O presidente François Hollande larga mal na luta pela reeleição na França. Em sondagem feita pelo Centro de Pesquisas Políticas da Sciences Po, a faculdade de ciências políticas e sociais de Paris, Hollande tem a preferência de apenas 14% do eleitorado contra 41% para o ex-primeiro-ministro conservador Alain Juppé e 28% para a candidata da extrema direita, Marine Le Pen.
Com estes números, Hollande seria eliminado no primeiro turno da eleição presidencial, em 23 de abril de 2017. Não chegaria ao segundo turno, em 7 de maio, a exemplo do que aconteceu em 21 de abril de 2002, quando o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin teve 16,11% dos votos e perdeu a vaga no segundo turno para o neofascista Jean-Marie Le Pen, pai de Marine, que conquistou 16,86% dos votos. O presidente Jacques Chirac foi reeleito no segundo turno.
Só 4% dos franceses estão "muito satisfeitos" com o atual presidente. Apesar de uma aceleração do crescimento para 0,6% no primeiro trimestre do ano e de uma pequena queda no desemprego por dois meses consecutivos, 53% dos franceses não estão "nada satisfeitos" com Hollande.
O fantasma de um novo 21 de abril assombra o Partido Socialista. A pesquisa eleitoral reflete a impopularidade de Hollande. Sua aprovação caiu a 13%, a pior de um presidente francês até hoje.
Se o candidato do partido de centro-direita Os Republicanos for o ex-presidente Nicolas Sarkozy, teria 27%. Poderia ficar atrás de Marine Le Pen, que aparece com 28% sejam quem forem os adversários.
Os atentados terroristas de janeiro e novembro de 2015 em Paris criaram um sentimento de união nacional em torno do presidente. Mas a atual onda de greves contra a reforma trabalhista, que atinge sobretudo os setores de transportes e energia, desgasta ainda mais o PS.
Sob pressão da globalização e do desemprego elevado, a nova lei trabalhista facilita as demissões. Na prática, poucos franceses conseguem hoje um contrato de prazo indeterminado (CDI). As empresas só querem fazer contratos de prazo determinado (CDD) por causa das dificuldades para demitir.
É um sistema que dá muitas garantias a quem está empregado, mas dificulta o acesso ao mercado de trabalho, especialmente dos jovens. Com desemprego acima de 10%, muito acima da Alemanha e do Reino Unido, o governo socialista do primeiro-ministro Manuel Valls decidiu flexibilizar a lei trabalhista.
A maior central sindical, a Confederação Geral do Trabalho (CGT), e a trotskista Luta Operária (LO) lideram os protestos que paralisaram refinarias, usinas nucleares, ferrovias e aeroportos. A greve ameaça a Euro 2016, a copa europeia de seleções, marcada para começar em 10 de junho.
Hollande prometeu não ceder. Valls admite negociar, mas não os pontos centrais da reforma. A CGT e a LO exigem a retirada do projeto de lei, aprovado por uma manobra constitucional do primeiro-ministro Valls, sem votação na Assembleia Nacional.
Além disso, o governo dos Estados Unidos fez um alerta a cidadãos americanos sobre o risco de atentados terroristas na Europa, especialmente na França durante a Euro 2016.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quarta-feira, 1 de junho de 2016
Hollande tem só 14% em pesquisa sobre eleição de 2017 na França
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terça-feira, 9 de setembro de 2014
Europa mediterrânea se prepara para onda de protestos
Os países do Sul da Europa se preparam para uma primavera de protestos e agitação social, adverte a empresa americana de estudos estratégicos Stratfor.
A Confederação Geral do Trabalho (CGT) e a Federação dos Empregados e Operários da Indústria Metalúrgica da Itália anunciaram ontem uma série de greves para outubro, enquanto o primeiro-ministro esquerdista Matteo Renzi luta contra a recessão e o desemprego em alta, e tenta aprovar reformas estruturais para estimular o crescimento. A Itália está estagnada desde o início do século.
Na Espanha, o Ministério do Interior gastou cerca de um milhão de euros (R$ 2,94 milhões) em equipamentos para a polícia de choque. Tem dois desafios à frente: agitação social contra a crise econômica e movimentos separatistas.
A Coordenadoria 25 de Setembro, um dos grupos que surgiram dos protestos dos Indignados, em 2011, anunciou uma série de manifestações contra o desemprego e a crise para a primavera. Grupos de esquerda planejam protestos contra restrições ao aborto impostas pelo governo conservador espanhol.
Outra questão importante na Espanha envolve os movimentos nacionalistas pela independência da Catalunha e do País Basco. Ontem, o líder do movimento Esquerda Republicana, Oriol Junqueras, defendeu a "desobediência civil", se o governo central de Madri bloquear a realização de um referendo sobre a independência da Catalunha previsto para 9 de novembro de 2014.
Se a Escócia conquistar a independência no referendo de 18 de setembro, a pressão na Espanha e em outros países europeus com movimentos separatistas vai aumentar muito.
Na França, a aprovação do presidente François Hollande caiu a um nível recorde de impopularidade para a 5ª República, fundada pelo general Charles de Gaulle em 1958 para criar uma Presidência forte. Só 13% dos franceses apoiam Hollande. A nomeação de um governo socialista mais à direita gerou um conflito interno no PS.
Os pilotos da companhia aérea Air France convocaram uma greve para o fim de setembro. Com a economia estagnada e o desemprego em alta, a França pode esperar uma onda de greves e protestos até o fim do ano.
Este descontentamento no Sul da Europa aumenta a tensão com a Alemanha, que resiste a pressões dos países meditarrâneos para desvalorizar o euro, estimular o investimento público e privado, e flexibilizar as metas de estabilidade fiscal da Eurozona - nada que a Alemanha pareça disposta a fazer.
A Confederação Geral do Trabalho (CGT) e a Federação dos Empregados e Operários da Indústria Metalúrgica da Itália anunciaram ontem uma série de greves para outubro, enquanto o primeiro-ministro esquerdista Matteo Renzi luta contra a recessão e o desemprego em alta, e tenta aprovar reformas estruturais para estimular o crescimento. A Itália está estagnada desde o início do século.
Na Espanha, o Ministério do Interior gastou cerca de um milhão de euros (R$ 2,94 milhões) em equipamentos para a polícia de choque. Tem dois desafios à frente: agitação social contra a crise econômica e movimentos separatistas.
A Coordenadoria 25 de Setembro, um dos grupos que surgiram dos protestos dos Indignados, em 2011, anunciou uma série de manifestações contra o desemprego e a crise para a primavera. Grupos de esquerda planejam protestos contra restrições ao aborto impostas pelo governo conservador espanhol.
Outra questão importante na Espanha envolve os movimentos nacionalistas pela independência da Catalunha e do País Basco. Ontem, o líder do movimento Esquerda Republicana, Oriol Junqueras, defendeu a "desobediência civil", se o governo central de Madri bloquear a realização de um referendo sobre a independência da Catalunha previsto para 9 de novembro de 2014.
Se a Escócia conquistar a independência no referendo de 18 de setembro, a pressão na Espanha e em outros países europeus com movimentos separatistas vai aumentar muito.
Na França, a aprovação do presidente François Hollande caiu a um nível recorde de impopularidade para a 5ª República, fundada pelo general Charles de Gaulle em 1958 para criar uma Presidência forte. Só 13% dos franceses apoiam Hollande. A nomeação de um governo socialista mais à direita gerou um conflito interno no PS.
Os pilotos da companhia aérea Air France convocaram uma greve para o fim de setembro. Com a economia estagnada e o desemprego em alta, a França pode esperar uma onda de greves e protestos até o fim do ano.
Este descontentamento no Sul da Europa aumenta a tensão com a Alemanha, que resiste a pressões dos países meditarrâneos para desvalorizar o euro, estimular o investimento público e privado, e flexibilizar as metas de estabilidade fiscal da Eurozona - nada que a Alemanha pareça disposta a fazer.
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quarta-feira, 14 de novembro de 2012
Europeus protestam contra o arrocho fiscal
Em 23 dos 27 países da União Europeia, manifestantes foram às ruas hoje para protestar contra as políticas de cortes de salários, aposentadorias e gastos públicos, e aumentos de impostos, para combater os déficits públicos. Em Portugal, na Espanha e na Grécia, foi um dia de greve geral. Em Lisboa, Madri, Roma e Atenas, houve conflitos com a polícia.
Na Espanha, a segunda greve geral contra o primeiro-ministro conservador Mariano Rajoy, eleito em 20 de novembro de 2011, terminou com 74 feridos e 142 presos, noticia o jornal El País citando como fonte o Ministério do Interior. Os sindicatos declararam que 76,7% dos trabalhadores aderiram à paralisação. As entidades patronais disseram que foram apenas 12%.
Na Espanha, a segunda greve geral contra o primeiro-ministro conservador Mariano Rajoy, eleito em 20 de novembro de 2011, terminou com 74 feridos e 142 presos, noticia o jornal El País citando como fonte o Ministério do Interior. Os sindicatos declararam que 76,7% dos trabalhadores aderiram à paralisação. As entidades patronais disseram que foram apenas 12%.
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