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domingo, 12 de setembro de 2021

Quem ganhou e quem perdeu a Guerra contra o Terror

O colapso da ordem internacional liberal no mundo pós-Guerra Fria

Sob o céu de puríssimo azul de uma manhã de verão em Manhattan, dois aviões de passageiros transformados em mísseis guiados por pilotos suicidas da rede terrorista Al Caeda destruíram, em 11 de setembro de 2001, muito mais do que os maiores prédios de Nova York matando 2.606 pessoas, sem contar os passageiros e tripulantes dos aviões-bomba. 

Outro avião atingiu o Pentágono, sede do Departamento da Defesa, símbolo do poderio militar incontrastável dos Estados Unidos, e matou 125 pessoas. Estavam feridos o orgulho e a glória da única superpotência, que reinava soberana há uma década como única superpotência, desde o desaparecimento da União Soviética no fim da Guerra Fria, em 1991. 

Um quarto avião caiu numa zona rural da Pensilvânia, matando as 69 pessoas a bordo ao ser derrubado pelos passageiros quando ia sequestrado rumo a Washington para atingir a Casa Branca ou o Capitólio. Ao todo, foram 2.977 mortes nos atentados, excluindo os 19 terroristas.

O século 21 nasce num mundo mais autoritário, com mais restrições às liberdades individuais e o medo do terrorista suicida que se infiltra na multidão ou num avião disposto a dar a vida por sua causa, de voluntários do martírio em busca da graça divina eterna e de um lugar no paraíso para desfrutar 72 virgens. 

Junto com as Torres Gêmeas do World Trade Center, cai a ordem internacional liberal do mundo pós-Guerra Fria, que prometia uma era de paz e prosperidade, com o triunfo da democracia liberal e da economia na confrontação estratégica das superpotências que dominaram o mundo na segunda metade do século 20. Ruiu a tese do “fim da história” como confronto ideológico. 

Vinte anos, US$ 8 trilhões e 900 mil mortes depois, inclusive de 6.892 militares americanos, com a caótica retirada do Afeganistão, os Estados Unidos declaram vitória. Mas a fuga desesperada nos últimos dias de estrangeiros e afegãos aliados das forças internacionais lembra a queda de Saigon no fim da Guerra do Vietnã, em 30 de abril de 1975, ou a retirada do Líbano depois de atentados terroristas de extremistas muçulmanos em Beirute que mataram 241 fuzileiros navais americanos e 58 soldados franceses, em 23 de outubro de 1983, ou da Somália depois de mortes de 18 americanos na Batalha de Mogadíscio, em 3 a 4 de outubro de 1993. Três derrotas humilhantes. 

QUEM GANHOU? 
Quem venceu então a Guerra contra o Terror? O nome em si é um equívoco. O terrorismo é uma tática de guerra, não é um inimigo em si. O inimigo, no caso, é o jihadismo (de jihad = guerra santa), o terrorismo dos extremistas islâmicos que pregam a luta armada para converter ou matar os infiéis: “A bolsa, a vida ou o Corão.” 

No passado, na expansão do islamismo pela Europa, dava para comprar lealdade, o que aconteceu com os muçulmanos da Bósnia, que pagavam menos impostos ao Império Otomano se aderissem ao islamismo. Isso praticamente sumiu na Guerra contra o Terror. 

O jihadismo é de certa forma um populismo político. Pesca no mar do Corão, o livro sagrado dos muçulmanos, elementos para criar e justificar sua ideologia sanguinária. É uma ideologia e uma guerra ideológica é uma batalha de ideias. Não pode ser vencida com armas. 

Antes de mais nada, é uma guerra civil dentro do Islã sobre qual é a verdadeira interpretação do Corão. Tem uma base religiosa. Sonha em recriar o mundo à imagem da Arábia no século 7, no tempo do profeta Maomé. Ao mesmo tempo, usa os recursos tecnológicos do século 21. Criou um califado digital que divulga atrocidades e recruta voluntários para o martírio. Na verdade, é um movimento político extremista surgido em lugares onde não há liberdade política, então os militantes se reúnem nas mesquitas.

Inicialmente a vitória foi dos terroristas, que na visão de seu líder, Ossama ben Laden, romperam a aura de invencibilidade dos EUA ao mostrar capacidade de atacar os centros do poder econômico, político e militar da superpotência, ao levar as guerras do Oriente Médio para dentro do território americano e a qualquer lugar do planeta, numa globalização do terrorismo. 

PAQUISTÃO 
No Afeganistão, a grande vitória foi do Paquistão. O serviço secreto militar paquistanês apoia a Milícia dos Talebã (Estudantes) desde um mês depois de sua fundação, em setembro de 1996, quando o Afeganistão vivia um período de anarquia depois da retirada da União Soviética, em 1989. 
 
O ministro do Exterior paquistanês foi a Cabul pacificar as diferentes correntes dos talebã, se encontrou com as lideranças da milícia fundamentalista sunita e com o novo ministro do Interior afegão, Sirajuddin Hakkani, que está na lista de terroristas procurados pelos EUA. Ele é filho de Jalaluddin Hakkani, que foi recebido pelo presidente Ronald Reagan na Casa Branca quando lutava conta a invasão soviética (1979-89), embora haja quem diga que esse encontro nunca ocorreu. 

Antes de se tornar chefe de governo do Paquistão, o atual primeiro-ministro, Imran Khan, admitiu que a Rede Hakkani é o braço do Exército do Paquistão na guerra civil afegã. O ministro do Interior do Afeganistão tem boas relações com a rede Al Caeda. 

Está recriado o ambiente onde floresceram os terroristas que atacaram o World Trade Center. O atentado contra o aeroporto de Cabul em que morreram 13 militares americanos e 170 civis afegãos, em 26 e agosto, cometido pelo Estado Islâmico do Coração (Khorasan) mostra que os talebã dificilmente terão controle absoluto sobre o território afegão, que pode servir da base para ataques aos países vizinhos, aos EUA e aliados, à China, à Rússia ou à Europa. 

Como 43% do produto interno bruto do Afeganistão vêm de ajuda externa, os talebã precisam de reconhecimento, ajuda e financiamento internacionais, um forte estímulo para a moderação. Mas a ideologia não mudou, voltaram as restrições às mulheres, jornalistas foram espancados ao cobrir manifestações de protesto e os primeiros milicianos do grupo ouvidos por jornalistas estrangeiros nas ruas de Cabul enquanto festejavam a vitória foram claros: “A guerra santa continua até converter todos os infiéis no mundo inteiro.” 

IRà
Na Guerra do Iraque para derrubar o ditador Saddam Hussein, que nada teve a ver com os atentados de 11 de setembro, o grande vencedor foi o Irã. Há hoje um arco muçulmano xiita que vai do Irã ao Mar Mediterrâneo passando pelo Iêmen, o Irã o Iraque, a Síria e o Líbano. 

Ao fim da Primeira Guerra Mundial (1914-18), a aliança vencedora (EUA, França e Reino Unido) prometeu aos curdos, maior povo do mundo sem um Estado Nacional, fundar o Curdistão. 

O subsecretário de Estado para o Oriente Médio do Império Britânico, Winston Churchill, quebrou a promessa. Criou o Iraque artificialmente, juntando a província curda de Kirkuk, rica em petróleo, às províncias de Bagdá e Bássora do Império Otomano (turco), vencido e dissolvido. 

Churchill queria um Iraque suficientemente poderoso para conter o Irã. Depois da vitória da Revolução Islâmica liderada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini, em 1979, os EUA, a URSS, a Europa e os países árabes apoiaram Saddam Hussein na Guerra Irã-Iraque na expectativa de acabar com a revolução iraniana. Sem sucesso, com um enormes perdas para os dois lados e pelo menos 500 mil mortes. A guerra terminou num impasse, mas ajudou a conter a exportação da revolução islâmica. 

Ao invadir o Iraque, depor Saddam e tentar impor um regime democrático, em 2003, os EUA entregaram o poder à maioria xiita depois de séculos de dominação sunita. A revolta sunita e a infiltração d’al Caeda forjaram o Estado Islâmico, um novo inimigo para o Ocidente e para os regimes do Oriente Médio. E os xiitas têm uma afinidade com o Irã, que controla várias milícias no país e mais de 60 no Oriente Médio. 

Isso leva o governo Trump a matar o principal general iraniano, Kassem Soleimani, comandante do braço da Guarda Revolucionária do Irã para ações no exterior, num ataque de mísseis ao aeroporto de Bagdá, em 3 de janeiro de 2020, quase incendiando o Oriente Médio. 

Os EUA saem do Iraque em 2011, quando o primeiro-ministro Nuri al-Maliki se nega a dar imunidade aos soldados americanos por crimes cometidos no país. Voltam em agosto de 2014, no governo Barack Obama (2009-17), para combater o Estado Islâmico depois da degola de cidadãos americanos. 

O Irã também ganha porque seu maior rival no mundo muçulmano, a Arábia Saudita, sai chamuscada. Dos 19 terroristas em ação no 11 de Setembro, 15 eram sauditas, escolhidos a dedo por Ben Laden para tentar romper a aliança EUA-Arábia Saudita. 

Documentos desclassificados recentemente publicados pelo jornal digital The Intercept sugerem que possa haver uma conexão maior dos sauditas com os atentados. Desde que a crise do petróleo de 1973 multiplicou os preços do produto, a Arábia Saudita exporta o wahabismo, sua versão ultraconservadora, reacionária, ascética, moralista e puritana do islamismo, que está na raiz do salafismo, a ideologia do fundamentalismo sunita. 

CHINA 
A China também ganhou, à medida que a Guerra contra o Terror erodiu o poderio e o prestígio dos EUA. Em 2001, a China aderiu à Organização Mundial do Comércio, dando um impulso a seu desenvolvimento econômico, com taxas de crescimento acima de 10% ao ano até a Grande Recessão de 2008. Com o impacto da pandemia, a China deve ultrapassar os EUA e se tornar a maior economia do mundo em produto interno bruto nomina em 2028, cinco anos antes do previsto. 

A intenção de Trump e do atual presidente Joe Biden era e é acabar com a Guerra contra o Terror para reorientar a defesa dos EUA para competidores e potenciais inimigos estratégicos como a China e a Rússia. 

Ao mesmo tempo, a ascensão do autoritarismo e as medidas de exceção adotadas para combater o terrorismo fortaleceram a ditadura militar chinesa no duelo ideológico com a democracia ocidental. O regime comunista chinês, que mantém 1 milhão de muçulmanos em centros de reeducação comparados a campos de concentração na região de Xinjiang, foi o primeiro a oferecer ajuda aos talebã para tentar neutralizar a ameaça jihadista. 

SOLIDARIEDADE 
No primeiro momento após os atentados, os EUA receberam a solidariedade internacional. O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou a intervenção militar no Afeganistão e os aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar criada para enfrentar a URSS na Guerra Fria, lutaram ao lado dos americanos com base no princípio de que “um ataque contra um é um ataque contra todos”. Era uma guerra legítima e legal. 

Depois de cercar a cúpula d’al Caeda na Batalha de Tora Bora, em dezembro de 2001, e deixar Ben Laden fugir para o Paquistão, o governo George W. Bush reorientou seus principais esforços na Guerra contra o Terror para invadir o Iraque em 20 de março de 2003, sem o aval do Conselho de Segurança da ONU, sob o falso pretexto de que Saddam tinha armas de destruição em massa. 

ABUSO DE PODER 
A invasão do Iraque – ilegítima porque os EUA não haviam sido agredidos pelos iraquianos, ilegal porque não teve autorização da ONU e fracassada – racha a aliança transatlântica que foi a base da ordem mundial no pós-Segunda Guerra Mundial no Ocidente e deflagra uma crise no sistema internacional que mudou o mundo. 

A ordem internacional liberal prometida no fim da Guerra Fria entra em colapso e deixa de ser inexorável. Os EUA perdem a autoridade moral como defensores da democracia liberal e minam o poder suave do país, a força do exemplo, da persuasão e da influência cultural. 

Os EUA cometem graves violações dos direitos humanos na Guerra contra o Terror. A partir de janeiro de 2002, começam a transferir prisioneiros para uma prisão instalada na base naval de Guantânamo, um enclave americano em Cuba, onde eles são submetidos a tortura, maus tratos e privações. 

Assim, os EUA lhes negavam os direitos garantidos pela lei americana e na Convenção de Genebra sobre Prisioneiros de Guerra, alegando, entre outras razões, que eram “combatentes ilegais” por não pertencerem a um exército regular, com uma cadeia de comando. 

Em 20 anos, as “comissões judiciais”, os tribunais militares de Guantânamo, só condenaram dois acusados. Dez aguardam julgamento. 

Hoje, restam 39 dos 780 prisioneiros levados para Guantânamo. Os outros foram transferidos para outros países e alguns libertados. Pelo menos 12 são acusados pelos EUA de fazer parte da cúpula d’al Caeda, inclusive Khaled Cheikh Mohammed, considerado o idealizador dos atentados de 2001. 

Regimes antiliberais como os do Egito, da Líbia, da Rússia, da Mauritânia e do Usbequistão começam a tachar seus adversários políticos como terroristas, se tornam aliados dos EUA na Guerra contra o Terror e conseguem aceitação para suas práticas autoritárias. 

Os americanos usam essas alianças para torturar suspeitos em países onde isto é permitido, até mesmo na Líbia no antes inimigo Muamar Kadafi, que entrega suas armas de destruição em massa. Outro escândalo é a revelação de imagens de tortura na prisão de Abu Ghraib, no Iraque, em 28 de abril de 2004, com prisioneiros amontoados obrigados a simular atos sexuais. 

Preso e desmoralizado na areia movediça do Iraque, os EUA não apoiam as revoltas da Primavera Árabe, a não ser na intervenção militar da OTAN na guerra civil da Líbia, sob pressão da França, que não foi seguida de um processo de país. Deixou a Líbia num estado de anarquia que continua até hoje e ajuda a desestabilizar a África Subsaariana, especialmente na região do Sahel. 

MORTE DO XEIQUE 
Talvez o melhor momento para cantar vitória e bater em retirada tenha sido na morte de Ben Laden, caçado por um comando de elite da Marinha dos EUA em Abotabade, perto da principal academia militar do Paquistão, em 2 de maio de 2011. 

Na época, o presidente Obama sai do Iraque, uma guerra que nunca apoiou, mas reforça as tropas no Afeganistão na expectativa de consolidar o regime fantoche instalado pela intervenção militar. 

Uma década depois da sua morte, Ben Laden, o Xeique, continua sendo a figura central e o maior exemplo para o movimento jihadista. Com a retirada dos EUA do Afeganistão, reabre-se o terreno para Al Caeda e outros grupos terroristas como o Estado Islâmico. 

O projeto de construir uma democracia fracassa por falta de recursos e de entender a cultura dos povos afegãos, que no interior do país confundiam os americanos com os soviéticos. Construir o Estado e a nação custa muito caro. Os EUA ajudaram a reconstruir a Europa e o Japão com o Plano Marshall depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45) porque precisavam de aliados fortes na Guerra Fria contra a URSS.

EUROPA 
Além dos EUA e da democracia liberal, perde a Europa, alvo de vários atentados terroristas de muçulmanos fanáticos, em Madri, Londres, Paris, Nice, Berlim, Bruxelas e Moscou, além de Báli, na Indonésia, onde os principais alvos era australianos. 

Na capital francesa, começou na semana passado o julgamento dos acusados pelos atentados de 13 de novembro de 2015, que mataram 130 pessoas, 10 meses depois do massacre dos jornalistas do semanário satírico Charlie Hebdo, que publicara charges do profeta Maomé. 

A Rússia inicia sua guerra contra o terror antes dos EUA, quando o então primeiro-ministro Vladimir Putin lança a Segunda Guerra da Chechênia, em agosto de 1999, para se cacifar no poder como sucessor de Boris Yeltsin. Também foi uma boa desculpa para aumentar a repressão interna. 

ÁFRICA 
Quando o califado do Estado Islâmico é derrotado na Síria e no Iraque, em 23 de março de 2019, a África passa a ser o principal foco do jihadismo, especialmente na região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara, numa faixa que vai da Mauritânia à Somália, passando pelo Mali, Burkina Fasso, Níger, Norte da Nigéria, Camarões, Chade, República Centro-Africana, Sudão e Somália, onde populações miseráveis são alvos fáceis de recrutadores d’al Caeda e do Estado Islâmica. 

Também houve ataques recentes do Estado Islâmico na rica província mineral de Cabo Delgado, no Norte de Moçambique, onde fica a maior reserva de gás natural da África e há ouro, rubis, grafite, mármore e várias madeiras valiosas. 

Países pobres, com recursos escassos, precisam de investimento internacional para desenvolver a economia e de ajuda militar para combater o terrorismo. 

No fim do governo Donald Trump (2017-21), em janeiro, os EUA retiraram as forças que combatiam o jihadismo na Somália e agora cogitam voltar, depois de realizar alguns bombardeios aéreos contra a miícia jihadista Al Chababe (A Juventude), aliada a Al Caeda. Mantêm 1,2 mil soldados na África Ocidental. 

Em junho, o presidente Emmanuel Macron anunciou a retirada de 2 mil dos 5 mil soldados que a França tem no Norte do Mali, onde intervém há oito anos para combater uma ofensiva jihadista. Mas quer que os EUA, que tem cerca de 800 soldados numa missão quase secreta no Níger, mantenha sua presença militar na região. A tríplice fronteira entre Burkina Fasso, Mali e Níger é hoje um dos lugares mais perigosos do mundo. 

ATENTADOS NOS EUA 
Nos EUA, houve 15 atentados terroristas cometidos por jihadistas depois de 11 de setembro de 2001. Os mais graves foram: 
• em 5 de novembro de 2009, o major e médico psiquiatra Nidal Hasan mata 13 soldados desarmados e fere outros 30 em Forte Hood, no Texas, no pior massacre a tiros numa base militar americana; 
• em 15 de abril de 2013, os irmãos de origem chechena Tamerlan e Dzhokhar Tsarnaev explodem duas bombas caseiras na chegada da tradicional Maratona de Boston, uma das mais antigas do mundo, matando três e aleijando outras 17 (Dzhokhar, o único sobrevivente dos irmãos, era colega da minha filha no ensino médio em Cambridge, Massachusetts); 
• em 2 de dezembro de 2015, um casal mata 14 colegas na festa de fim de ano da empresa, em São Bernardino, na Califórnia; e 
• em 12 de junho de 2016, quando Omar Mateen fuzila e mata 49 pessoas e fere outras 58 num ataque a uma discoteca gay em Orlando na Flórida. 

MILITARIZAÇÃO 
A Guerra contra o Terror criou uma sociedade sob constante vigilância do Estado sobre as telecomunicações, inclusive através das grandes empresas da Internet, como revelou o analista de sistema da Agência de Segurança Nacional Edward Snowden, em junho de 2013, ao “vazar” milhares de documentos secretos para jornalistas. 

Também houve uma militarização das polícias, equipadas blindados e outras armas de guerra para combater o terrorismo. Este aparato bélico é usado hoje para conter manifestações, por exemplo, do movimento Vidas Negras Importam, quando ativistas mais exaltados cometem atos de violência. 

Como observou nas solenidades de ontem o ex-presidente George W. Bush (2001-9), que iniciou a guerra contra o terror, a maior ameaça terrorista hoje nos EUA vem do inimigo interno, da extrema direita, como os grupos aliados de Trump que assaltaram o Congresso em 6 de janeiro, responsáveis por dois terços dos atentados. 

Em comum com os jihadistas, têm o desdém pelo pluralismo, o repúdio à diversidade, o desrespeito à vida e o ódio aos que não compartilham de suas ideologias. 

TEORIAS CONSPIRATÓRIAS 
Por fim, os atentados de 11 de setembro de 2001 geram uma onda de teorias conspiratórias, por exemplo, de que foi um “serviço interno” das agências de segurança nacional para criar um pretexto para o governo federal impor um Estado totalitário de segurança máxima e reprimir as liberdades individuais. 

Mesmo com vídeo de Ben Laden comentando os atentados e dizendo que não esperava que as torres caíssem, apenas que incendiassem a partir do ponto de impacto, há relatos falsos de explosão de bombas na base dos prédios segundos ambos do desabamento ou de que os judeus não foram trabalhar naquele dia porque sabiam do plano. 

As teorias conspiratórias viram um elemento central do debate político nos EUA, da hipótese de que Obama é muçulmano e não nasceu nos EUA, difundida por Trump, entre outros; ao suposto envolvimento do bilionário George Soros, da ex-senadora e ex-secretária de Estado Hillary Clinton e de outros líderes do Partido Democrata numa grande cabala de pedófilos; que Trump foi vítima de uma fraude maciça na eleição de 2020, o que a maioria dos republicanos acredita; que a pandemia do coronavírus é parte de uma conspiração chinesa para dominar o mundo; e que as vacinas contra a covid-19 podem alterar o código genético ou inserir um chip para controlar o cidadão. 

Outro dia, no debate sobre o uso obrigatório de máscaras nas escolas, um negacionista que é contra vacinas e medidas sanitárias alegou que as máscaras, ao esconder o rosto das crianças, facilitam a ação de sequestradores pedófilos. 

O 11 de Setembro traumatizou e radicalizou os EUA, que nunca mais reencontraram a paz interior.

domingo, 7 de dezembro de 2014

EUA entregam seis presos em Guantânamo ao Uruguai

Num acordo negociado pelo presidente José Mujica, os Estados Unidos entregaram ao Uruguai seis prisioneiros da guerra contra o terrorismo detidos no centro de detenção ilegal de Guantânamo, um enclave americano em Cuba, confirmou hoje em Washington o Departamento da Defesa.

O grupo é formado por quatro sírios, um palestino e um tunisiano. Eles estavam presos há mais de dez anos sem culpa formada. Foi a maior transferência de presos de Guantânamo desde 2009.

A base militar de Guantânamo, ocupada pelos EUA desde a Guerra da Independência de Cuba, em 1899, foi usada pelo presidente George Walker Bush (2001-9) para criar um limbo jurídico e negar aos presos na luta contra o terrorismo os direitos garantidos pela Convenção de Genebra sobre Prisioneiros de Guerra.

Aluns presos, como os acusados pelos atentados de 11 de setembro, foram submetidos a tribunais militares, mas a promessa de campanha de Barack Obama de fechar a prisão ilegal em um ano nunca foi cumprida. No único processo aberto nos EUA contra um preso de Guantânamo, um jovem africano acusado de comprar material para os atentados contra as embaixadas americanas no Quênia e na Tanzânia, em 1998, o juiz desconsiderou 384 provas obtidas ilegalmente à luz da lei nos EUA.

Depois da longa tortura nos trópicos, vários presos de Guantânamo aderiram a grupos extremistas muçulmanos. Assim, Obama nunca teve força política para fechar o centro de detenção. Nem terá com o Congresso dominado pelo Partido Republicano.

A maioria do eleitorado uruguaio é contra receber os presos.

sábado, 31 de maio de 2014

Talebã libertam único prisioneiro de guerra dos EUA no Afeganistão

A milícia fundamentalista dos Talebã (Estudantes) libertou hoje o sargento Bowe Bergdahl, das forças de operações especiais do Exército dos Estados Unidos, capturado há cinco anos perto de sua base no Afeganistão.

Em troca, exigiu a soltura de cinco talebã presos no centro de detenção instalado na base naval de Guantânamo, um enclave americano em Cuba.

A Guerra do Afeganistão já é a mais longa da história dos EUA, com 2.178. Começou em 7 de outubro de 2011, em resposta aos atentados de 11 de setembro daquele ano, cometidos pela rede terrorista Al Caeda. Desde então, pelo menos 2.212 militares americanos morreram no Afeganistão.

Uma das promessas de campanha do presidente Barack Obama era acabar com as guerras do Iraque e do Afeganistão. Depois da retirada total do Iraque, ele anunciou nessa semana que os americanos param de entrar em combate neste fim de ano.

Em 2015, ficarão cerca de 9,8 mil militares americanos no país para treinar as forças de segurança afegãs e realizar operações especiais antiterrorismo. No fim de 2016, só ficam os soldados necessários para proteger a Embaixada dos EUA em Cabul.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

EUA ainda mantêm 158 presos em Guantânamo

Com a repatriação na segunda-feira de dois sauditas presos sem julgamento há um ano e de dois sudaneses prevista para hoje, o número de presos na base naval de Guantânamo, um enclave americano em Cuba, caiu para 158.

O fechamento do centro de detenção ilegal de Guantânamo, criado em 2002 pelo governo George W. Bush para negar aos suspeitos de terrorismo os direitos garantidos pela Convenção de Genebra sobre Prisioneiros de Guerra, foi uma promessa da primeira campanha presidencial de Barack Obama.

No primeiro dia de seu governo, Obama baixou um decreto para iniciar procedimentos visando levar os detidos para julgamento nos EUA ou seus países de origem e acabar. Mas, no único caso semelhante julgado por um tribunal civil americano, o juiz rejeitou 384 provas obtidas ilegalmente sob coação e tortura.

Sob pressão dos republicanos, temendo a absolvição de terroristas perigosos, Obama manteve o centro de detenção. Pode desidratá-lo pouco a pouco, mas não há sinais de um plano para fechá-lo definitivamente.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Presos em greve de fome em Guantânamo já são 24

Os Estados Unidos admitiram ontem que 24 dos 166 suspeitos de terrorismo presos ilegalmente na base naval de Guantânamo, um enclave americano em Cuba, estão em greve de fome. Oito perderam tanto peso por deixar de comer que foram acorrentados a cadeiras e estão sendo alimentados à força com soro duas vezes por dia. Dois estão internados no hospital militar da base para reidratação.

A base de Guantânamo foi transformada num centro de detenção para presos na guerra contra o terrorismo declarada pelo então presidente George W. Bush depois dos atentados de 11 de setembro de 2001. Em fevereiro de 2002, o governo americano começou a transferência de presos para lá.

Durante a campanha eleitoral de 2008, o atual presidente Barack Obama prometeu fechar a prisão de Guantânamo e levar os presos remanescentes para julgamento em território dos EUA. Mas, no único processo, o juiz rejeitou as provas alegando terem sido obtidas ilegalmente através de práticas como a tortura.

Com o protesto generalizado dos conservadores que alegam que vários ex-detentos viraram ou voltaram a ser terroristas, o governo Obama recuou. Guantânamo continua um problema insolúvel, o que levou à greve de fome.

O Pentágono (Departamento da Defesa) considera em greve de fome presos que recusaram as últimas nove refeições e não comeram lanches nesse período, explica o jornal americano The Miami Herald.

sábado, 5 de maio de 2012

Idealizadores do 11 de setembro tumultuam audiência

O terrorista que teria convencido Ossama ben Laden a usar aviões como mísseis, Khaled Cheikh Mohammed, e outros quatro acusados de planejar os atentados de 11 de setembro 2001 se negaram hoje a responder às perguntas do juiz num tribunal militar de exceção instalado pelos Estados Unidos na base naval de Guantânamo, em Cuba.

Enquanto o juiz falava, Mohammed cofiou a longa barba, agora tingida de Henna, e ignorou totalmente as  perguntas se entendia o que estava se passando e se aceitava ser representado por seus advogados, reportou o jornal The New York Times.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Talebã suspendem negociações com os EUA

A milícia fundamentalista dos Talebã (Estudantes) suspendeu o diálogo com os Estados Unidos, e o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, pediu a retirada dos soldados americanos das cidades e vilas do país. Eles ficariam confinados nos quartéis no momento em que começa a ofensiva de primavera dos extremistas muçulmanos.

Os Talebã alegam que os EUA não cumpriram compromissos como libertar seus militantes presos no centro de detenção instalado na base naval de Guantânamo, um enclave americano em Cuba.

Para o jornal americano The Washington Post, não está claro se a morte de 16 civis inocentes no último fim de semana por um sargento dos EUA e a queima de cópias do Corão, o livro sagrado dos muçulmanos, em bases militares americanas pesaram na decisão dos rebeldes.

Ontem, houve uma tentativa de atentado frustrada contra o secretário da Defesa dos EUA, Leon Panetta. Ele caminhava na pista de pouso de uma uma base militar britânica, quando um carro roubado explodiu em chamas a apenas 75 metros de distância, informa o jornal inglês The Independent.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Ex-prisioneiro revela pesadelo de Guantânamo

Há dez anos, Moazzam Begg foi sequestrado em casa no Paquistão por agentes secretos americanos e paquistaneses e levado para a base naval de Guantânamo, um enclave dos Estados Unidos em Cuba onde o governo George W. Bush instalou um centro de detenção ilegal para negar aos presos na sua "guerra contra o terror" os direitos garantidos pela Convenção de Genebra sobre Prisioneiros de Guerra.

Em 31 de janeiro de 2002, a polícia invadiu sua casa. Begg foi preso diante da família. Antes de chegar a Cuba, passou por várias prisões clandestinas e militares, inclusive em Kandahar e na base de Bagram, no Afeganistão.

"Você agora é propriedade dos Estados Unidos e não tem direitos", anunciou o carcereiro de Guantânamo. Dez anos depois, nada mudou.

Durante a campanha eleitoral, o presidente Barack Obama prometeu fechar o centro de detenção. Em seu primeiro dia de governo, assinou uma ordem autorizando isso. Mas, no único caso julgado até agora de um suspeito de terrorismo na Justiça civil dos EUA, o juiz rejeitou 384 acusações porque as provas teriam sido obtidas por métodos ilegais, inclusive tortura.

"Depois de três anos de uma saga que incluiu ser espancado e chutado, despido à força, depilado, violado, cuspido; de suportar abusos raciais e religiosos, preso incomunicável numa cela menor do que o banheiro de uma casa comum; de ser submetido a mais de 300 interrogatórios - algumas vezes com os pulsos algemados nas costas por baixo dos joelhos; de ver o Corão ser profanado; de ser ameaçado de tortura no Egito ou na Síria; de ser submetido ao barulho de gritos que me disseram ser da minha família e de ver dois prisioneiros serem espancados até a morte, fui finalmente devolvido ao Reino Unido e à minha família - que tinha um novo membro, meu filho de três anos, que eu nunca tinha visto", conta ele no sítio da televisão árabe Al Jazira.

Moazzam Begg é hoje porta-voz da organização humanitária Cageprisioners. Nunca foi denunciado formalmente por nenhum crime.

domingo, 24 de abril de 2011

Al Caeda se concentrava em Caráchi em 11 de setembro

Quando a rede terrorista Al Caeda atacou Nova York e o Departamento da Defesa dos Estados Unidos, em 11 de setembro de 2001, sua liderança estava concentrada em Caráchi, a maior cidade do Paquistão, revelam novos documentos sigilosos americanos divulgados pela organização não governamental WikiLeaks e publicados pelo jornal The Washington Post.

O responsável pelo ataque contra o navio americano USS Cole, em 2000, no Iêmen, se recuperava num hospital da cidade depois de uma operação no joelho.

Um dos articuladores do atentado de 12 de outubro de 2002 em Báli, na Indonésia, comprava equipamento de laboratório para produzir armas biológicas.

E Khaled Cheikh Mohamed, o suposto idealizador dos ataques terroristas contra os EUA, assistia ao colapso das Torres Gêmeas do World Trade Center comodamente instalado numa das casas do grupo.

Os documentos analisam a periculosidade dos 779 presos na guerra contra o terrorismo que passaram pelo centro de detenção instalado na base naval americana de Guantânamo, em Cuba, no início de 2002.


Pelo menos 150 eram totalmente inocentes, 30 sofriam de problemas mentais e oito deram depoimentos incriminando 255 detentos.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Obama autoriza julgamentos em Guantânamo

Depois de dois anos, o presidente Barack Obama quebrou uma promessa de sua campanha à Presidência dos Estados Unidos e voltou a autorizar os julgamentos militares de suspeitos de terrorismo no centro de detenção instalado na base naval de Guantânamo, um enclave americano em Cuba.

A prisão foi criada em fevereiro de 2002 para os presos na guerra do governo George W. Bush contra os fundamentalistas muçulmanos, desencadeada pelos atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA.

É uma espécie de limbo jurídico. Foi usada por Bush para negar aos suspeitos de terrorismo os direitos dos prisioneiros de guerra garantidos pela Convenção de Genebra, sob o argumento de que não pertenciam a exércitos regulares nem obedeciam a uma cadeia de comando.

Durante a campanha de 2008, Obama prometeu fechar a prisão de Guantânamo em um ano. Os presos remanescentes seriam repatriados ou julgados nos EUA. 

Mas, no primeiro processo em Nova York, de um jovem africano que teria participado dos atentados contra as embaixadas americanas no Quênia e na Tanzânia em 1998, o juiz desconsiderou 384 das 385 acusações porque as provas eram viciadas, obtidas mediante coação, tortura e prisões ilegais.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Casa Branca insiste que vai fechar Guantânamo

O governo Barack Obama reafirmou hoje o compromisso de fechar o centro de detenção instalado na base naval de Guantânamo, um enclave americano em Cuba, e de levar seus presos a julgamento na Justiça civil dos Estados Unidos.

A absolvição de Ahmed Ghailani, acusado pelos atentados que mataram 226 pessoas embaixadas dos EUA no Quênia e na Tanzânia, em 284 das 285 acusações, inclusive de assassinato e de conspiração para matar, complicou a situação. Foi o primeiro preso de Guantânamo julgado em território americano. A Justiça se negou a aceitar provas obtidas mediante tortura.

"Estou com nojo por causa de uma decisão judicial totalmente injusta num tribunal federal da Nova York", declarou na Câmara o deputado republicano Peter King, membro da Comissão de Segurança Interna. "Este veredito trágico demonstra a total insanidade da decisão do governo Obama de julgar terrorista da rede Al Caeda na Justiça comum."

A prisão de Guantânamo foi a saída encontrada pelo governo George W. Bush para deter indefinidamente os presos na sua guerra contra o terrorismo sem lhes dar os direitos garantidos pela Convenção de Genebra sobre Prisioneiros de Guerra. É uma aberração jurídica. Na campanha, Obama prometeu acabar com isso.

O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, alegou que Ghailani pode pegar 20 anos de cadeia. Mas a oposição republicana, que recuperou a maioria na Câmara nas eleições de 2 de novembro de 2010, que impedir o presidente de fechar a prisão de Guantânamo e levar os presos para os EUA.

Diante do fracasso do processo contra Ghailani, fica difícil julgar em Nova York o principal acusado de planejar os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, Khaled Cheikh Mohammed, que confessou seus crimes depois de ser submetido a simulações de afogamento, como o próprio ex-presidente George W. Bush admite em suas memórias.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Reino Unido indeniza torturados de Guantânamo

Reino Unido vai indenizar com até milhões de libras 16 presos na base naval dos Estados Unidos em Guantânamo, na ilha de Cuba, que denunciaram ter sido torturados por agentes britânicos.

O objetivo é evitar processos judiciais capazes de desvendar segredos do serviço secreto britânico.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Juiz atrapalha plano de Obama para Guantânamo

No primeiro julgamento de um preso em Guantânamo pela Justiça civil dos Estados Unidos, um juiz vetou a principal testemunha de acusação, complicando a estratégia do presidente Barack Obama de fechar a prisão instalada na base militar em Cubae realizar os julgamentos em território americano, uma de suas promessas de campanha.

O réu é o tanzaniano Ahmed Ghailani, acusado de envolvimento nos atentados contra as embaixadas dos EUA em Dar-es-Salam, na Tanzânia, e Nairóbi, no Quênia, em agosto de 1998, quando 224 pessoas morreram. A testemunha é Hussein Abebe, que teria vendido os explosivos para o ataque na Tanzânia.

Mas o juiz Lewis Kaplan vetou a testemunha, alegando que seu nome foi revelado quando Ghailani estava sob "coação" de agentes da CIA, o serviço de espionagem dos EUA.

Para o advogado de defesa, o juiz entende que a Constituição é a pedra fundamental da nação americana: "O julgamento será feito com base nas provas colhidas legalmente, sem coação nem tortura".

A base naval de Guantânamo, um enclave americano em Cuba, foi usada pelo então presidente George W. Bush como centro de detenção para presos na sua guerra contra os grupos terroristas muçulmanos para lhes negar os direitos garantidos pela Convenção de Genebra sobre Prisioneiros de Guerra.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Obama admite não fechar Guantânamo em janeiro

O presidente Barack Obama admitiu hoje que não vai cumprir a promessa de fechar, no primeiro ano de governo, o centro de detenção instalado na base naval de Guantânamo, um enclave dos Estados Unidos em Cuba.

Durante o governo George W. Bush, suspeitos presos na "guerra contra o terrorismo" foram levados para Guantânamo para terem negados os direitos garantidos pela Convenção de Genebra sobre Prisioneiros de Guerra.

Na campanha eleitoral, Obama prometeu acabar com essa aberração jurídica. Mesmo depois que os principais acusados pelos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 foram levados para julgamento em Nova York, como anunciou na semana passada o ministro da Justiça, Eric Holder, restarão mais de 200 presos no limbo jurídico, uma das tantas heranças malditas de George W.

Por falta de tempo para resolver tantos processos mal iniciados, alega o governo Obama, só será possível fechar a prisão de Guantânamo no fim de 2010.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Acusados pelo 11/9 serão julgados em Nova York

O principal acusado da planejar os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, Khaled Cheikh Mohammed, e outros quatro suspeitos da rede terrorista Al Caeda serão julgados por um tribunal civil de Nova York, o primeiro alvo de suas ações, informou hoje o ministro da Justiça e procurador-geral dos Estados Unidos, Eric Holder, que vai pedir pena de morte para todos.

A decisão é fundamental para que o presidente Barack Obama cumpra a promessa de fechar em um ano a partir da posse o centro de detenção instalado na base naval de Guantânamo, um enclave americano em Cuba.

Houve protestos tanto da oposição republicana quanto dos parentes dos cerca de 3 mil mortos nos atentados. Eles alegam que foi um ato de guerra e que um julgamento civil pode acabar revelando segredos capazes de comprometer a segurança nacional dos EUA.

Durante o governo George W. Bush, organizações de defesa dos direitos humanos repudiaram a prisão de Guantânamo, usada para deixar os suspeitos de terrorismo num limbo legal. Desta forma, negou-lhes os direitos previstos na Convenção de Genebra sobre Prisioneiros de Guerra sob o pretexto de que eram combatentes ilegais civis, não pertenciam a um exército regular nem obedeciam a uma cadeia de comando.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Primeiro preso de Guantânamo vai para os EUA

O primeiro preso sob acusação de terrorismo na base naval americana de Guantânamo, em Cuba, foi levado hoje para julgamento nos Estados Unidos. Na primeira audiência num tribunal federal da Nova York, ele se declarou inocente.

Ahmed Khalfan Ghailani é tanzaniano. Foi denunciado pelos atentados a bomba contra as embaixadas dos EUA no Quênia e na Tanzânia, que mataram 224 pessoas em 7 de agosto de 1998.

Ghailani enfrenta 286 acusações de conspirar com Ossama bin Laden e outros membros da rede terrorista Al Caeda, além de acusações separadas para cada uma das 224 mortes. Ele estava preso há três anos no centro de detenção de Guantânamo.

O governo George W. Bush criou a prisão no início de 2002 para negar aos suspeitos detidos na luta contra o terrorismo os direitos garantidos pela Convenção de Genebra sobre Prisioneiros de Guerra.

Desde a campanha eleitoral, o presidente Barack Obama prometeu fechar a prisão de Guantânamo. No primeiro dia de governo, ordenou que isso seja feito em um ano. Mas integrantes do governo Bush e até alguns democratas alegam que parte dos 240 suspeitos ainda detidos não pode ser julgada nos EUA sem revelar segredos capazes de comprometer a segurança do país.

A oposição republicana acusa o governo Obama de importar terroristas. O julgamento de Ghailani será o primeiro teste.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Memorandos revelam tortura no governo Bush

Por requerimento da União Americana das Liberdades Civis (ACLU), o Departamento da Justiça dos Estados Unidos revelou ontem quatro memorandos que descrevem a prática de tortura no governo George W. Bush (2001-09).

A tortura foi usada na guerra contra o terrorismo deflagrada pelos atentados de 11 de setembro de 2001.

Entre as vítimas mais notórias foram os prisioneiros levados a partir do início de 2002 para o centro de detenção instalado dentro da base naval americana de Guantânamo, em Cuba, e prisões como Abu Ghraib, no Iraque, onde a tortura foi revelada em fotos feitas por soldados americanos, em abril de 2004.

Os métodos de interrogatório incluíram impedir os prisioneiros de dormir por até 11 dias, sufocamento por jatos d'água, tapas no rosto e o confinamento em pequenas caixas por até duas horas.

Grupos de defesa dos direitos humanos, a começar pela ACLU, estão indignados com a decisão do governo Barack Obama de não processar os torturadores, sob a alegação de que cumpriam determinações do Departamento da Justiça.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Obama suspende processos em Guantânamo

Como primeira medida de seu governo, o presidente Barack Obama determinou a suspensão por 120 dos processos dos suspeitos de terrorismo nos tribunais militares de exceção instalados pelo governo George W. Bush na base naval de Guantânamo, um enclave americano em Cuba.

A partir de 11 de janeiro de 2002, os Estados Unidos levaram prisioneiros da guerra contra o terrorismo para Guantânamo, deixando-os num limbo jurídico para lhes negar os direitos previstas nas Convenções de Genebra. Restam cerca de 250 presos.

O governo Obama pretende resolver os problemas jurídicos em um ano para fechar definitivamente o centro de detenção de Guantânamo.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Terroristas confessam culpa por 11 de setembro

O suposto idealizador dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, Khaled Cheikh Mohammed, e outros quatro réus acusados de planejar os ataques contra os Estados Unidos enviaram uma mensagem ao tribunal militar de exceção instalado na base naval americana de Guantânamo, em Cuba, pedindo para confessar sua culpa.

Eles são acusados pelas 2.973 mortes ocorridas no pior ataque terrorista da História dos EUA. Gostariam de ser condenados à morte para virarem mártires

Durante sua campanha para a Casa Branca, o presidente eleito, Barack Obama, prometeu fechar o centro de detenção e o tribunal militar do governo George W. Bush em Guantânamo.

Como o processo ainda está na fase inicial, a execução ficaria para o governo Obama. O novo presidente ficaria na situação incômoda de aplicar a sentença de morte de um tribunal que considera ilegal ou submeter os planejadores do ataque às Tôrres Gêmeas do World Trade Center a novo julgamento.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Ex-procurador critica tribunal de Guantânamo

O ex-procurador da Marinha dos Estados Unidos Charles Swift alerta para o risco de um julgamento injusto transformar Khaled Cheikh Mohammed e seus cúmplicas, acusados de planejar os atentados terroristas de 11 de setembro, em mártires.

Em entrevista à rede de televisão CNN, Swift advertiu: "O perdedor será o povo americano, a menos que mudanças fundamentais sejam feitas muito rapidamente". Ele representou o motorista de Ossama ben Laden num caso em que a Suprema Corte acabou rejeitando os tribunais militares do governo George Walker Bush.

Depois, o governo aprovou a Lei das Comissões Militares para julgar os suspeitos de terrorismo em Guantânamo, um enclave extraterritorial que os EUA têm em Cuba desde 1898. Era uma cabeça de praia na Guerra Hispano-Americana (1898-99), que terminou com a derrota da Espanha, a independência de Cuba e o controle das Filipinas, e em certa medida também de Cuba, pelos EUA.

Swift alega que as comissões militares não têm advogados de defesa especializados em defesa contra a pena de morte para oferecer aos réus. Os réus e seus advogados não terão direito a examinar provas classificadas como perigosas para a segurança nacional dos EUA. E os juízes podem aceitar confissões obtidas mediante tortura.