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quinta-feira, 7 de outubro de 2021

Hoje na História do Mundo: 7 de Outubro

 NASCE A ALEMANHA ORIENTAL

    Em 1949, cinco meses depois que os Estados Unidos, a França e o Reino criam a República Federal da Alemanha, a Alemanha Ocidental, é proclamada a República Democrática da Alemanha, mais conhecida como Alemanha Oriental, na região ocupada pela União Soviética no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Com a reconstrução do lado ocidental e a ditadura comunista do lado oriental, milhares de alemães-orientais começam a "votar com os pés" e fugir para o Ocidente. Na noite de 12 para 13 de outubro, a Alemanha Oriental inicia a construção do Muro de Berlim, a cicatriz viva da Guerra Fria.

A abertura do muro, em 9 de novembro de 1989, é um março do fim do conflito Leste-Oeste. Leva à reunificação da Alemanha em 3 de outubro de 1990.

GINSBERG LÊ UIVO EM PÚBLICO

    Em 1955, o poeta beat Allen Ginsberg lê pela primeira vez em público o poema Howl (Uivo), na Six Gallery, em São Francisco. 

É um sucesso imediato. A literatura beat expressa a rebelião da juventude dos anos 1950 e dá o tom para a poesia confessional dos anos 1960.

Ginsberg nasce em 1926, filho de um professor do ensino médio e de uma mãe marxista que mais tarde tem problemas mentais. O pai o introduz à literatura de poetas como Edgar Allan Poe, Charles Dickens, John Keats e John Milton.

Na Universidade de Colúmbia, antes de ser expulso, conhece Jack Kerouac, William Burroughs e Neal Cassady, figuras centrais do movimento beat.

Preso por drogas que um amigo viciado deixa em sua casa, Ginsberg alega problemas mentais para não ser condenado e passa oito meses internado numa clínica psiquiátrica.

Depois de se mudar para São Francisco da Califórnia, escreve Howl em dois meses. O poema é publicado pelo também poeta Lawrence Ferlinghetti e sua livraria e editora City Lights, outro ícone do movimento beat.

Por causa da publicação Ferlinghetti é processado por obscenida. Graças ao depoimento de nove críticos literários sobre o valor do livro, o editor é absolvido.

Ícone da contracultura, Ginsberg entra para a lista de subversivos de John Edgar Hoover, diretor-geral do FBI, a policia federal dos EUA. Vai a Cuba, onde fica decepcionado com a perseguição aos gays e denuncia o autoritarismo e a repressão do regime de Fidel Castro. Também faz campanha contra a participação americana na Guerra do Vietnã (1955-75).

SEGUNDO DEBATE KENNEDY x NIXON

   Em 1960, no segundo de quatro debates na televisão entre os candidatos à Presidência dos Estados Unidos, o senador John Kennedy e o vice-presidente Richard Nixon discutem política externa em plena Guerra Fria, com destaque para a Revolução Cubana e a derrubada de um avião-espião norte-americano U-2 na União Soviética.

Kennedy acusa o governo Dwight Eisenhower (1953-61) como tímido e indeciso ao enfrentar a ameaça soviética, enquanto Nixon descreve o jovem oponente como ingênuo e pronto para ceder à URSS e à China.

Os primeiros debates televisionados são considerados decisivos para a vitória de Kennedy, mais telegênicos e mais confiável na visão dos telespectadores.

No poder, Kennedy enfrenta seu maior desafio na Crise dos Mísseis em Cuba, de 14 a 27 de outubro de 1962, quando mundo esteve mais perto do que nunca de uma guerra nuclear.

Nixon é eleito em 1968, no auge da Guerra do Vietnã. Em 1972, vai à URSS e à China, iniciando o período da détente na Guerra Fria.

EUA ATACAM AFEGANISTÃO

    Em 2001, um mês depois dos atentados de 11 de setembro, os Estados Unidos e aliados bombardeiam a invadem o Afeganistão para derrubar o regime extremista muçulmano da Milícia dos Talebã (Estudantes) e caçar a liderança da rede terrorista Al Caeda, responsável pelos ataques a Nova York e ao Pentágono.

O regime afegão cai em três semanas. Em dezembro, os EUA cercam os líderes d'al Caeda na Batalha de Tora Bora, mas Ossma ben Laden foge para o Paquistão, onde é morto por um comando de elite na Marinha norte-americana em 2 de maio de 2011.

A guerra mais longa da história dos EUA só termina em 15 de agosto de 2021, com a retirada das últimas forças internacionais e a volta dos Talebã ao poder. Pelo menos 2.448 soldados e 3.486 civis norte-americanos, 1.444 soldados de países aliados e 66 mil soldados e policiais afegãos morrem nesse período, num total estimado em mais de 240 mil pessoas.

SCHWARZENEGGER GOVERNADOR

    Em 2003, o ator e fisiculturista Arnold Schwarzenegger é eleito governador da Califórnia, o estado mais rico e populoso dos Estados Unidos e a quinta maior economia do mundo, centro mundial da revolução tecnológica da informática.

Apesar da inexperiência política, ele ganha a eleição para substituir o governador Gray Davis, o primeiro governador norte-americano a perder o mandato num referendo revogatório desde 1921.

Schwarzenegger nasce em Thal, na Áustria, em 30 julho de 1947 e começa a fazer musculação na adolescência. Aos 20 anos, ganha o título de Mr. Universo. Em 1968, migra para os EUA.

Seu sucesso como ator de cinema começa em 1982, com Conan, o Bárbaro. Seu personagem definitivo vem é o principal de O Exterminador do Futuro.

Em 1986, ele casa com a jornalista de televisão Maria Schriver, sobrinha do presidente John Kennedy, mas entra na política pelo Partido Republicano. Governa a Califórnia por dois mandatos até 2011, quando se separa de Maria Shriver.

terça-feira, 17 de agosto de 2021

EUA têm responsabilidade na tragédia do Afeganistão

Ao defender a decisão equivocada de retirar as forças dos Estados Unidos e abandonar quem apoiou o regime instalado pela intervenção militar, o presidente Joe Biden alegou que nunca foi intenção construir uma nação no Afeganistão e que o momento ideal para sair não chega nunca. 

Biden ignorou a responsabilidade americana na tragédia afegã quando criou um exército guerrilheiro muçulmano para combater a invasão do país pela União Soviética, em 1979.

A rede terrorista Al Caeda e a milícia fundamentalista dos Talebã (Estudantes) são filhos dos chamados árabes afegãos, entre eles Ossama ben Laden, e das madraças, as escolas religiosas só para homens e que só ensinam o Corão.

É difícil imaginar que grupos que almejam recriar o mundo à imagem da Arábia do tempo do profeta Maomé, no século 7, tenham evoluído nos últimos 20 anos. Sua ideologia e seus objetivos são os mesmos, continuar a jihad (guerra santa) até impor a lei islâmica do mundo inteiro. 

As imagens do aeroporto de Cabul e de um avião militar lotado com 640 pessoas amontoadas mostram claramente que o povo afegão teme a volta da tirania. Meu comentário:

segunda-feira, 16 de agosto de 2021

EUA fogem do cemitério dos impérios

O Afeganistão é o “cemitério dos impérios”. Desde Alexandre, o Grande, da Macedônia, um dos maiores generais de todos os tempos, que morreu aos 33 anos em 323 antes de Cristo, ninguém conquista o Afeganistão. 

O Império Mongol, de Gêngis Khan, tomou a metade do país do Império Corásmio (persa) numa guerra brutal de 1219 a 1221. Na cidade de Herat, onde o sobrinho favorito do Grande Khan foi morto, de 150 mil habitantes, sobreviveram 60. A brutalidade e as políticas de extermínio dos mongóis são comparáveis ao nazismo. 

GRANDE JOGO 
No século 19, o Afeganistão é enquadrado no Grande Jogo entre o Império Britânico, que dominava a Índia, e o Império Russo, na disputa geopolítica por influência na Ásia Central. O país era um Estado-tampão entre os dois impérios. 

A Linha Durand, a fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão, foi traçada por Sir Mortimer Durand, secretário de Estado do governo colonial britânico na Índia, em 1893. Divide artificialmente as tribos pastós, que são 42% da população do Afeganistão e a etnia da maioria dos talebã, e são 15% da população do Paquistão, com a mesma cultura, o mesmo idioma e a mesma organização social dos dois lados da fronteira. 

Depois da Terceira Guerra Anglo-Afegã, em 1919, o Afeganistão recupera a independência como uma monarquia até a queda do rei Zahrir Shah, em 17 de julho de 1973, quando um golpe branco do ex-primeiro-ministro Mohamed Daud Khan, primo e cunhado do rei, proclama a República. Daud Khan governa cinco anos até a Revolução de Saur, o segundo mês do calendário persa. 

INVASÃO SOVIÉTICA 
Num golpe sangrento, em 27 e 28 de abril de 1978, os comunistas do Partido Popular Democrático tomam o poder, instalam um regime soviético sob a liderança do secretário-geral Nur Muhamad Taraki e iniciam uma série de reformas que enfrentam forte oposição em zonas rurais do interior do país. 

Em setembro de 1979, um golpe dentro do regime mata Taraki. O primeiro-ministro Hafizullah Amin assume a Secretaria-Geral do partido. A União Soviética não aceita o golpe e invade o Afeganistão em 26 de dezembro de 1979. Amin é deposto e morto. Babrak Karmal é o novo líder. Começa a Segunda Guerra Fria, depois da détente do início da década, quando o presidente americano Richard Nixon foi à China e à URSS, em 1972. 

Logo se forma uma aliança para fazer do Afeganistão o Vietnã da URSS: os EUA, governados por Ronald Reagan (1981-89); o Paquistão, dominado pelo ditador Zia ul-Haq, aliado americano na Guerra Fria e maior responsável pelo extremismo muçulmano no país; a China, inimiga da URSS no mundo comunista; e a Arábia Saudita, rica em petrodólares, exportadora do wahabismo, sua versão ortodoxa, ultraconservadora, extremista, austera, fundamentalista e puritana do islamismo. 

Os EUA dão armas e treinamento, a Arábia Saudita entra com dinheiro e voluntários, o Paquistão com os centros de treinamento e a China, aliada do Paquistão, com apoio político e diplomático. Ossama ben Laden é um dos enviados pela monarquia saudita para a guerra de guerrilhas contra o Exército Vermelho. É um dos ‘árabes afegãos’. 

As armas decisivas são os mísseis antiaéreos portáteis Stinger, disparados com apoio no ombro, lançados pelos EUA em 1981. Ao derrubar os aviões inimigos, acabam com a superioridade aérea dos soviéticos, que, como os americanos, nunca controlaram o interior de um país inóspito e montanhoso, próprio para a resistência de quem conhece o terreno. 

A invasão soviética dura nove anos e um mês. Mata de 562 mil a 2 milhões de afegãos e mais de 25 mil soldados soviéticos. Seis milhões fogem de casa, 2 a 3 milhões vão para o Paquistão e cerca de 1 milhão para o Irã. Deixa o país arrasado e em situação de anarquia, com os diferentes grupos armados que expulsaram os soviéticos brigando entre si. 

O último líder instalado pelo soviéticos, Mohamed Najibullah, é deposto em 16 de abril 1992, quando o Afeganistão cai num estado de anarquia geral.Vira uma terra sem lei onde vale a lei do mais forte e existe todo tipo de abuso. 

MILÍCIA DOS ESTUDANTES 
Neste ambiente selvagem de anarquia e guerra civil, a Milícia dos Talebã (Estudantes), nasce em setembro de 1994, fundada em Kandahar pelo mulá Mohamed Omar e 50 estudantes, todos oriundos das madraças, as escolas religiosas do Paquistão só para homens e que só ensinam o Corão, o livro sagrado do islamismo. 

Com financiamento saudita para difundir o wahabismo, elas se multiplicaram no governo Zia e foram importantes para os refugiados afegãos porque oferecem casa e comida para os alunos. Hoje, são 30 mil no Paquistão, com mais de 2,5 milhões de alunos. 

Omar estava insatisfeito porque o comunismo soviético não fora substituído pela lei corânica. Estava decidido a impor o deobandismo, sua corrente radical do Islã, como fonte de todo o poder no país. Começou dando enterro digno a menores vítimas de abuso sexual para conquistar a confiança da comunidade. 

Como a anarquia no Afeganistão criava insegurança e roubos e assaltos constantemente nas rotas de comércio que passavam pelo país, o poderoso serviço secreto militar do Paquistão, então governado pela primeira-ministra Benazir Bhutto, apoiou o movimento. De acordo com o jornalista Ahmed Rashid, de 1994 a 1999, 80 a 100 mil paquistaneses lutaram ao lado dos talebã no Afeganistão. 

Além do Paquistão, a milícia fundamentalista recebeu ajuda da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos, e um apoio discreto dos EUA, que chegaram a dar dinheiro ao governo dos Talebã para combater a produção e o tráfico de opiáceos. 

EMIRADO ISLÂMICO 
No início de 1995, os talebã iniciam a marcha rumo a Cabul, mas sofrem uma grande derrota para as forças do governo sob o comando de Ahmed Shah Massoud. Mas, em 5 de setembro de 1995, conquistam Herat, a terceira maior cidade do país, na região de maioria xiita próxima ao Irã. Em 27 de setembro de 1996, tomam Cabul e fundam o Emirado Islâmico do Afeganistão. Massoud continua a luta como líder da Aliança do Norte. 

Num país arrasado por quase duas décadas de guerra, faltam água e energia. Poucos telefones funcionam. Poucas estradas são transitáveis. Os laços de clã e família estão desgastados pela guerra sem fim. A mortalidade infantil é a maior do mundo. Um quarto das crianças não chega aos 5 anos. 

O Afeganistão depende da ajuda de organizações internacionais, mas o regime talebânico vê com suspeita as atividades de organizações não governamentais e o trabalho de mulheres. A ONU sai do país em setembro de 1997, depois que o mulá Omar decide que as mulheres só viagem no país acompanhadas de um homem com que tenham laços familiares. 

Sob a ditadura teocrática dos talebã, eram proibidos: 
• a homossexualidade, passível de pena de morte; 
• toda forma de sexo que não entre pessoas casadas; 
• televisão, considerada um insulto ao Islã por reproduzir a figura humana; 
• fazer a barba, porque estaria no Corão e nos ditos do profeta Maomé, que também usaria barba; 
• ouvir música; 
• ter pássaros em gaiola, que eram mortos em vez de libertados; 
• ler livros suspeitos: literatura considera anti-islâmica dava até pena de morte; 
• a Internet, para afegãos e estrangeiros; • mulheres saírem de casa sozinhas, mesmo num país há décadas em guerra; e 
• o Dia do Trabalho, visto como um feriado comunista. 

DETRITO DA GUERRA FRIA 
Depois de vencer a URSS, os ‘árabes afegãos’ fundam em 1988 a rede terrorista Al Caeda (A Base), sob a liderança de Ben Laden e do médico egípcio Ayman al-Zawahiri, envolvido no assassinato do presidente egípcio Anuar Sadat, em 1981. A rede Al Caeda é assim um detrito da Guerra Fria, um instrumento usado para combater a URSS que se volta contra os EUA. 

Quando os EUA mandam forças para a Arábia Saudita após a invasão do Kuwait pelo Iraque de Saddam Hussein, em agosto de 1990, com mulheres dirigindo caminhões no solo sagrado do Islã, os jihadistas encontram um novo inimigo, com quem já tinha diferenças pela questão de Israel e das intervenções militares ocidentais no Oriente Médio. 

Em 7 de agosto de 1998, dois atentados terroristas com caminhões-bomba contra as embaixadas dos EUA no Quênia e na Tanzânia matam 224 pessoas, entre elas 12 americanos. O presidente Bill Clinton retália. Manda bombardear uma companhia farmacêutica no Sudão e centros de treinamento da Caeda no Afeganistão, mas fica nisso. Não leva à frente as consequências de suas ações. 

GLOBALIZAÇÃO DO TERRORISMO 
A resposta fulminante vem em 11 de setembro de 2001, surpreende o mundo e muda a história. Ben Laden é considerado o homem que mais influenciou o mundo no início do século 21. Numa globalização do terrorismo, leva as guerras do Oriente Médio para dentro do território dos EUA. Nem ele esperava que as Torres Gêmeas desabassem, com a estrutura amolecida pelo fogo. 

O pior ataque da história ao território dos EUA matou 2.977 pessoas, mais do que as 2.403 mortes do bombardeio japonês a Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, que levou os EUA à Segunda Guerra Mundial (1939-45). O território continental dos EUA não era atacado desde a Batalha do Álamo, de 23 de fevereiro a 6 de março de 1836, um cerco de 13 dias do Exército do México sob o comando do presidente, general Antonio López de Santa Anna, que combatia a Revolução do Texas, em que todos os texanos morreram. E o Texas ainda não era parte dos EUA. Só adere em 1845.

Como o regime afegão se nega a entregar Ben Laden e Al Caeda, em 7 de outubro de 2001, começa a Guerra do Afeganistão com um bombardeio aéreo, a autorização do Conselho de Segurança da ONU e o apoio dos aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), com base no princípio de que um ataque contra um é um ataque contra todos. 

Três semanas depois, cai o regime extremista dos talebã. Os EUA e aliados chegam a cercar Ben Laden e a cúpula da rede terrorista nas cavernas do Nordeste do Afeganistão na Batalha de Tora Bora (Caverna Negra na língua pastó), de 6 a 17 de dezembro de 2001. Duzentos jihadistas morrem e 60 são presos. Ben Laden escapa pelas Montanhas Brancas e se refugia em regiões tribais do Paquistão, perto de Abotabade, onde é localizado e morto em 2 de maio de 2011. 

Depois da frustração em Tora Bora, o governo George W. Bush abandona o Afeganistão e muda o foco da “guerra contra o terror” (uma contradição, porque o terror é uma tática de guerra, não um inimigo) para a invasão do Iraque, que não tinha relação alguma com os atentados de 11 de setembro e se tornaria em novo celeiro de jihadistas. 

EIXO DO MAL 
Em 29 de janeiro de 2002, Bush faz no Congresso o Discurso sobre o Estado da União e fala num “eixo do mal” formado por Irã, Iraque e Coreia do Norte. Logo, manifesta a intenção de invadir o Iraque. Os outros países dois aceleram seus programas nucleares. Como observou o ministro da Defesa da Índia que explodiu a bomba atômica em maio de 1998, Jaswant Singh, para enfrentar os EUA é preciso ter armas nucleares. 

A invasão do Iraque divide a aliança militar ocidental. A França e a Alemanha estão prontas a votar contra no Conselho de Segurança da ONU, mas a questão não é colocada em votação. Ao alienar a minoria sunita, que estava no poder há séculos, desde que a região passou a ser dominada pelo Império Otomano no século 16, e dissolver as forças de segurança, os EUA jogaram na clandestinidade e no desemprego centenas de milhares de homens com formação militar, alguns armados, porque Saddam Hussein não enfrentou os EUA e os sunitas guardaram as armas. 

A revolta sunita é dominada pelo que viria a ser a rede Al Caeda no Iraque, que ataca o complexo da ONU em Bagdá em 19 de agosto de 2003 e mata 22 pessoas, inclusive o embaixador brasileiro Sérgio Vieira de Mello, enviado especial do secretário-geral da ONU ao país. Em 15 de outubro de 2006, Al Caeda no Iraque forma com outros grupos jihadistas o Estado Islâmico do Iraque. Em 2007, Bush envia reforço de tropas negligenciando ainda mais o Afeganistão. 

Se o objetivo maior era caçar Ben Laden, foi atingido em 2 de maio de 2011. O cemitério dos impérios vira uma pedra na bota imperial dos EUA, uma guerra sem fim numa terra estranha e desconhecida sem ameaça direta ao país. Os talebã sempre estiveram presentes e atacaram nos verões. 

GUERRAS SEM FIM 
As “guerras eternas” do Iraque e do Afeganistão deixam uma lição: não basta ganhar a guerra, é preciso conquistar a paz, construir ou reconstruir o Estado e a nação. Caso contrário, o esforço costuma ser inútil porque as causas do conflito continuam lá. 

Os governos-fantoches afegãos foram minados pela corrupção. As forças de segurança nunca foram capazes de defender o país. Nos últimos dias, abandonaram a luta. Os EUA e o fracasso Exército afegão deixaram armas, equipamentos e munições para o inimigo, que tem hoje 66 helicópteros de combate, mais do que a Austrália. 

Os EUA reconstruíram Estados e nações no Plano Marshall, quando investiram US$ 13 bilhões (US$ 114 bilhões de 2020) na recuperação da Europa Ocidental depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45). Estavam preocupados com a influência da URSS na Guerra Fria. Era parte de uma nova guerra.

RENDIÇÃO E TRAIÇÃO 
Ao entregar o Afeganistão a quem o aterrorizava 20 anos atrás, o presidente Joe Biden comete seu primeiro grande erro de política externa. Trai a confiança de quem cooperou com os EUA e aliados todos estes anos, as mulheres, os LGBTs, as minorias étnicas e religiosas, os artistas e intelectuais... 

Há mais de 1,4 milhão de refugiados afegãos no Paquistão e 800 mil no Irã, e meio milhão de deslocados internamente. Estes números só tendem a aumentar. 

As cenas no aeroporto de Cabul, onde sete pessoas morreram, lembram a fuga desesperada da Embaixada Americana em Saigon, hoje Cidade de Ho Chi Minh, no fim da Guerra do Vietnã, em 30 de abril de 1975, são dantescas. Centenas de civis queriam parar um gigantesco avião dos EUA como se pudessem pegar uma carona, com alguns que se agarraram do lado de fora caindo logo depois da decolagem.  

Em entrevista nesta segunda-feira, o presidente Biden declarou que os EUA não estavam no Afeganistão para construir a nação. Era exatamente o que deveriam ter feito: derrotar os talebã e reconstruir o país arrasado por décadas de guerra. Se "a guerra é a continuação da política por outros meios", como definiu o estrategista alemão Carl von Clausewitz, quando acaba a guerra é necessária uma solução política. 

Os jihadistas costumam documentar suas atrocidades e podem começar a divulgar em breve os julgamentos sumários e execuções com base no direito corânico. São imagens que vão atormentar Biden e manchar seu governo, desmoralizar sua campanha de promoção da democracia e o suposto compromisso dos EUA com os direitos fundamentais do homem.

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segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Justiça do Reino Unido rejeita pedido de extradição de Assange

 A juíza britânica Vanessa Baraitser negou hoje num tribunal de primeira instância de Londres o pedido dos Estados Unidos para extraditar o anarquista e ciberpirata australiano Julian Assange, fundador do WikiLeaks, considerando que "a extradição seria opressiva pelo dano mental que causaria" o rigoroso regime de isolamento a queria submetido, capaz de levá-lo ao suicídio. Cabe recurso da decisão.

Assange é alvo de 18 acusações nos EUA, a maioria com base na Lei de Espionagem, inclusive por roubo de segredos de Estado, conspiração para invadir computadores do governo americano, espionagem e conspiração para espionar.

Através do WikiLeaks, especializado em divulgar ilegalidades cometidas por governos e grandes empresas, Assange divulgou material pirateado pelo soldado Bradley Manning, que depois mudou de sexo para Chelsea Manning. Ela recebeu indulto no fim do governo Barack Obama (2009-17).

Os arquivos incluíam um bombardeio aéreo dos EUA no Iraque que 12 pessoas, inclusive jornalistas, em 2007, despachos sobre as guerras no Iraque e no Afeganistão, e mais de 250 mil documentos do Departamento de Estado americano, na maior revelação de arquivos confidencias da história.

Em novembro de 2010, a Suécia emitiu uma ordem de prisão pan-europeia para interrogar Assange por alegações de crimes sexuais apresentadas por duas mulheres. Por medo de que a extradição para a Suécia facilitasse uma segunda extradição, para os EUA, em julho de 2012, o australiano se refugiou como "perseguido político" na Embaixada do Equador no Reino Unido, violando os termos de sua liberdade condicional.

O asilo foi cancelado pelo governo equatoriano de Lenín Moreno. Assange teria usado a embaixada para divulgar, durante a campanha eleitoral de 2016 nos EUA, e-mails da candidata democrata, Hillary Clinton, pirateados pela Rússia, violando os termos do asilo.

Em 11 de abril de 2019, a convite do Equador, a polícia britânica entrou na embaixada e prendeu Assange, que foi condenado a 50 semanas de prisão por violar a liberdade condicional. No mês seguinte, os EUA reforçaram as acusações.

A Suécia desistiu do caso de abuso sexual em novembro de 2019. Resta apenas a extradição para os EUA, criticada pelos jornais The New York Times e The Washington Post com base na Emenda nº1 à Constituição americana, que garante irrestrita liberdade de imprensa. Ninguém pode ser processado por divulgar segredos de Estado, a não ser que ameace efetivamente a segurança nacional, e não por revelar crimes de guerra.

Como comentou o jornalista Owen Jones, do jornal inglês The Guardian, foi "a decisão certa pelas razões erradas." A juíza descartou os argumentos de perseguição política e ameaça à liberdade de imprensa.

O caso é semelhante ao dos Papéis do Pentágono, um documento de 14 mil páginas sobre a Guerra do Vietnã  copiado por Daniel Ellsberg, um funcionário do Departamento da Defesa, e entrega ao jornal The New York Times em 1971. The Washington Post também publicou. Por 6 a 3, a Suprema Corte decidiu que o governo não poderia impedir a divulgação. Esta história foi contada no filme The Post, de Steven Spielberg.

domingo, 1 de março de 2020

Presidente do Afeganistão rejeita libertação de talebã presos

Já enfrenta problemas o acordo dos Estados Unidos com a milícia fundamentalista muçulmana dos Talebã (Estudantes) para a retirada das forças americanas do Afeganistão, assinado ontem. O presidente afegão, Achraf Ghani Ahmadzai, rejeita a libertação de 5 mil mil inimigos presos.

"O governo do Afeganistão não se comprometeu a libertar 5 mil prisioneiros dos Talebã. O presidente Donald Trump não me pediu isso. Esta é uma decisão soberana do Afeganistão que só será tomada dentro de um amplo acordo de paz", declarou Ghani em pronunciamento na televisão.

A segunda etapa do acordo é uma negociação direta entre o regime instalado depois da invasão americana iniciada em 7 de outubro de 2001 em resposta aos atentados de 11 de setembro, perpetrados pela rede terrorista Al Caeda, que tinha suas principais bases no Afeganistão, sob a proteção do governo dos Talebã.

Em três semanas, os EUA derrubaram o regime dos Talebã. Depois da fuga de Ossama ben Laden e da cúpula d'al Caeda na Batalha de Tora Bora, em dezembro de 2001, o então presidente americano George W. Bush citou um suposto "eixo do mal" no Discurso sobre o Estado da União de 2002 e concentrou recursos na invasão do Iraque, em março de 2003.

Com a perda de importância, a Guerra do Afeganistão ficou em segundo plano, o que permitiu a reorganização dos Talebã. O governo-fantoche imposto pelos EUA nunca controlou todo o território afegão e nem mesmo a capital, Cabul, alvo de inúmeros atentados terroristas.

Hoje a Guerra do Afeganistão é a mais longa da história dos EUA. Desde 2001, cerca de 157 mil pessoas morreram nesta guerra, sendo 43 mil civis e quase 3,5 mil soldados das forças internacionais, sendo 2.440 americanos.

Tudo aponta para uma situação semelhante à do Vietnã, onde o governo-fantoche instalado por Washington no Vietnã do Sul caiu em 30 de abril de 1975, dois anos depois do acordo de paz que levou à retirada dos soldados americanos.

Em troca da retirada americana, os Talebã devem se comprometer a não abrigar mais grupos terroristas como Al Caeda e o Estado Islâmico. Dada a identidade ideológica entre eles, é promessa difícil de cumprir.

Vinte e dois senadores republicanos e democratas enviaram carta aos secretários da Defesa, Mark Esper, e de Estado, Mike Pompeo, advertindo que "os talebã não são de fato parceiros na luta contra o terrorismo, e imaginar que sejam é ignorar sua longa história de ações e missões jihadistas. Eles nunca denunciaram Al Caeda, não entregaram os líderes d'al Caeda vivendo sob sua proteção, nem pediram desculpas por abrigar os terroristas que realizaram os ataques de 11 de setembro."

No século 19, o Afeganistão expulsou o Império Britânico, que perdeu 4,5 mil homens no país, conhecido como cemitério de impérios. A União Soviética invadiu em 1979 e saiu em 1989 depois da morte de 25 mil soldados. Chegou a vez dos EUA.

sábado, 29 de fevereiro de 2020

Acordo EUA-Talebã tenta acabar com a guerra no Afeganistão

Depois de uma semana de "redução da violência", os Estados Unidos e a milícia fundamentalista sunita dos Talebã (Estudantes) assinaram hoje um acordo para a retirada das forças internacionais do Afeganistão em um ano e dois meses. É o primeiro de muitos passos para acabar com a Guerra do Afeganistão, a mais longa da história americana.

A próxima etapa será a negociação direta entre a milícia e o regime instalado no poder depois da intervenção militar dos Estados Unidos e seus aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em reação aos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Os extremistas dos dois lados vão tentar impedir um acordo.

As questões centrais são a retirada dos EUA e aliados e o compromisso dos Talebã de não deixar o território afegão ser usado por grupos extremistas muçulmanos como Al Caeda e o Estado Islâmico para fazer ataques terroristas.

Um ponto crucial será o tamanho do contingente americano que vai ficar no Afeganistão para combater o terrorismo. Os Talebã exigem uma retirada total das forças estrangeiras. É provável que as alas mais radicais rejeitem o acordo e continuem a luta armada.

Se a retirada for total, é provável que se repita o que aconteceu no Vietnã, onde o governo-fantoche instalado por Washington não resistiu à ofensiva do Vietnã do Norte, que tomou o Sul e reunificou, em 1975, o país, dividido em 1954, quando terminou a dominação colonial francesa.

Neste caso, as potências vizinhas, a China, a Rússia e o Paquistão devem entrar no vácuo deixado pelos EUA.

Não há garantia alguma de que os Talebã pretendam ou possam cortar os laços com Al Caeda e o Estado Islâmico. Todos seguem a mesma ideologia, o jihadismo salafista, chamado de deobandismo no Afeganistão. O grupo Khorasan, a versão afegã do Estado Islâmico, foi criada por dissidentes dos Talebã, mas os EUA e o Ocidente são inimigos comuns.

Por outro lado, o atual regime afegão não conseguem nem fazer eleições. Seis meses depois da votação, realizada em setembro, as autoridades eleitorais anunciaram a vitória do presidente Achraf Ghani Ahmadzai. Seu principal adversário, o primeiro-ministro Abdullah Abdullah, rejeitou a derrota e anunciou a criação de um governo paralelo.

Ghani é do povo pachtun, o mesmo dos talebã, o maior do Afeganistão, 42% da população, estimada em 38 milhões de pessoas. Abdullah é um tajique, segundo maior grupo étnico, com 27% da população.

A falta de um governo central que controle todo o território, a disseminação de armas e explosivos e o estado de guerra, que vem desde a queda do rei Mohamed Zahir Shah, em julho de 1973, contribuem para a continuação da insurgência e da guerra civil.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Acordo de paz com Talebã no Afeganistão mais parece rendição

Os Estados Unidos e a milícia extremista muçulmana dos Talebã (Estudantes) anunciam um acordo para acabar com a Guerra do Afeganistão, a mais longa da história americana. O acordo deve ser assinado até o fim do mês, anunciou ontem a agência de notícias Bloomberg. 

Mas será mesmo a paz ou vai se repetir o que aconteceu no Vietnã, de onde os Estados Unidos saíram para ver o frágil governo que deixaram no poder no Vietnã do Sul desabar dois anos depois? 

Acabar com o que chamou de “guerras intermináveis” no Afeganistão e no Iraque foi uma das promessas de campanha do presidente Donald Trump. Ele retirou parte dos soldados americanos do Iraque e traiu as Forças Democráticas da Síria, uma milícia árabe-curda que fez o trabalho pesado da operação terrestre na guerra contra o Estado Islâmico, deixando os curdos à mercê do Exército da Turquia. 

As negociações de paz entre os Estados Unidos e os Talebã começaram no fim de 2018 e foram interrompidas várias vezes. Na última, em setembro do ano passado, por causa da morte de um soldado americano num ataque rebelde. Meu comentário:

sábado, 18 de janeiro de 2020

Talebã admitem reduzir ataques para retomar negociações com os EUA

A milícia fundamentalista muçulmana dos Talebã (Estudantes) está pronto para "reduzir" as ações militares para retomar as negociações de paz e assinar um acordo para retirada das forças internacionais lideradas pelos Estados Unidos, anunciou o principal porta-voz do grupo, Suhail Shashin, em entrevista ao jornal paquistanês Dawn.

"É uma questão de dias", afirmou o porta-voz, revelando uma autoconfiança talvez injustificada. As negociações com Washington começaram em julho de 2018 e foram interrompidas pelo governo Donald Trump em setembro de 2019 por causa das ações dos Talebã, retomadas e suspensas de novo em dezembro, depois de um ataque ao Aeródromo de Bagram, a maior base militar dos EUA no país.

Os Talebã surgiram em 1994 para combater a anarquia que tomou conta ao Afeganistão depois da retirada da União Soviética e tomaram o poder em 1996, com o apoio do Paquistão, da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos e dos EUA.

Quando extremistas muçulmanos realizaram atentados contra as embaixadas americanas em Nairóbi, no Quênia, e Dar-es-Salam, na Tanzânia, em agosto de 1998, o então presidente Bill Clinton ordenou bombardeios às bases da rede terrorista Al Caeda, acolhida pelos Talebã no Afeganistão.

Os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 foram a vingança de Ossama ben Laden e sua gangue de fanáticos. Mataram 2.996 pessoas.

Menos de um mês depois, os EUA e seus aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) invadiram o Afeganistão. Antes do fim do mês, o regime dos Talebã caiu, mas a maior parte da cúpula d'al Caeda, inclusive Ben Laden, escapou na Batalha de Tora Bora, em dezembro de 2001.

No ano seguinte, o presidente George W. Bush desviou atenção e recursos para invadir o Iraque e depor Saddam Hussein. Os Talebã se rearticularam e o frágil governo instalado pelos EUA nunca foi capaz de controlar nem metade do território do Afeganistão.

Cerca de 65 mil rebeldes, 63 mil soldados afegãos, 3.562 militares das forças internacionais, sendo 2.420 americanos, 3.937 funcionários civis contratados pelos militares e 38.480 civis foram mortos no Afeganistão.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Mais uma negociação internacional de Trump fracassa

O presidente Donald Trump rompeu as negociações de paz com a milícia fundamentalista muçulmana dos Talebã sob o argumento de que mais um soldado americano foi morto, mas a verdadeira razão é outra: a milícia exige a retirada total das forças estrangeiras do Afeganistão e os Estados Unidos pretendem manter uma força antiterrorista de 8,6 mil homens no país.

Depois de um ano de negociações de paz e do quinto encontro em Doha, no Catar, representantes do governo americano e da milícia fundamentalista sunita que governou o Afeganistão como um emirado islâmico de 1996 a 2001 estavam perto de um acordo. 

Uma reunião secreta estava marcada para sábado na casa de campo da Presidência dos Estados Unidos em Camp David entre Trump, o presidente afegão, Achraf Ghani Ahmadzai, e delegados dos Talebã. 

O objetivo é acabar com a guerra que já dura quase 18 anos e é a mais longa da história dos Estados Unidos. Começou em 7 de outubro de 2001 em resposta aos atentados terroristas de 11 de setembro daquele ano nos Estados Unidos. 

O regime fundamentalista dos Talebã dava refúgio à rede terrorista Al Caeda, responsável pelo pior atentado terrorista da história dos Estados Unidos. Meu comentário:

domingo, 8 de setembro de 2019

Trump suspende encontro com Talebã e é criticado pelo convite inicial

O presidente Donald Trump está sendo duramente criticado por ter convidado terroristas para negociações de paz que seriam realizadas neste domingo na casa de campo da Presidência dos Estados Unidos, em Camp David. Trump cancelou o encontro até então secreto sob a alegação que a milícia fundamentalista dos Talebã (Estudantes) matou um soldado americano no Afeganistão.

Em uma série de mensagens pelo Twitter no sábado à noite, o presidente americano anunciou que não haveria o encontro porque os Talebã assumiram a responsabilidade por atentado com carro-bomba em Cabul com 12 mortos, inclusive um soldado americano, na quinta-feira.

Foi o 16º militar americano morto neste ano na Guerra do Afeganistão, que completa 18 anos em outubro e é a mais longa da história dos EUA. As outras 15 mortes não mereceram a mesma reação.

"Que tipo de gente mata tantos para, aparentemente, fortalecer seu poder de barbanha?", indagou Trump. "Se não podem concordar com um cessar-fogo durante negociações tão importantes, e até mesmo matam 12 pessoas inocentes, então provavelmente nem tenham poder para negociar um acordo significativo."

A Milícia dos Talebã lamentou o cancelamento da reunião, que também incluiria o presidente afegão, Achraf Ghani Ahmadzai, dias depois que o enviado especial dos EUA, o embaixador americano Zalmy Khalilzad, ter anunciado que chegou a um esboço de acordo de paz. O encontro em Camp David serviria para Trump aprovar o acordo.

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, defendeu o convite ao grupo terrorista sob o argumento de que "temos a obrigação de fazer tudo o que pudermos", mas afirmou que as negociações estão paralisadas "no momento".

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Estado Islâmico reivindica autoria de atentado com 63 mortes em Cabul

Um terrorista suicida se denotou no sábado às 11h da noite no meio de uma festa de casamento com mil convidados em Cabul, a capital do Afeganistão. Pelo menos 63 pessoas morreram e outras 180 saíram feridas. A organização terrorista Estado Islâmico reivindicou a responsabilidade pelo ataque.

O pior atentado terrorista do ano acontece no momento em que os Estados Unidos negociam a paz com a milícia fundamentalista dos Talebã (Estudantes), que governou o país como um emirado islâmico totalitário de 1996 até outubro de 2001, quando uma intervenção americana atacou as bases da rede terrorista Al Caeda e derrubou o regime fundamentalista muçulmano que a acolhia.

Ao reagir ao ataque, o principal negociador americano, Zalmay Khalilzad, defendeu a "aceleração do processo de paz afegão, inclusive das negociações intra-afegãs. O sucesso vai colocar os afegãos numa posição muito mais forte para enfrentar o Estado Islâmico."

Os Talebã condenaram o "ataque brutal", mas fazem ações semelhantes. Meses atrás, explodiu um carro-bomba que deixou 45 mortos e outros 145 feridos.

A Guerra do Afeganistão é a mais longa da história dos EUA. Os dois governos eleitos com o apoio de Washington não conseguiram vencer a guerra nem com a ajuda militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos EUA, a OTAN aplicou pela primeira vez a cláusula do Tratado de Washington que estabelece que um ataque contra qualquer país-membro é um ataque contra todos e participou da guerra no Afeganistão.

Este país está em guerra desde a invasão soviética de 1979, um dos marcos do início da Segunda Guerra Fria. Os EUA, a Arábia Saudita, a China e o Paquistão financiam, armam e treinam a revolta muçulmana contra o invador para fazer do Afeganistão o Vietnã da União Soviética.

Os chamados árabes afegãos, liderados por Ossama ben Laden, fundaram em 1988 a rede terrorista Al Caeda, que depois da vitória sobre a URSS decidiu atacar também os EUA, em parte pela presença de tropas americanas no solo sagrado para os muçulmanos da Arábia Saudita depois da invasão do Kuwait pelo Iraque de Saddam Hussein, em 2 de agosto de 1990.

Ben Laden ofereceu seus homens para proteger o reino de um possível ataque de Saddam, mas o sultão preferiu pedir ajuda militar aos EUA. Os jihadistas nunca aceitaram a presença militar americana.

O Estado Islâmico nasceu como Al Caeda no Iraque, mas depois rompeu com a rede terrorista e tentou criar seu próprio império do terror durante a guerra civil na Síria.

quarta-feira, 6 de março de 2019

Talebã exigem retirada total dos EUA em um ano

Nas negociações sobre a paz no Afeganistão, a milícia fundamentalista muçulmana dos Talebã (Estudantes) está exigindo uma retirada total das forças dos Estados Unidos dentro de um ano, informou a agência de notícias Bloomberg.

Os EUA devem rejeitar a exigência. As forças internacionais que invadiram o Afeganistão em resposta aos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 tem hoje 22 mil soldados, sendo 14 mil americanos. Washington pode aceitar uma retirada parcial, como um gesto para criar maior confiança entre as partes.

Os países vizinhos, especialmente o Paquistão, temem que uma retirada rápida dos EUA aliados aumente a instabilidade no Afeganistão, um país que vive em guerra desde a invasão pela União Soviética, em 26 de dezembro de 1979.

A atual guerra é a mais longa da história dos EUA. Os americanos atacaram o Afeganistão em 7 de outubro de 2001 para punir a rede terrorista Al Caeda, responsável pelos atentados nos EUA, e os Talebã, que governavam o país e deram refúgio a Ossama ben Laden e seus fanáticos seguidores.

Hoje a principal exigência dos EUA é que os Talebã não deem abrigo a grupos terroristas interessados em atacar os EUA e seus aliados.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Putin elogia Trump por retirar tropas dos EUA da Síria

Os aliados e os departamentos de seu próprio governo deploram. O secretário da Defesa , James Mattis, pede demissão por discordar da retirada da Síria. Mas o ditador da Rússia, Vladimir Putin, suspeitíssimo de ter ajudado a eleger o presidente Donald Trump, gostou. A saída faz parte do recuo estratégico dos Estados Unidos, que diminui sua presença no Oriente Médio e abre espaço para inimigos como a Rússia e o Irã.

Putin é o inimigo que Trump trata como aliado. A Rússia não perde oportunidade para fustigar e diminuir os EUA. O elogio do ditador russo é um sinal inequívoco que o presidente americano tomou mais uma vez a decisão errada.

"Não acredito que sejam necessárias. Não devemos esquecer que a presença das tropas dos EUA é ilegítima. Os EUA estão lá sem autorização das Nações Unidas nem convite do governo da Síria. A Rússia está lá porque foi convidada pelo governo sírio. Se os EUA decidiram se retirar, isso é bom", declarou Putin com o cinismo habitual.

A Rússia interveio militarmente na guerra civil da Síria em apoio ao ditador Bachar Assad em 30 de setembro de 2015. Em aliança com o Irã, garantiram a vitória do aliado e agora dominam as negociações de paz, de que os EUA não participam.

Os EUA iniciaram sua intervenção no governo Barack Obama, em agosto de 2014, para evitar o genocídio do povo yazidi e em seguida para combater a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante depois que o grupo passou a sequestrar e matar americanos.

Ao anunciar a retirada, Trump declarou que o Estado Islâmico está derrotado. Por isso, a presença militar americana não seria mais necessária. Mas o líder do grupo, Abu Baker al-Baghdadi, está foragido e os serviços secretos ocidentais estimam que ainda haja cerca de 35 mil milicianos do Estado Islâmico na Síria e no Iraque.

No fim do dia, Trump anunciou a retirada da metade dos soldados americanos do Afeganistão, cerca de 7 mil tropas. A medida por marcar o início do fim da guerra mais longa da história dos EUA, mas deve provocar caos no país.

Os EUA atacaram o Afeganistão em 7 de outubro de 2001, para derrubar o regime da milícia extremista muçulmana dos Talebã, que abrigava a rede terrorista Al Caeda, responsável pelos atentados terroristas de 11 de setembro daquele ano. Até hoje, o país não foi pacificado.

Enquanto na Síria o risco é de reagrupamento do Estado Islâmico, no Afeganistão é de um colapso total do regime instalado pela intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte.

A retirada expõe as Forças Democráticas Sírias, uma milícia árabe-curda formada para dar combate ao Estado Islâmico em terra. Sem a presença militar americana, vão ficar sob a ameaça de duas forças hostis, o Exército da ditadura de Bachar Assad e seus aliados iranianos, de um lado, e o Exército da Turquia, que teme o separatismo curdo. Abandonar uma força que lutou pelos EUA é algo totalmente inaceitável para o secretário da Defesa.

O general James Cachorro Louco Mattis ainda tentou convencer Trump a desistir da retirada da Síria. Em sua carta de demissão, afirmou que o presidente merece ter um secretário da Defesa alinhado com suas ideias. Ele considera a China e a Rússia adversários e acredita que a segurança dos EUA depende de parcerias e alianças.

Um dos maiores danos de Trump é o ataque ao sistema multilateral criado no pós-guerra sob a inspiração do presidente Franklin Roosevelt, baseado em alianças. O recuo estratégico de Trump ameaça aliados e fortalece os inimigos dos EUA, no caso sírio, a Rússia e o Irã.

Com a saída no fim do ano do chefe da Casa Civil, general John Kelly, Mattis era o último adulto na Casa Branca, um líder com competência, força e prestígio para se opor à megalomania delirante do presidente e controlar seus arroubos. Sai em fevereiro.

Por dois anos, o general da reserva do Corpo de Fuzileiros Navais viajou pelo mundo tentando convencer os aliados dos EUA de que nada havia mudado fundamentalmente. Desistiu. Seus amigos entendem que ele deveria ter pedido demissão em outubro, quando Trump mandou 5,3 mil soldados para a fronteira com o México a pretexto de contar uma caravana de miseráveis da América Central que não representam qualquer ameaça à segurança nacional dos EUA.

O grupo de adultos da Casa Branca era formado pelo secretário de Estado, Rex Tillerson, demitido e acusado publicamente por Trump, pelo ex-assessor de Segurança Nacional Herbert McMaster, pelo general Kelly e por James Mattis.

A história política dos EUA mostra que militares não pedem demissão. Cumprem uma missão. Saem quando consideram impossível cumprir a missão que lhes foi confiada. A credibilidade de Trump sofre mais um duro golpe. A rotatividade dos altos funcionários do governo é um reflexo da instabilidade e do total despreparo do presidente para liderar o país mais rico e poderoso do mundo.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Trump amplia intervenção militar dos EUA no Afeganistão

Depois de admitir que seu "instinto" era cair fora, cedendo à pressão generais, o presidente Donald Trump anunciou ontem à noite que vai intensificar a participação dos Estados Unidos na Guerra do Afeganistão, a mais longa da história americana, e aumentar a pressão sobre o Paquistão. Mas não deu detalhes importantes como número de soldados.

"Meu instinto original era cair fora", declarou Trump em pronunciamento diante da tropa perfilada em Forte Myers, no estado da Virgínia. Antes de chegar à Casa Branca, ele descreveu a intervenção no Afeganistão como um "total desperdício".

Os EUA começaram a atacar o Afeganistão em 7 de outubro de 2001 para vingar os atentados de 11 de setembro daquele ano em Nova York e no Pentágono, cometidos pela rede terrorista Al Caeda, que vivia sob a proteção do regime islamita da milícia extremista muçulmana dos Talebã (Estudantes).

Quando o saudita Ossama ben Laden e parte da cúpula d'al Caeda escaparam na Batalha de Tora Bora, em dezembro de 2001, o então presidente George Walker Bush desviou os esforços e recursos dos EUA para invadir o Iraque de Saddam Hussein em março de 2003.

Com a negligência americana, os Talebã sempre incomodaram o governo sustentado pelos EUA. O presidente Barack Obama fez campanha prometer retirar as tropas americanas do Iraque e do Afeganistão. Acabou saindo do Iraque por não chegar a um acordo com o então primeiro-ministro Nuri al-Maliki para garantir imunidade aos soldados americanos.

Diante do surgimento e do crescimento da organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Obama decidiu enviar mais forças ao Iraque e manter no Afeganistão um contingente capaz de entrar em combate, ainda que sua missão principal fosse até agora assessorar as forças de segurança afegãs.

Trump está decidido a se mostrar capaz de usar a força. Prometeu a vitória sem definir o que considerará vitória. Para o ex-comandante militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), general Wesley Clark, a "nova estratégia" do presidente mais parece uma jogada para sair por cima.

Ao analisar a situação na televisão americana CNN, o comentarista Fareed Zakaria observou que a estratégia de Trump implica em ocupar o Afeganistão durante um longo tempo. Os Talebã controlam hoje quase a metade do território afegão, uma das razões do presidente para intensificar a guerra.

A ajuda militar dos EUA ao Afeganistão equivale a 40% do produto interno bruto do país. Se levar em conta toda a ajuda americana, deve superar o PIB afegão. Sem os EUA e sua ajuda econômica, o governo fatalmente cairia. Os Talebã estão certo disso. Esperam retomar o poder com a saída dos americanos.

Quando ao Paquistão, comentou Zakaria, "todo o suprimento das forças americanas passa pelo Paquistão. Como vamos pressionar o Paquistão? Dependemos do Paquistão para fazer a guerra no Afeganistão."

O que disse Trump? "Não podemos mais ficar em silêncio enquanto o Paquistão for um refúgio para organizações terroristas como os Talebã e outros grupos que são uma ameaça para a região e além dela. O Paquistão tem muito a ganhar como parceiro de nossos esforços no Afeganistão. Tem muito a perder se continuar abrigando terroristas."

Os EUA não esquecem que o líder supremo da Caeda, Ossama ben Laden, estava escondido numa mansão em Abotabade, perto da principal academia militar do Paquistão, um país dominado pelas Forças Armadas desde a independência do Império Britânico e da divisão da Índia, há 70 anos.

As Forças Armadas paquistanesas negaram que o país seja usado como base para terroristas atacarem outros países. É uma grande mentira.

Os militares paquistaneses usam grupos extremistas muçulmanos para fustigar a Índia, inimiga histórica, e fomentam a instabilidade do Afeganistão, apoiando a milícia dos Talebã e a Rede Hakkani, uma espécie de braço armado do Exército do Paquistão na guerra civil afegã.

Aliado da China, ambos são inimigos da Índia, o Paquistão pode resistir tranquilamente a sanções dos EUA.

"Não vamos construir nações, vamos matar terroristas", afirmou o presidente. "Se sairmos rapidamente, as consequências são previsíveis e inaceitáveis." Ele prometeu dar carta branca aos generais para que empreguem a força necessária para a vitória.

Mas, sem um governo e uma economia que funcionem, será impossível vencer a guerra e conquistar a paz. Trump disse que levou tempo estudando o Afeganistão "sob todos os ângulos". Não aprendeu muito.

O Afeganistão é chamado de "cemitério dos impérios". Desde Alexandre, o Grande, considerado um dos maiores generais de todos os tempos, que morreu em 323 antes de Cristo, foi campo de batalha para vários impérios que não conseguiram subjugá-lo, nem os mongóis, nem os britânicos, nem os russos e nem a União Soviética.

sábado, 10 de setembro de 2016

Afeganistão prepara ataque aos Talebã na província de Urusgã

Com a cobertura da Força Aérea dos Estados Unidos, o Exército do Afeganistão deve iniciar dentro de três a quatro dias uma ofensiva contra a milícia dos Talebã (Estudantes) nas arredores de Tarin Kot, a capital da província de Urusgã, noticiou a agência Reuters citando fontes governamentais.

Os extremistas muçulmanos invadiram a cidade em 8 de setembro. Chegaram perto do palácio do governo e da chefiatura de polícia, mas o combate se deslocou para uma área a nove quilômetros do centro da cidade.

Nos últimos meses, outras duas capitais de província, em Helmande e Kunduz, estiveram sob ameaça dos jihadistas. Há operações anti-insurgência em 15 das 34 províncias afegãs.

Quase quinze anos depois da invasão do país pelos Estados Unidos para punir a rede terrorista Al Caeda, que tinha suas bases lá, e o regime extremista muçulmano dos Talebã, que a acolhia, a Guerra do Afeganistão já é a mais longa da história americana.

A milícia dos Talebã continua sendo uma ameaça à estabilidade política do país e a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante tenta se infiltrar. Isso afasta a possibilidade de uma retirada total dos EUA em futuro próximo.