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quarta-feira, 21 de setembro de 2022

Hoje na História do Mundo: 21 de Setembro

 TRAIÇÃO AOS EUA

    Em 1780, durante a Guerra da Independência (1775-83), o general norte-americano Benedict Arnold encontra o major britânico John Andre para discutir a entrega do forte de West Point, no estado de Nova York, ao inimigo em troca de um alto posto no Exército Real e uma grande soma em dinheiro.

A conspiração é descoberta. Andre é preso e executado. Arnold foge para o Reino Unido, onde nunca recebe o que fora prometido, e morre em 14 de junho de 1801.

REVOLUÇÃO ABOLE A MONARQUIA

    Em 1792, durante a segunda fase da Revolução Francesa (1789-99), a Convenção Nacional (1792-95) acaba com a monarquia e funda a Primeira República.

O rei Luís XVI e a rainha Maria Antonieta, presos em agosto de 1792, são executados na guilhotina em 1793. Luís XVI ascende ao trono em 1774. A França está exaurida e humilhada pela derrota para o Império Britânica na Guerra dos Sete Anos (1756-63), quando perde a maioria das possessões na América do Norte e na Índia.

A quebra de safras em invernos rigorosos causam fome, agravam a crise econômica e criam o ambiente para a revolução, que estoura em 14 de julho de 1789, com a tomada da prisão da Bastilha, em Paris, símbolo da opressão do antigo regime.

FIM DA NEUTRALIDADE

    Em 1939, o presidente Franklin Delano Roosevelt vai ao Capitólio e pede ao Congresso que altere as Leis da Neutralidade, aprovadas naquela década, para que os Estados Unidos enviem ajuda militar aos países da Europa ameaçados pela Alemanha Nazista na Segunda Guerra Mundial (1939-45).

No discurso, Roosevelt adverte que países como a Alemanha constroem "grandes exércitos, marinhas e arsenais com grande rapidez e intensidade", enquanto os EUA tentavam ficar neutros e usar "todo seu poder para encorajar soluções negociadas".

Com o início da guerra, o presidente americano vê necessidade de apoiar a luta das nações democráticas contra o Nazifascismo e afirma que a passividade "ajuda o agressor". O Congresso aprova as mudanças em 4 de novembro.

Depois a ocupação da França pelos nazistas em maio e junho de 1940, Roosevelt e o primeiro-ministro o Reino Unido, Winston Churchill, assinam a Carta do Atlântico em 14 de agosto de 1941, uma declaração de princípios sobre como deveria ser o mundo no pós-guerra.

Os EUA entram na guerra em 7 de dezembro de 1941, quando o Japão bombardeia a 7ª Frota Norte-Americana, estacionada em Pearl Harbor, no Havaí.

SUPERBOMBARDEIRO DECOLA

    Em 1942, superfortaleza voadora B-29, fabricada pela Boeing, faz seu primeiro voo, em Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos.

O superbombardeiro é projetado em 1939 pelo general Arnold Hap. Ele teme que a conquista da Europa pela Alemanha Nazista deixe os EUA sem bases do outro lado do Oceano Atlântico. Precisariam de um avião capaz de voar mais alto, mais rápido e em distância mais longa.

A companhia aeronáutica Boeing desenvolve então um bombardeiro pesado com quatro motores com o primeiro sistema de ataque a radares de um avião de guerra americano.

Seu primeiro ataque acontece em 5 de junho de 1944, em Bangkok, na Tailândia, preparando a libertação da Birmânia, hoje Mianmar, ocupada pelo Império do Japão.

Os B-29 participam dos ataques a Tóquio com bombas incendiárias que matam 100 mil japoneses em março de 1945. Sua principal missão é transportar as bombas atômicas que explodem em Hiroxima, em 6 de agosto, e em Nagasaki, em 9 de agosto de 1945, matando 140 mil pessoas na hora e pondo fim à Segunda Guerra Mundial (1939-45).

terça-feira, 7 de junho de 2022

Hoje na História do Mundo: 7 de Junho

GANDHI EXPULSO DO TREM

    Em 1863, o futuro herói da independência da Índia, o jovem advogado Mohandas Gandhi realiza, na África do Sul, seu primeiro ato de desobediência civil, recusando-se a cumprir as regras de segregação racial, e é jogado para fora de um vagão de trem de primeira classe. 

Gandhi nasce na Índia, na época uma colônia do Império Britânico, e é educado na Inglaterra. Em 1893, formado em direito, consegue um contrato de um ano na África do Sul, onde defende os direitos dos trabalhadores indianos. 

Em 1906, sob a inspiração das ideias do naturalista americano Henry David Thoreau, cujas ideias conhece através do escritor russo Leon Tolstoy, organiza a primeira campanha de satyagraha, a desobediência civil. Thoreau criara o conceito ao se negar a pagar impostos durante a Guerra Mexicano Americana (1846-48), quando os EUA tomaram 37% do território do México.

Ao voltar à Índia, em 1914, Gandhi se dedica à espiritualidade. Na Primeira Guerra Mundial (1914-18), apoia o Reino Unido, mas, em 1919, lança uma campanha de desobediência civil contra o serviço militar obrigatório dos indianos. Isto o torna líder do movimento pacífico pela independência da Índia, conquistada em 1947, com a divisão do país em Índia, de maioria hindu, e Paquistão, de maioria muçulmana, contra sua vontade.

Mais de 2 milhões de pessoas morrem na divisão do país. Índia e Paquistão entram em guerra por causa da região da Caxemira, de maioria muçulmana, cujo governador imperial aderiu à Índia. 

Em 30 de janeiro de 1948, o Mahatma (Grande Alma) Gandhi é assassinado pelo extremista hindu Nathuram Godse, membro da organização paramilitar ultranacionalista Rashtriya Swayamsevak Sangh (RSS), à qual pertenceu o atual primeiro-ministro da extrema direita da Índia, Narendra Modi.

MORTE DO CACIQUE SEATTLE

    Em 1866, o cacique Seattle morre perto da cidade fundada 13 anos antes e batizada com seu nome, no que é hoje o estado de Washington, no Noroeste dos EUA. 

Seattle nasce por volta de 1870. Chefia as tribos duwamish e suquamish, que vivam na costa do Oceano Pacífico num lugar hoje chamado de Enseada Puget.

Com a Marcha para o Oeste, no início dos anos 1850, os americanos de origem europeia começam a chegar à região e foram bem recebidos. Em 1853, vários colonos decidem fundar uma cidade na Baía de Elliott e a chamam de Seattle em homenagem ao cacique.

Nem todos os índios aceitam o estabelecimento de colonos brancos na região. A guerra estoura em 1855, quando os índios do Vale do Rio Branco, ao sul de Seattle, atacam a aldeia. Mesmo prevendo que o homem branco levaria seu povo à extinção, Seattle argumenta que a resistência só apressaria o fim dos indígenas. Em 1856, os índios concordam e fazem a paz.

CONQUISTA DO MONTE McKINLEY

    Em 1913, o missionário Hudson Stuck lidera a primeira escalada até o cume do Monte Denali, na época Monte McKinley, no Alasca, a maior montanha da América do Norte, com 6.190 metros de altura

Stuck, um alpinista amador, nasce em Londres. Depois de se mudar para os EUA, vira arquidiácono da Igreja Episcopal em Yukon. Em 1917, é criado o Parque Nacional do Monte McKinley. Hoje, mais de mil alpinistas tentam a escalada a cada ano. Cerca de metade chega ao topo.

REI NOS EUA

    Em 1939, Jorge VI se torna o primeiro rei da Inglaterra a visitar os EUA

Durante a viagem, o casal real pede maior envolvimento americano na solução da crise da Europa, onde a Segunda Guerra Mundial começaria em 1º de setembro, quando a Alemanha nazista invade a Polônia.

Jorge VI é o segundo filho do rei Jorge V. Ascende ao trono depois que o irmão mais velho, Eduardo VIII, abdica em 1936 para se casar com Wallis Simpson, uma americana divorciada. Com a morte de Jorge VI, ascende ao trono a atual rainha, Elizabeth II, em 1952.

BATALHA DE MIDWAY

    Em 1942, depois de quatro dias de combates, os Estados Unidos vencem o Japão na Batalha de Midway, uma batalha aeronaval

Seis meses depois do ataque japonês ao porto de Pearl Harbor, na ilha de Oahu, no Havaí, quartel-general da Frota do Oceano Pacífico dos EUA, a guerra no Pacífico começa a virar a favor dos americanos. Acaba em agosto de 1945, com os bombardeios nucleares a Hiroxima e Nagasaki.

segunda-feira, 26 de março de 2018

"Resposta a erro estratégico de Putin isola ainda mais a Rússia", diz professor

A expulsão de mais de cem diplomatas da Rússia de países ocidentais e de ex-repúblicas soviéticas "é uma resposta a um erro estratégico do governo Vladimir Putin". A longo prazo, vai levar a um isolamento maior e enfraquecimento, com consequências perigosas para o mundo inteiro, analisa o professor Paulo Wrobel, do Instituto de Relações Internacionais (IRI) da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ).

Duas semanas antes de Putin ser "reapontado como novo presidente da Rússia, porque eleição não houve, não tem oposição", um ex-agente duplo e sua filha foram envenenados com um agente neurotóxico em Salisbury, no interior da Inglaterra, e não foi o único caso, comentou o professor.

"Houve pelo menos 15 tentativas de assassinato de russos num Estado Nacional soberano, um atentado a soberania nacional com o uso de armas químicas. O Reino Unido reagiu moderadamente, expulsando 23 diplomatas russos, e a Rússia não escalou o conflito, admitindo a culpa. Todo o mundo sabe que foi a Rússia. Mais de 20 países reagiram em solidariedade ao Reino Unido", acrescentou Wrobel.

Uma conclusão é que, "mesmo com a saída britânica da União Europeia, a coesão anti-Rússia vai permanecer. A expulsão de diplomatas baseados nas Nações Unidas é significativa. A sede da ONU fica em território americano, mas é uma organização internacional. É uma pancada diplomática séria", entende o pesquisador.

O governo Barack Obama (2009-17) "fechou o consulado em São Francisco", base da espionagem russa no Vale do Silício, o grande centro da indústria de alta tecnologia nos EUA, lembra Wrobel. Hoje, "o governo Donald Trump fecha o consulado em Seattle, no estado de Washington, porque fica perto de uma base naval de submarinos, da Boeing e de outras empresas de alta tecnologia", como a Microsoft.

"A Guerra Fria acabou em 1991. Agora, é outro contexto. Estamos vendo uma solidariedade da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e de países que têm uma agenda pró-ocidental", a favor de uma ordem internacional liberal, argumentou o professor da PUC-RJ. "É uma união anti-Putin, resposta a uma ação excessiva e equivocada."

A violência política é uma marca do governo russo no plano interno. No exterior, tem consequências, nota Paulo Wrobel: "Putin pode matar quem quiser. O governo russo faz isso todo o tempo. Num país soberano, é diferente."

Hoje o número de espiões russos no Reino Unido é maior do que durante a Guerra Fria. Londres tornou-se um centro financeiro importante para os investimentos russos no exterior. "Há oligarcas amigos e inimigos de Putin no Reino Unido", observa o professor.

"A Rússia é um país com serviços secretos muito bem preparados, melhores do que os dos EUA durante a Guerra Fria. Putin vem do sistema de inteligência, que é quem manda no país. São profissionais de inteligência", afirma Wrobel.

Outra consequência da guerrinha fria de Putin: "O governo Trump se realinha com a OTAN, que sobrevive para conter a Rússia, especialmente depois da intervenção militar na Ucrânia em 2014. Talvez reflita as mudanças na equipe de política externa. Não há ninguém mais identificado com a linha dura do que o novo assessor de Segurança Nacional, John Bolton. O novo secretário de Estado, Mike Pompeo, também vem da direita republicana."

Putin tem fama de ser um bom tático, que conquista pequenas vitórias, mas um mau estrategista. Seu objetivo é restaurar o poder imperial da era soviética: "O Ministério do Exterior da Rússia iniciou uma pesquisa na Internet para decidir que consulado americano será fechado. É uma postura irônica, sarcástica, infantil e antidiplomática", criticou o professor.

"A médio e longo prazos, vai haver um maior isolamento russo", prevê Wrobel, que não acredita numa reaproximação consistente entre a Rússia e a China. "A Rússia foi o primeiro país europeu a invadir o Império Chinês, no século 17. Toda a costa do pacífico russa foi um dia parte do Império Chinês, inclusive sua maior cidade, Vladivostok."

Eles se aproximaram com as revoluções comunistas, mas tiveram "um sério conflito de fronteiras em que a União Soviética ameaçou usar armas nucleares, em 1969, e levou à reaproximação entre os EUA e a China".

Mais uma vez, o regime comunista da China deve aproveitar a fraqueza e o isolamento da Rússia para extrair mais concessões econômicas nas áreas de energia e matérias-primas.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Espionagem e disputas no Mar da China marcam visita de Xi aos EUA

Num momento de desaceleração do crescimento e dúvidas sobre a economia da China, o presidente Xi Jinping iniciou hoje sua viagem aos Estados Unidos por Seattle, onde jantou com líderes da grandes empresas americanas para mostrar que seu país é um parceiro fundamental no mundo globalizado. 

Em Washington, onde será recebido quinta-feira em visita de Estado, Xi será pressionado pelo presidente Barack Obama por causa da espionagem cibernética e das disputas territoriais com países vizinhos no Mar do Sul da China.

"No momento, todas as economias estão enfrentando dificuldades e nossa economia também está sob pressão para baixo, mas isto é apenas um problema no curso do progresso. Tomaremos medidas coordenadas para atingir o crescimento estável", declarou o ditador chinês em discurso em Seattle em que deu "saudações e os melhores votos de mais de 1,3 bilhão de chineses".

Seu tom foi conciliador no melhor estilo chinês. Xi prometeu construir com os EUA "um novo modelo de relações entre grandes países sem conflito e sem confrontação", baseado "no respeito mútuo e na cooperação" benéfica para todos.

Entre os dirigentes empresariais que pagaram US$ 30 mil para jantar com Xi, estavam os líderes da Boeing, da Microsoft e da Starbucks, três megaempresas com sede em Seattle. O ex-secretário de Estado Henry Kissinger, que iniciou a reaproximação com a China em 1971, fez a apresentação do líder chinês.

Em poucos anos, a China deve ser a maior compradora de aviões da Boeing, um mercado que não pode ser desprezado. Nenhum estado americano exporta mais para a China do que Washington, onde Seattle é a maior cidade.

O objetivo dessa escala inicial é mostrar que a China ainda tem uma economia dinâmica, apesar da desaceleração do crescimento. Na última previsão oficial, a segunda maior economia do mundo deve avançar 6,9% em 2015, abaixo da meta de 7%.

Diante da inesperada desvalorização do iuane e da intervenção do regime comunista para sustentar as bolsas de valores da China, os economistas têm sérias razões para duvidar das declarações oficiais de que o crescimento está dentro do esperado.

Desde que o presidente Richard Nixon chegou à China num Boeing 707 em 1972, a China se tornou uma grande cliente da companhia. Nos próximos 20 anos, o mercado chinês deve comprar mais de 6 mil aviões novos. A Boeing quer aumentar sua fatia de mercado.

Outra empresa de Seattle, a cafeteria e lanchonete Starbucks, tem 1,8 mil lojas na China e pretende dobrar este número em quatro anos. Em atenção à cultura local, são mais cafeterias do que lanchonetes, muitas instaladas em grandes salões onde os chineses tomam chá, café ou refrigerantes, conversam e trabalham durante horas em seus computadores. Lá não existe a cultura de comprar e sair comendo ou comer depressa.

Xi Jinping é um dos principezinhos, os filhos dos heróis da revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung que se tornaram dirigentes do partido e lutam para preservar o regime. Seu pai, Xi Zhongxun, general do Exército Popular de Libertação (ELP), visitou o Havaí em 1980, no início da abertura econômica chinesa, quando era governador da província de Cantão.

Em 1985, quando era um funcionário de província, Xi Jinping visitou Muscatine, no estado de Iowa, para conhecer a agricultura americana. Agora, chega a Washington como homem-forte da superpotência emergente no fim da tarde de 24 de setembro, quando o papa Francisco tiver deixado a capital dos EUA.

Os diplomatas chineses não queriam a concorrência do papa: "Ele é um popstar".

A saudação com 21 tiros de canhão nos jardins da Casa Branca criarão a pompa e a circunstância que Xi quer apresentar ao povo chinês para posar como grande líder. Nas questões de Estado substantivas, a ciberpirataria, a nova lei de segurança nacional chinesa e as disputas de mar territorial da China com países vizinhos, não deve haver avanço.

O dirigente máximo do regime comunista chinês é um burocrata do partido que lançou a maior campanha anticorrupção desde a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76) para afastar inimigos, garantir o controle sobre o Exército popular de libertação e consolidar o poder.

Com a desaceleração do crescimento, Xi apela ao nacionalismo e a uma revisão da história em busca de unidade ao redor do regime. Se o comunismo acabou como ideologia, o filósofo Confúcio, denunciado durante a Revolução Cultural, é resgatado para construir a narrativa da Grande China candidata a maior potência mundial. Esse nacionalismo inquieta os EUA e o Japão, inimigo histórico com que a China disputa umas ilhotas.

Durante a visita a Nova York, observa o jornal The New York Times, Xi vai ocupar o local de Obama ao se hospedar no Hotel Waldorf Astoria, tradicionalmente usado por presidentes e diplomatas americanos durante a reunião anual da Assembleia Geral das Nações Unidas. Como o hotel foi vendido para a companhia de seguros chinesa Anbang, os EUA temem ser espionados. É apenas mais um sinal da desconfiança entre as duas maiores potências mundiais.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Produção industrial dos EUA cai 2,8%

Em mais um indicador que aponta para uma recessão na maior economia do mundo, a produção industrial dos Estados Unidos caiu 2,8% em setembrou, depois de baixar 1% em agosto.

Além da crise econômica, contribuíram para a queda os furacões e uma greve na fábrica de aviões da Boeing, em Seattle.