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sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Grande adversária de Trump não será candidata à reeleição

Uma das figuras políticas mais importantes dos Estados Unidos nas últimas décadas, a deputada federal democrata Nancy Pelosi anunciou nessa quinta-feira que não será candidata à reeleição. Ela foi a primeira e única mulher a presidir a Câmara dos Representantes.

Nancy Patricia D'Alessandro nasceu em Baltimore, se formou em ciência política no Trinity College, em Washington, e se mudou para São Francisco da Califórnia, onde fez carreira política, Ela foi eleita para a Câmara pela primeira vez em 1987, quando a pandemia da aids estava dizimando a comunidade gay da cidade, e lutou para mitigar o impacto da doença.

Em 2003, Pelosi foi eleita líder da bancada democrata na Câmara e da oposição ao governo George W. Bush, posição que a levou à Presidência da Câmara quando os democratas conquistaram a maioria. Ela presidiu a Câmara de 2007 a 2011 e de 2019 a 2023, quando liderou a oposição na segunda metade do primeiro governo Donald Trump.

Grande adversária de Trump, iniciou dois processos de impeachment contra o presidente, que chamou de "a pior pessoa na face da Terra". Ao saber da notícia, Trump declarou que ela é uma pessoa má que fez muito mal ao país. Mas Nancy Pelosi conquistou seu lugar na história, enquanto Trump ainda aguarda o julgamento da história.

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segunda-feira, 9 de julho de 2018

Trump nomeia juiz conservador para a Suprema Corte dos EUA

O presidente Donald Trump anunciou hoje a indicação do juiz conservador Brett Kavanaugh para a vaga aberta na Suprema Corte dos Estados Unidos pela aposentadoria do ministro Anthony Kennedy, um conservador moderado que muitas vezes foi o fiel da balança em decisões por 5-4. É o início de uma batalha épica para levar o supremo tribunal americano mais para a direita pelas próximas décadas, noticiou o jornal The New York Times.

Trump apresentou Kavanaugh hoje à noite na Casa Branca como "uma das melhores e mais agudas mentes jurídicas do nosso tempo" e o descreveu como um jurista que vai deixar de lado suas visões políticas e interpretar a Constituição como "está escrita".

Aos 53 anos, ele é juiz do Tribunal Federal de Recursos do Distrito de Colúmbia, onde fica a capital dos EUA. Republicano, foi assessor especial do procurador especial Kenneth Star, que investigou o casal Bill e Hillary Clinton no caso Whitewater e trabalhou na Casa Branca no governo George W. Bush (2001-9).

O constitucionalismo estrito é a visão legal dos conservadores que acreditam que a Constituição deve ser aplicada como escrita e não ser reinterpretada de acordo com a realidade atual, o que levou à abolição da escravatura, ao voto feminino, ao aborto e ao casamento gay.

A oposição imediatamente iniciou uma mobilização de protesto, com manifestação diante da Casa Branca, temendo que as posições conservadoras de Kavanaugh sejam decisivas para acabar com o aborto legal e com o programa de saúde do governo Barack Obama para garantir cobertura universal de saúde aos americanos.

Desde o anúncio da aposentadoria de Kennedy, o ex-procurador federal e analista jurídico Jeffrey Toobin prevê na rede de televisão americana CNN que dentro de um ano e meio o aborto será ilegal em pelo menos metade dos estados do país.

Kavanaugh precisa ser aprovado pelo Senado dos EUA. O líder da maioria republicana, senador Mitch McConnell, promete realizar as audiências para interrogatório e as votações antes das eleições de novembro, em que o Partido Democrata pode retomar o controle da Câmara e do Senado.

Além de questões como aborto e cobertura universal de saúde, a confirmação será uma batalha porque no fim do governo Obama o mesmo McConnell se negou a realizar as audiências com o juiz Merrick Garland, nomeado por Obama para a vaga aberta com a morte do ultraconservador Antonin Scalia.

Com a manobra republicana, Trump acabou indicando o ultraconservador Neil Gorsuch. Como era para substituir outro ultraconservador, o equilíbrio foi mantido. Agora, a tendência é de uma guinada maior à direita. Foi o juiz Kennedy, por exemplo, que deu votos decisivos para manter o direito ao aborto e legalizar o casamento gay.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Trump se elogia, apresenta heróis dos EUA e planos para reformar imigração

No seu primeiro Discurso sobre o Estado da União, depois de um ano na Casa Branca, o presidente Donald Trump elogiou os supostos sucessos de seu governo como os cortes de impostos, o crescimento e o desemprego, destacou o heroísmo de vários americanos presentes no plenário da Câmara, descreveu a China e a Rússia como "rivais", e anunciou planos para reformar o sistema de imigração.

Trump começou destacando os supostos sucessos de seu governo. Exaltou o heroísmo de uma oficial que resgatou flagelados pelo furacão de Houston, no Texas, e de um guarda florestal que salvou crianças nos incêndios da Califórnia.

"Não há povo com mais ousadia e coragem do que os americanos. Se houver um desafio, encaramos; se houver uma oportunidade, aproveitamos. Então o Estado da União é forte porque o povo americano é forte", declarou Trump sob aplausos do plenário do Congresso, com a presença de ministros e juízes da Suprema Corte.

Em seguida, o presidente passou a destacar os sucessos econômicos, como a queda no desemprego, uma tendência de 87 meses, que portanto começou com Barack Obama. "Os níveis de desemprego para afro-americanos e latino-americanos são os menores da história."

Como prometido, continuou Trump, "promovemos o maior corte de impostos da história dos EUA, dando um grande alívio para a classe média e os trabalhadores". Ele destacou os ganhos da classe média: "Uma família que ganhe US$ 75 mil terá seus impostos reduzidos à metade."

Entre os impostos suprimidos, está a obrigação de ter seguro-saúde do programa do governo Obama para universalizar a cobertura de saúde. Trump acabou com isso.

A alíquota do imposto de renda das empresas caiu de 35% para 21%, gabou-se o presidente. Os críticos advertem que a dívida pública interna deve crescer US$ 1,5 trilhão nos próximos dez anos e que 82% vai para o 1% mais rico.

"Desde que aprovamos os cortes de impostos, mais de 3 milhões de trabalhadores receberam bônus salariais de suas empresas. A Apple vai trazer US$ 238 bilhões e criar 20 mil empregos", acrescentou Trump. "Nunca houve um tempo melhor para o sonho americano. Juntos, podemos conquistar qualquer coisa."

"A família e a fé estão no centro da vida americana, não o Estado. Celebramos nossa polícia, nossas Forças Armadas e nossos veteranos pelo seu heroísmo", clamou Trump, todos agentes do Estado, conseguindo novos aplausos de uma assistência entusiasmada pelo seu patriotismo primário, de bandeiras e heróis.

Um menino que lançou uma campanha para plantar 40 mil bandeirinhas no túmulo de soldados mortos em guerras foi o próximo destaque de um discurso bem arquitetado pelo marketing populista  de Trump, apelando mais à emoção do que à razão do eleitorado.

"Eliminamos mais regulamentações no primeiro ano do que qualquer governo na história deste país. Acabamos com a guerra contra energia e contra o belo carvão limpo. Somos hoje exportadores de energia para o mundo", alegou para defender sua política de abandonar o Acordo de Paris sobre Mudança do Clima, onde as restrições que cada país deve fazer são voluntárias.

Em uma jogada que certamente aumentará sua popularidade se virar realidade, mais uma promessa cara à população: "Uma das minhas prioridades é reduzir o preço dos medicamentos. Os americanos pagam muito mais caro do que em outros países. Os preços vão cair. Fiquem atentos".

Na política comercial, se depender de Trump, acabou a era da liberalização comercial: "A era da rendição econômica acabou. Daqui para a frente, queremos comércio justo e recíproco. Vamos negociar novos acordos comerciais, proteger os trabalhadores americanos e a propriedade intelectual. Vamos reconstruir nossa indústria e nossa infraestrutura", vangloriou-se.

"Os EUA são um país de construtores. Nós construímos o Empire State building em um ano. Agora, precisamos de um ano para obter autorização para abrir uma estrada. Peço ao Congresso que faça uma lei para alocar US$ 1,5 trilhão para obras de infraestrutura, com a ajuda de estados, municípios e do setor privado. Vamos construir com corações americanos, mãos americanos", apelou o presidente.

Com os cortes de impostos, sugeriu, as empresas devem investir no treinamento de seus profissionais. Vamos apoiar famílias, dando licença-maternidade sem corte de pagamento.

Ao entrar no tema da imigração, Trump acusou os ilegais pela violência, as gangues e o tráfico de drogas na fronteira. O presidente ignora que as gangues de latino-americanos foram feitas para sobreviver em cidades como Los Angeles. Eles levaram o modelo das gangues americanas para seus países de origem.

Trump prometeu uma chance de se tornar cidadãos americanos para 1,8 milhão de imigrantes ilegais que entraram no país quando crianças, os chamados sonhadores, sem esquecer de dizer que todos os americanos são sonhadores.

Logo, apresentou sua proposta para a reforma da imigração: "Os que tiverem educação e bom caráter poderão se tornar cidadãos dos EUA durante um período de 12 anos. O segundo pilar é a segurança da fronteira. Isto significa construir um grande muro na fronteira sul", outra promessa de campanha, aplaudida pela bancada republicana.

"O terceiro pilar acaba com a loteria que dá residência a quem não mostrou qualificação e pode ameaçar a segurança dos EUA. Vamos passar a um regime de imigração baseado no mérito. O quarto pilar protege a família nuclear acabando com a imigração em cadeia. Pela atual legislação falida, um imigrante pode trazer a família inteira", o que foi garantido pela Justiça.

"Na era do terrorismo, a loteria de imigração não faz mais sentido. Assim, finalmente, teremos um sistema de imigração do século 21", afirmou.

Quando citou a China e a Rússia como ameaças, Trump entrou na área política externa pedindo ao Congresso que dê dinheiro para as Forças Armadas para que os EUA tenham uma força incontrastável. Vai pedir um recorde de US$ 716 bilhões no orçamento anual e pretende renovar todo o arsenal nuclear dos EUA.

Como não poderia deixar de ser, o presidente narcisista se atribuiu a vitória sobre a milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que começou a ser combatida por Obama em agosto de 2014. Trump manteve a estratégia.

"Terroristas não são apenas inimigos, são combatentes ilegais. No passado, libertamos centenas de terroristas que voltamos a enfrentar no campo de batalha, inclusive al-Baghdadi, o líder do Estado Islâmico. Decidi manter aberto as instalações da Baía de Guantânamo. Peço ao Congresso autorização para prender terrorismo onde quisermos, inclusive Guantânamo" , anunciou.

O centro de detenção ilegal foi instalado em fevereiro de 2002 na base naval de Guantânamo, um enclave americano em Cuba que os EUA ocupam desde a Guerra Hispano-Americana, a guerra da independência de Cuba, em que os americanos tomaram também as Filipinas. Sob Theodore Roosevelt, era o ínicio do Império Americano.

Sobre a Guerra no Afeganistão, disse que "desde o mês passado, nossos militares têm ampla liberdade para atacar e não vão conhecer nossos planos antes da hora", referência aos anúncios de retirada gradual de Obama. Desde que os EUA anunciaram a suspensão da ajuda militar ao Paquistão, a violência dos grupos extremistas muçulmanos aumentou consideravelmente, com centenas de mortos nos últimos dias.

"No mês passado, reconheci Jerusalém como capital de Israel. Imediatamente, vários países condenaram nas Nações Unidas a posição soberana dos EUA. Demos bilhões de dólares a alguns países. Peço ao Congresso que aprove lei para impedir que o dinheiro do contribuinte americano vá para países que não sejam amigos dos EUA", anunciou.

Aí voltou aos inimigos: "Também pedi ao Congresso que revise o desastroso acordo como Irã e pedi que sancione os regimes comunista e socialista de Cuba e da Venezuela. Mas nenhum país oprime mais seu próprio povo do que a Coreia do Norte. Estamos liderando uma campanha de boicote em grande escala. Não vamos repetir os erros de governos anteriores. Basta vermos o caráter depravado do líder do regime norte-coreano para ver a dimensão da ameaça", argumentou o presidente americano.

Em resposta, em nome do Partido Democrata, o deputado Joe Kennedy III, neto do senador Robert Kennedy e sobrinho-neto do presidente John Kennedy, lembrou do caos na Casa Branca nos últimos 12 meses, criticou Trump por dividir o país e elogiou os jovens imigrantes ilegais latino-americanos, falando com eles com espanhol e dizendo "vocês são parte da nossa história".

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Democratas ganham eleições para governador em derrota de Trump

O vice-governador democrata Ralph Northam, um médico e veterano do Exército dos Estados Unidos, venceu ontem a eleição para governador do estado da Virgínia, enquanto o ex-diretor do banco Goldman Sachs Philip Murphy vai governar Nova Jérsei, acabando com a era de oito anos do republicano Chris Christie, próximo do presidente Donald Trump.

Foi a primeira grande derrota de Trump nas urnas, um ano depois de sua vitória histórica, observou o jornal The New York Times. Northam superou uma campanha marcada pela divisão racial da governo Trump para vencer com 54% dos votos. Da Coreia do Sul, o presidente acusou o republicano Ed Gillespie de não seguir suas ideias.

Trump perdeu na Virgínia em 2016 por cinco pontos percentuais. É extremamente impopular no estado. A campanha de dois candidatos das máquinas partidárias era morna até Gillespie tocar em temas trumpistas como imigração e os símbolos da Guerra Civil (1861-65). A Virgínia fazia parte da Confederação dos Estados do Sul, que pretendia se separar da União por não aceitar o fim da escravidão.

Esse discurso divisionista foi rejeitado pela elite econômica. Gillespie foi amplamente derrotado nos distritos mais ricos, onde os republicamos costumam vencer. As pesquisas de boca de urna indicam que a maioria dos eleitores está mais preocupada como o fim do programa de saúde do governo Obama de que com a imigração e a criminalidade.

Em Nova Jérsei, depois de um tumultuado governo de oito anos de Chris Christie, Philip Murphy também resistiu às provocações sobre raça, imigração e criminalidade para se eleger governador com 56% dos votos prometendo salário mínimo de US$15 por hora, a legalização da maconha e leis mais duras para a venda e o porte de armas. Sua rival, a vice-governadora Kim Guadagno acenou com a queda do imposto sobre propriedade.

A eleição em Nova York foi para prefeito. O democrata Bill de Blasio foi eleito com 66% dos votos, com o sucesso no programa para garantir o acesso de todas as crianças à pré-escola a partir dos 4 anos e a redução ainda maior na criminalidade em Nova York, hoje uma das cidades mais seguras dos EUA.

No Maine, no extremo Nordeste dos EUA, a votação foi para saber se o estado deve ampliar o acesso ao programa de saúde para os pobres Medicaid dentro da Lei de Cobertura de Saúde a Preços Acessíveis. Será o primeiro estado a submeter o Obamacare diretamente ao julgamento das urnas.

O Maine é um dos 19 estados onde governadores ou assembleias legislativas republicanas rejeitaram a ampliação do Medicaid dentro do Obamacare. O apoio ao programa de Obama ganhou com 59%.

domingo, 15 de outubro de 2017

Estados vão à Justiça contra fim do subsídio à saúde nos EUA

Dezoito estados e o distrito federal recorreram a um tribunal federal da Califórnia, nos Estados Unidos, para barrar o decreto do presidente Donald Trump que cortou os subsídios federais ao programa do governo Barack Obama para garantir cobertura universal de saúde a todos americanos, noticiou o boletim de notícias PoliticusUSA.

Os subsídios reduzem o preço do seguro-saúde para os mais pobres. Chegariam a US$ 7 bilhões em 2017 e US$ 10 bilhões por ano nos próximos dez anos.

Trump também permitiu que as empresas vendam planos de saúde com cobertura apenas parcial para cobrar menos de pessoas jovens e sadias. Essas duas medidas devem aumentar muito os preços para idosos e pessoas com doenças graves, deixando-as fora do mercado.

Em sua estratégia de desmontar a Lei de Cobertura de Saúde a Preços Acessíveis, do governo Obama, o presidente já havia autorizado as empresas e os planos de saúde a não pagar anticoncepcionais por "objeção religiosa". Agora, tira os subsídios e permite oferecer coberturas parciais, com exclusões de doenças.

Pelos cálculos do Escritório de Orçamento do Congresso (CBO), um órgão bipartidário, mais de 20 milhões correm o risco de perder seus seguros-saúde nos próximos anos. O impacto sobre as camadas mais pobres será enorme.

"No que concerne aos subsídios, eu não quero enriquecer as companhias de seguro-saúde", justificou Trump. "Elas estão ganhando uma fortuna com esse dinheiro."

O presidente tenta assim minas o Obamacare, um programa bastante popular. Por isso, 18 estados ameaçados de perder subsídios que permitem oferecer um serviço de saúde melhor recorreram à Justiça: Califórnia, Carolina do Norte, Connecticut, Delaware, Kentucky, Illinois, Iowa, Maryland, Massachusetts, Minnesota, Nova York, Novo México, Oregon, Pensilvânia, Rhode Island, Vermont, Virgínia, Washington e o Distrito de Colúmbia.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Trump corta subsídios ao programa de saúde do governo Obama

Em novos ataques ao programa do governo Obama para garantir cobertura universal de saúde aos americanos, o presidente Donald Trump cortou ontem os subsídios federais aos pobres e autorizou os planos de saúde a oferecerem coberturas parciais para reduzir o preço do seguro-saúde para jovens sadios. A contrapartida será um aumento para quem tiver doenças preexistentes graves.

Ao justificar sua decisão, Trump alegou há pouco que "os subsídios favorecem as empresas" e não os americanos mais pobres, que não têm dinheiro para pagar o seguro-saúde.

As duas medidas desmontam a Lei de Cobertura de Saúde a Preços Acessíveis, a grande conquista de política interna de Obama, para garantir acesso a tratamento médico para todos os americanos. Revogar o Obamacare é uma antiga aspiração do Partido Republicano. Trump tentar fazer por decreto o que o partido não conseguiu no voto no Congresso, observou o jornal The New York Times.

Com os subsídios federais, Obama criou mercados estaduais onde quem não tem seguro-saúde através do emprego pode comprar seu próprio plano. A lógica é que jovens sadios ajudem a compensar o custo da cobertura de idosos e pessoas com doenças graves.

Sem os subsídios, estes mercados devem entrar em colapso. As chamadas "reduções de pagamento para dividir custos" chegariam a US$ 9 bilhões em 2018 e a US$ 100 bilhões em uma década.

Ao todo, os republicanos pretendem cortar o orçamento do Medicaid, o programa de saúde para os pobres, em US$ 900 bilhões em dez anos. Em troca, Trump vai cortar impostos para os mais ricos e as grandes empresas.

"O governo não pode legalmente fazer estes pagamentos para dividir os custos", declarou a Casa Branca, acrescentando que "o Congresso precisa revogar e substituir a desastrosa lei do Obamacare e oferecer alívio real ao povo americano." O argumento aqui é que o orçamento para pagar os subsídios nunca foi aprovado.

Até agora, os republicanos não apresentaram uma alternativa ao Obamacare. Suas propostas tiram em dez anos a cobertura de saúde de pelo menos 20 milhões de americanos, de acordo com estimativa do Escritório de Orçamento do Congresso (CBO), um órgão bipartidário.

Como mostram os estudos de economia comportamental que deram o Prêmio Nobel de Economia de 2017 ao americano Richard Thaler, a sensação de perda é muito maior do que a de carência porque a pessoa deixa de ter algo com que contava.

O impacto político do fim do Obamacare pode abalar seriamente a popularidade da direita republicana nas eleições de 2018. Se Trump perder a maioria no Congresso, diante dos erros e desatinos do presidente, o impeachment passa a ser uma possibilidade real.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Ministro da Saúde de Trump cai por viajar em jatos militares e privados

Mais um ministro do primeiro escalão dá adeus ao governo Donald Trump. Tom Price não é mais secretário da Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos. Ele pediu demissão hoje, sob pressão desde que foi revelado que usou aviões militares e pegou carona em jatos privados em viagens particulares.

Sua gestão foi marcada pelo fracasso do Partido Republicano no Congresso em acabar com o programa de universalização da saúde do governo Barack Obama, uma luta de sete anos do partido e um compromisso da campanha de Trump. Na terça-feira, mais uma proposta republicana para revogar o Obamacare desabou, no Senado. Nem sequer chegou à votação.

O presidente elogiou o agora ex-ministro, mas admitiu ontem estar desapontado. "Lamento que os acontecimentos recentes tenham desviado a atenção de objetivos importantes", declarou Price em sua carta de renúncia.

Na quinta-feira à noite, Price prometeu para de usar jatinhos particulares e prometeu reembolsar o governo dos EUA em US$ 50 mil por pegar carona em aviões militares. "Não vou mais usar voos fretados privados como secretário da Saúde e Serviços Humanos, sem exceções."

Antes de ser ministro, Tom Price era deputado federal. Foi eleito pela primeira vez em 2004, na reeleição de George W. Bush. Com a eleição de Barack Obama, em 2008, aproximou-se do movimento radical de direita Festa do Chá.

Enquanto os republicanos lamentaram a queda, os democratas festejaram a saída e prometeram obstruir a indicação de um ministro como Price: "O próximo secretário da Saúde e dos Serviços Humanos deve cumprir a Lei de Cobertura de Saúde a Preços acessíveis, em vez de tentar sabotá-la", afirmou o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer.

Outros ministros do primeiro escalão, como o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, tiveram viagens questionadas. No início da noite de sexta-feira, o governo baixou um memorando exigindo a aprovação prévia da Casa Branca qualquer viagem em aviões governamentais ou alugados ou fretados pelo governo federal dos EUA.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Trump culpa Congresso por problema nas relações com a Rússia

Em sua metralhadora giratória no Twitter, um dia depois de sancionar uma lei impondo novas sanções à Rússia, o presidente Donald Trump culpou o Congresso dos Estados Unidos pela deterioração nas relações entre os dois países.

Mais uma vez, Trump ignorou a história e a realidade atual: "Nosso relacionamento com a Rússia está no pior momento em todos os tempos, muito perigoso", afirmou o presidente. Esqueceu que os dois países quase foram à guerra nuclear durante a Guerra Fria e que há várias investigações sobre a interferência indevida do Kremlin na eleição presidencial americana do ano passado.

"Vocês podem agradecer ao Congresso, as mesmas pessoas que não são capazes de nos dar uma reforma da saúde", disparou o presidente, criticando o Senado, que não aprovou várias tentativas do governo Trump para acabar com o programa de universalização da saúde do governo Barack Obama.

domingo, 30 de julho de 2017

Maioria dos americanos apoia programa de saúde de Obama

Quase dois terços dos Estados Unidos são contra as tentativas do Partido Republicano de acabar com o programa de saúde do governo Barack Obama e acreditam que o Congresso deve se dedicar a outras questões, indica uma pesquisa do instituto Ipsos para a agência Reuters.

Cerca de 64% dos mais de 1.130 americanos ouvidos em 28 e 29 de julho, depois do colapso das propostas republicanas no Senado, querem manter o Obamacare "inteiramente como está" ou mudando apenas "áreas problemáticas". Em janeiro, 54% eram a favor.

Ao todo, 71% esperam que o Congresso passe a atacar outros problemas do país. Apenas 29% querem que os republicanos "continuem trabalhando numa nova lei de saúde". É mais uma derrota para o presidente Donald Trump, que insiste na rejeição do programa de Obama para garantir cobertura universal de saúde.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Senado dos EUA derrota mais uma vez rejeição ao Obamacare

Por 51 a 49, com voto decisivo do senador John McCain, o Senado dos Estados Unidos rejeitou mais uma vez a proposta do Partido Republicano e do presidente Donald Trump para revogar a Lei de Cobertura de Saúde Acessível, a principal conquista de política interna do governo Barack Obama.

"É hora de olhar para os colegas do outro lado do plenário e ouvir o que tem a dizer", admitiu o líder da maioria republicana, senador Mitch McConnell, reconhecendo a derrota e pedindo à bancada do Partido Democrata que apresente suas propostas para melhorar o sistema de saúde.

Estava em votação hoje a chamada "rejeição magrinha", limitada ao fim da obrigação de ter seguro-saúde, de empresas de certo porte financiarem a cobertura de seus funcionários e de planos de saúde não poderem excluir doenças preexistentes.

Se os planos de saúde puderem excluir doenças preexistentes, quem tiver essas doenças terá prêmios de seguro-saúde altíssimos e provavelmente deixará de ter cobertura. O programa de Obama visava a dar cobertura universal de saúde. A proposta rejeitada deixaria 15 milhões sem seguro-saúde em dez anos, alertou o Escritório de Orçamento do Congresso (CBO, um órgão bipartidário.

O projeto volta agora para uma comissão, onde poderá ser reescrito. "Vamos virar a página e trabalhar juntos para melhorar nosso sistema de saúde", diz agora o líder da minoria, senador Charles Schumer.

McCain deu o voto decisivo. Veterano da Guerra do Vietnã, onde ficou preso durante cinco anos e meio, ele foi candidato à Casa Branca derrotado por Obama em 2008 e enfrenta uma nova batalha contra um câncer de cérebro agressivo diagnosticado há pouco.

Durante a campanha, Trump o atacou pessoalmente, afirmando que "verdadeiros heróis não vão presos". Devem vir aí novos disparos no Twitter.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Senado rejeita revogar programa de saúde de Obama sem substituição

Em mais uma derrota do presidente Donald Trump, o Senado dos Estados Unidos rejeitou uma proposta para acabar com o programa de universalização da cobertura de saúde do governo Barack Obama sem substituí-lo por outro, noticiou o jornal The New York Times.

Sete senadores do Partido Republicano se uniram aos 48 da bancada do Partido Democrata para votar contra a "rejeição limpa" defendida pelo senador libertário Rand Paul, que é contra a participação do Estado na cobertura de saúde.

O fracasso da proposta reflete a divisão na bancada republicana. Enquanto a maioria quer reduzir a participação do Estado no sistema de saúde, alguns senadores temem a reação popular ao fim da Lei de Atendimento de Saúde a Preços Acessíveis, o que pode deixar 20 milhões de americanos sem cobertura.

A reforma da saúde continuará em debate até o fim da semana. Os republicanos cogitam rejeitar apenas partes do programa de Obama, como a obrigação de ter seguro-saúde e de que as grandes empresas ofereçam cobertura a seus empregados.

Mesmo assim, o impacto no sistema de saúde seria enorme, advertiu o Escritório de Orçamento do Congresso (CBO), bipartidário, com risco de deixar mais 15 milhões de pessoas sem seguro-saúde.

O chamado Obamacare impôs a obrigação de ter plano de saúde, obrigou empresas a financiar a cobertura de seus funcionários, proibiu os planos de saúde de excluir doenças preexistentes, criou um imposto sobre lucros financeiros para aumentar o orçamento do Medicaid, o programa de saúde para os pobres.

Ao cortar o orçamento do Medicaid em US$ 900 bilhões e reduzir impostos sobre aplicações financeiras que beneficiam os ricos, e especialmente os muito ricos, o Partido Republicano corre o risco de perder a maioria na Câmara e no Senado nas eleições intermediárias de 2018.

Se com maioria o governo Donald Trump não conseguiu fazer nada além de aprovar a nomeação do juiz conservador Neil Gorsuch para a Suprema Corte, sem maioria o risco de impeachment de Trump seria muito maior.

terça-feira, 25 de julho de 2017

Senado rejeita proposta republicana para reformar sistema de saúde

Por 57 a 43 votos, o Senado dos Estados Unidos derrubou há pouco a proposta do Partido Republicano para revogar e substituir o programa de universalização da cobertura de saúde do governo Obama. O debate continua e novas votações devem ser realizadas ainda nesta semana.

Todos os senadores democratas e nove republicanos votaram contra o plano apresentado pelo líder da maioria, Mitch McConnell, o que dificulta a rejeição do programa de saúde de Obama.

O vice-presidente Mike Pence, que no sistema constitucional americano preside o Senado, deu o voto de minerva para que a questão fosse colocada em debate. Mais uma vez, é possível que o governo Donald Trump fracasse em sua tentativa de destruir o legado de Obama.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Republicanos abandonam projeto contra programa de saúde de Obama

Um Partido Republicano dividido causou a primeira grande derrota do presidente Donald Trump no Congresso ao abandonar o projeto do presidente da Câmara, deputado Paul Ryan, para acabar com o programa de universalização da saúde pública do governo Barack Obama.

Visivelmente irritado, Trump falou em deixar o programa de Obama implodir, sob o argumento de que as prestações do seguro-saúde vão aumentar muito nos próximos anos. Acabar com o programa de saúde de Obama era uma promessa de campanha de Trump e da maioria dos republicanos.

O projeto retirado de votação deixaria em dez anos mais 24 milhões de americanos sem seguro-saúde, advertiu o bipartidário Escritório de Orçamento do Congresso. Isso colocou republicanos moderados na defensiva, não querendo pagar o preço nas próximas eleições.

Ao mesmo tempo, a ala mais direitista do partido, chamava o projeto de Obamacare light, acusando o projeto republicano de criar um Estado de bem-estar social nos EUA, o que para a ultradireita é uma espécie de socialismo.

Com o partido dividido, ficou evidente que não haveria votos suficientes para aprovar o projeto, apesar do patrocínio de Ryan e do apoio de Trump, os dois grandes perdedores.

sábado, 14 de janeiro de 2017

Canceroso desafia republicano e elogia plano de saúde de Obama

Durante um debate público no formato de assembleia de cidadãos organizado pela TV americana CNN, um sobrevivente de câncer enfrentou quinta-feira à noite o presidente da Câmara dos Representantes, o deputado ultradireitista Paul Ryan, e elogiou o presidente Barack Obama, afirmando que o programa de cobertura universal de saúde do atual governo salvou sua vida.

O Partido Republicano fez oposição sistemática nos oito anos de governo Obama. Seu programa de saúde foi aprovado nos primeiros anos de governo, quando o Partido Democrata tinha maioria nas duas casas do Congresso. Desde então, os republicanos tentam revogá-lo sem apresentar uma proposta alternativa.

Pelo menos 20 milhões de americanos passaram a ter seguro-saúde com base no programa de saúde que Ryan chamou de "fracassado", informou o boletim de notícias PoliticusUSA. Sem maioria suficiente no Senado para revogar a lei, os republicanos pretendem esvaziar o financiamento do programa.

Jeff Jeans declarou que foi republicano a vida inteira, participou das campanhas presidenciais de Ronald Reagan e George H. W. Bush, o pai, e era contra o programa de saúde de Obama. Aos 49 anos, foi diagnosticado com câncer. Os médicos lhe deram seis semanas de vida.

"Graças à Lei de Cobertura de Saúde Acessível, eu estou vivo hoje aqui", disse Jeans. "Precisei da Lei de Cobertura de Saúde Acessível para comprar meu próprio seguro-saúde. Como vocês pretendem acabar  com a lei sem encontrar uma substituição?"

Visivalmente constrangido, o presidente da Câmara, principal líder do Partido Republicano depois do presidente eleito, Donald Trump, respondeu: "Não vamos fazer isso. Queremos substituí-la por algo melhor. Em primeiro lugar, estou feliz porque você está aqui de pé.

Jeans fez questão de voltar ao microfone para elogiar o programa de cobertura universal de saúde de Obama: "Eu queria agradecer ao presidente Obama do fundo do coração porque eu estaria morto se não fosse ele."

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Republicanos têm manual para atacar Obama

Para acabar com o programa de universalização da saúde que é a maior conquista de política interna do presidente Barack Obama, a oposição republicana, que tem maioria na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, preparou um manual chamado Por causa do Obamacare, perdi meu seguro de saúde, revelou a rede de televisão americana CNN.

A feroz oposição a Obama é liderada pelo movimento radical de direita Festa do Chá, que luta para reduzir impostos e reduzir a máquina do Estado, por isso quer cortar programas do governo federal dos EUA, especialmente benefícios sociais como vales de alimentação e subsídios à saúde de pobres e idosos.

O programa enfrentou sérios problemas técnicos. No lançamento, os sítios do governo federal na Internet onde os cidadãos americanos podem comparar os diferentes seguros de saúde e escolher seu plano não funcionaram. A popularidade de Obama caiu para 42%.