Mostrando postagens com marcador neofascismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador neofascismo. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Doutrina Trump explica crise diplomática com o Brasil

Ao impor as maiores tarifas depois da China, enquadrar organizações criminosas como terroristas, tentar enviar diplomatas para questionar o sistema eleitoral brasileiro e cassar o visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, o governo Donald Trump deixa clara a intenção de interferir nas eleições brasileiras para apoiar a extrema direita.

A campanha eleitoral começa aqui oficialmente em 16 de agosto. Novas agressões de Washington, especialmente do secretário de Estado, Marco Rubio, devem marcar a tentativa de eleger um governo aliado e subserviente no maior e mais rico país da América Latina, o único pais importante da região governado pela esquerda.

Trump lidera um movimento neofascista. Seu guru, Steve Bannon, se apresenta como um "leninista de direita". Quer criar uma Internacional Neofascista com partidos de extrema direita da América e da Europa. O Brasil é no momento o principal alvo dessa estratégia. 


ESTE BLOG DEPENDE DA AJUDA DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37

domingo, 2 de agosto de 2026

Marrocos provoca Espanha e reaviva debate sobre imigração

Ao permitir a entrada ilegal em massa de dezenas de milhares de pessoas no território espanhol de Ceuta na semana passada, o governo do Marrocos deixou claro mais uma vez que não aceita o controle da Espanha sobre os dois últimos enclaves europeus na África, resquício do passado colonial e realimentou o debate sobre a imigração ilegal. 

A imensa maioria voltou para o Marrocos, mas pelo menos 72 pessoas morreram.

Ao ser no mínimo conivente com a entrada ilegal em massa realimentou um dos debates favoritos da extrema direita na Europa e nos Estados Unidos. O primeiro-ministro socialista espanhol, Pedro Sánchez, abriu recentemente um caminho para a regularização de imigrantes ilegais que estavam no país há mais de cinco meses no fim do ano passado, um anátema para os neofascistas.

Com várias eleições em futuro próximo, o debate só tende a esquentar. Ao mesmo tempo, fica evidente que o sonho europeu está vivo para milhões de africanos despossuídos, dispostos a arriscar a vida para chegar em países onde têm muito mais oportunidades, países aliás que precisam da mão de obra imigrante por causa da queda da natalidade.

ESTE BLOG DEPENDE DA AJUDA DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Governo Trump inicia interferência nas eleições no Brasil

Ao enquadrar máfias do tráfico de drogas como organizações terroristas a pedido do pré-candidato Flávio Bolsonaro, o governo Donald Trump dá início a uma intervenção direta dos Estados Unidos nas eleições de 2026 no Brasil.

O Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) foram declarados hoje "terroristas globais" e "organizações terroristas estrangeiras", embora o crime organizado vise o lucro. Esses grupos não têm objetivos políticos, a não ser comprar acesso e benesses do Estado via corrupção de autoridades.

Trump, que recebeu e elogiou Lula, pode até não estar envolvido diretamente. Mas o movimento MAGA (Make America Great Again) tem como ideólogo Steve Bannon, que se apresenta como um leninista de direita e pretende criar uma Internacional Neofascista com os partidos de extrema direita da América Latina e da Europa. 

Com a candidatura do senador Flávio Bolsonaro abalada pelo escândalo do Banco Master, em que se declarou irmão do banqueiro corrupto Daniel Vorcaro, a visita à Casa Branca e esta medida tentam melhor a imagem do pré-candidato e mostram sua total subserviência ao presidente dos EUA.

ESTE BLOG DEPENDE DA AJUDA DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37

domingo, 12 de abril de 2026

Extrema direita sofre ampla derrota na Hungria

Depois de 16 anos em que impôs um regime autoritário à Hungria, o primeiro-ministro neofascista Viktor Orbán reconheceu a derrota nas eleições parlamentares deste domingo. O comparecimento às urnas foi recorde: 79% do eleitorado.

O futuro chefe de governo será Péter Magyar (foto), que há dois anos deixou o partido governo. Seu Partido Respeito e Liberdade (Tisza), terá maioria de dois terços para reformar a Constituição, restabelecer a democracia plena no país, dinamizar a economia, melhorar as relações com a União Europeia e entrar para a Zona do Euro.

Durante a campanha, Orbán teve o apoio do presidente Donald Trump e dos ditadores da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping. O vice-presidente dos Estados Unidos, James Vance, foi a Budapeste na semana passada levar pessoalmente o apoio a Orbán. Todos viam no líder húngaro uma quinta coluna capaz de enfraquecer o bloco europeu.

Maior aliado de Putin na UE, Orbán bloqueava uma ajuda de 90 bilhões de euros à Ucrânia. Seus representantes diplomáticos passavam à Rússia o que era discutido nas reuniões de ministros da UE. É um modelo para a extrema direita neofascista nos EUA, na Europa e na América Latina, inclusive no Brasil.

Na política interna, Orbán seguiu a fórmula adotada por outros líderes autoritários como Vladimir Putin, Hugo Chávez na Venezuela, Recep Tayyip Erdogan na Turquia e os irmãos Kaczynski na Polônia: controlar o Poder Judiciário e os meios de comunicação, pedras fundamentais da democracia. 

Na democracia iliberal, os líderes chegam ao poder em eleições democráticas e usam os instrumentos da democracia para impor um regime iliberal, que alguns autores chamam de autoritarismo competitivo. Não chamam de neofascismo porque ainda pode ser derrotado pelo voto.

Viktor Orbán entra na política húngara ao fazer discursos em Budapeste nas revoluções que derrubaram o comunismo na Europa Oriental, em 1989. A Hungria é o primeiro país a abrir a cortina de ferro, em 2 de maio de 1989, permitindo que qualquer pessoas saísse do país. Tinha a economia mais aberta do Bloco Comunista.

Seu partido, a União Cívica Húngara (Fidesz) nasceu do movimento estudantil, da Aliança dos Jovens Democratas e pertenceu à Internacional Liberal. Sob sua liderança, tornou-se mais conservador, nacionalista a antieuropeu. Orbán foi primeiro-ministro de 1998 a 2002. Fez um governo moderado. 

Depois de oito anos como líder da oposição, volta em 2010, faz reformas antidemocráticas para se eternizar no poder. Censurou a imprensa, acabou com a independência do Judiciário e enfraqueceu a democracia multipardária. Aproveitou a Crise dos Refugiados para aprovar leis anti-imigração. Empobreceu e corrompeu a Hungria.

O advogado e deputado do Parlamento Europeu Péter Magyar, de 45 anos, deixou o Fidesz em fevereiro de 2024, em protesto contra o indulto a condenados por crimes sexuais. No mês seguinte, assumiu a liderança do até então praticamente desconhecido Tisza com uma proposta voltada para cidadãos insatisfeitos tanto com o governo quanto com a oposição tradicional. Então, de certa forma, também surfa na onda da antipolítica.

Nas eleições para o Parlamento Europeu, em junho de 2024, o Tisza ficou em segundo lugar, atrás apenas do Fidesz, com cerca de 30% dos votos, a maior votação de um partido de oposição na Hungria desde 2006. Magyar se define como conservador nos costumes e politicamente, e liberal em economia, um europeu com uma visão crítica.

ESTE BLOG DEPENDE DA AJUDA DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37

quinta-feira, 22 de maio de 2025

Trump acusa África do Sul de genocídio que não há

Em mais um ataque a um chefe de Estado estrangeiro na Casa Branca, o presidente Donald Trump acusou ontem a África do Sul por um suposto genocídio totalmente inexistente da minoria branca. O presidente Cyril Ramaphosa reagiu com bom humor e deu uma lição rápida sobre seu país a Trump, que insistiu nas mentiras e notícias falsas como de costume. Chegou a apresentar imagens de corpos ensacados de um massacre na República Democrática do Congo como fazendeiros brancos sul-africanos.

O governo Trump usou a alegação para receber como refugiados nos Estados Unidos em 12 de maio 59 sul-africanos que supostamente estariam sendo discriminados e perseguidos na África do Sul. Na verdade, o que existe é uma nova lei de terras que permite expropriar fazendas sem indenização para distribuir a maioria negra, que é 80% da população e têm apenas 4% das terras privadas, enquanto os brancos, que são 7%, detém 72% das terras.

A questão mostra que Trump é um supremacista branco, que rejeita refugiados de países em situação trágica como o Sudão, mas abre as portas para os brancos. Uma das razões do sucesso de Trump é o medo que os brancos têm de deixar de ser a maioria da população.

terça-feira, 1 de abril de 2025

Condenação de Le Pen é exemplo para Brasil e EUA

A líder da extrema direita na França, Marine Le Pen, foi condenada ontem a quatro anos de prisão, sendo dois em regime fechado, multa de 100 mil euros e cinco anos de inelegibilidade por desviar 4,4 milhões de euros de fundos do Parlamento Europeu para usar na política francesa. Outros 21 membros da seu partido, a Reunião ou Reagrupamento Nacional (RN), também foram punidos.

Em entrevista à televisão francesa TF1, Marine Le Pen protestou, alegando que foi um "julgamento político" típico de regime autoritários para afastá-la da eleição presidencial de 2027. No momento, ela lidera as pesquisas. Ela pode recorrer, mas a pena de inelegibilidade é de cumprimento imediato. 

O Tribunal de Recursos de Paris prometeu tomar uma decisão no verão de 2026, bem antes da eleição. Se perder, como último recurso, Le Pen pode apelar ao Tribunal Constitucional com o argumento de que a decisão viola os direitos do eleitorado francês.

Vários líderes de extrema direita, entre eles o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, o bilionário sul-africano-norte-americano Elon Musk, o homem mais rico do mundo, e o porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov, criticaram a sentença.

Le Pen adotou a mesma postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em vez de apresentar argumentos de defesa, atacou a Justiça. A França dá um exemplo ao Brasil e aos EUA de como tratar esses extremistas num momento de ascensão do neofascismo em escala global.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

Trump volta à Casa Branca com sede de vingança

Com um discurso rancoroso, vingativo e fascistoide, Donald Trump tomou posse hoje como o 47º presidente da história dos Estados Unidos depois de tentar um golpe de Estado sem precedentes na história do país para não entregar o poder em 2021. É o segundo a cumprir dois mandatos não consecutivos, depois de Grover Cleveland (1885-89 e 1893-97). 

Depois de escapar por pouco da cadeia e sobreviver a duas tentativas de assassinato, Trump está de volta para se vingar de supostos inimigos, mudar políticas históricas que os EUA adotam desde a Segunda Guerra Mundial, negar o aquecimento global, acabar com a proteção às minorias e testar os limites da democracia num momento de ascensão do neofascismo em escala global.

Diante de todos os ex-presidentes dos norte-americanos vivos – Bill Clinton, George W. Bush, Barack Obama e Joe Biden –, Trump acusou o governo dos EUA de persegui-lo por razões politicas e prometeu acabar com isso. Mas é exatamente o que pretende fazer, usar o Departamento da Justiça contra adversários políticos enquanto perdoa aliados como os mais de 1,5 mil vândalos e terroristas condenados pelo ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021 para impedir a certificação da vitória de Joe Biden, o que causou sete mortes.

Do lado de fora de uma prisão em Washington, as milícias aliadas Proud Boys e Oath Keepers fazem vigília à espera da libertação de seus condenados pelo assalto ao Congresso. Trump quer que saiam ainda nesta noite. O líder dos Proud Boys estava condenado a 22 anos de prisão. É conivência com a violência de extrema direita.

No primeiro dia de governo, o plano é assinar cerca de 200 decretos para fechar a fronteira com o México para barrar imigrantes ilegais, iniciar seu programa de deportação em massa, acabar com restrições à exploração de gás e petróleo e outras medidas ambientais de Biden, retirar os EUA do Acordo de Paris sobre Mudança do Clima e da Organização Mundial da Saúde, acabar com as políticas federais de inclusão social e perdoar a malta que atacou o Congresso.

Também prometeu mandar astronautas para fincar a bandeira dos EUA em Marte, sob aplausos do bilionário Elon Musk, cliente do programa espacial norte-americano, e ignorou a Constituição ao decretar que filhos de imigrantes ilegais nascidos nos EUA não têm direito a cidadania. Este direito está na 14ª Emenda à Constituição do país, aprovada depois da Guerra da Secessão (1861-65), que acabou com a escravidão.

Para mudar a Constituição dos EUA, são necessários dois terços dos votos na Câmara e no Senado e a ratificação por pelo menos 75% dos estados. Por isso, é tão difícil de mudar. Os procuradores de 22 estados recorreram da medida. Mesmo se perder, Trump ganha pontos junto a seu eleitorado extremista. 

Sob o pretexto de proteger os trabalhadores norte-americanos e reindustrializar o país, Trump aposta em energia barata de combustíveis fósseis e tarifas de importação. Abandona assim a política de livre comércio que os EUA adotam desde o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45). 

Trump reiterou a ameaça de impor tarifas de importação de 100% se os países do grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos, Irã e Indonésia) pararem de usar o dólar nas transações entre si.

Com o lema "os EUA, primeiro", Trump também abandona uma política externa de 80 anos iniciada pelo presidente Franklin Roosevelt (1933-45) de agir no plano internacional em conjunto com aliados. 

Ao sugerir que o Canadá deve ser o 51º estado dos EUA, em tomar a Groenlândia e o Canal do Panamá, além de revelar mais um traço de seu caráter fascista, Trump manifesta desprezo pelos aliados. Ao enquadrar os cartéis do tráfico de drogas como organizações terroristas, deixa no ar a ameaça de intervenção militar no México.

Aliás, o bilionário Elon Musk, o homem mais rico do mundo, ministro nomeado por Trump para tornar o Estado mais eficiente, fez uma saudação nazista num dos palcos da posse.

Serão quatro anos de incerteza e imprevisibilidade na Casa Branca e no mundo. O primeiro teste será a promessa de acabar com a guerra da Rússia contra a Ucrânia. Trump vai capitular diante do ditador russo, Vladimir Putin? A Europa aguarda com ansiedade.

segunda-feira, 11 de março de 2024

Direita vence eleições marcadas por avanço da ultradireita em Portugal

A Aliança Democrática (AD), de centro-direita, venceu as eleições parlamentares antecipadas realizadas no domingo em Portugal com uma pequena vantagem sobre o Partido Socialista (PS), que governava o país há nove anos, mas a grande novidade foi o crescimento do partido Chega, de extrema direita, anti-imigrantes. Como o líder da AD se nega a fazer aliança com a ultradireita, uma Assembleia da República mais fragmentada aponta para um aumento da instabilidade política. 

Com 99% das urnas apuradas, a Aliança Democrática teve 29,49% dos votos e elegeu 79 deputados, dois a mais do que o Partido Socialista, que teve 28,66% dos votos. O Chega conquistou pouco mais de 18% dos votos. Quadruplicou a bancada de 12 para 48 deputados. A extrema direita passou a ser a terceira maior força política do país.

Nos próximos dias, o presidente Marcelo Rebelo de Sousa deve convidar o líder da Aliança Democrática, Luís Montenegro, para formar o próximo governo. Sem a extrema direita, será impossível formar um governo com maioria na Assembleia da República, de 230 deputados, a não ser que direita e esquerda se unem numa grande coalizão para barrar o neofascismo.

Se não houver acordo, os portugueses terão de voltar às urnas em breve.

A ascensão do neofascismo é um fenômeno global alimentado pela crise da democracia em garantir o bem-estar das classes médias na era da globalização. Portugal é apenas um entre tantos exemplos.

segunda-feira, 24 de julho de 2023

Extrema direita é grande perdedora nas eleições na Espanha

Com um desempenho abaixo do esperado, a extrema direita ficou sem condições de formar um governo de maioria com o conservador Partido Popular (PP) depois das eleições gerais de ontem na Espanha. 

Líder do partido mais votado, Alberto Núñez Feijóo, do PP, tem prioridade para formar o novo governo. Se não conseguir, o atual primeiro-ministro socialista, Pedro Sánchez, poderá continuar governando com apoio de partidos autonomistas que jamais farão acordo com a ultradireita.

Caso nenhum dos dois consiga os apoios necessários para governar, a Espanha poderá ser forçada a realizar novas eleições. Desde que a Crise do Euro (2008-14) desarticulou o sistema político espanhol, o país fez cinco eleições gerais.

Para o ex-primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, as eleições na Espanha são muito importantes na luta contra o ascensão do neofascismo na Europa. Meu comentário:

domingo, 25 de setembro de 2022

Ultradireita vence e vai governar Itália pela primeira vez no pós-guerra

 A aliança entre direita e extrema direita venceu as eleições parlamentares deste domingo e deve formar o primeiro governo de ultradireita na Itália desde o ditador Benito Mussolini (1922-43), que tomou o poder há 100 anos e levou o país ao desastre na Segunda Guerra Mundial (1939-45). 

A nova chefe de governo deve ser Giorgia Meloni, do partido Irmãos da Itália (FdI, em italiano). Será a primeira mulher a governar o país.

No fim da apuração, o pós-fascista FdI, a neofascista Liga, liderada por Matteo Salvini, e a conservadora Força Itália, do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, somaram 44% dos votos.

A abstenção foi recorde: 36%. Os FdI receberam 26% dos votos; em 2018, tiveram 4,4%. Tomou votos de seus aliados, que apoiavam o governo atual, que fica interinamente no poder até a posse do novo governo.

Em segundo lugar, com 19%, ficou o Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, liderado pelo ex-primeiro-ministro Enrico Letta, que não conseguiu formar uma ampla coligação. Era o maior partido de sustentação do governo do primeiro-ministro Mario Draghi, um ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE), que salvou a moeda comum europeia na Crise do Euro e governa a Itália desde 13 de fevereiro de 2021.

Leia mais em Quarentena News e veja mais no meu canal no YouTube, Meu comentário:

quarta-feira, 14 de setembro de 2022

Extrema direita chega ao poder na Suécia

 Três dias depois das eleições gerais na Suécia, o resultado foi definido hoje. Com 99,95% das urnas apuradas, a aliança entre a direita e a extrema direita, liderada pelo conservador moderado Ulf Kristersson, terá maioria com 176 deputados contra 173 da esquerda no Parlamento, de 349 cadeiras. Pela primeira vez, a ultradireita chega ao poder.

A primeira-ministra esquerdista Magdalena Andersson (foto) pede demissão amanhã ao rei Carlos Gustavo, mas deve continuar na liderança do Partido Social-Democrata, que ainda é o maior do país, com 107 deputados, sete a mais do que antes. Sua aliança perdeu por causa de partidos menores da coalizão de governo.

O Centro perdeu 7 cadeiras, caindo para 24, o mesmo número de deputados da Esquerda, que perdeu 4. Os Liberais também perderam quatro deputados e agora têm 16. Os Verdes ganharam mais duas cadeiras, chegando a 18. Não foi suficiente.

O grande vitorioso foi o partido Democratas da Suécia, de extrema direita, anti-imigrantes, que se tornou o segundo maior do país, com 20,5% dos votos e 73 deputados, 11 a mais, e terá força para influir no programa do futuro governo.

“Agora, começa o trabalho para tornar a Suécia grande de novo”, declarou seu líder, Jimmie Akesson, reproduzindo o discurso do ex-presidente norte-americano Donald Trump. Ele promete ser uma “força construtiva, com iniciativa”.

Herdeiro de um grupo neonazista na sua origem, em 1988, os Democratas da Suécia foram pouco a pouco sendo aceitos, a exemplo de outros partidos e líderes de extrema nesta ascensão do neofascismo no século 21.

A esquerda governou a Suécia em 80 dos últimos 100 anos. Com 10,5 milhões de habitantes e renda média de US$ 60 mil por ano, o país tem o 7º maior índice de desenvolvimento humano.

Em 2010, a ultradireita entrou no Parlamento com 5,7% dos votos. Anti-imigrantes, explora a criminalidade cometida por gangues de estrangeiros. Neste ano, houve 44 homicídios até agora. No ano passado, foram 45.

“Nunca antes a segurança pública havia sido um tema central de uma eleição na Suécia”, observou o cientista político Henrik Oscarsson.

A extrema direita defende o Estado previdenciário, o bem-estar social do modelo social-democrata escandinavo, mas acusa os estrangeiros de sobrecarregar o sistema e quer limitar o acesso a benefícios aos suecos étnicos.

Historicamente, a Suécia tinha uma política de imigração liberal. Costumava acolher refugiados, inclusive das ditaduras da América Latina. Desde 2015, o país recebeu 150 mil candidatos a asilo político, principalmente da Síria, do Iraque e do Afeganistão. O eixo da campanha eleitoral mudou da questão social para imigração e identidade nacional.

Apesar do sucesso, Akesson não tem o apoio dos três partidos da direita republicana (Moderado, Democratas-Cristãos e Liberais) para se tornar chefe do governo, cargo prometido ao moderado Kristersson (foto), e talvez nem para formar parte do governo formalmente. Os Democratas da Suécia podem dar “apoio crítico” ao novo governo no Parlamento sem ter ministérios, desde que possam emplacar suas políticas.

A campanha durante o processo de adesão da Suécia à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos EUA, em reação à guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, mas isso não foi objeto de grandes discussões. Os sociais-democratas, que historicamente eram contra, mudaram de posição com a guerra.

O sucesso da aliança da direita com a extrema direita empolgou estas correntes políticas na Itália, onde uma coligação entre partidos da mesma coloração política é favorita nas eleições de  25 de setembro.

“Mesmo na bela e democrática Suécia, as esquerdas foram derrotadas e mandadas para casa. O domingo 25 é nossa hora. Vamos ganhar”, festejou Matteo Salvini, líder da neofascista Liga, que não festeja a queda do ditador Benito Mussolini no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45). 

Quem lidera as pesquisas na Itália é o partido pós-fascista Irmãos da Itália, chefiado por Giorgia Meloni, provável futura primeira-ministra. A Força Itália, do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, também faz parte da aliança.

Se na Suécia a questão central que levou a extrema direita ao poder foi a imigração, causada especialmente pela guerra civil na Síria e outros conflitos do Grande Oriente Medio, na Itália, o peso maior é da guerra na Ucrânia. A Itália comprava 40% do gás que consome da Rússia. Sofre com a inflação de energia e alimentos, e corre risco de passar frio no inverno.

Um governo de extrema direita na Itália tende a ser mais favorável à Rússia. Pode se aliar ao primeiro-ministro neofascista da Hungria, Viktor Orbán, para dividir a frente contra a guerra de agressão de Vladimir Putin.

segunda-feira, 11 de abril de 2022

Macron vence primeiro turno e recria frente republicana

A esquerda, a direita e o centro prometerem recriar a frente republicana que reelegeu o presidente conservador Jacques Chirac em 2002, depois da surpreendente chegada do neofascista Jean-Marie Le Pen ao segundo turno da eleição presidencial na França, superando o então primeiro-ministro socialista Lionel Jospin. A mesma aliança, que também se forma em eleições municipais e regionais, elegeu Emmanuel Macron em 2017, derrotando Marine Le Pen, herdeira política do pai, com folga, por 66% a 34%. 

Vinte anos depois, a extrema direita está mais perto do que nunca de conquistar o Palácio do Eliseu. As pesquisas sobre o segundo turno, a ser realizado em 24 de abril, dão uma vantagem de 51% a 54% para Macron sobre Le Pen, algumas com empate técnico dentro da margem de erro. O atual presidente deixou claro: "Que ninguém se engane. O jogo não terminou.” 

Os exemplos da história recente estão aí. Não se esperava que os britânicos votassem a favor da saída da União Europeia (UE) em 23 de junho de 2016, nem que Donald Trump seria eleito presidente dos Estados Unidos em 8 de novembro do mesmo ano. 

Macron, do partido A República em Marcha (LRM), venceu o primeiro turno com 27,6%, mais do que indicavam as últimas pesquisas, seguido de Le Pen, da Reunião Nacional (RN), com 23,41%. Ambos tiveram mais votos do que no primeiro turno em 2017, quando tiveram, respectivamente, 24% e 21%. 

Le Pen moderou o discurso, desistiu de abandonar o euro, mudou o nome do partido, percorreu o país em campanha, enquanto Macron se concentrava na Guerra da Ucrânia, e calibrou um discurso em torno das questões que mais afligem o cidadão comum: custo de vida, inflação, desemprego, saúde, habitação e aposentadoria, além do discurso ultranacionalista anti-imigrantes da extrema direita. Trocou o antissemitismo do pai pela islamofobia. 

Um ponto fraco é a relação com o ditador russo, Vladimir Putin, que conseguiu um empréstimo de 9 milhões de euros de um banco russo ao partido para as eleições municipais de 2014.

Em terceiro, com 21,95% dos votos, ficou o esquerdista radical Jean-Luc Mélenchon, da França Insubmissa (LFI). Ele moderou o discurso e, com a guerra, passou a atacar o ditador russo Vladimir Putin para captar o voto útil da esquerda – e conseguiu. Faltou pouco para tirar a extrema direita do segundo turno. Para os militantes, foi um terceiro lugar com gosto de vitória.

Juntos, os três primeiros tiveram 73% dos votos válidos, tornando irrelevantes os partidos que dominaram a política francesa na 5ª República. Leia mais em Quarentena News.

terça-feira, 2 de novembro de 2021

Segurança de Bolsonaro trata jornalistas como na ditadura militar

 Cenas de fascismo explícito envergonham o Brasil no exterior

O neofascismo explícito marcou a visita do presidente Jair Bolsonaro à Itália, onde ficou totalmente isolado na conferência de cúpula do Grupo dos Vinte (G-20), que reúne os 19 países mais ricos do mundo e a União Europeia, e se encontrou com líderes da extrema direita italiana. Com agressões a jornalistas que apenas tentavam fazer seu trabalho, lembrou a ditadura militar.

Leia mais em Quarentena News.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Não dá para apaziguar o fascismo, adverte Paul Krugman

O Twitter baniu hoje o presidente Donald Trump. Fechou a conta porque Trump instigou seus seguidores mais fanáticos a atacar o Congresso. Mais detalhes sobre o que fazia o presidente e como foi convencido a deplorar a violência em texto escrito por assessores, não por ele. 

Esta foi uma semana que vai fazer escritores e roteiristas de cinema e TV trabalhar dobrado. Se alguém apresentasse um script desses em Hollywood, seria recusado. Mas eu queria começar com a advertência de Paul Krugman, ganhador do Prêmio Nobel de Economia de 2008: não dá para apaziguar o fascismo.

Em artigo no jornal The New Times, Krugman pondera que a palavra fascista não deve ser usada em vão como se vê tanto nos debates rasteiros nas redes sociais. Não é sinônimo para quem discorde de você nem para políticos ruins ou corruptos. Estudo a ascensão da extrema direita nas últimas décadas. Uma dúvida importante é quando se pode caracterizar um líder e seu governo como fascistas.

Quanto ao presidente dos Estados Unidos, não há dúvida. Krugman escreveu: "Donald Trump é de fato um fascista, um líder autoritário disposto a usar a violência para atingir seus objetivos racistas e nacionalistas. Muitos de seus apoiadores também são. Se você tinha alguma dúvida, o ataque ao Congresso deve ter acabado com ela."

Se a história ensina como uma lição sobre como lidar com o fascismo, prossegue o raciocínio do professor Krugman, é que o apaziguamento é inútil. O primeiro-ministro britânico Neville Chamberlain aceitou quando o ditador alemão Adolf Hitler tomou a região dos Sudetos da Tcheco-Eslováquia. Fechou o Acordo de Munique em 29 de novembro de 1938 e o apresentou aos britânicos como uma garantia da "paz em nosso tempo". Menos de um ano depois, em 1º de setembro de 1939, a Alemanha nazista invadiu a Polônia dando início à Segunda Guerra Mundial. Meu comentário:

Neofascismo americano é alerta para o Brasil

 Presidente Jair Bolsonaro e seguidores apoiam o golpismo de Donald Trump

As cenas de quarta-feira em Washington foram um assalto ao Congresso dos Estados Unidos e à democracia - e um alerta para o Brasil. 

O presidente brasileiro deixou claro mais uma vez que acredita nas falsas alegações de fraude feitas pelo presidente americano, rejeitadas na Justiça, e até mesmo na sua própria eleição, em 2018, que afirma ter ganho no primeiro turno.

Leia mais em Quarentena News. 

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Golpismo de Trump é expressão do neofascismo americano

Congresso só fora atacado pelos britânicos na Guerra de 1812 

O fascismo do presidente Donald Trump superou as piores expectativas. A farsa da fraude eleitoral virou tragédia. Nesta quarta-feira, incitados pelo presidente, seus seguidores fanáticos, armados, assaltaram o Congresso dos Estados Unidos para impedir a certificação da vitória de Joe Biden e Kamala Harris na eleição presidencial de 3 de novembro. Durante três horas, conseguiram interromper o processo. Uma mulher baleada por um policial dentro do Capitólio morreu. Outras três pessoas morreram por problemas de saúde.

Foi o segundo assalto ao Congresso em 230 anos de história. O primeiro foi em 24 de agosto de 1814, durante a Guerra de 1812, quando soldados do Império Britânico invadiram Washington e tocaram fogo em vários prédios públicos, inclusive a Casa Branca e o Capitólio. Foi a única vez na história em que a capital dos Estados Unidos foi tomada e ocupada por uma potência estrangeira.

Desta vez, foi o inimigo interno. Meu comentário:

sábado, 22 de agosto de 2020

Ex-marqueteiro de Trump foi preso por desviar dinheiro do muro

Líder de movimento internacional de extrema direita, tem relações com os Bolsonaro

De marqueteiro, chefe da campanha de Donald Trump em 2016, estrategista da Casa Branca, guru do neopopulismo de extrema direita e líder de uma internacional do neofascismo a acusado de roubar US$ 1 milhão, cerca de R$ 5,61 milhões, de uma vaquinha de eleitores de Trump para construir um muro na fronteira com o México. Este é Steve Bannon, amigo do deputado Eduardo Bolsonaro, a quem nomeou representante do movimento no Brasil.

Leia mais em Quarentena News.

terça-feira, 9 de junho de 2020

Que mundo sairá da pandemia: mais extremista ou mais solidário?

Como será o mundo pós-pandemia? Será marcado pela volta do ultranacionalismo, do autoritarismo e do extremismo, pela ascensão do neofascismo, que já mostrou sua cara depois da Grande Depressão de 2008, com forte rejeição à globalização da economia? 

Ou a sociedade internacional será mais solidária, mais confiando na ciência que foi decisiva para combater a peste, mais disposta a enfrentar as desigualdades que afloraram com a doença do coronavírus de 2019 e outros problemas como o aquecimento global? 

A aceleração da revolução tecnológica, com mais comércio eletrônico e mais trabalho em casa vai aumentar o poder do individuo ou fortalecer estados totalitários que hoje coletam até informações sobre a saúde dos cidadãos? A verdade é que não sabemos, como tanta coisa que envolve este vírus novo e desconhecido.

No último balanço mundial, o vírus infectou 3 milhões 324 mil pessoas e matou pelo menos 413 mil 733; 3 milhões 604 mil e 500 pessoas foram curadas. Dez por cento dos casos encerrados terminaram em morte. 

Os Estados Unidos têm o maior número de casos, mais de 2 milhões 45 mil e 500 e o maior número de mortos, mais de 114 mil. 

O Brasil registrou mais Mil 185 mortes em 24 horas. O total de óbitos está em 38 mil 497. Com mais de 31 mil 197 casos novos num dia, os casos confirmados no Brasil agora são 742 mil e 84. Mais de 325 mil pessoas foram curadas. Meu comentário:

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Aniversário da libertação de Auschwitz é alerta contra discursos nazifascistas

O mundo festeja os 75 anos da libertação do campo de concentração nazista de Auschwitz, na Polônia, no momento em que enfrenta a maior ascensão da extrema direita desde os anos 1930.

Às nove da manhã de 27 de janeiro de 1945, um soldado da 100ª Divisão de Infantaria do Exército Vermelho da União Soviética invadiu o primeiro campo. Ao todo, 7 mil e 500 prisioneiros foram libertados. Foram encontrados mais de 600 corpos, 837 mil roupas femininas, 370 mil ternos masculinos, sete toneladas de cabelo, que seriam de 140 mil pessoas.

Setenta e cinco anos depois, só restam sobreviventes que eram crianças. Para os mais jovens, a guerra é uma experiente distante que está no cinema, na TV e nos livros de história. Parece que pouco a pouco a maior tragédia da história da humanidade é esquecida, a ponto do ex-secretário nacional de Cultura Roberto Alvim, ter gravado um vídeo usando ideias e expressões copiadas do ministro da Propaganda de Hitler, Joseph Goebbels. Meu comentário:

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Partidos fazem acordo na Itália para afastar neofascista Salvini do poder

Os líderes do Movimento 5 Estrelas, anarquista, e do Partido Democrático, de centro-esquerda, anunciaram um acordo para formar um novo governo e evitar assim a convocação de eleições antecipadas como queria o líder da Liga, de extrema direita, Matteo Salvini, ao romper a coalizão com o M5E depois de um ano e dois meses. O primeiro-ministro Giuseppe Conte deve ser mantido no cargo.

No próximo passo, o presidente Sergio Mattarella deve convidar Conte formalmente para formar um novo governo. A dúvida é se será mais estável do que a tumultuada aliança entre o M5E e a Liga. Como fez campanha atacando os partidos tradicionais, o M5E era até há pouco inimigo do PD.

O objetivo imediato da nova coligação é evitar a realização de eleições em que a Liga seria favorita.

Salvini, que ataca a União Europeia, atribuindo-lhe todos os problemas do país, ao lado da crise dos refugiados, precipitou a queda do governo na esperança de vencer eleições antecipadas e formar o governo sozinho ou com pequenos partidos de ultradireita ainda mais sectários.

Numa última cartada, Salvini ofereceu ao vice-primeiro-ministro Luigi di Maio, do M5E, a chefia do futuro governo, para tentar ressuscitar a aliança que governou nos últimos 14 meses.

A Liga venceu as eleições para o Parlamento Europeu na Itália, com 34% dos votos, e teria até 40% das preferências em pesquisas recentes. Neste caso, seria o governo italiano mais à direita desde a queda de Benito Mussolini e do fascismo no fim da Segunda Guerra Mundial.