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sábado, 8 de agosto de 2020

Brasil ultrapassa 100 mil mortes e 3 milhões de casos de Covid-19

Com mais 841 mortes e 46.305 casos notificados hoje, o Brasil chegou a 100.543 óbitos e 3.013.100 casos confirmados da pandemia do coronavírus de 2020. Os presidentes da Câmara, do Senado e do Supremo Tribunal Federal declararam luto nacional. Indiferente à tragédia anunciada o presidente Jair Bolsonaro divulgou uma foto sorrindo para festejar a conquista pelo Palmeiras do Campeonato Paulista.

O governo federal se defendeu alegando que 2 milhões de pacientes se recuperaram, mas a perda de 100 mil vidas é inaceitável e o número só não é maior por causa das medidas de confinamento adotadas por governo estaduais e municipais e por dois ministros da Saúde demitidos por Bolsonaro.

Nos Estados Unidos do fracasso das negociações dos partidos Republicano e Democrata sobre um novo plano de sustentação da economia, o presidente Donald Trump baixou vários decretos cortando impostos sobre a folha de pagamento e prorrogando a ajuda aos desempregados.

O Partido Democrata alega que as medidas são inconstitucionais porque só o Congresso pode autorizar aumentos nos gastos públicos. É mais uma manobra eleitoreira de Trump.

Atrás mas pesquisas, o presidente luta desesperadamente para se recuperar e busca desculpas para justificar a derrota. Acusa a China, a oposição democrata e o voto pelo correio. Um acordo seria importante para os republicanos tentarem manter a maioria no Senado.

A oposição democrata aprovou na Câmara um programa de estímulo de US$ 3 trilhões prorrogando uma ajuda de US$ 600 por semana aos desempregados. O secretário do Tesouro, Steve Mnuchin, alegou que a quantia seria maior do que o salário que os beneficiados ganhariam trabalhando e, assim, um desestímulo à produção.

O Partido Republicano queria limitar o plano a US$ 1 trilhão. Chegou a ser apresentada uma proposta intermediária, de US$ 2 trilhões, mas não houve acordo.

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Promessas de Macron custam 10 bilhões de euros

Sob pressão do movimento dos coletes amarelos, o presidente Emmanuel Macron anunciou ontem um aumento de cem euros no salário mínimo, a suspensão do aumentos de impostos sobre combustíveis e de aposentados de baixa renda. 

Com um custo de 10 bilhões de euros, essas medidas ameaça o equilíbrio das contas públicas da França, advertiu ontem o comissário europeu para economia e finanças, Pierre Moscovici.

É provável que a França não atinja a meta de reduzir o déficit público para 2,8% do produto interno bruto em 2019. A Comissão Europeia deve cobrar ajustes no orçamento, mas sem ameaçar punições, como fez recentemente com o governo populista da Itália.

A agitação social e manifestações violentas abalam a França há quatro semanas. Os protestos começam em reação ao aumento dos combustíveis a partir de 1º de janeiro. Agora, há pedidos de renúncia do presidente e dissolução da Assembleia Nacional.

As oposições rejeitaram as propostas de Macron como insuficiente. Ele é acusado de ser o "presidente dos ricos", de estar "desconectado" da realidade e de "oferecer migalhas ao povo". As pesquisas de opinião indicam uma divisão entre os que gostaram e não gostaram do discurso de ontem à noite.

Todos os oposicionistas veem uma oportunidade de enfraquecer o presidente, que terá muitas dificuldades para aprovar seu ambicioso programa de reformas para modernizar a economia francesa e recuperar sua competitividade. A extrema direita e a extrema esquerda lideram os protestos violentos.

Hoje houve protestos de estudantes secundaristas em 170 escolas. Vários manifestantes violentos estão sendo processados pelos protestos de sábado passado. A revolta está longe do fim. Uma das exigências dos coletes amarelos é a volta do imposto sobre grandes fortunadas, aprovado no governo François Hollande (2012-17) e revogado por Macron.

sábado, 8 de dezembro de 2018

Polícia enfrenta manifestantes e interpela mais de 950 pessoas na França

A França mobilizou 89 mil policiais para conter as manifestações dos coletes amarelos, que hoje reuniram 125 mil pessoas. Só em Paris 8 mil agentes da lei tentam evitar novo quebra-quebra. Ao todo, 1.385 pessoas foram detidas pela polícia, sendo 651 em Paris, onde 536 foram presas e 71 saíram feridas. Os policiais usaram gás lacrimogênio na região próxima ao Arco do Triunfo de Napoleão.

Os protestos que começaram contra um aumento nos impostos sobre combustíveis já cancelado. Agora, exigem o aumento do salário mínimo, a volta do imposto sobre grandes fortunas, a renúncia do presidente Emmanuel Macron e a dissolução da Assembleia Nacional. A extrema direita e a extrema esquerda lideram as manifestações violentas.

Macron foi eleito em 2017, derrotando a neofascista Marine Le Pen no segundo turno, com uma proposta de realizar reformas profundas para modernizar a economia da França e retomar a competitividade no mundo globalizado. É acusado pelos manifestantes de governar para os ricos.

Em Paris, as principais atrações turísticas estão fechadas e a recomendação é evitar o centro da cidade.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

França desiste de aumentar os impostos sobre combustíveis

Em mais um recuo diante do movimento dos coletes amarelos, o aumento dos impostos sobre combustíveis não fará parte do orçamento do governo da França para 2019, anunciou hoje o primeiro-ministro Edouard Philippe, prometendo buscar "boas soluções".

No último sábado, o movimento provocou uma onda de manifestações violentas como não se via em Paris desde a Revolução dos Estudantes de maio de 1968. O governo Emmanuel Macron tentou abrir diálogo com os coletes amarelos, mas a ala mais radical rejeitou qualquer contato sem concessões significativas.

Ontem, o primeiro-ministro anunciou a suspensão do aumento por seis meses. Hoje, afastou a possibilidade pelo ano inteiro.

"Se não encontrarmos boas soluções" no grande diálogo nacional de três meses proposto pelo presidente Macron, não introduziremos o "imposto sobre carbono", que visa a acelerar a transição para uma economia com menor consumo de combustíveis fósseis para conter o aquecimento global, declarou Philippe.

O primeiro-ministro estabeleceu dois limites para a margem de manobra do governo nas negociações: não haverá "novos impostos" nem "aumento do déficit público".

Horas mais tarde, Macron divulgou este comunicado: "O presidente e o primeiro-ministro chegaram a um acordo para que a alta do imposto sobre carbono prevista na lei orçamentária de 2019 seja suprimida. O debate cidadão e parlamentar das semanas e meses a seguir devem permitir o encontro de soluções e financiamentos que reponham em jogo a transição ecológica, soluções que devem preservar o poder de compra dos cidadãos."

Por enquanto, Macron rejeita a reintrodução do imposto sobre grandes fortunas, uma das exigências do movimento dos coletes amarelos, que recolhia assinaturas hoje nas ruas e estradas da França pedindo a renúncia do presidente.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Ministro do Interior da França vai se reunir amanhã com manifestantes

O governo da França reage diante dos violentos protestos dos coletes amarelos no fim de semana. O ministro do Interior, Christophe Castaner, se encontra hoje com líderes de partidos políticos e amanhã com representantes do movimento, mas o presidente Emmanuel Macron não quer recuar da proposta do aumento de impostos sobre combustíveis.

Hoje os motoristas de ambulâncias aderiram aos protestos, bloqueando várias ruas de Paris, inclusive o acesso à Assembleia Nacional, que discute daqui a dois dias, em 5 de dezembro, as medidas fiscais e ambientais anunciadas pelo governo. O Senado debate a matéria no dia 6.

As oposições pedem o cancelamento dos aumentos de impostos e medidas que vão de um referendo à dissolução da Assembleia Nacional. Os manifestantes querem a renúncia de Macron.

Embora o movimento não tenha lideranças e reivindicações claras, tem o apoio de dois terços da população francesa, que se sente deixada de lado pelas reformas de Macron, visto como o "presidente dos ricos".

Macron fazer poucas concessões. Pretende manter os impostos sobre combustíveis. Mas as oposições a suas reformas ganham força não vão parar por aí.

Seu plano é desestimular o consumo de combustíveis fósseis para acelerar a transição para uma economia de baixo carbono, baseada em fontes de energia alternativas. Não dá para ser contra o aquecimento global e não querer pagar o preço da transição.

Como em toda reforma, os beneficiários da velha ordem sofrem com as perdas, enquanto as vantagens das reformas demoram a ser percebidas.

sábado, 1 de dezembro de 2018

Protesto dos coletes amarelos termina com violência, saques e prisões em Paris

A terceira jornada de manifestações dos coletes amarelos, que inicialmente protestavam contra o aumento nos impostos sobre combustíveis na França, degenerou em violência neste sábado, com pelo menos 263 feridos, sendo 81 policiais, 630 prisões, carros, prédios públicos e privados incendiados e lojas saqueadas, especialmente na Avenida dos Campos Elísios e arredores, no centro de Paris. O Arco do Triunfo de Napoleão foi pichado.

Os protestos na capital, na Gironda, em Brest, Toulouse, Montpellier, Lille e Marselha mobilizaram 136 mil pessoas, de acordo com os manifestantes, ou 75 mil, na estimativa do Ministério do Interior. Foram as piores cenas de violência política desde a Revolução dos Estudantes, em maio de 1968. Em três semanas de protestos, quatro pessoas morreram.

Como de costume, as marchas começaram pacificamente, mas cerca de 1,5 mil jovens vândalos conhecidos como casseurs (quebradores), os black blocs da França, partiram para a violência e atacaram a polícia. Em Puy-en-Velay, eles incendiaram a sede do governo do Departamento do Alto Loire. Os aeroportos das cidades de Nantes e de Nice foram bloqueados.

Para conter a violência, a polícia usou 9.861 granadas, sendo 3.827 de gás lacrimogênio. Os canhões d'água dispararam 136,8 mil litros. Os sindicatos da polícia querem a decretação de estado de emergência.

"O que aconteceu hoje nas ruas de Paris não tem nada a ver com uma indignação legítima. Nenhuma causa justifica que as forças de segurança sejam atacadas, que lojas sejam pilhadas, que prédios públicos e privados sejam incendiados, que transeuntes e jornalistas sejam ameaçados e que o Arco do Triunfo seja sujo", declarou o presidente Emmanuel Macron em Buenos Aires, onde participa da reunião de cúpula do Grupo dos 20 (19 maiores economias do mundo e a União Europeia).

De um movimento contra a política energética, as manifestações dos coletes amarelos se ampliaram para um protesto generalizado contra as reformas do presidente Macron para modernizar a economia, equilibrar as finanças públicas e reduzir o desemprego na França.

A Confederação Geral do Trabalho (CGT) convocou uma greve geral para segunda-feira na expectativa de encurralar o governo e derrubar as reformas liberalizantes de Macron.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Papéis do Paraíso revelam riqueza escondida da elite mundial

Mais de 13 milhões de documentos mostram como parte da elite mundial escondeu US$ 350 bilhões em 19 paraísos fiscais, inclusive a rainha da Inglaterra, grandes empresas, um ministro e assessores do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. 

Os documentos foram obtidos pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung e examinados pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos e estão sendo divulgados por 95 meios de comunicação, entre eles o jornal britânico The Guardian e o francês Le Monde.

A rainha tem o equivalente a US$ 13 milhões investidos nas Ilhas Cayman. Hoje de manhã, o Palácio de Buckingham se apressou em esclarecer que o dinheiro de Sua Majestade é administrado pelo Ducado de Lancaster e negou que Elizabeth II seja beneficiária de evasão fiscal.

Durante a campanha eleitoral de 2016, Trump prometeu "trazer de volta trilhões de dólares que as empresas americanas mantêm no exterior". Um ano depois de sua vitória, revela-se que vários dos milionários de sua assessoria guardam parte de suas fortunas no exterior ou ajudam seus clientes e empresas a fazer depósitos em paraísos fiscais.

A descoberta mais grave é a sociedade de uma empresa de transporte marítimo chamada Navigator, do secretário do Tesouro, Wilbur Ross, que em 2014 recebeu US$ 68 milhões da companhia de gás russa Sibur. Ross não revelou essa ligação com a Rússia como teria obrigação de fazer.

Um dos proprietários da Sibur empresa é Kiril Chamalov, casado com Katherina Tikhonova, filha do presidente Vladimir Putin, acusado de apoiar a candidatura Donald Trump com uma guerra cibernética contra a candidatura Hillary Clinton.

Apesar das sanções impostas pelos EUA e a União Europeia à Rússia em 2014 por causa da anexação da Península da Crimeia, a Navigator ampliou sua relações com a Sibur. O Congresso e o procurador especial Robert Mueller investigam um possível conluio da campanha de Trump com o Kremlin para derrotar Hillary.

Duas instituições estatais russas ligadas a Putin usaram um sócio de Jared Kushner, genro de Trump, para investir US$ 1,2 bilhão no Facebook e no Twitter, onde os serviços secretos russos criaram 470 contas com identidades falsas e publicaram 3 mil mensagens para manipular as eleições nos EUA.

O chefe da assessoria econômica da Casa Branca, Gary Cohn, principal responsável pela proposta de cortes de impostos que favorece sobretudo os ricos e as grandes empresas, foi presidente ou vice-presidente de 22 empresas offshore situadas nas ilhas Bermudas durante 2002 e 2006, quando era executivo do banco de investimentos Goldman Sachs.

As empresas, especializadas em mercado imobiliário tinham sede na ilha e um endereço em Nova York, 85 Broad Street, onde até 2009 era o quartel-general do Goldman Sachs.

O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, dirigiu a Marib Upstream Services Company, uma empresa ligada à transnacional americana ExxonMobil criada nas ilhas Bermudas em 1997 para explorar gás e petróleo no Iêmen, antes de virar diretor-presidente da Exxon.

Em relatório publicado no ano passado, o grupo de ativistas Cidadãos por Justiça Fiscal denunciou que a ExxonMobil tem pelo menos 35 subsidiárias em paraísos fiscais como as Bahamas, Bermudas e Cayman. Elas tinham pelo menos US$ 51 bilhões quando Tillerson chefiava a empresa.

Como banqueiro na Wall Street, o centro financeiro de Nova York, o agora secretário do Tesouro dos EUA, Steve Mnuchin, criou esquemas financeiros para permitir que clientes ricos comprassem jatinhos de luxo sem pagar impostos.

Um documento vazado em outubro de 2015 revela que o CIT Bank usou uma companhia da Ilha do Homem, um paraíso fiscal nas Ilhas Britânicas, para pagar uma prestação de US$ 431 mil pela compra de um avião Dassault Falcon 2000EX de US$ 30 milhões.

O dono da empresa é Shaher Abdulhak Besher, aliado do ex-ditador iemenita Ali Abdullah Saleh, um dos principais responsáveis pela guerra civil no país mais pobre do Oriente Médio. Seu filho, Farouk Abdulhak, é suspeito de estuprar e matar uma jovem de 23 anos em Londres.

Já o novo embaixador americano em Moscou, o ex-governador de Utah Jon Huntsman é apontado como diretor da HICI International Sales Corporation, fundada em 1969 em Barbados para realizar vendas internacionais para a Huntsman ICI, a indústria química da Huntsman Corporation. Em 2000, esta empresa faturou US$ 4,4 bilhões e lucrou US$ 151 milhões.

Até o primeiro-ministro liberal do Canadá, Justin Trudeau, uma das jovens promessas de liderança internacional, ao lado do presidente da França, Emmanuel Macron, foi atingido. Seu principal arrecadador de campanha, Stephen Bronfman, herdeiro da destilaria Seagram, operava uma rede de empresas que circulava milhões de dólares entre os EUA, Israel e as Ilhas Cayman para não pagar impostos.

No Brasil, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, tem um truste nas Bermudas, mas está declarado à Receita Federal. O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, grande pecuarista, é sócio de uma empresa nas Ilhas Cayman para pagar menos impostos sobre suas exportações.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Hillary tem ampla vitória no primeiro debate com Trump

Com firmeza, segurança, bom humor e domínio dos fatos, evitando um tom professoral, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, do Partido Democrata, teve nítida superioridade sobre o bilionário Donald Trump, do Partido Republicano, no primeiro debate dos principais candidatos eleição presidencial de 8 de novembro de 2016 nos Estados Unidos, realizado ontem à noite.

Trump não começou mal. No início, se controlou e parecia presidenciável. Atacou Hillary por acordos comerciais que acusou de destruir empregos nos EUA e tentou caracterizá-la como uma política tradicional distante do dia a dia do cidadão comum. Mas mentiu ao dizer que a Ford está se mudando para o México. A empresa vai produzir carros compactos no México, mas promete não reduzir nem um emprego nos EUA.

Logo a candidata democrata conseguiu explorar as vulnerabilidades de Trump, sua recusa em divulgar sua declaração de renda, perguntando "o que ele tem a esconder?" Numa de suas tiradas que funcionaram nos debates da eleição primária do Partido Republicano, ele afirmou que apresentaria sua declaração se Hillary revelasse as 33 mil mensagens de correio eletrônico do tempo em que era secretária de Estado que foram apagados.

Numa irresponsabilidade capaz de comprometer segredos da segurança nacional dos EUA, Hillary usou uma conta pessoal de e-mail quando chefiava a diploma americana. Ela admitiu o erro e pediu desculpas.

O republicano não insistiu no assunto, uma das grandes vulnerabilidades da adversária. Também não explorou o financiamento da Fundação Clinton, que recebeu doações de monarquias petroleiras nada democráticas do Oriente Médio.

Hillary atacou-o na questão da declaração de renda, lembrando que em alguns anos Trump não pagou impostos ao governo federal. Ele foi obrigado a revelar isso quando tentava conseguir licença para um cassino em Atlantic City, observou a democrata.

Ao não revelar sua declaração de renda, Trump esconde sua participação em empresas e negócios capazes de criar conflitos de interesses com a Presidência dos EUA. Em uma das muitas interrupções indevidas, ele atropelou a fala de Hillary dizendo que é "esperto".

Depois do debate, em entrevista, Trump alegou que não gosta da "maneira como o governo gasta nossos impostos" para justificar suas manobras de evasão fiscal na esperança de sensibilizar o eleitor conservador que acha excessiva o peso da máquina do Estado sobre o cidadão comum. Mas esse é um eleitor que provavelmente já votaria nele. O resto deve ter se indignado com a "esperteza" de um bilionário para não pagar impostos.

Em segurança nacional e defesa, a ex-secretária de Estado também ganhou pontos, lembrando que os acordos internacionais assinados pelos EUA precisam ser mantidos, especialmente na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar ocidental, base da política externa americana no pós-guerra.

Entre suas tiradas irresponsáveis, Trump ameaçou não defender os aliados, rompendo a regra básica da aliança atlântico de que "um ataque contra um é um ataque contra todos". Hillary lembrou que este princípio só foi invocado uma vez, depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 contra os EUA.

Hillary também cutucou Trump na questão nuclear. Ela destacou que a não proliferação nuclear é política dos EUA há décadas para tentar reduzir o número de armas atômicas e evitar que mais países tenham acesso à bomba. Em declaração recente, o republicano disse que não teria problemas com uma guerra nuclear na Ásia.

Quando o republicano criticou o acordo nuclear com o Irã, a democrata perguntou: "Qual a alternativa? Iniciar uma nova guerra."

O apelo de Trump à Rússia para que pirateasse o correio eletrônico da secretária de Estado foi apresentado por ela como uma traição aos interesses dos EUA e uma aproximação com o presidente russo, Vladimir Putin, que tomou várias medidas para prejudicar os interesses americanos.

Entre outras mentiras, o republicano afirmou que Hillary passou a vida inteira combatendo o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que existe desde 2013. Trump argumentou que o Estado Islâmico está mais forte do que nunca. Ela não explorou o fato de que a organização terrorista está perdendo territórios na Síria e no Iraque.

Tanto Hillary quanto o mediador desmentiram Trump quando ele alegou que ter sido contra a invasão do Iraque em 2003. Ela também lembrou que o republicano atribuiu a tese de que o homem é responsável pelo aquecimento global a uma "fraude" criada pela China para minar a economia dos EUA.

No debate econômico, a democrata ironizou a proposta de Trump de corte de impostos no valor de US$ 10 trilhões, alegando que seria uma repetição das políticas neoliberais que levaram à Grande Recessão de 2008-9. Sua proposta é aumentar impostos para os ricos e lançar um grande programa de obras de infraestrutura para preparar um país para novo ciclo de crescimento. Ela não se esqueceu de elogiar a recuperação econômica e a geração de empregos no governo Barack Obama.

Favorito dos brancos sem curso superior abalados diretamente pela globalização da economia, Trump também fracassou em sensibilizar os eleitores de minorias raciais. Sobre a violência de polícia contra negros, revelada em várias mortes filmadas por telefones celulares, limitou-se a dizer que é um problema de "segurança pública".

Para Hillary, há um "racismo institucional" que torna os negros suspeitos. Foi a primeira vez que um candidato usou a expressão num debate nacional. Isso foi muito elogiado por entidades que lutam pelos direitos da minoria negra. Ela defendeu a criação de uma polícia comunitária, que estabeleça uma relação direta com o cidadão para evitar mortes de negros inocentes.

A imigração e a situação dos latino-americanos praticamente ficaram fora do debate. Hillary não defendeu o México, mas admitiu renegociar o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), negociado por seu marido, o então presidente Bill Clinton, descrito por Trump como "um dos piores acordos comerciais da história".

Em outro duro golpe, Hillary acusou Trump de chamar uma vencedora de um concurso de beleza que ele patrocinou de Miss Porquinha porque ela engordou e Miss Empregada Doméstica porque a então Miss Universo Alicia Machado é venezuelana, tem origem latino-americana. No seu estilo rasteiro, ele respondeu hoje que "ela foi a pior de todas as misses" que conheceu.

Por fim, a candidata também o atacou por ter chamado mulheres de "cachorras" e "porcas", tentando sedimentar sua ampla vantagem no eleitorado feminino. Sem argumentos, o magnata imobiliário alegou que Hillary não tem a energia necessária para ser presidente.

"Viaje para mais de cem países, negocie acordos de paz e libertação de reféns, e enfrente um depoimento de 11 horas no Congresso antes de dizer que não energia", reagiu Hillary.

Foi uma ampla vitória. Não deve mudar a opinião do eleitor decidido a votar em Trump, mas certamente deve pesar na decisão dos indecisos.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Governo da Itália corta impostos em busca de popularidade

Em uma tentativa de recuperar sua popularidade antes de uma votação decisiva, o primeiro-ministro Matteo Renzi anunciou hoje um corte de impostos para empresas e empreendedores na Itália, com redução da alíquota para 24%.

No início do ano, Renzi prometeu convocar um referendo sobre uma reforma constitucional e deixar a chefia do governo se perdesse. Com a popularidade do governo em baixa, as últimas pesquisas indicam uma pequena vantagem do não.

O Partido Democrático (PD), uma fusão de vários grupos de centro-esquerda, inclusiva o Partido Democrático da Esquerda (PDS), a ala reformista do antigo Partido Comunista Italiano (PCI), perdeu a eleição para prefeito de Roma para o neopopulista Movimento 5 Estrelas, de oposição.

Renzi chegou ao poder em 22 de fevereiro de 2014 derrubando o primeiro-ministro Enrico Letta numa luta interna pela liderança do partido. Desde então, promete reformas, mas ainda espera o aval das urnas.

Sob pressão de uma dívida elevada e de uma economia estagnada e burocratizada, Renzi pressiona a União Europeia para afrouxar a rigidez fiscal da Zona do Euro e permitir um endividamento maior.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

UE multa Apple em 13 bilhões de euros por impostos não pagos

A Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia, está cobrando 13 bilhões de euros (US$ 14,5 bilhões ou R$ 47 bilhões) da Apple em impostos não pagos por ter recebido durante 25 anos benefícios fiscais indevidos do governo da Irlanda, onde a companhia americana tem sua sede na Europa.

A comissária europeia antimonopólio, Margrethe Vestager, acusou a maior empresa do mundo em valor de mercado de evasão fiscal por canalizar a maior parte de suas vendas e seus lucros fora dos Estados Unidos através da empresas de fachada que não pagam impostos em lugar algum.

Os arranjos feitos entre a Apple e o governo irlandês de 1991 a 2007 levaram a empresa a pagar impostos a taxas de 0,005% a 1% sobre seus lucros até 2014. Só uma pequena parte do lucro era taxada na Irlanda.

"A comissão concluiu que a Irlanda deu incentivos fiscais ilegais à Apple, o que permitiu à empresa pagar substancialmente menos impostos do que outras empresas por muitos anos", acusou Vestager.

Tanto a empresa quanto os governos dos EUA e da Irlanda protestaram. Pode ser o início da mais uma batalha em torno da taxação das empresas transnacionais americanas e da luta interna de países europeus com carga fiscal mais pesada, como Alemanha e França, para neutralizar a competitividade dos baixos impostos empresariais da Irlanda.

O ministro das Finanças irlandês, Michael Noonan, manifestou profundo descontentamento e a decisão de apelar "para defender a integridade do nosso sistema de impostos".

Sob o impacto da saída da União Europeia do Reino Unido, com que tem fortes laços econômicos, a Irlanda aposta na relação com os EUA e suas empresas de alta tecnologia para voltar a ser o tigre europeu num continente marcado pela burocracia e altas cargas fiscais.

Em carta aberta aos consumidores de produtos Apple, o diretor-presidente da empresa, Tim Cook, chamou a decisão de "golpe devastador" na segurança jurídica das empresas dentro da UE.

"Nunca pedimos nem recebemos quaisquer favores especiais", alegou Cook. "Agora nos encontramos na posição incomum de ser obrigados a pagar retroativamente impostos adicionais a um governo que diz que não devemos mais nada além do que já pagamos."

A decisão provocou indignação, protestos e uma rara unidade nos EUA entre Casa Branca, Congresso e os dois grandes partidos politicos.

O presidente da Câmara dos Representantes, Paul Ryan, o mais alto funcionário público do Partido Republicano, repudiou a decisão como "o tipo de taxação imprevisível e pesada que mata empregos e oportunidades". Ele aproveitou para propor uma revisão imediata dos impostos pagos por empresas para estimular investimentos nos EUA.

Vestager insiste em que o lucro gerado na Europa deve ser taxado no continente. Em 2011, a filial da Irlanda, matriz das operações na Europa, registrou um lucro de 16 bilhões de euros, mas só 50 milhões de euros foram taxados. Assim, pelos cálculos da UE, pagou efetivamente 0,05% de imposto.

Com centenas de bilhões de dólares em caixa, a Apple tem dinheiro de sobra para pagar a dívida, mas vai resistir a uma conta tão salgada e tentar ao menos alongar o prazo de pagamento.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

62 bilionários têm tanta riqueza quanto 3,6 bilhões mais pobres

A crise econômica internacional aumentou ainda mais a concentração da riqueza. Hoje o 1% mais rico tem mais do que os outros 99% e 62 bilionários têm tanta riqueza quanto o conjunto dos 3,6 bilhões mais pobres, adverte relatório divulgado hoje pela organização não governamental britânica Oxfam (Comitê de Oxford para o Alívio da Fome).

Os números são impressionantes: "Uma rede global de paraísos fiscais permite aos indivíduos mais ricos esconder US$ 7,6 trilhões" das autoridades fiscais, mais do que toda a riqueza produzida anualmente na Alemanha e no Reino Unido juntos, denuncia o estudo. A receita perdida é estimada em US$ 190 bilhões por ano. "A luta contra a pobreza não será vencida enquanto a desigualdade não for atacada."

Em 2015, os 62 mais ricos acumulavam tanta riqueza quanto a metade mais pobre da humanidade. Em 2010, era necessário juntar as fortunas dos 388 mais ricos para tanto, alerta o documento, divulgado dois dias antes antes do início da reunião anual do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.

A riqueza dos 62 mais ricos aumentou 44% nos últimos cinco anos. Eles ganharam em conjunto mais US$ 542 bilhões. A metade mais pobre ganhou 41% menos do antes, uma perda de US$ 1 trilhão.

Desde o início do século, a metade mais pobre levou apenas 1% do aumento da renda mundial, enquanto metade foi para o 1% mais rico.

"No Brasil, onde a desigualdade de renda permanece extremamente alta, a renda dos 50% mais pobres mais do que dobrou em termos reais entre 1988 e 2011, aumentando um pouco mais rápido do que a dos 10% mais ricos", observa a Oxfam. "Mas o aumento da renda dos 10% mais ricos representou muito mais dólares em termos absolutos, tanto que a diferença entre as rendas médias dos dois grupos também quase dobrou", de US$ 113 bilhões para US$ 194 bilhões.

O relatório reconhece que o número de pessoas vivendo na miséria caiu pela metade entre 1990 e 2010, quando 1 bilhão de pessoas saíram da pobreza absoluta, mas faz uma ressalva: mais 200 milhões teriam saído da miséria se a concentração da riqueza não tivesse aumentado.

Se os pobres houvessem recebido uma fatia maior do crescimento do que os ricos, seriam 700 milhões a mais, afirma a Oxfam.

Pelos cálculos do Banco Mundial, 700 milhões de pessoas ainda vivem na pobreza absoluta, ganhando menos de US$ 1,90 (R$ 7,66) por dia. Neste ritmo, se não houver um crescimento que beneficie os mais pobres, a pobreza absoluta não será erradicada e, em 2030, ainda haverá 500 milhões de miseráveis.

O Fundo Monetário Internacional constatou que países com maior desigualdade de renda também revelam maior desigualdade entre homens e mulheres, em saúde, educação, participação no mercado de trabalho e representação parlamentar.

Em quase todos os países ricos e na maior parte dos países em desenvolvimento, a fatia da renda nacional que remunera o trabalho diminui enquanto os ganhos do capital (juros, dividendos, lucros e aluguéis) avançam em ritmo superior ao crescimento da economia.

A sonegação de impostos e a redução dos impostos sobre estes ganhos ampliam a desigualdade. Como observou o bilionário e megainvestidor americano Warren Buffett, no país mais rico do mundo, ele paga impostos numa alíquota menor do que todos os outros em seu escritório, inclusive a faxineira e a secretária.

Cerca de 30% da riqueza dos africanos mais ricos, num total de US$ 500 bilhões, estão guardados em paraísos fiscais. Isso implica uma perda de receita de US$ 14 bilhões no continente mais pobre do mundo. Esse dinheiro seria suficiente para evitar a morte de 4 milhões de crianças e empregar professores suficientes para educar todas as crianças da África.

Desde 2009, a remuneração dos diretores-presidentes das grandes empresas dos Estados Unidos subiu 54,3%, enquanto os salários reais ficaram praticamente estagnados. Na Índia, os diretores-presidentes de empresas de informática recebem em média 416 vezes mais do que o salário médio dos empregados.

"No Brasil e no México, os povos indígenas são desproporcionalmente afetados pela destruição de suas terras ancestrais quando florestas são derrubadas para abrir espaço para a mineração e a agricultura", afirma a Oxfam. As privatizações, "como aconteceu na Rússia depois da queda do comunista, por exemplo, geraram enormes fortunas da noite para o dia para um pequeno grupo de indivíduos."

O setor financeiro, amplamente beneficiado pelo sigilo bancário, a desregulamentação, as privatizações e a globalização da economia, é responsável hoje por um em cada cinco bilionários. Um estudo recente da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostra que os países com setores financeiros maiores sofrem com maior instabilidade econômica e desigualdade.

No setor têxtil, grandes empresas abusam de seu poder de mercado para pagar salários de fome, diz o relatório. De 2001 a 2011, os salários dos tecelões nos 15 maiores exportadores de tecidos caíram em termos reais, em parte pela aceitação de salários menores pelas mulheres, uma estratégia para aumentar os lucros.

Para atacar o problema, que agrava a crise econômica mundial, a Oxfam faz uma série de propostas:

• Aumentar os salários mínimos para níveis que garantam uma vida digna, aumentar a transparência para revelar as desigualdades entre assalariados e executivos, e proteger o direito do trabalhador de se organizar em sindicatos e fazer greve.

• Promover os direitos das mulheres e salários iguais para homens e mulheres na mesma função, e dar os mesmos direitos às mulheres na divisão de heranças entre a família.

• Controlar a influência de elites econômicas fiscalizando lobistas e criando regras rígidas para evitar conflitos de interesses; garantir o acesso do público a informações sobre orçamentos e gastos públicos; evitar o financiamento eleitoral por empresas; e tomar medidas para evitar a circulação em portas giratórias entre grandes empresas e o governo.

• Mudar o sistema global de pesquisa e desenvolvimento da indústria farmacêutica para garantir a todos o acesso a medicamentos apropriados a preços módicos, excluindo as regras sobre propriedade intelectual de acordos comerciais.

• Mudar a carga fiscal sobre o trabalho e o consumo para impostos sobre a riqueza, o capital e a renda; aumentar a transparência sobre incentivos fiscais; e introduzir impostos nacionais sobre a riqueza.

• Orientar os gastos públicos para combater a desigualdade, priorizando investimentos em saúde e educação gratuitas, aumentando a participação do setor público na oferta de serviços essenciais.

De imediato, a Oxfam desafia os líderes mundiais a acabar com os paraísos fiscais.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Arábia Saudita vai aumentar impostos e cortar subsídios

Diante da queda nos preços do petróleo, o segundo príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed ben Salman, admitiu hoje em entrevista ao jornal The New York Times que o governo pode cortar os subsídios para água e energia e aumentar o imposto de valor agregado sobre cigarros e refrigerantes.

O príncipe revelou a intenção de privatizar minas e vender terras públicas para a construção civil. Também pretende reduzir o consumo interno de petróleo investindo mais em energia nuclear e energia solar.

Além de segundo príncipe herdeiro, Mohamed ben Salman, filho do rei Salman, é ministro da Defesa, presidente do comitê de economia e desenvolvimento e diretor do Centro Nacional de Performance, que fiscaliza a eficiência da burocracia governamental.

Com a queda nos preços do petróleo, há uma preocupação crescente em diversificar a economia, o que não aconteceu para valer desde a valorização da mercadoria a partir de 1973. "Os nossos principais desafios são a grande dependência do petróleo e onde gastar o orçamento."

Sem tantos subsídios, "mesmo que petróleo caia para US$ 30 por barril, Riade terá arrecadação suficiente para continuar construindo o país sem exaurir a poupança", acrescentou o príncipe Mohamed ben Salman.

Sob pressão da queda nos preços do petróleo e de uma população jovem, em que 70% dos 30 milhões têm menos de 30 anos, uma monarquia absolutista, um dos regimes mais fechados do mundo, discute reformas.

Durante o reino do sultão Abdala, que morreu em janeiro de 2015, a Arábia Saudita privatizou grandes estatais, abrindo vários setores ao investimento privado nacional e estrangeiro, mudou a legislação trabalhista e aderiu à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Como o wahabismo, a corrente do islamismo adotada oficialmente na Arábia Saudita, é acusada de ser a ideologia dos jihadistas da rede terrorista Al Caeda e do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, o terrorismo é uma grande preocupação. Mas a monarquia saudita põe a culpa num tradicional aliado.

"Não havia Estado Islâmico antes dos Estados Unidos se retirarem do Iraque. Com a saída dos EUA e a entrada do Irã, o EI apareceu", afirmou o príncipe, acusando também a República Islâmica do Irã, xiita, com quem a monarquia saudita, sunita, disputa a liderança regional no Oriente Médio.

Ele reclamou que o EI está atacando mesquitas sunitas no reino para desestabilizar a monarquia, o resto do mundo responsabiliza o país de ser a grande inspiração, de ser o verdadeiro Estado islâmico: "O Estado Islâmico diz que não sou muçulmano e o mundo diz que eu sou um terrorista."

Na sua opinião, a mensagem do EI nas redes sociais é clara: "O Ocidente está tentando impor suas ideias e o governo saudita está ajudando, enquanto o Irã tenta colonizar o mundo árabe. Nós somos os defensores do Islã."

Neste clima de guerra permanente no Oriente Médio, o príncipe saudita fez um apelo aos EUA para que não abandonem a região: "Há períodos em que há líder e outros em que não há. Quando não há líderes, é o caos."

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Governo da Grécia propõe dar comida e energia grátis aos pobres

Diante da recusa pelo Grupo do Euro de sua proposta de renegociação da dívida da Grécia, dos primeiros protestos de rua contra o novo governo esquerdista e do início de uma revolta nas alas mais à esquerda de seu partido, o primeiro-ministro Alexis Tsipras anunciou hoje uma série de medidas para favorecer os mais atingidos pela crise.

Na próxima semana, o governo deve apresentar seus projetos ao Parlamento oferecendo comida e eletricidade de graça para 300 mil lares. Os prazos de pagamento de impostos atrasados serão prorrogados.

Tsipras vai propor ainda o congelamento dos despejos por falta de pagamento da casa própria, a recontratação de funcionários da televisão estatal demitidos desde 2009 e a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito sobre a crise da dívida grega. Promete cortar gastos em outras áreas para financiar os programas sociais.

Com dificuldades para honrar seus compromissos, a Grécia pediu ajuda à União Europeia (UE), ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e ao Banco Central Europeu (BCE). Desde então, recebeu empréstimos de 240 bilhões de euros, mas foi submetida a um rigoroso programa de ajuste das contas públicas que levou a uma depressão econômica, com uma queda de 25% no produto interno bruto nos últimos seis anos.

Com desemprego de 25% da população e de 55% entre os jovens, a Coligação de Esquerda Radical (Syriza), liderada por Tsipras, ganhou as eleições parlamentares de janeiro de 2015 com a promessa de romper com o programa de austeridade.

Os outros países do Grupo do Euro rejeitaram as propostas de redução ou alongamento do prazo de pagamento da dívida grega, mas estenderam o programa de ajuda em quatro meses. Neste período, a Grécia tem de apresentar novo plano de reformas para equilibrar as contas públicas.

Em Berlim, a Câmara Federal da Alemanha aprovou hoje a prorrogação do programa de ajuda à Grécia, mas o ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble, que jogou duro com o novo governo grego, e vários deputados da União Democrata-Cristã, da chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel, não acreditam na capacidade da Grécia de fazer as reformas e pagar as dívidas.

Hoje o dinheiro acabou nos caixas automáticos do banco grego Piraeus. Com o risco de que a Grécia seja obrigada a deixar a união monetária europeia, há uma corrida bancária para sacar euros. É mais uma ameaça ao sistema financeiro do país.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Ministros da Zona do Euro prorrogam socorro à Grécia

Os ministros das Finanças dos outros 18 países da Zona do Euro concordaram hoje com uma extensão de quatro meses no programa de ajuda à Grécia, de 240 bilhões de euros (R$ 775 bilhões), depois de aprovar uma série de reformas proposta pelo governo grego, noticiou o jornal The Wall St. Journal.

Vários parlamentos nacionais devem ratificar o acordo. A expectativa é que seja aprovado.

A Grécia ganhou um fôlego, mas a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, observou que as medidas proposta pelo governo radical de Atenas não são específicas. As promessas terão de ser traduzidas em resultados antes que o país receba dinheiro novo.

"Convocamos as autoridades da Grécia a desenvolver a ampliar a lista de reformas, baseado no acordo atual, em coordenação próxima com as instituições para permitir uma conclusão rápida e bem-sucedida da revisão", declararam em nota os ministros da Eurozona.

O governo do primeiro-ministro Alexis Tsipras, da Coligação de Esquerda Radical (Syriza), prometeu aumentar a disciplina nos gastos, orçamento e arrecadação de impostos, mantendo o direito de tomar medidas para combater a "crise humanitária" provocada por uma queda de 25% no produto interno bruto grego nos últimos seis anos.

Tsipras pretende manter o aumento do salário mínimo e se comprometeu a manter o programa de privatizações, mas ficou de revisar a venda de empresas estatais tendo em vista "aos benefícios de longo prazo ao Estado".

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Obama faz discurso de esquerda em desafio à oposição

No seu sexto Discurso sobre o Estado da União, o presidente Barack Obama elogiou a recuperarão da economia dos Estados Unidos, pediu autorização ao Congresso para a guerra contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, defendeu a neutralidade da Internet, declarou que "nenhum ciberpirata pode ser capaz de derrubar nossas redes ou roubar nossos segredos", criticou a Rússia, propôs aumentos de impostos para os ricos e para os bancos para financiar reduções e mais benefícios sociais para a classe média, e apontou o aquecimento global como "a maior ameaça às futuras gerações".

Obama festejou a recuperação, a "criação de 11 milhões de empregos", o crescimento econômico em ritmo de 5% ao ano, a alta nas bolsas de valores e o aumento do número de americanos que têm seguro-saúde: "A crise passou e o Estado da União é forte", afirmou este presidente pela primeira vez.

Em política interna, o presidente se colocou à esquerda, em confronto direto com o Congresso, hoje dominado pela oposição republicana na Câmara e no Senado, que rejeita aumentos de impostos por princípio. Obama tenta encurralar politicamente os conservadores tendo em vista as eleições de 2016.

O presidente defendeu melhores salários, auxílio por afastamento do trabalho por motivo de doença, licença-maternidade, creches para os filhos dos trabalhadores, universidades públicas gratuitas e redução das dívidas já contraídas por estudantes.

Ao defender sua política externa "inteligente", ele usou como exemplo a intervenção militar contra o Estado Islâmico, em que os EUA se limitam a bombardeios aéreos enquanto guerrilheiros curdos e o Exército do Iraque travam os combates em terra. Mais uma vez, prometeu "degradar e destruir" a milícia extremista.

"Os EUA vão continuar a caça terroristas e desmantelar sua redes", reiterou o presidente. Em outro momento, observou: "Os EUA permanecem fortes e unidos com seus aliados, enquanto a Rússia está isolada e sua economia em ruínas."

Depois de criticar o boicote econômico a Cuba, "quando algo não funciona há mais de 50 anos é melhor tentar algo diferente", Obama pediu ao Congresso que aprove o fim do embargo à ilha.

Leia aqui o texto do discurso distribuído pela Casa Branca.

domingo, 18 de janeiro de 2015

Obama propõe aumento de impostos para bancos e ricos

Em mais uma jogada para desafiar a maioria conservadora na Câmara e no Senado dos Estados Unidos, o presidente Barack Obama vai propor na terça-feira, no discurso sobre o Estado da União, aumentos de impostos sobre os bancos e as grandes fortunas, anteciparam altos funcionários da Casa Branca. O alvo é o 1% mais rico.

Na sua prestação de contas anual ao Congresso, Obama vai defender e elevação da alíquota do imposto de renda sobre ganhos de capital de 15% para 28% para casais com renda anual acima de US$ 500 mil. Também vai tapar um furo na lei que dá uma grande isenção de impostos a herdeiros de grandes carteiras de investimentos.

Se uma pessoa abre uma carteira com US$ 1 milhão que se valoriza e vale US$ 10 milhões quando esse investidor morre, seus herdeiros podem declarar que a aplicação começou com US$ 10 milhões, deixando assim de pagar imposto sobre ganhos de capital em cima de US$ 9 milhões de rendimentos da carteira.

Além disso, o presidente quer um novo imposto baseado no passivo das grandes instituições financeiras de modo a desestimular operações de alto risco. A Casa Branca prevê que sejam atingidos cerca de 100 bancos com capital de US$ 50 bilhões ou mais.

Com a arrecadação extra, estimada em US$ 320 bilhões em dez anos, o governo Obama ampliaria o limite das deduções para educação de filhos das classes média e pobre e para famílias de baixa renda sem filhos.

Tudo está no condicional porque o Partido Republicano domina o Congresso e é radicalmente contra aumentos de impostos. As propostas de Obama têm pouca chance de serem aprovadas, mas são bandeiras interessantes para caracterizar a oposição como o partido dos ricos, dos grandes bancos e megacorporações, indiferente às dificuldades das classes média e pobre.

Ao mudar as regras de imigração, reatar relações diplomáticas com Cuba e propor alta de tributos para os mais ricos, Obama encurrala o Partido Republicano tendo em vista as eleições de 2016. Se a oposição for mais para a direita, torna-se inelegível.

O grande desafio da maioria republicana no Congresso é se mostrar capaz de governar os EUA, com propostas que vão além de cortes de impostos e da redução de benefícios sociais, e não se limitar apenas a ficar obstruindo o governo Obama, como fez nos últimos quatro anos, desde que conquistou a Câmara dos Representantes.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Primeiro-ministro do Iraque quer revolução tribal contra Estado Islâmico

Durante encontro com o governador da província de Ambar, o primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, convocou os líderes tribais sunitas do país para se levantarem numa revolução contra a milícia extremista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, informou a televisão saudita Al Arabiya.

O governo central do Iraque, hoje dominado pela maioria xiita, faz um apelo às tribos sunitas. A desconfiança em relação ao governo central em Bagdá alienou a minoria sunita, que estava no poder há séculos, contribuiu para a ofensiva do Estado Islâmicos.

Dois subcomandantes da milícia era altos oficiais da ditadura de Saddam Hussein. Mas a extrema violência, a perseguição às minorias e a imposição de códigos morais ultrarrígidos contribuem para minar o Estado Islâmico, além da situação econômica.

Em reportagem divulgada hoje, o jornal inglês Financial Times observa que há sinais de um descontentamento crescente com o Califado proclamado pelo Estado Islâmico em junho passado nos territórios que ocupa, cerca de um terço do Iraque e um quarto da Síria. Seus súditos estão insatisfeitos com os impostos, o controle de preços e a precariedade dos serviços públicos.

O Estado Islâmico não estava nem está preparado para funcionar como um Estado.

Sem intervenção militar, só a revolta da população local e de seus líderes poderá derrotar o Estado Islâmico.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Israel para de transferir arrecadação de impostos à ANP

Por causa do pedido de adesão da Autoridade Nacional Palestina ao Tribunal Penal Internacional, o governo de Israel decidiu suspender a transferência do dinheiro arrecadado em impostos cobrados nos territórios ocupados. Só no mês de dezembro, foram 1 bilhão de shekels ou US$ 127 milhões, que ficarão retidos nos cofres israelenses.

"Os fundos relativos a dezembro deveriam ter sido passados à ANP na sexta-feira, mas decidimos suspender a transferência como parte da resposta aos palestinos", declarou ao jornal liberal israelense Haaretz um alto funcionário do governo direitista do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Israel teme ser acusado por crimes de guerra. "Somos um país que respeita a lei e investiga ativamente sua própria conduta", acrescentou a fonte não identificada. "Então, na arena internacional, nós não vamos apenas nos defender dos palestinos, vamos partir para a ofensiva. Quando se trata de crimes de guerra, temos vasta munição."

A decisão de congelar os impostos palestinos foi tomada numa reunião de duas horas do Conselho de Segurança Nacional de Israel, com a presença do ministro da Defesa, Moshe Yaalon, de oficiais das Forças de Defesa e do chefe do serviço secreto Shin Bet.

Netanyahu chamou de "hipócrita" o pedido de adesão palestino ao TPI, alegando que "a Autoridade Palestina não é um Estado", e declarou que espera sua rejeição.

Diante do colapso das negociações de paz mediadas pelos Estados Unidos e pela rejeição de uma resolução para exigir a retirada de Israel no Conselho de Segurança das Nações Unidas, a ANP decidiu pedir adesão a 22 tratados internacionais como via para o reconhecimento político como país independente. Entre eles, está o Estatuto de Roma, que criou o TPI, onde o pedido será examinado nos próximos 90 dias.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Popularidade de Hollande cai a recorde negativo de 12%

A popularidade do presidente socialista François Hollande bateu hoje novo recorde negativo na França. Em pesquisa do instituto YouGov France, do jornal digital Le Huffington Post e da televisão digital i-Télé, Hollande teve a aprovação de apenas 12% dos franceses, a menor de um presidente da 5ª República, fundada em 1958 pelo general Charles de Gaulle.

O presidente perdeu mais pontos junto aos aliados de sua coalizão, que reúne socialistas e os verdes, caindo de 43% para 32%. Cerca de 83% dos franceses têm uma visão negativa de Hollande, informa o jornal esquerdista Libération.

A aprovação ao primeiro-ministro Manuel Valls, da ala mais à direita do Partido Socialista, baixou de 24% para 22%.

Entre as políticas mais criticadas, os eleitores franceses apontam a luta contra o desemprego (76%), a reforma educacional (66%) e a intervenção militar no Mali (47%). Os maiores sucessos do governo seriam a criação de uma autoridade superior para a transparência na vida pública (60%), o restabelecimento parcial dos 60 anos como idade para aposentadoria (51%) e a Lei Duflot para aumentar a oferta de imóveis residenciais (50%).

Para os dois anos e meio que restam da presidência de Hollande, os eleitores franceses indicam como prioridades cortes de impostos (82%), redução do déficit orçamentário (68%) e a dissolução da Assembleia Nacional (46%), com a realização de novas eleições. Dada a impopularidade do governo, não existe a menor chance de Hollande antecipar as eleições, que seriam arrasadoras para o PS.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Primeiro-ministro da Hungria recua de imposto sobre Internet

Sob a pressão das ruas, tomadas por milhares de manifestantes, o primeiro-ministro Viktor Orban recuou de uma proposta de cobrar imposto pelo uso da Internet de acordo com a quantidade de dados baixada pelos usuários da rede internacional de computador. A medida foi vista como uma forma de censura e restrição de uso da rede.

O governo Orban, do partido de direita Fidesz, é acusado de censura, autoritarismo e antissemitismo, de ser antiocidental e de se aproximar da Rússia para boicotar as sanções internacionais contra a intervenção militar do Kremlin na Ucrânia. Está negociando, por exemplo, a construção de um gasoduto até a Rússia, o que contraria a política comercial comum da União Europeia.