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sábado, 2 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 2 de Maio

COMPRA DA LOUISIANA

    Em 1803, os Estados Unidos compram da França o território da Louisiana, de 2,144 milhões de quilômetros quadrados, que inclui a bacia dos rios Missouri e Mississípi, por US$ 27,267 milhões. O vale é explorado por navegantes franceses.

Thomas Jefferson, o terceiro presidente dos EUA, instrui o embaixador na França a procurar o ministro Charles-Maurice de Talleyrand, do governo Napoleão Bonaparte e negociar a compra da Louisiana.

O fracasso na colonização de São Domingos, a ilha de Hispaniola, a iminência de uma nova guerra com o Reino Unido e problemas financeiros levaram Napoleão a oferecer a Louisiana aos EUA. O embaixador que fecha o acordo é o futuro presidente James Monroe.

JOVEM PRIMEIRO-MINISTRO 

    Em 1997, depois de 18 anos de governos conservadores, Tony Blair leva o Partido Trabalhista de volta ao poder no Reino Unido, se torna o mais jovem primeiro-ministro britânico desde 1812 e fica 10 anos no cargo, o maior período contínuo desde 1827 depois de Margaret Thatcher (1979-90).

Anthony Charles Lynton Blair nasce em Edimburgo, na Escócia, em 6 de maio de 1953. Filho de advogado, estuda num colégio de elite da cidade. Tem pouco interesse em política até conhecer sua futura mulher, Cherie Booth. É roqueiro na juventude, se forma em direito na Universidade de Oxford em 1975, quando entra para o Partido Trabalhista. No ano seguinte, torna-se advogado especialista em direito sindical.

Depois de chegar em terceiro lugar numa eleição em 1982, Blair se elege para o Parlamento Britânico nas eleições gerais de 1983 com a vitória num distrito historicamente trabalhista. Ele é nomeado pelo líder do partido, Neil Kinnock, para o governo paralelo da oposição em 1988. Um novo líder, John Smith, o indica em 1992 para ministro do Interior do governo paralelo, o que significa ser porta-voz da oposição para as questões desse ministério.

Com a morte de John Smith, Blair vence a eleição para líder do partido em maio de 1994. durante o governo conservador de John Major (1990-97), que sucede a Margaret Thatcher (1979-90).

Como líder do partido, Blair lança o neotrabalhismo, que incorpora vários mecanismos de mercado e abole a Cláusula 4 do estatuto do partido, que prevê "a propriedade coletiva dos meios de produção, distribuição e comercialização para adequar o trabalhismo a uma nova realidade do mundo pós-Guerra Fria.

Blair se torna o mais jovem primeiro-ministro britânico do século 20 com a maior vitória do Partido Trabalhista. Antes, reduz a ligação com os sindicatos, defende a livre empresa, o combate à inflação, a linha dura no combate ao crime e a integração do Reino Unido à União Europeia.

No governo, Blair cria um salário mínimo nacional, aumenta os gastos com saúde e educação, começa a cobrar anuidade nas universidades, decentraliza a administração pública com a recriação do Parlamento da Escócia e de assembleias no País da Gales e na Irlanda do Norte depois do Acordo da Sexta-Feira Santa, que acabou com 30 anos de guerra civil.

Em política externa, sob Blair, o Reino Unido participou de intervenções militares no Kossovo em 1999 e em Serra Leoa no ano 2000. A aliança incondicional aos Estados Unidos na Guerra contra o Terror declarada pelo presidente George W. Bush depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, três meses depois do início de seu segundo mandato, e especialmente a participação na invasão do Iraque são a ruína de Tony Blair.

O governo chegou a afirmar diante da Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico que o Iraque tinha condições de preparar um ataque com armas químicas ou biológicas

Em 27 de junho de 2007, ele renuncia à liderança do partido e à chefia do governo. Passa do poder para o ministro das Finanças, Gordon Brown, que há muito tempo esperava esta oportunidadeiTodos os governos que participam da invasão do Iraque são derrotados nas urnas.

GPS PARA TODOS

    No ano 2000, o presidente Bill Clinton anuncia que o sistema de posicionamento global (GPS) será aberto ao público em geral. Os sinais de satélite do sistema Navstar (foto), desenvolvido inicialmente para uso militar, têm uma queda de qualidade para uso civil.

O GPS é um sistema de rádio-navegação situado no espaço que dá a localização com grande precisão. O Navstar GPS, dos EUA, tem 24 satélites em seis órbitas diferentes que dão a volta na Terra a cada 12 horas.

Em resposta, a Rússia cria o Sistema Global de Navegação por Satélite (Glonass) . A União Europeia (UE) aprova em 2007 o lançamento de 30 satélites para criar seu próprio sistema, Galileo, que entra em operação em 2016. A China lançou 14 satélites de segunda geração em 2007 e uma constelação de 30 satélites de comunicações de terceira geração cobrindo o mundo inteiro desde 2020.

Um equipamento baseado na Terra recebe sinais de rádio de quatro ou mais satélites, calcula a distância até cada satélite e determina com base nisso a latitude, a longitude e a altitude da pessoa ou objetivo a ser localizado.

O uso civil gera uma revolução comercial e pessoal. O GPS está nos drones, mísseis e projéteis da guerra moderna, na Estação Espacial Internacional, nos aviões de guerra, comerciais e privados, nas ambulâncias, nos carros particulares, nos ônibus, nos trens, nos tratores, nas máquinas agrícolas, nos telefones celulares e nos relógios de pulso.

EUA MATAM BEN LADEN

    Em 2011, quase dez anos depois dos atentados contra Nova York e o Pentágono, um comando de elite da Marinha dos Estados Unidos mata o terrorista saudita Ossama ben Laden, líder da rede terrorista Al Caeda (A Base), no seu esconderijo em Abotabade, no Paquistão.

Quando a União Soviética invade o Afeganistão, em 26 de dezembro de 1979, os Estados Unidos, a Arábia Saudita, a China e o Paquistão se unem para apoiar a resistência afegã. Ben Laden é um dos enviados do reino saudita para arregimentar os chamados árabes afegãos.

A URSS está derrotada em 1988, quando Ben Laden cria a rede Al Caeda para levar a guerra santa islâmica a todos os conflitos com muçulmanos envolvidos.

A rede terrorista Al Caeda é assim um detrito da Guerra Fria. Criada para fazer do Afeganistão o Vietnã da URSS, alimentada pelos EUA, volta-se contra o Ocidente.

Com a retirada soviética, em 1989, o governo-fantoche de Mohammed Najibullah resiste até 1992, quando é vencido pelos rebeldes muçulmanos. Começa um período de anarquia.

Para defender os princípios do Islã num ambiente de anarquia, marcado pelo crime, a violência e a morte, nasce em 1994, com o apoio do serviço secreto militar do Paquistão, a Milícia dos Talebã (Estudantes), a maioria doutrinados nas madraças, as escolas religiosas paquistanesas onde só se ensina o Corão. Eles tomam o poder em Cabul em 1996 e abrigam acampamentos e centros de treinamento d'al Caeda.

Em 1998, depois de atentados terroristas contra as embaixadas dos EUA no Quênia e na Tanzânia, o governo Bill Clinton (1993-2001) bombardeia bases d'al Caeda no Afeganistão.

A resposta vem num atentado contra o navio norte-americano USS Cole, no ano 2000, e nos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, quando Al Caeda leva as guerras do Grande Oriente Médio para o território dos EUA. Ben Laden comenta que não esperava que as Torres Gêmeas desabassem, só que queimassem do ponto de impacto para cima.

Os EUA invocam o art. 5 da Carta da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e atacam o Afeganistão com o apoio de uma força internacional em 7 de outubro de 2001. O regime fundamentalista muçulmano cai em três semanas.

Na Batalha de Tora Bora, de 6 a 17 de dezembro de 2001, os EUA chegam a cercar a liderança da rede Al Caeda num complexo de cavernas no Leste do Afeganistão, mas Ben Laden consegue escapar para o Paquistão.

Depois de anos, Ben Laden é localizado numa mansão superprotegida em Abotabade, cidade-sede da Academia Militar do Paquistão.

O ataque começa a uma da madrugada. Dois helicópteros Falcão Negro transportam 23 soldados de elite do comando SEALs da Marinha dos EUA até o complexo. Em 40 minutos, cinco pessoas são mortas, inclusive Ben Laden e um filho adulto. Um helicóptero se acidenta, mas ninguém sai ferido. Os soldados norte-americanos levam documentos e computadores.

O cadáver de Ben Laden é levado para confirmar a identidade no Afeganistão e jogado no Mar da Arábia.

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sexta-feira, 2 de maio de 2025

Hoje na História do Mundo: 2 de Maio

 COMPRA DA LOUISIANA

    Em 1803, os Estados Unidos compram da França o território da Louisiana, de 2,144 milhões de quilômetros quadrados, que inclui a bacia dos rios Missouri e Mississípi, por US$ 27,267 milhões. O vale é explorado por navegantes franceses.

Thomas Jefferson, o terceiro presidente dos EUA, instrui o embaixador na França a procurar o ministro Charles-Maurice de Talleyrand, do governo Napoleão Bonaparte e negociar a compra da Louisiana.

O fracasso na colonização de São Domingos, a ilha de Hispaniola, a iminência de uma nova guerra com o Reino Unido e problemas financeiros levaram Napoleão a oferecer a Louisiana aos EUA. O embaixador que fecha o acordo é o futuro presidente James Monroe.

JOVEM PRIMEIRO-MINISTRO 

    Em 1997, depois de 18 anos de governos conservadores, Tony Blair leva o Partido Trabalhista de volta ao poder no Reino Unido, se torna o mais jovem primeiro-ministro britânico desde 1812 e fica 10 anos no cargo, o maior período contínuo desde 1827 depois de Margaret Thatcher (1979-90).

Anthony Charles Lynton Blair nasce em Edimburgo, na Escócia, em 6 de maio de 1953. Filho de advogado, estuda num colégio de elite da cidade. Tem pouco interesse em política até conhecer sua futura mulher, Cherie Booth. É roqueiro na juventude, se forma em direito na Universidade de Oxford em 1975, quando entra para o Partido Trabalhista. No ano seguinte, torna-se advogado especialista em direito sindical.

Depois de chegar em terceiro lugar numa eleição em 1982, Blair se elege para o Parlamento Britânico nas eleições gerais de 1983 com a vitória num distrito historicamente trabalhista. Ele é nomeado pelo líder do partido, Neil Kinnock, para o governo paralelo da oposição em 1988. Um novo líder, John Smith, o indica em 1992 para ministro do Interior do governo paralelo, o que significa ser porta-voz da oposição para as questões desse ministério.

Com a morte de John Smith, Blair vence a eleição para líder do partido em maio de 1994. durante o governo conservador de John Major (1990-97), que sucede a Margaret Thatcher (1979-90).

Como líder do partido, Blair lança o neotrabalhismo, que incorpora vários mecanismos de mercado e abole a Cláusula 4 do estatuto do partido, que prevê "a propriedade coletiva dos meios de produção, distribuição e comercialização para adequar o trabalhismo a uma nova realidade do mundo pós-Guerra Fria.

Blair se torna o mais jovem primeiro-ministro britânico do século 20 com a maior vitória do Partido Trabalhista. Antes, reduz a ligação com os sindicatos, defende a livre empresa, o combate à inflação, a linha dura no combate ao crime e a integração do Reino Unido à União Europeia.

No governo, Blair cria um salário mínimo nacional, aumenta os gastos com saúde e educação, começa a cobrar anuidade nas universidades, decentraliza a administração pública com a recriação do Parlamento da Escócia e de assembleias no País da Gales e na Irlanda do Norte depois do Acordo da Sexta-Feira Santa, que acabou com 30 anos de guerra civil.

Em política externa, sob Blair, o Reino Unido participou de intervenções militares no Kossovo em 1999 e em Serra Leoa no ano 2000. A aliança incondicional aos Estados Unidos na Guerra contra o Terror declarada pelo presidente George W. Bush depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, três meses depois do início de seu segundo mandato, e especialmente a participação na invasão do Iraque são a ruína de Tony Blair.

O governo chegou a afirmar diante da Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico que o Iraque tinha condições de preparar um ataque com armas químicas ou biológicas

Em 27 de junho de 2007, ele renuncia à liderança do partido e à chefia do governo. Passa do poder para o ministro das Finanças, Gordon Brown, que há muito tempo esperava esta oportunidadeiTodos os governos que participam da invasão do Iraque são derrotados nas urnas.

GPS PARA TODOS

    No ano 2000, o presidente Bill Clinton anuncia que o sistema de posicionamento global (GPS) será aberto ao público em geral. Os sinais de satélite do sistema Navstar (foto), desenvolvido inicialmente para uso militar, têm uma queda de qualidade para uso civil.

O GPS é um sistema de rádio-navegação situado no espaço que dá a localização com grande precisão. O Navstar GPS, dos EUA, tem 24 satélites em seis órbitas diferentes que dão a volta na Terra a cada 12 horas.

Em resposta, a Rússia cria o Sistema Global de Navegação por Satélite (Glonass) . A União Europeia (UE) aprova em 2007 o lançamento de 30 satélites para criar seu próprio sistema, Galileo, que entra em operação em 2016. A China lançou 14 satélites de segunda geração em 2007 e uma constelação de 30 satélites de comunicações de terceira geração cobrindo o mundo inteiro desde 2020.

Um equipamento baseado na Terra recebe sinais de rádio de quatro ou mais satélites, calcula a distância até cada satélite e determina com base nisso a latitude, a longitude e a altitude da pessoa ou objetivo a ser localizado.

O uso civil gera uma revolução comercial e pessoal. O GPS está nos drones, mísseis e projéteis da guerra moderna, na Estação Espacial Internacional, nos aviões de guerra, comerciais e privados, nas ambulâncias, nos carros particulares, nos ônibus, nos trens, nos tratores, nas máquinas agrícolas, nos telefones celulares e nos relógios de pulso.

EUA MATAM BEN LADEN

    Em 2011, quase dez anos depois dos atentados contra Nova York e o Pentágono, um comando de elite da Marinha dos Estados Unidos mata o terrorista saudita Ossama ben Laden, líder da rede terrorista Al Caeda (A Base), no seu esconderijo em Abotabade, no Paquistão.

Quando a União Soviética invade o Afeganistão, em 26 de dezembro de 1979, os Estados Unidos, a Arábia Saudita, a China e o Paquistão se unem para apoiar a resistência afegã. Ben Laden é um dos enviados do reino saudita para arregimentar os chamados árabes afegãos.

A URSS está derrotada em 1988, quando Ben Laden cria a rede Al Caeda para levar a guerra santa islâmica a todos os conflitos com muçulmanos envolvidos.

A rede terrorista Al Caeda é assim um detrito da Guerra Fria. Criada para fazer do Afeganistão o Vietnã da URSS, alimentada pelos EUA, volta-se contra o Ocidente.

Com a retirada soviética, em 1989, o governo-fantoche de Mohammed Najibullah resiste até 1992, quando é vencido pelos rebeldes muçulmanos. Começa um período de anarquia.

Para defender os princípios do Islã num ambiente de anarquia, marcado pelo crime, a violência e a morte, nasce em 1994, com o apoio do serviço secreto militar do Paquistão, a Milícia dos Talebã (Estudantes), a maioria doutrinados nas madraças, as escolas religiosas paquistanesas onde só se ensina o Corão. Eles tomam o poder em Cabul em 1996 e abrigam acampamentos e centros de treinamento d'al Caeda.

Em 1998, depois de atentados terroristas contra as embaixadas dos EUA no Quênia e na Tanzânia, o governo Bill Clinton (1993-2001) bombardeia bases d'al Caeda no Afeganistão.

A resposta vem num atentado contra o navio norte-americano USS Cole, no ano 2000, e nos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, quando Al Caeda leva as guerras do Grande Oriente Médio para o território dos EUA. Ben Laden comenta que não esperava que as Torres Gêmeas desabassem, só que queimassem do ponto de impacto para cima.

Os EUA invocam o art. 5 da Carta da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e atacam o Afeganistão com o apoio de uma força internacional em 7 de outubro de 2001. O regime fundamentalista muçulmano cai em três semanas.

Na Batalha de Tora Bora, de 6 a 17 de dezembro de 2001, os EUA chegam a cercar a liderança da rede Al Caeda num complexo de cavernas no Leste do Afeganistão, mas Ben Laden consegue escapar para o Paquistão.

Depois de anos, Ben Laden é localizado numa mansão superprotegida em Abotabade, cidade-sede da Academia Militar do Paquistão.

O ataque começa a uma da madrugada. Dois helicópteros Falcão Negro transportam 23 soldados de elite do comando SEALs da Marinha dos EUA até o complexo. Em 40 minutos, cinco pessoas são mortas, inclusive Ben Laden e um filho adulto. Um helicóptero se acidenta, mas ninguém sai ferido. Os soldados norte-americanos levam documentos e computadores.

O cadáver de Ben Laden é levado para confirmar a identidade no Afeganistão e jogado no Mar da Arábia.

quinta-feira, 2 de maio de 2024

Hoje na História do Mundo: 2 de Maio

COMPRA DA LOUISIANA

    Em 1803, os Estados Unidos compram da França o território da Louisiana, de 2,144 milhões de quilômetros quadrados, que inclui a bacia dos rios Missouri e Mississípi, por US$ 27,267 milhões. O vale é explorado por navegantes franceses.

Thomas Jefferson, o terceiro presidente dos EUA, instrui o embaixador na França a procurar o ministro Charles-Maurice de Talleyrand, do governo Napoleão Bonaparte e negociar a compra da Louisiana.

O fracasso na colonização de São Domingos, a ilha de Hispaniola, a iminência de uma nova guerra com o Reino Unido e problemas financeiros levaram Napoleão a oferecer a Louisiana aos EUA. O embaixador que fecha o acordo é o futuro presidente James Monroe.

JOVEM PRIMEIRO-MINISTRO 

    Em 1997, depois de 18 anos de governos conservadores, Tony Blair leva o Partido Trabalhista de volta ao poder no Reino Unido, se torna o mais jovem primeiro-ministro britânico desde 1812 e fica 10 anos no cargo, o maior período contínuo desde 1827 depois de Margaret Thatcher (1979-90).

Anthony Charles Lynton Blair nasce em Edimburgo, na Escócia, em 6 de maio de 1953. Filho de advogado, estuda num colégio de elite da cidade. Tem pouco interesse em política até conhecer sua futura mulher, Cherie Booth. É roqueiro na juventude, se forma em direito na Universidade de Oxford em 1975, quando entra para o Partido Trabalhista. No ano seguinte, torna-se advogado especialista em direito sindical.

Depois de chegar em terceiro lugar numa eleição em 1982, Blair se elege para o Parlamento Britânico nas eleições gerais de 1983 com a vitória num distrito historicamente trabalhista. Ele é nomeado pelo líder do partido, Neil Kinnock, para o governo paralelo da oposição em 1988. Um novo líder, John Smith, o indica em 1992 para ministro do Interior do governo paralelo, o que significa ser porta-voz da oposição para as questões desse ministério.

Com a morte de John Smith, Blair vence a eleição para líder do partido em maio de 1994. durante o governo conservador de John Major (1990-97), que sucede a Margaret Thatcher (1979-90).

Como líder do partido, Blair lança o neotrabalhismo, que incorpora vários mecanismos de mercado e abole a Cláusula 4 do estatuto do partido, que prevê "a propriedade coletiva dos meios de produção, distribuição e comercialização para adequar o trabalhismo a uma nova realidade do mundo pós-Guerra Fria.

Blair se torna o mais jovem primeiro-ministro britânico do século 20 com a maior vitória do Partido Trabalhista. Antes, reduz a ligação com os sindicatos, defende a livre empresa, o combate à inflação, a linha dura no combate ao crime e a integração do Reino Unido à União Europeia.

No governo, Blair cria um salário mínimo nacional, aumenta os gastos com saúde e educação, começa a cobrar anuidade nas universidades, decentraliza a administração pública com a recriação do Parlamento da Escócia e de assembleias no País da Gales e na Irlanda do Norte depois do Acordo da Sexta-Feira Santa, que acabou com 30 anos de guerra civil.

Em política externa, sob Blair, o Reino Unido participou de intervenções militares no Kossovo em 1999 e em Serra Leoa no ano 2000. A aliança incondicional aos Estados Unidos na Guerra contra o Terror declarada pelo presidente George W. Bush depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, três meses depois do início de seu segundo mandato, e especialmente a participação na invasão do Iraque são a ruína de Tony Blair.

O governo chegou a afirmar diante da Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico que o Iraque tinha condições de preparar um ataque com armas químicas ou biológicas

Em 27 de junho de 2007, ele renuncia à liderança do partido e à chefia do governo. Passa do poder para o ministro das Finanças, Gordon Brown, que há muito tempo esperava esta oportunidadeiTodos os governos que participam da invasão do Iraque são derrotados nas urnas.  

EUA MATAM BEN LADEN

    Em 2011, quase dez anos depois dos atentados contra Nova York e o Pentágono, um comando de elite da Marinha dos Estados Unidos mata o terrorista saudita Ossama ben Laden, líder da rede terrorista Al Caeda (A Base), no seu esconderijo em Abotabade, no Paquistão.

Quando a União Soviética invade o Afeganistão, em 26 de dezembro de 1979, os Estados Unidos, a Arábia Saudita, a China e o Paquistão se unem para apoiar a resistência afegã. Ben Laden é um dos enviados do reino saudita para arregimentar os chamados árabes afegãos.

A URSS está derrotada em 1988, quando Ben Laden cria a rede Al Caeda para levar a guerra santa islâmica a todos os conflitos com muçulmanos envolvidos.

A rede terrorista Al Caeda é assim um detrito da Guerra Fria. Criada para fazer do Afeganistão o Vietnã da URSS, alimentada pelos EUA, volta-se contra o Ocidente.

Com a retirada soviética, em 1989, o governo-fantoche de Mohammed Najibullah resiste até 1992, quando é vencido pelos rebeldes muçulmanos. Começa um período de anarquia.

Para defender os princípios do Islã num ambiente de anarquia, marcado pelo crime, a violência e a morte, nasce em 1994, com o apoio do serviço secreto militar do Paquistão, a Milícia dos Talebã (Estudantes), a maioria doutrinados nas madraças, as escolas religiosas paquistanesas onde só se ensina o Corão. Eles tomam o poder em Cabul em 1996 e abrigam acampamentos e centros de treinamento d'al Caeda.

Em 1998, depois de atentados terroristas contra as embaixadas dos EUA no Quênia e na Tanzânia, o governo Bill Clinton (1993-2001) bombardeia bases d'al Caeda no Afeganistão.

A resposta vem num atentado contra o navio norte-americano USS Cole, no ano 2000, e nos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, quando Al Caeda leva as guerras do Grande Oriente Médio para o território dos EUA. Ben Laden comenta que não esperava que as Torres Gêmeas desabassem, só que queimassem do ponto de impacto para cima.

Os EUA invocam o art. 5 da Carta da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e atacam o Afeganistão com o apoio de uma força internacional em 7 de outubro de 2001. O regime fundamentalista muçulmano cai em três semanas.

Na Batalha de Tora Bora, de 6 a 17 de dezembro de 2001, os EUA chegam a cercar a liderança da rede Al Caeda num complexo de cavernas no Leste do Afeganistão, mas Ben Laden consegue escapar para o Paquistão.

Depois de anos, Ben Laden é localizado numa mansão superprotegida em Abotabade, cidade-sede da Academia Militar do Paquistão.

O ataque começa a uma da madrugada. Dois helicópteros Falcão Negro transportam 23 soldados de elite do comando SEALs da Marinha dos EUA até o complexo. Em 40 minutos, cinco pessoas são mortas, inclusive Ben Laden e um filho adulto. Um helicóptero se acidenta, mas ninguém sai ferido. Os soldados norte-americanos levam documentos e computadores.

O cadáver de Ben Laden é levado para confirmar a identidade no Afeganistão e jogado no Mar da Arábia.

sábado, 24 de dezembro de 2022

Hoje na História do Mundo: 24 de Dezembro

INVASÃO DO AFEGANISTÃO

    Em 1979, pouco antes da meia-noite, uma ponte aérea com 280 aviões de transporte militar da União Soviética desembarca em Cabul três divisões, cada uma com cerca de 8,5 mil homens, que três dias depois depõem o líder do regime comunista afegão, com pouca resistência, e instalam no poder Babrak Karmal, da ala pró-Moscou do Partido Popular Democrático do Afeganistão.

Mas dominar Cabul não significa controlar o Afeganistão, um país tribal e montanhoso, com um relevo que favorece a ação guerrilheira.

A invasão soviética acaba com o período da détente entre as superpotências, um degelo na Guerra Fria que começa em 1972 com as visitas do presidente norte-americano Richard Nixon à URSS e à China, e a retirada dos EUA do Vietnã. Começa a Segunda Guerra Fria, que vai até a ascensão do reformista Mikhail Gorbachev à liderança do Partido Comunista da URSS, em 11 de março de 1985.

O presidente Jimmy Carter e países aliados dos EUA boicotam a Olimpíada de Moscou, em 1980. A URSS retribui boicotando a Olimpíada de Los Angeles, em 1984.

Logo se forma uma aliança entre os Estados Unidos, que fornece as armas; a Arábia Saudita, que entra com homens e petrodólares; o Paquistão, por onde passam o dinheiro e as armas; e a China, que dá apoio politico. O objetivo é fazer do Afeganistão do Vietnã da URSS.

Cerca de 2,8 milhões de afegãos fogem para o Paquistão, onde os homens são doutrinados nas madrassás, as escolas religiosas que só ensinam o Corão, livro sagrado do islamismo. Outro 1,5 milhão se refugia no Irã.

A introdução de mísseis antiaéreos norte-americanos portáteis sustentados no ombro vira o jogo e acaba com a superioridade aérea soviética. A retirada soviética começa em 1988 e termina em 1989.

Os chamados árabes afegãos, mujahedin que lutaram contra a URSS, criam em 1988 a rede terrorista Al Caeda sob a liderança de Ossama ben Laden e Ayman al-Zawahiri. O terrorismo muçulmano é um detrito da Guerra Fria.

Com a retirada soviética, diferentes grupos islamistas disputam o poder até que a milícia fundamentalista sunita dos Talebã (Estudantes) se impõe, em 1996, com o apoio do Paquistão. 

Depois de ataques às embaixadas dos EUA no Quênia e na Tanzânia, em agosto de 1998, o presidente Bill Clinton manda bombardear bases d'al Caeda no Afeganistão. A resposta feroz vem nos atentados de 11 de setembro de 2001. 

domingo, 11 de setembro de 2022

Hoje na História do Mundo: 11 de Setembro

QUEDA DE BARCELONA

    Em 1714, depois de 14 meses de cerco, o Exército de Felipe V, da Espanha, toma Barcelona na Guerra da Sucessão Espanhola. É o fim das leis e instituições catalães. É a data nacional da Catalunha.

O feriado é celebrado desde 11 de setembro de 1886. É proibido nas ditaduras de Miguel Primo de Rivera (1923-30) e Francisco Franco (1939-75).

GOLPE NO CHILE

    Em 1973, um golpe militar apoiado pelos Estados Unidos na Guerra Fria derruba o presidente socialista Salvador Allende e dá início à ditadura do general Augusto Pinochet, que matou 3.105 pessoas.

Allende é eleito em 1970 por uma aliança de socialistas e comunista, com 35% dos votos. Sem maioria no Congresso do Chile, o governo da Unidade Popular enfrenta forte da oposição da direita e dos democratas-cristãos, que apoiam o golpe e depois são perseguidos pela ditadura pinochetista. Mais de 40 mil pessoas são torturadas e 200 mil fogem do Chile.

Um plebiscito, em 5 de outubro de 1988, nega a prorrogação do mandato do tirano. Em 1989, o democrata-cristão Patricio Aylwin é eleito pela Concertação, uma aliança de 16 partidos liderada por democratas-cristãos e socialistas.

Aylwin toma posse em 11 de março de 1990, pondo fim à ditadura. Pinochet permanece no comando do Exército até 1998. Depois de deixar o cargo, é preso em Londres por ordem do juiz de instrução espanhol Baltasar Garzón sob as acusações de genocídio, tortura, terrorismo internacional e desaparecimento de pessoas.

Quando o governo conservador espanhol de José María Aznar deixa claro que não vai pedir a extradição, o Reino Unido faz um acordo com o Chile para liberar Pinochet com a desculpa de que ele sofreria sérios problemas de saúde. 

No Chile, o ex-ditador é processado por 18 sequestros e 57 assassinatos. Chega a ficar em prisão domiciliar, mas nunca é condenado definitivamente. Impune, Pinochet morre do coração em 10 de dezembro de 2006.

Como consequência do golpe no Chile, a maioria dos países da América Latina hoje faz eleição presidencial em dois turnos quando o primeiro colocado não consegue a maioria absoluta dos votos válidos ou uma ampla vantagem sobre o segundo em alguns países que não exigem 50% dos votos válidos mais um. Assim, o presidente chega ao poder com o apoio da maioria

TERROR NOS EUA

    Em 2001, no pior atentado terrorista da história, a rede Al Caeda transforma aviões de passageiros em mísseis guiados por pilotos suicidas, derruba as Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York, e ataca o Pentágono, sede do Departamento da Defesa dos Estados Unidos, perto de Washington, matando 2.977 pessoas em Nova York, 125 no Pentágono e 69 num quarto voo, derrubado pelos passageiros, que iria para a Casa Branca ou o Capitólio.

O ataque provoca uma reação dos EUA: a Guerra contra o Terror, um equívoco desde o nome porque o terrorismo é uma tática de guerra, não é um inimigo em si. O inimigo, no caso, é o jihadismo, o terrorismo dos fundamentalistas islâmicos que pregam a guerra santa. 

É de certa forma um populismo político que pesca no mar do Corão para criar sua ideologia sanguinária. É uma ideologia e uma guerra ideológica é uma batalha de ideias, é, antes de mais nada, uma guerra civil dentro do Islã sobre qual é a verdadeira interpretação do Corão. 

O movimento jihadista tem uma base religiosa, sonha em recriar o mundo à imagem da Arábia no século 7, no tempo de Maomé, mas ao mesmo tempo usa os recursos tecnológicos do século 21. Criou um califado digital que recruta voluntários para o martírio. Na verdade, é um movimento político extremista surgido em lugares onde não há liberdade política, então eles se encontram nas mesquitas.

Depois de atacar o Afeganistão em 7 de outubro de 2001 e derrubar o regime fundamentalista dos Talebã em três semanas, os EUA conseguiram cercar a liderança d'al Caeda na Batalha de Tora Bora, mas Ossama ben Laden conseguiu escapar para o Paquistão.

Em 2003, o então presidente George W. Bush resolveu invadir o Iraque do ditador Saddam Hussein, que não tinha relação alguma com os atentados, provocando uma revolta dos muçulmanos sunitas de que Al Caeda se aproveitou para entrar no Iraque.

Al Caeda do Iraque se tornou Estado Islâmico do Iraque e, na guerra civil da Síria, Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Depois de retirar as forças dos EUA em 2011, o presidente Barack Obama declarou em agosto de 2014 guerra ao Estado Islâmico, que havia proclamado um califado nas regiões que ocupava no Iraque e na Síria.

A Guerra do Afeganistão, a mais longa da história dos Estados Unidos, acabou de maneira humilhante para os americanos, com a volta imediata dos talebã ao poder e caos no aeroporto de Cabul, inclusive um atentado terrorista cometido pelo Estado Islâmico. 

A vitória dos jihadistas empolga os extremistas do mundo inteiro e certamente ajuda a recrutar mais voluntários para o martírio. O Afeganistão volta a ser solo fértil para grupos jihadistas que fazem terrorismo internacional. 

Os talebã prometem no acordo com os EUA não deixar usar o território afegão para desfechar ataques aos americanos e aliados, mas não controlam totalmente o país para garantir isso.

A Guerra contra o Terror não termina. Pelos dados oficiais morreram 6.892 soldados dos EUA nas guerras do Afeganistão, do Iraque e na Síria e no Iraque contra o Estado Islâmico. Ao todo, a Guerra contra o Terror custa aos EUA US$ 8 trilhões. Estima-se que 900 mil pessoas morreram nesta guerra, 

segunda-feira, 2 de maio de 2022

Hoje na História do Mundo: 2 de Maio

EUA MATAM BEN LADEN

    Em 2011, quase dez anos depois dos atentados contra Nova York e o Pentágono, um comando de elite da Marinha dos Estados Unidos mata o terrorista saudita Ossama ben Laden, líder da rede terrorista Al Caeda (A Base), no seu esconderijo em Abotabade, no Paquistão.

Quando a União Soviética invade o Afeganistão, em 26 de dezembro de 1979, os Estados Unidos, a Arábia Saudita, a China e o Paquistão se unem para apoiar a resistência afegã. Ben Laden é um dos enviados do reino saudita para arregimentar os chamados árabes afegãos.

A URSS está derrotada em 1988, quando Ben Laden cria a rede Al Caeda para levar a guerra santa islâmica a todos os conflitos com muçulmanos envolvidos.

A rede terrorista Al Caeda é assim um detrito da Guerra Fria. Criada para fazer do Afeganistão o Vietnã da URSS, alimentada pelos EUA, volta-se contra o Ocidente.

Com a retirada soviética, em 1989, o governo-fantoche de Mohammed Najibullah resiste até 1992, quando é vencido pelos rebeldes muçulmanos. Começa um período de anarquia.

Para defender os princípios do Islã num ambiente de anarquia, marcado pelo crime, a violência e a morte, nasce em 1994, com o apoio do serviço secreto militar do Paquistão, a Milícia dos Talebã (Estudantes), que toma o poder em Cabul em 1996 e abriga acampamentos e centros de treinamento d'al Caeda.

Em 1998, depois de atentados terroristas contra as embaixadas dos EUA no Quênia e na Tanzânia, o governo Bill Clinton (1993-2001) bombardeia bases d'al Caeda no Afeganistão.

A resposta vem num atentado contra o navio americano USS Cole, no ano 2000, e nos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, quando Al Caeda leva as guerras do Grande Oriente Médio para o território dos EUA. Ben Laden comenta que não esperava que as Torres Gêmeas desabassem, só que queimassem do ponto de impacto para cima.

Os EUA invocam o art. 5 da Carta da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e atacam o Afeganistão com o apoio de uma força internacional em 7 de outubro de 2001. O regime fundamentalista muçulmano cai em três semanas.

Na Batalha de Tora Bora, de 6 a 17 de dezembro de 2001, os EUA chegam a cercar a liderança da rede Al Caeda num complexo de cavernas no Leste do Afeganistão, mas Ben Laden consegue escapar para o Paquistão.

Depois de anos, Ben Laden é localizado numa mansão superprotegida em Abotabade, cidade-sede da Academia Militar do Paquistão.

O ataque começa a uma da madrugada. Dois helicópteros Falcão Negro transportam 23 soldados de elite do comando SEALs da Marinha dos EUA até o complexo. Em 40 minutos, cinco pessoas são mortas, inclusive Ben Laden e um filho adulto. Um helicóptero se acidenta, mas ninguém sai ferido. Os soldados norte-americanos levam documentos e computadores.

O cadáver de Ben Laden é levado para confirmar a identidade no Afeganistão e jogado no Mar da Arábia.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

Hoje na História do Mundo: 24 de Dezembro

INVASÃO DO AFEGANISTÃO

    Em 1979, pouco antes da meia-noite, uma ponte aérea com 280 aviões de transporte militar da União Soviética desembarca em Cabul três divisões, cada uma com cerca de 8,5 mil homens, que três dias depois depõem o líder do regime comunista afegão, com pouca resistência, e instalam no poder Babrak Karmal, da ala pró-Moscou do Partido Popular Democrático do Afeganistão.

Mas dominar Cabul não significa controlar o Afeganistão, um país tribal e montanhosa, com um relevo que favorece a ação guerrilheira.

A invasão soviética acaba com o período da détente entre as superpotências, um degelo na Guerra Fria que começa em 1972 com as visitas do presidente norte-americano Richard Nixon à URSS e à China, e a retirada dos EUA do Vietnã. Começa a Segunda Guerra Fria, que vai até a ascensão do reformista Mikhail Gorbachev à liderança do Partido Comunista da URSS.

O presidente Jimmy Carter e países aliados dos EUA boicotam a Olimpíada de Moscou, em 1980. A URSS retribui boicotando a Olimpíada de Los Angeles, em 1984.

Logo se forma uma aliança entre os Estados Unidos, que fornece as armas; a Arábia Saudita, que entra com homens e petrodólares; o Paquistão, por onde passam o dinheiro e as armas; e a China, que dá apoio politico. O objetivo é fazer do Afeganistão do Vietnã da URSS.

Cerca de 2,8 milhões de afegãos fogem para o Paquistão, onde os homens são doutrinados nas madrassas, as escolas religiosas que só ensinam o Corão, livro sagrado do islamismo. Outro 1,5 milhão se refugia no Irã.

A introdução de mísseis antiaéreos norte-americanos portáteis sustentados no ombro vira o jogo e acaba com a superioridade aérea soviética. A retirada soviética começa em 1988 e termina em 1989.

Os chamados árabes afegãos, mujahedin que lutaram contra a URSS criam em 1988 a rede terrorista Al Caeda sob a liderança de Ossama ben Laden e Ayman al-Zawahiri. O terrorismo muçulmano é um detrito da Guerra Fria.

Com a retirada soviética, diferentes grupos islamistas disputam o poder até que a milícia fundamentalista sunita dos Talebã (Estudantes) se impõe, em 1996, com o apoio do Paquistão. 

Depois de ataques às embaixadas dos EUA no Quênia e na Tanzânia, em agosto de 1998, o presidente Bill Clinton manda bombardear bases d'al Caeda no Afeganistão. A resposta feroz vem nos atentados de 11 de setembro de 2001.

domingo, 12 de setembro de 2021

Quem ganhou e quem perdeu a Guerra contra o Terror

O colapso da ordem internacional liberal no mundo pós-Guerra Fria

Sob o céu de puríssimo azul de uma manhã de verão em Manhattan, dois aviões de passageiros transformados em mísseis guiados por pilotos suicidas da rede terrorista Al Caeda destruíram, em 11 de setembro de 2001, muito mais do que os maiores prédios de Nova York matando 2.606 pessoas, sem contar os passageiros e tripulantes dos aviões-bomba. 

Outro avião atingiu o Pentágono, sede do Departamento da Defesa, símbolo do poderio militar incontrastável dos Estados Unidos, e matou 125 pessoas. Estavam feridos o orgulho e a glória da única superpotência, que reinava soberana há uma década como única superpotência, desde o desaparecimento da União Soviética no fim da Guerra Fria, em 1991. 

Um quarto avião caiu numa zona rural da Pensilvânia, matando as 69 pessoas a bordo ao ser derrubado pelos passageiros quando ia sequestrado rumo a Washington para atingir a Casa Branca ou o Capitólio. Ao todo, foram 2.977 mortes nos atentados, excluindo os 19 terroristas.

O século 21 nasce num mundo mais autoritário, com mais restrições às liberdades individuais e o medo do terrorista suicida que se infiltra na multidão ou num avião disposto a dar a vida por sua causa, de voluntários do martírio em busca da graça divina eterna e de um lugar no paraíso para desfrutar 72 virgens. 

Junto com as Torres Gêmeas do World Trade Center, cai a ordem internacional liberal do mundo pós-Guerra Fria, que prometia uma era de paz e prosperidade, com o triunfo da democracia liberal e da economia na confrontação estratégica das superpotências que dominaram o mundo na segunda metade do século 20. Ruiu a tese do “fim da história” como confronto ideológico. 

Vinte anos, US$ 8 trilhões e 900 mil mortes depois, inclusive de 6.892 militares americanos, com a caótica retirada do Afeganistão, os Estados Unidos declaram vitória. Mas a fuga desesperada nos últimos dias de estrangeiros e afegãos aliados das forças internacionais lembra a queda de Saigon no fim da Guerra do Vietnã, em 30 de abril de 1975, ou a retirada do Líbano depois de atentados terroristas de extremistas muçulmanos em Beirute que mataram 241 fuzileiros navais americanos e 58 soldados franceses, em 23 de outubro de 1983, ou da Somália depois de mortes de 18 americanos na Batalha de Mogadíscio, em 3 a 4 de outubro de 1993. Três derrotas humilhantes. 

QUEM GANHOU? 
Quem venceu então a Guerra contra o Terror? O nome em si é um equívoco. O terrorismo é uma tática de guerra, não é um inimigo em si. O inimigo, no caso, é o jihadismo (de jihad = guerra santa), o terrorismo dos extremistas islâmicos que pregam a luta armada para converter ou matar os infiéis: “A bolsa, a vida ou o Corão.” 

No passado, na expansão do islamismo pela Europa, dava para comprar lealdade, o que aconteceu com os muçulmanos da Bósnia, que pagavam menos impostos ao Império Otomano se aderissem ao islamismo. Isso praticamente sumiu na Guerra contra o Terror. 

O jihadismo é de certa forma um populismo político. Pesca no mar do Corão, o livro sagrado dos muçulmanos, elementos para criar e justificar sua ideologia sanguinária. É uma ideologia e uma guerra ideológica é uma batalha de ideias. Não pode ser vencida com armas. 

Antes de mais nada, é uma guerra civil dentro do Islã sobre qual é a verdadeira interpretação do Corão. Tem uma base religiosa. Sonha em recriar o mundo à imagem da Arábia no século 7, no tempo do profeta Maomé. Ao mesmo tempo, usa os recursos tecnológicos do século 21. Criou um califado digital que divulga atrocidades e recruta voluntários para o martírio. Na verdade, é um movimento político extremista surgido em lugares onde não há liberdade política, então os militantes se reúnem nas mesquitas.

Inicialmente a vitória foi dos terroristas, que na visão de seu líder, Ossama ben Laden, romperam a aura de invencibilidade dos EUA ao mostrar capacidade de atacar os centros do poder econômico, político e militar da superpotência, ao levar as guerras do Oriente Médio para dentro do território americano e a qualquer lugar do planeta, numa globalização do terrorismo. 

PAQUISTÃO 
No Afeganistão, a grande vitória foi do Paquistão. O serviço secreto militar paquistanês apoia a Milícia dos Talebã (Estudantes) desde um mês depois de sua fundação, em setembro de 1996, quando o Afeganistão vivia um período de anarquia depois da retirada da União Soviética, em 1989. 
 
O ministro do Exterior paquistanês foi a Cabul pacificar as diferentes correntes dos talebã, se encontrou com as lideranças da milícia fundamentalista sunita e com o novo ministro do Interior afegão, Sirajuddin Hakkani, que está na lista de terroristas procurados pelos EUA. Ele é filho de Jalaluddin Hakkani, que foi recebido pelo presidente Ronald Reagan na Casa Branca quando lutava conta a invasão soviética (1979-89), embora haja quem diga que esse encontro nunca ocorreu. 

Antes de se tornar chefe de governo do Paquistão, o atual primeiro-ministro, Imran Khan, admitiu que a Rede Hakkani é o braço do Exército do Paquistão na guerra civil afegã. O ministro do Interior do Afeganistão tem boas relações com a rede Al Caeda. 

Está recriado o ambiente onde floresceram os terroristas que atacaram o World Trade Center. O atentado contra o aeroporto de Cabul em que morreram 13 militares americanos e 170 civis afegãos, em 26 e agosto, cometido pelo Estado Islâmico do Coração (Khorasan) mostra que os talebã dificilmente terão controle absoluto sobre o território afegão, que pode servir da base para ataques aos países vizinhos, aos EUA e aliados, à China, à Rússia ou à Europa. 

Como 43% do produto interno bruto do Afeganistão vêm de ajuda externa, os talebã precisam de reconhecimento, ajuda e financiamento internacionais, um forte estímulo para a moderação. Mas a ideologia não mudou, voltaram as restrições às mulheres, jornalistas foram espancados ao cobrir manifestações de protesto e os primeiros milicianos do grupo ouvidos por jornalistas estrangeiros nas ruas de Cabul enquanto festejavam a vitória foram claros: “A guerra santa continua até converter todos os infiéis no mundo inteiro.” 

IRà
Na Guerra do Iraque para derrubar o ditador Saddam Hussein, que nada teve a ver com os atentados de 11 de setembro, o grande vencedor foi o Irã. Há hoje um arco muçulmano xiita que vai do Irã ao Mar Mediterrâneo passando pelo Iêmen, o Irã o Iraque, a Síria e o Líbano. 

Ao fim da Primeira Guerra Mundial (1914-18), a aliança vencedora (EUA, França e Reino Unido) prometeu aos curdos, maior povo do mundo sem um Estado Nacional, fundar o Curdistão. 

O subsecretário de Estado para o Oriente Médio do Império Britânico, Winston Churchill, quebrou a promessa. Criou o Iraque artificialmente, juntando a província curda de Kirkuk, rica em petróleo, às províncias de Bagdá e Bássora do Império Otomano (turco), vencido e dissolvido. 

Churchill queria um Iraque suficientemente poderoso para conter o Irã. Depois da vitória da Revolução Islâmica liderada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini, em 1979, os EUA, a URSS, a Europa e os países árabes apoiaram Saddam Hussein na Guerra Irã-Iraque na expectativa de acabar com a revolução iraniana. Sem sucesso, com um enormes perdas para os dois lados e pelo menos 500 mil mortes. A guerra terminou num impasse, mas ajudou a conter a exportação da revolução islâmica. 

Ao invadir o Iraque, depor Saddam e tentar impor um regime democrático, em 2003, os EUA entregaram o poder à maioria xiita depois de séculos de dominação sunita. A revolta sunita e a infiltração d’al Caeda forjaram o Estado Islâmico, um novo inimigo para o Ocidente e para os regimes do Oriente Médio. E os xiitas têm uma afinidade com o Irã, que controla várias milícias no país e mais de 60 no Oriente Médio. 

Isso leva o governo Trump a matar o principal general iraniano, Kassem Soleimani, comandante do braço da Guarda Revolucionária do Irã para ações no exterior, num ataque de mísseis ao aeroporto de Bagdá, em 3 de janeiro de 2020, quase incendiando o Oriente Médio. 

Os EUA saem do Iraque em 2011, quando o primeiro-ministro Nuri al-Maliki se nega a dar imunidade aos soldados americanos por crimes cometidos no país. Voltam em agosto de 2014, no governo Barack Obama (2009-17), para combater o Estado Islâmico depois da degola de cidadãos americanos. 

O Irã também ganha porque seu maior rival no mundo muçulmano, a Arábia Saudita, sai chamuscada. Dos 19 terroristas em ação no 11 de Setembro, 15 eram sauditas, escolhidos a dedo por Ben Laden para tentar romper a aliança EUA-Arábia Saudita. 

Documentos desclassificados recentemente publicados pelo jornal digital The Intercept sugerem que possa haver uma conexão maior dos sauditas com os atentados. Desde que a crise do petróleo de 1973 multiplicou os preços do produto, a Arábia Saudita exporta o wahabismo, sua versão ultraconservadora, reacionária, ascética, moralista e puritana do islamismo, que está na raiz do salafismo, a ideologia do fundamentalismo sunita. 

CHINA 
A China também ganhou, à medida que a Guerra contra o Terror erodiu o poderio e o prestígio dos EUA. Em 2001, a China aderiu à Organização Mundial do Comércio, dando um impulso a seu desenvolvimento econômico, com taxas de crescimento acima de 10% ao ano até a Grande Recessão de 2008. Com o impacto da pandemia, a China deve ultrapassar os EUA e se tornar a maior economia do mundo em produto interno bruto nomina em 2028, cinco anos antes do previsto. 

A intenção de Trump e do atual presidente Joe Biden era e é acabar com a Guerra contra o Terror para reorientar a defesa dos EUA para competidores e potenciais inimigos estratégicos como a China e a Rússia. 

Ao mesmo tempo, a ascensão do autoritarismo e as medidas de exceção adotadas para combater o terrorismo fortaleceram a ditadura militar chinesa no duelo ideológico com a democracia ocidental. O regime comunista chinês, que mantém 1 milhão de muçulmanos em centros de reeducação comparados a campos de concentração na região de Xinjiang, foi o primeiro a oferecer ajuda aos talebã para tentar neutralizar a ameaça jihadista. 

SOLIDARIEDADE 
No primeiro momento após os atentados, os EUA receberam a solidariedade internacional. O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou a intervenção militar no Afeganistão e os aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar criada para enfrentar a URSS na Guerra Fria, lutaram ao lado dos americanos com base no princípio de que “um ataque contra um é um ataque contra todos”. Era uma guerra legítima e legal. 

Depois de cercar a cúpula d’al Caeda na Batalha de Tora Bora, em dezembro de 2001, e deixar Ben Laden fugir para o Paquistão, o governo George W. Bush reorientou seus principais esforços na Guerra contra o Terror para invadir o Iraque em 20 de março de 2003, sem o aval do Conselho de Segurança da ONU, sob o falso pretexto de que Saddam tinha armas de destruição em massa. 

ABUSO DE PODER 
A invasão do Iraque – ilegítima porque os EUA não haviam sido agredidos pelos iraquianos, ilegal porque não teve autorização da ONU e fracassada – racha a aliança transatlântica que foi a base da ordem mundial no pós-Segunda Guerra Mundial no Ocidente e deflagra uma crise no sistema internacional que mudou o mundo. 

A ordem internacional liberal prometida no fim da Guerra Fria entra em colapso e deixa de ser inexorável. Os EUA perdem a autoridade moral como defensores da democracia liberal e minam o poder suave do país, a força do exemplo, da persuasão e da influência cultural. 

Os EUA cometem graves violações dos direitos humanos na Guerra contra o Terror. A partir de janeiro de 2002, começam a transferir prisioneiros para uma prisão instalada na base naval de Guantânamo, um enclave americano em Cuba, onde eles são submetidos a tortura, maus tratos e privações. 

Assim, os EUA lhes negavam os direitos garantidos pela lei americana e na Convenção de Genebra sobre Prisioneiros de Guerra, alegando, entre outras razões, que eram “combatentes ilegais” por não pertencerem a um exército regular, com uma cadeia de comando. 

Em 20 anos, as “comissões judiciais”, os tribunais militares de Guantânamo, só condenaram dois acusados. Dez aguardam julgamento. 

Hoje, restam 39 dos 780 prisioneiros levados para Guantânamo. Os outros foram transferidos para outros países e alguns libertados. Pelo menos 12 são acusados pelos EUA de fazer parte da cúpula d’al Caeda, inclusive Khaled Cheikh Mohammed, considerado o idealizador dos atentados de 2001. 

Regimes antiliberais como os do Egito, da Líbia, da Rússia, da Mauritânia e do Usbequistão começam a tachar seus adversários políticos como terroristas, se tornam aliados dos EUA na Guerra contra o Terror e conseguem aceitação para suas práticas autoritárias. 

Os americanos usam essas alianças para torturar suspeitos em países onde isto é permitido, até mesmo na Líbia no antes inimigo Muamar Kadafi, que entrega suas armas de destruição em massa. Outro escândalo é a revelação de imagens de tortura na prisão de Abu Ghraib, no Iraque, em 28 de abril de 2004, com prisioneiros amontoados obrigados a simular atos sexuais. 

Preso e desmoralizado na areia movediça do Iraque, os EUA não apoiam as revoltas da Primavera Árabe, a não ser na intervenção militar da OTAN na guerra civil da Líbia, sob pressão da França, que não foi seguida de um processo de país. Deixou a Líbia num estado de anarquia que continua até hoje e ajuda a desestabilizar a África Subsaariana, especialmente na região do Sahel. 

MORTE DO XEIQUE 
Talvez o melhor momento para cantar vitória e bater em retirada tenha sido na morte de Ben Laden, caçado por um comando de elite da Marinha dos EUA em Abotabade, perto da principal academia militar do Paquistão, em 2 de maio de 2011. 

Na época, o presidente Obama sai do Iraque, uma guerra que nunca apoiou, mas reforça as tropas no Afeganistão na expectativa de consolidar o regime fantoche instalado pela intervenção militar. 

Uma década depois da sua morte, Ben Laden, o Xeique, continua sendo a figura central e o maior exemplo para o movimento jihadista. Com a retirada dos EUA do Afeganistão, reabre-se o terreno para Al Caeda e outros grupos terroristas como o Estado Islâmico. 

O projeto de construir uma democracia fracassa por falta de recursos e de entender a cultura dos povos afegãos, que no interior do país confundiam os americanos com os soviéticos. Construir o Estado e a nação custa muito caro. Os EUA ajudaram a reconstruir a Europa e o Japão com o Plano Marshall depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45) porque precisavam de aliados fortes na Guerra Fria contra a URSS.

EUROPA 
Além dos EUA e da democracia liberal, perde a Europa, alvo de vários atentados terroristas de muçulmanos fanáticos, em Madri, Londres, Paris, Nice, Berlim, Bruxelas e Moscou, além de Báli, na Indonésia, onde os principais alvos era australianos. 

Na capital francesa, começou na semana passado o julgamento dos acusados pelos atentados de 13 de novembro de 2015, que mataram 130 pessoas, 10 meses depois do massacre dos jornalistas do semanário satírico Charlie Hebdo, que publicara charges do profeta Maomé. 

A Rússia inicia sua guerra contra o terror antes dos EUA, quando o então primeiro-ministro Vladimir Putin lança a Segunda Guerra da Chechênia, em agosto de 1999, para se cacifar no poder como sucessor de Boris Yeltsin. Também foi uma boa desculpa para aumentar a repressão interna. 

ÁFRICA 
Quando o califado do Estado Islâmico é derrotado na Síria e no Iraque, em 23 de março de 2019, a África passa a ser o principal foco do jihadismo, especialmente na região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara, numa faixa que vai da Mauritânia à Somália, passando pelo Mali, Burkina Fasso, Níger, Norte da Nigéria, Camarões, Chade, República Centro-Africana, Sudão e Somália, onde populações miseráveis são alvos fáceis de recrutadores d’al Caeda e do Estado Islâmica. 

Também houve ataques recentes do Estado Islâmico na rica província mineral de Cabo Delgado, no Norte de Moçambique, onde fica a maior reserva de gás natural da África e há ouro, rubis, grafite, mármore e várias madeiras valiosas. 

Países pobres, com recursos escassos, precisam de investimento internacional para desenvolver a economia e de ajuda militar para combater o terrorismo. 

No fim do governo Donald Trump (2017-21), em janeiro, os EUA retiraram as forças que combatiam o jihadismo na Somália e agora cogitam voltar, depois de realizar alguns bombardeios aéreos contra a miícia jihadista Al Chababe (A Juventude), aliada a Al Caeda. Mantêm 1,2 mil soldados na África Ocidental. 

Em junho, o presidente Emmanuel Macron anunciou a retirada de 2 mil dos 5 mil soldados que a França tem no Norte do Mali, onde intervém há oito anos para combater uma ofensiva jihadista. Mas quer que os EUA, que tem cerca de 800 soldados numa missão quase secreta no Níger, mantenha sua presença militar na região. A tríplice fronteira entre Burkina Fasso, Mali e Níger é hoje um dos lugares mais perigosos do mundo. 

ATENTADOS NOS EUA 
Nos EUA, houve 15 atentados terroristas cometidos por jihadistas depois de 11 de setembro de 2001. Os mais graves foram: 
• em 5 de novembro de 2009, o major e médico psiquiatra Nidal Hasan mata 13 soldados desarmados e fere outros 30 em Forte Hood, no Texas, no pior massacre a tiros numa base militar americana; 
• em 15 de abril de 2013, os irmãos de origem chechena Tamerlan e Dzhokhar Tsarnaev explodem duas bombas caseiras na chegada da tradicional Maratona de Boston, uma das mais antigas do mundo, matando três e aleijando outras 17 (Dzhokhar, o único sobrevivente dos irmãos, era colega da minha filha no ensino médio em Cambridge, Massachusetts); 
• em 2 de dezembro de 2015, um casal mata 14 colegas na festa de fim de ano da empresa, em São Bernardino, na Califórnia; e 
• em 12 de junho de 2016, quando Omar Mateen fuzila e mata 49 pessoas e fere outras 58 num ataque a uma discoteca gay em Orlando na Flórida. 

MILITARIZAÇÃO 
A Guerra contra o Terror criou uma sociedade sob constante vigilância do Estado sobre as telecomunicações, inclusive através das grandes empresas da Internet, como revelou o analista de sistema da Agência de Segurança Nacional Edward Snowden, em junho de 2013, ao “vazar” milhares de documentos secretos para jornalistas. 

Também houve uma militarização das polícias, equipadas blindados e outras armas de guerra para combater o terrorismo. Este aparato bélico é usado hoje para conter manifestações, por exemplo, do movimento Vidas Negras Importam, quando ativistas mais exaltados cometem atos de violência. 

Como observou nas solenidades de ontem o ex-presidente George W. Bush (2001-9), que iniciou a guerra contra o terror, a maior ameaça terrorista hoje nos EUA vem do inimigo interno, da extrema direita, como os grupos aliados de Trump que assaltaram o Congresso em 6 de janeiro, responsáveis por dois terços dos atentados. 

Em comum com os jihadistas, têm o desdém pelo pluralismo, o repúdio à diversidade, o desrespeito à vida e o ódio aos que não compartilham de suas ideologias. 

TEORIAS CONSPIRATÓRIAS 
Por fim, os atentados de 11 de setembro de 2001 geram uma onda de teorias conspiratórias, por exemplo, de que foi um “serviço interno” das agências de segurança nacional para criar um pretexto para o governo federal impor um Estado totalitário de segurança máxima e reprimir as liberdades individuais. 

Mesmo com vídeo de Ben Laden comentando os atentados e dizendo que não esperava que as torres caíssem, apenas que incendiassem a partir do ponto de impacto, há relatos falsos de explosão de bombas na base dos prédios segundos ambos do desabamento ou de que os judeus não foram trabalhar naquele dia porque sabiam do plano. 

As teorias conspiratórias viram um elemento central do debate político nos EUA, da hipótese de que Obama é muçulmano e não nasceu nos EUA, difundida por Trump, entre outros; ao suposto envolvimento do bilionário George Soros, da ex-senadora e ex-secretária de Estado Hillary Clinton e de outros líderes do Partido Democrata numa grande cabala de pedófilos; que Trump foi vítima de uma fraude maciça na eleição de 2020, o que a maioria dos republicanos acredita; que a pandemia do coronavírus é parte de uma conspiração chinesa para dominar o mundo; e que as vacinas contra a covid-19 podem alterar o código genético ou inserir um chip para controlar o cidadão. 

Outro dia, no debate sobre o uso obrigatório de máscaras nas escolas, um negacionista que é contra vacinas e medidas sanitárias alegou que as máscaras, ao esconder o rosto das crianças, facilitam a ação de sequestradores pedófilos. 

O 11 de Setembro traumatizou e radicalizou os EUA, que nunca mais reencontraram a paz interior.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Acordo de paz com Talebã no Afeganistão mais parece rendição

Os Estados Unidos e a milícia extremista muçulmana dos Talebã (Estudantes) anunciam um acordo para acabar com a Guerra do Afeganistão, a mais longa da história americana. O acordo deve ser assinado até o fim do mês, anunciou ontem a agência de notícias Bloomberg. 

Mas será mesmo a paz ou vai se repetir o que aconteceu no Vietnã, de onde os Estados Unidos saíram para ver o frágil governo que deixaram no poder no Vietnã do Sul desabar dois anos depois? 

Acabar com o que chamou de “guerras intermináveis” no Afeganistão e no Iraque foi uma das promessas de campanha do presidente Donald Trump. Ele retirou parte dos soldados americanos do Iraque e traiu as Forças Democráticas da Síria, uma milícia árabe-curda que fez o trabalho pesado da operação terrestre na guerra contra o Estado Islâmico, deixando os curdos à mercê do Exército da Turquia. 

As negociações de paz entre os Estados Unidos e os Talebã começaram no fim de 2018 e foram interrompidas várias vezes. Na última, em setembro do ano passado, por causa da morte de um soldado americano num ataque rebelde. Meu comentário:

sábado, 18 de janeiro de 2020

Talebã admitem reduzir ataques para retomar negociações com os EUA

A milícia fundamentalista muçulmana dos Talebã (Estudantes) está pronto para "reduzir" as ações militares para retomar as negociações de paz e assinar um acordo para retirada das forças internacionais lideradas pelos Estados Unidos, anunciou o principal porta-voz do grupo, Suhail Shashin, em entrevista ao jornal paquistanês Dawn.

"É uma questão de dias", afirmou o porta-voz, revelando uma autoconfiança talvez injustificada. As negociações com Washington começaram em julho de 2018 e foram interrompidas pelo governo Donald Trump em setembro de 2019 por causa das ações dos Talebã, retomadas e suspensas de novo em dezembro, depois de um ataque ao Aeródromo de Bagram, a maior base militar dos EUA no país.

Os Talebã surgiram em 1994 para combater a anarquia que tomou conta ao Afeganistão depois da retirada da União Soviética e tomaram o poder em 1996, com o apoio do Paquistão, da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos e dos EUA.

Quando extremistas muçulmanos realizaram atentados contra as embaixadas americanas em Nairóbi, no Quênia, e Dar-es-Salam, na Tanzânia, em agosto de 1998, o então presidente Bill Clinton ordenou bombardeios às bases da rede terrorista Al Caeda, acolhida pelos Talebã no Afeganistão.

Os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 foram a vingança de Ossama ben Laden e sua gangue de fanáticos. Mataram 2.996 pessoas.

Menos de um mês depois, os EUA e seus aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) invadiram o Afeganistão. Antes do fim do mês, o regime dos Talebã caiu, mas a maior parte da cúpula d'al Caeda, inclusive Ben Laden, escapou na Batalha de Tora Bora, em dezembro de 2001.

No ano seguinte, o presidente George W. Bush desviou atenção e recursos para invadir o Iraque e depor Saddam Hussein. Os Talebã se rearticularam e o frágil governo instalado pelos EUA nunca foi capaz de controlar nem metade do território do Afeganistão.

Cerca de 65 mil rebeldes, 63 mil soldados afegãos, 3.562 militares das forças internacionais, sendo 2.420 americanos, 3.937 funcionários civis contratados pelos militares e 38.480 civis foram mortos no Afeganistão.

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Líder do Estado Islâmico sonhava em criar um império do terror

Os Estados Unidos anunciaram ontem a morte do líder da organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que pretendia criar um império do terror e submeter o mundo inteiro à sua visão extremista e medieval do islamismo, onde mulheres eram escravizadas sexualmente e homossexuais executados brutalmente.

Depois de cinco meses de coleta de informações, um comando de elite de operações especiais das Forças Armadas dos Estados Unidos chegou sábado à noite de helicóptero à casa onde Abu Baker al-Baghdadi, de 48 anos, estava escondido, na província de Idlibe, no Noroeste da Síria.

De acordo com a versão do presidente Donald Trump, que assistiu à operação na sala de comando da Casa Branca, acuado, Al-Baghdadi tentou fugir, mas entrou num túnel sem saída. Encurralado por soldados e cães dos Estados Unidos, detonou explosivos que trazia junto ao corpo, suicidando-se e matando três crianças que seria seus filhos.

Ao contrário do presidente Barack Obama, que nunca revelou as imagens da operação que matou o líder da rede terrorista Al Caeda, Ossama ben Laden, em Abotabade, no Paquistão, em 2 de maio de 2011, Trump quer divulgar as cenas do ataque ao líder do Estado Islâmico para mostrar seu destino a milhares de seguidores de sua ideologia assassina: “Ele morreu como um cão, como um covarde, gritando, gemendo e chorando”, descreveu o presidente americano.

As informações decisivas para a caçada de Baghdadi seriam de um dissidente do Estado Islâmico que se aliou às Forças Democráticas Sírias, uma milícia árabe-curda que fez a operação terrestre na guerra dos Estados Unidos e aliados contra a organização terrorista, mas foi traída por Trump. Meu comentário: