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quarta-feira, 11 de setembro de 2024

Kamala vence debate e ganha apoio de Taylor Swift

 No primeiro e talvez único debate entre os dois candidatos à Presidência dos Estados Unidos em 5 de novembro, a vice-presidente Kamala Harris conseguiu colocar o ex-presidente Donald Trump na defensiva, acusando-o de racismo e extremismo, apresentando-se como mais presidencial. Uma pesquisa da rede de televisão CNN lhe deu a vitória por 63% a 37%.

Assim que o debate acabou, a cantora e compositora Taylor Swift, que tem 200 milhões de seguidores nas redes sociais, anunciou o apoio a Kamala, importante na era em que a campanha se faz na rede mundial de computadores.

O debate começou com o tema que mais preocupa os eleitores, a economia. Desde o início, Trump colocou o problema da imigração ilegal, mas derrapou na questão do aborto. Perdeu a compostura quando Kamala disse que as pessoas estavam saindo mais cedo dos comícios do candidato republicano.

Trump começou a gritar e mentir. Falou, por exemplo, que o vice-presidente de Kamala, Tim Walz, é a favor não só de aborto até o nono mês da gravidez como o assassinato de recém-nascidos. Os mediadores deixaram claro que isso é proibido em todos os EUA. Trump também disse que imigrantes haitianos estão roubando e matando cães e gatos de estimação para comer em Springfield, na Pensilvânia, o estado mais decisivo nesta eleição.

Até como comandante em chefe, Kamala foi melhor do que Trump, que parecia velho e cansado. Ela o acusou de ser leniente com ditadores e desrespeitoso com os aliados. Talvez o melhor momento de Trump tenha sido no final, quando perguntou: se tem tantos planos, por que não fez durante os três anos e meio em que é vice-presidente.

A estratégia do ex-presidente é atacar o governo Joe Biden na economia, imigração ilegal e de ser um líder fraco por causa das guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, e associar Kamala a um presidente impopular. Ela afirmou que "claramente não sou Biden" para se apresentar como novidade e não como a continuação de um governo mal avaliado, principalmente por causa da inflação e da alta no custo de vida.

Depois da discussão feroz, a campanha democrata propôs a realização de mais um debate. Trump alegou ser uma manobra de quem perdeu, mas foi ele que foi à sala de imprensa dar explicações aos jornalistas. Normalmente isso é feito por assessores.

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Trump e Biden fazem último debate civilizado e equilibrado

Presidente não obteve vitória para virar o jogo, que ainda não acabou

No último debate antes da eleição presidencial de 3 de novembro, o presidente Donald Trump e o ex-vice-presidente Joe Biden fizeram ontem à noite em Nashville, no estado do Tennessee, um duelo equilibrado e muito mais civilizado do que o primeiro, sem um nocaute. 

Líder nas pesquisas, Biden teve a clara preocupação de não se comprometer. Os temas mais polêmicos foram pandemia, saúde, corrupção, racismo e meio ambiente. Com os Estados Unidos polarizados e a opinião pública cristalizada, a expectativa é que não haja grande mudança no eleitorado. Cerca de 50 milhões já votaram antecipadamente.

Mais uma vez, Biden se apresentou como um homem decente, de caráter. Acusou Trump de ser "o presidente mais racista da história moderna do país" e de não pagar impostos, e previu um "inverno escuro", com o agravamento da pandemia do coronavírus de 2019 e possivelmente mais 200 mil mortes nos EUA.

Trump perguntou por que o candidato democrata não fez tudo o que promete nos 47 anos em que ficou no Senado e quando era vice-presidente nos governos Barack Obama (2009-17) e afirmou que uma vitória da oposição vai causar "uma recessão nunca vista". Atacou o que o outro não fez e não revelou o que pretende fazer num segundo mandato, além de recuperar a economia.

Leia mais em Quarentena News.

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Vice de Biden acusa governo Trump "pelo maior fracasso na história dos EUA"

Senadora Kamala Harris e vice-presidente Mike Pence fazem debate civilizado, sem nocaute

A morte de mais de 210 mil americanos na pandemia do novo coronavírus é "o maior da história do governo dos Estados Unidos", afirmou hoje a senadora Kamala Harris, do Partido Democrata. Foi o primeiro ataque ao vice-presidente Mike Pence no único debate dos candidatos a vice na eleição de 3 de novembro. Pence alegou que poderia ser muito pior, não fossem as medidas tomadas pelo governo Donald Trump.

Afinal, um debate civilizado, depois do primeiro de três debates previstos entre os candidatos à Presidência, em 29 de setembro, um fiasco. Trump interrompeu o vice-presidente 77 vezes. Foi chamado de palhaço, mentiroso, racista e pior presidente da história. Há mais dois debates programa entre eles, em 15 e 22 de outubro, dependendo da recuperação do presidente da covid-19.

Kamala Harris mostrou-se capaz de ser presidente, mas apostou na segurança. Sua chapa leva uma vantagem de 10 pontos percentuais na média das pesquisas. Primeira mulher negra, de origem africana e indiana, a disputar a eleição presidencial dos EUA por um grande partido, tentou não parecer uma mulher raivosa como Trump a descreveu quando foi indicada.

Pence deu o recado de Trump, a favor da polícia em defesa da lei e da ordem diante das acusações de racismo. Alertou que revogar impostos pode prejudicar a economia, que a pandemia poderia ser muito pior e que a recuperação está a caminho. Não respondeu se proibiria o aborto no estado de Indiana, onde foi governador, nem como pretende garantir a cobertura de pessoas com doenças preexistentes, uma das bases do programa de saúde do governo Barack Obama, que Trump tenta destruir desde que chegou à Casa Branca.

Harris não revelou se a chapa democrata pretende amplicar a Suprema Corte para neutralizar as nomeações de juízes conservadores pelo governo atual. Seus focos foram atacar o governo em relação à pandemia, à economia e ao desemprego.

Leia mais em Quarentena News.

Brasil já é o quarto país com maior número de mortes por habitante

Com mais 733 mortes e 31.404 casos novos registrados nesta quarta-feira, o Brasil chega a 148.305 mortes e mais de 5 milhões de casos confirmados da pandemia do coronavírus de 2019. Já é o quarto país em número de mortes por habitante, tirando São Marinho, que é estatisticamente irrelevante, atrás apenas do Peru, da Bélgica e da Bolívia. A média diária de mortes dos últimos sete dias ficou em 631.

No mundo inteiro, são mais de 36 milhões de casos confirmados e quase 1,055 milhão de mortes. Mais de 27 milhões de pacientes se recuperaram e 67.426 estão em estado grave. Os Estados Unidos têm mais de 7,5 milhões de casos confirmados e quase 212 mil mortes.

Enquanto a Europa enfrenta uma segunda onda de contaminação cresce em mais da metade dos estados americanos, a China não tem um caso de transmissão local há mais de 50 dias. Houve 12 casos nos últios dias, todos importados. Há 213 pacientes em tratamento no país, só um grave. Meu comentário:

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Trump ataca em debate caótico e Biden ameaça Brasil se destruir Amazônia

O mundo entra no quarto trimestre de 2020 em compasso de espera, observa a empresa de consultoria e análise estratégica Stratfor. Espera o resultado da eleição do presidente dos Estados Unidos, o homem mais poderoso do mundo. Espera uma avaliação mais precisa do impacto econômico da pandemia. E espera uma vacina para neutralizar o coronavírus de 2019.

Nesta terça-feira, houve o primeiro debate entre os principais candidatos à Casa Branca na eleição de 3 de novembro. Praticamente não houve debate. Foi mais um bate-boca e uma troca de insultos. O presidente Donald Trump desrespeitou as regras acertadas pelas duas campanhas. Cada candidato falaria por dois minutos de cada vez, sem interrupções.

Durante todo o tempo, Trump interrompeu o candidato da oposição, o ex-vice-presidente Joe Biden. O adversário o chamou de palhaço, mentiroso e de pior presidente da história, e o mandou calar a boca. Trump se negou a condenar os supremacistas brancos e a violência da extrema direita. Mais uma vez, não se comprometeu a aceitar o resultado. Meu comentário:

terça-feira, 2 de julho de 2019

Kamala Harris sobe entre democratas na corrida à Casa Branca

Grande vencedora dos debates da semana passada, a senadora pelo estado da Califórnia Kamala Harris ficou em segundo lugar na última pesquisa da rede de televisão americana CNN sobre os pré-candidatos do Partido Democrata à eleição presidencial de 2020, ultrapassando os senadores Bernie Sanders e Elizabeth Warren.

No segundo debate, na sexta-feira, a senadora desafiou o líder nas pesquisas sobre a candidatura democrata, o ex-vice-presidente Joe Biden, ao falar de suas relações com supremacistas brancos do Partido Republicano. Quem conhece a luta de Biden pelos direitos civis considerou a crítica exagerada, mas aparentemente pegou bem entre os eleitores do partido.

Biden lidera com 22%, seguido de Harris com 17%, Warren com 15% e Sanders com 14%, na pesquisa CNN. As eleições primárias começam no início do próximo ano.

Como há 20 democratas lutando pela candidatura, os postulantes foram divididos em dois grupos para os primeiros debates. O primeiro dia foi dominado por Warren. Não houve grandes choques. Os pré-candidatos estavam mais interessados em se apresentar ao eleitorado e o líder não estava presente para ser alvo de todos os outros.

Harris, Biden e Sanders estavam no segundo dia. A senadora californiana impressionou com sua história da vida pessoal de uma menina negra que se sentia segregada quando frequentava uma escola pública em Berkeley.

A ascensão de Warren pela esquerda é atribuída em parte ao desgaste do socialista Sanders, que não é mais novidade como em 2016, quando desafiava a ex-secretária de Estado Hillary Clinton.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Vice de Hillary ganhou a batalha da verdade

A maioria dos comentaristas deu a vitória no debate dos candidatos à Vice-Presidência dos Estados Unidos ao governador Mike Pence, do Partido Republicano, que parecia mais calmo e não ficou interrompendo o oponente 70 vezes como fez Tim Kaine, do Partido. Mas numa análise da veracidade das respostas, o vice de Hillary Clinton ganhou por ampla margem.

Desde o início, Kaine partiu para o ataque às declarações inconsequentes de Trump, suspeito de passar 18 anos sem pagar imposto de renda. Pence manteve a calma e respondeu serenamente confiando na ignorância do eleitorado.

Um blogue especializado em conferir se as afirmações dos políticos são verdadeiras chamado PolitiFact, vencedor do Prêmio Pulitzer, o maior do jornalismo americano, conclui que 79% das alegações de Kaine foram verdadeiras ou majoritariamente verdadeiras contra apenas 31% para Pence.

Entre outras mentiras, o governador de Indiana negou que Trump tenha elogiado o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e acusou a chapa adversária de "fazer uma campanha de insultos", exatamente o que o magnata imobiliário.

Também negou que Trump tenha dito que a Arábia Saudita, a Coreia do Sul e o Japão devem fabricar armas nucleares, que não está nem aí para uma guerra nuclear na Ásia e que o bilionário ameace não manter o compromisso de defender os aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Quanto à Rússia, retomando a posição tradicionalmente linha dura do partido, Pence acusou Hillary para hostilidade e as intervenções militares da Rússia, citando a Síria e as ex-repúblicas soviéticas da Geórgia e da Ucrânia. O detalhe é que a guerra da Geórgia foi em agosto de 2008, quando o presidente era o republicano George W. Bush.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Até republicanos admitem vitória de Hillary no primeiro debate

Depois de avançar nas pesquisas nas últimas seis semanas, o bilionário Donald Trump tinha a chance de virar o jogo ontem à noite, mas foi amplamente derrotado pela ex-secretária de Estado Hillary Clinton no primeiro debate dos candidatos à Presidência dos Estados Unidos. Até os republicanos reconhecem a vitória de Hillary, como indicam pesquisas e grupos de eleitores indecisos.

Em pesquisa da rede de televisão CNN, 62% deram a vitória a Hillary e 27% a Trump. De acordo com o instituto de pesquisas Public Policy Polling, a democrata venceu por 50% a 41%.

Em um painel de especialistas da revista Politico.com, 99% dos democratas e 57% dos republicanos viram vantagem para a ex-secretária de Estado.

Na Flórida, de um grupo de 20 indecisos convidados pela CNN, 18 gostaram mais da democrata.

O pesquisador republicano Frank Luntz reuniu um grupo de indecisos em outro estado decisivo na eleição presidencial de 8 de novembro, a Pensilvânia. Só cinco preferiram Trump contra 15 para Hillary.

Em Ohio, de um grupo de 29 indecisos, 11 declararam uma tendência de votar em Hillary em 8 de novembro e o resto continua sem saber. Ninguém decidiu votar em Trump. Há décadas, nenhum republicano chega à Casa Branca sem vencer em Ohio.

O Partido Republicano espera que a vitória da democrata no primeiro debate não tenha grande impacto nas pesquisas e que seu candidato se recupere nos outros dois.

Hillary tem ampla vitória no primeiro debate com Trump

Com firmeza, segurança, bom humor e domínio dos fatos, evitando um tom professoral, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, do Partido Democrata, teve nítida superioridade sobre o bilionário Donald Trump, do Partido Republicano, no primeiro debate dos principais candidatos eleição presidencial de 8 de novembro de 2016 nos Estados Unidos, realizado ontem à noite.

Trump não começou mal. No início, se controlou e parecia presidenciável. Atacou Hillary por acordos comerciais que acusou de destruir empregos nos EUA e tentou caracterizá-la como uma política tradicional distante do dia a dia do cidadão comum. Mas mentiu ao dizer que a Ford está se mudando para o México. A empresa vai produzir carros compactos no México, mas promete não reduzir nem um emprego nos EUA.

Logo a candidata democrata conseguiu explorar as vulnerabilidades de Trump, sua recusa em divulgar sua declaração de renda, perguntando "o que ele tem a esconder?" Numa de suas tiradas que funcionaram nos debates da eleição primária do Partido Republicano, ele afirmou que apresentaria sua declaração se Hillary revelasse as 33 mil mensagens de correio eletrônico do tempo em que era secretária de Estado que foram apagados.

Numa irresponsabilidade capaz de comprometer segredos da segurança nacional dos EUA, Hillary usou uma conta pessoal de e-mail quando chefiava a diploma americana. Ela admitiu o erro e pediu desculpas.

O republicano não insistiu no assunto, uma das grandes vulnerabilidades da adversária. Também não explorou o financiamento da Fundação Clinton, que recebeu doações de monarquias petroleiras nada democráticas do Oriente Médio.

Hillary atacou-o na questão da declaração de renda, lembrando que em alguns anos Trump não pagou impostos ao governo federal. Ele foi obrigado a revelar isso quando tentava conseguir licença para um cassino em Atlantic City, observou a democrata.

Ao não revelar sua declaração de renda, Trump esconde sua participação em empresas e negócios capazes de criar conflitos de interesses com a Presidência dos EUA. Em uma das muitas interrupções indevidas, ele atropelou a fala de Hillary dizendo que é "esperto".

Depois do debate, em entrevista, Trump alegou que não gosta da "maneira como o governo gasta nossos impostos" para justificar suas manobras de evasão fiscal na esperança de sensibilizar o eleitor conservador que acha excessiva o peso da máquina do Estado sobre o cidadão comum. Mas esse é um eleitor que provavelmente já votaria nele. O resto deve ter se indignado com a "esperteza" de um bilionário para não pagar impostos.

Em segurança nacional e defesa, a ex-secretária de Estado também ganhou pontos, lembrando que os acordos internacionais assinados pelos EUA precisam ser mantidos, especialmente na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar ocidental, base da política externa americana no pós-guerra.

Entre suas tiradas irresponsáveis, Trump ameaçou não defender os aliados, rompendo a regra básica da aliança atlântico de que "um ataque contra um é um ataque contra todos". Hillary lembrou que este princípio só foi invocado uma vez, depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 contra os EUA.

Hillary também cutucou Trump na questão nuclear. Ela destacou que a não proliferação nuclear é política dos EUA há décadas para tentar reduzir o número de armas atômicas e evitar que mais países tenham acesso à bomba. Em declaração recente, o republicano disse que não teria problemas com uma guerra nuclear na Ásia.

Quando o republicano criticou o acordo nuclear com o Irã, a democrata perguntou: "Qual a alternativa? Iniciar uma nova guerra."

O apelo de Trump à Rússia para que pirateasse o correio eletrônico da secretária de Estado foi apresentado por ela como uma traição aos interesses dos EUA e uma aproximação com o presidente russo, Vladimir Putin, que tomou várias medidas para prejudicar os interesses americanos.

Entre outras mentiras, o republicano afirmou que Hillary passou a vida inteira combatendo o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que existe desde 2013. Trump argumentou que o Estado Islâmico está mais forte do que nunca. Ela não explorou o fato de que a organização terrorista está perdendo territórios na Síria e no Iraque.

Tanto Hillary quanto o mediador desmentiram Trump quando ele alegou que ter sido contra a invasão do Iraque em 2003. Ela também lembrou que o republicano atribuiu a tese de que o homem é responsável pelo aquecimento global a uma "fraude" criada pela China para minar a economia dos EUA.

No debate econômico, a democrata ironizou a proposta de Trump de corte de impostos no valor de US$ 10 trilhões, alegando que seria uma repetição das políticas neoliberais que levaram à Grande Recessão de 2008-9. Sua proposta é aumentar impostos para os ricos e lançar um grande programa de obras de infraestrutura para preparar um país para novo ciclo de crescimento. Ela não se esqueceu de elogiar a recuperação econômica e a geração de empregos no governo Barack Obama.

Favorito dos brancos sem curso superior abalados diretamente pela globalização da economia, Trump também fracassou em sensibilizar os eleitores de minorias raciais. Sobre a violência de polícia contra negros, revelada em várias mortes filmadas por telefones celulares, limitou-se a dizer que é um problema de "segurança pública".

Para Hillary, há um "racismo institucional" que torna os negros suspeitos. Foi a primeira vez que um candidato usou a expressão num debate nacional. Isso foi muito elogiado por entidades que lutam pelos direitos da minoria negra. Ela defendeu a criação de uma polícia comunitária, que estabeleça uma relação direta com o cidadão para evitar mortes de negros inocentes.

A imigração e a situação dos latino-americanos praticamente ficaram fora do debate. Hillary não defendeu o México, mas admitiu renegociar o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), negociado por seu marido, o então presidente Bill Clinton, descrito por Trump como "um dos piores acordos comerciais da história".

Em outro duro golpe, Hillary acusou Trump de chamar uma vencedora de um concurso de beleza que ele patrocinou de Miss Porquinha porque ela engordou e Miss Empregada Doméstica porque a então Miss Universo Alicia Machado é venezuelana, tem origem latino-americana. No seu estilo rasteiro, ele respondeu hoje que "ela foi a pior de todas as misses" que conheceu.

Por fim, a candidata também o atacou por ter chamado mulheres de "cachorras" e "porcas", tentando sedimentar sua ampla vantagem no eleitorado feminino. Sem argumentos, o magnata imobiliário alegou que Hillary não tem a energia necessária para ser presidente.

"Viaje para mais de cem países, negocie acordos de paz e libertação de reféns, e enfrente um depoimento de 11 horas no Congresso antes de dizer que não energia", reagiu Hillary.

Foi uma ampla vitória. Não deve mudar a opinião do eleitor decidido a votar em Trump, mas certamente deve pesar na decisão dos indecisos.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Tirada machista não reduz liderança de Donald Trump

Apesar dos comentários machistas sobre a apresentadora do debate na televisão Fox News Megyn Kelly, o magnata imobiliário Donald Trump mantém a liderança nas pesquisas sobre quem será o candidato do Partido Republicano à Presidência dos Estados Unidos em 2016.

Depois de uma entrevista à CNN em que acusou Kelly de vazar sangue por todos os lados, no que foi considerado uma tirada sexista relativa à menstrução, Trump foi desconvidado para uma conferência conservadora realizada em Atlanta, no estado da Geórgia.

"Você podia ver o sangue saindo de seus olhos, sangue saindo de sua qualquer coisa", disparou Trump na CNN. Mais tarde, disse que só um "depravado" interpretaria sua frase como sexista.

Mesmo assim, em pesquisa feita no fim de semana para a TV NBC, Trump foi o preferido com 23%, seguido do senador texano Ted Cruz, um dos mais conservadores e reacionários entre os 17 aspirantes, que fez propaganda fritando bacon no cano de uma metralhadora.

A favorita do Partido Democrata, a ex-secretária de Estado e ex-primeira-dama Hillary Clinton, aproveitou a oportunidade para descrever como "ultrajantes" as declarações e as mensagens de Trump no Twitter falando mal de Megyn Kelly, e apresentá-las como um sintoma da "guerra do Partido Republicano contra as mulheres".

Trump também não foi poupado pela única mulher entre os aspirantes à candidatura republicana. A executiva Carly Fiorina, ex-diretora-presidente da empresa de alta tecnologia HP ficou "horrorizada".

O magnata respondeu no Twitter: "Acabo de perceber que, se você ouve Carly Fiorina por mais de dez minutos, fica com uma tremenda dor de cabeça. Sua chance é zero!"

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Trump ameaça ser candidato independente se partido não o apoiar

No primeiro debate entre os aspirantes à candidatura do Partido Republicano à Presidência dos Estados Unidos em 2016, o bilionário Donald Trump, inesperado líder das pesquisas, foi o único que se negou a prometer apoio a quem vencer as eleições primárias. 

Se perder, Trump ameaça concorrer como independente, o que derrubaria a candidatura republicana ao dividir os votos do eleitorado conservador.

O primeiro debate da campanha para a Casa Branca em 2016, realizado em Cleveland, Ohio, pela TV Fox News, reuniu os dez melhores colocados nas pesquisas, já que não haveria espaço para todos os 17 aspirantes da oposição ao emprego de Barack Obama.

Em seu estilo agressivo de magnata imobiliário acostumado a fechar grandes negócios, Trump não se esquivou de perguntas sobre sua recente declaração acusando os imigrantes mexicanos de violência e crimes sexuais.

"O grande problema deste país é ser politicamente correto", disparou o bilionário. "O governo do México é muito esperto e nossos líderes são idiotas. Temos de erguer um muro na fronteira." Trump quer que o governo mexicano pague a obra.

Segundo colocado, o ex-governador da Flórida Jeb Bush negou estar concorrendo em cima do sobrenome, já que seu pai e seu irmão mais velho foram presidentes dos EUA: "Na Flórida, me conhecem por Jeb", alegou.

Corrigindo o que tinha dito anteriormente, Jeb criticou a invasão do Iraque, em 2003, ordenada por seu irmão: "Sabendo o que sabemos hoje, foi um erro."

Como o debate foi realizado em Cleveland, Ohio, o governador John Kasich estava em casa e aproveitou a oportunidade. Foi um dos vencedores.

Houve poucas propostas concretas e muitas acusações ao presidente Barack Obama, à ex-secretária de Estado e ex-primeira-dama Hillary Clinton, a favorita hoje na corrida à Casa Branca, e aos demais candidatos ali presentes.

À tarde, no debate entre os sete aspirantes em pior posição nas pesquisas, o destaque foi Carly Fiorina, ex-diretora-presidente da empresa de alta tecnologia Hewlett-Packard.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Pesquisa CNN dá vitória a Obama no último debate

Por 48% a 40%, uma pesquisa com eleitores inscritos para votar em 6 de novembro consideraram que o presidente Barack Obama venceu o debate desta noite contra o ex-governador Mitt Romney, o último da campanha eleitoral de 2012 nos Estados Unidos.

Nas pesquisas nacionais, os dois candidatos estão virtualmente empatados. O presidente leva melhor nas pesquisas estado por estado para tentar antecipar a divisão de votos no Colégio Eleitoral que vai decidir quem será o próximo presidente dos EUA.

Para chegar à Casa Branca, são necessários pelo menos 270 votos dos chamados grandes eleitores do Colégio Eleitoral. Pelas pesquisas, Obama teria hoje cerca de 236 delegados e Romney 207. Essa contagem considera os estados onde a vitória é certa ou provável. Ficaram de fora os poucos estados que tendem a ser decisivos: Flórida, Ohio, Virgínia, Iowa, Colorado e Wisconsin.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Candidatos chegam empatados ao último debate nos EUA

Com a última pesquisa do jornal The Wall Street Journal e da TV NBC indicando um empate em 47% das preferências do eleitorado, o presidente Barack Obama e o desafiante Mitt Romney fazem hoje o último debate antes da eleição de 6 de novembro de 2012. O tema será política externa, embora apenas 1% dos eleitores a coloquem entre suas maiores preocupações.

A vantagem de cerca de cinco pontos percentuais que o presidente se evaporou desde seu fraco desempenho no primeiro debate. Até mesmo em estados-chaves onde a vitória de Obama era dada como certa e diferença diminuiu para margens que apontam para o chamado empate técnico, dentro da margem de erro da pesquisa.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Obama vence segundo debate presidencial nos EUA

Bem mais firme, decidido e incisivo, o presidente Barack Obama saiu-se melhor do que seu adversário conservador Mitt Romney no segundo debate da campanha para a eleição presidencial de 6 de novembro de 2012 nos Estados Unidos. Foi mais presidencial. Na pesquisa da TV americana CNN, Obama ganhou por 45% a 39%.

Em economia, Romney insistiu na questão do emprego. O presidente lembrou que o país perdeu 800 mil empregos em janeiro de 2009, quando ele assumiu, e que desde então foram criados 5 milhões de empregos no seu governo. O ex-governador de Massachusetts contra-argumentou dizendo que 23 milhões de americanos estão desempregados.

O candidato conservador acusou Obama de apostar apenas no Estado para resolver os problemas econômicos do país, enquanto o presidente respondeu que ele prometia o impossível, como equilibrar o orçamento com um corte de 25% no imposto de renda de todos os americanos.

Pelo raciocínio de Obama, Romney vai cortar US$ 5 trilhões em despesas do governo federal, ampliar os gastos militares em US$ 2 trilhões e manter os cortes de impostos para os ricos da era George W. Bush, outro trilhão de dólares. Mesmo eliminando todas as deduções e isenções, como despesas com saúde e educação, seria impossível equilibrar o orçamento, argumentou o presidente

"Quando ele fala em eliminar furos na lei, isenções e decisões, ele não diz onde", alfinetou Obama. "A conta não fecha".

Romney contra-atacou: "Eu equilibrei o orçamento de empresas e do estado de Massachusetts. Ele acumulou déficits trilionários. Se Obama for reeleito, vamos para uma dívida de US$ 20 trilhões, como a Grécia."

Obama defendeu sua atuação como comandante-em-chefe. Ele prometera em 2008 acabar com as guerras no Iraque e no Afeganistão e se concentrar na luta contra os responsáveis pelos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Citou a morte de Ossama ben Laden e prometeu usar o dinheiro economizado com o fim das guerras para reerguer a economia dos EUA.

O momento de fraqueza do presidente foi sobre a morte do embaixador americano na Líbia num ataque terrorista ao consulado em Bengázi em 11 de setembro de 2012. Como o debate era com participação do público, um senhor perguntou por que o Departamento de Estado negara um pedido de reforço na segurança do consulado. Obama não respondeu. Romney perdeu a chance de chamar a atenção para isso.

Obama acusou o oposicionista de politizar a morte do embaixador dos EUA e outros três americanos em Bengázi no primeiro momento, quando o consulado ainda estava sob ataque.

Romney ficou mal ao acusar o governo de demorar duas semanas para definir que houvera um ataque terrorista e não uma reação contra um filme antimuçulmano postado na Internet. O presidente negou e a mediadora do debate, Candy Crowley, da CNN, confirmou que no dia seguinte ao ataque Obama dissera no jardim da Casa Branca: "Nenhum ataque terrorista vai abalar a determinação dos Estados Unidos."

No discurso, Romney tentou fugir do discurso do movimento radical de direita Festa do Chá, que empolgou o Partido Republicano nos últimos anos levando-o ainda mais para a direita. Aceitou algum controle sobre armas automáticas, apesar de ter prometido o contrário para obter o apoio da Associação Nacional do Rifle, o lobby dos fabricantes de armas. Obama declarou ser a favor do direito a portar armas para autodefesa, como previsto na Emenda nº 2 da Constituição dos EUA, mas com limites.

Em imigração, Romney também apresentou posições mais moderadas para não perder o voto latino do que na verdade seu partido defende. Todas as minorias preferem o Partido Democrata. Obama se aproveitou disso para acusar o adversário de apoiar a Lei de Imigração do estado do Arizona. Ela dá direito à polícia de pedir documentos para conferir a identidade de supostos imigrantes ilegais, uma discriminação contra os latino-americanos, que são hoje a maioria dos 12 milhões de ilegais.

O presidente recuperou a retórica que empolgou os EUA há quatro anos, a ponto de Romney iniciar uma de suas intervenções dizendo: "Vamos discutir as políticas do presidente e não o discurso. Se vocês reelegerem o presidente Obama, terão mais do mesmo nos próximos quatro anos".

A China não poderia ser ignorada. Romney ameaçou declarar a China "manipuladora do câmbio" no primeiro dia de seu governo para impor sobretaxas à importação de determinados produtos chineses. O presidente falou que seu governo recorreu com sucesso à Organização Mundial do Comércio em todos os casos de comércio desleal contra os EUA.

Quando quis apresentar políticas de sucesso de seu partido, Obama lembrou os governos Bill Clinton (1993-2001). Romney teve de regredir até Ronald Reagan (1981-89). Os dois George Bush, pai e filho, são rejeitados hoje pelo Partido Republicano.

No fim, ao prometer governar para "100% dos americanos", Romney deu espaço para Obama lembrar a gafe do adversário num jantar com ricos para arrecadar dinheiro para a campanha, em maio, quando o ex-governador menosprezou 47% do eleitorado como "gente que não paga imposto de renda", se considera vítima e acredita que o Estado deve sustentar suas necessidades básicas, como casa, comida, saúde e educação.

Não foi um nocaute, mas, na minha opinião, Obama foi melhor no segundo debate.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Decote rouba a cena em debate eleitoral no México

Julia Orayen virou febre em redes sociais
Os quatro candidatos à Presidência do México deveriam debater na televisão as duas questões que mais preocupam o país: a economia e a violência ligada ao tráfico de drogas. Mas, quando Julia Orayen entrou no estúdio para distribuir cartões aos debatedores, desviou o foco das atenções.

Foram necessários apenas segundos de exposição. Logo o generoso decote da produtora virou febre nas redes sociais, informa a TV Sky News.

Sob críticas de minar a seriedade do debate, o Instituto Eleitoral Mexicano pediu desculpas, lamentando o "erro da produção relativo à roupa de uma assistente". Tarde demais.  A jovem, que pousou nua para a revista Playboy em 2008, ofuscou os candidatos e virou estrela.

Numa pesquisa de opinião sobre o debate, 45% dos entrevistados deram a vitória a Josefina Vázquez Mota, do governante Partido de Ação Nacional (PAN), do presidente Felipe Calderón, seguida do esquerdista Andrés Manuel López Obrador, do Partido da Revolução Democrática (PRD), com 33%; de Gabriel Quadri, do Partido Nova Aliança (PNA), com 20%; e do até então favorito, Enrique Peña Nieto, do Partido Revolucionário Institucional (PRI), que governou o país de 1929 a 2000.

Uma pesquisa feita depois do debate indicou um empate técnico entre Josefina, López Obrador e Peña Nieto. Cada um teve cerca de um terço das preferências e Quadri apenas 2%.

A eleição presidencial mexicana será realizada em 1º de julho de 2012 em turno único.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

McCain defende fim da sobretaxa ao álcool

Na única referência ao Brasil no último debate entre os candidatos à Presidência dos Estados Unidos, o senador republicano John McCain defendeu o fim do subsídio aos produtores de álcool de milho e da sobretaxa ao etanol de cana-de-açúcar importado do Brasil.

Seu rival, o senador democrata Barack Obama, é a favor do subsídio, que beneficia os produtores de milho do Meio-Oeste dos EUA.

Só falta agora o governo brasileiro torcer por uma vitória republicana, como fez com George W. Bush, com conseqüências catastróficas para o mundo inteiro.

De resto, sobre a América Latina, o debate apresentou um pequeno duelo em torno dos acordos de livre comércio negociados pelo governo Bush. McCain criticou Obama por ser contra o acordo firmado com a Colômbia, "nosso maior aliado na região". Pelos seus cálculos, poderia render US$ 1 bilhão a mais por ano em exportações para a Colômbia.

Obama alegou que há uma política de extermínio sistemático de sindicalista, por isso o acordo com o governo Álvaro Uribe, que não toma providências porque é aliado dos grupos paramilitares de direita, seria negativo para os direitos humanos. Ele defendeu o acordo firmado com o Peru, que teria cláusulas sociais e ambientais, como quer o Partido Democrata, que deve ampliar suas maiorias na Câmara e no Senado.

McCain parte para o ataque contra Obama

Com uma postura muito mais agressiva, o senador John McCain acusou agora há pouco seu adversário na corrida à Casa Branca, o senador democrata Barack Obama, de fazer uma campanha baseada na luta de classes para "distribuir a riqueza" que conseguir tomar do povo americano com mais impostos.

No terceiro e último debate desta reta final da campanha para a eleição de 4 de novembro, realizado na Universidade Hofstra, em Hempstead, no estado de Nova Iorque, Obama foi mais racional e ponderado, acusando McCain de querer cortar impostos só para os ricos e de não coibir as agressões de seus partidários.

McCain saiu-se melhor na primeira meia hora do debate, que durou uma hora e meia, mas se mostrou raivoso e irritado a partir do momento em que o democrata questionou-o por causa dos ataques pessoais contra si. Na última meia hora, Obama foi melhor, além de parecer mais presidenciável.

Em pesquisa da rede de televisão americana CNN, 58% deram a vitória a Obama e apenas 31% a McCain, que perde assim a última grande chance de reverter a vantagem do candidato democrata.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Obama vence segundo debate com McCain

Mais sereno e equilibrado, o senador Barack Obama venceu mais um debate com o senador John McCain na reta final da corrida à Casa Branca.

Em pesquisa da rede de televisão americana CNN divulgada logo depois do debate, 54% disseram que Obama ganhou e apenas 30% preferiram McCain.