproximação com os Estados Unidos.

Pelo acordo, o Irã deve reduzir o total de centrífugas para 5 mil, se desfazer da maior parte do urânio enriquecido a baixos teores, fechar instalações nucleares e abrir todas a inspeções irrestritas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) durante dez anos. Em troca, à medida que o acordo for implementado, as sanções internacionais contra a república dos aiatolás serão reduzidas.

A expectativa do presidente Barack Obama é que nos próximos dez anos o regime iraniano evolua rumo a uma abertura política. O diálogo estratégico entre os dois países iria muito além da questão nuclear. Mas o Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, quem manda de fato no país, vetou qualquer negociação com os EUA além do já acertado.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Irã faz mais 3 mil centrífugas para enriquecer urânio

Apesar das pressões internacionais sobre seu programa nuclear, a República Islâmica do Irã está fabricando mais 3 mil centrífugas avançadas para enriquecimento de urânio, noticiou ontem a televisao estatal.

A nova geração de centrífugas deve ser instalada na central nuclear de Natanz, noticia o jornal americano The New York Times. O anúncio vem poucos dias depois da retomada das negociações entre o país e as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, Rússia, França e Reino Unido) e a Alemanha, que acreditam que o Irã esteja desenvolvendo armas atômicas.

Não houve avanço nas negociações. As grandes potências exigem que o Irã cumpra as resoluções da ONU e pare com o enriquecimento do combustível nuclear, enquanto a república dos aiatolás insiste no levantamento das sanções internacionais como precondição para negociar.