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sexta-feira, 4 de maio de 2018

Banco Central da Argentina eleva taxa básica de juros para 40%

O Banco Central da Argentina surpreendeu hoje o mercado financeiro, elevando a taxa básica de juros pela terceira vez em uma semana para 40% ao ano para tentar conter a desvalorização do peso. 

Sob o impacto da medida, a moeda argentina subiu 5% para 21,238 pesos por dólar, mas depois caiu 2,3% e chegou a 22,25 por dólar. A moeda americana terminou o dia valendo 22,17 pesos em Buenos Aires.

Várias economias em desenvolvimento estão sob pressão com a alta do dólar diante da expectativa de mais três altas na taxa básica de juros neste ano nos Estados Unidos: Argentina, Brasil, México, Polônia e Turquia, entre outras. Como aqui, o BC argentino entrou no mercado vendendo US$ 5 bilhões das reservas cambiais do país.

Desde o início do ano, o peso perdeu 15% do valor, o real 13% e a lira turca também caiu mais de 10%. Para o jornal inglês Financial Times, é o primeiro grande teste do mercado à política de reformas do presidente Mauricio Macri, eleito há dois anos e meio com a promessa de tornar a Argentina num país normal depois de 12 anos de governos de Néstor e Cristina Kirchner.

Néstor Kirchner (2003-7) chegou ao poder em meio a uma depressão econômica, depois do fim da dolarização da era Carlos Menem (1989-99), de uma megadesvalorização do peso e de todos os ativos e de um calote de US$ 100 bilhões na dívida do país.

A crise sem precedentes numa economia razoavelmente desenvolvida, superada agora pelo colapso econômico da Venezuela, jogou 58% dos argentinos para baixa da linha de pobreza e levou Kirchner a adotar uma série de subsídios a alimentos, transportes e energia.

Quando veio a Grande Recessão de 2008-9, no início do governo Cristina Kirchner (2007-15), com a escassez de dólares, a saída foi sobretaxar as exportações agrícolas, o que provocou uma greve de produtores rurais. A greve do campo esvaziou as prateleiras dos supermercados e afetou o comércio exterior de uma grande potência agrícola mundial.

Sem o apoio dos ruralistas, Cristina deu uma guinada à esquerda e manteve os subsídios para garantir o apoio de sua base política, sindicalista e peronista, aumentando com isso o déficit orçamentário e a dívida pública.

Hoje o ministro da Economia, Nicolás Dujovne, anunciou uma redução do superávit primário de 3,2% para 2,7% do produto interno bruto e defendeu a alta nos juros: "A convergência para o equilíbrio fiscal não é negociável", declarou, prometendo resistir às "pressões populistas".

Com a redução do superávit primário (saldo nas contas públicas sem computar o pagamento de juros), o governo da Argentina deixará de tomar emprestado US$ 3 bilhões e já garantiu os recursos para 80% de sua necessidade de financiamento em 2018.

Apesar dos problemas econômicos, Macri ainda tem o apoio de mais de 50% dos argentinos.

sábado, 2 de abril de 2016

Argentina investiga o enriquecimento do casal Kirchner

O juiz federal Sergio Torres pediu à ex-presidente Cristina Kirchner todas as suas declarações de bens juramentadas para esclarecer se há 19 ou 23 aplicações de prazo fixo e consultou a Câmara Federal de Apelações para saber quem deve ser responsável pelo caso.

Uma investigação da deputada Margarita Stolbizier e sua assessora Silvina Martínez descobriu que no testamento de Néstor Kirchner, falecido em 2010, ele aparecia como titular de 19 aplicações de prazo fixo no valor de muitos milhões de pesos, de acordo com o contador da família.

No atual processo, a advogada de Cristina Kirchner, Romina Mercado, apresentou à Justiça documentos sobre 23 aplicações de prazo fixo com uma diferença de valor milionária. Na declaração de Cristina como presidente, ela só falou em dez.

Diante desta diferença entre 19 e 23, no valor de milhões de pesos, o procurador Carlos Rívolo pediu à Justiça que analise a questão. Como o juiz Daniel Rafecas se declarou incompetente para investigar o enriquecimento ilícito dos Kirchner, o juiz Sergio Torres pediu à Câmara Federal de Apelações, um tribunal federal de recursos, que defina quem deve processar o caso.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Argentina faz proposta a credores estrangeiros

O governo Mauricio Macri ofereceu US$ 6,5 bilhões a credores estrangeiros que não aceitaram as renegociações da dívida da Argentina feitas nos governos Néstor e Cristina Kirchner, noticiou a Agência France Presse citando como fonte o mediador, Daniel Pollack.

Esse valor representa mais de 70% dos US$ 9 bilhões que a Justiça dos Estados Unidos deu aos credores em decisão de 2014. O governo Cristina Kirchner se negou a pagar, alegando que se tratavam de "fundos abutres". Isso limitou ainda mais o acesso da Argentina ao mercado financeiro internacional.

Desde sua posse, em 10 de dezembro de 2015, Macri tenta atrair o capital estrangeiro e afrouxar os controles de câmbio e preços para incentivar o crescimento da economia.

Há quatro dias, a Argentina fechou um acordo com credores italianos que compraram bônus no valor de US$ 900 milhões antes do colapso da economia do país com o fim da dolarização da era Menem, em 2001. Concordou em pagar US$ 1,35 bilhão, 150% do valor nominal dos títulos, menos do que os US$ 2,5 bilhões exigidos, noticiou a agência Bloomberg.

Em 2005 e 2010, a Argentina renegociou mais de 90% sua dívida pública, que era de cerca de US$ 100 bilhões no fim de 2001, com redução de cerca de 70%. Alguns credores não aceitaram a proposta.

A quem aceitou, o governo prometeu oferecer as mesmas condições se fizesse propostas melhores aos outros credores, argumento usado por Cristina para não pagar os 100% do valor de face exigidos por fundos americanos.

domingo, 25 de outubro de 2015

Eleições marcam o fim da era Kirchner na Argentina

A Argentina vota hoje em eleições presidencial e parlamentares que devem marcar o fim da era Kirchner, iniciada em 2003, com a eleição de Néstor Kirchner em meio à pior crise econômica da história de um país moderno. 

Além do presidente, serão eleitos 130 deputados (metade da Câmara), 24 senadores (um terço do Senado) e 43 parlamentares do Parlasul, o Parlamento do Mercosul.

O candidato oficial, Daniel Scioli, governador da provincial de Buenos Aires, é o favorito. Pode ganhar no primeiro turno se obtiver 45% dos votos válidos ou 40% e uma vantagem de dez pontos sobre o segundo colocado.

Nas últimas pesquisas, Scioli tem de 38% a 41% votos. Em segundo lugar, está o prefeito de Buenos Aires e ex-presidente do Boca Juniors, Mauricio Macri, de centro-direita, herdeiro político do menemismo, com 27% a 31%.

O terceiro colocado é o deputado Sergio Massa, ex-ministro-chefe da Casa Civil do governo Cristina Kirchner com 20% a 23% das preferências. Se houver segundo turno, previsto para 22 de novembro, seu cacife aumenta.

Para o Brasil, mais importante é a recuperação econômica da Argentina, o que deve acontecer com qualquer governo, dado o desastre das políticas econômicas do kirchnerismo. Os controles de preços que faziam sentido depois do colapso da dolarização da era Carlos Menem, em 2001, prejudicam a economia do país desde o agravamento da crise financeira internacional, no primeiro ano do primeiro governo de Cristina Kirchner.

Diante da crise, além de manipular os índices de inflação desde a primeira campanha presidencial de Cristina, em 2007, o governo aumentou sua política de confrontação com setores empresariais e os credores internacionais, elevou os impostos sobre exportações de grãos causando uma greve de produtores rurais, atacou a imprensa crítica do governo, comprou uma nova briga com credores que não aceitaram a renegociação da dívida, controlou o câmbio e as exportações. 

Com sua confrontação também com as potências ocidentais, terminou por apelar para a China, o que abala as pretensões do Brasil à liderança regional à medida que diminui a hegemonia dos EUA sobre a América Latina. Melhorar as relações com os EUA será prioridade do novo presidente argentino, seja quem for.


A presença dos três principais candidatos na festa de aniversário do jornal oposicionista Perfil é um sinal do fim da guerra dos Kirchner contra a grande imprensa argentina. O Clarín, maior jornal do país, apoiou Néstor Kirchner e a reconstrução do país depois do colapso da dolarização. Passou para a oposição em 2008, durante a paralisação dos produtores rurais.

Para enfrentar a mídia de oposição, o governo Cristina Kirchner aprovou a Lei de Meios de Comunicação. Apesar dos inegáveis méritos de regulamentar o setor para combater monopólios, a lei virou um instrumento para perseguir críticos do regime e sufocar empresas, muitas vendidas a aliados do kirchnerismo. Os três candidatos querem paz também nesta frente de luta do kirchnerismo.

Scioli, vice de Kirchner no primeiro mandato, não era o favorito de Cristina, mas sim o candidato mais elegível da coalizão governista. Representa ao mesmo tempo o desejo do eleitorado argentino de acabar com a política de confronto permanente de Néstor e Cristina Kirchner sem um corte radical dos subsídios que garantem certa proteção social num país empobrecido.

Por outro lado, como o peronismo é uma força política que historicamente foi da extrema direita à extrema esquerda,  um grande saco de gastos onde tudo cabe, até o americanismo de Menem, totalmente contrário ao que dizia o general Juan Domingo Perón, quando um novo presidente chega à Casa Rosada trata de assumir o controle do movimento, muitas vezes se livrando de quem os levou até lá.

Néstor Kirchner concorreu como candidato da esquerda peronista, indicado por Eduardo Duhalde, vice de Menem no primeiro governo que foi derrotado pelo radical Fernando de La Rúa em 1999 e assumiu a Presidência no auge da crise. Ao chegar ao poder, e especialmente depois de renegociar a dívida, tratou de descartar Duhalde. Em 2005, Cristina concorreu à senadora pela provincial de Buenos Aires contra Hilda Chiche Duarte, numa guerra de primeiras-damas.

Talvez Scioli não tenha uma base suficientemente forte no peronismo para desafiar Cristina, mas certamente não está lá simplesmente para esquentar a cadeira para a chefe como pretende a presidente das Mães da Praça de Maio, Estela Carlotto, eternamente grata aos Kirchner por botar na cadeia os torturadores e assassinos da última ditadura militar e por recuperar seu próprio neto.

Ao manipular a inflação, Cristina perdeu o apoio dos sindicatos, principal base política do peronismo. A partir daí, Scioli pode criar sua base. É certo que tentará compor com os setores empresariais para destravar a economia argentina e levar o país de volta do reino desencantado do kirchnerismo à realidade.

Como observa o ex-secretário de Comércio Dante Sica, qualquer que seja o presidente terá de fazer um ajuste fiscal forte para conter a inflação, cortar subsídios e liberar preços.

Embora não seja tratado pela imprensa brasileira como peronista, o empresário Mauricio Macri, ex-presidente do Boca, é um herdeiro do peronismo de direita e do menemismo. Sua ênfase será na normalização da economia, no controle da inflação, na retomada do crescimento e na reabertura da economia.

A exemplo de Menem, sua política econômica deve ser mais orientada para os EUA, mas ele não ignora a importância econômica do Brasil e da China. Sua eleição ajudaria a resgatar o papel do Mercosul em negociações de liberalização comercial, se o regime chavisa da Venezuela permitisse.

O terceiro colocado nas pesquisas, Sérgio Massa, foi ministro de Cristina. Representa uma esperança de renovação do peronismo. Mesmo que feche com Macri caso haja segundo turno, dificilmente conseguiria transferir uma quantidade de votos suficientes para superar Scioli, que pode ganhar no primeiro turno.

O governo Dilma Rousseff aposta na vitória de Scioli por afinidade ideológica com o kirchnerismo, mas o protecionismo de Cristina e suas concessões à China não ajudaram as relações bilaterais. Quem quer que seja eleito não pode continuar a estratégia populista de Cristina.

Uma coisa é certa: o vencedor será um peronista, de direita ou de esquerda. O movimento ganhou nove das 11 eleições que disputou. Perdeu para Raúl Alfonsín e De la Rúa, ambos da União Cívica Radical, que deixaram seus governos antes do fim em meio a crises econômicas gravíssimas, tornando o partido inelegível.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Argentina vai à Suprema Corte dos EUA para manter calote

A Argentina entrou com recurso hoje na Suprema Corte dos Estados Unidos para anular uma decisão que a obriga a pagar a dívida caloteada em 2001 a fundos que não aceitaram os termos das renegociações realizadas em 2005 e 2010, noticiaram as agências de notícias Bloomberg e Reuters.

Nos grandes centros financeiros, este é considerado o julgamento do século sobre a reestruturação de dívidas soberanas, a renegociação feita quando um país fica sem condições de pagar, decreta a moratória e tenta renegociar com os credores exigindo descontos. Uma decisão negativa na Justiça pode levar a Argentina a novo calote.

Em 14 de janeiro de 2005, no governo Néstor Kirchner, o ministro da Economia argentina, embaixador Roberto Lavagna, renegociou com sucesso 75% dos US$ 82 bilhões de dólares em títulos caloteados na moratória de 26 de dezembro de 2001.

Naquele ano, diante do colapso da dolarização da era Carlos Menem (1989-99), o presidente Fernando de la Rúa caiu e a Argentina deixou de pagar US$ 93 bilhões em dívidas. O desconto obtido por Lavagna foi de 25% a 35% do valor nominal dos papéis.

Numa segunda etapa, já sob Cristina Kirchner, em 11 de agosto de 2010, o total renegociado chegou a 93%. Até hoje o resto não foi acertado, impedindo a Argentina de voltar plenamente ao mercado internacional para vender títulos de sua dívida pública, uma das razões da atual crise econômica do país.

Desde 2005, os fundos de hedge administrados pela empresa Elliott Management Associates tentam cobrar a dívida argentina na Justiça.

No fim de 2012, um tribunal federal de recursos de Nova York aceitou o argumento de que o país não poderia continuar pagando os juros devidos pelos bônus lançados na reestruturação da dívida sem pagar também os credores que não aceitaram o desconto imposto na renegociação. É o caso dos fundos de hegde e de fundos de pensão italianos.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Argentinos batem panelas contra Cristina Kirchner

Mais de 700 mil argentinos participaram ontem à noite de um panelaço no centro de Buenos Aires e nas principais cidades do país contra o governo Cristina Kirchner, cada vez mais impopular. A Casa Rosada ignorou o protesto e o guru do kirchnerismo, o filósofo Ernesto Laclau, o descreveu como  "o último grito de uma Argentina que está morrendo".

Num país onde a política ainda transforma adversários e inimigos, numa guerra felizmente travada hoje sem sangue, a classe média argentina bateu panelas contra a inflação, a corrupção, o aumento da criminalidade e da violência, o protecionismo que isola cada vez mais o país internacionalmente e contra a campanha para mudar a Constituição e dar um terceiro mandato a Cristina.

A presidente ironizou, comentando que o grande acontecimento político do dia era o Congresso do Partido Comunista da China. Cristina Kirchner criticou o "formidável aparato cultural para que os argentinos tenham uma visão distorcida do seu própria país" e acusou a oposição de não ter um "projeto alternativo".

O governo mantém o discurso de palanque de proteção aos excluídos que elegeu Néstor Kirchner em 2003, depois da pior crise de uma economia moderna, comparada ao que está acontecendo agora com a Grécia. Quando a dolarização da era Carlos Menem (1989-99) entrou em colapso, em 2001, 58% dos argentinos caíram abaixo da linha de pobreza.

As poupanças em dólares foram confiscadas e transformadas em pesos, com perda de 70% do valor. O dinheiro sumiu. A economia ficou paralisada. Depois do governo de transição do peronista Eduardo Duhalde, vice do primeiro governo Menem e candidato derrotado pelo radical Fernando de la Rúa em 1999, Kirchner venceu Menem em 2003 com um discurso antiliberal e antimercado.

No poder, o kirchnerismo congelou tarifas e adotou uma política de desvalorização do peso para aumentar a competitividade dos produtos argentinos. Isso gera uma inflação que o instituto oficial de estatísticas manipula a tal ponto que o Fundo Monetário Internacional (FMI) já advertiu que não vai mais usar os dados do governo. Este, por sua vez, processa os institutos independentes que chegam a números diferentes.

De uma base muito baixa, muito inferior ao potencial de geração de riqueza de um país como a Argentina, a economia cresceu a uma média de 8% ao ano até a crise de 2008, que na Argentina começou com uma greve de produtores rurais contrariados com os aumentos de impostos sobre as exportações de grãos.

No conflito com o campo, o jornal Clarín, o mais vendido no país, apoiou os ruralistas. Em uma verdadeira guerra contra o maior grupo de mídia argentino, o governo aprovou uma Lei de Meios de Comunicação Social que obriga o Clarín a se desfazer, em 7 de dezembro, de mais de 200 licenças de telerradiodifusão. Se o monopólio da mídia deve ser combatido, nenhuma nova licença foi dada até hoje com a nova lei, preparada para punir e negar legitimidade aos críticos do governo.

Ao renegociar sua dívida caloteada de US$ 100 bilhões, a Argentina rejeitou as propostas dos credores que exigiam pagamento de 100% do valor dos títulos. Fez acordo com mais de 80%. Os outros entraram na Justiça. Até hoje, o país não voltou totalmente ao mercado financeiro internacional, sempre demonizado no discurso kirchnerista.

Sem dólares nem acesso ao mercado, o governo Cristina Kirchner privatizou a previdência social,  alegando que a poupança para aposentadoria não poderia correr os riscos do sistema financeiro, estatizou a antiga estatal do petróleo YPF, passou a controlar e burocratizar a importação, aumentou as barreiras protecionistas e, por fim, proibiu a compra e venda de dólares, que circulavam como moeda corrente na Argentina.

Para a classe média argentina, o dólar era o refúgio natural contra a inflação. Agora, é preciso dar explicações até para viajar ao exterior. Nas ruas do centro de Buenos Aires, os doleiros estão ativos. Com a cotação oficial em 4,70 pesos, no mercado negro consegue-se até 6,50 pesos por dólares. As lojas de importados e algumas grifes de luxo começam a sair do país por causa das dificuldades para importar mercadorias e remeter lucros ao exterior.

Há pouco mais de um ano, num momento de crescimento da economia, a presidente se reelegeu no primeiro turno com 54% dos votos. Hoje sua popularidade caiu para 32%.

A economia argentina se deteriora rapidamente e só Cristina Kirchner não vê. Está mais preocupada em destruir o Clarín. Até quando?

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Missão da SIP vai à Argentina defender grupo Clarín

BUENOS AIRES - A Sociedade Interamericana de Imprensa, reunida em São Paulo, decidiu enviar uma missão à Argentina para defender a maior empresa jornalística do país, o grupo Clarín, que está sendo perseguido pela presidente Cristina Fernández de Kirchner, cada vez mais autoritária e distante dos problemas argentinos.

A pretexto de combater o monopólio, o governo argentino aprovou há dois anos uma Lei de Meios de Comunicação que obriga o maior grupo de mídia do país a se desfazer de mais de 200 licenças de telerradiodifusão. Isso reduziria sua participação no mercado de 47% para 35%.

Embora a iniciativa tenha sido elogiada por organizações não governamentais que defendem a liberdade de imprensa, como os Repórteres sem Fronteiras. Mas, na prática, está sendo usada para desmantelar a maior empresa jornalística do país.

O Clarín apoiou o governo de Néstor Kirchner (2003-7), marido de Cristina, que morreu do coração há dois anos, quando se preparava para voltar à Presidência da Argentina. Em 2008, no início do primeiro governo de presidenta (sic), como ela gosta de ser chamada (a presidente Dilma Rousseff a imitou), quando a crise financeira internacional começou a se agravar, os produtores rurais fizeram uma greve de mais de cem dias contra o aumento dos impostos sobre exportações, o Clarín ficou com os ruralistas.

Desde então, o kirchnerismo elegeu o Clarín como seu principal inimigo. A Argentina enfrenta uma situação econômica muito difícil, com uma inflação que se aproxima de 30%, embora o governo negue, com preços em alta, escassez de divisas, controle de importações, restrições ao câmbio de moedas e ameaça de que as províncias comecem a dar calote nas suas dívidas em moedas fortes. Mas Cristina prefere atribuir os problemas aos grandes jornais do país.

sábado, 30 de outubro de 2010

Cristina vetou adversários no funeral de Kirchner

Em uma amostra do que está por vir, a presidente Cristina Kirchner proibiu a presença do vice-presidente Julio Cobos e do ex-presidente Eduardo Duhalde e do ex-ministro Anibal Fernández nos funerais do ex-presidente Néstor Kirchner.

Isso foi interpretado como uma tentativa de se fechar em torno do círculo restrito do kirchnerismo, dos aliados mais próximos do casal. Pode dificultar a manutenção do controle do Partido Justicialista (peronista), onde está abertura a luta pelo poder.

Duhalde, presidente interino depois do colapso econômico de 2001, foi o homem que indicou Kirchner como candidato da esquerda peronista contra o ex-presidente Carlos Menem na eleição presidencial de 2003. Depois de consolidar seu poder, no pior estilo da política argentina, Kirchner apunhalou Duhalde pelas costas para assumir o controle da máquina peronista.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Kirchner deve ser enterrado hoje

Depois de um comovente velório na Casa Rosada, que terminou agora há pouco, o corpo do ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner foi levado para Río Gallegos, capital da província de Santa Cruz, na Patagônia, onde ele nasceu e será enterrado hoje em cerimônia privada.

Os presidentes Lula, Hugo Chávez, Juan Manuel Santos e Fernando Lugo prestaram homenagens em Buenos Aires.

O chanceler Héctor Timerman disse que a presidente Cristina Kirchner tentará a reeleição em 2011.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Morte de Kirchner abre luta sucessória

A morte súbita do ex-presidente Néstor Kirchner (2003-07) abre a campanha eleitoral na Argentina. Sua viúva, a presidente Cristina Kirchner, pode ser candidata à reeleição se for capaz de manter o kirchnerismo sem Kirchner, como uma nova Evita, reinventando-se como viúva de um herói nacional.

Há uma dúvida se ela vai abrir um diálogo para ampliar alianças ou se fechar no pequeno núcleo kirchnerista, onde se destacam líderes truculentos como o secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, e o secretário-geral da Confederação Geral do Trabalho (CGT), Hugo Moyano.

Caso se feche no clã kirchnerista, terá dificuldade de manter o controle sobre a máquina do Partido Judicialista, uma das maiores burocracias do país.

O governador de Buenos Aires, Daniel Scioli, vice-presidente de Néstor Kirchner, já fala como candidato do Partido Justicialista (peronista). Também estão na parada o prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri, aliado da ala direita do peronismo, que derrotou a Frente pela Vitória, liderada por Néstor Kirchner, nas eleições parlamentares de 2009; o ex-corredor de Fórmula 1 Carlos Reuteman; e o próprio articulador da eleição de Kirchner, o ex-presidente Eduardo Duhalde, que já tem sítio de Internet Duhalde 2011.

Pela União Cívica Radical, são pré-candidatos Ricardo Alfonsín, filho do falecido presidente Raúl Alfonsín, muito respeitado por ter mantido a dignidade do cargo, ao contrário de Menem e Kirchner, e o vice-presidente Julio Cobos.

Por mais uma ironia da política argentina, desde que rompeu com o casal Kirchner durante a crise do campo, o vice-presidente é o líder da oposição.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Ex-presidente Kirchner morre de ataque cardíaco

O ex-presidente da Néstor Kirchner morreu de um ataque do coração aos 60 anos na cidade de El Calafate, no Sul da Argentina, informou agora há pouco a televisão estatal do país.

Desde o início do ano, ele tinha sido submetido a duas cirurgias para resolver problemas cardíacos. Em fevereiro, passara por uma operação de emergência na artéria carótida direita; em outubro, fez outra, para desobstruir a artéria coronariana.

Kirchner, descendente de imigrantes suíços e croatas, nasceu e iniciou sua carreira política em Río Gallegos, na Patagônia, onde será enterrado no sábado. Foi eleito presidente em 2003, depois do colapso da economia da Argentina, em 2001, com o fim da paridade cambial fixa entre o peso e o dólar, em plena moratória da dívida.

Em meio ao caos criado pelo calote da dívida e o confisco das poupanças em dólares,  com 58% da população de um país rico na miséria, o governo Kirchner renegociou a dívida com deságio de 25%. Revogou as leis que anistiavam as violações de direitos humanos da última ditadura militar argentina, e adotou políticas sociais destinadas a varrer o neoliberalismo da era Carlos Menem (1989-99), o peronista de direita responsável pela dolarização catastrófica.

Na verdade, Kirchner foi tirado da cartola pelo então presidente Eduardo Duhalde (2002-03) como candidato anti-Menem. Neste jogo de paixões e traições da política argentina, Duhalde foi vice-presidente no primeiro governo Menem, mas depois rompeu com ele.

Com o apoio da ala mais esquerdista do Partido Justicialista (peronista), Duhalde concorreu à Presidência em 1999 e perdeu para Fernando de la Rúa, da União Cívica Radical. Sem os votos que a direita dava a Menem, não superou o limite de 40% da votação tradicional peronista.

De la Rúa cometeu o erro fatal de não abandonar a dolarização de Menem. O capital estrangeiro não fluía mais para a América Latina desde a crise asiática de 1997. Com a camisa de força da dolarização, a economia argentina perdia competitividade. A situação piorou com as crise da Rússia (1998) e do Brasil (1999).

Em abril de 2001, o ministro da Economia, Domingo Cavallo, anuncia o lançamento de títulos que pagavam 15% em dólar. No fim do ano, a Argentina entrou em colapso, pagou de parar a dívida e viveu uma das piores crises econômicas da História.

Com a multidão nas ruas de Buenos Aires e corrida aos bancos para sacar os depósitos em dólares, De la Rúa caiu, em 21 de dezembro de 2001.

Duhalde chegou ao poder em 2 de janeiro de 2002, depois de três presidentes interinos: o presidente interino do Senado, Frederico Ramón Puerta; o governador Adolfo Rodríguez Saá; e o presidente da Câmara, Eduardo Camaño.

Seus objetivos maiores eram reestabilizar a economia, combater as consequências sociais da crise e afastar de vez o neoliberalismo menemista, que Duhalde via como responsável pelo colapso da Argentina.

Kirchner foi o candidato da esquerda peronista, o anti-Menem na eleição presidencial de 2003 e sempre acusava seus adversários, os jornais conservadores e vários empresários de fazer o jogo sujo do fundamentalismo de mercado.

Menem ganhou o primeiro turno com apenas 24,3% dos votos e abandonou o segundo turno, tentando negar legitimidade a Kirchner, que tivera 22% e passou o início de seu governo em busca de legitimidade.

No plano político, por reabrir os processos contra os torturadores e assassinos da última ditadura militar argentina, Néstor Kirchner ganhou o apoio incondicional das Mães da Praça de Maio. Para defender suas políticas, mobilizou os sindicatos peronistas e os piqueteiros, massas de desempregados que bloqueavam ruas e acesso a empresas em seus protestos.

Com a renegociação da dívida, a economia chegou a crescer 8% e o emprego se recuperou, mas o governo adotou políticas populistas, antiliberais e antimercado que afugentaram o investimento em setores essenciais como energia.

O ministro da Economia responsável pelo fim da moratória, Roberto Lavagna, foi afastado depois da vitória do casal Kirchner nas eleições parlamentares de 2005, quando Néstor consolidou seu domínio sobre o partido peronista, derrotando seu criador, Duhalde.

Cristina Kirchner disputou uma cadeira de senadora por Buenos Aires com Hilda Chiche Duhalde, a mulher de Eduardo Duhalde. Na festa da vitória, o casal Kirchner foi comparado ao casal Juan Domingo e Eva Perón, os fantasmas que pairam eternamente sobre a política argentina.

Diante do desgaste que representaria a luta por um segundo mandato, Néstor Kirchner lançou sua mulher, a senadora Cristina Fernández de Kirchner, como candidata à Casa Rosada. Ela se tornou, em 2007, a primeira mulher eleita presidente da Argentina.

O governo Cristina Kirchner foi marcado, em 2008, por um longo conflito com os produtores rurais por causa do aumento do imposto sobre exportação de grãos, uma saída para manter a arredacação sob o pretexto de combater a inflação nos preços dos alimentos.

Na ocasião, o maior jornal argentino, Clarín, que apoiara o governo Néstor Kirchner, ficou ao lado dos ruralistas. O casal declarou uma guerra à grande imprensa e ao maior grupo de mídia argentino. Mandou 200 fiscais do imposto de renda fazerem uma devassa nas empresas. Tomou de uma delas o direito de transmissão dos jogos do Campeonato Argentino de futebol. E conseguiu aprovar uma Lei de Meios de Comunicação que obrigaria o grupo Clarín a se desfazer de mais de 200 licenças de telerradiodifusão, parcialmente suspensa pela Justiça.

Desde antes da eleição de Cristina, o casal Kirchner é acusado de pressionar o instituto oficial de estatísticas a manipular os dados oficiais sobre crescimento de preços. O modelo kirchnerista, baseado em controle de preços e gastos públicos, começava a gerar inflação e crescimento baixo.

Hoje, a inflação oficial está em 11%, mas economistas independentes a calculam em 25% ao ano. A Argentina deve crescer 7% neste ano, o que recuperou parcialmente a popularidade do casal.

Anti-imperialista por suas raízes peronistas e pela ruptura com o sistema financeiro internacional, Néstor Kirchner cultivou uma relação com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, um dos grandes compradores de bônus da dívida argentina e financiadores da campanha de sua mulher.

Houve um escândalo quando um empresário venezuelano foi preso no aeroporto Jorge Newbery, em Buenos Aires, com US$ 790 mil não declarados numa maleta de mão, em 4 de agosto de 2007. Ele foi solto. O dinheiro seria para a campanha de Cristina.

Pragmático, mais interessado em resultados de curto prazo com peso sobre a economia e a opinião pública argentinas, Kirchner queria fortalecer o Mercosul. Via com desdém os esforços brasileiros de integração regional, mas acabou se tornando secretário-geral da União das Nações Sul-Americanas (Unasul).

Kirchner pretendia usar o cargo como trampolim para voltar à Presidência da Argentina em 2011.

Por força de seu personalismo, sua morte deixa um grande vácuo no centro do poder na Argentina. Cristina sempre foi vista como uma presidente comandada pelo marido.

domingo, 12 de setembro de 2010

Kirchner é hospitalizado com problemas cardíacos

O ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner, considerado o homem-forte do governo da mulher, secretário-geral da Unasul e possível candidato à eleição presidencial de 2011 é hospitalizado pela segunda vez neste ano, em Buenos Aires, com problemas cardíacos.

Kirchner foi submetido a uma angioplastia e estaria passando bem.


segunda-feira, 17 de maio de 2010

Casal Kirchner leva apoio ao juiz Garzón

Durante viagem à Espanha para participar da reunião de cúpula da América Latina, União Europeia e Caribe, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, e seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner, foram dar apoio ao juiz Baltasar Garzón, suspenso pelo Supremo Tribunal do país por ter ordenado uma investigação dos crimes do franquismo.

"Demos nosso total apoio", declarou a presidente argentina. "Não creio que seja uma ingerência em assuntos internos porque os direitos humanos são universais. Foi este conceito que permitiu processar [o ex-ditador chileno Augusto] Pinochet. Por tudo isso, me parece incompreensível o uso de dois pesos e duas medidas com uma pessoa da reputação do juiz Baltasar Garzón."

Além de Pinochet e da ditadura militar argentina, Garzón mandou prender o terrorista saudita Ossama ben Laden por crimes contra a humanidade. Quando quis desenterrar os crimes cometidos pelo franquismo durante a Guerra Civil Espanhola (1936-39) e a ditadura do generalíssimo Francisco Franco (1939-75), foi afastado.

sábado, 8 de maio de 2010

Argentina quer frear importação de alimentos

O governo da Argentina está pressionando os supermercados a não importar alimentos que tenham similares no mercado interno, revelou o jornal La Nación.

A partir de 1º de junho, os supermercados argentinos não devem oferecer massas, azeite de oliva, chocolates e outros alimentos importados, determinou o secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, próximo do casal Kirchner.

Há duas semanas, revela La Nación, as redes de supermercados tiveram problemas para comprar milho do Brasil, já que a produção argentina não é suficiente para atender a todo o consumo do país.

"Quando reclamamos da situação a Moreno", conta um importador citado pelo jornal, "ele nos disse que não era um problema dele e que é preciso apoiar a indústria nacional", ignorando a existência do Mercosul.

Os supermercados temem o impacto inflacionário da medida escandalosamente protecionista, adotado no momento em que o homem-forte do governo argentino, o ex-presidente Néstor Kirchner, é eleito secretário-geral da União das Nações da América do Sul (Unasul), numa manobra oportunista para voltar a se candidatar à Presidência da Argentina em 2011.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Néstor Kirchner sofre operação de emergência

Depois de sentir uma dormência nas pernas quando estava na residência oficial de Olivos, na Grande Buenos Aires, o ex-presidente Néstor Kirchner (2003-07) foi operado de emergência na carótida do lado direito.

Kirchner foi acompanhado pela mulher, a atual presidente Cristina Kirchner. O ministro do Exterior, Jorge Taiana, declarou que tudo correu bem.

O ex-presidente é considerado a eminência parda ou o verdadeiro poder por trás do trono no governo da mulher. Atualmente, ele preside o Partido Justicialista, peronista, que como de costume está dividido entre oficialistas, peronistas de direita e peronistas de esquerda.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Argentina abre arquivos da última ditadura

No momento em que a questão ameaça provocar uma crise militar no governo Lula, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, assinou ontem um decreto abrindo todos os arquivos da última ditadura argentina (1976-83), acusada pelo desaparecimento de 30 mil pessoas, com a exceção dos relativos à Guerra das Malvinas.

As Forças Armadas, lideradas pelo comandante do Exército, general Jorge Rafael Videla, e do comandante da Marinha, almirante Emilio Eduardo Massera, tomaram o poder em 24 de março de 1976, derrubando a presidente María Estela Martínez, a Isabelita, no último de uma série de golpes entremeados por curtos períodos democráticas que se arrastava desde a queda do presidente Hypolito Irigoyen, em 1930.

O país já estava em guerra civil, com vários grupos paramilitares. À direita, a linha-dura militar anticomunista e a Aliança Anticomunista Argentina, um esquadrão da morte liderada pelo ministro do Bem-Estar Social de Isabelita, José López Rega, peronista de direita.

Do outro lado, havia vários  grupos guerrilheiros de esquerda, como os Montoneros, peronista e nacionalista de esquerda, e o Exército Revolucionário do Povo (ERP), trotskista.

Sob o jugo da ditadura, uma guerra suja devastou a esquerda argentina. Cerca de 62% dos desaparecidos foram sequestrados em suas próprias casas; 25% no centro de Buenos Aires.

Depois da Guerra das Malvinas (1982), quando os militares perderam a autoridade moral para governar a Argentina, e a democracia foi restaurada, o presidente Raúl Alfonsín (1983-89) criou uma comissão presidida pelo físico e intelectual Ernesto Sábato para investigar o desaparecimento de pessoas.

Os nove comandantes das três juntas militares que governaram a Argentina foram processados e condenados, em 1985 e 1986. Mas uma série de rebeliões militares dos caras-pintadas fizeram Alfonsín recuar e aceitar as leis Ponto Final e de Obediência Devida.

Na prática, essas leis anistiavam os militares de médio e baixo escalões que executaram as ações criminosas da ditadura. Não foi suficiente. Novas revoltas dos torturadores e assassinos levaram o presidente Carlos Menem (1989-99) a indultar os nove comandantes, garantindo assim a total impunidade dos responsáveis pela guerra suja argentina.

Ao assumir a presidência em 2003, depois da pior crise econômica da história recente, Néstor Kirchner (2003-07) revogou as leis Ponto Final e de Obediência. Os processos contra ditadores, generais, coronéis e oficiais de patentes inferiores foram reabertos.

A revelação de todos os documentos até agora classificados como secreto dará margem a novas ações em busca de Justiça, ainda que tardia.

sábado, 7 de novembro de 2009

Sindicalistas impedem distribuição de jornais

Em mais uma tentativa de censurar a imprensa, pelo segundo dia seguido, ativistas do Sindicato dos Caminhoneiros mobilizados pelo secretário-geral da Confederação Geral do Trabalho (CGT) da Argentina, Hugo Moyano, bloquearam na madrugada de hoje as oficinas dos jornais Clarín e La Nación, e da revista Noticias, críticos do governo Cristina Kirchner.

Moyano é um dos principais aliados do ex-presidente Néstor Kirchner dentro do Partido Justicialista ou peronista.

"É preciso contextualizar esta ação no clima de agressão e hostilidade contra a imprensa na Argentina, do qual não têm sido alheios setores ligados ao poder político", protestou, em nota, a Associação das Entidades Jornalísticas Argentinas.

O casal Kirchner discrimina os jornais de oposição na distribuição das verbas da publicidade oficial, enviou mais de 200 fiscais do imposto de renda para uma operação no Clarín e conseguiu aprovar às pressas uma nova lei de telerradiodifusão, enquanto ainda tem maioria no Congresso.

Mesmo antecipando as eleições de meio de mandato para 28 de junho, por medo de que a profunda crise econômica interna se agravasse, os Kirchner perderam, mas os novos deputados e senadores só assumem em dezembro. Antes disso, o governo usou seu rolo compressor para aprovar a nova legislação sobre meios audiovisuais, que vai obrigar o Clarín e a empresa que edita o jornal espanhol El País a devolverem centenas de licenças de operação.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Argentina admite pobreza e desemprego

O casal Kirchner insiste em apresentar a Argentina como um país onde a pobreza e o desemprego diminuíram desde 2003, quando Néstor Kirchner foi eleito presidente.

Mas um documento oficial enviado à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos admite que, "apesar da recuperação", a Argentina enfrenta desafios como "a pobreza, o aumento do desemprego, a inflação alta e a escassez de energia", tudo o que o governo Cristina Kirchner nega.

O documento da Secretaria de Finanças do Ministério da Economia, citado pelo jornal Clarín faz parte dos preparativos para nova troca de bônus da dívida argentina no mercado financeiro americano que permita acabar com o calote dado depois do colapso da paridade dólar-peso, em 2001-02.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Néstor Kirchner renuncia à presidência do partido

Depois da derrota do governo da Argentina ontem nas eleições parlamentares de meio de mandato, o ex-presidente Néstor Kirchner renunciou hoje à presidência do Partido Justicialista (peronista).

Kirchner foi substituído pelo governador da província de Buenos Aires, Daniel Scioli, que foi seu vice de 2003 a 2007. Sua derrota marca o fim de uma era.

A hegemonia política de Néstor Kirchner na Argentina acabou ontem. É o fim da Era Kirchner.

Casal Kirchner perde eleições na Argentina

O casal Kirchner perdeu as eleições de meio de mandato para metade da Câmara Federal e um terço do Senado da Argentina neste domingo em todos os lugares importantes. Ficou em minoria nas duas casas do Congresso.

A política argentina mudou. Cristina Kirchner tem mais dois anos para governar em minoria. A era do casal Kirchner chegou ao fim.

Ao reconhecer a derrota, o ex-presidente Néstor Kirchner, que liderava a lista da Frente pela Vitória na província de Buenos Aires, lamentou: "Perdemos por pouco". Por 34,5% a 32,1%, venceu a União Pro, liderada pelo empresário Francisco De Narváez, aliado do prefeito conservador de Buenos Aires, Mauricio Macri.

Despontam como candidatos à presidência em 2011:
• o vice-presidente Julio Cobos, que rompeu com os Kirchner ao votar contra o aumento do imposto sobre exportações de grãos que está no centro do conflito entre o governo e o campo;
• o prefeito Mauricio Macri, um empresário de sucesso que foi presidente do Boca Juniors;
• e o ex-corredor de Fórmula 1 Carlos Reutemann, que foi levado para a política pelo ex-presidente Carlos Menem e agora pode ser a salvação do oficialismo, apesar de Menem e Kirchner serem inimigos mortais.