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segunda-feira, 22 de julho de 2019

Partido do presidente Zelensky vence eleições legislativas na Ucrânia

A Ucrânia deu hoje mais um voto de confiança no presidente Volodymyr Zelensky, um humorista eleito em 21 de abril com 73% dos votos. Seu partido Servidor do Povo conquistou 44% dos votos nas eleições parlamentares do domingo, 21 de julho, na maior vitória neste tipo de eleições desde a independência da União Soviética, em 1991.

"Não é apenas um sinal de confiança, é também uma imensa responsabilidade para mim e minha equipe", reconheceu Zelensky.

Com o controle do Conselho Supremo da Ucrânia (Rada), o parlamento unicameral do país, o novo presidente pode iniciar as transformações profundas que prometeu durante a campanha, como um combate efetivo à corrupção, fim da imunidade parlamentar, reforma judiciária, liberalização da economia, governo eletrônico, um alinhamento maior com a União Europeia e uma solução para a guerra civil fomentada pela Rússia no Leste da Ucrânia.

O país adota um sistema de votação distrital misto. A metade das 450 cadeiras do Rada é eleita pelo voto proporcional em listas partidárias e a outra pelo voto distrital. Nos 26 distritos da região da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014, e nas províncias de Donetsk e Luhansk, na região da vale do Rio Don, dominada por milicianos aliados de Moscou, as eleições foram suspensas.

Assim, só quando a apuração estiver totalmente concluída será possível saber se Zelensky poderá governar sem alianças. Com 44% dos votos apurados, projeta-se uma renovação de 70% do Parlamento.

Se precisar de uma coalizão para ter maioria absoluta, Zelensky pode se aliar à União Pan-Ucraniana Pátria, partido conservador da ex-primeira-ministra Yulia Timochenko, que recebeu até agora 7,4% dos votos, ou à Voz da Ucrânia (Holos), um partido liberal e reformista fundado pelo superastro do rock ucraniano Sviatoslav Vakartchuk, que obteve 6,5% dos sufrágios. Ambos são pró-europeus.

Ao anexar a Crimeia e provocar uma guerra no Leste da Ucrânia para vingar a queda de seu aliado Viktor Yanukovich, o ditador russo Vladimir Putin passou a ser o maior inimigo do povo ucraniano. A Plataforma de Oposição, apoiada pelo Kremlin, está com 11,4% e a Solidariedade Europeia, do ex-presidente Petro Porochenko, com pouco menos de 9%.

A prioridade do novo governo é negociar um cessar-fogo definitivo no Leste da Ucrânia. Não será fácil. Putin e o nacionalismo russo consideram a Ucrânia uma parte histórica da Rússia. Na semana passada, o Kremlin anunciou a concessão de passaportes russos para os habitantes das províncias ucranianas de Donetsk e Luhansk, que estão sob controle de aliados do Kremlin.

sábado, 8 de dezembro de 2018

Polícia enfrenta manifestantes e interpela mais de 950 pessoas na França

A França mobilizou 89 mil policiais para conter as manifestações dos coletes amarelos, que hoje reuniram 125 mil pessoas. Só em Paris 8 mil agentes da lei tentam evitar novo quebra-quebra. Ao todo, 1.385 pessoas foram detidas pela polícia, sendo 651 em Paris, onde 536 foram presas e 71 saíram feridas. Os policiais usaram gás lacrimogênio na região próxima ao Arco do Triunfo de Napoleão.

Os protestos que começaram contra um aumento nos impostos sobre combustíveis já cancelado. Agora, exigem o aumento do salário mínimo, a volta do imposto sobre grandes fortunas, a renúncia do presidente Emmanuel Macron e a dissolução da Assembleia Nacional. A extrema direita e a extrema esquerda lideram as manifestações violentas.

Macron foi eleito em 2017, derrotando a neofascista Marine Le Pen no segundo turno, com uma proposta de realizar reformas profundas para modernizar a economia da França e retomar a competitividade no mundo globalizado. É acusado pelos manifestantes de governar para os ricos.

Em Paris, as principais atrações turísticas estão fechadas e a recomendação é evitar o centro da cidade.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

China toma medidas para evitar desemprego e agitação social

Diante da desaceleração da economia, da expectativa de um longo período de dificuldades e da guerra comercial com os Estados Unidos, o Conselho de Estado da China anunciou ontem uma série de medidas econômicas para evitar o aumento do desemprego e a agitação social.

O governo promete reembolsar 50% dos prêmios do seguro-desemprego para empresas que não demitirem ou reduzirem as dispensas ao mínimo. Atualmente, o governo responde por apenas 2% do total.

Outras iniciativas incluem subsídios e ajudas de custo para companhias e indivíduos que derem treinamento profissional, especialmente para jovens de 16 a 24 anos. Para aumentar a confiança e os investimentos pequenas empresas e microempreendedores, o governo vai dar subsídios e avalizar empréstimos.

A grande ameaça é um aumento ainda maior do endividamento, que deve chegar a 260% do produto interno bruto no fim de 2018, pela estimativa de economistas entrevistados pela agência Bloomberg. O peso desta dívida de mais de US$ 30 bilhões, incluindo governo, empresas, bancos e indivíduos, será um poderoso freio ao crescimento futuro.

O Partido Comunista está extremamente preocupado. Sua legitimidade hoje deriva da prosperidade econômica gerada pelas reformas de Deng Xiaoping, que completam 40 anos em 13 de dezembro.

Neste período, a China passou pelo maior desenvolvimento econômico da história da humanidade, num enriquecimento que superou de longe em ritmo o crescimento do Império Britânico, da Alemanha, dos Estados Unidos e do Japão.

Para evitar o desemprego, o regime comunista convertido em capitalismo de Estado aumentou nos últimos meses o investimento em infraestrutura e ampliou o crédito, os subsídios diretos e as isenções de impostos.

Este modelo pode estar próximo do esgotamento. Isso deixa o país muito mais suscetível aos tarifaços e às pressões dos EUA de Donald Trump, que entraram numa competição estratégica para tentar conter a China e manter a supremacia tecnológica e militar americana.

Uma crise econômica profunda, com desemprego em massa, vai levar ao questionamento da liderança do ditador Xi Jinping e do monopólio de poder, do poder absoluto do Partido Comunista.

2019 é visto como uma ameaça. Os anos terminados em 9 têm uma longa história na China.

Em 4 de maio de 1919, estourou uma revolta de estudantes anti-imperialista em protesto contra a decisão da Conferência de Paz de Versalhes de deixar o Japão manter o controle sobre territórios na região de Xandong.

Em 1929, houve um conflito armado entre a União Soviética e o senhor da guerra chinês Zhang Xueling, em torno da Ferrovia do Norte da China.

Em 1939, a China resistiu à ofensiva do Exército Imperial do Japão na Batalha de Changsha, a primeira grande batalha no país durante o período da Segunda Guerra Mundial,. Na China, a guerra começara dois anos antes, em 1937, com a invasão japonesa do resto do país, depois de tomar a Manchúria em 1931.

Em 1º de outubro de 1949, a Revolução Comunista liderada por Mao Tsé-tung chegou ao poder e fundou a República Popular da China.

Em 1959, o regime comunista consolidou a ocupação do Tibete e o Dalai Lama fugiu para o exílio na Índia. Desde então, a China adota uma política de sinificação do Tibete, combatendo o lamaísmo e sua cultura como uma religião medieval.

Em 1969, houve vários conflitos armados de fronteira com a URSS. As duas potências comunistas divergiram quando Nikita Kruschev denunciou os crimes de Josef Stalin no 20º Congresso do Partido Comunista Soviético, em 1956, e romperam quando Kruschev adotou a política de coexistência pacífica com os EUA depois da Crise dos Mísseis em Cuba, em 1962.

Em 1979, a China declarou guerra ao Vietnã, que invadira o Camboja no Natal de 1978 para depor a ditadura genocida de Pol Pot, apoiada por Beijim. A guerra terminou sem vencedor claro, no que foi considerado uma vitória do Vietnã, dada a diferença de tamanho e forças dos dois países.

Na noite de 3 para 4 de junho de 1989, o Exército Popular de Libertação massacrou a revolta dos estudantes na Praça da Paz Celestial em Beijim, até hoje o maior desafio ao regime comunista desde o início das reformas modernizadores de Deng.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Arábia Saudita pode culpar general pelo assassinato de jornalista

A monarquia absolutista da Arábia Saudita examina a possibilidade de responsabilizar o general Ahmed al-Assiri, um alto funcionário do serviço secreto pela morte do jornalista Jamal Khashoggi, esquartejado vivo dentro do Consulado Saudita em Istambul, na Turquia, em 2 de outubro, revelou o jornal The New York Times.

Hoje o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu finalmente que Khashoggi está morto. Trump tem sido o maior defensor da monarquia saudita. Ele promete "punições severas", mas quer aguardar o resultado do inquérito.

O problema é que a investigação está sendo realizada pelos próprios responsáveis pelo assassinato político. Fará de tudo para tentar inocentar o príncipe-herdeiro, Mohamed ben Salman, homem-forte do regime saudita.

De acordo com o genro e assessor de Trump, Jared Kushner, que estimulou a relação com o príncipe, insiste para o presidente manter o apoio a MbS na expectativa de que ele sobreviva à tempestade

Saudado por aliados ocidentais como o homem que modernizaria a Arábia Saudita, um regime feudal, sem Constituição nem qualquer respeito aos direitos humanos, onde tudo pertence à família real, inclusive as segundas maiores reservas mundiais de petróleo, logo atrás da Venezuela, é visto agora como um príncipe que não pode ser rei.

A percepção de que MbS é um assassino sanguinário levou empresas, líderes empresariais e dirigentes políticos a cancelar sua participação numa conferência organizada pelo príncipe para atrair investimento estrangeiro chamada de Davos no Deserto, inclusive a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, e o secretário do Tesouro dos EUA, Steve Mnuchin. Foi a primeira reação negativa dos EUA.

Ao mesmo tempo, a imprensa americana noticiou que o rei Salman enviou US$ 100 milhões ao governo Trump, num sinal de precisa manter a "lealdade" para continuar recebendo dinheiro saudita.

O objetivo da conferência é levantar dinheiro para o grande projeto do príncipe, Arábia Saudita 2030, um plano de modernização para preparar o país para a era pós-petróleo.

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Etiópia terá democracia multipartidária

O chefe de gabinete do primeiro-ministro Abiy Ahmed anunciou hoje que a Etiópia deve se tornar uma democracia pluralista, com vários partidos políticos disputando o poder, noticiou hoje a agência Reuters.

Desde que assuiu a chefia do governo etíope, em 2 de abril de 2018, Abiy realizou uma série de reformas liberalizantes. Ele libertou presos políticos, liberalizou a economia e assinou um acordo de paz com a vizinha Eritreia depois de 22 anos de atividade.

A democracia consolida a abertura do país que mais cresce no mundo hoje. De 2005 a 2016, a Etiópia cresceu em média 10,3% ao ano. Em 2017, a estimativa do Banco Mundial foi de uma expansão de 10,9%.

Com pouco mais de 91 milhões de habitantes, a Etiópia tem a segunda maior população da África, atrás apenas da Nigéria. Desde as eleições de 2015, todas as cadeiras no Parlamento são ocupadas por deputados da Frente Democrática Revolucionária do Povo Etíope, no poder desde 1991.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

López Obrador pode ter maioria no Congresso do México

O candidato populista de esquerda José Manuel López Obrador pode não apenas ser eleito presidente do México em 1º de julho. Pode conseguir maioria na Câmara e no Senado, indica uma pesquisa do instituto Consulta Mitofsky. Assim, se for eleito, poderá revogar as reformas de educação e energia feitas pelo atual governo, uma promessa de campanha.

A pouco mais de um mês da eleição, López Obrador lidera com uma vantagem média de dez pontos dependendo da pesquisa. Durante a campanha, ele prometeu auditar os contratos de petróleo e gás do atual governo, de Enrique Peña Nieto, reduzir o preço dos combustíveis e os gastos públicos. Tudo isso, inclusive a revogação das reformas nos setores de educação e energia, depende da aprovação do Congresso.

Se a coalização liderada pelo Movimento de Regeneração Nacional (Morena) conquistar maioria apenas na Câmara, ficará sob pressão dos grandes partidos de centro-direita, o Partido Revolucionário Institucional (PRI), que governou o México de 1929 a 2000 e voltou ao poder em 2012, e o Partido de Ação Nacional (PAN), que governou de 2000 a 2012.

Duas pesquisas recentes dão 60 das 128 cadeiras do Senado e uma pequena maioria 260 das 500 cadeiras da Câmara dos Deputados à aliança entre o Morena, o Partido Encontro Social e o Partido do Trabalho, que apoia a candidatura presidencial de AMLO, como é conhecido no México. A confirmação dessas previsões nas urnas facilitariam a aprovação de novas leis.

Os investidores estrangeiros temem mais a aprovação de leis restritivas do que as auditorias porque tem impacto em prazos mais longos. As classes empresariais apostam em Ricardo Anaya, ex-presidente da Câmara, candidato do PAN.

A renegociação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte imposta pelo presidente Donald Trump, além dos insultos aos imigrantes mexicanos desde o lançamento da campanha, favorecem a campanha de um candidato de esquerda no México. Quem quer que seja o vencedor, o Morena sairá fortalecido.

sábado, 19 de maio de 2018

China rejeita exigência dos EUA para redução do saldo comercial

Depois do início de negociações para evitar uma guerra comercial catastrófica para a economia mundial, os Estados Unidos e a China divulgaram hoje um comunicado conjunto declarando que os chineses vão "aumentar significativamente" as compras de produtos e serviços americanos. O conflito está adiado, mas a China não se comprometeu com a redução de US$ 200 bilhões exigida pelo governo Donald Trump.

A declaração saiu no fim de uma negociação de alto nível, com a participação do vice-primeiro-ministro chinês Liu He. O diálogo vai continuar. Trump quer a diminuição do saldo comercial chinês, que no ano passado chegou a US$ 375 bilhões.

Para pressionar a segunda maior economia do mundo, Trump ameaçou impor tarifas de importação sobre produtos chineses num total de US$ 150 bilhões, além de restrição de investimentos em setores estratégicos. A China prometeu reciprocidade e planejou impor tarifas, especialmente sobre produtos agrícolas de estados onde o presidente americano ganhou a eleição em 2016.

Desde o fim da Guerra Fria, os EUA eram a única superpotência econômica e militar. O extraordinário desenvolvimento chinês criou um rival capaz de superá-los. Entre outras questões, as tarifas e restrições de Trump visam a dificultar o desenvolvimento tecnológico da China, necessário para equilibrar o poderio militar das duas superpotências do século 21.

Ao entrar na Organização Mundial do Comércio OMC), em 2001, com o apoio dos EUA, a China deslanchou seu potencial econômico, ampliando o acesso ao mercado internacional e a seu mercado interno, de 1,25 bilhão na época e de 1,4 milhão de pessoas hoje.

Na realidade, a China volta a ocupar a posição de maior potência econômica e militar da Ásia, o antigo Império do Centro, que começou a desabar com a derrota para o Império Britânico nas Guerras do Ópio (1839-42 e 1856-60). O Projeto Maddison de Estatísticas Históricas da Universidade de Groningen, na Holanda, estima que a China fosse responsável por um terço da economia mundial 200 anos atrás.

O imperialismo ocidental e a industrialização da Europa e da América do Norte tiraram a China de sua posição de preeminência. Um objetivo central da revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung, que chegou ao poder em 1949, era acabar com a humilhação histórica a que o país foi submetido pelas potências ocidentais.

Com as reformas econômicas lançadas por Deng Xiaoping, em 1978, depois da caótica Revolução Cultural (1966-76) do maoísmo, a China cresceu durante 30 anos a taxas em torno de 10%, no mais rápido e extraordinário desenvolvimento econômico da história, para retomar seu lugar.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Banco Central da Argentina eleva taxa básica de juros para 40%

O Banco Central da Argentina surpreendeu hoje o mercado financeiro, elevando a taxa básica de juros pela terceira vez em uma semana para 40% ao ano para tentar conter a desvalorização do peso. 

Sob o impacto da medida, a moeda argentina subiu 5% para 21,238 pesos por dólar, mas depois caiu 2,3% e chegou a 22,25 por dólar. A moeda americana terminou o dia valendo 22,17 pesos em Buenos Aires.

Várias economias em desenvolvimento estão sob pressão com a alta do dólar diante da expectativa de mais três altas na taxa básica de juros neste ano nos Estados Unidos: Argentina, Brasil, México, Polônia e Turquia, entre outras. Como aqui, o BC argentino entrou no mercado vendendo US$ 5 bilhões das reservas cambiais do país.

Desde o início do ano, o peso perdeu 15% do valor, o real 13% e a lira turca também caiu mais de 10%. Para o jornal inglês Financial Times, é o primeiro grande teste do mercado à política de reformas do presidente Mauricio Macri, eleito há dois anos e meio com a promessa de tornar a Argentina num país normal depois de 12 anos de governos de Néstor e Cristina Kirchner.

Néstor Kirchner (2003-7) chegou ao poder em meio a uma depressão econômica, depois do fim da dolarização da era Carlos Menem (1989-99), de uma megadesvalorização do peso e de todos os ativos e de um calote de US$ 100 bilhões na dívida do país.

A crise sem precedentes numa economia razoavelmente desenvolvida, superada agora pelo colapso econômico da Venezuela, jogou 58% dos argentinos para baixa da linha de pobreza e levou Kirchner a adotar uma série de subsídios a alimentos, transportes e energia.

Quando veio a Grande Recessão de 2008-9, no início do governo Cristina Kirchner (2007-15), com a escassez de dólares, a saída foi sobretaxar as exportações agrícolas, o que provocou uma greve de produtores rurais. A greve do campo esvaziou as prateleiras dos supermercados e afetou o comércio exterior de uma grande potência agrícola mundial.

Sem o apoio dos ruralistas, Cristina deu uma guinada à esquerda e manteve os subsídios para garantir o apoio de sua base política, sindicalista e peronista, aumentando com isso o déficit orçamentário e a dívida pública.

Hoje o ministro da Economia, Nicolás Dujovne, anunciou uma redução do superávit primário de 3,2% para 2,7% do produto interno bruto e defendeu a alta nos juros: "A convergência para o equilíbrio fiscal não é negociável", declarou, prometendo resistir às "pressões populistas".

Com a redução do superávit primário (saldo nas contas públicas sem computar o pagamento de juros), o governo da Argentina deixará de tomar emprestado US$ 3 bilhões e já garantiu os recursos para 80% de sua necessidade de financiamento em 2018.

Apesar dos problemas econômicos, Macri ainda tem o apoio de mais de 50% dos argentinos.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

China cresce em ritmo de 6,7% ao ano

A China, segunda maior economia do mundo, avançou no terceiro trimestre de 2016 num ritmo de 6,7% ao ano, mantendo-se dentro da meta oficial de 6,5%, anunciou hoje o governo central de Beijim.

Esse crescimento, no mesmo ritmo do primeiro e do segundo trimestres, de acordo com as estatísticas oficiais, foi atribuído ao aumento da oferta de crédito, ao aquecimento do mercado imobiliário e a outras medidas de estímulo adotadas para garantir o cumprimento da meta. Mas suscitou dúvidas de economistas independentes por manter a mesma taxa por três trimestres consecutivos.

Em contrapartida às medidas de estímulo, as reformas necessárias para reestruturar a economia do investimento e da exportação para o mercado interno e o setor de serviços são adiadas. Os problemas crônicos de excesso de capacidade e endividamento elevado das empresas não serão resolvidos, observa a economista Alicia Garcia Herrero, do banco Natixis, do grupo francês.

A produção industrial cresceu 6,1% em setembro, desacelerando-se em relação aos 6,3% de agosto. O investimento em capital fixo subiu 8,2% na comparação anual nos primeiros nove meses do ano. as vendas no varejo avançaram 10, 7% no embalo de um corte de impostos sobre a venda de veículos.

O mercado imobiliário das grandes cidades é hoje uma das maiores preocupações. Em algumas, os preços subiram 40% num ano. Em mais de 20 cidades, as autoridades municipais introduziram restrições para conter a especulação imobiliária.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Arábia Saudita vai aumentar impostos e cortar subsídios

Diante da queda nos preços do petróleo, o segundo príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed ben Salman, admitiu hoje em entrevista ao jornal The New York Times que o governo pode cortar os subsídios para água e energia e aumentar o imposto de valor agregado sobre cigarros e refrigerantes.

O príncipe revelou a intenção de privatizar minas e vender terras públicas para a construção civil. Também pretende reduzir o consumo interno de petróleo investindo mais em energia nuclear e energia solar.

Além de segundo príncipe herdeiro, Mohamed ben Salman, filho do rei Salman, é ministro da Defesa, presidente do comitê de economia e desenvolvimento e diretor do Centro Nacional de Performance, que fiscaliza a eficiência da burocracia governamental.

Com a queda nos preços do petróleo, há uma preocupação crescente em diversificar a economia, o que não aconteceu para valer desde a valorização da mercadoria a partir de 1973. "Os nossos principais desafios são a grande dependência do petróleo e onde gastar o orçamento."

Sem tantos subsídios, "mesmo que petróleo caia para US$ 30 por barril, Riade terá arrecadação suficiente para continuar construindo o país sem exaurir a poupança", acrescentou o príncipe Mohamed ben Salman.

Sob pressão da queda nos preços do petróleo e de uma população jovem, em que 70% dos 30 milhões têm menos de 30 anos, uma monarquia absolutista, um dos regimes mais fechados do mundo, discute reformas.

Durante o reino do sultão Abdala, que morreu em janeiro de 2015, a Arábia Saudita privatizou grandes estatais, abrindo vários setores ao investimento privado nacional e estrangeiro, mudou a legislação trabalhista e aderiu à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Como o wahabismo, a corrente do islamismo adotada oficialmente na Arábia Saudita, é acusada de ser a ideologia dos jihadistas da rede terrorista Al Caeda e do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, o terrorismo é uma grande preocupação. Mas a monarquia saudita põe a culpa num tradicional aliado.

"Não havia Estado Islâmico antes dos Estados Unidos se retirarem do Iraque. Com a saída dos EUA e a entrada do Irã, o EI apareceu", afirmou o príncipe, acusando também a República Islâmica do Irã, xiita, com quem a monarquia saudita, sunita, disputa a liderança regional no Oriente Médio.

Ele reclamou que o EI está atacando mesquitas sunitas no reino para desestabilizar a monarquia, o resto do mundo responsabiliza o país de ser a grande inspiração, de ser o verdadeiro Estado islâmico: "O Estado Islâmico diz que não sou muçulmano e o mundo diz que eu sou um terrorista."

Na sua opinião, a mensagem do EI nas redes sociais é clara: "O Ocidente está tentando impor suas ideias e o governo saudita está ajudando, enquanto o Irã tenta colonizar o mundo árabe. Nós somos os defensores do Islã."

Neste clima de guerra permanente no Oriente Médio, o príncipe saudita fez um apelo aos EUA para que não abandonem a região: "Há períodos em que há líder e outros em que não há. Quando não há líderes, é o caos."

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Grécia aceita imposições do Eurogrupo com poucas exceções

O primeiro-ministro radical da Grécia, Alexis Tsipras, apresentou ontem um plano de reformas e ajuste fiscal para fechar um terceiro acordo com os sócios do Grupo do Euro. Tanto o Parlamento da Grécia quanto os outros países da Zona do Euro devem aceitar a proposta, previu o jornal espanhol El País.

O presidente da França, François Hollande, um dos principais defensores da permanência da Grécia na união monetária europeu, elogiou a proposta, descrevendo-a como "séria e com credibilidade".

A Grécia caloteou uma dívida de 1,55 bilhão de euros junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Sob pressão interna e externa, Tsipras convocou um referendo que rejeitou, no domingo passado, a proposta anterior do Grupo do Euro, do FMI e do Banco Central Europeu (BCE). Agora, aceitou praticamente a mesma coisa.

terça-feira, 7 de julho de 2015

Bolsas da China perderam US$ 3 trilhões em semanas

Enquanto o mundo foca suas atenções na Grécia, uma bolha especulativa está estourando nas bolsas de valores da China, apesar de uma série de medidas recentes como um corte nas taxas básicas de juros do banco central, a redução do percentual que os bancos devem manter como reservas e uma investigação sobre possíveis ações fraudulentas. 

Desde o pico em 12 de junho de 2015, a Bolsa de Xangai caiu quase 30%. As ações chinesas perderam US$ 3 trilhões, oito vezes mais do que a dívida publica grega, estimada hoje em 340 bilhões de euros (US$ 373 bilhões).

O índice CSI300, que mede o desempenho das principais ações cotadas nas bolsa de Xangai e de Xenzen, caiu hoje 1,3%.

Na sexta-feira, numa tentativa de restaurar a confiança dos investidores, o órgão regulador anunciou um inquérito sobre possíveis manipulações do mercado. Deve manter nas próximas semanas o esforço para evitar um colapso nos preços das ações.

Com a desaceleração da economia e a demanda interna relativamente fraca, aparentemente os chineses aproveitaram a baixa das taxas de juros para investir na bolsa. O objetivo do governo é fortalecer o mercado interno para que seja capaz de sustentar o crescimento nacional nestes anos de crise em que a demanda externa enfraqueceu, prejudicando as exportações.

A partir de 1978, a abertura econômica promovida por Deng Xiaoping criou uma máquina de exportações que elevou a China a segunda maior economia do mundo em termos nominais e maior do que a americana pelo critério de paridade do poder de compra do Banco Mundial.

Para sustentar esse modelo econômico, o governo chinês manteve os salários baixos para manter o baixo custo e a competitividade das exportações, e os juros baixos para garantir crédito barato para as empresas. O desafio agora é estimular o consumo interno sem minar o modelo baseado em investimentos dirigidos pelo governo e o baixo custo das exportações.

Ao mesmo tempo, o regime precisava criar instrumentos de poupança para manter o poder de compra diante da inflação. Fez duas opções: o mercado imobiliário e a bolsa de valores. Nos últimos 20 anos, as aplicações em imóveis foram preferidas pela maioria dos poupadores chineses.

Enquanto os preços subiam, e aumentaram consistentemente nas últimas duas décadas, o mercado imobiliário oferecia oportunidades sem paralelo, especialmente depois da crise de 2008-9, que afetou o setor exportador. Em 2009, a maioria dos chineses via as bolsas de valores como cassinos.

Mas, nos últimos anos, o setor habitacional entrou em declínio. Com a queda na lucratividade e a desaceleração da economia, muitos investidores correram para a bolsa, inflando a bolha especulativa.

A transição para uma economia sustentada pelo consumo interno é o maior desafio para o país que mais cresceu no mundo nos últimos 35 anos, no maior processo de desenvolvimento da história.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Ministros da Zona do Euro prorrogam socorro à Grécia

Os ministros das Finanças dos outros 18 países da Zona do Euro concordaram hoje com uma extensão de quatro meses no programa de ajuda à Grécia, de 240 bilhões de euros (R$ 775 bilhões), depois de aprovar uma série de reformas proposta pelo governo grego, noticiou o jornal The Wall St. Journal.

Vários parlamentos nacionais devem ratificar o acordo. A expectativa é que seja aprovado.

A Grécia ganhou um fôlego, mas a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, observou que as medidas proposta pelo governo radical de Atenas não são específicas. As promessas terão de ser traduzidas em resultados antes que o país receba dinheiro novo.

"Convocamos as autoridades da Grécia a desenvolver a ampliar a lista de reformas, baseado no acordo atual, em coordenação próxima com as instituições para permitir uma conclusão rápida e bem-sucedida da revisão", declararam em nota os ministros da Eurozona.

O governo do primeiro-ministro Alexis Tsipras, da Coligação de Esquerda Radical (Syriza), prometeu aumentar a disciplina nos gastos, orçamento e arrecadação de impostos, mantendo o direito de tomar medidas para combater a "crise humanitária" provocada por uma queda de 25% no produto interno bruto grego nos últimos seis anos.

Tsipras pretende manter o aumento do salário mínimo e se comprometeu a manter o programa de privatizações, mas ficou de revisar a venda de empresas estatais tendo em vista "aos benefícios de longo prazo ao Estado".

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Europa mediterrânea se prepara para onda de protestos

Os países do Sul da Europa se preparam para uma primavera de protestos e agitação social, adverte a empresa americana de estudos estratégicos Stratfor.

A Confederação Geral do Trabalho (CGT) e a Federação dos Empregados e Operários da Indústria Metalúrgica da Itália anunciaram ontem uma série de greves para outubro, enquanto o primeiro-ministro esquerdista Matteo Renzi luta contra a recessão e o desemprego em alta, e tenta aprovar reformas estruturais para estimular o crescimento. A Itália está estagnada desde o início do século.

Na Espanha, o Ministério do Interior gastou cerca de um milhão de euros (R$ 2,94 milhões) em equipamentos para a polícia de choque. Tem dois desafios à frente: agitação social contra a crise econômica e movimentos separatistas.

A Coordenadoria 25 de Setembro, um dos grupos que surgiram dos protestos dos Indignados, em 2011, anunciou uma série de manifestações contra o desemprego e a crise para a primavera. Grupos de esquerda planejam protestos contra restrições ao aborto impostas pelo governo conservador espanhol.

Outra questão importante na Espanha envolve os movimentos nacionalistas pela independência da Catalunha e do País Basco. Ontem, o líder do movimento Esquerda Republicana, Oriol Junqueras, defendeu a "desobediência civil", se o governo central de Madri bloquear a realização de um referendo sobre a independência da Catalunha previsto para 9 de novembro de 2014.

Se a Escócia conquistar a independência no referendo de 18 de setembro, a pressão na Espanha e em outros países europeus com movimentos separatistas vai aumentar muito.

Na França, a aprovação do presidente François Hollande caiu a um nível recorde de impopularidade para a 5ª República, fundada pelo general Charles de Gaulle em 1958 para criar uma Presidência forte. Só 13% dos franceses apoiam Hollande. A nomeação de um governo socialista mais à direita gerou um conflito interno no PS.

Os pilotos da companhia aérea Air France convocaram uma greve para o fim de setembro. Com a economia estagnada e o desemprego em alta, a França pode esperar uma onda de greves e protestos até o fim do ano.

Este descontentamento no Sul da Europa aumenta a tensão com a Alemanha, que resiste a pressões dos países meditarrâneos para desvalorizar o euro, estimular o investimento público e privado, e flexibilizar as metas de estabilidade fiscal da Eurozona - nada que a Alemanha pareça disposta a fazer.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Hu Jintao adverte PC chinês para risco da corrupção

Ao abrir o 18º Congresso do Partido Comunista, o presidente da China, Hu Jintao, advertiu que a corrupção é hoje a maior ameaça ao monopólio de poder do PC e pode levar ao "colapso do partido e do Estado". Mais de 2,2 mil delegados participam do encontro. Devem apenas confirmar o que foi decidido pela cúpula.

"Todos os que violarem a disciplina do partido e as leis do Estado devem ser rigorosamente punido", declarou o presidente, que deve passar o cargo em março do próximo ano.

Além da ex-estrela em ascensão da linha dura, Bo Xilai, que caiu em desgraça no início do ano e foi expurgado do partido e do parlamento depois que sua mulher foi condenada por homicídio, o jornal The New York Times denunciou o enriquecimento ilícito da família do primeiro-ministro Wen Jiabao.

Depois de dez anos, tanto Hu quanto Wen passam seus cargos de líder do partido e chefe de governo para Xi Jinping e Li Keqiang. Estes dois já são membros do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central, o grupo de nove imperadores que manda na segunda maior economia do mundo. Devem governar o país nos próximos dez anos.

Em março de 2013, Xi passa a ser também presidente da China. Para manter sua influência Hu tenta conservar a presidência da Comissão Militar do Comitê Central, que controla o Exército Popular de Libertação. Esse era o único cargo oficial do então dirigente máximo Deng Xiaoping depois do lançamento das reformas econômicas.

Sob Hu, a economia chinesa cresceu cinco vezes e passou a segunda maior do mundo, com produto interno bruto estimado em mais de US$ 7,8 trilhões no fim deste ano. Depois de décadas de crescimento médio de 10% ao ano, no último trimestre o ritmo caiu para 7,4% e tudo indica que o patamar tende a cair para este nível.

Outro desafio do futuro governo chinês será reorientar a economia para o mercado interno.
Wang Yang

Como a escolha de Xi e Li está feita há muito tempo, a maior dúvida é quem será eleito para o Comitê Permanente, que pode ser reduzido para sete membro. Neste caso, seriam eleitos apenas cinco.

Tudo isto já está decidido pelos hierarcas do partido, como o ex-presidente Jiang Zemin, desde que o congresso do PC foi convocado. Os observadores estão atentos a Wang Yang, governador da província de Cantão, considerado um liberal e possivelmente reformista. Sua ascensão indicaria uma possibilidade maior de abertura política.