O presidente Donald Trump recebe hoje à tarde na Casa Branca o vice-primeiro-ministro da China encarregado das negociações econômicas, Liu He, para selar um acordo e pôr fim à guerra comercial entre os dois países mais ricos do mundo. Um encontro de cúpula entre Trump e o ditador Xi Jinping para assinar o acordo pode ser anunciado ainda hoje.
A expectativa é que a China tenha até 2025 para cumprir os compromissos de comprar mais produtos primários dos Estados Unidos e permitir que empresas americanas sejam donas de companhias chinesas, antecipou ontem a agência de notícias Bloomberg.
Ainda há questões em aberto, como o cronograma para eliminação das tarifas de importação retaliatórias impostas pelos dois países no ano passado, afetando exportações de US$ 360 bilhões, os mecanismos de fiscalização do cumprimento do acordo, a proteção à propriedade intelectual e a transferência forçada de tecnologia.
Um jantar de Trump e Xi durante a reunião do Grupo dos Vinte em Buenos Aires, em 30 de novembro, quando o presidente americano suspendeu um novo aumento de tarifas por 90 dias, deu início à fase mais substantiva de negociações. O novo prazo era 1º de março, mas foi prorrogado.
O fracasso do segundo encontro de cúpula de Trump com o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Un, no fim de fevereiro, em Hanói, no Vietnã, assustou os chineses. Eles passaram a temer que o presidente dos EUA emparedasse o líder da China se a reunião de cúpula dos dois países fosse realizada antes do acordo estar fechado.
Agora, a esperança é que Trump e o vice-primeiro-ministro anunciem hoje a conclusão das negociações.
NOTA: Trump reconheceu que houve progresso, mas considerou cedo para marcar a reunião de cúpula.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quinta-feira, 4 de abril de 2019
quarta-feira, 27 de março de 2019
May promete pedir demissão para aprovar acordo com a UE
Em reunião da bancada do Partido Conservador, a primeira-ministra britânica , Theresa May, ofereceu sua renúncia para obter a aprovação do acordo negociado com os outros 27 países da União Europeia para a saída do Reino Unido do bloco europeu, noticiou o jornal inglês Financial Times. A ala extremista do partido teria assim controle sobre as futuras negociações comerciais com a UE.
A Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico assumiu o controle sobre as negociações, em mais uma derrota para o governo, mas a primeira-ministra pretende reapresentar sua proposta para uma terceira votação nas próximas 48 horas.
Enquanto isso, os deputados examinam alternativas como a convocação de um segundo plebiscito sobre a Brexit (saída britânica) e acordos como os da Noruega e do Canadá.
Cerca de 1 milhão de pessoas tomaram as ruas do centro de Londres no fim de semana para exigir uma nova consulta popular capaz de anular o resultado do plebiscito de 23 de junho de 2016. Um abaixo-assinado recolheu 6 milhões de assinaturas. O Partido Conservador resiste. Seria uma votação capaz de dividir o partido definitivamente.
Depois da segunda derrota do acordo negociado com a UE, May pediu ao bloco europeu um adiamento da saída, inicialmente marcada para 29 de março. A Europa concordou em prorrogar o prazo até 22 de maio, se o acordo for aprovado pelo Parlamento Britânico. Caso contrário, o Reino Unido teria de sair até 12 de abril.
Uma saída sem acordo seria ainda mais desastrosa para a economia britânica. Pelos cálculos do Banco da Inglaterra, o produto interno bruto do país poderia cair mais de 10% em cinco anos.
May também estaria cogitando dividir o acordo em dois e colocar apenas uma parte em votação.
A Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico assumiu o controle sobre as negociações, em mais uma derrota para o governo, mas a primeira-ministra pretende reapresentar sua proposta para uma terceira votação nas próximas 48 horas.
Enquanto isso, os deputados examinam alternativas como a convocação de um segundo plebiscito sobre a Brexit (saída britânica) e acordos como os da Noruega e do Canadá.
Cerca de 1 milhão de pessoas tomaram as ruas do centro de Londres no fim de semana para exigir uma nova consulta popular capaz de anular o resultado do plebiscito de 23 de junho de 2016. Um abaixo-assinado recolheu 6 milhões de assinaturas. O Partido Conservador resiste. Seria uma votação capaz de dividir o partido definitivamente.
Depois da segunda derrota do acordo negociado com a UE, May pediu ao bloco europeu um adiamento da saída, inicialmente marcada para 29 de março. A Europa concordou em prorrogar o prazo até 22 de maio, se o acordo for aprovado pelo Parlamento Britânico. Caso contrário, o Reino Unido teria de sair até 12 de abril.
Uma saída sem acordo seria ainda mais desastrosa para a economia britânica. Pelos cálculos do Banco da Inglaterra, o produto interno bruto do país poderia cair mais de 10% em cinco anos.
May também estaria cogitando dividir o acordo em dois e colocar apenas uma parte em votação.
quinta-feira, 7 de junho de 2018
FMI dá empréstimo de US$ 50 bilhões à Argentina
O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou hoje um acordo para emprestar até US$ 50 bilhões à Argentina em três anos, mais do que os US$ 30 bilhões previstos inicialmente. O presidente Mauricio Macri considerou "um ponto de partida importantíssimo".
"Este é um plano feito pelo governo argentino, com o objetivo de fortalecer a economia em benefício de todos os argentinos. Tenho satisfação de que possamos contribuir com este esforço oferecendo nosso apoio financeiro, que vai aumentar a confiança do mercado, dando às autoridades tempo de resolver uma série de antigas vulnerabilidades", declarou em nota a diretora-geral do FMI, Christine Lagarde.
O ajuste fiscal previsto para este ano mantém a meta de déficit primário já estabelecida pelo governo Macri em 2,7% do produto interno bruto. A meta para 2019 cai de 2,2% para 1,3%. Em 2020, as contas públicas da Argentina devem estar equilibradas.
As novas metas de inflação são 17% em 2019, 13% em 2020 e 9% em 2021.
Em uma medida considera "histórica" pelo atual presidente do banco central argentino, Federico Sturzenegger, o BC não poderá mais financiar o déficit público imprimindo dinheiro. Isso reforça a autonomia operacional da autoridade monetária.
As negociações foram rápidas. Em 8 de maio, o presidente argentino avisou que recorreria ao FMI, causando a reação negativa da esquerda peronista, que associa o Fundo à crise deflagrada em 2001 pelo colapso da dolarização do governo Carlos Menem (1989-99).
"Este é um plano feito pelo governo argentino, com o objetivo de fortalecer a economia em benefício de todos os argentinos. Tenho satisfação de que possamos contribuir com este esforço oferecendo nosso apoio financeiro, que vai aumentar a confiança do mercado, dando às autoridades tempo de resolver uma série de antigas vulnerabilidades", declarou em nota a diretora-geral do FMI, Christine Lagarde.
O ajuste fiscal previsto para este ano mantém a meta de déficit primário já estabelecida pelo governo Macri em 2,7% do produto interno bruto. A meta para 2019 cai de 2,2% para 1,3%. Em 2020, as contas públicas da Argentina devem estar equilibradas.
As novas metas de inflação são 17% em 2019, 13% em 2020 e 9% em 2021.
Em uma medida considera "histórica" pelo atual presidente do banco central argentino, Federico Sturzenegger, o BC não poderá mais financiar o déficit público imprimindo dinheiro. Isso reforça a autonomia operacional da autoridade monetária.
As negociações foram rápidas. Em 8 de maio, o presidente argentino avisou que recorreria ao FMI, causando a reação negativa da esquerda peronista, que associa o Fundo à crise deflagrada em 2001 pelo colapso da dolarização do governo Carlos Menem (1989-99).
quinta-feira, 5 de maio de 2016
França lidera rebelião da UE contra acordo com Mercosul
Defensora irredutível do protecionismo agrícola, a França lidera um grupo de 13 países da União Europeia contrários à tentativa da Comissão Europeia, órgão executivo do bloco, de retomar as negociações de liberalização comercial com o Mercosul, revela o jornal britânico Financial Times.
A comissão pretendia fazer neste mês uma nova proposta de abertura de mercado para destravar as negociações, que se arrastam desde 1999.
Os países contrários acusam Bruxelas de fazer ofertas sobre cotas e tarifas sem um cálculo preciso sobre o impacto das exportações das grandes potências agrícolas da América do Sul, especialmente o Brasil e a Argentina. Além da França, a Irlanda e a Polônia se opõem tenazmente a um acordo.
O Mercado Comum do Sul, formado por Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela, é um dos dez maiores parceiros comerciais da UE, num total de 93 bilhões de euros, à frente de países como a Coreia do Sul e a Índia.
"Taticamente, não é do interesse da UE fazer neste estágio propostas correspondentes aos interesses de nossos parceiros", declararam em nota os países contrários.
Nesta semana, o presidente francês, François Hollande, manifestou oposição às negociações com os Estados Unidos para criar a Parceria Transatlântica de Comércio e Investimentos alegando prejuízos à agricultura: "Neste estágio, a França diz não", declarou Hollande.
Com a eleição presidencial marcada para 23 de abril e 7 de maio de 2017, a França deve ser contra qualquer acordo de liberalização comercial. Seus agricultores enfrentam séria crise e são tradicionais eleitores da direita. Hollande é socialista.
A Espanha, que tem grandes investimentos na região, é o país mais interessado num acordo com o Mercosul, protestou: "A Espanha considera que seria um grande erro da França impedir a troca de ofertas", reagiu o ministro do Comércio, José Manuel García Margallo.
A UE tem saldo positivo com o Mercosul no comércio de produtos industriais. Exporta 47 bilhões de euros por ano e importa 23 bilhões. No setor agrícola, o desequilíbrio é muito maior e favorece o Mercosul, que exporta 21 bilhões de euros e importa apenas 2 bilhões.
No mês passado, a comissária de Comércio da UE, Cecilia Malmström, defendeu a troca de ofertas como mera formalidade: "Estou feliz que podemos avança nestas longas negociações. Ambos os lados estão fortemente comprometidos, então eu confio que a troca de ofertas vai nos permitir retomar com sucesso as negociações rumo a um acordo amplo e ambicioso."
A comissão pretendia fazer neste mês uma nova proposta de abertura de mercado para destravar as negociações, que se arrastam desde 1999.
Os países contrários acusam Bruxelas de fazer ofertas sobre cotas e tarifas sem um cálculo preciso sobre o impacto das exportações das grandes potências agrícolas da América do Sul, especialmente o Brasil e a Argentina. Além da França, a Irlanda e a Polônia se opõem tenazmente a um acordo.
O Mercado Comum do Sul, formado por Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela, é um dos dez maiores parceiros comerciais da UE, num total de 93 bilhões de euros, à frente de países como a Coreia do Sul e a Índia.
"Taticamente, não é do interesse da UE fazer neste estágio propostas correspondentes aos interesses de nossos parceiros", declararam em nota os países contrários.
Nesta semana, o presidente francês, François Hollande, manifestou oposição às negociações com os Estados Unidos para criar a Parceria Transatlântica de Comércio e Investimentos alegando prejuízos à agricultura: "Neste estágio, a França diz não", declarou Hollande.
Com a eleição presidencial marcada para 23 de abril e 7 de maio de 2017, a França deve ser contra qualquer acordo de liberalização comercial. Seus agricultores enfrentam séria crise e são tradicionais eleitores da direita. Hollande é socialista.
A Espanha, que tem grandes investimentos na região, é o país mais interessado num acordo com o Mercosul, protestou: "A Espanha considera que seria um grande erro da França impedir a troca de ofertas", reagiu o ministro do Comércio, José Manuel García Margallo.
A UE tem saldo positivo com o Mercosul no comércio de produtos industriais. Exporta 47 bilhões de euros por ano e importa 23 bilhões. No setor agrícola, o desequilíbrio é muito maior e favorece o Mercosul, que exporta 21 bilhões de euros e importa apenas 2 bilhões.
No mês passado, a comissária de Comércio da UE, Cecilia Malmström, defendeu a troca de ofertas como mera formalidade: "Estou feliz que podemos avança nestas longas negociações. Ambos os lados estão fortemente comprometidos, então eu confio que a troca de ofertas vai nos permitir retomar com sucesso as negociações rumo a um acordo amplo e ambicioso."
sexta-feira, 22 de abril de 2016
Uber faz acordo para indenizar motoristas em US$ 100 milhões
A empresa de transporte Uber Technologies concordou ontem em pagar US$ 100 milhões (R$ 357,5 milhões) a 385 mil motoristas dos estados da Califórnia e de Massachusetts, nos Estados Unidos, removendo uma séria ameaça legal a seu modelo de negócios.
Com o acordo, que precisa ser aprovado pelo juiz distrital Edward Chen, o Uber se livra de um processo em júri popular em São Francisco, mas terá de revisar sua prática de desligar motoristas alvo de queixas de usuários sem advertência nem direito a recurso. Os motoristas poderão colocar avisos nos carros pedindo gorjeta.
"Entendo que algum ficarão desapontados por não verem esse caso ir a julgamento", declarou a advogada dos motoristas, Shannon Liss-Riordan. "Acreditamos que o acordo que conseguimos negociar traz benefícios significativos - tanto monetários quanto não monetários - para melhorar a vida profissional dos motoristas, o que justifica a solução negociada."
Na maioria das cidades, o Uber provocou uma queda de 30% a 40% no faturamento dos motoristas de táxi, o que tem provocado revolta da categoria profissional.
Com o acordo, que precisa ser aprovado pelo juiz distrital Edward Chen, o Uber se livra de um processo em júri popular em São Francisco, mas terá de revisar sua prática de desligar motoristas alvo de queixas de usuários sem advertência nem direito a recurso. Os motoristas poderão colocar avisos nos carros pedindo gorjeta.
"Entendo que algum ficarão desapontados por não verem esse caso ir a julgamento", declarou a advogada dos motoristas, Shannon Liss-Riordan. "Acreditamos que o acordo que conseguimos negociar traz benefícios significativos - tanto monetários quanto não monetários - para melhorar a vida profissional dos motoristas, o que justifica a solução negociada."
Na maioria das cidades, o Uber provocou uma queda de 30% a 40% no faturamento dos motoristas de táxi, o que tem provocado revolta da categoria profissional.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
Argentina faz acordo com credores que rejeitavam renegociação
A Argentina fez hoje um acordo em Nova York perante a Justiça Federal dos Estados Unidos com credores que não aceitaram renegociações anteriores para pagar US$ 5 bilhões, noticiou a agência Reuters.
Foi mais uma iniciativa do governo Mauricio Macri para levantar as restrições ao acesso da Argentina ao mercado financeiro internacional e atrair capital estrangeiro.
É o fim de um longo exílio financeiro. O país não normalizava plenamente suas relações com o mercado internacional desde o calote de uma dívida de US$ 100 bilhões no fima de 2001, quando desmoronou a dolarização da era Carlos Menem (1989-99).
Foi mais uma iniciativa do governo Mauricio Macri para levantar as restrições ao acesso da Argentina ao mercado financeiro internacional e atrair capital estrangeiro.
É o fim de um longo exílio financeiro. O país não normalizava plenamente suas relações com o mercado internacional desde o calote de uma dívida de US$ 100 bilhões no fima de 2001, quando desmoronou a dolarização da era Carlos Menem (1989-99).
sexta-feira, 28 de agosto de 2015
Coreia do Sul quer negociar questão nucler com a Coreia do Norte
A Coreia do Sul pretende negociar a questão nuclear diretamente com o regime comunista da Coreia do Norte, declarou hoje o negociador sul-coreano Hwang Joon Kook, informou a agência de notícias local Yonhap.
Os Estados Unidos e a China também querem negociar separadamente, além das negociações hexapartites, que incluem ainda o Japão e a Rússia.
Apesar da redução das tensões entre as duas Coreias nos últimos dias, depois de um troca de tiros através da última fronteira da Guerra Fria, o ministro da Unificação sul-coreano considera cedo demais para a abertura de negociações diretas.
O ditador norte-coreano, Kim Jong Un, declarou ontem que a redução das tensões colocou os dois países numa trilha de reconciliação e restabelecimento da confiança mútua.
Depois de negociar um acordo mediado pelo então presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter, a Coreia do Norte realizou três testes nucleares, em 2006, 2009 e 2013, tornando-se uma potência atômica. Na Coreia do Sul, as forças dos EUA, presentes no país desde a Guerra da Coreia (1950-53), podem ter armas nucleares, mas não revelam isso publicamente.
Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, quando a Coreia foi dividida depois do fim da ocupação japonesa, o regime stalinista norte-coreano acusa os governos da Coreia do Sul e do Japão de serem fantoches dos EUA e exige uma negociação direta com Washington.
Os Estados Unidos e a China também querem negociar separadamente, além das negociações hexapartites, que incluem ainda o Japão e a Rússia.
Apesar da redução das tensões entre as duas Coreias nos últimos dias, depois de um troca de tiros através da última fronteira da Guerra Fria, o ministro da Unificação sul-coreano considera cedo demais para a abertura de negociações diretas.
O ditador norte-coreano, Kim Jong Un, declarou ontem que a redução das tensões colocou os dois países numa trilha de reconciliação e restabelecimento da confiança mútua.
Depois de negociar um acordo mediado pelo então presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter, a Coreia do Norte realizou três testes nucleares, em 2006, 2009 e 2013, tornando-se uma potência atômica. Na Coreia do Sul, as forças dos EUA, presentes no país desde a Guerra da Coreia (1950-53), podem ter armas nucleares, mas não revelam isso publicamente.
Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, quando a Coreia foi dividida depois do fim da ocupação japonesa, o regime stalinista norte-coreano acusa os governos da Coreia do Sul e do Japão de serem fantoches dos EUA e exige uma negociação direta com Washington.
sexta-feira, 14 de agosto de 2015
Parlamento da Grécia aprova acordo com os credores
Com 222 votos a favor, 64 contra e 11 abstenções, o Parlamento da Grécia aprovou na madrugada de hoje o terceiro acordo com os credores para o país receber empréstimos de emergência, desta vez no valor de 86 bilhões de euros.
Mais de 40 deputados da Coligação de Esquerda Radical (Syriza), inclusive o ex-ministro das Finanças Yanis Varoufakis, votaram contra. Os ministros das Finanças da Zona do Euro discutem hoje os detalhes do programa de resgate para ajudar a Grécia a pagar uma dívida pública de 320 bilhões de euros que deve chegar a 200% do produto interno bruto, a soma de toda a riqueza que o país produz num ano.
Mais de 40 deputados da Coligação de Esquerda Radical (Syriza), inclusive o ex-ministro das Finanças Yanis Varoufakis, votaram contra. Os ministros das Finanças da Zona do Euro discutem hoje os detalhes do programa de resgate para ajudar a Grécia a pagar uma dívida pública de 320 bilhões de euros que deve chegar a 200% do produto interno bruto, a soma de toda a riqueza que o país produz num ano.
quinta-feira, 13 de agosto de 2015
Parlamento da Grécia discute proposta de acordo com credores
O projeto de lei sobre o terceiro programa de ajuda internacional, apresentado ontem, começa a ser discutido hoje no Parlamento da Grécia e deve ser votado até amanhã. Hoje sai o resultado do produto interno bruto do segundo trimestre. A expectativa é de forte contração.
Amanhã, os ministros das Finanças do Grupo do Euro voltam a debater o acordo anunciado em 11 de agosto para a Grécia receber 86 bilhões de euros ao longo de três anos. Em troca, o governo grego se comprometeu a realizar reformas que incluem 35 medidas acertadas com os parceiros da Zona do Euro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE), a mal afamada troika.
A Grécia teme que a Alemanha decida dar um empréstimo-ponte em vez de liberar logo os fundos do novo programa de ajuda, com o objetivo de impor novas exigências. E o governo da Coligação de Esquerda Radical (Syriza) enfrenta problemas internos.
Uma parte do partido não concorda com o acordo. Gostaria de romper com a Eurozona e até com a União Europeia, ao contrário do que quer a maioria dos gregos. O primeiro-ministro Alexis Tsipras depende de votos dos partidos tradicionais, Nova Democracia, de direita, e o Partido Socialista Pan-Helênico (Pasok), para aprovar os acordos internacionais.
A votação do acordo será um bom teste para a coesão do governo em Atenas.
Amanhã, os ministros das Finanças do Grupo do Euro voltam a debater o acordo anunciado em 11 de agosto para a Grécia receber 86 bilhões de euros ao longo de três anos. Em troca, o governo grego se comprometeu a realizar reformas que incluem 35 medidas acertadas com os parceiros da Zona do Euro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE), a mal afamada troika.
A Grécia teme que a Alemanha decida dar um empréstimo-ponte em vez de liberar logo os fundos do novo programa de ajuda, com o objetivo de impor novas exigências. E o governo da Coligação de Esquerda Radical (Syriza) enfrenta problemas internos.
Uma parte do partido não concorda com o acordo. Gostaria de romper com a Eurozona e até com a União Europeia, ao contrário do que quer a maioria dos gregos. O primeiro-ministro Alexis Tsipras depende de votos dos partidos tradicionais, Nova Democracia, de direita, e o Partido Socialista Pan-Helênico (Pasok), para aprovar os acordos internacionais.
A votação do acordo será um bom teste para a coesão do governo em Atenas.
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quinta-feira, 16 de julho de 2015
BCE amplia ajuda de emergência a bancos da Grécia
Um dia depois que o Parlamento da Grécia aprovou o novo programa de ajuda proposto pelos sócios da Zona do Euro, o Banco Central Europeu (BCE) ampliou hoje em 900 milhões de euros a linha de crédito de emergência para evitar a falência dos bancos gregos.
Em entrevista coletiva, o presidente do BCE, o italiano Mario Draghi, justificou a medida tendo em vista "diversos avanços positivos" nas negociações da Grécia com os credores internacionais para acertar o terceiro programa de resgate financeiro da dívida pública do país.
Os bancos gregos estão fechado desde 29 de junho. Os correntistas só podem sacar 60 euros por dia por conta bancária. A ajuda de liquidez de emergência já era de 89 milhões. Houve um aumento pequeno, mas indica a disposição do BCE de evitar um colapso do sistema financeiro da Grécia.
Com conflitos na rua entre a polícia e manifestantes contrário ao acordo, e apesar dos votos contrários de 39 deputados do partido do governo, a Coligação de Esquerda Radical (Syriza), o Parlamento da Grécia aprovou ontem o acordo por 229 a 64, com seis abstenções.
Horas antes, a Assembleia Nacional e o Senado da França aprovaram o acordo sem problemas. A maior dificuldade deve ocorrer no Parlamento da Alemanha, onde há forte resistência da opinião pública em emprestar mais dinheiro à Grécia. A votação em Berlim será amanhã.
Em entrevista coletiva, o presidente do BCE, o italiano Mario Draghi, justificou a medida tendo em vista "diversos avanços positivos" nas negociações da Grécia com os credores internacionais para acertar o terceiro programa de resgate financeiro da dívida pública do país.
Os bancos gregos estão fechado desde 29 de junho. Os correntistas só podem sacar 60 euros por dia por conta bancária. A ajuda de liquidez de emergência já era de 89 milhões. Houve um aumento pequeno, mas indica a disposição do BCE de evitar um colapso do sistema financeiro da Grécia.
Com conflitos na rua entre a polícia e manifestantes contrário ao acordo, e apesar dos votos contrários de 39 deputados do partido do governo, a Coligação de Esquerda Radical (Syriza), o Parlamento da Grécia aprovou ontem o acordo por 229 a 64, com seis abstenções.
Horas antes, a Assembleia Nacional e o Senado da França aprovaram o acordo sem problemas. A maior dificuldade deve ocorrer no Parlamento da Alemanha, onde há forte resistência da opinião pública em emprestar mais dinheiro à Grécia. A votação em Berlim será amanhã.
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terça-feira, 14 de julho de 2015
Obama afirma que todas vias para bomba iraniana foram fechadas
Ao celebrar hoje o acordo firmado entre as grandes potências e o Irã para desarmar o programa nuclear iraniano, o presidente Barack Obama afirmou que o acordo está baseado não na confiança, mas na fiscalização.
"Todos os caminhos para o Irã fazer a bomba atômica foram bloqueados", declarou o presidente dos Estados Unidos.
Os EUA negociaram de uma posição de força, com base em princípios, acrescentou Obama, que ameaçou vetar qualquer iniciativa do Congresso para derrubar o acordo.
No Irã, a população saiu às ruas para festejar o acordo. O presidente Hassan Rouhani falou em pronunciamento na TV que é o início de uma nova era nas relações do Irã com o mundo.
As maiores críticas vieram de Israel. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu considerou que houve um "mau acordo" capaz de deflagrar uma corrida armamentista nuclear no Oriente Médio. No momento, Israel é o único país da região com armas atômicas.
Outro grande aliado dos EUA, a Arábia Saudita, que apoia sunitas em conflitos contra xiitas sustentados pelo Irã no Bahrein, no Iêmen, no Iraque, no Líbano e na Síria, teme o fortalecimento do Irã. Próximos do Paquistão, único país muçulmano com armas nucleares, os sauditas já manifestaram interesse em adquirir a tecnologia.
A Turquia, outra candidata a potência regional, também cogita a opção nuclear. O risco de uma corrida armamentista na região mais explosiva do planeta não pode ser descartada.
Como no caso de Cuba, Obama aposta no engajamento político para ver se estimula pressões internas pela liberalização do regime. Enquanto o povo festeja nas ruas, dentro do regime a linha-dura vê um risco para a ditadura teocrática iraniana.
A República Islâmica do Irã se comprometeu a reduzir seus estoques de urânio enriquecido a baixos teores em 98% em 15 anos. Dois terços das centrífugas serão eliminadas, restando as 5.060 ativas no centro de processamento primário de Natanz.
Em troca, as sanções internacionais contra o regime fundamentalista iraniano serão removidas à medida que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) certificar que a república dos aiatolás está cumprindo o acordo. A AIEA, órgão da ONU, poderá fazer inspeções sem aviso prévio em qualquer instalação nuclear, inclusive em áreas militares.
O Irã vai exportar mais petróleo e poderá usar o sistema financeiro internacional em seu comércio exterior. As sanções à venda de armas serão levantadas gradualmente.
"Todos os caminhos para o Irã fazer a bomba atômica foram bloqueados", declarou o presidente dos Estados Unidos.
Os EUA negociaram de uma posição de força, com base em princípios, acrescentou Obama, que ameaçou vetar qualquer iniciativa do Congresso para derrubar o acordo.
No Irã, a população saiu às ruas para festejar o acordo. O presidente Hassan Rouhani falou em pronunciamento na TV que é o início de uma nova era nas relações do Irã com o mundo.
As maiores críticas vieram de Israel. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu considerou que houve um "mau acordo" capaz de deflagrar uma corrida armamentista nuclear no Oriente Médio. No momento, Israel é o único país da região com armas atômicas.
Outro grande aliado dos EUA, a Arábia Saudita, que apoia sunitas em conflitos contra xiitas sustentados pelo Irã no Bahrein, no Iêmen, no Iraque, no Líbano e na Síria, teme o fortalecimento do Irã. Próximos do Paquistão, único país muçulmano com armas nucleares, os sauditas já manifestaram interesse em adquirir a tecnologia.
A Turquia, outra candidata a potência regional, também cogita a opção nuclear. O risco de uma corrida armamentista na região mais explosiva do planeta não pode ser descartada.
Como no caso de Cuba, Obama aposta no engajamento político para ver se estimula pressões internas pela liberalização do regime. Enquanto o povo festeja nas ruas, dentro do regime a linha-dura vê um risco para a ditadura teocrática iraniana.
A República Islâmica do Irã se comprometeu a reduzir seus estoques de urânio enriquecido a baixos teores em 98% em 15 anos. Dois terços das centrífugas serão eliminadas, restando as 5.060 ativas no centro de processamento primário de Natanz.
Em troca, as sanções internacionais contra o regime fundamentalista iraniano serão removidas à medida que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) certificar que a república dos aiatolás está cumprindo o acordo. A AIEA, órgão da ONU, poderá fazer inspeções sem aviso prévio em qualquer instalação nuclear, inclusive em áreas militares.
O Irã vai exportar mais petróleo e poderá usar o sistema financeiro internacional em seu comércio exterior. As sanções à venda de armas serão levantadas gradualmente.
sexta-feira, 10 de julho de 2015
Grécia aceita imposições do Eurogrupo com poucas exceções
O primeiro-ministro radical da Grécia, Alexis Tsipras, apresentou ontem um plano de reformas e ajuste fiscal para fechar um terceiro acordo com os sócios do Grupo do Euro. Tanto o Parlamento da Grécia quanto os outros países da Zona do Euro devem aceitar a proposta, previu o jornal espanhol El País.
O presidente da França, François Hollande, um dos principais defensores da permanência da Grécia na união monetária europeu, elogiou a proposta, descrevendo-a como "séria e com credibilidade".
A Grécia caloteou uma dívida de 1,55 bilhão de euros junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Sob pressão interna e externa, Tsipras convocou um referendo que rejeitou, no domingo passado, a proposta anterior do Grupo do Euro, do FMI e do Banco Central Europeu (BCE). Agora, aceitou praticamente a mesma coisa.
O presidente da França, François Hollande, um dos principais defensores da permanência da Grécia na união monetária europeu, elogiou a proposta, descrevendo-a como "séria e com credibilidade".
A Grécia caloteou uma dívida de 1,55 bilhão de euros junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Sob pressão interna e externa, Tsipras convocou um referendo que rejeitou, no domingo passado, a proposta anterior do Grupo do Euro, do FMI e do Banco Central Europeu (BCE). Agora, aceitou praticamente a mesma coisa.
sábado, 27 de junho de 2015
Parlamento da Grécia aprova referendo sobre negociação da dívida
Por 178 a 120 com duas abstenções, o Parlamento da Grécia aprovou hoje a convocação de uma consulta popular em 5 de julho de 2015 para decidir se o país deve aceitar as imposições dos credores internacionais e manter o rigoroso programa de ajuste fiscal que levou a uma queda de 25% no produto interno bruto nos últimos seis anos. O governo radical de esquerda vai defender o voto não.
Durante 14 horas de um debate inflamado, os deputados da Coligação de Esquerda Radical (Syriza) argumentaram que a rejeição do acordo não significa que a Grécia terá de sair da Zona do Euro e da União Europeia. O primeiro-ministro Alexis Tsipras disse esperar o fortalecimento de sua posição negociadora com o referendo.
A Syriza foi eleita nas eleições de 25 de janeiro de 2015 prometendo acabar com o programa de austeridade fiscal imposto pela chamada troika formada pela Eurozona, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE), em troca de empréstimos de 240 bilhões de euros.
Horas antes, em Bruxelas, os ministros das Finanças do Grupo do Euro rejeitaram um pedido da Grécia para estender o atual programa de resgate por mais um mês e excluíram a Grécia da segunda parte da reunião, em que discutiram a possibilidade de saída do país da união monetária europeia.
O ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, alegou hoje não ter um mandato para assinar um acordo com novos cortes de gastos públicos. Daí a necessidade de convocar um referendo.
A Grécia depende da liberação de uma parcela de 7,2 bilhões de euros para pagar 1,6 bilhão de euros ao FMI em 30 de junho, além dos salários, aposentadorias e pensões de seus cidadãos. Como o referendo foi marcado para depois desta data, a Grécia já estará em calote.
No fim da reunião ministerial em Bruxelas, o ministro das Finanças da França, Michel Sapin, criticou o referendo, mas insistiu em que seu país quer manter a Grécia na Eurozona, mantendo a esperança de um acordo de última hora.
Durante 14 horas de um debate inflamado, os deputados da Coligação de Esquerda Radical (Syriza) argumentaram que a rejeição do acordo não significa que a Grécia terá de sair da Zona do Euro e da União Europeia. O primeiro-ministro Alexis Tsipras disse esperar o fortalecimento de sua posição negociadora com o referendo.
A Syriza foi eleita nas eleições de 25 de janeiro de 2015 prometendo acabar com o programa de austeridade fiscal imposto pela chamada troika formada pela Eurozona, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE), em troca de empréstimos de 240 bilhões de euros.
Horas antes, em Bruxelas, os ministros das Finanças do Grupo do Euro rejeitaram um pedido da Grécia para estender o atual programa de resgate por mais um mês e excluíram a Grécia da segunda parte da reunião, em que discutiram a possibilidade de saída do país da união monetária europeia.
O ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, alegou hoje não ter um mandato para assinar um acordo com novos cortes de gastos públicos. Daí a necessidade de convocar um referendo.
A Grécia depende da liberação de uma parcela de 7,2 bilhões de euros para pagar 1,6 bilhão de euros ao FMI em 30 de junho, além dos salários, aposentadorias e pensões de seus cidadãos. Como o referendo foi marcado para depois desta data, a Grécia já estará em calote.
No fim da reunião ministerial em Bruxelas, o ministro das Finanças da França, Michel Sapin, criticou o referendo, mas insistiu em que seu país quer manter a Grécia na Eurozona, mantendo a esperança de um acordo de última hora.
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terça-feira, 3 de março de 2015
Primeiro-ministro de Israel ataca negociações EUA-Irã
Diante de um Congresso dos Estados Unidos esvaziado pelo boicote do Partido Democrata, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, começa agora seu tão esperado discurso para bombardear o acordo negociado entre as cinco grande potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, Rússia, França e Reino Unido), a Alemanha e o Irã. O objetivo das negociações é desarmar o programa nuclear iraniano, impedindo a república islâmica de fazer a bomba atômica.
A linha-dura de Israel não acredita no acordo. Entende que o Irã apenas tenta ganhar tempo para explodir a bomba e tornar a questão um fato consumado. Quer o apoio da oposição republicana para derrubar o acordo no Congresso americano.
Como o discurso não tem o apoio da Casa Branca, que não vai recebê-lo nesta viagem por faltarem apenas duas semanas para as eleições gerais em Israel, Netanyahu iniciou agradecendo ao presidente Barack Obama por colaborar com Israel e aos EUA como um todo. Citou o Domo de Ferro, o escudo antimísseis usado por proteger Israel de foguetes de grupos como o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) e a milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus), desenvolvido com tecnologia americana.
Em seguida, ele lembrou ao longo da história várias tentativas de exterminar o povo judeu e afirmou que esta ameaça está viva hoje nas palavras do Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, e do líder da milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá, Hassan Nasrallah, quando pregam a destruição de Israel.
Como no Holocausto promovido pela Alemanha na Segunda Guerra Mundial, prosseguiu Netanyahu, comparando o regime iraniano aos nazistas, "a ameaça iraniana não se restringe a Israel, é um desafio ao mundo inteiro".
Entre os exemplos de agressões iranianas, citou a tomada do poder no Iêmen pelos rebeldes hutis, da etnia zaidita, que são xiitas. Isso daria condições ao Irã de fechar o acesso ao Mar Vermelho, estrangulando o comércio internacional de petróleo, advertiu.
"Em vez de se juntar à comunidade das nações", o Irã prefere "subjugar, dominar e aterrorizar", acusou o primeiro-ministro linha-dura de Israel. "Há dois anos, demos a oportunidade ao presidente Hassan Rouhani e ao ministro do Exterior, Mohamed Javad Zarif", mas a ideologia do regime iraniano está profundamente enraizada no fundamentalismo muçulmano.
Na visão do líder israelense, o Irã e o Estado Islâmico do Iraque e do Levante compartilham a mesma ideologia: "Um se chama Estado Islâmico; outro é uma República Islâmica". Estão competindo apenas para ver quem instala um regime jihadista de sua preferência: "Neste caso, o inimigo do meu inimigo é meu inimigo."
A maior advertência veio a seguir: "Vou repetir: a maior ameaça do mundo hoje é o fundamentalismo muçulmano armado com a bomba atômica. Não podemos deixar isso acontecer", afirmou o líder israelense (aplausos).
Se o acordo negociado pelos EUA for fechado, na opinião de Netanyahu, "não vai impedir o Irã de fazer a bomba, será a garantia de que o Irã fabricar armas nucleares. Se o acordo for fechado, o Irã será deixado com uma vasta infraestrutura nuclear. O programa nuclear ficará intacto e terá tempo para fazer a bomba. Em um ano, o Irã terá condições de fazer a bomba. E, se o Irã acelerar suas centrífugas, poderá fazer isso em menos tempo."
As inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) não seriam suficientes para impedir isso, acrescentou o primeiro-ministro de Israel, citando o exemplo da Coreia do Norte, que já fez três testes nucleares e agora anunciou a capacidade de miniaturizar a bomba para instalá-la em mísseis nucleares: "As inspeções constatam as violações, mas não as eliminam. A Coreia do Norte desligou as câmeras, explodiu a bomba e dentro em breve terá cem bombas atômicas."
Netanyahu afirmou que o acordo deixará o Irã com milhares de centrífugas, o suficiente para produzir um arsenal nuclear: "O maior patrocinador do terrorismo internacional poderá ter um vasto arsenal e o programa de mísseis nem sequer está na negociação. Em breve, o Irã poderá desenvolver mísseis para atacar o mundo inteiro, inclusive os EUA."
O acordo, proclamou, "não impedirá o Irã de fazer a bomba, vai pavimentar o caminho. Eu não acredito que o regime iraniano mude para melhor depois do acordo. Vai aumentar o apetite pela guerra. O Irã será menos agressivo quando tiver a bomba e as restrições à sua economia forem removidas? O Irã já domina quatro países do Oriente Médio [Iraque, Líbano, Síria e agora o Iêmen]. Estas são as perguntas que todos nos fazemos na região."
Em vez de conter o programa nuclear do Irã, o efeito será exatamente o oposto: "O acordo vai deflagrar uma corrida nuclear no Oriente Médio" porque os países árabes com ambições a serem potências regionais também vão querer armas atômicas. "Não temos de jogar com nosso futuro e o futuro de nossas crianças.Temos de manter as sanções enquanto o Irã continuar com suas agressões na região e no resto do mundo" (aplausos).
Netanyahu impôs três condições para aceitar um acordo com o Irã. A república islâmica precisa:
1. Parar com as agressões no Oriente Médio.
2. Parar de apoiar o terrorismo no resto do mundo.
3. Parar de ameaçar aniquilar o Estado de Israel.
"Se as grandes potências não querem exigir que o Irã mude seu comportamento antes do acordo, devem insistir para que o faça durante a vigência do acordo [que é de 10 anos; ele queria mais]. As sanções só devem ser suspensas quando o comportamento mudar. Se o Irã quer ser tratado como um país normal, deve agir como um país normal", acusou o primeiro-ministro israelense.
Neste momento de fragilidade da economia iraniana, agravada pela queda nos preços internacionais do petróleo, é o momento de pressionar Teerã, insistiu Netanyahu, observando que "este é um mau acordo. Ficaremos melhor sem ele."
"A alternativa para um mau acordo não é a guerra, é um acordo muito melhor, um acordo que deve manter as restrições até que as agressões iranianas acabem, um melhor acordo que não abra o caminho para o Irã fazer a bomba. Nenhum país é mais ameaçado do que Israel. Precisamos de um acordo que limite a capacidade do Irã de fazer a bomba. Outro acordo pode prevenir o Irã de ter armas atômicas e evitar uma corrida nuclear no Oriente Médio", alertou.
Citando o poeta americano Robert Frost, Netanyahu argumentou que, quando uma estrada tem dois caminhos, às vezes o mais difícil e espinhoso é o que leva ao melhor destino.
"Não vamos repetir os erros do passado. Os dias em que o povo de Israel não tinha como se defender acabaram. Restauramos nossa soberania na nossa antiga terra. O povo judeu pode se defender. Por isso, como primeiro-ministro de Israel posso afirmar: mesmo que Israel fique sozinho, vai ficar de pé. Mas eu sei que Israel não está sozinho. Sei que os EUA estão com Israel, que vocês estão com Israel", reiterou, sob aplausos de deputados e senadores.
Por fim, citou Moisés, que "tirou o povo judeu da escravidão e o levou às portas da terra prometida": "Sejam fortes e resolutos. O medo e a necessidade não nos vencerão."
A linha-dura de Israel não acredita no acordo. Entende que o Irã apenas tenta ganhar tempo para explodir a bomba e tornar a questão um fato consumado. Quer o apoio da oposição republicana para derrubar o acordo no Congresso americano.
Como o discurso não tem o apoio da Casa Branca, que não vai recebê-lo nesta viagem por faltarem apenas duas semanas para as eleições gerais em Israel, Netanyahu iniciou agradecendo ao presidente Barack Obama por colaborar com Israel e aos EUA como um todo. Citou o Domo de Ferro, o escudo antimísseis usado por proteger Israel de foguetes de grupos como o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) e a milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus), desenvolvido com tecnologia americana.
Em seguida, ele lembrou ao longo da história várias tentativas de exterminar o povo judeu e afirmou que esta ameaça está viva hoje nas palavras do Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, e do líder da milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá, Hassan Nasrallah, quando pregam a destruição de Israel.
Como no Holocausto promovido pela Alemanha na Segunda Guerra Mundial, prosseguiu Netanyahu, comparando o regime iraniano aos nazistas, "a ameaça iraniana não se restringe a Israel, é um desafio ao mundo inteiro".
Entre os exemplos de agressões iranianas, citou a tomada do poder no Iêmen pelos rebeldes hutis, da etnia zaidita, que são xiitas. Isso daria condições ao Irã de fechar o acesso ao Mar Vermelho, estrangulando o comércio internacional de petróleo, advertiu.
"Em vez de se juntar à comunidade das nações", o Irã prefere "subjugar, dominar e aterrorizar", acusou o primeiro-ministro linha-dura de Israel. "Há dois anos, demos a oportunidade ao presidente Hassan Rouhani e ao ministro do Exterior, Mohamed Javad Zarif", mas a ideologia do regime iraniano está profundamente enraizada no fundamentalismo muçulmano.
Na visão do líder israelense, o Irã e o Estado Islâmico do Iraque e do Levante compartilham a mesma ideologia: "Um se chama Estado Islâmico; outro é uma República Islâmica". Estão competindo apenas para ver quem instala um regime jihadista de sua preferência: "Neste caso, o inimigo do meu inimigo é meu inimigo."
A maior advertência veio a seguir: "Vou repetir: a maior ameaça do mundo hoje é o fundamentalismo muçulmano armado com a bomba atômica. Não podemos deixar isso acontecer", afirmou o líder israelense (aplausos).
Se o acordo negociado pelos EUA for fechado, na opinião de Netanyahu, "não vai impedir o Irã de fazer a bomba, será a garantia de que o Irã fabricar armas nucleares. Se o acordo for fechado, o Irã será deixado com uma vasta infraestrutura nuclear. O programa nuclear ficará intacto e terá tempo para fazer a bomba. Em um ano, o Irã terá condições de fazer a bomba. E, se o Irã acelerar suas centrífugas, poderá fazer isso em menos tempo."
As inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) não seriam suficientes para impedir isso, acrescentou o primeiro-ministro de Israel, citando o exemplo da Coreia do Norte, que já fez três testes nucleares e agora anunciou a capacidade de miniaturizar a bomba para instalá-la em mísseis nucleares: "As inspeções constatam as violações, mas não as eliminam. A Coreia do Norte desligou as câmeras, explodiu a bomba e dentro em breve terá cem bombas atômicas."
Netanyahu afirmou que o acordo deixará o Irã com milhares de centrífugas, o suficiente para produzir um arsenal nuclear: "O maior patrocinador do terrorismo internacional poderá ter um vasto arsenal e o programa de mísseis nem sequer está na negociação. Em breve, o Irã poderá desenvolver mísseis para atacar o mundo inteiro, inclusive os EUA."
O acordo, proclamou, "não impedirá o Irã de fazer a bomba, vai pavimentar o caminho. Eu não acredito que o regime iraniano mude para melhor depois do acordo. Vai aumentar o apetite pela guerra. O Irã será menos agressivo quando tiver a bomba e as restrições à sua economia forem removidas? O Irã já domina quatro países do Oriente Médio [Iraque, Líbano, Síria e agora o Iêmen]. Estas são as perguntas que todos nos fazemos na região."
Em vez de conter o programa nuclear do Irã, o efeito será exatamente o oposto: "O acordo vai deflagrar uma corrida nuclear no Oriente Médio" porque os países árabes com ambições a serem potências regionais também vão querer armas atômicas. "Não temos de jogar com nosso futuro e o futuro de nossas crianças.Temos de manter as sanções enquanto o Irã continuar com suas agressões na região e no resto do mundo" (aplausos).
Netanyahu impôs três condições para aceitar um acordo com o Irã. A república islâmica precisa:
1. Parar com as agressões no Oriente Médio.
2. Parar de apoiar o terrorismo no resto do mundo.
3. Parar de ameaçar aniquilar o Estado de Israel.
"Se as grandes potências não querem exigir que o Irã mude seu comportamento antes do acordo, devem insistir para que o faça durante a vigência do acordo [que é de 10 anos; ele queria mais]. As sanções só devem ser suspensas quando o comportamento mudar. Se o Irã quer ser tratado como um país normal, deve agir como um país normal", acusou o primeiro-ministro israelense.
Neste momento de fragilidade da economia iraniana, agravada pela queda nos preços internacionais do petróleo, é o momento de pressionar Teerã, insistiu Netanyahu, observando que "este é um mau acordo. Ficaremos melhor sem ele."
"A alternativa para um mau acordo não é a guerra, é um acordo muito melhor, um acordo que deve manter as restrições até que as agressões iranianas acabem, um melhor acordo que não abra o caminho para o Irã fazer a bomba. Nenhum país é mais ameaçado do que Israel. Precisamos de um acordo que limite a capacidade do Irã de fazer a bomba. Outro acordo pode prevenir o Irã de ter armas atômicas e evitar uma corrida nuclear no Oriente Médio", alertou.
Citando o poeta americano Robert Frost, Netanyahu argumentou que, quando uma estrada tem dois caminhos, às vezes o mais difícil e espinhoso é o que leva ao melhor destino.
"Não vamos repetir os erros do passado. Os dias em que o povo de Israel não tinha como se defender acabaram. Restauramos nossa soberania na nossa antiga terra. O povo judeu pode se defender. Por isso, como primeiro-ministro de Israel posso afirmar: mesmo que Israel fique sozinho, vai ficar de pé. Mas eu sei que Israel não está sozinho. Sei que os EUA estão com Israel, que vocês estão com Israel", reiterou, sob aplausos de deputados e senadores.
Por fim, citou Moisés, que "tirou o povo judeu da escravidão e o levou às portas da terra prometida": "Sejam fortes e resolutos. O medo e a necessidade não nos vencerão."
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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
UE prorroga programa de apoio à Grécia por quatro meses
A Grupo do Euro da União Europeia está anunciando neste momento em Bruxelas, na Bélgica, uma extensão de quatro meses no programa de ajuda financeira o governo esquerdista da Grécia, que terá de apresentar na segunda-feira um novo plano de recuperação econômica do país.
Os detalhes ainda estão sendo negociados, acrescentou o porta-voz europeu.
"Fomos racionais", declarou o comissário europeu para economia, Pierre Moscovici, ex-ministro da Economia da França. "Estou certo de que chegaremos a um resultado positivo."
Em 2009, na onda da Grande Recessão (2008-9), a Grécia começou a ter dificuldades para honrar sua dívida pública. Para dar dois empréstimos de emergência no valor total de 240 bilhões de euros, a UE, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE) impuseram um programa rígido de cortes de gastos públicos e aumentos de impostos.
Seis anos depois, a economia grega encolheu 25%. O desemprego chegou a 26% e a 55% entre os jovens, provocando uma revolta popular contra a chamada troika que culminou com a eleição, no mês passado, de um governo liderado pela Coligação de Esquerda Radical (Syriza).
O novo ministro das Finanças gregos, Yanis Varoufakis, se negou a manter o programa acertado por governos anteriores sob a alegação de que o país não cresce e a relação entre a dívida e o produto interno bruto se agravou, passando de 120% para 175% do PIB.
A Alemanha rejeitou a proposta inicial de renegociação da Grécia. Com o apoio da Holanda, Finlândia, Áustria e até mesmo dos governos da Espanha e de Portugal, que impuseram o remédio amargo a seus povos, o governo alemão conseguiu isolar a Grécia.
No último momento, a UE concordou em revisar o programa, na expectativa de que o novo governo grego apresente um plano capaz de sanear as finanças do país. Só assim voltará a receber ajuda. O próximo prazo fatal é na segunda-feira.
Os detalhes ainda estão sendo negociados, acrescentou o porta-voz europeu.
"Fomos racionais", declarou o comissário europeu para economia, Pierre Moscovici, ex-ministro da Economia da França. "Estou certo de que chegaremos a um resultado positivo."
Em 2009, na onda da Grande Recessão (2008-9), a Grécia começou a ter dificuldades para honrar sua dívida pública. Para dar dois empréstimos de emergência no valor total de 240 bilhões de euros, a UE, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE) impuseram um programa rígido de cortes de gastos públicos e aumentos de impostos.
Seis anos depois, a economia grega encolheu 25%. O desemprego chegou a 26% e a 55% entre os jovens, provocando uma revolta popular contra a chamada troika que culminou com a eleição, no mês passado, de um governo liderado pela Coligação de Esquerda Radical (Syriza).
O novo ministro das Finanças gregos, Yanis Varoufakis, se negou a manter o programa acertado por governos anteriores sob a alegação de que o país não cresce e a relação entre a dívida e o produto interno bruto se agravou, passando de 120% para 175% do PIB.
A Alemanha rejeitou a proposta inicial de renegociação da Grécia. Com o apoio da Holanda, Finlândia, Áustria e até mesmo dos governos da Espanha e de Portugal, que impuseram o remédio amargo a seus povos, o governo alemão conseguiu isolar a Grécia.
No último momento, a UE concordou em revisar o programa, na expectativa de que o novo governo grego apresente um plano capaz de sanear as finanças do país. Só assim voltará a receber ajuda. O próximo prazo fatal é na segunda-feira.
quarta-feira, 12 de novembro de 2014
EUA e China anunciam acordo histórico sobre o clima
Numa série de entendimentos para melhorar o relacionamento entre as duas maiores potências mundiais, os Estados Unidos e a China anunciaram hoje um acordo sobre o clima capaz de impulsionar as negociações da Conferência das Nações Unidas sobre o Clima em 2015, em Paris.
Os EUA se comprometeram a cortar até 2025 as emissões de gases carbônicos em 26% a 28% em relação a 2005. A China, hoje o maior poluidor mundial, não se considera responsável pelas emissões do passado. Pela primeira vez, prometeu reduzir gradualmente o aumento das emissões até chegar ao pico em 2030. A partir daí, vão cair.
É pouco, mas é um avanço histórico. Foram nove meses de negociações secretas. Sem um compromisso dos maiores poluidores, dificilmente haveria progresso no próximo ano em Paris rumo a um acordo para substituir o Protocolo de Quioto, que expirou em 2012.
No protocolo assinado em 1997 em Quioto, no Japão, 37 países desenvolvidos se comprometeram a reduzir as emissões de gases que agravam o efeito estufa em 5% em relação a 1990. Não diminuíram. A concentração de gases carbônicos na atmosfera só aumenta, apesar das repetidas advertências do Painel Internacional sobre Mudança do Clima, que reúne cientistas do mundo inteiro.
Um problema para Obama é que o Partido Republicano, que acaba de conquistar a maioria nas duas casas do Congresso dos EUA, ou pelo menos sua ala mais radical, negam que o atividade industrial humana seja responsável pelo aquecimento do planeta.
Em entrevista coletiva neste momento em Beijim, Obama destaca a melhoria nas relações bilaterais nos últimos 43 anos desde a histórica visita de Henry Kissinger a Mao Tsé-tung, em 1971.
O presidente americano citou o extraordinário aumento do comércio bilateral e a cooperação em vários setores, do intercâmbio estudantil ao combate à epidemia de ebola e à estabilidade no Afeganistão. Com o aumento do terrorismo islâmico de radicais da minoria uigur, a China entra na guerra contra o extremismo muçulmano.
Obama reconheceu que a China é uma grande potência, numa grande diferença em relação ao tratamento americano ao país na era Bush (2001-9). Declarou que "o Tibete é parte da República Popular da China" e pediu ao regime comunista chinês que ajude a "preservar sua religião e cultura únicas". Também fez um apelo para que as disputas territoriais entre a China e seus vizinhos sejam "resolvidas pacificamente, de acordo com o direito internacional".
Os dois países vão criar mecanismos para evitar incidentes militares capazes de gerar crises, avisando quando forem fazer manobras militares. Também serão definidos procedimentos para encontros de navios ou aviões de guerra.
Os EUA se comprometeram a cortar até 2025 as emissões de gases carbônicos em 26% a 28% em relação a 2005. A China, hoje o maior poluidor mundial, não se considera responsável pelas emissões do passado. Pela primeira vez, prometeu reduzir gradualmente o aumento das emissões até chegar ao pico em 2030. A partir daí, vão cair.
É pouco, mas é um avanço histórico. Foram nove meses de negociações secretas. Sem um compromisso dos maiores poluidores, dificilmente haveria progresso no próximo ano em Paris rumo a um acordo para substituir o Protocolo de Quioto, que expirou em 2012.
No protocolo assinado em 1997 em Quioto, no Japão, 37 países desenvolvidos se comprometeram a reduzir as emissões de gases que agravam o efeito estufa em 5% em relação a 1990. Não diminuíram. A concentração de gases carbônicos na atmosfera só aumenta, apesar das repetidas advertências do Painel Internacional sobre Mudança do Clima, que reúne cientistas do mundo inteiro.
Um problema para Obama é que o Partido Republicano, que acaba de conquistar a maioria nas duas casas do Congresso dos EUA, ou pelo menos sua ala mais radical, negam que o atividade industrial humana seja responsável pelo aquecimento do planeta.
Em entrevista coletiva neste momento em Beijim, Obama destaca a melhoria nas relações bilaterais nos últimos 43 anos desde a histórica visita de Henry Kissinger a Mao Tsé-tung, em 1971.
O presidente americano citou o extraordinário aumento do comércio bilateral e a cooperação em vários setores, do intercâmbio estudantil ao combate à epidemia de ebola e à estabilidade no Afeganistão. Com o aumento do terrorismo islâmico de radicais da minoria uigur, a China entra na guerra contra o extremismo muçulmano.
Obama reconheceu que a China é uma grande potência, numa grande diferença em relação ao tratamento americano ao país na era Bush (2001-9). Declarou que "o Tibete é parte da República Popular da China" e pediu ao regime comunista chinês que ajude a "preservar sua religião e cultura únicas". Também fez um apelo para que as disputas territoriais entre a China e seus vizinhos sejam "resolvidas pacificamente, de acordo com o direito internacional".
Os dois países vão criar mecanismos para evitar incidentes militares capazes de gerar crises, avisando quando forem fazer manobras militares. Também serão definidos procedimentos para encontros de navios ou aviões de guerra.
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quarta-feira, 1 de outubro de 2014
EUA deixarão 9,8 mil soldados no Afeganistão
Um dia depois da posse do presidente Achraf Ghani Ahmadzai, os Estados Unidos e o Afeganistão assinaram um pacto de segurança para manter 9,8 mil soldados americanos no país depois do fim de 2014, quando o grosso das forças internacionais vai se retirar. Não houve acordo com o presidente anterior, Hamid Karzai.
Os militares americanos não devem entrar em combate. Em princípio, vão apenas treinar, equipar e orientar as forças de segurança afegãs.
A retirada prometida pelo presidente Barack Obama desde a campanha eleitoral de 2008 marca o fim da Guerra do Afeganistão, a mais longa da história dos EUA. No momento, há no país 41.124 soldados estrangeiros, sendo 28.970 americanos.
Os militares americanos não devem entrar em combate. Em princípio, vão apenas treinar, equipar e orientar as forças de segurança afegãs.
A retirada prometida pelo presidente Barack Obama desde a campanha eleitoral de 2008 marca o fim da Guerra do Afeganistão, a mais longa da história dos EUA. No momento, há no país 41.124 soldados estrangeiros, sendo 28.970 americanos.
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
Salário mínimo sobe para 505 euros em Portugal
No primeiro aumento em mais de três anos, o salário mínimo nacional de Portugal vai subir de 485 (R$ 1.496) para 505 euros (R$ 1.557) em outubro. O reajuste anterior, de dez euros, tinha sido em janeiro de 2011, antes do país enfrentar uma grave crise que o obrigou a pedir empréstimos de emergência à União Europeia e ao Fundo Monetário Internacional (FMI).
O acordo foi negociado ontem em Lisboa pelo governo, associações empresariais e a central sindical UGT (União Geral de Trabalhadores). A maior central sindical portuguesa, a CGTP (Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses), não participou.
Desde o ano passado, Portugal dá sinais de estar superando a crise. O desemprego caiu de 17,5% para 13,6%.
O acordo foi negociado ontem em Lisboa pelo governo, associações empresariais e a central sindical UGT (União Geral de Trabalhadores). A maior central sindical portuguesa, a CGTP (Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses), não participou.
Desde o ano passado, Portugal dá sinais de estar superando a crise. O desemprego caiu de 17,5% para 13,6%.
quinta-feira, 8 de maio de 2014
Rebeldes sírios soltam presos e entregam Homs
Cerca de 400 rebeldes abandonaram ontem Homs, a terceira maior cidade da Síria, que já foi o principal foco da guerra civil contra a ditadura de Bachar Assad, e libertaram prisioneiros nas províncias de Alepo e Latakia como parte de um acordo com o regime.
A Frente al-Nusra, um grupo jihadista, estaria violando o acordo ao bloquear o acesso de comboios de ajuda humanitária em Alepo.
Mais de 150 mil pessoas foram mortas desde o início da guerra civil na Síria, em 15 de março de 2011, em meio à onda de revoltas chamada de Primavera Árabe.
A Frente al-Nusra, um grupo jihadista, estaria violando o acordo ao bloquear o acesso de comboios de ajuda humanitária em Alepo.
Mais de 150 mil pessoas foram mortas desde o início da guerra civil na Síria, em 15 de março de 2011, em meio à onda de revoltas chamada de Primavera Árabe.
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
Presidente e oposição fazem acordo na Ucrânia
Depois de uma noite de negociações mediadas pela União Europeia e a Rússia, o presidente Viktor Yanukovitch e três líderes da oposição assinaram um acordo para acabar com a violência política que causou mais de cem mortes nos últimos dias na Ucrânia, noticiou há pouco o jornal The Washington Post. O Ministério da Saúde confirma 77 mortes. Outras 577 pessoas saíram feridas.
O acordo prevê a restauração imediata da Constituição de 2004, que dá ao Parlamento e não ao presidente o direito de indicar o primeiro-ministro e reduz os poderes do chefe de Estado. Um governo de união nacional deve ser formado em dez dias. Em setembro, haverá um referendo sobre uma nova Constituição. As próximas eleições parlamentares e presidencial estão previstas para dezembro.
Como a principal exigência dos manifestantes que há três meses ocupam a Praça da Independência, em Kiev, é a renúncia do presidente, sua total adesão ainda é uma incógnita. O período de nove meses até as eleições também é considerado muito longo, dando a Yanukovitch mais uma chance de manipular a situação.
O presidente tem o apoio da Rússia, que rejeitou o acordo e não assinou-o.
O acordo prevê a restauração imediata da Constituição de 2004, que dá ao Parlamento e não ao presidente o direito de indicar o primeiro-ministro e reduz os poderes do chefe de Estado. Um governo de união nacional deve ser formado em dez dias. Em setembro, haverá um referendo sobre uma nova Constituição. As próximas eleições parlamentares e presidencial estão previstas para dezembro.
Como a principal exigência dos manifestantes que há três meses ocupam a Praça da Independência, em Kiev, é a renúncia do presidente, sua total adesão ainda é uma incógnita. O período de nove meses até as eleições também é considerado muito longo, dando a Yanukovitch mais uma chance de manipular a situação.
O presidente tem o apoio da Rússia, que rejeitou o acordo e não assinou-o.
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