Mostrando postagens com marcador Joe biden. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Joe biden. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 6 de Janeiro

 DIA DOS REIS MAGOS

    No século 4 depois de Cristo, os cristãos do Ocidente, que festejam o nascimento de Jesus desde 354, passam a comemorar nesta data a visita dos Reis Magos, enquanto os cristãos ortodoxos celebram o nascimento de Jesus, o batismo de Jesus por São João Batista e seu primeiro milagre.

A tradição nos países de língua espanhola é dar presentes no Dia dos Reis porque foram eles que levaram presentes ao Menino Jesus. O período entre 25 de dezembro e 6 de janeiro é conhecido como os 12 dias do Natal. 

ERA DAS TELECOMUNICAÇÕES 

    Em 1838, Samuel Morse apresenta em Morristown, no estado de Nova Jérsei, o telégrafo, uma invenção que usa estímulos elétricos para transmitir mensagens codificadas por cabo e inicia uma revolução nas comunicações ao criar as telecomunicações.

Samuel Finley Breese Morse nasce em  Charlestown em 27 de abril de 1791 numa família protestante puritana. Ele estuda na Academia Phillips e na Universidade de Yale. Torna-se pintor, físico e inventor. Desde os 14 anos, se interesse pela eletricidade. Fabrica o primeiro telégrafo em 1832.

Outra grande invenção é o Código Morse (1839), a linguagem do telégrafo, uma combinação de traços, pontos e pausas para transmitir mensagens telegráficas.

QUATRO LIBERDADES

    Em 1941, no Discurso sobre o Estado da União, antevendo a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, o presidente Franklin Delano Roosevelt apresenta sua visão sobre os objetivos políticos e sociais do país ao falar em quatro liberdades: liberdade de expressão, liberdade religiosa, liberdade de não passar necessidades e liberdade de viver sem medo.

Com a guerra na Europa, na África e na Europa, Roosevelt percebe que mais cedo ou mais tarde os EUA entrarão na guerra e prepara o povo norte-americano para romper a política de não intervencionismo. O discurso termina com uma promessa e aspiração: "Devemos ser o grande arsenal da democracia."

Os EUA entraram na guerra 11 meses depois, com o ataque japonês à Frota do Pacífico, estacionada em Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941.

As quatro liberdades estão implícitas na Carta das Nações Unidas, aprovada em 26 de junho de 1945 em São Francisco da Califórnia, a na Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada pela ONU em Nova York em 10 de dezembro de 1948. Eleanor Roosevelt, a viúva de FDR, preside a comissão de redação.

ASSALTO AO CAPITÓLIO

    Em 2021, partidários do presidente Donald Trump invadem a sede do Congresso dos Estados Unidos para tentar impedir a certificação da vitória de Joe Biden.

Trump não reconhece a derrota na eleição de 3 de novembro de 2020. Proclama sua própria vitória na noite da votação, quando o resultado ainda está indefinido, principalmente por causa do grande número de votos enviados pelo correio por causa da pandemia.

Biden vence com 81.283.501 votos (51,3%) contra 74.223.975 votos (46,8%) para Trump no voto popular e por 306 a 232 no Colégio Eleitoral.

A invasão do Congresso acontece pouco depois de um comício em que o presidente derrotado incita seus seguidores a marchar até o Capitólio para impedir o último ato para confirmar a vitória da oposição.

Durante 3 horas e 7 minutos, Trump assiste à insurreição pela TV antes de pedir a seus partidários que voltem para casa. Cinco pessoas morrem. Desde então, mais de 1.200 pessoas foram processadas e mais de 900 condenadas pelo ataque ao Congresso.

A comissão especial da Câmara dos Representantes que investiga a revolta dos trumpistas acusa o agora ex-presidente de quatro crimes:

• obstrução de um procedimento oficial do Congresso, a certificação da vitória de Joe Biden e Kamala Harris na eleição de 3 de novembro de 2020;

• conspiração para fraudar os EUA ao tentar anular o resultado da eleição;

• incitar, auxiliar, ajudar ou proteger uma insurreição;

• e conspiração para fazer declarações falsas.

Como não tem poder para indiciar Trump, os deputados encaminharam o relatório ao Departamento da Justiça, que faz sua própria investigação. 

O procurador especial Jack Smith denuncia Trump em 1º de agosto de 2023 com quatro acusações:

• conspiração para fraudar os EUA pelos esforços repetidos para divulgar falsas alegações de fraude na eleição presidencial de 2020 mesmo sabendo que não era verdade e por tentar ilegalmente anular votos legítimos com o objetivo de mudar o resultado da eleição;

• conspiração para obstruir um procedimento oficial, a certificação da vitória de Biden pelo Congresso em 6 de janeiro de 2021;

• obstrução e tentativa de obstruir um procedimento oficial depois da eleição de 3 de novembro 2020 até 7 de janeiro de 2021 para bloquear a certificação da vitória de Biden:

• e conspiração contra direitos por "oprimir, ameaçar e intimidar" o direito de voto do cidadão numa eleição.

Ao todo, Trump enfrenta 91 acusações em quatro processos criminais. É condenado pela Justiça de Nova York por 34 acusações de fraude e falsificação de documentos para encobrir um pagamento de US$ 130 mil para comprar o silêncio da atriz pornô Stormy Daniels, com que teve um caso. O juiz deve sentenciá-lo em 10 de janeiro de 2024. Como Trump é reeleito presidente, não corre risco de ser preso, mas deve ficar com a condenação.

Os dois processos movidos na Justiça Federal pelo procurador especial são arquivados, e a promotora do processo por tentar fraudar a eleição no estado da Geórgia é afastada do caso. Assim, a vitória nas urnas na prática garante a impunidade do único presidente dos EUA que não aceita a derrota e tenta dar um golpe para ficar no poder, e mesmo assim é reeleito.

ESTE BLOG DEPENDE DA AJUDA DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37

segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

Trump volta à Casa Branca com sede de vingança

Com um discurso rancoroso, vingativo e fascistoide, Donald Trump tomou posse hoje como o 47º presidente da história dos Estados Unidos depois de tentar um golpe de Estado sem precedentes na história do país para não entregar o poder em 2021. É o segundo a cumprir dois mandatos não consecutivos, depois de Grover Cleveland (1885-89 e 1893-97). 

Depois de escapar por pouco da cadeia e sobreviver a duas tentativas de assassinato, Trump está de volta para se vingar de supostos inimigos, mudar políticas históricas que os EUA adotam desde a Segunda Guerra Mundial, negar o aquecimento global, acabar com a proteção às minorias e testar os limites da democracia num momento de ascensão do neofascismo em escala global.

Diante de todos os ex-presidentes dos norte-americanos vivos – Bill Clinton, George W. Bush, Barack Obama e Joe Biden –, Trump acusou o governo dos EUA de persegui-lo por razões politicas e prometeu acabar com isso. Mas é exatamente o que pretende fazer, usar o Departamento da Justiça contra adversários políticos enquanto perdoa aliados como os mais de 1,5 mil vândalos e terroristas condenados pelo ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021 para impedir a certificação da vitória de Joe Biden, o que causou sete mortes.

Do lado de fora de uma prisão em Washington, as milícias aliadas Proud Boys e Oath Keepers fazem vigília à espera da libertação de seus condenados pelo assalto ao Congresso. Trump quer que saiam ainda nesta noite. O líder dos Proud Boys estava condenado a 22 anos de prisão. É conivência com a violência de extrema direita.

No primeiro dia de governo, o plano é assinar cerca de 200 decretos para fechar a fronteira com o México para barrar imigrantes ilegais, iniciar seu programa de deportação em massa, acabar com restrições à exploração de gás e petróleo e outras medidas ambientais de Biden, retirar os EUA do Acordo de Paris sobre Mudança do Clima e da Organização Mundial da Saúde, acabar com as políticas federais de inclusão social e perdoar a malta que atacou o Congresso.

Também prometeu mandar astronautas para fincar a bandeira dos EUA em Marte, sob aplausos do bilionário Elon Musk, cliente do programa espacial norte-americano, e ignorou a Constituição ao decretar que filhos de imigrantes ilegais nascidos nos EUA não têm direito a cidadania. Este direito está na 14ª Emenda à Constituição do país, aprovada depois da Guerra da Secessão (1861-65), que acabou com a escravidão.

Para mudar a Constituição dos EUA, são necessários dois terços dos votos na Câmara e no Senado e a ratificação por pelo menos 75% dos estados. Por isso, é tão difícil de mudar. Os procuradores de 22 estados recorreram da medida. Mesmo se perder, Trump ganha pontos junto a seu eleitorado extremista. 

Sob o pretexto de proteger os trabalhadores norte-americanos e reindustrializar o país, Trump aposta em energia barata de combustíveis fósseis e tarifas de importação. Abandona assim a política de livre comércio que os EUA adotam desde o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45). 

Trump reiterou a ameaça de impor tarifas de importação de 100% se os países do grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos, Irã e Indonésia) pararem de usar o dólar nas transações entre si.

Com o lema "os EUA, primeiro", Trump também abandona uma política externa de 80 anos iniciada pelo presidente Franklin Roosevelt (1933-45) de agir no plano internacional em conjunto com aliados. 

Ao sugerir que o Canadá deve ser o 51º estado dos EUA, em tomar a Groenlândia e o Canal do Panamá, além de revelar mais um traço de seu caráter fascista, Trump manifesta desprezo pelos aliados. Ao enquadrar os cartéis do tráfico de drogas como organizações terroristas, deixa no ar a ameaça de intervenção militar no México.

Aliás, o bilionário Elon Musk, o homem mais rico do mundo, ministro nomeado por Trump para tornar o Estado mais eficiente, fez uma saudação nazista num dos palcos da posse.

Serão quatro anos de incerteza e imprevisibilidade na Casa Branca e no mundo. O primeiro teste será a promessa de acabar com a guerra da Rússia contra a Ucrânia. Trump vai capitular diante do ditador russo, Vladimir Putin? A Europa aguarda com ansiedade.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 6 de Janeiro

 DIA DOS REIS MAGOS

    No século 4 depois de Cristo, os cristãos do Ocidente, que festejam o nascimento de Jesus desde 354, passam a comemorar nesta data a visita dos Reis Magos, enquanto os cristãos ortodoxos celebram o nascimento de Jesus, o batismo de Jesus por São João Batista e seu primeiro milagre.

A tradição nos países de língua espanhola é dar presentes no Dia dos Reis porque foram eles que levaram presentes ao Menino Jesus. O período entre 25 de dezembro e 6 de janeiro é conhecido como os 12 dias do Natal. 

ERA DAS TELECOMUNICAÇÕES 

    Em 1838, Samuel Morse apresenta em Morristown, no estado de Nova Jérsei, o telégrafo, uma invenção que usa estímulos elétricos para transmitir mensagens codificadas por cabo e inicia uma revolução nas comunicações ao criar as telecomunicações.

Samuel Finley Breese Morse nasce em  Charlestown em 27 de abril de 1791 numa família protestante puritana. Ele estuda na Academia Phillips e na Universidade de Yale. Torna-se pintor, físico e inventor. Desde os 14 anos, se interesse pela eletricidade. Fabrica o primeiro telégrafo em 1832.

Outra grande invenção é o Código Morse (1839), a linguagem do telégrafo, uma combinação de traços, pontos e pausas para transmitir mensagens telegráficas.

QUATRO LIBERDADES

    Em 1941, no Discurso sobre o Estado da União, antevendo a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, o presidente Franklin Delano Roosevelt apresenta sua visão sobre os objetivos políticos e sociais do país ao falar em quatro liberdades: liberdade de expressão, liberdade religiosa, liberdade de não passar necessidades e liberdade de viver sem medo.

Com a guerra na Europa, na África e na Europa, Roosevelt percebe que mais cedo ou mais tarde os EUA entrarão na guerra e prepara o povo norte-americano para romper a política de não intervencionismo. O discurso termina com uma promessa e aspiração: "Devemos ser o grande arsenal da democracia."

Os EUA entraram na guerra 11 meses depois, com o ataque japonês à Frota do Pacífico, estacionada em Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941.

As quatro liberdades estão implícitas na Carta das Nações Unidas, aprovada em 26 de junho de 1945 em São Francisco da Califórnia, a na Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada pela ONU em Nova York em 10 de dezembro de 1948. Eleanor Roosevelt, a viúva de FDR, preside a comissão de redação.

ASSALTO AO CAPITÓLIO

    Em 2021, partidários do presidente Donald Trump invadem a sede do Congresso dos Estados Unidos para tentar impedir a certificação da vitória de Joe Biden.

Trump não reconhece a derrota na eleição de 3 de novembro de 2020. Proclama sua própria vitória na noite da votação, quando o resultado ainda está indefinido, principalmente por causa do grande número de votos enviados pelo correio por causa da pandemia.

Biden vence com 81.283.501 votos (51,3%) contra 74.223.975 votos (46,8%) para Trump no voto popular e por 306 a 232 no Colégio Eleitoral.

A invasão do Congresso acontece pouco depois de um comício em que o presidente derrotado incita seus seguidores a marchar até o Capitólio para impedir o último ato para confirmar a vitória da oposição.

Durante 3 horas e 7 minutos, Trump assiste à insurreição pela TV antes de pedir a seus partidários que voltem para casa. Cinco pessoas morrem. Desde então, mais de 1.200 pessoas foram processadas e mais de 900 condenadas pelo ataque ao Congresso.

A comissão especial da Câmara dos Representantes que investiga a revolta dos trumpistas acusa o agora ex-presidente de quatro crimes:

• obstrução de um procedimento oficial do Congresso, a certificação da vitória de Joe Biden e Kamala Harris na eleição de 3 de novembro de 2020;

• conspiração para fraudar os EUA ao tentar anular o resultado da eleição;

• incitar, auxiliar, ajudar ou proteger uma insurreição;

• e conspiração para fazer declarações falsas.

Como não tem poder para indiciar Trump, os deputados encaminharam o relatório ao Departamento da Justiça, que faz sua própria investigação. 

O procurador especial Jack Smith denuncia Trump em 1º de agosto de 2023 com quatro acusações:

• conspiração para fraudar os EUA pelos esforços repetidos para divulgar falsas alegações de fraude na eleição presidencial de 2020 mesmo sabendo que não era verdade e por tentar ilegalmente anular votos legítimos com o objetivo de mudar o resultado da eleição;

• conspiração para obstruir um procedimento oficial, a certificação da vitória de Biden pelo Congresso em 6 de janeiro de 2021;

• obstrução e tentativa de obstruir um procedimento oficial depois da eleição de 3 de novembro 2020 até 7 de janeiro de 2021 para bloquear a certificação da vitória de Biden:

• e conspiração contra direitos por "oprimir, ameaçar e intimidar" o direito de voto do cidadão numa eleição.

Ao todo, Trump enfrenta 91 acusações em quatro processos criminais. É condenado pela Justiça de Nova York por 34 acusações de fraude e falsificação de documentos para encobrir um pagamento de US$ 130 mil para comprar o silêncio da atriz pornô Stormy Daniels, com que teve um caso. O juiz deve sentenciá-lo em 10 de janeiro de 2024. Como Trump foi reeleito presidente, não corre risco de ser preso, mas deve ficar com a condenação.

Os dois processos movidos na Justiça Federal pelo procurador especial devem ser arquivados, e a promotora do processo por tentar fraudar a eleição no estado da Geórgia foi afastada do caso. Assim, a vitória nas urnas na prática garante impunidade do único presidente dos EUA que não aceita a derrota e tenta dar um golpe para ficar no poder.

domingo, 8 de dezembro de 2024

Assad foge para Rússia e deixa Síria em era de incerteza

Depois de mais de meio século de uma tirania que começou com seu pai, o ditador Bachar Assad chegou com a família hoje a Moscou, onde recebeu "asilo humanitário". A Síria vive um momento de euforia. Milhares de refugiados estão voltando para casa, mas os riscos e incertezas são enormes, tendo em vista o que aconteceu no Líbano, no Iraque e na Líbia.

Refugiados voltam da Turquia
Grande derrotada com a queda de Assad, a Rússia convocou uma reunião de emergência a portas fechadas do Conselho de Segurança das Nações Unidas para tentar manter alguma influência no futuro da Síria, onde tem duas bases militares.

Em Washington, o presidente Joe Biden considerou o fim da ditadura de Assad um "ato de justiça" e uma "oportunidade histórica", mas advertiu para os riscos. Os Estados Unidos bombardearam no domingo 76 alvos do Estado Islâmico na Síria. 

A milícia que tomou o poder em Damasco, Hayat Tahrir al-Sham (Organização para a Libertação do Levante) é considerada um grupo terrorista. Os EUA oferecem US$ 10 milhões por seu líder, Abu Mohammed al-Julani, cujo nome de batismo é Ahmed Hussein al-Charaa. Ele chamou a queda de Damasco "uma vitória de toda a nação do Islã".

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que ontem foi "um dia histórico para o Oriente Médio" que traz riscos e oportunidades. Israel fez ontem o maior bombardeio à Síria desde a Guerra do Yom Kippur, em 1973, atacando mais de 100 alvos, principalmente da Força Aérea da Síria, de agentes iranianos e da milícia extremista xiita Hesbolá (Partido Deus), Também entrou em território sírio, ocupando posições abandonadas pelo Exército de Assad.

Netanyahu pediu ao novo regime que procure uma convivência pacífica com Israel, mas as explosões e incêndios causados pelo bombardeio israelense em Damasco, tomada sem resistência pelos rebeldes, vai no sentido contrário.

Os grandes desafios são evitar a fragmentação do Iraque, a formação de um Estado terrorista ou que o país vire um Estado falido e campo de batalha de interesses estrangeiros como aconteceu no Líbano, no Iraque e na Líbia.

sábado, 13 de julho de 2024

Trump é alvo de tentativa de assassinato

Houve vários estampidos, uma rápida intervenção do Serviço Secreto dos Estados Unidos e mais uma série de tiros. Com uma orelha sangrando, o ex-presidente Donald Trump foi retirado do palanque onde fazia um comício, em Butler, no estado de Pensilvânia. A campanha de Trump declarou que ele está bem.

O sangue escorria pela bochecha do ex-presidente, que deu socos no ar antes de ser colocado dentro de um carro para sair do local. O atirador matou uma pessoa que assistia o comício e foi morto. Outras duas pessoas estão em estado grave. A polícia trata o caso como tentativa de assassinato e terrorismo.

Uma testemunha ouvida pela televisão britânica BBC disse ter visto o atirador com um fuzil em cima de um telhado e avisado a polícia. A investigação está a cargo do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, que confirmou que o atirador estava numa posição superior. O lugar deveria estar sob controle da segurança de Trump.

De madrugada, o FBI identificou o atirador como Thomas Matthew Crooks, um jovem de 20 anos de Bethel Park, na Pensilvânia. Os investigadores acreditam que ele agiu sozinho e ainda não descobriram a motivos. Crooks foi filiado ao Partido Republicano. Não há nenhum registro de problema mental do atirador.

O presidente Joe Biden, os ex-presidentes Barack Obama e George W. Bush, o presidente da Câmara, deputado republicano Mike Johnson, o líder democrata na Câmara, deputado Hakeem Jeffries, e vários outros líderes políticos norte-americanos repudiaram o atentado e manifestaram solidariedade a Trump. "Não há lugar para este tipo violência nos EUA. É doentio. É doentio. É uma das razões pelas quais temos de unir este país", declarou Biden.

Na verdade, a violência política é uma marca da história do país. A maior guerra dos EUA, em que morreu mais gente, cerca de 620 mil pessoas, foi a Guerra da Secessão ou Guerra Civil (1861-65), quando 11 estados do Sul quiseram se separar para manter a escravidão e o Norte do país, sob a liderança do presidente Abraham Lincoln (1861-65), reagiu para manter a União.

PRESIDENTES ASSASSINADOS

Cinco dias depois do fim da guerra, Lincoln foi baleado pelas costas por John Wilkes Booth num teatro de Washington e morreu na manha seguinte, em 15 de abril de 1865. Outros três presidentes foram mortos no exercício do cargo: James Garfield (1881), William McKinley (1901) e John Kennedy (1963).

James Garfield tomou posse em 4 de março, foi baleado por um assassino, Charles Guiteau. quatro meses depois, em 2 de julho na estação de trem de Baltimore & Potomac, em Washington. Morreu dois meses e meio depois de uma infecção causada pelo ferimento, em 19 de setembro de 1881. Guiteau foi executado pelo homicídio.

William McKinley (1897-1901) foi presidente na Guerra Hispano-Americana (1898), que promoveu a independência de Cuba e tornou Porto Rico e as Filipinas em colônias dos EUA. É o fim do Império Espanhol e o início do imperialismo norte-americano. Em 1898, os EUA também anexam o Havaí.

Seu governo é uma época de grande crescimento econômico. No fim do século 19, os EUA ultrapassam o Reino Unido e se tornam a maior economia do mundo, posição que ocupam até hoje. Ele é assassinado pelo anarquista Leon Czolgosz quando visitava a Exposição Pan-Americana em Buffalo, no estado de Nova York, em 6 de setembro de 1901, no primeiro ano do segundo mandato, e morreu oito dias depois.

Desde a morte de McKinsey, o Serviço Secreto é encarregado da segurança dos presidentes e ex-presidentes dos EUA.

John Kennedy foi o presidente mais jovem da história dos EUA e o primeiro católico. Joe Biden é o segundo. Kennedy tomou posse aos 43 anos. Foi presidente durante a fracassada Invasão da Baía dos Porcos, em Cuba, em abril de 1961, a construção do Muro de Berlim, em agosto de 1961, e a Crise dos Mísseis Soviéticos em Cuba, em outubro de 1962, quando o mundo esteve mais perto do que nunca de uma guerra nuclear.

Kennedy mandou forças federais para garantir o acesso de estudantes negros a educação, defendeu as leis de direitos civis que seriam aprovadas no governo de seu vice e sucessor Lyndon Johnson (1963-69) e lançou o programa para enviar um homem à Lua. Mas aumentou a presença militar dos EUA na Guerra do Vietnã com um total de 2,8 mil assessores militares para o governo do Vietnã do Sul, alguns entrando em combate.

Durante um desfile em carro aberto em visita a Dallas, no Texas, em 22 de novembro de 1963, Kennedy foi baleado na cabeça e no pescoço às 12h30 e declarado morto meia hora depois. As investigações oficiais concluíram que Lee Harvey Oswald agiu sozinho. Como ele foi morto dois dias depois por Jack Ruby, dono de um clube noturno ligado à máfia, as dúvidas e teses conspiratórias persistem até hoje.

ATAQUES NÃO FATAIS A PRESIDENTES

Treze presidentes dos EUA foram alvos de tentativas de assassinato, reporta a revista eletrônica Business Insider. Andrew Jackson (1929-37), um fazendeiro sulista que foi o primeiro presidente que não era da elite dos Pais Fundadores do país, foi atacado em 1835 por Richard Lawrence, um pintor inglês desempregado que acreditava ser o rei Ricardo III, mas a arma não disparou.

O últiimo ex-presidente que se recandidatou antes de TrumpTheodore Roosevelt (1901-9) foi alvo de um tiro durante um comício em 1912. A bala atingiu o peito depois de ser amortecida pela caixa de óculos metálica de Roosevelt e uma cópia do discurso que está fazendo, com 50 páginas.

Em 1928, anarquistas argentinos planejaram atacar o trem onde viajava Herbert Hoover (1929-33), o presidente no início da Grande Depressão (1929-39), mas o assassino foi preso antes de colocar a bomba nos trilhos.

Franklin Delano Roosevelt (1933-45), o presidente que governou os EUA durante mais tempo, durante quatro mandatos, o último incompleto, durante a Grande Depressão e a Segunda Guerra Mundial (1939-45) sobreviveu a um atentado em Miami em 1933, 17 dias depois da posse para o primeiro mandato. FDR não foi atingido, mas o prefeito de Chicago, Anton Cermak, morreu.

Na biografia do pai, Margaret Truman Daniel, filha do presidente Harry Truman (1945-53), revelou que em 1947 sionistas extremistas enviaram cartas-bomba para a Casa Branca desarmadas pelo Serviço Secreto. Em 1º de novembro de 1950, nacionalistas portorriquenhos tentaram invadir a Blair House, onde Trump estava morando enquanto a Casa Branca era reformada.  

O senador Robert Kennedy, irmão e ministro da Justiça do presidente Kennedy, foi baleado em 1968 no dia em que venceu a eleição primária da Califórnia, o que garantia a candidatura à Casa Branca. No mesmo ano, foi morto o líder da luta pacífica pelos direitos civis dos negros, reverendo Martin Luther King Jr. 

Em 1972, o governador do Alabama, George Wallace, um segregacionista que disputava a candidatura do Partido Democrata à Casa Branca, foi baleado e ficou paraplégico. Arthur Bremer, que atirou em Wallace, cogitou atacar o presidente Richard Nixon.

Uma tentativa mais ousada a espetacular fez Samuel Byck. Em 22 de fevereiro de 1974, ele invadiu o Aeroporto Internacional de Baltimore e tentou sequestrar um voo da Delta Airlines para jogá-lo sobre a Casa Branca para matar Nixon. Quando os pilotos disseram que não podiam decolar, ele matou dois e logo foi morto pela polícia.

Em setembro de 1975, o presidente Gerald Ford (1974-77) foi alvo de duas tentativas de assassinato fracassadas. No primeiro, a arma de Lynette Fromm enão funcionou. No segundo, Sara Jane Moore errou o primeiro tiro e foi dominada por um fuzileiro naval à paisana.

Em 5 de maio de 1979, a polícia prendeu Raymond Lee Harvey com uma pistola diante do Centro Cívico de Los Angeles poucos minutos antes de um pronunciamento do presidente Jimmy Carter (1977-81). Ele declarou ser parte de uma célula que queria matar Carter, mas foi considerado desequilibrado mental e os co-conspiradores suspeitos foram soltos. 

Em março de 1981, no início de seu primeiro mandato, o presidente Ronald Reagan e outras três pessoas foram baleadas por William Hinckley Jr. Reagan foi atingido no peito, fez uma cirurgia de emergência e ficou semanas internado no Hospital da Universidade George Washington.

O presidente Bill Clinton (1993-2001) foi alvo de várias tentativa de assassinato, três no ano de 1994. Ronald Gene Barbour quis matar Clinton quando ele corria no National Mall, em Washington. Frank Engene Corder jogou um avião monomotor nos jardins da Casa Branca para matar o presidente. Francisco Martin Duran disparou vários tiros na direção do gramado norte da Casa Branca até ser detido por um grupo de turistas. No seu bolso, foi encontrada uma nota de suicídio revelando suas intenções.

A maior ameaça a Clinton foi durante uma visita a Manila, a capital das Filipinas. A polícia descobriu uma bomba embaixo de uma ponte por onde passaria o presidente dos EUA. A conspiração foi atribuída à rede terrorista Al Caeda.

Em fevereiro de 2001, Robert Pickett, um ex-funcionário da receita federal dos EUA com problemas mentais, disparou vários tiros contra a Casa Branca quando o presidente George Walker Bush se exercitava na área residencial até ser morto pelo Serviço Secreto.

A maior ameaça a Bush foi em 2006, quando ele participava de um comício em Tíflis, na ex-república soviética da Geórgia, ao lado do presidente Mikheil Saakashvili, quando Vladimir Arutyanian jogou em direção ao palanque uma granada que não explodiu.

Quando Barack Obama (2009-17) ainda era candidato em 2008, dois supremacistas brancos, Paul Schlesselman e Daniel Cowart, planejam matar 102 negros, inclusive Obama. Em 2011. Óscar Ramiro Ortega Hernández atira contra a Casa Branca alegando que Obama é um anticristo. O casal Obama não estava na hora do ataque.

Em abril de 2013, James Everett Dutschke enviou uma carta com ricina para Obama e pegou 25 anos de prisão por isso. Em 2015, Aboror Abibov, Abdurassul Juraboev e Akhror Saidakhmetov foram presos sob a acusação de conspirar para matar Obama em Ilha Coney para serem admitidos no grupo terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

Agora, foi a vez de Trump, que logo disse que foi atingido de raspão na orelha. O ex-presidente amaldiçoava a imigração e tinha gráficos para apresentar em telões instalados ao lado do palanque. Ao se virar para a direita para olhar um telão, Trump se esquivou de um tiro possivelmente fatal.

O ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021 para tentar impedir a certificação da vitória de Biden, incitado por Trump numa tentativa de golpe de Estado, também foi um ato de violência poítica.

EXPLORAÇÃO POLÍTICA

Com certeza, Trump vai explorar o atentado politicamente, a exemplo do que fez o ex-presidente Jair Bolsonaro quando levou uma facada em Juiz de Fora durante campanha eleitoral, em 6 de setembro de 2018. Vai posar de vítima e de mártir para seus seguidores mais fanáticos, com risco de aumento da violência política se algum deles resolver revidar de alguma forma e especialmente se perder a eleição presidencial de 5 de novembro.

Outra tentativa de matar Clinton ocorreu durante uma viagem a Manila, a capital das Filipinas, em 1996. Uma bomba foi descoberta sob uma ponte onde o presidente dos EUA passaria. A rede terrorista Al Caeda seria responsável.

Na segunda-feira, começa em Milwaukee, no estado de Wisconsin, a convenção nacional do Partido Republicano que vai confirmar a candidatura de Donald Trump à Presidência dos EUA na eleição de 5 de novembro. Depois do atentado, ele promete fazer um discurso conciliador, de união nacional, talvez pelo choque da ameaça de morte ou por mero oportunismo político. É difícil acreditar numa conversão mais profunda para um espírito pacifista.

domingo, 7 de abril de 2024

Guerra faz seis meses sem perspectiva de paz e com risco de ampliação

Depois de seis meses de um dos conflitos mais violentos do século 21, com quase 35 mil mortes, Israel não conseguiu atingir nenhum de seus objetivos políticos e a guerra corre o risco de se ampliar por causa do bombardeio israelense ao Consulado do Irã em Damasco, na Síria, que matou sete membros da Guarda Revolucionária Iraniana, entre eles quatro generais, um deles o comandante do braço da guarda para ações no exterior.

As negociações para uma trégua e nova troca de reféns por presos estão estagnadas. Os Estados Unidos e Israel estão em alerta máximo à espera de uma retaliação do Irã, que pode vir com ataques de drones e mísseis ou atentados terroristas cometidos por milícias aliadas.

Além da ameaça de uma guerra com o Irã e as 60 milícias sustentadas pela ditadura teocráticas dos aiatolás, Israel está no maior afastamento dos Estados Unidos, seu principal aliado, em toda sua história. Na quinta-feira, o presidente Joe Biden e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tiveram o diálogo mais duro desde o início da guerra.

A estratégia israelense na luta contra o grupo terrorista Movimento de Resistência (Hamas) é de terra arrasada. De acordo com levantamento do jornal francês Le Monde, cerca de 60% dos hospitais, das escolas, das universidades e dos locais de culto na Faixa de Gaza foram totalmente destruídas ou danificadas.

sábado, 6 de janeiro de 2024

Hoje na História do Mundo: 6 de Janeiro

DIA DOS REIS MAGOS

    No século 4 depois de Cristo, os cristãos do Ocidente, que festejam o nascimento de Jesus desde 354, passam a comemorar nesta data a visita dos Reis Magos, enquanto os cristãos ortodoxos celebram o nascimento de Jesus, o batismo de Jesus por São João Batista e seu primeiro milagre.

A tradição nos países de língua espanhola é dar presentes no Dia dos Reis porque foram eles que levaram presentes ao Menino Jesus. O período entre 25 de dezembro e 6 de janeiro é conhecido como os 12 dias do Natal. 

ERA DAS TELECOMUNICAÇÕES 

    Em 1838, Samuel Morse apresenta em Morristown, no estado de Nova Jérsei, o telégrafo, uma invenção que usa estímulos elétricos para transmitir mensagens codificadas por cabo e inicia uma revolução nas comunicações ao criar as telecomunicações.

QUATRO LIBERDADES

    Em 1941, no Discurso sobre o Estado da União, antevendo a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, o presidente Franklin Delano Roosevelt apresenta sua visão sobre os objetivos políticos e sociais do país ao falar em quatro liberdades: liberdade de expressão, liberdade religiosa, liberdade de não passar necessidades e liberdade de viver medo.

Com a guerra na Europa, na África e na Europa, Roosevelt percebe que mais cedo ou mais tarde os EUA entrarão na guerra e prepara o povo norte-americano para romper a política de não intervencionismo. O discurso termina com uma promessa e aspiração: "Devemos ser o grande arsenal da democracia."

Os EUA entraram na guerra 11 meses depois, com o ataque japonês à Frota do Pacífico, estacionada em Pearl Harbor, no Havaí.

As quatro liberdades estão implícitas na Carta das Nações Unidas, aprovada em 26 de junho de 1945 em São Francisco da Califórnia, a na Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada pela ONU em Nova York em 10 de dezembro de 1948. Eleanor Roosevelt, a viúva de FDR, preside a comissão de redação.

ASSALTO AO CAPITÓLIO

    Em 2021, partidários do presidente Donald Trump invadem a sede do Congresso dos Estados Unidos para tentar impedir a certificação da vitória de Joe Biden.

Trump não reconhece a derrota na eleição de 3 de novembro de 2020. Proclama sua própria vitória na noite da votação, quando o resultado ainda está indefinido, principalmente por causa do grande número de votos enviados pelo correio por causa da pandemia.

Biden vence com 81.283.501 votos (51,3%) contra 74.223.975 votos (46,8%) para Trump no voto popular e por 306 a 232 no Colégio Eleitoral.

A invasão do Congresso acontece pouco depois de um comício em que o presidente derrotado incita seus seguidores a marchar até o Capitólio para impedir o último ato para confirmar a vitória da oposição.

Durante 3 horas e 7 minutos, Trump assiste à insurreição pela TV antes de pedir a seus partidários que voltem para casa. Cinco pessoas morrem. Desde então, mais de 1.200 pessoas foram processadas e mais de 900 condenadas pelo ataque ao Congresso.

A comissão especial da Câmara dos Representantes que investigou a revolta dos trumpistas acusou o agora ex-presidente de quatro crimes:

• obstrução de um procedimento oficial do Congresso, a certificação da vitória de Joe Biden e Kamala Harris na eleição de 3 de novembro de 2020;

• conspiração para fraudar os EUA ao tentar anular o resultado da eleição;

• incitar, auxiliar, ajudar ou proteger uma insurreição;

• e conspiração para fazer declarações falsas.

Como não tem poder para indiciar Trump, os deputados encaminharam o relatório ao Departamento da Justiça, que faz sua própria investigação. 

O procurador especial Jack Smith denuncia Trump em 1º de agosto de 2023 por quatro acusações:

• conspiração para fraudar os EUA pelos esforços repetidos para divulgar falsas alegações de fraude na eleição presidencial de 2020 mesmo sabendo que não era verdade e por tentar ilegalmente anular votos legítimos com o objetivo de mudar o resultado da eleição;

• conspiração para obstruir um procedimento oficial, a certificação da vitória de Biden pelo Congresso em 6 de janeiro de 2021;

• obstrução e tentativa de obstruir um procedimento oficial depois da eleição de 3 de novembro 2020 até 7 de janeiro de 2021 para bloquear a certificação da vitória de Biden:

• e conspiração contra direitos por "oprimir, ameaçar e intimidar" o direito de voto do cidadão numa eleição.

Ao todo, Trump enfrenta 91 acusações em quatro processos criminais.

segunda-feira, 11 de setembro de 2023

G-20 dá ênfase à economia em vez das questões de segurança

 Apesar do boicote dos ditadores da China e da Rússia, a reunião de cúpula do Grupo dos Vinte (G-20) realizada no fim de semana em Nova Déli confirma o status da Índia como uma grande potência mundial comprometida com um mundo multipolar e o multilateralismo, que rejeita a ideia de mundo bipolar dominado pelos Estados Unidos e a China.

A Declaração de Nova Déli, Uma Terra, Uma Família, um Futuro, reflete as preocupações econômicas do Sul Global com o desenvolvimento, o combate à fome e à desigualdade social, o financiamento à transição para uma economia verde e a reforma das instituições internacionais para criar um mundo multipolar, em vez das questões geopolíticas e de segurança. Promete triplicar a geração de energia limpa até 2030.

Como os ditadores da China e da Rússia não foram, o Ocidente teve de ceder na linguagem sobre a guerra para garantir o sucesso da reunião, uma vitória da Índia. Com a ausência de seus maiores rivais, o presidente Joe Biden aproveitou para consolidar a parceria estratégica com a Índia, mas os países em desenvolvimento nunca tiveram uma voz tão forte no G-20.

O Brasil assume a presidência do G-20 em novembro e vai sediar a próxima reunião de cúpula de 12 a 14 de julho de 2024 no Rio de Janeiro. Deve manter a orientação adotada em Nova Déli. Em mais uma gafe internacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que o ditador Vladimir Putin pode vir ao Brasil sem correr o risco de ser preso por ordem do Tribunal Penal Internacional (TPI). Depois, recuou. Meu comentário:

sábado, 25 de fevereiro de 2023

EUA e Ucrânia rejeitam plano de paz da China

A Ucrânia e os Estados Unidos discordaram, em princípio, da proposta da China para negociações de paz na guerra por considerá-la favorável à Rússia, mas o presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou uma viagem a Beijim para discutir a paz. 

O plano chinês, de 12 pontos, fala em reduzir gradualmente as hostilidades para chegar a um cessar-fogo e na abertura de um diálogo direto. Mas não exige a retirada das forças russas de território ucraniano. Pede aos dois lados que “mantenham a racionalidade e exerçam o controle" para que a situação não saia de controle e leve a um conflito ainda pior. 

Se o ditador russo Vladimir "Putin aplaudiu,como pode ser bom?", perguntou o presidente Joe Biden, que não viu nada que indique que possa beneficiar a alguém além da Rússia.

O presidente Volodymyr Zelensky e o ministro do Exterior da Ucrânia, Dimytro Kuleba, admitiram examinar a proposta em detalhes. Mais tarde, um alto assessor de Zelensky descreveu a proposta como "irrealista", uma "aposta no agressor".

Durante reunião ministerial do Grupo dos Vinte, as maiores economias do mundo, em Bengaluru, na Índia, só a China apoiou a Rússia. Meu comentário: 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

Líder da oposição na Rússia quer fim da guerra e queda de Putin

Hoje foi um dia de duelo de discursos em torno da guerra na Ucrânia entre o ditador da Rússia, Vladimir Putin, e o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. 

Um dia depois da visita-supresa do presidente Joe Biden a Kiev, Putin se faz de vítima, acusa o Ocidente e a Ucrânia pela guerra que ele começou, volta a acusar a Ucrânia de ser governada por neonazistas, uma das desculpas para a guerra, e suspende a participação russa no último acordo sobre controle de armas nucleares.

Na Polônia, onde deve passar o primeiro aniversário da guerra, em 24 de fevereiro, Biden voltou a acusar a Rússia de crimes de guerra e afirmou que Putin jamais será vitorioso na Ucrânia.

Se alguém tem duvida sobre quem é o responsável pela guerra, deve prestar atenção ao líder da oposição russa, Alexey Navalny, preso na Sibéria depois de sobreviver a uma tentativa de assassinato. Meu comentário:

segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

Câmara acusa Trump de crimes pelo assalto ao Capitólio

 A comissão especial da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos acusou hoje o ex-presidente Donald Trump de cometer quatro crimes em relação à invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021:

• obstrução de um procedimento oficial do Congresso, a certificação da vitória de Joe Biden e Kamala Harris na eleição de 3 de novembro de 2020;

• conspiração para fraudar os EUA ao tentar anular o resultado da eleição;

• incitar, auxiliar, ajudar ou proteger uma insurreição;

• e conspiração para fazer declarações falsas.

É a primeira vez que um presidente é acusado de crimes pela Câmara. O relatório final da comissão, a ser apresentado na quinta-feira, será encaminhado ao Departamento da Justiça, que faz sua própria investigação sobre o assalto ao Capitólio e pode ou não aceitar as recomendações da Câmara. Hoje, foi divulgada uma síntese de 160 páginas.

Trump enfrenta processos por fraude fiscal no estado de Nova York e está vendo investigado pelo FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, por levar para sua residência no clube de Mar-a-Lago na Flórida documentos secretos e ultrassecretos do governo norte-americano que deveria ter entregue ao Arquivo Nacional no fim de seu governo.

Para se defender de todos estes processos, o ex-presidente lançou prematuramente sua candidatura à reeleição em 2024, mas depois de liderar o Partido Republicano em três derrotas eleitorais consecutivas, é provável que enfrente adversários dentro do próprio partido. O governador da Flórida, Ron DeSantis, está na frente nas pesquisas.

Ao abrir os trabalhos, a vice-presidente da comissão, a deputada republicana Liz Cheney, criticou a postura do então presidente Trump ao assistir o ataque de seus partidários ao Poder Legislativa pela televisão, em vez de ordenar ações para acabar com a revolta em Washington.

Depois de 3 horas e 7 minutos, o então presidente apelou aos seguidores que fossem para casa, dizendo que os amava. Só no dia seguinte, com relutância, condenou a violência que causou a morte de cinco pessoas.

"Ninguém que tenha se comportado daquela maneira naquela momento pode jamais servir de novo em qualquer posição de autoridade na nossa nação", declarou a filha do ex-vice-presidente Dick Cheney. "Ele é inapto para qualquer cargo."

Até hoje, Trump insiste na grande mentira que houve fraude na eleição de Joe Biden, apesar de 61 ações judiciais rejeitadas pela Justiça por falta de indícios concretos. O discurso golpista mobilizou grupos de extrema direita como Proud Boys e Oath Keepers.

Durante o ataque, os trumpistas estiveram a poucos metros de distância do vice-presidente Mike Pence, que ameaçavam enforcar. Como presidente do Senado, Pence presidia à reunião conjuntas das duas casas do Congresso interrompida durante o ataque ao Capitólio.

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

Nobel da Paz vai para ativistas de direitos humanos anti-Putin

 O advogado bielorrusso Ales Bialiatski, preso sem julgamento desde julho de 2021, a organização de defesa dos direitos humanos russa Memorial e o Centro de Liberdades Civis ucraniano vão dividir o Prêmio Nobel da Paz de 2022, anunciou hoje em Oslo o Comitê Norueguês do Nobel, descrevendo-os como “três destacados campeões dos direitos humanos, democracia e a coexistência pacífica.” 

Todos são adversários do imperialismo da Rússia e do ditador Vladimir Putin, que completou 70 anos hoje, aniversário de 16 anos da morte da jornalista Anna Politkovoskaya, que denunciava os crimes de seu governo.

“Os laureados representam a sociedade civil em seus países”, declarou a presidente do comitê do Nobel, Berit Reiss Andersen. “Há muitos anos, promovem o direito de criticar o poder e protegem os direitos fundamentais dos cidadãos. Fazem um esforço excepcional para documentar crimes de guerra, abusos dos direitos humanos e abusos de poder. Juntos, demonstraram o significado da sociedade civil para a paz e a democracia.”

Em nota no Twitter, Kenneth Roth, ex-diretor-executivo da organização não governamental Human Rights Watch (Observatório dos Direitos Humanos), escreveu: “No 70º aniversário de Putin, o Prêmio Nobel da Paz é concedido a um grupo de defesa dos direitos humanos da Rússia que ele fechou, um grupo de defesa dos direitos humanos ucraniano que está documentando seus crimes de guerra e um ativista bielorrusso preso por seu aliado Lukachenko.” 

BIELORRÚSSIA

Bialiatski foi um dos pioneiros do movimento democrático que surgiu na Bielorrúsia nos anos 1980, com a glasnost, a abertura política promovida na União Soviética pelo líder comunista Mikhail Gorbachev.

Em 1996, ele fundou a organização não governamental Viasna (Primavera) para denunciar uma reforma constitucional que deu poderes ditatoriais ao presidente Alexander Lukachenko e reagir com protestos de rua. A ONG apoiou os manifestantes presos e suas famílias.

O laureado foi preso de 2011 a 2014 e de novo em julho de 2021, durante uma onda de manifestações contra mais uma reeleição fraudulenta de Lukachenko, em agosto 2020. Está preso até hoje, sem julgamento.

A abertura de Gorbachev também permitiu que ativistas dos direitos humanos criassem, em 1987, a ONG Memorial para documentar a história das vítimas do regime comunista soviético. O físico dissidente Andrei Sakharov, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1975 foi um dos fundadores.

MEMÓRIA

Com o colapso da URSS, no Natal de 1991, Memorial se tornou a maior organização de defesa dos direitos humanos da Rússia. Além das vítimas do comunismo, passou a compilar informações sobre as violações dos direitos humanos no país. Tornou-se a principal fonte de notícias sobre presos politicos detidos nas prisões russas e está na linha de frente da luta contra o militarismo e pelo Estado de Direito, justificou o comitê do Nobel.

Durante as Guerras da Chechênia, investigou os crimes cometidos. A chefe do escritório da Memorial na Chechênia, Natalia Estemirova, foi assassinada em 2009. Como parte da repressão da ditadura de Putin, a ONG foi declarada “agente estrangeiro” e, em 2021, foi fechada, mas os ativistas resistem.

“Ninguém planeja desistir”, afirmou o presidente da Memorial, Yan Rachinsky.

UCRÂNIA

Desde o início da invasão da Rússia pela Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022, o Centro pelas Liberdades Civis identifica e documenta os crimes cometidos contra a população civil, em colaboração com investigações internacionais. Foi fundado em 2007 para promover a democracia na Ucrânia.

No ano passado, os ganhadores do Nobel da Paz foram os jornalistas russo Dimitri Muratov, editor-chefe do jornal Novaïa Gazeta, fechado depois do início da guerra na Ucrânia, e filipina Maria Ressa, pela luta pela liberdade de imprensa contra regimes autoritários.

O governo Putin descreveu na mídia oficial o prêmio como um instrumento a serviço de uma agressão de inimigos “russófobos”. Os mesmos meios de comunicação reportavam orgulhosamente indicações do ditador do Kremlin como candidato ao Nobel da Paz. Meu comentário: 


AMEAÇA NUCLEAR

A premiação acontece num momento de agravamento da Guerra da Ucrânia. Diante de sucessivas derrotas do Exército da Rússia no campo de batalha, Moscou forjou plebiscitos ilegais para anexar quatro províncias ucranianas que não domina totalmente. Putin voltou a ameaçar usar armas nucleares para defender o que afirma agora ser “território russo”.

Ontem, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, advertiu para o risco de um “armagedon nuclear”, dizendo que a ameaça de um conflito com armas atômicas é o maior desde a Crise dos Mísseis em Cuba, 60 anos atrás.

Foi muito criticado por reproduzir a ameaça de Putin e pela comparação com o momento mais tenso da Guerra Fria. 

Há um temor de que a Rússia use armas nucleares táticas. O historiador Timothy Snyder, professor da Universidade de Yale, não acredita nisso. Estas armas só seriam úteis se houvesse grande concentração de tropas de Ucrânia num local sem a presença de militar russos.

CRISE DOS MÍSSEIS

Em 14 de outubro de 1962, um avião espião U-2 fotografou silos e mísseis nucleares que a URSS estava instalando na ilha governada por Fidel Castro, que exilados cubanos haviam tentado invadir, com o apoio dos EUA, em abril de 1961. Cuba estava sob um duro boicote econômico de Washington, que dura até hoje, desde 7 de fevereiro de 1962.

Dois dias depois, as fotos e os relatórios de inteligência concluindo que os mísseis dariam aos soviéticos condições de realizar um primeiro ataque foram entregues ao presidente John Kennedy. 

Logo, Kennedy convocou um gabinete de guerra, o Comitê Executivo do Conselho de Segurança Nacional. Os partidários de uma abordagem diplomática ficaram conhecidos como pombas e os defensores de uma invasão de Cuba eram os falcões. O Estado-Maior Conjunto concluiu por unanimidade que a única solução era uma invasão de Cuba em grande escala para destruir os mísseis e depor Fidel.

Em 22 de outubro daquele ano, às 19h, Kennedy fez um pronunciamento na televisão revelando a ameaça ao povo norte-americano. Ele impôs um bloqueio aeronaval a Cuba, que chamou de “quarentena” para dourar a pílula. Exigiu a retirada imediata e incondicional dos mísseis, e ameaçou interceptar e revistar qualquer navio com destino à ilha. Todo navio transportando armas teria de dar meia volta.

O líder soviético, Nikita Kruschev, advertiu em carta de 24 de outubro de 1962, quando alguns navios soviéticos deram meia volta, que o bloqueio “à navegação no espaço aéreo e em águas internacionais” era “um ato de agressão que está empurrando a espécie humana para o abismo de uma guerra mundial com mísseis nucleares”.

Na China, o Diário do Povo, órgão oficial do regime comunista, alardeou que 650 milhões de chineses estavam ao lado de Cuba.

ATAQUE ABORTADO

Ao mesmo tempo em que Kruschev falava grosso e navios soviéticos tentavam furar o bloqueio, a ponto de norte-americanos darem tiros de advertência, começavam negociações secretas. No momento mais tenso, um submarino soviético armado com mísseis nucleares de 15 quilotons foi cercado por navios de guerra dos EUA. 

Como se soube depois, numa conferência com veteranos dos dois lados, em 1992, os três mais altos oficiais do submarino discutiram se atacavam ou não. O capitão Valentin Savitsky mandou preparar o torpedo nuclear. Foi dissuadido pelo subcomandante.

Para o diretor do Arquivo de Segurança Nacional dos EUA Thomas Blanton, “um cara chamado Vassili Arkhipov salvou o mundo”.

Também não se sabia que os assessores militares soviéticos baseados em Cuba tinham na época 100 armas nucleares táticas (pequenas) que poderiam ser usadas para defender a ilha de uma invasão norte-americana.

A invasão quase ocorreu. Na noite de 26 de outubro, um jornalista e dublê de espião soviético estranhou que a cantina e a sala de imprensa do Congresso estivessem praticamente vazias. Um funcionário lhe disse: “Está todo o mundo indo para Cuba porque vai haver uma invasão.” O agente soviético avisou Moscou imediatamente.

ACORDO

Na manhã seguinte, às 9h, a Rádio Moscou anunciou que a URSS removeria os mísseis de Cuba em troca de retirada de mísseis norte-americanos de curto alcance baseados na Itália e na Turquia. Às 11h03, chegou à Casa Branca uma mensagem de Kruschev confirmando a proposta.

Kennedy concordou. Os mísseis baseados na Turquia eram obsoletos e seriam removidos de qualquer maneira. Serviram para livrar a cara de Kruschev, que cairia dois anos depois por outros motivos, pela luta interna pelo poder dentro da URSS. Os EUA prometeram não invadir a ilha.

Ao meio-dia, um míssil antiaéreo derrubou um avião norte-americano U-2 no espaço aéreo de Cuba. Os EUA hesitaram em concluir o acordo, mas o Kremlin os convenceu de que o alto comando não sabia do ataque. No dia seguinte, Kruschev disse ao filho Serguei que a ordem de abate partiu de “militares cubanos sob o comando de Raúl Castro”.

O bloqueio a Cuba dura até 20 de novembro. Para desarmar futuras crises, foi instalada uma linha direta entre a Casa Branca e o Kremlin, o telefone vermelho. Aparentemente, neste momento, está mudo, mas os altos comandos militares estão em contato.

Na segunda-feira, a Academia Real de Ciência da Suécia anuncia o vencedor do Prêmio Nobel de Economia.