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domingo, 13 de dezembro de 2020

Reino Unido e UE prorrogaram negociações sobre comércio pós-Brexit

Depois de um telefonema para o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou que vale a pena andar "uma milha extra" para tentar fechar um acordo com o Reino Unido sobre as relações comerciais depois da saída do país da União Europeia. O prazo final era hoje. A fase de transição termina em 31 de dezembro de 2020.

O Reino Unido deixou a UE em 31 de janeiro deste ano, em consequência do plebiscito realizado em 23 de junho de 2016. Aparentemente, os partidários da saída britânica (Brexit) não tinham planejado o futuro, talvez porque não acreditassem na vitória.

Johnson, um dos líderes da campanha da Brexit, se tornou líder do Partido Conservador e primeiro-ministro em 2019, substituindo Theresa May. Ela sucedera David Cameron, o chefe de governo que convocou o plebiscito com a esperança de pacificar a guerra interna do partido em torno das relações com a Europa, que vinha desde o governo Margaret Thatcher (1979-90).

As negociações emperraram em três problemas;

• a pesca, que representa menos de 0,5% da economia britânica, mas tem um significado simbólico por causa da soberania sobre os mares;

• o apoio estatal à produção, que inclui subsídios, leis trabalhistas e ambientais, capazes de levar a uma concorrência desleal;

• e quem vai julgar os conflitos nas relações comerciais.

Um acordo será difícil. Como a Brexit foi aprovada em nome da restauração da soberania nacional, o primeiro-ministro se nega a aceitar as normas e a jurisdição da UE. Por sua vez, o bloco europeu não vai aceitar medidas que contrariem as regras do mercado comum, uma Europa à la carte

O Reino Unido, que tem quase a metade de seu comércio exterior com a UE, não vai obter fora do bloco condições melhores do que tinha como país-membro. Johnson ameaçou acionar a Marinha Real para atacar barcos pesqueiros na mar territorial britânico numa ressurreição da diplomacia das canhoneiras do Império Britânico.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Conflito entre EUA e China deve durar décadas

O acordo assinado hoje entre os Estados Unidos e a China é apenas uma trégua na guerra comercial e numa competição maior pela supremacia mundial.

Hoje foi um bom dia para o comércio internacional. Depois de meses de negociações o presidente americano, Donald Trump, e o vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, assinaram um primeiro acordo entre as duas maiores econômicas do mundo para dar uma trégua na guerra comercial. 

O acordo tem oito capítulos e 96 páginas. Os críticos da estratégia de Trump entendem que a China fez concessões que não pagam os prejuízos causados pela guerra comercial. A Casa Branca alega que é um grande avanço em relação a governos anteriores. Meu comentário:

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Presidente do Equador recua e suspende aumento dos combustíveis

Depois de 12 dias de protestos com confrontos das forças de segurança contra manifestantes indígenas, trabalhadores e estudantes nas ruas da capital, Quito, o presidente Lenín Moreno cancelou o aumento de 120% nos combustíveis, parte de um acordo do Equador com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para eliminar subsídios em troca de um empréstimo de US$ 4 bilhões, mais de R$ 16 bilhões.

Diante do recuo do governo, os líderes das manifestações anunciaram a desmobilização, apesar da exigência das alas mais radicais de uma renúncia do presidente.

Moreno também prometeu revisar as medidas de austeridade econômica prometidas ao FMI para equilibrar as contas públicas do Equador, inclusive planos para diminuir os salários dos funcionários públicos. Seu desafio agora é reduzir o déficit público sem provocar novos distúrbios.

O presidente terá de enfrentar uma dura campanha para se reeleger em 2021 por causa da ameaça de seu antecessor, Rafael Correa, de quem era vice-presidente.

Ao chegar ao poder, Moreno mudou a orientação política de Correa, um discípulo do falecido caudilho venezuelano Hugo Chávez, e adotou políticas mais favoráveis à economia de mercado. Suspeito de ter recebido propina da construtora brasileira Odebrecht, o ex-presidente fugiu para um autoexílio na Bélgica, onde nasceu sua mulher.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Movimento indígena exige queda do presidente do Equador

Ondas de manifestantes enfrentaram a polícia hoje nas ruas de Quito, no sétimo dia de protestos contra o fim do subsídio aos combustíveis, que subiram 120% em função de um acordo para obter um empréstimo de US$ 4 bilhões. 

Os protestos são liderados pelo movimento indígena, que derrubou três presidentes do Equador desde 1997 e agora exige a renúncia do presidente Lenín Moreno. Em uma semana, pelo menos cinco pessoas foram mortas e quase 800 foram presas.

A Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie), que se nega a negociar com o governo, liderou a marcha até o centro da capital, paralisada por uma greve geral. Foram seguidos por trabalhadores e estudantes. Estes jogaram pedras na polícia, que reagiu com bombas de gás lacrimogênio.

"Queremos que as medidas sejam revogadas para dar tranquilidade ao povo", declarou o líder indígena César García, de 52 anos, enquanto uma representante da comunidade de Zumbahua, na província de Cotopaxi, Diana Guanatuña, exigia que "o governo se vá porque teve tempo suficiente para mostrar o que pode fazer pelo povo e não fez nada."

A situação econômica do país se agravou nos últimos anos com a queda nos preços do petróleo. O presidente Moreno anunciou a intenção de deixar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) para escapar dos limites de produção impostos pelos grandes produtores.

Moreno era vice-presidente de Rafael Correa, um presidente de esquerda carismático e popular que seguia a linha do chavismo. No governo, adotou uma postura mais favorável ao mercado e aos empresários. Acusado de corrupção num escândalo envolvendo a construtora brasileira Odebrecht, Correa fugiu para a Bélgica, país de sua mulher.

Na semana passada, Correa esteve em Caracas, onde se reuniu com o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro. Moreno, que na segunda-feira transferiu o governo para Guaiaquil, a maior cidade e capital econômica do Equador, responsabiliza os dois pela explosão de violência no Equador. Hoje, voltou a Quito.

Os índios são 4,5 milhões, cerca de 25% da população equatoriana, de 17,7 milhões de habitantes, dos quais 37% vivem na miséria. Entre os indígenas, a pobreza chega a 73%. Eles tiveram participação decisiva em todos os movimentos de protesto. Provocaram a queda dos presidente Abdalá Bucaram, em 1997; Jamil Mahuad, em 2000; e Lucio Gutiérrez, em 2005.

sábado, 9 de junho de 2018

Trump propõe transformar G-7 em área de livre comércio

Em mais uma surpresa para os aliados dos Estados Unidos no Grupo dos Sete, que reúne as maiores potências industriais capitalistas (EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá), o presidente Donald Trump propôs fazer do G-7 uma zona de livre comércio, sem tarifas de importação nas transações entre os países-membros.

Foi uma surpresa porque Trump chegou à reunião de cúpula em Charlevoix, no Canadá, depois de anunciar a imposição de tarifas sobre as exportações de aço e alumínio dos aliados, no que pode facilmente virar uma guerra comercial.

"Sem tarifas, nem barreiras - é assim que deve ser. E sem subsídios", declarou o presidente americano antes de sair da reunião rumo a Cingapura, onde se encontra na terça-feira com o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Un. "Somos como aquele cofrinho de porquinho que todo o mundo está roubando. Isso vai acabar."

Em entrevista coletiva, Trump voltou a se queixar do protecionismo agrícola do Canadá e denunciou as políticas comerciais "brutais" da União Europeia: "Isso vai parar ou vamos parar de comerciar com eles."

O chefe da assessoria econômica da Casa Branca, Larry Kudlow, afirmou que a proposta de criar uma zona de livre comércio é resultado de uma "longa discussão" e não mais uma atitude impulsiva de Trump. Na sua opinião, é preciso "reduzir aquelas barreiras. De fato, ir para zero, sem tarifas, sem barreiras não tarifárias nem subsídios. Ao longo do caminho, vamos ter de limpar o sistema de comércio internacional."

Ao chegar ao poder, Trump retirou os EUA da Parceria Transpacífica (TPP), acertada pelo governo Barack Obama, e praticamente enterrou as negociações sobre uma Parceria Transatlântica de Comércio e Investimentos.

Antes de sair, Trump declarou ser contra uma iniciativa do Canadá para combater a poluição de plástico nos oceanos. O presidente americano deixou a reunião cedo neste sábado, antes do debate do G-7 sobre questões ambientais.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Banco Central da Argentina eleva taxa básica de juros para 40%

O Banco Central da Argentina surpreendeu hoje o mercado financeiro, elevando a taxa básica de juros pela terceira vez em uma semana para 40% ao ano para tentar conter a desvalorização do peso. 

Sob o impacto da medida, a moeda argentina subiu 5% para 21,238 pesos por dólar, mas depois caiu 2,3% e chegou a 22,25 por dólar. A moeda americana terminou o dia valendo 22,17 pesos em Buenos Aires.

Várias economias em desenvolvimento estão sob pressão com a alta do dólar diante da expectativa de mais três altas na taxa básica de juros neste ano nos Estados Unidos: Argentina, Brasil, México, Polônia e Turquia, entre outras. Como aqui, o BC argentino entrou no mercado vendendo US$ 5 bilhões das reservas cambiais do país.

Desde o início do ano, o peso perdeu 15% do valor, o real 13% e a lira turca também caiu mais de 10%. Para o jornal inglês Financial Times, é o primeiro grande teste do mercado à política de reformas do presidente Mauricio Macri, eleito há dois anos e meio com a promessa de tornar a Argentina num país normal depois de 12 anos de governos de Néstor e Cristina Kirchner.

Néstor Kirchner (2003-7) chegou ao poder em meio a uma depressão econômica, depois do fim da dolarização da era Carlos Menem (1989-99), de uma megadesvalorização do peso e de todos os ativos e de um calote de US$ 100 bilhões na dívida do país.

A crise sem precedentes numa economia razoavelmente desenvolvida, superada agora pelo colapso econômico da Venezuela, jogou 58% dos argentinos para baixa da linha de pobreza e levou Kirchner a adotar uma série de subsídios a alimentos, transportes e energia.

Quando veio a Grande Recessão de 2008-9, no início do governo Cristina Kirchner (2007-15), com a escassez de dólares, a saída foi sobretaxar as exportações agrícolas, o que provocou uma greve de produtores rurais. A greve do campo esvaziou as prateleiras dos supermercados e afetou o comércio exterior de uma grande potência agrícola mundial.

Sem o apoio dos ruralistas, Cristina deu uma guinada à esquerda e manteve os subsídios para garantir o apoio de sua base política, sindicalista e peronista, aumentando com isso o déficit orçamentário e a dívida pública.

Hoje o ministro da Economia, Nicolás Dujovne, anunciou uma redução do superávit primário de 3,2% para 2,7% do produto interno bruto e defendeu a alta nos juros: "A convergência para o equilíbrio fiscal não é negociável", declarou, prometendo resistir às "pressões populistas".

Com a redução do superávit primário (saldo nas contas públicas sem computar o pagamento de juros), o governo da Argentina deixará de tomar emprestado US$ 3 bilhões e já garantiu os recursos para 80% de sua necessidade de financiamento em 2018.

Apesar dos problemas econômicos, Macri ainda tem o apoio de mais de 50% dos argentinos.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Trump corta subsídios ao programa de saúde do governo Obama

Em novos ataques ao programa do governo Obama para garantir cobertura universal de saúde aos americanos, o presidente Donald Trump cortou ontem os subsídios federais aos pobres e autorizou os planos de saúde a oferecerem coberturas parciais para reduzir o preço do seguro-saúde para jovens sadios. A contrapartida será um aumento para quem tiver doenças preexistentes graves.

Ao justificar sua decisão, Trump alegou há pouco que "os subsídios favorecem as empresas" e não os americanos mais pobres, que não têm dinheiro para pagar o seguro-saúde.

As duas medidas desmontam a Lei de Cobertura de Saúde a Preços Acessíveis, a grande conquista de política interna de Obama, para garantir acesso a tratamento médico para todos os americanos. Revogar o Obamacare é uma antiga aspiração do Partido Republicano. Trump tentar fazer por decreto o que o partido não conseguiu no voto no Congresso, observou o jornal The New York Times.

Com os subsídios federais, Obama criou mercados estaduais onde quem não tem seguro-saúde através do emprego pode comprar seu próprio plano. A lógica é que jovens sadios ajudem a compensar o custo da cobertura de idosos e pessoas com doenças graves.

Sem os subsídios, estes mercados devem entrar em colapso. As chamadas "reduções de pagamento para dividir custos" chegariam a US$ 9 bilhões em 2018 e a US$ 100 bilhões em uma década.

Ao todo, os republicanos pretendem cortar o orçamento do Medicaid, o programa de saúde para os pobres, em US$ 900 bilhões em dez anos. Em troca, Trump vai cortar impostos para os mais ricos e as grandes empresas.

"O governo não pode legalmente fazer estes pagamentos para dividir os custos", declarou a Casa Branca, acrescentando que "o Congresso precisa revogar e substituir a desastrosa lei do Obamacare e oferecer alívio real ao povo americano." O argumento aqui é que o orçamento para pagar os subsídios nunca foi aprovado.

Até agora, os republicanos não apresentaram uma alternativa ao Obamacare. Suas propostas tiram em dez anos a cobertura de saúde de pelo menos 20 milhões de americanos, de acordo com estimativa do Escritório de Orçamento do Congresso (CBO), um órgão bipartidário.

Como mostram os estudos de economia comportamental que deram o Prêmio Nobel de Economia de 2017 ao americano Richard Thaler, a sensação de perda é muito maior do que a de carência porque a pessoa deixa de ter algo com que contava.

O impacto político do fim do Obamacare pode abalar seriamente a popularidade da direita republicana nas eleições de 2018. Se Trump perder a maioria no Congresso, diante dos erros e desatinos do presidente, o impeachment passa a ser uma possibilidade real.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Arábia Saudita vai aumentar impostos e cortar subsídios

Diante da queda nos preços do petróleo, o segundo príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed ben Salman, admitiu hoje em entrevista ao jornal The New York Times que o governo pode cortar os subsídios para água e energia e aumentar o imposto de valor agregado sobre cigarros e refrigerantes.

O príncipe revelou a intenção de privatizar minas e vender terras públicas para a construção civil. Também pretende reduzir o consumo interno de petróleo investindo mais em energia nuclear e energia solar.

Além de segundo príncipe herdeiro, Mohamed ben Salman, filho do rei Salman, é ministro da Defesa, presidente do comitê de economia e desenvolvimento e diretor do Centro Nacional de Performance, que fiscaliza a eficiência da burocracia governamental.

Com a queda nos preços do petróleo, há uma preocupação crescente em diversificar a economia, o que não aconteceu para valer desde a valorização da mercadoria a partir de 1973. "Os nossos principais desafios são a grande dependência do petróleo e onde gastar o orçamento."

Sem tantos subsídios, "mesmo que petróleo caia para US$ 30 por barril, Riade terá arrecadação suficiente para continuar construindo o país sem exaurir a poupança", acrescentou o príncipe Mohamed ben Salman.

Sob pressão da queda nos preços do petróleo e de uma população jovem, em que 70% dos 30 milhões têm menos de 30 anos, uma monarquia absolutista, um dos regimes mais fechados do mundo, discute reformas.

Durante o reino do sultão Abdala, que morreu em janeiro de 2015, a Arábia Saudita privatizou grandes estatais, abrindo vários setores ao investimento privado nacional e estrangeiro, mudou a legislação trabalhista e aderiu à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Como o wahabismo, a corrente do islamismo adotada oficialmente na Arábia Saudita, é acusada de ser a ideologia dos jihadistas da rede terrorista Al Caeda e do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, o terrorismo é uma grande preocupação. Mas a monarquia saudita põe a culpa num tradicional aliado.

"Não havia Estado Islâmico antes dos Estados Unidos se retirarem do Iraque. Com a saída dos EUA e a entrada do Irã, o EI apareceu", afirmou o príncipe, acusando também a República Islâmica do Irã, xiita, com quem a monarquia saudita, sunita, disputa a liderança regional no Oriente Médio.

Ele reclamou que o EI está atacando mesquitas sunitas no reino para desestabilizar a monarquia, o resto do mundo responsabiliza o país de ser a grande inspiração, de ser o verdadeiro Estado islâmico: "O Estado Islâmico diz que não sou muçulmano e o mundo diz que eu sou um terrorista."

Na sua opinião, a mensagem do EI nas redes sociais é clara: "O Ocidente está tentando impor suas ideias e o governo saudita está ajudando, enquanto o Irã tenta colonizar o mundo árabe. Nós somos os defensores do Islã."

Neste clima de guerra permanente no Oriente Médio, o príncipe saudita fez um apelo aos EUA para que não abandonem a região: "Há períodos em que há líder e outros em que não há. Quando não há líderes, é o caos."

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Jokowi assume com desafio de reformar a Indonésia

O ex-governador de Jacarta Joko Widodo, de 53 anos, tomou posse hoje como sétimo presidente da Indonésia, o maior país muçulmano do mundo e o quarto maior de todos em população, com 250 milhões de habitantes distribuídos em 6,6 mil ilhas que se estendem por 5 mil quilômetros do Oceano Índico ao Pacífico.

Primeiro presidente de fora da elite indonésia, Jokowi, como é conhecido popularmente, terá como desafio enfrentar a burocracia e reformar o mercado de trabalho para manter o crescimento na média de 6% ao ano. Em 2013, a expansão foi de 5,8% e há uma desaceleração em 2014.

No ano passado, a Indonésia superou a Índia, tornando-se a segunda economia que mais cresce no Grupo dos 20 (19 países mais ricos do mundo e a União Europeia), atrás apenas da China. Beneficiando-se do "milagre econômico asiático", a Indonésia se industrializou nas últimas décadas.

Em 2012, a indústria respondeu por 46,4% do produto interno bruto da Indonésia, de US$ 895 bilhões, o 16º maior do mundo. Como tem custos baixos, pelo critério de paridade do poder de compra, sobe para o 9º lugar, com PIB estimado em US$ 2,389 trilhões. Em renda média por habitante, é o 101º mundo, com US$ 9.635 por ano pelo critério de PPP.

Um desequilíbrio grave é o subsídio aos combustíveis, que consome 20% do orçamento. Vem de um tempo em que a Indonésia era exportadora de petróleo. O país pertence à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). Mas, com a queda na produção de 1,5 milhão de barris por dia no fim do século passado para 1 milhão de barris hoje e o aumento do consumo, o país se tornou importador.

Sem maioria no Congresso, Jokowi vai depender da reconciliação com o candidato derrotado, Prabowo Subianto, genro do falecido ditador Mohamed Suharto, que inicialmente entrou na Justiça para contestar o resultado das urnas. Num sinal de trégua, eles se encontraram na sexta-feira.

quarta-feira, 27 de março de 2013

FMI questiona subsídio trilionário ao setor de energia

A eletricidade, os combustíveis e outras formas de energia recebem por ano subsídios governamentais de US$ 1,9 trilhão que distorcem os preços e dificultam o combate ao aquecimento global, e devem ser substituídos por impostos sobre carbono e outras medidas contra o agravamento do efeito estufa, conclui um estudo divulgado hoje pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Só para combater a poluição e a mudança do clima, nos Estados Unidos, calcula o jornal The Washington Post, isto exigiria a cobrança de um imposto adicional de US$ 0,37 por litro de gasolina e impostos que chegariam a US$ 1.170 em média por pessoa anualmente.

Como a economia é um custo básico de qualquer atividade humana, todos os governos tentam baixar seu preço para reduzir o custo de vida para os cidadãos e o de produção para as empresas. O Fundo adverte que não dá mais para ignorar o que os ecologistas chamam de "externalidades", como a destruição da natureza e a poluição.

 Além de causar distorções como o consumismo, o subsídio à energia reduz a arrecadação de impostos necessários para investimentos em infraestrutura, educação e saúde, que são as bases para o desenvolvimento sustentável.

"Esses subsídios beneficiam mais quem têm três carros e quatro aparelhos de ar condicionado do que os pobres", argumentou David Lipton 1º-subdiretor-geral do FMI.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Obama acusa China de subsídio ilegal na OMC

Falar mal da China é obrigatório na campanha eleitoral nos Estados Unidos. Com o candidato republicano prometendo mais dureza com a superpotência em ascensão, o presidente Barack Obama resolveu acionar a China na Organização Mundial do Comércio (OMC), acusando-a de subsidiar ilegalmente a produção de carros e autopeças.

A denúncia aponta subsídios ilegais no valor de US$ 1 bilhão no período de 2009 a 2011. Obama fez o anúncio durante a visita a Ohio, um dos estados-chaves para sua reeleição, onde responsabilizou o candidato oposicionista Mitt Romney por "exportar fábricas e empregos para a China".

O presidente tenta ganhar votos lembrando seu apoio à General Motors e à Chrysler, duas fabricantes de automóveis dos EUA que estavam falidas com a crise e foram salvas por seu governo, enquanto os republicanos preferiam deixar que quebrassem para não gastar dinheiro público.

Desde o início do ano, o governo Obama examina a possibilidade de iniciar um caso contra a China na OMC. Foi estimulado pelos sindicatos a fazer isso, especialmente os do setor automobilístico, informa o jornal The New York Times.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Vaticano terá de pagar impostos à Itália

Sob pressão da Comissão Europeia para equilibrar suas contas públicas, a Itália está sendo obrigada a revisar as isenções de impostos sobre a propriedade concedidas ao Vaticano.

A Santa Sé terá de pagar pelo menos 600 milhões de euros por ano, cerca de R$ 1,355 bilhão pela cotação de hoje da moeda europeia. O total pode chegar a 2,2 bilhões de euros, quase R$ 5 bilhões, dependendo do cálculo do valor das 100 mil propriedades.

Depois de décadas de escândalos financeiros e sexuais, a Igreja Católica Apostólica Romana perdeu sua aura de santidade, aliás manchada há muito mais tempo pela Inquisição, as Cruzadas, a caça às bruxas, a perseguição aos judeus e outras minorias, e o silêncio diante do nazifascismo. Agora, perde também privilégios.

O primeiro-ministro Mario Monti mandou carta ao comissário europeu para livre concorrêcia e antimonopólio, o espanhol Joaquín Almunia, informando que o Vaticano vai voltar a pagar impostos. Almunia havia declarado em 2010 que as isenções violam a legislação europeia sobre ajuda estatal.

Em agosto de 2011, o Partido Radical Italiano apresentou um projeto de lei ao Congresso para acabar com esse privilégio fiscal. A proposta foi fortalecida por uma petição popular difundida pela rede social Facebook.

"É uma vitória da pressão popular", festeja o líder radical, Mario Staderini. "Conseguimos quebrar um pouquinho a muralha que protege a Igreja."

O Vaticano não paga impostos sobre cerca de 100 mil propriedades consideradas não lucrativas. São 8.779 escolas, 4,714 clínicas e hospitais, e 26,3 mil igrejas, capelas, conventos, mosteiros e santuários.

Como disse Jesus Cristo, recusando-se a liderar uma revolta contra o Império Romano, "dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus".

A esperança do monsenhor Domenico Pompili, porta-voz da Conferência Nacional dos Bispos da Itália, é que seja levado em conta o "valor social" das propriedades, noticia o jornal inglês The Independent.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Argentina vai cortar subsídios

Depois de uma retumbante vitória na eleição de 23 de outubro de 2011, impulsionada por grandes gastos públicos, a presidente Cristina Kirchner começa a desmontar os subsídios que garantiram à Argentina um crescimento médio de 6,1% ao ano em seu primeiro governo.

Os dois primeiros setores afetados serão o financeiro, com seus bancos, financeiras e seguradoras, e o de jogos de azar, inclusive cassinos, bingos e hipódromos. Com os cortes nesta etapa inicial, o governo espera economizar 600 milhões de pesos, cerca de US$ 141 milhões, declarou o ministro do Planejamento, Julio De Vido.

A seguir, serão cortadas as subvenções para os aeroportos internacionais, os terminais de passageiros nos portos, as empresas nacionais de telefonia celular e o setor de gás, petróleo e carvão. Mas as tarifas de água, energia elétrica e gás não serão afetadas, garantiu De Vido.

"Os subsídios serviram para industrializar o país, criar 5 milhões de postos de trabalho, incluir setores da população que estavam fora do mercado de trabalho e melhorar o serviço de transportes", declarou o ministro da Economia e vice-presidente eleito, Amado Boudou, citado pela revista América Economia.