A Grécia saiu oficialmente hoje do terceiro programa de ajuste das contas públicas adotado desde que o país quebrou em 2010, em troca de empréstimos de mais de US$ 300 bilhões de seus aliados na Zona do Euro, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Central Europeu (BCE).
Oito anos depois do remédio amargo imposto pela troika, o produto interno bruto recuou 25%. O desemprego chegou a um pico de 27,5% em 2013 e está um pouco abaixo de 20%.
"Esta enorme perda do PIB poderia ter sido evitada", escreveu Larry Elliott, editor de economia do jornal britânico The Guardian, se "a prioridade, no quadro da mais grave crise financeira do século, não fosse equilibrar as contas públicas em meio a uma deflação." Na sua opinião, a ajuda foi um fracasso.
O problema é que a Alemanha, a Holanda, a Finlândia e outros países ricos da União Europeia não quiseram bancar a irresponsabilidade financeira dos governos gregos. A crise das dívidas públicas contaminou a Irlanda, Portugal e a Espanha, mas a situação mais grave foi a da Grécia.
"A Grécia saiu do respirador artificial, mas ainda está longe de uma recuperação", comentou o jornalista Mark Lowen na televisão pública britânica BBC. "Segundo o FMI, só quatro países tiveram uma retração econômica maior do que a Grécia nos últimos dez anos: Iêmen, Líbia, Venezuela e Guiné Equatorial."
Em entrevista publicada ontem, o presidente do Banco Central da Grécia, Yannis Stournaras, advertiu: "Se não cumprirmos o que foi acertado, agora e no futuro, os mercados nos abandonarão e não teremos como refinanciar os empréstimos em condições viáveis quando chegar a hora."
As sopas populares continuam sendo a salvação de quem perdeu o emprego. Muitos perderam suas casas.
Ao mesmo tempo, os mais qualificados deixam o país, numa fuga de cérebros: "Mais de 500 mi pessoas, entre elas os mais brilhantes engenheiros, doutores e quadro jovens da Grécia, continuam deixando o país a cada ano, como acontece desde o início da crise", observou o jornalista grego Yannis Palaiologos no jornal americano The Wall Street Journal.
O primeiro-ministro Alexis Tsipras, um radical de esquerda que chegou ao poder no auge da crise, fará um pronunciamento em cadeia nacional de televisão nesta terça-feira. Seu sonho de "justiça social" fica adiado, alerta o jornal grego To Vima: "Nada parece poder nos assegurar que a saída do plano de resgate será suave nem que ele possa ser um porta-voz da esperança."
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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segunda-feira, 20 de agosto de 2018
quinta-feira, 13 de agosto de 2015
Parlamento da Grécia discute proposta de acordo com credores
O projeto de lei sobre o terceiro programa de ajuda internacional, apresentado ontem, começa a ser discutido hoje no Parlamento da Grécia e deve ser votado até amanhã. Hoje sai o resultado do produto interno bruto do segundo trimestre. A expectativa é de forte contração.
Amanhã, os ministros das Finanças do Grupo do Euro voltam a debater o acordo anunciado em 11 de agosto para a Grécia receber 86 bilhões de euros ao longo de três anos. Em troca, o governo grego se comprometeu a realizar reformas que incluem 35 medidas acertadas com os parceiros da Zona do Euro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE), a mal afamada troika.
A Grécia teme que a Alemanha decida dar um empréstimo-ponte em vez de liberar logo os fundos do novo programa de ajuda, com o objetivo de impor novas exigências. E o governo da Coligação de Esquerda Radical (Syriza) enfrenta problemas internos.
Uma parte do partido não concorda com o acordo. Gostaria de romper com a Eurozona e até com a União Europeia, ao contrário do que quer a maioria dos gregos. O primeiro-ministro Alexis Tsipras depende de votos dos partidos tradicionais, Nova Democracia, de direita, e o Partido Socialista Pan-Helênico (Pasok), para aprovar os acordos internacionais.
A votação do acordo será um bom teste para a coesão do governo em Atenas.
Amanhã, os ministros das Finanças do Grupo do Euro voltam a debater o acordo anunciado em 11 de agosto para a Grécia receber 86 bilhões de euros ao longo de três anos. Em troca, o governo grego se comprometeu a realizar reformas que incluem 35 medidas acertadas com os parceiros da Zona do Euro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE), a mal afamada troika.
A Grécia teme que a Alemanha decida dar um empréstimo-ponte em vez de liberar logo os fundos do novo programa de ajuda, com o objetivo de impor novas exigências. E o governo da Coligação de Esquerda Radical (Syriza) enfrenta problemas internos.
Uma parte do partido não concorda com o acordo. Gostaria de romper com a Eurozona e até com a União Europeia, ao contrário do que quer a maioria dos gregos. O primeiro-ministro Alexis Tsipras depende de votos dos partidos tradicionais, Nova Democracia, de direita, e o Partido Socialista Pan-Helênico (Pasok), para aprovar os acordos internacionais.
A votação do acordo será um bom teste para a coesão do governo em Atenas.
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terça-feira, 7 de julho de 2015
Maior parte dos países da Zona do Euro quer saída da Grécia
Dos 18 outros sócios da Zona do Euro, 16 são a favor da saída da Grécia da união monetária europeia, afirmou hoje o jornal grego Ekathimerini, citando fontes não identificadas ouvidas hoje em Bruxelas antes de uma reunião de emergência do Grupo do Euro.
Só a Itália e a França, que também têm problemas com déficit e dívida e resistem a fazer reformas econômicas liberais, estariam decididas a manter a Grécia na Eurozona. Além dos países ricos do Norte da Europa, os antigos países comunistas da Europa Oriental, que fizeram grandes sacrifícios para aderir ao euro, são contra novas concessões à Grecia.
Na Eslováquia, que era a metade mais pobre da antiga Tcheco-Eslováquia e herdou uma indústria pesada obsoleta do regime comunista, o salário mínimo é de 380 euros, assim como a pensão mínima paga a aposentados. Na Grécia, a menor pensão é de 580 euros e o salário mínimo de 880 euros. Os eslovacos entendem que não devem bancar a Grécia.
Ontem, o primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, e seu novo ministro das Finanças, Euclid Tsakalotos, receberam o apoio de quase todos os partidos do país para a nova etapa de negociações com os credores internacionais. O governo radical de esquerda grego tenta polarizar com a Alemanha, mas está quase isolado.
A nova proposta da Grécia vai partir dos textos discutidos nos últimos encontros antes do referendo do domingo passado, quando 61,3% recusaram o plano apresentado pela chamada troika o Grupo do Euro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE).
Tsipras deve pedir mais tempo para implementar algumas medidas gradualmente. Mas o que os ministros das Finanças da Eurozona viram até agora não impressionou muito.
Se não fizer acordo com os credores, a Grécia não vai receber mais dinheiro. Sem dinheiro nos próximos dias, os bancos gregos vão quebrar e o país provavelmente terá de abandonar a união monetária. Ninguém acredita que os bancos reabram daqui a dois dias.
É necessária uma solução urgente e nenhum lado parece disposto a ceder.
Só a Itália e a França, que também têm problemas com déficit e dívida e resistem a fazer reformas econômicas liberais, estariam decididas a manter a Grécia na Eurozona. Além dos países ricos do Norte da Europa, os antigos países comunistas da Europa Oriental, que fizeram grandes sacrifícios para aderir ao euro, são contra novas concessões à Grecia.
Na Eslováquia, que era a metade mais pobre da antiga Tcheco-Eslováquia e herdou uma indústria pesada obsoleta do regime comunista, o salário mínimo é de 380 euros, assim como a pensão mínima paga a aposentados. Na Grécia, a menor pensão é de 580 euros e o salário mínimo de 880 euros. Os eslovacos entendem que não devem bancar a Grécia.
Ontem, o primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, e seu novo ministro das Finanças, Euclid Tsakalotos, receberam o apoio de quase todos os partidos do país para a nova etapa de negociações com os credores internacionais. O governo radical de esquerda grego tenta polarizar com a Alemanha, mas está quase isolado.
A nova proposta da Grécia vai partir dos textos discutidos nos últimos encontros antes do referendo do domingo passado, quando 61,3% recusaram o plano apresentado pela chamada troika o Grupo do Euro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE).
Tsipras deve pedir mais tempo para implementar algumas medidas gradualmente. Mas o que os ministros das Finanças da Eurozona viram até agora não impressionou muito.
Se não fizer acordo com os credores, a Grécia não vai receber mais dinheiro. Sem dinheiro nos próximos dias, os bancos gregos vão quebrar e o país provavelmente terá de abandonar a união monetária. Ninguém acredita que os bancos reabram daqui a dois dias.
É necessária uma solução urgente e nenhum lado parece disposto a ceder.
domingo, 5 de julho de 2015
Vantagem do não se mantém com 33% dos votos apurados na Grécia
Depois da contagem de 33% dos votos no referendo realizado hoje na Grécia, o não a um acordo com os credores internacionais do país mantém a dianteira com 61% do eleitorado contra 39% dos que votaram sim temendo a saída do país da Zona do Euro.
O resultado é uma vitória do primeiro-ministro Alexis Tsipras e de sua Coligação de Esquerda Radical (Syriza), eleita em janeiro de 2015 sob a promessa de acabar com o programa de austeridade fiscal imposto pela chamada troika, formada pela União Europeia (UE), o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE).
Tsipras vai amanhã a Bruxelas com a expectativa de ter fortalecido sua posição de negociação. De imediato, a Grécia precisa que o BCE mantenha as linhas de crédito para que os bancos gregos possam reabrir na terça-feira.
O problema é que, vencido o acordo anterior, qualquer ajuda à Grécia terá de ser aprovada pelos parlamentos nacionais dos outros países da Eurozona. No Bundestag, a Câmara Federal da Alemanha, certamente vai haver grande resistência.
O resultado é uma vitória do primeiro-ministro Alexis Tsipras e de sua Coligação de Esquerda Radical (Syriza), eleita em janeiro de 2015 sob a promessa de acabar com o programa de austeridade fiscal imposto pela chamada troika, formada pela União Europeia (UE), o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE).
Tsipras vai amanhã a Bruxelas com a expectativa de ter fortalecido sua posição de negociação. De imediato, a Grécia precisa que o BCE mantenha as linhas de crédito para que os bancos gregos possam reabrir na terça-feira.
O problema é que, vencido o acordo anterior, qualquer ajuda à Grécia terá de ser aprovada pelos parlamentos nacionais dos outros países da Eurozona. No Bundestag, a Câmara Federal da Alemanha, certamente vai haver grande resistência.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015
Governo da Grécia propõe dar comida e energia grátis aos pobres
Diante da recusa pelo Grupo do Euro de sua proposta de renegociação da dívida da Grécia, dos primeiros protestos de rua contra o novo governo esquerdista e do início de uma revolta nas alas mais à esquerda de seu partido, o primeiro-ministro Alexis Tsipras anunciou hoje uma série de medidas para favorecer os mais atingidos pela crise.
Na próxima semana, o governo deve apresentar seus projetos ao Parlamento oferecendo comida e eletricidade de graça para 300 mil lares. Os prazos de pagamento de impostos atrasados serão prorrogados.
Tsipras vai propor ainda o congelamento dos despejos por falta de pagamento da casa própria, a recontratação de funcionários da televisão estatal demitidos desde 2009 e a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito sobre a crise da dívida grega. Promete cortar gastos em outras áreas para financiar os programas sociais.
Com dificuldades para honrar seus compromissos, a Grécia pediu ajuda à União Europeia (UE), ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e ao Banco Central Europeu (BCE). Desde então, recebeu empréstimos de 240 bilhões de euros, mas foi submetida a um rigoroso programa de ajuste das contas públicas que levou a uma depressão econômica, com uma queda de 25% no produto interno bruto nos últimos seis anos.
Com desemprego de 25% da população e de 55% entre os jovens, a Coligação de Esquerda Radical (Syriza), liderada por Tsipras, ganhou as eleições parlamentares de janeiro de 2015 com a promessa de romper com o programa de austeridade.
Os outros países do Grupo do Euro rejeitaram as propostas de redução ou alongamento do prazo de pagamento da dívida grega, mas estenderam o programa de ajuda em quatro meses. Neste período, a Grécia tem de apresentar novo plano de reformas para equilibrar as contas públicas.
Em Berlim, a Câmara Federal da Alemanha aprovou hoje a prorrogação do programa de ajuda à Grécia, mas o ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble, que jogou duro com o novo governo grego, e vários deputados da União Democrata-Cristã, da chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel, não acreditam na capacidade da Grécia de fazer as reformas e pagar as dívidas.
Hoje o dinheiro acabou nos caixas automáticos do banco grego Piraeus. Com o risco de que a Grécia seja obrigada a deixar a união monetária europeia, há uma corrida bancária para sacar euros. É mais uma ameaça ao sistema financeiro do país.
Na próxima semana, o governo deve apresentar seus projetos ao Parlamento oferecendo comida e eletricidade de graça para 300 mil lares. Os prazos de pagamento de impostos atrasados serão prorrogados.
Tsipras vai propor ainda o congelamento dos despejos por falta de pagamento da casa própria, a recontratação de funcionários da televisão estatal demitidos desde 2009 e a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito sobre a crise da dívida grega. Promete cortar gastos em outras áreas para financiar os programas sociais.
Com dificuldades para honrar seus compromissos, a Grécia pediu ajuda à União Europeia (UE), ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e ao Banco Central Europeu (BCE). Desde então, recebeu empréstimos de 240 bilhões de euros, mas foi submetida a um rigoroso programa de ajuste das contas públicas que levou a uma depressão econômica, com uma queda de 25% no produto interno bruto nos últimos seis anos.
Com desemprego de 25% da população e de 55% entre os jovens, a Coligação de Esquerda Radical (Syriza), liderada por Tsipras, ganhou as eleições parlamentares de janeiro de 2015 com a promessa de romper com o programa de austeridade.
Os outros países do Grupo do Euro rejeitaram as propostas de redução ou alongamento do prazo de pagamento da dívida grega, mas estenderam o programa de ajuda em quatro meses. Neste período, a Grécia tem de apresentar novo plano de reformas para equilibrar as contas públicas.
Em Berlim, a Câmara Federal da Alemanha aprovou hoje a prorrogação do programa de ajuda à Grécia, mas o ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble, que jogou duro com o novo governo grego, e vários deputados da União Democrata-Cristã, da chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel, não acreditam na capacidade da Grécia de fazer as reformas e pagar as dívidas.
Hoje o dinheiro acabou nos caixas automáticos do banco grego Piraeus. Com o risco de que a Grécia seja obrigada a deixar a união monetária europeia, há uma corrida bancária para sacar euros. É mais uma ameaça ao sistema financeiro do país.
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domingo, 8 de fevereiro de 2015
Tsipras: Grécia quer pagar mas não tem como
Em seu discurso de posse hoje como chefe de governo no Parlamento da Grécia, o primeiro-ministro Alexis Tsipras, da Coligação de Esquerda Radical (Syriza) reafirmou que o país quer pagar sua dívida pública, mas não nas condições negociadas pelos governos anteriores com a União Europeia (UE), o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), a chamada troika.
Ao eleitorado mais pobre, duramente atingido pela depressão econômica que encolheu a economia grega em 25% nos últimos seis anos, deixando um quarto da população ativa e a metade dos jovens sem emprego, Tsipras prometeu casa, comida, energia e saúde, noticia o jornal espanhol El País. Sua proposta é aumentar progressivamente o salário mínimo, reduzido, assim como as aposentadorias e pensões, pelos acordos com a troika.
Nos últimos seis anos, a dívida grega pulou de 120% para 175% do produto interno bruto, diminuído pela depressão. A maioria do dinheiro recebido nos empréstimos de emergência de 240 bilhões foi usada para pagar a dívida e não para investir na recuperação econômica do país.
Cerca de 72% dos gregos apoiam a postura afirmativa de Tsipras diante das sócios europeus, especialmente da Alemanha, que tem a chave do cofre, indica uma pesquisa divulgada no último sábado. Mas a Grécia precisa de dinheiro. Caso contrário, o governo vai frustrar seu eleitorado mais uma vez.
Diante da exigência do ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, de que a Grécia cumpra os acordos assumidos, seu colega grego, Yanis Varoufakis, declarou na sexta-feira passada em Frankfurt que seu país precisa de um empréstimo-ponte de três meses para apresentar, em maio de 2015, uma nova proposta de renegociação da dívida.
A Alemanha, por princípio, é contra a renegociação porque abriria um precedente para outros países em dificuldades para honrar suas dívidas e desestimularia as reformas que Berlim e Frankfurt consideram essenciais para a estabilidade financeira da Zona do Euro, inclusive em grandes economia como a França e a Itália.
Por outro lado, a saída da Grécia da união monetária também abriria um precedente perigoso, enfraquecendo a moeda única. Hoje o ex-presidente do banco central dos Estados Unidos Alan Greenspan, que já foi considerado um oráculo para o mercado, mas ficou um tanto desmoralizado pelo colapso do sistema financeiro americano em setembro de 2008, previu que a Grécia vai abandonar o euro.
O mais provável é um acordo provisório. A Grécia pode levar seu empréstimo-ponte, mas terá de reciclar suas ambições a médio prazo.
Ao eleitorado mais pobre, duramente atingido pela depressão econômica que encolheu a economia grega em 25% nos últimos seis anos, deixando um quarto da população ativa e a metade dos jovens sem emprego, Tsipras prometeu casa, comida, energia e saúde, noticia o jornal espanhol El País. Sua proposta é aumentar progressivamente o salário mínimo, reduzido, assim como as aposentadorias e pensões, pelos acordos com a troika.
Nos últimos seis anos, a dívida grega pulou de 120% para 175% do produto interno bruto, diminuído pela depressão. A maioria do dinheiro recebido nos empréstimos de emergência de 240 bilhões foi usada para pagar a dívida e não para investir na recuperação econômica do país.
Cerca de 72% dos gregos apoiam a postura afirmativa de Tsipras diante das sócios europeus, especialmente da Alemanha, que tem a chave do cofre, indica uma pesquisa divulgada no último sábado. Mas a Grécia precisa de dinheiro. Caso contrário, o governo vai frustrar seu eleitorado mais uma vez.
Diante da exigência do ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, de que a Grécia cumpra os acordos assumidos, seu colega grego, Yanis Varoufakis, declarou na sexta-feira passada em Frankfurt que seu país precisa de um empréstimo-ponte de três meses para apresentar, em maio de 2015, uma nova proposta de renegociação da dívida.
A Alemanha, por princípio, é contra a renegociação porque abriria um precedente para outros países em dificuldades para honrar suas dívidas e desestimularia as reformas que Berlim e Frankfurt consideram essenciais para a estabilidade financeira da Zona do Euro, inclusive em grandes economia como a França e a Itália.
Por outro lado, a saída da Grécia da união monetária também abriria um precedente perigoso, enfraquecendo a moeda única. Hoje o ex-presidente do banco central dos Estados Unidos Alan Greenspan, que já foi considerado um oráculo para o mercado, mas ficou um tanto desmoralizado pelo colapso do sistema financeiro americano em setembro de 2008, previu que a Grécia vai abandonar o euro.
O mais provável é um acordo provisório. A Grécia pode levar seu empréstimo-ponte, mas terá de reciclar suas ambições a médio prazo.
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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
Alemanha endurece renegociação com a Grécia
O Banco Central Europeu (BCE) parou hoje de aceitar títulos da dívida pública grega como garantia de empréstimos, e os ministros das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, e da Grécia, Yanis Varoufakis, não chegaram a um acordo em Berlim para renegociá-la.
"Temos de respeitar os eleitores gregos, mas temos de respeitar também os eleitores dos outros países europeus", argumentou o ministro alemão.
Em consequência, a Bolsa de Atenas caiu 9% por temor de que o novo governo esquerdista grego não chegue a um acordo com os outros países-membros da União Europeia e seja obrigado a deixar a Zona do Euro.
Os bancos gregos ainda podem pedir socorro ao Banco Central da Grécia e ter acesso ao fundo de liquidez de emergência criado pela UE depois da crise das dívidas públicas dos países da periferia da Eurozona, mas o BCE, que revisa a situação a cada duas semanas, pode cortar o financiamento.
Apesar da ajuda de 240 bilhões euros concedida em dois pacotes pelo UE, o BCE e o Fundo Monetário Internacional (FMI), a chamada troika, de que a Grécia quer se livrar, a dívida pública grega subiu de 120% do produto interno bruto em 2009 para 175% hoje, em parte porque o PIB caiu 25% nos últimos seis anos.
Desde a vitória da Coligação de Esquerda Radical (Syriza) nas eleições parlamentares da Grécia, o novo ministro das Finanças propôs a troca dos títulos da dívida grega por bônus de prazo mais longos atrelados ao crescimento econômico do país. Quanto mais crescer, mais paga.
A Alemanha não quer abrir um precedente que considera perigoso, ceder diante de governos radicais. Na prática, tem duas alternativas: deixar os países saírem da Eurozona ou renegociar as dívidas.
No final do encontro, Schäuble declarou: "Concordamos em discordar", admitindo que as propostas da Syriza vão contra a orientação dada pela Alemanha desde o início da crise. Varoufakis afirmou que "não concordamos em nada" e pediu um prazo de três meses para discutir um plano de longo prazo para recuperar a Grécia.
"Temos de respeitar os eleitores gregos, mas temos de respeitar também os eleitores dos outros países europeus", argumentou o ministro alemão.
Em consequência, a Bolsa de Atenas caiu 9% por temor de que o novo governo esquerdista grego não chegue a um acordo com os outros países-membros da União Europeia e seja obrigado a deixar a Zona do Euro.
Os bancos gregos ainda podem pedir socorro ao Banco Central da Grécia e ter acesso ao fundo de liquidez de emergência criado pela UE depois da crise das dívidas públicas dos países da periferia da Eurozona, mas o BCE, que revisa a situação a cada duas semanas, pode cortar o financiamento.
Apesar da ajuda de 240 bilhões euros concedida em dois pacotes pelo UE, o BCE e o Fundo Monetário Internacional (FMI), a chamada troika, de que a Grécia quer se livrar, a dívida pública grega subiu de 120% do produto interno bruto em 2009 para 175% hoje, em parte porque o PIB caiu 25% nos últimos seis anos.
Desde a vitória da Coligação de Esquerda Radical (Syriza) nas eleições parlamentares da Grécia, o novo ministro das Finanças propôs a troca dos títulos da dívida grega por bônus de prazo mais longos atrelados ao crescimento econômico do país. Quanto mais crescer, mais paga.
A Alemanha não quer abrir um precedente que considera perigoso, ceder diante de governos radicais. Na prática, tem duas alternativas: deixar os países saírem da Eurozona ou renegociar as dívidas.
No final do encontro, Schäuble declarou: "Concordamos em discordar", admitindo que as propostas da Syriza vão contra a orientação dada pela Alemanha desde o início da crise. Varoufakis afirmou que "não concordamos em nada" e pediu um prazo de três meses para discutir um plano de longo prazo para recuperar a Grécia.
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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
Esquerda radical faz acordo com a direita para governar a Grécia
A Coligação de Esquerda Radical (Syriza) fechou hoje um acordo com o partido direitista Gregos Independentes para formar o próximo governo da Grécia. O líder da Syriza, Alexis Tsipras, foi oficialmente nomeado primeiro-ministro pelo atual presidente.
Com 36% dos votos, a Syriza elegeu 149 dos 300 deputados do Parlamento da Grécia, dois a menos do que a maioria absoluta.
No discurso da vitória ontem, Tsipras mandou um recado à troika formada pela União Europeia (UE), o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE): "A população grega fez história e deixou para trás cinco anos de humilhação e sofrimento. Vamos recuperar a soberania com nossas propostas de negociação."
Durante a campanha, a esquerda radical prometeu acabar com o programa de austeridade imposto em troca de empréstimos de 240 bilhões de euros para a Grécia pagar sua dívida pública, restaurar os valores de salários e aposentadorias, criar empregos públicos e renegociar uma nova redução da dívida. Apesar do esforço fiscal, que custou uma queda de 25% no produto interno bruto e desemprego acima de 50%, a dívida grega pulou de 120 bilhões de euros no início da crise para 320 bilhões hoje.
Em Berlim, a grande defensora das políticas de controle rígido das contas públicas, a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, declarou estar disposta a negociar, mas não a reduzir a dívida grega. A Finlândia admite prorrogar os prazos de pagamento para dar algum fôlego à recuperação da Grécia. Mas rejeita a redução da dívida.
Com 36% dos votos, a Syriza elegeu 149 dos 300 deputados do Parlamento da Grécia, dois a menos do que a maioria absoluta.
No discurso da vitória ontem, Tsipras mandou um recado à troika formada pela União Europeia (UE), o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE): "A população grega fez história e deixou para trás cinco anos de humilhação e sofrimento. Vamos recuperar a soberania com nossas propostas de negociação."
Durante a campanha, a esquerda radical prometeu acabar com o programa de austeridade imposto em troca de empréstimos de 240 bilhões de euros para a Grécia pagar sua dívida pública, restaurar os valores de salários e aposentadorias, criar empregos públicos e renegociar uma nova redução da dívida. Apesar do esforço fiscal, que custou uma queda de 25% no produto interno bruto e desemprego acima de 50%, a dívida grega pulou de 120 bilhões de euros no início da crise para 320 bilhões hoje.
Em Berlim, a grande defensora das políticas de controle rígido das contas públicas, a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, declarou estar disposta a negociar, mas não a reduzir a dívida grega. A Finlândia admite prorrogar os prazos de pagamento para dar algum fôlego à recuperação da Grécia. Mas rejeita a redução da dívida.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
Grécia não elege presidente e antecipa eleições legislativas
Na terceira votação, o Parlamento da Grécia não conseguiu hoje eleger um novo presidente para o país. Cai a ampla coalizão de governo entre conservadores e socialistas liderada pelo primeiro-ministro Antonis Samaras, forçando a realização de eleições parlamentares em 25 de janeiro de 2015, um ano e meio antes do previsto. A Bolsa de Atenas caiu 11% sob o impacto de notícia.
O partido favorito é a Coligação de Esquerda Radical (Syriza), favorável à renegociação dos acordos firmados com a troika formada pela União Europeia (UE), o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Em pesquisa divulgada no sábado, a Syriza receberia 28,5% dos votos contra 25% para a Nova Democracia, do atual primeiro-ministro.
Samaras apostou na candidatura do ex-comissário europeu Stavros Dimas. Na terceira votação, ele precisava de 180 votos, de três quintos dos 300 deputados gregos. Teve 168. Assim, meio sem querer, o primeiro-ministro voltou a jogar a Grécia na pior crise econômica de sua história recente.
A Grécia voltou a crescer depois de seis anos. No auge da crise, esteve sob séria ameaça de ser obrigada a deixar a união monetária europeia e a própria UE. A depressão econômica e o desemprego estarão no centro da campanha eleitoral. A crise do euro está de volta.
O partido favorito é a Coligação de Esquerda Radical (Syriza), favorável à renegociação dos acordos firmados com a troika formada pela União Europeia (UE), o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Em pesquisa divulgada no sábado, a Syriza receberia 28,5% dos votos contra 25% para a Nova Democracia, do atual primeiro-ministro.
Samaras apostou na candidatura do ex-comissário europeu Stavros Dimas. Na terceira votação, ele precisava de 180 votos, de três quintos dos 300 deputados gregos. Teve 168. Assim, meio sem querer, o primeiro-ministro voltou a jogar a Grécia na pior crise econômica de sua história recente.
A Grécia voltou a crescer depois de seis anos. No auge da crise, esteve sob séria ameaça de ser obrigada a deixar a união monetária europeia e a própria UE. A depressão econômica e o desemprego estarão no centro da campanha eleitoral. A crise do euro está de volta.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
Grécia aprova orçamento "equilibrado" por pequena margem
Apesar de novos protestos populares contra as medidas de austeridade que o país enfrenta nos últimos seis anos, o Parlamento da Grécia aprovou hoje por pequena margem o orçamento para 2015, evitando a queda do governo do primeiro-ministro conservador Antonis Samaras. Ele alegou que é o primeiro orçamento grego equilibrado em décadas.
De um lado, os credores internacionais e a troika formada pela União Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional, exigem mais medidas de contenção nos gastos públicos.
Nas ruas de Atenas e de outras cidades gregas, os manifestantes exigem a queda do governo e eleições antecipadas porque programas sociais estão sendo cortados enquanto os salários estão estagnados e o desemprego atinge um quarto da população econômica ativa e a metade dos jovens.
De um lado, os credores internacionais e a troika formada pela União Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional, exigem mais medidas de contenção nos gastos públicos.
Nas ruas de Atenas e de outras cidades gregas, os manifestantes exigem a queda do governo e eleições antecipadas porque programas sociais estão sendo cortados enquanto os salários estão estagnados e o desemprego atinge um quarto da população econômica ativa e a metade dos jovens.
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
Portugal prevê crescimento de 1,5% em 2015
No orçamento para o próximo ano, o governo de Portugal prevê um crescimento de 1,5%, depois de 1% em 2014, confirmando a recuperação econômica depois da crise que obrigou o país a pedir ajuda de emergência à União Europeia (UE), ao Fundo Monetário Internacional e ao Banco Central Europeu (BCE), a chamada troika, em 2011.
O desemprego, que rondou os 18%, deve recuar para 13,4% em 2015. A inflação deve ser de 0,7% ao ano. Com esta perspectiva positiva, será possível reduzir o déficit público de 4% para 2,7% do produto interno bruto sem recorrer a novas medidas de austeridade. O limite previsto no Pacto de Estabilidade aprovado para sustentar o euro é de 3% do PIB.
As exportações devem avançar 4,7% em 2015, e as importações, 4,4%. Em 2014, a revisão é de alta de 3,7% nas vendas ao exterior e de 4,7% nas compras do exterior.
O governo conservador do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho também anunciou um corte de 23% para 21% na alíquota do imposto sobre os lucros das empresas. Devem subir os impostos sobre bebidas alcoólicas, tabaco, bancos e circulação de veículos automotivos.
Sob o peso da crise das dívidas públicas da periferia da Zona do Euro e das políticas de ajuste impostas pela troika, a economia portuguesa encolheu 3,3% em 2012 e 1,4% no ano passado.
O desemprego, que rondou os 18%, deve recuar para 13,4% em 2015. A inflação deve ser de 0,7% ao ano. Com esta perspectiva positiva, será possível reduzir o déficit público de 4% para 2,7% do produto interno bruto sem recorrer a novas medidas de austeridade. O limite previsto no Pacto de Estabilidade aprovado para sustentar o euro é de 3% do PIB.
As exportações devem avançar 4,7% em 2015, e as importações, 4,4%. Em 2014, a revisão é de alta de 3,7% nas vendas ao exterior e de 4,7% nas compras do exterior.
O governo conservador do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho também anunciou um corte de 23% para 21% na alíquota do imposto sobre os lucros das empresas. Devem subir os impostos sobre bebidas alcoólicas, tabaco, bancos e circulação de veículos automotivos.
Sob o peso da crise das dívidas públicas da periferia da Zona do Euro e das políticas de ajuste impostas pela troika, a economia portuguesa encolheu 3,3% em 2012 e 1,4% no ano passado.
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
França quer dar mais prazo à Grécia
O primeiro-ministro da França, Jean-Marc Ayraut, quer dar mais tempo para a Grécia realizar o rigoroso ajuste das contas públicas exigido pela União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) em troca de empréstimos de emergência no valor de 240 bilhões de euros.
Pelos cálculos iniciais da chamada troika, que inclui a UE, o FMI e o Banco Central Europeu (BCE), o orçamento da Grécia tem um rombo de 20 bilhões de euros, quase o dobro da estimativa anterior. Enquanto o primeiro-ministro Antonis Samaras pediu aos credores do setor público que perdoem parte da dívida grega.
Pelos cálculos iniciais da chamada troika, que inclui a UE, o FMI e o Banco Central Europeu (BCE), o orçamento da Grécia tem um rombo de 20 bilhões de euros, quase o dobro da estimativa anterior. Enquanto o primeiro-ministro Antonis Samaras pediu aos credores do setor público que perdoem parte da dívida grega.
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