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quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Fed ignora Trump e aumenta taxa básica de juros dos EUA

Apesar das pressões do presidente Donald Trump, o Conselho da Reserva Federal (Fed), o banco central dos Estados Unidos, aumentou hoje sua taxa básica de juros pela quarta vez no ano em 0,25 ponto percentual, para uma faixa de 2,25% a 2,5%.

Foi a nona elevação desde que o banco central americano começou a normalizar a política monetária, em dezembro de 2015, depois de manter a taxa básica praticamente zerada, em 0-0,25% ao ano, desde dezembro de 2008 para combater a Grande Recessão, deflagrada pela falência do banco Lehman Brothers, em 14 de setembro daquele ano.

Em entrevista coletiva, o presidente do Fed, Jay Powell, acenou com uma desaceleração no aumento dos juros. A expectativa era de três altas em 2019. Devem ser apenas duas, mas o Comitê de Mercado Aberto deixou claro que serão necessários mais aumentos.

A principal diferença é que, em novembro, o comitê falou que "tinha expectativa" de novos aumentos. Agora, "julga" que seria adequados. Onze dos 17 membros acreditam que duas altas serão suficientes.

Na segunda-feira, o presidente declarou no Twitter: "É incrível que o Fed esteja considerando outra alta de juros." Em entrevista à rede de televisão americana CNN, o ex-presidente do Fed, Alan Greenspan, afirmou que taparia os ouvidos para ignorar as pressões de Trump.

O mercado financeiro recebeu a notícia com medo de deterioração da economia por causa da expectativa de duas em vez de três altas no próximo ano. O Índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, perdeu 352 pontos (1,49%) e fechou em 23.323,66, 733 pontos abaixo do pico do dia.

A economia dos EUA deve terminar o ano com crescimento de 3%. Cresce sem parar desde o terceiro trimestre de 2009. O núcleo da inflação, expurgados os preços mais voláteis da medicamentos e alimentos, caiu de 2,1% ao ano em setembro para 1,9%. O Fed persegue uma meta informal de 2% ao ano.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Tsipras: Grécia quer pagar mas não tem como

Em seu discurso de posse hoje como chefe de governo no Parlamento da Grécia, o primeiro-ministro Alexis Tsipras, da Coligação de Esquerda Radical (Syriza) reafirmou que o país quer pagar sua dívida pública, mas não nas condições negociadas pelos governos anteriores com a União Europeia (UE), o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), a chamada troika.

Ao eleitorado mais pobre, duramente atingido pela depressão econômica que encolheu a economia grega em 25% nos últimos seis anos, deixando um quarto da população ativa e a metade dos jovens sem emprego, Tsipras prometeu casa, comida, energia e saúde, noticia o jornal espanhol El País. Sua proposta é aumentar progressivamente o salário mínimo, reduzido, assim como as aposentadorias e pensões, pelos acordos com a troika.

Nos últimos seis anos, a dívida grega pulou de 120% para 175% do produto interno bruto, diminuído pela depressão. A maioria do dinheiro recebido nos empréstimos de emergência de 240 bilhões foi usada para pagar a dívida e não para investir na recuperação econômica do país.

Cerca de 72% dos gregos apoiam a postura afirmativa de Tsipras diante das sócios europeus, especialmente da Alemanha, que tem a chave do cofre, indica uma pesquisa divulgada no último sábado. Mas a Grécia precisa de dinheiro. Caso contrário, o governo vai frustrar seu eleitorado mais uma vez.

Diante da exigência do ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, de que a Grécia cumpra os acordos assumidos, seu colega grego, Yanis Varoufakis, declarou na sexta-feira passada em Frankfurt que seu país precisa de um empréstimo-ponte de três meses para apresentar, em maio de 2015, uma nova proposta de renegociação da dívida.

A Alemanha, por princípio, é contra a renegociação porque abriria um precedente para outros países em dificuldades para honrar suas dívidas e desestimularia as reformas que Berlim e Frankfurt consideram essenciais para a estabilidade financeira da Zona do Euro, inclusive em grandes economia como a França e a Itália.

Por outro lado, a saída da Grécia da união monetária também abriria um precedente perigoso, enfraquecendo a moeda única. Hoje o ex-presidente do banco central dos Estados Unidos Alan Greenspan, que já foi considerado um oráculo para o mercado, mas ficou um tanto desmoralizado pelo colapso do sistema financeiro americano em setembro de 2008, previu que a Grécia vai abandonar o euro.

O mais provável é um acordo provisório. A Grécia pode levar seu empréstimo-ponte, mas terá de reciclar suas ambições a médio prazo.

sábado, 17 de novembro de 2012

Greenspan ataca outra vez e defende "recessãozinha"

O ex-presidente da Reserva Federal (Fed), o banco central dos Estados Unidos, Alan Greenspan, era considerado um verdadeiro deus pelo mercado antes do colapso do banco Lehman Brothers, mas foi um dos principais responsáveis pela pior crise econômica mundial dos últimos 70 anos. Apesar de desmoralizado, não abriu do pensamento neoliberal que venera o mercado como um deus.

Ao comentar o impasse entre a Casa Branca e o Congresso dos EUA sobre como reduzir o déficit público federal, hoje de US$ 1,1 trilhão, Greenspan rejeitou a proposta do presidente Barack Obama de dividir o custo do ajuste fiscal aumentando impostos para os 2% mais ricos e reduzindo gastos públicos na mesma medida.

Greenspan chegou a dizer que "não poderia esperar que os bancos dessem um tiro no pé" para justificar a falta de regulamentação e fiscalização do setor financeiro sobre o qual era responsável. Sob sua direção, o Fed manteve sua taxa básica de juros em 1% durante 14 meses, gerando uma bolha especulativa, e Wall St. criou produtos financeiros sofisticados sem qualquer controle.

Agora, Greenspan prefere uma "pequena recessão a aumentar impostos". Não só não aprendeu nada como se recusa a reexaminar seus próprios erros.

É mais um sinal de que a crise não reduziu o virtual monopólio do capitalismo financeiro, responsável por uma formidável destruição de riqueza nos últimos anos. Seu poder continua inalterado e o Partido Republicano dos EUA é seu maior porta-voz. Repórtes incautos acabam de ressuscitar o zumbi que, errando como um sonâmbulo, arrasou a economia mundial.