Um dia depois de anunciar a desapropriação da antiga companhia estatal de petróleo da Argentina, Yacimientos Petrolíferos Fiscales (YPF), o governo Cristina Kirchner rejeitou a avaliação da empresa espanhola Repsol de que sua participação de 51% no capital da YPF-Repsol valeria US$ 10,5 bilhões.
O ministro do Planejamento, Julio De Vido, um dos homens-fortes do kirchnerismo, avisou que o governo argentino pretende descontar o valor dos danos ambientais supostamente causados pela empresa.
No Senado, De Vido discutiu com o senador Luis Naydenoff, da oposicionista União Cívica Radical (UCR), que lembrou que o casal Kirchner apoiou a privatização realizada em 1991 pelo então presidente Carlos Menem, ganhando US$ 600 mil com a venda de sua participação acionária.
Aqui no Brasil, peleguisticamente, o ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, afirmou não ter informações sobre um possível interesse argentino em assumir as operações da Petrobrás. Ele disse que seria uma decisão soberana do país vizinho à qual o Brasil não teria como se opor, como se os dois países não fossem sócios no Mercosul e não tivessem de respeitar os acordos assinados.
Na semana passada, a Petrobrás perdeu a licença para explorar petróleo na província de Neuquén. Cristina passaria a área para a YPF estatizada.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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terça-feira, 17 de abril de 2012
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Argentina vai cortar subsídios
Depois de uma retumbante vitória na eleição de 23 de outubro de 2011, impulsionada por grandes gastos públicos, a presidente Cristina Kirchner começa a desmontar os subsídios que garantiram à Argentina um crescimento médio de 6,1% ao ano em seu primeiro governo.
Os dois primeiros setores afetados serão o financeiro, com seus bancos, financeiras e seguradoras, e o de jogos de azar, inclusive cassinos, bingos e hipódromos. Com os cortes nesta etapa inicial, o governo espera economizar 600 milhões de pesos, cerca de US$ 141 milhões, declarou o ministro do Planejamento, Julio De Vido.
A seguir, serão cortadas as subvenções para os aeroportos internacionais, os terminais de passageiros nos portos, as empresas nacionais de telefonia celular e o setor de gás, petróleo e carvão. Mas as tarifas de água, energia elétrica e gás não serão afetadas, garantiu De Vido.
"Os subsídios serviram para industrializar o país, criar 5 milhões de postos de trabalho, incluir setores da população que estavam fora do mercado de trabalho e melhorar o serviço de transportes", declarou o ministro da Economia e vice-presidente eleito, Amado Boudou, citado pela revista América Economia.
Os dois primeiros setores afetados serão o financeiro, com seus bancos, financeiras e seguradoras, e o de jogos de azar, inclusive cassinos, bingos e hipódromos. Com os cortes nesta etapa inicial, o governo espera economizar 600 milhões de pesos, cerca de US$ 141 milhões, declarou o ministro do Planejamento, Julio De Vido.
A seguir, serão cortadas as subvenções para os aeroportos internacionais, os terminais de passageiros nos portos, as empresas nacionais de telefonia celular e o setor de gás, petróleo e carvão. Mas as tarifas de água, energia elétrica e gás não serão afetadas, garantiu De Vido.
"Os subsídios serviram para industrializar o país, criar 5 milhões de postos de trabalho, incluir setores da população que estavam fora do mercado de trabalho e melhorar o serviço de transportes", declarou o ministro da Economia e vice-presidente eleito, Amado Boudou, citado pela revista América Economia.
domingo, 19 de outubro de 2008
Argentina faz plano de obras contra a crise
O governo Cristina Kirchner resolveu lançar um plano de obras públicas para tentar blindar a Argentina contra a crise financeira global, estimulando o crescimento para gerar empregos e garantir apoio político.
Um dos homens-fortes do kirchnerismo, o ministro do Planejamento, Julio de Vido, deu a notícia a empresários que se reuniram na Casa Rosada com Cristina na quinta-feira à noite. Prometeu um plano agressivo.
A idéia é investir até US$ 1 bilhão.
Um dos homens-fortes do kirchnerismo, o ministro do Planejamento, Julio de Vido, deu a notícia a empresários que se reuniram na Casa Rosada com Cristina na quinta-feira à noite. Prometeu um plano agressivo.
A idéia é investir até US$ 1 bilhão.
domingo, 12 de agosto de 2007
Uberti controlava 907 milhões de pesos
O alto funcionário argentino demitido no escândalo da maleta com US$ 790 mil não-declarados vindos da Venezuela controlava fundos com 907 milhões de pesos, revela hoje o jornal argentino La Nación. Acima de tudo, Claudio Uberti era o principal operador da relação especial com a Venezuela do presidente Hugo Chávez.
Uberti dirigia o Órgão de Controle de Concessões Viárias (Occovi). Em 2004, o partido esquerdista ARI o acusou de ser o apanhador de dinheiro sujo da campanha do presidente Néstor Kirchner em 2003, junto com o ex-motorista de Kirchner, Rudy Ulloa Igor, hoje dona de uma empresa multimídia.
Ele era próximo do ministro do Planejamento, Julio De Vido, um dos homens-fortes do kirchnerismo. O ministro encarregou Uberti da maior jóia da política externa de Kirchner: a relação especial com a Venezuela, mesmo que Uberti não tivesse autoridade legal para tanto. Além dos negócios de energia, a Venezuela comprou mais de US$ 5 bilhões em bônus da dívida pública argentina.
Claudio Uberti estava no vôo em que o empresário venezuelano Guido Alejandro Antonini Wilson e sua maleta, onde funcionários da aduana encontraram US$ 790 mil não-declarados, chegaram ao Aeroparque Jorge Newberry, no sábado, 4 de agosto. O escândalo estourou na terça-feira.
Desde que Uberti assumiu a direção do Occovi, em 28 de maio de 2003, mais de 1,5 bilhão de pesos passaram pela agência. Se não tivesse caído, teria 406 milhões para obras viárias, previstos no orçamento para 2007. Mais dinheiro vem da arrecadação de pedágio e vai para um fundo que movimentou 684 milhões de pesos sob a gestão de Uberti. Outro fundo recebe uma porcentagem da venda de combustíveis.
Esses fundos são as caixas-pretas do governo Kirchner. E a relação com a Venezuela é mais misteriosa ainda porque não existe uma contabilidade transparente.
"Ele não nos atende ao telefone há algum tempo", reclamou um concessionário de rodovia. "Está sempre em reunião ou tratando de assuntos relativos à Venezuela."
Outro empresário observou que Uberti "estava convencido de que seria embaixador na Venezuela". Não conseguiu, mas viajava todo mês a Caracas.
O escândalo desnuda a relação entre duas manifestações do populismo latino-americano: Kirchner é o herdeiro do general Juan Domingo Perón; Chávez é, na definição do pensador mexicano Jorge Castañeda, um "Perón com petróleo".
Chávez e Kirchner não têm idéias iguais, observa o jornalista Joaquín Morales Solá, colunista do jornal La Nación, "embora façam às vezes os discursos semelhantes para confusão deles mesmos e dos outros. Mas existe uma mesma maneira de governar: o personalismo absoluto, o controle dos recursos públicos como se fossem propriedade privada e o temor reverencial de amigos e colaboradores".
Este estilo autoritário e populista de governar com um grupo de tomada de decisões pequeno e fechado faz com que bilhões de dólares sejam administrados por pouquíssimas pessoas. Quase tudo passa pelas mãos do presidente, comenta Solá, que propõe uma série de perguntas:
• Como o avião pôde sair da Venezuela com US$ 790 mil?
• Que tipo de controle existe nos aeroportos da Venezuela?
• Por acaso os amigos de Chávez gozam dos privilégios de toda elite governante num regime autoritário?
• Por que seria esta a primeira vez que o empresário venezuelano Antonini Wilson teria tentado entrar na Argentina com uma fortuna na maleta? Só este ano entrou e saiu 12 vezes da Argentina.
• Que destino teria esse montão de dinheiro em moeda do "império", como costuma dizer Chávez?
• Quantas vezes Claudio Uberti viajou a Caracas nos últimos meses?
• O que foi fazer em cada viagem?
• Por que o Estado argentino deixou viajar de graça uma pessoa que declara não conhecer?
• Ou foi Antonini Wilson que pagou o aluguel do avião?
Um advogado já acionou judicialmente a estatal de petróleo argentina Enarsa, que oficialmente fretou o avião, para que esclareça a última pergunta.
O governo argentino alega que o dinheiro seria distribuído entre grupos chavistas. Neste caso, seria uma ingerência externa na política argentina. É melhor para Kirchner do que as hipóteses de pagamento de propina ou ajuda para a candidatura da primeira-dama, senadora Cristina Fernández de Kirchner.
Uberti dirigia o Órgão de Controle de Concessões Viárias (Occovi). Em 2004, o partido esquerdista ARI o acusou de ser o apanhador de dinheiro sujo da campanha do presidente Néstor Kirchner em 2003, junto com o ex-motorista de Kirchner, Rudy Ulloa Igor, hoje dona de uma empresa multimídia.
Ele era próximo do ministro do Planejamento, Julio De Vido, um dos homens-fortes do kirchnerismo. O ministro encarregou Uberti da maior jóia da política externa de Kirchner: a relação especial com a Venezuela, mesmo que Uberti não tivesse autoridade legal para tanto. Além dos negócios de energia, a Venezuela comprou mais de US$ 5 bilhões em bônus da dívida pública argentina.
Claudio Uberti estava no vôo em que o empresário venezuelano Guido Alejandro Antonini Wilson e sua maleta, onde funcionários da aduana encontraram US$ 790 mil não-declarados, chegaram ao Aeroparque Jorge Newberry, no sábado, 4 de agosto. O escândalo estourou na terça-feira.
Desde que Uberti assumiu a direção do Occovi, em 28 de maio de 2003, mais de 1,5 bilhão de pesos passaram pela agência. Se não tivesse caído, teria 406 milhões para obras viárias, previstos no orçamento para 2007. Mais dinheiro vem da arrecadação de pedágio e vai para um fundo que movimentou 684 milhões de pesos sob a gestão de Uberti. Outro fundo recebe uma porcentagem da venda de combustíveis.
Esses fundos são as caixas-pretas do governo Kirchner. E a relação com a Venezuela é mais misteriosa ainda porque não existe uma contabilidade transparente.
"Ele não nos atende ao telefone há algum tempo", reclamou um concessionário de rodovia. "Está sempre em reunião ou tratando de assuntos relativos à Venezuela."
Outro empresário observou que Uberti "estava convencido de que seria embaixador na Venezuela". Não conseguiu, mas viajava todo mês a Caracas.
O escândalo desnuda a relação entre duas manifestações do populismo latino-americano: Kirchner é o herdeiro do general Juan Domingo Perón; Chávez é, na definição do pensador mexicano Jorge Castañeda, um "Perón com petróleo".
Chávez e Kirchner não têm idéias iguais, observa o jornalista Joaquín Morales Solá, colunista do jornal La Nación, "embora façam às vezes os discursos semelhantes para confusão deles mesmos e dos outros. Mas existe uma mesma maneira de governar: o personalismo absoluto, o controle dos recursos públicos como se fossem propriedade privada e o temor reverencial de amigos e colaboradores".
Este estilo autoritário e populista de governar com um grupo de tomada de decisões pequeno e fechado faz com que bilhões de dólares sejam administrados por pouquíssimas pessoas. Quase tudo passa pelas mãos do presidente, comenta Solá, que propõe uma série de perguntas:
• Como o avião pôde sair da Venezuela com US$ 790 mil?
• Que tipo de controle existe nos aeroportos da Venezuela?
• Por acaso os amigos de Chávez gozam dos privilégios de toda elite governante num regime autoritário?
• Por que seria esta a primeira vez que o empresário venezuelano Antonini Wilson teria tentado entrar na Argentina com uma fortuna na maleta? Só este ano entrou e saiu 12 vezes da Argentina.
• Que destino teria esse montão de dinheiro em moeda do "império", como costuma dizer Chávez?
• Quantas vezes Claudio Uberti viajou a Caracas nos últimos meses?
• O que foi fazer em cada viagem?
• Por que o Estado argentino deixou viajar de graça uma pessoa que declara não conhecer?
• Ou foi Antonini Wilson que pagou o aluguel do avião?
Um advogado já acionou judicialmente a estatal de petróleo argentina Enarsa, que oficialmente fretou o avião, para que esclareça a última pergunta.
O governo argentino alega que o dinheiro seria distribuído entre grupos chavistas. Neste caso, seria uma ingerência externa na política argentina. É melhor para Kirchner do que as hipóteses de pagamento de propina ou ajuda para a candidatura da primeira-dama, senadora Cristina Fernández de Kirchner.
sábado, 11 de agosto de 2007
Maleta de dólares divide Kirchner e Chávez
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, negou-se a dar as explicações exigidas pelo seu colega argentino, Néstor Kirchner, a respeito de uma maleta com US$ 790 mil apreendidos no Aeroparque Jorge Newberry, em Buenos Aires, na semana passada, depois que um empresário venezuelano tentou entrar na Argentina sem declará-los.
"Chegue para lá vovê com suas percepções", retrucou Chávez rispidamente, o que sugere que o dinheiro seria distribuído entre simpatizantes do chavismo interessados em difundir sua "revolução bolivarista" na Argentina.
Sob pressão dos jornalistas, Chávez reagiu assim: "Não sei por que tanto empenho em dar a esse episódio uma dimensão que não tem".
Funcionários e seguranças do caudilho venezuelano foram agressivos com repórteres argentino que insistiram no assunto: "Não há nada a declarar", protestou o chanceler chavista, Nicolás Maduro. "Dediquem-se a temas mais importantes, como o energético".
Mas o clima de tensão era evidente ontem em Tarija, na Bolívia, onde os presidentes da Argentina, da Venezuela e da Bolívia, Evo Morales, fizeram acordos sobre energia.
O ministro do Planejamento da Argentina, Julio De Vido, a quem estava subordinado Claudio Uberti, o alto funcionário argentino que estava no avião e que foi demitido do cargo de chefe da agência que negocia concessões de rodovias, negou conhecer o empresário venezuelano radicado em Miami que levava os dólares. Uberti é amigo pessoal de Chávez, com quem negociou questões energéticas e a venda de bônus da dívida argentina à Venezuela. De Vido tentou indicá-lo embaixador em Caracas.
"São eles que têm de dizer", alegou De Vido. "Nós sabemos o que diz o comunicado da Enarsa [estatal de petróleo argentina que fretou o avião]: que tomou o avião e que ignorávamos quem ele era".
Como Guido Alejandro Antonini Wilson, o homem da maleta, acompanhava o filho do presidente da estatal Petróleos de Venezuela S, A. (PdVSA), os repórteres insistiram. Mais uma vez, De Vido esquivou-se: "Esperemos para ver o que eles têm a dizer".
A lua-de-mel entre Chávez e Kirchner acabou. Melhor para o Brasil, que assistia à formação de um eixo Argentina-Venezuela capaz de diminuir o peso político relativo do Brasil dentro do Mercosul.
"Chegue para lá vovê com suas percepções", retrucou Chávez rispidamente, o que sugere que o dinheiro seria distribuído entre simpatizantes do chavismo interessados em difundir sua "revolução bolivarista" na Argentina.
Sob pressão dos jornalistas, Chávez reagiu assim: "Não sei por que tanto empenho em dar a esse episódio uma dimensão que não tem".
Funcionários e seguranças do caudilho venezuelano foram agressivos com repórteres argentino que insistiram no assunto: "Não há nada a declarar", protestou o chanceler chavista, Nicolás Maduro. "Dediquem-se a temas mais importantes, como o energético".
Mas o clima de tensão era evidente ontem em Tarija, na Bolívia, onde os presidentes da Argentina, da Venezuela e da Bolívia, Evo Morales, fizeram acordos sobre energia.
O ministro do Planejamento da Argentina, Julio De Vido, a quem estava subordinado Claudio Uberti, o alto funcionário argentino que estava no avião e que foi demitido do cargo de chefe da agência que negocia concessões de rodovias, negou conhecer o empresário venezuelano radicado em Miami que levava os dólares. Uberti é amigo pessoal de Chávez, com quem negociou questões energéticas e a venda de bônus da dívida argentina à Venezuela. De Vido tentou indicá-lo embaixador em Caracas.
"São eles que têm de dizer", alegou De Vido. "Nós sabemos o que diz o comunicado da Enarsa [estatal de petróleo argentina que fretou o avião]: que tomou o avião e que ignorávamos quem ele era".
Como Guido Alejandro Antonini Wilson, o homem da maleta, acompanhava o filho do presidente da estatal Petróleos de Venezuela S, A. (PdVSA), os repórteres insistiram. Mais uma vez, De Vido esquivou-se: "Esperemos para ver o que eles têm a dizer".
A lua-de-mel entre Chávez e Kirchner acabou. Melhor para o Brasil, que assistia à formação de um eixo Argentina-Venezuela capaz de diminuir o peso político relativo do Brasil dentro do Mercosul.
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