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domingo, 15 de novembro de 2020

Acordo comercial da Ásia e do Pacífico exclui EUA

Os líderes de 15 países da Ásia e do Oceano Pacífico anunciaram hoje a conclusão do maior acordo comercial da história para reduzir em até 90% em dez anos as barreiras entre países com um terço da população e da produção mundiais, inclusive a China, o Japão e a Coreia do Sul. Até 2030, a Parceria Econômica Regional Ampla (RCEP) deve agregar US$ 200 bilhões, quase R$ 1,15 trilhão, por ano à economia mundial.

No primeiro dia de seu desgoverno, o presidente Donald Trump retirou os Estados Unidos da Parceria Transpacífica (TPP). O objetivo do governo Barack Obama era criar uma ordem econômica regional à qual a China teria de aderir aceitando as regras preexistentes. É mais uma herança maldita de Trump que reduz a importância dos EUA.

A RCEP aproveita os acordos de livre comércio assinados pela Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) - Brunei, Camboja, Cingapura, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Mianmar, Tailândia e Vietnã - e os transforma num pacto multilateral único com a Austrália, a China, o Japão, a Coreia do Sul, a Austrália e a Nova Zelândia. Ficam de fora os Estados Unidos, o Canadá, a Rússia e os países da América Latina que faziam parte da TPP (Chile, México e Peru).

Enquanto os EUA, sob Trump, recuaram para um nacionalismo isolacionista, a China dobra a aposta na globalização e no livre comércio,

domingo, 30 de agosto de 2020

Joe Biden: um homem decente para acabar com "período de trevas"

Ex-vice-presidente é a esperança democrata para derrotar Donald Trump

Depois de 32 anos, na terceira tentativa, o ex-senador e ex-vice-presidente Joe Biden será o candidato do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos na eleição de 3 de novembro. Ele promete acabar com o “período de trevas”. 

É alguém com quem um americano comum de qualquer origem tomaria cerveja e jogaria conversa fora no boteco da esquina. Contrasta com a arrogância elitista e a falsidade do presidente Donald Trump, que desde que chegou a Casa Branca até 13 de julho mentiu 20 mil vezes, de acordo com o jornal The Washington Post.

No melhor discurso da convenção partidária que homologou sua candidatura, na semana passada, a ex-primeira-dama Michelle Obama o apresentou como um “homem profundamente decente guiado pela fé. Ele foi um tremendo vice-presidente. Sabe o que é preciso para resgatar nossa economia, bater a pandemia e liderar o país. Ele ouve, vai dizer a verdade e confiar na ciência. Vai fazer planos inteligentes e dirigir uma boa equipe.”

Leia mais Quarentena News.

domingo, 5 de julho de 2020

EUA interceptam ataque de foguete contra embaixada em Bagdá

Horas depois de instalar um sistema de defesa proteger de ataques de artilharia, morteiros e foguetes pequenos, os Estados Unidos conseguiram interceptar um foguete disparado contra a embaixada americana no Iraque em 4 de julho, Dia da Independência dos EUA, noticiou o jornal israelense The Jerusalem Post.

O ataque acontece depois de quatro explosões em instalações nucleares do Irã atribuídas a Israel. Sem assumir a responsabilidade, o ministro do Exterior israelense, Gabi Ashkenazi, declarou: "Temos uma política há vários governo de não permitir que o Irã tenha capacidade nuclear. 

"Este regime com tais habilidades é uma ameaça existencial a Israel e não podemos permitir que se instale na nossa fronteira norte", observou o ministro, numa referência à presença militar iraniana na Síria. "Fazemos ações que é melhor não comentar."

A República Islâmica e suas milícias aliadas tiveram um papel decisivo para sustentar a ditadura de Bachar Assad na guerra civil síria. Em várias ocasiões, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu considerou inaceitável uma presença militar permanente do Irã na Síria, especialmente numa faixa de até 50 quilômetros de distância da fronteira de Israel.

Uma série de explosões misteriosas ocorreu no Irã desde quinta-feira passada. A primeira foi numa instalação próxima do complexo militar de Parchin. O regime dos aiatolás atribuiu o incidente a uma explosão de gás, mas fotos de satélite revelaram que o alvo foi uma fábrica de mísseis.

No mesmo dia, uma explosão num hospital de Teerã matou 19 pessoas. Na sexta-feira, houve um grande incêndio num prédio da central nuclear de Natanz, a maior instalação de enriquecimento de urânio do Irã. Ontem, houve relatos de outro incêndio perto de uma usina de energia elétrica na região de Ahvaz, no Sul do país, perto da fronteira com o Iraque.

Em entrevista à Rádio do Exército, o vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa de Israel, Benny Gantz, tentou desvincular o país das explosões: "Nem todo incidente que transparece no Irã tem de ver conosco. Todos suspeitam de nós todo o tempo, mas nem todo incidente que acontece no Irã necessariamente tem algo a ver conosco."

Gantz, ex-comandante das Forças de Defesa de Israel disputou as últimas eleições contra o primeiro-ministro Netanyahu e formou um governo de coalizão depois de três eleições em que nenhum dos dois conseguiu maioria absoluta. 

"Continuamos a agir em todas as frentes para reduzir a possibilidade de que o Irã se torne uma potência nuclear. Um Irã nuclear é uma ameaça ao mundo, à região e a Israel. Faremos todo o possível para evitar que isto aconteça. E faremos todo o possível para impedir o Irã de difundir o terrorismo e distribuir armas, não vou me referir a nenhum caso específico", acrescentou o ministro da Defesa.

A preocupação de Israel não se limita às armas nucleares. O país quer a prorrogação do embargo das Nações Unidas à venda de armas ao Irã além de outubro, o prazo atualmente estabelecido, para impedir a ditadura teocrática iraniana de adquirir sistemas avanços de armamentos.

O ministro do Exterior lembrou que o Irã arma dezenas de milícias no Oriente Médio. A maior de todas é o Hesbolá (Partido de Deus), do Líbano, país que no momento enfrenta uma séria crise econômica, com protestos nas ruas contra a presença da milícia no governo da união nacional.

A Organização de Energia Atômica do Irã confirmou a ocorrência de um incidente na central nuclear de Natanz, alvo em 2010 de um ataque cibernético com o vírus Stuxnet para atrasar o desenvolvimento da bomba atômica iraniana. Na época, o regime iraniano acusou os EUA e Israel. O Stuxnet é considerado um verme por tornar lentos os computadores que infecta.

Oficialmente, o Irã nega estar desenvolvendo armas nucleares, mas retomou várias atividades de seu programa atômico depois que o presidente Donald Trump retirou, em maio de 2018, os EUA do acordo negociado pelo governo Barack Obama, as outras grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança da ONU ( China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha.

Em janeiro, um ataque de mísseis americanos matou o general Kassem Suleimani, o mais graduado oficial iraniano, no aeroporto de Bagdá, depois de ataques de milícias xiitas iraquianas financiadas, armadas e treinadas pelo Irã. O general comandava a Força Quods, braço da Guarda Revolucionária Iraniana para ações no exterior, e coordenava mais de 60 milícias xiitas no Oriente Médio.

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Casa Branca articula encontro entre presidentes dos EUA e do Irã

O presidente Donald Trump está disposto a aceitar uma proposta da França para abrir uma linha de crédito de US$ 15 bilhões para aliviar as sanções a que a República Islâmica está submetida pelos Estados Unidos. O Japão colaboraria no relaxamento das sanções. Isto viabilizaria um encontro de Trump com o presidente do Irã, aiatolá Hassan Rouhani, durante a reunião anual da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, no fim do deste mês.

Em troca, o Irã voltaria a cumprir o acordo nuclear assinado em 2015 com o governo Barack Obama, as outras grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha para congelar o programa nuclear militar iraniano e evitar que o país fabrique armas atômicas.

O acordo foi uma das grandes realizações de política externa de Obama. Afinal, os Estados Unidos e o Irã não mantêm relações diplomáticas desde a ocupação da embaixada americana em Teerã por 444 dias, a partir de 4 de novembro de 1979, nove meses depois da revolução islâmica, que derrubou o xá Reza Pahlevi, aliado de Washington, e levou o regime dos aiatolás ao poder.

Sob protesto do Irã, Trump abandonou o acordo em 8 de maio de 2018, sob a orientação do então conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, o advogado e embaixador linha-dura John Bolton, que caiu há dois dias. 

Bolton queria mudança de regime em Teerã. Chegou a defender um bombardeio ao Irã depois de um ataque a um drone americano no Golfo Pérsico. Também era a favor do uso da força na Coreia do Norte e na Venezuela. Meu comentário:

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Volta das sanções dos EUA agrava crise do Irã

O governo Donald Trump reimpôs a partir de hoje uma série de sanções ao Irã, inicialmente concentradas no setor financeiro, para pressionar economicamente a República Islâmica depois de retirar os Estados Unidos do acordo nuclear assinado em 2015 para congelar o programa nuclear militar iraniano por dez anos.

Na contramão da União Europeia, da China, da Rússia, da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e do próprio Departamento da Defesa dos EUA, Trump abandonou o acordo e restabeleceu as sanções econômicas ao regime dos aiatolás e, cada vez mais, da Guarda Revolucionária Iraniana, sob os aplausos de dois grandes aliados dos EUA no Oriente Médio: Israel e a Arábia Saudita, inimigos jurados do Irã.

“O presidente Trump vai continuar a se opor à agressão do regime iraniano e os EUA vão aplicar completamente as sanções reimpostas”, declarou em nota oficial a Casa Branca.  Depois de ameaçar o Irã com um ataque jamais visto se desafiar os EUA, no mês passado, Trump disse estar pronto para se reunir sem precondições com líderes iranianos. A proposta foi recusada.

“Eles poderiam aceitar a oferta de negociações do presidente, abandonar completamente e de maneira  verificável seus programas nuclear e de mísseis balísticos, parar de financiar o terrorismo e de intervir militarmente em outros países da região”, declarou à Fox News o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton.

Em resposta, o presidente do Irã, Hassan Rouhani, considerou as sanções uma “insensatez” e acusou Trump de “querer iniciar uma guerra psicológica contra a nação iraniana”. Ele afirmou que Trump se mostrou “inconfiável” ao romper o acordo negociado no governo Barack Obama e disse que o Irã não vai negociar sob sanções.

“Você não pode esperar o diálogo de uma pessoa que lhe dá uma faca e deixa a faca enfiada”, declarou o aiatolá-presidente em entrevista a uma televisão iraniana. “Se houver confiança, o Irã estará sempre aberto a negociações, mas não fazem sentido enquanto estivermos sob sanções.”

Tido como um aiatolá moderado dentro do regime fundamentalista xiita iraniano, Rouhani venceu a eleição presidencial com a promessa de se reaproximar do Ocidente para melhorar a situação econômica do país.

O acordo nuclear, visto com suspeita pela linha-dura e a Guarda Revolucionária, foi sua grande vitória e uma das grandes realizações de política externa do governo Barack Obama, ao lado do Acordo de Paris sobre Mudança do Clima e do acordo comercial da Parceria Transpacífica. Trump acabou com tudo.

Numa segunda etapa, a partir de novembro, os EUA devem suspender totalmente as importações de petróleo do Irã e estão pressionando os aliados a fazer o mesmo.

Desde já, as empresas que fizerem negócios com o Irã podem ser alvo de sanções cruzadas. Podem, por exemplo, ser proibidas de operar em dólares, algo inviável para empresas transnacionais ocidentais.

Assim, a companhia de petróleo francesa Total está suspendendo investimentos de US$ 2 bilhões para explorar o megacampo de gás de Pars do Sul, com prejuízo de US$ 100 milhões. Cerca de 90% das operações da Total são feitas por bancos dos EUA e 30% dos acionistas da empresa são americanos.

Nos últimos meses, a moeda iraniana, o rial, perdeu 37% do valor. A inflação disparou e o desemprego está em alta. As manifestações de proteste se multiplicam. Houve até uma greve no Grande Bazar, em Teerã.

Esses protestos não têm força política para ameaçar o regime. Em 2009, o Movimento Verde apoiava a candidatura do ex-primeiro-ministro Mir Hossein Mussavi. Agora, não há articulação. Há uma revolta espontânea contra um regime ditatorial em meio a uma grave crise econômica com expectativa de piorar.

Ao mesmo tempo, as empresas ocidentais deixam o campo aberto para a China, que não rompeu o acordo nuclear. As companhias chineses pretendem tomar o mercado de automóveis das concorrentes da França, que tinham no Irã, um país de 81 milhões de habitantes, um mercado importante para suas exportações.

segunda-feira, 26 de março de 2018

"Resposta a erro estratégico de Putin isola ainda mais a Rússia", diz professor

A expulsão de mais de cem diplomatas da Rússia de países ocidentais e de ex-repúblicas soviéticas "é uma resposta a um erro estratégico do governo Vladimir Putin". A longo prazo, vai levar a um isolamento maior e enfraquecimento, com consequências perigosas para o mundo inteiro, analisa o professor Paulo Wrobel, do Instituto de Relações Internacionais (IRI) da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ).

Duas semanas antes de Putin ser "reapontado como novo presidente da Rússia, porque eleição não houve, não tem oposição", um ex-agente duplo e sua filha foram envenenados com um agente neurotóxico em Salisbury, no interior da Inglaterra, e não foi o único caso, comentou o professor.

"Houve pelo menos 15 tentativas de assassinato de russos num Estado Nacional soberano, um atentado a soberania nacional com o uso de armas químicas. O Reino Unido reagiu moderadamente, expulsando 23 diplomatas russos, e a Rússia não escalou o conflito, admitindo a culpa. Todo o mundo sabe que foi a Rússia. Mais de 20 países reagiram em solidariedade ao Reino Unido", acrescentou Wrobel.

Uma conclusão é que, "mesmo com a saída britânica da União Europeia, a coesão anti-Rússia vai permanecer. A expulsão de diplomatas baseados nas Nações Unidas é significativa. A sede da ONU fica em território americano, mas é uma organização internacional. É uma pancada diplomática séria", entende o pesquisador.

O governo Barack Obama (2009-17) "fechou o consulado em São Francisco", base da espionagem russa no Vale do Silício, o grande centro da indústria de alta tecnologia nos EUA, lembra Wrobel. Hoje, "o governo Donald Trump fecha o consulado em Seattle, no estado de Washington, porque fica perto de uma base naval de submarinos, da Boeing e de outras empresas de alta tecnologia", como a Microsoft.

"A Guerra Fria acabou em 1991. Agora, é outro contexto. Estamos vendo uma solidariedade da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e de países que têm uma agenda pró-ocidental", a favor de uma ordem internacional liberal, argumentou o professor da PUC-RJ. "É uma união anti-Putin, resposta a uma ação excessiva e equivocada."

A violência política é uma marca do governo russo no plano interno. No exterior, tem consequências, nota Paulo Wrobel: "Putin pode matar quem quiser. O governo russo faz isso todo o tempo. Num país soberano, é diferente."

Hoje o número de espiões russos no Reino Unido é maior do que durante a Guerra Fria. Londres tornou-se um centro financeiro importante para os investimentos russos no exterior. "Há oligarcas amigos e inimigos de Putin no Reino Unido", observa o professor.

"A Rússia é um país com serviços secretos muito bem preparados, melhores do que os dos EUA durante a Guerra Fria. Putin vem do sistema de inteligência, que é quem manda no país. São profissionais de inteligência", afirma Wrobel.

Outra consequência da guerrinha fria de Putin: "O governo Trump se realinha com a OTAN, que sobrevive para conter a Rússia, especialmente depois da intervenção militar na Ucrânia em 2014. Talvez reflita as mudanças na equipe de política externa. Não há ninguém mais identificado com a linha dura do que o novo assessor de Segurança Nacional, John Bolton. O novo secretário de Estado, Mike Pompeo, também vem da direita republicana."

Putin tem fama de ser um bom tático, que conquista pequenas vitórias, mas um mau estrategista. Seu objetivo é restaurar o poder imperial da era soviética: "O Ministério do Exterior da Rússia iniciou uma pesquisa na Internet para decidir que consulado americano será fechado. É uma postura irônica, sarcástica, infantil e antidiplomática", criticou o professor.

"A médio e longo prazos, vai haver um maior isolamento russo", prevê Wrobel, que não acredita numa reaproximação consistente entre a Rússia e a China. "A Rússia foi o primeiro país europeu a invadir o Império Chinês, no século 17. Toda a costa do pacífico russa foi um dia parte do Império Chinês, inclusive sua maior cidade, Vladivostok."

Eles se aproximaram com as revoluções comunistas, mas tiveram "um sério conflito de fronteiras em que a União Soviética ameaçou usar armas nucleares, em 1969, e levou à reaproximação entre os EUA e a China".

Mais uma vez, o regime comunista da China deve aproveitar a fraqueza e o isolamento da Rússia para extrair mais concessões econômicas nas áreas de energia e matérias-primas.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Trump ataca FBI e investigação sobre influência russa na eleição

Em uma série de mensagens furiosas pelo Twitter, o presidente Donald Trump atacou o FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos Estados Unidos, por não ter investigado o atirador de Parkland, na Flórida, e o inquérito sobre a interferência da Rússia nas eleições americanas de 2018. Trump acusou o governo Barack Obama, o Partido Democrata e Hillary Clinton pela operação russa.

Das onze da noite de sábado ao meio-dia de domingo, na mansão de clube de golfe em Mar-a-Lago, na Flórida, o presidente disparou 10 tuítes, alguns com obscenidades e outros com erros de gramática, noticiou o jornal The Washington Post.

Numa conferência sobre segurança internacional na semana passada na Alemanha, assessores dos EUA disseram a autoridades e especialistas estrangeiros para ignorar os tuítes do presidente. Mas eles revelam sua alma profunda.

Trump aproveitou a denúncia do procurador especial Robert Mueller contra 13 russos para reafirmar que não houve conluio de sua candidatura com o Kremlin para prejudicar a candidatura de Hillary. Não se preocupou com a ingerência de uma potência estrangeira hostil na política dos EUA.

"Se a meta da Rússia era criar a discórdia, ruptura e caos nos EUA, então, com todas aquelas audiências em comissões, investigações e ódio partidário, eles tiveram sucesso além de seus sonhos mais ambiciosos. Eles estão morrendo de rir em Moscou. Fique esperta, América!", disparou.

O presidente negou ter dito no passado que não houve interferência russa nas eleições americanas e que a "fraude" está em acusar sua campanha de cumplicidade.

Noutro tuíte, Trump alegou que "agora que [o deputado] Adam Schiff está começando a acusar o presidente Obama pela interferência russa na eleição, provavelmente esteja fazendo isso como mais uma desculpa. Finalmente ele está certo por alguma coisa. Obama era o presidente, sabia da ameaça e não fez nada. Obrigado, Adam!"

Mais impressionante ainda foi a acusação ao FBI por não ter impedido o massacre cometido pelo jovem desequilibrado Nikolas Cruz: "Muito triste que o FBI tenha perdido todos os muitos sinais enviados pelo atirador da escola na Flórida. Isto é inaceitável. Eles gastam tempo demais tentando provar o conluio da Rússia com a campanha de Trump - não houve conluio. Voltem ao básico e tornem todos nós orgulhosos."

O diretor nacional de Inteligência durante a campanha eleitoral de 2016, James Clapper, reagiu indignado na CNN: "O que vamos fazer em relação à ameaça dos russos? Ele nunca fala disso. Só fala de si mesmo."

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Trump cobra caro para proteger "sonhadores"

O governo Donald Trump enviou domingo ao Congresso uma proposta de política anti-imigração ilegal com medidas duras em troca de qualquer acordo para proteger os chamados "sonhadores", crianças e jovens que eram menores de idade quando entraram ilegalmente com suas famílias nos Estados Unidos.

Em 5 de setembro, o secretário da Justiça, Jeff Session, anunciou a revogação da Ação Diferida para Chegadas na Infância (DACA), um programa do governo Barack Obama para proteger 800 mil jovens ilegais. Muitos passaram a maior parte de suas vidas nos EUA e não têm grande ligação com seu país de origem.

Entre as exigências de Trump, estão dinheiro para construir um muro na fronteira com o México, verba para contratar mais 10 mil guardas de fronteira, regras mais duras para concessão de asilo político e o fim da ajuda federal para "cidades santuários", que não colaboram com as autoridades federais na caçada aos imigrantes ilegais. O México não vai pagar pelo muro como o presidente prometeu na campanha.

A Casa Branca também exige que as empresas usem o sistema de verificação E-Verify para não contratar imigrantes ilegais, impedir o acesso aos EUA da família extensa (avós, tios e primos) dos imigrantes que regularizaram a situação e fechar a fronteira para centenas de milhares que menores que fugiram da violência na América Central nos últimos anos.

Com a guerra do México contra as drogas, vários cartéis do tráfico transferiram parte de suas atividades para a América Central, onde países muito menores não tem recursos para enfrentar o seu poder financeiro e seu poder de fogo.

Honduras e El Salvador estão hoje entre os países mais violentos do mundo fora de zonas de guerra. Isso gerou uma migração de menores centro-americanos para os EUA.

Pelas regras atuais, se entrarem em território americano, esses menores têm o direito a uma audiência na Justiça para contar sua história e pedir asilo, num processo que pode durar até dois anos. Trump quer o direito de bloquear a entrada ou deportar sumariamente essas crianças.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Trump autoriza planos a negar anticoncepcionais em nome da religião

Em mais um ataque às conquistas sociais do governo Barack Obama, o presidente Donald Trump autorizou as empresas e os planos de saúde a negarem o fornecimento de pílulas anticoncepcionais por motivos religiosos. Mais de 55 milhões de mulheres serão afetadas.

As novas diretrizes podem atingir os direitos da comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros). São o compromisso de uma promessa feita pelo presidente cinco meses atrás nos jardins da Casa Branca: "Não vamos deixar as pessoas de fé serem alvo, serem coagidas ou silenciadas", lembrou hoje o secretário da Justiça, Jeff Session.

Através de uma portaria, o Departamento da Saúde e Serviços Humanos revogou a obrigação de empresas de fornecer anticoncepcionais a suas funcionárias dentro de seus planos de saúde. Os empregados e planos podem alegar uma objeção religiosa.

Os procuradores-gerais da Califórnia, Xavier Becerra, e de Massachusetts, Martha Healey, dois estados tradicionalmente liberais, recorreram à Justiça tentando bloquear as medidas de Trump, que entraram em vigor imediatamente. Eles alegam que a Emenda nº 1 à Constituição dos EUA proíbe o governo de agir "em relação a uma religião estabelecida".

As estatísticas mostram que o número de abortos nos EUA diminuiu a partir de 2014 para o menor nível desde que foi legalizado pela Suprema Corte, em 1973.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Trump afirma que arsenal nuclear dos EUA nunca foi tão poderoso

Um dia depois de ameaçar reagir com "fogo e fúria" e uma força "jamais vista" às provocações da Coreia do Norte, o presidente Donald Trump advertiu a ditadura comunista de Pionguiangue de que o arsenal nuclear dos Estados Unidos nunca foi tão poderoso.

"Jamais vai haver uma era em que não sejamos a nação mais poderosa do mundo", vangloriou-se o presidente americano, no que parece ser um recado à China. "Minha primeira ordem como presidente foi renovar e modernizar nosso arsenal nuclear. É hoje mais poderoso e mais forte do que nunca antes", gabou-se Trump no Twitter.

É mais uma mentira do presidente narcisista. A modernização do arsenal nuclear dos EUA em andamento é um projeto de US$ 1 trilhão do governo Barack Obama. Não seria realizável em seis meses de governo e está longe de terminar.

"Espero que nunca tenhamos de usar esse poderio, mas jamais vai haver uma era em que não sejamos a nação mais poderosa do mundo", acrescentou o presidente em outro tuíte.

Ontem, depois que o jornal The Washington Post revelou que o regime stalinista norte-coreano já tem capacidade de instalar uma bomba atômica na cabeça de um míssil de longo alcance, Trump interrompeu as férias em seu clube de golfe em Bedminster, em Nova Jérsei. Ele alertou o ditador Kim Jong Un de que suas ameaças foram "além do normal" e seriam respondidas com "fogo e fúria, e francamente com uma força como o mundo jamais viu".

Em resposta, a Coreia do Norte ameaçou atacar a ilha de Guam, no Oceano Pacífico, onde os EUA têm duas bases militares. Desde 2006, a ditadura de Pionguiangue fez seis testes nucleares. Só neste ano, mais de dez testes de mísseis balísticos.

Hoje fez 72 anos do segundo e último ataque nuclear da história, dos EUA contra a cidade de Nagasaki, no Japão, onde pelo menos 60 mil pessoas morreram na hora.

terça-feira, 25 de julho de 2017

Senado rejeita proposta republicana para reformar sistema de saúde

Por 57 a 43 votos, o Senado dos Estados Unidos derrubou há pouco a proposta do Partido Republicano para revogar e substituir o programa de universalização da cobertura de saúde do governo Obama. O debate continua e novas votações devem ser realizadas ainda nesta semana.

Todos os senadores democratas e nove republicanos votaram contra o plano apresentado pelo líder da maioria, Mitch McConnell, o que dificulta a rejeição do programa de saúde de Obama.

O vice-presidente Mike Pence, que no sistema constitucional americano preside o Senado, deu o voto de minerva para que a questão fosse colocada em debate. Mais uma vez, é possível que o governo Donald Trump fracasse em sua tentativa de destruir o legado de Obama.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Reforma da saúde de Trump fracassa no Senado dos EUA

Com a defecção dos senadores Jerry Moran e Mike Lee, anunciada hoje à noite em Washington, o projeto do Partido Republicano em andamento no Senado dos Estados Unidos para acabar com o programa de saúde do governo Obama está destinado ao fracasso, noticiou há pouco o jornal The New York Times.

A direita republicana tenta há sete anos acabar com o que chama de Obamacare, o programa do governo anterior para garantir cobertura de saúde para todos os americanos, alegando que é um peso para empresas e não reduziu os custos do tratamento médico nos EUA.

"Há sérios problemas com o Obamacare, e minha meta continua sendo a mesma há muito tempo: repelir e substituir", declarou o senador Moran, do estado do Kansas. "Esse processo realizado a portas fechadas fracassou em revogar a Lei de Cobertura de Saúde a Preços Acessíveis e em reduzir os custos do tratamento."

Os dois senadores coordenaram seus anúncios nesta segunda-feira à noite para dar maior impacto à notícia. Outros dois senadores republicanos, a moderada Susan Collins, do Maine, e o conservador Rand Paul, do Kentucky, haviam tomado a decisão de votar contra o projeto apoiado pelo líder do partido no Senado, Mitch McConnell, e pelo presidente Donald Trump.

Sem esses votos, o projeto não tem a menor chance de atingir os 50 votos necessários para passar pelo Senado. A liderança republicana pode agora alterar o projeto na busca do apoio dentro da bancada ou ampliar as negociações para incluir o Partido Democrata num acordo bipartidário para tentar corrigir os problemas da reforma de saúde do governo Obama sem acabar com ela.

"O segundo fracasso da Trumpcare é a prova de que este projeto não funciona", comentou o líder da minoria democrata, senador Chuck Schumer, de Nova York. "Em vez de repetir o mesmo erro, os republicanos devem começar do zero e trabalhar com os democratas para reduzir os prêmios [de seguros-saúde], dar estabilidade de longo prazo aos mercados [de negociação dos planos de saúde] e melhorar nosso sistema de saúde."

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Programa de saúde de Trump vai deixar 23 milhões sem cobertura

A reforma do sistema de saúde dos Estados Unidos feita pelo Partido Republicano para acabar com o programa do governo Barack Obama para garantir cobertura universal vai deixar 23 milhões de americanos sem seguro-saúde em dez anos, advertiu ontem o Escritório de Orçamento do Congresso (CBO), um órgão bipartidário.

No primeiro ano, 14 milhões devem perder a cobertura de saúde. Em médio e longo prazos, os prêmios do seguro-saúde devem aumentar muito para idosos e pessoas com doenças preexistentes.

O primeiro projeto, apresentado pelo presidente da Câmara, deputado Paul Ryan, nem chegou a ser colocado em votação. Na época, o CBO estimou que 24 milhões perderiam a cobertura de saúde.

A proposta aprovada na Câmara, que deve ser alterada no Senado, pretende reduzir o déficit público federal em US$ 119 bilhões em dez anos, US$ 32 bilhões a menos do que o projeto anterior.

"O CBO estava errado antes quando analisou o impacto do programa de Obama sobre custos e cobertura e errou de novo", declarou o secretário (ministro) da Saúde, Tom Price.

Ryan alegou que o partido está no caminho certo ao "reduzir os prêmios e reduzir o déficit". Os prêmios devem ser reduzidos para as pessoas mais jovens e mais saudáveis, com prejuízo para idosos, deficientes e portadores de doenças crônicas.

Na sua proposta orçamentária, além de dar por certa a aprovação da reforma da saúde como passou na Câmara, o governo Trump está propondo cortes de US$ 900 bilhões em dez anos no Medicaid, o programa de saúde para os mais pobres, para ajudar a financiar um corte de imposto trilionário para os ricos, inclusive para si mesmo.

Com esta reforma radical para acabar com a Lei de Cobertura de Saúde a Preços Acessíveis, do governo Obama, e os cortes de impostos de Trump, os republicanos correm grande risco de enfrentar uma revolta do eleitorado nas eleições intermediárias de 2018. Podem perder a maioria na Câmara e no Senado.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Câmara dos EUA repele programa de saúde do governo Obama

Por 217 a 213, um voto a mais do que o necessário, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos revogou há pouco a Lei de Cobertura de Saúde Acessível, a maior realização de política interna do governo Barack Obama. O projeto segue agora para o Senado, onde deve ser alterado.

Acabar com o programa de Obama para garantir cobertura de saúde a todos os americanos é uma luta de sete anos do Partido Republicano e dos conservadores que não querem financiar a assistência médica aos mais pobres. Era uma questão de honra para o presidente Donald Trump.

A primeira tentativa depois que os republicanos conquistaram a Casa Branca e mantiveram sua maioria nas duas casas do Congresso, de iniciativa do presidente da Câmara, Paul Ryan, não foi à votação por divergências dentro do próprio partido do governo.

Na época, o Escritório de Orçamento do Congresso, bipartidário, advertiu que 24 milhões de pessoas perderiam a cobertura de saúde em dez anos com o Plano Ryan. Desta vez, a votação foi apressada, antes de uma análise técnica da proposta.

O projeto aprovado, a pretexto de reduzir os prêmios do seguro-saúde, acaba com a obrigatoriedade de ter plano de saúde, o que faria pessoas saudáveis financiar a cobertura dos mais doentes, e com a garantia de que ninguém possa ser excluído, ter a cobertura negada, por causa de doenças preexistentes. Esta é a parte mais perversa da proposta recém aprovada.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

EUA tiveram saldo de 156 mil empregos em dezembro

Os Estados Unidos geraram 156 mil vagas de emprego a mais do que fecharam em dezembro de 2016, revelou hoje o último relatório de emprego do governo Barack Obama. O ritmo de contratações diminuiu, mas os salários apresentaram o crescimento mais forte desde 2009.

A taxa de desemprego, medida em outra pesquisa, subiu de 4,6% para 4,7%, indicando um aumento da participação dos americanos na força de trabalho. O mercado financeiro previa 183 mil empregos e 4,7% de desemprego.

Os salários aumentaram 0,39% no mês passado, acima da expectativa dos economistas, que era de 0,3%, na maior alta desde 2009, quando os EUA saíram da Grande Recessão e voltaram a crescer.

Como o presidente eleito, Donald Trump, toma posse em 20 de janeiro, dezembro foi o último mês completo do governo Obama. Foi o 75º mês seguido de aumento da oferta de emprego, o período mais longo desde que essas estatísticas começaram a ser compiladas, em 1939.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Netanyahu tenta impedir acordo nuclear EUA-Irã

Na véspera de um discurso no Congresso dos Estados Unidos em que vai tentar minar o acordo nuclear entre as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas e o Irã, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu alegou que faria qualquer coisa para garantir a segurança de Israel. Ele descreveu o acordo como uma "ameaça à sobrevivência de Israel".

Em discurso hoje no Comitê Americano-Israelense de Assuntos Públicos (AIPAC), o líder da direita em Israel negou estar colocando seu país em meio ao fogo cruzado da política interna dos EUA ao aceitar o convite do presidente da Câmara, o deputado republicano John Boehner, líder da oposição ao governo Barack Obama, para falar no Capitólio.

O primeiro-ministro negou estar desrespeitando o presidente dos EUA, que não vai recebê-lo nesta viagem, mas a imprensa de Israel revelou que partiu dele a proposta do discurso, encampada por Boehner, que então fez o convite formal.

Seu objetivo é claro: pressionar a oposição republicana, que hoje tem maioria na Câmara e no Senado, a votar contra o acordo negociado por EUA, China, Rússia, França, Reino Unido e Alemanha, de um lado, e o Irã, do outro, para desarmar o programa nuclear iraniano e evitar que a república islâmica faça a bomba atômica. Muitos deputados e senadores americanos vão boicotar o discurso.

Ao mesmo tempo, Netanyahu faz campanha para as eleições israelenses de 17 de março de 2015, apresentando-se como o único líder capaz de garantir a segurança do país.

A direita e a maioria da opinião pública de Israel não acredita nas supostas boas intenções do Irã, que tenta se livrar das sanções econômicas internacionais contra o programa nuclear. Netanyahu está certo que o regime dos aiatolás quer apenas ganhar tempo para detonar uma bomba atômica e proclamar seu status nuclear.

Netanyahu exige que o Irã seja totalmente proibido de enriquecer urânio e abra suas instalações nucleares a inspeções irrestritas da Agência Internacional de Energia Atômica. A ditadura teocrática iraniana insiste no direito de enriquecer urânio para uso pacífico em usinas de geração de energia. Neste caso, a direita israelense acredita que só uma operação militar para destruir as instalações militares iranianas acabaria com a ameaça.

O prazo final para um acordo é 30 de junho de 2015, mas a expectativa é que as linhas gerais sejam acertadas até 31 de março.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Ashton Carter deve ser o novo secretário da Defesa dos EUA

Pouco conhecido fora de Washington, mas com grande prestígio intelectual na capital dos Estados Unidos, Ashton Carter, ex-número dois do Pentágono  deve ser nomeado futuro secretário da Defesa pelo presidente Barack Obama, noticia o jornal The Washington Post, em substituição a Chuck Hagel, que pediu demissão por discordar da política de combate ao Estado Islâmico.

Ashton Carter, de 60 anos, foi subsecretário da Defesa no governo Bill Clinton, encarregado da compra de armas e equipamentos. É um especialista em compras e orçamento, no momento em que o governo federal corta gastos. Uma de suas maiores preocupações é com a guerra cibernética.

Sua escolha indicaria mais continuidade do que mudança na política de segurança nacional dos EUA e fortaleceria a posição do general Martin Dempsey, comandante-em-chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, como principal comandante militar.

Carter conhece por dentro a imensa burocracia do Pentágono. Estaria assim em melhores condições para administrá-la, enquanto Dempsey se dedicaria às questões operacionais.

O antecessor, Chuck Hagel, teria menos interesse em debates políticos. Carter, graduado na Universidade de Yale e ex-professor da Universidade de Harvard, estaria mais qualificado para discutir os novos desafios à segurança dos EUA, como o jihadismo feroz do Estado Islâmico e o renascimento do imperialismo da Rússia.

terça-feira, 22 de abril de 2014

EUA bombardeiam Al Caeda no Iêmen

As imagens divulgadas na Internet de uma grande reunião de guerrilheiros da rede terrorista Al Caeda no Iêmen provocou a ira dos Estados Unidos. Três bombardeios de drones americanos contra centros de treinamento da rede mataram pelo menos 55 militantes no último fim de semana.

Foi o maior dos 11 ataques de drones dos EUA no Iêmen neste ano. Os principais alvos dos americanos eram o chefe d'al Caeda na Península Arábica, Nasser al-Wuhaichi, e o maior especialista em fabricação de bombas do grupo, Ibrahim al-Assiri.

Durante o governo George W. Bush (2001-9), houve apenas um ataque de drones no Iêmen, com seis mortes. Desde a posse de Obama, foram 92 ataques de drones e 15 com outros armamentos como mísseis de cruzeiro.

Pelos cálculos da New American Foundation, os ataques dos EUA ao Iêmen mataram entre 753 e 965 pessoas, na maioria jihadistas, mas também 81 civis.

Especialistas em terrorismo advertem que os drones não são uma "bala mágica" capaz de erradicar o terrorismo no Iêmen. Sem combate à miséria no país mais pobre do mundo árabe e a capacitação das forças de segurança, o problema não será resolvido e vai aumentar o sentimento antiamericano, fonte de recrutamento de novos terroristas.

sexta-feira, 22 de março de 2013

EUA vão transferir drones da CIA para Pentágono

O governo Barack Obama vai tirar o programa de ataques com aeronaves não tripuladas, os drones, da Agência Central de Inteligência (CIA), e serviço de espionagem dos Estados Unidos, transferindo-o para o Departamento da Defesa (Pentágono), onde a campanha de assassinatos seletivos de suspeitos de terrorismo ficaria sujeita ao consentimento de outros países e ao direito internacional.

Não está claro se a mudança vai aumentar a transparência e a prestação de contas do programa, responsável pela morte de mais de 3 mil pessoas no governo Obama, sob protesto de organizações de defesa dos direitos humanos. Os drones ficarão sob a responsabilidade do Comando Conjunto de Operações Especiais, considerado tão secreto ou mais do que a própria CIA.

Na prática, pouco deve mudar, observa o jornal The New York Times.

Ontem à noite, mais quatro suspeitos foram mortos num bombardeio de drone perto da cidade de Data Quel, no Paquistão, país que é alvo da maioria dos ataques com aviões não tripulados, uma espécie de videogame da guerra operado diretamente dos EUA.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

OTAN instala mísseis na fronteira da Turquia com Síria

Para impedir o alastramento da guerra civil na Síria para a vizinha Turquia, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos Estados Unidos, deve instalar mísseis antimísseis Patriot do lado turco da fronteira entre os dois países, anunciou hoje o secretário-geral Anders Fogh Rasmussen, ex-primeiro-ministro da Dinamarca.

Em entrevista à correspondente Christiane Amanpour, da rede de televisão americana CNN, o chefe da OTAN antecipou a decisão que deve ser tomada hoje pelos ministros da defesa da aliança atlântica.

Os Estados Unidos relutam em intervir militarmente na Síria. Eleito depois do desastroso George W. Bush, de quem herdou as guerras no Afeganistão e no Iraque, o presidente Barack Obama faz tudo para se livrar desses conflitos. Tudo o que não quer é uma nova guerra no Oriente Médio.

Pelos planos de contingência do Departamento da Defesa, o Pentágono, seriam necessários 75 mil homens para intervir na Síria, único país do Oriente Médio com uma base militar russa. O Irã é outro aliado da ditadura de Bachar Assad, para quem manda armas através do espaço aéreo do Iraque.

Como os rebeldes conquistaram vitórias militares importantes nas últimas semanas, o governo Obama teme que Assad intensifique o uso da força e lance mão de armas químicas como último recurso para salvar o regime. Neste caso, ou se houver risco de que essas armas caiam nas mãos de extremistas muçulmanos, os EUA invadiriam a Síria.

Nos últimos dias, os serviços secretos dos EUA teriam detectado movimento de armas químicas na Síria. O governo promete não usá-las contra seu próprio povo.

Os mísseis da OTAN da Turquia visam a desencorajar Assad de tentar internacionalizar a guerra civil síria como manobra para se salvar.

A ONU retirou seu pessoal não essencial da Síria.