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terça-feira, 19 de novembro de 2024

Brasil lança Aliança Global contra Fome e Pobreza

 Numa vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o documento final da 19ª Reunião de Cúpula do Grupo dos Vinte (G-20) anuncia a criação da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza com a adesão de 82 países, a União Europeia, a União Africana, organizações internacionais e instituições financeiras. Mas deve ser o único resultado concreto da presidência brasileira do G-20 num encontro realizado sob a sombra da volta de Donald Trump à Casa Branca.


Na parte relativa às guerras, o texto reconhece o direito à soberania do povo palestino, com a criação de uma Palestina independente ao lado de Israel, mas não da Ucrânia, alvo de uma guerra imperial de agressão da Rússia. Não cita a guerra civil no Sudão, talvez o pior conflito armado no mundo hoje.

Há uma referência à abolição das armas nucleares, mas ninguém acredita nisso. No momento, as grandes potências estão desenvolvendo mísseis hiperosônicos que viajam a mais de 6 mil quilômetros por hora, o que torna os sistemas de defesa inúteis.

O documento final fala na cobertura universal de saúde e erradicação das epidemias. Reconhece que o acesso a água limpa e saneamento são precondições para a saúde. E destaca o papel da educação e da cultura na promoção da cooperação internacional.

Os países do G-20 se comprometem a "aproveitar o potencial das tecnologias digitais e emergentes", inclusive da inteligência artificial, "para reduzir as desigualdades". Pedem transparência e responsabilidade das plataformas digitais, sem falar em regulamentação. Defendem a criação de empregos de qualidade e o trabalho digno, a igualdade de gêneros e o empoderamento feminina.

Outra proposta é a reforma das Nações Unidas, especialmente do Conselho de Segurança e das instituições financeiras internacionais para refletir a realidade do mundo de hoje. É difícil porque as novas ordens mundiais surgem depois de grandes guerras e ninguém quer uma nova guerra mundial, que levaria a humanidade de volta à Idade da Pedra.

sábado, 16 de novembro de 2024

G-20 discute cooperação internacional contra desinformaçãp

Entre os temas da 19ª Reunião de Cúpula do Grupo dos Vinte (G-20), neste ano presidido pelo Brasil, está o combate à desinformação. Neste sábado, participei de uma mesa-redonda para discutir a regulamentação das redes sociais.

Minha apresentação tratou de cinco questões: a natureza transnacional das ameaças da desinformação como a interferência em eleições de outros países; as limitações de iniciativa; o papel das redes sociais na difusão de desinformação, a Era da Pós-Verdade; como construir ecossistemas de informação resilientes, inclusive com alfabetização digital nas escolas para educar as crianças e os jovens; e o desafio de criar um regime de cooperação internacional.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

Brasil condena ocupação "ilegal e inaceitável" de territórios palestinos

 Ao depor no processo em que a Corte Internacional de Justiça das Nações Unidas examina em Haia, na Holanda, a legalidade da ocupação de territórios árabes por Israel, o Brasil pediu ao tribunal que considere a "ocupação ilegal e inaceitável".

Com uma ampla maioria de 99 dos 120 deputados, o parlamento de Israel aprovou moção rejeitando o reconhecimento unilateral da independência de um Estado palestino, o que os Estados Unidos, a França e o Reino Unido cogitam fazer para pressionar Israel a fazer um acordo de paz definitivo.

Pela terceira vez, os EUA vetaram um projeto de resolução do Conselho de Segurança das ONU que pedia um cessar-fogo na Faixa de Gaza. A embaixadora norte-americana alegou que os EUA trabalham numa resolução que imponha uma trégua e a libertação de todos os reféns. Uma resolução sem prever as duas coisas atrapalharia as negociações realizadas no Cairo, a capital do Egito.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu hoje em Brasília o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, que veio ao Brasil para uma reunião de ministro das Relações Exteriores do Grupo dos Vinte (G-20), que reúne as 19 maiores economias do mundo, a União Europeia e agora também a União Africana.

Blinken é judeu e o padrasto morreu no Holocausto, mas não comentou a crise diplomática entre o Brasil e Israel causada pela declaração de Lula comparando a guerra de Israel na Faixa de Gaza à morte de judeus pela Alemanha de Adolf Hitler.

segunda-feira, 11 de setembro de 2023

G-20 dá ênfase à economia em vez das questões de segurança

 Apesar do boicote dos ditadores da China e da Rússia, a reunião de cúpula do Grupo dos Vinte (G-20) realizada no fim de semana em Nova Déli confirma o status da Índia como uma grande potência mundial comprometida com um mundo multipolar e o multilateralismo, que rejeita a ideia de mundo bipolar dominado pelos Estados Unidos e a China.

A Declaração de Nova Déli, Uma Terra, Uma Família, um Futuro, reflete as preocupações econômicas do Sul Global com o desenvolvimento, o combate à fome e à desigualdade social, o financiamento à transição para uma economia verde e a reforma das instituições internacionais para criar um mundo multipolar, em vez das questões geopolíticas e de segurança. Promete triplicar a geração de energia limpa até 2030.

Como os ditadores da China e da Rússia não foram, o Ocidente teve de ceder na linguagem sobre a guerra para garantir o sucesso da reunião, uma vitória da Índia. Com a ausência de seus maiores rivais, o presidente Joe Biden aproveitou para consolidar a parceria estratégica com a Índia, mas os países em desenvolvimento nunca tiveram uma voz tão forte no G-20.

O Brasil assume a presidência do G-20 em novembro e vai sediar a próxima reunião de cúpula de 12 a 14 de julho de 2024 no Rio de Janeiro. Deve manter a orientação adotada em Nova Déli. Em mais uma gafe internacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que o ditador Vladimir Putin pode vir ao Brasil sem correr o risco de ser preso por ordem do Tribunal Penal Internacional (TPI). Depois, recuou. Meu comentário:

quarta-feira, 5 de julho de 2023

Guerra, juros e inflação devem manter crescimento mundial baixo

 Apesar do maciço apoio dos Estados Unidos e aliados a Kiev e da rebelião dos mercenários do grupo Wagner, não se esperam grandes avanços na contraofensiva da Ucrânia contra a invasão russa no terceiro trimestre de 2023. A inflação, os juros e a guerra devem manter a economia mundial em ritmo lento.

As grandes economias e os países emergentes em boa situação macroeconômica, inclusive o Brasil, devem enfrentar bem a situação, mas há riscos em países em desenvolvimento como a Argentina, o Egito e o Paquistão.

Os riscos e as questões éticas relativas à inteligência artificial devem ampliar os esforços de regulamentação do setor, diminuindo o ritmo de inovação.

Com as altas temperaturas do verão no Hemisfério Norte – e 3 julho foi considerado o ano mais quente da história –, a seca vai se agravar no Sul da Europa e no Norte da África. Pode gerar crises econômicas e políticas na orla do Mar Mediterrâneo.

A China vai continuar retaliando as empresas ocidentais, em resposta às restrições ao acesso à tecnologia de microprocessadores, que o regime comunista chinês vê como uma ameaça ao desenvolvimento do país.

Diante do apoio chinês à guerra da Rússia, o Japão e a Coreia do Sul aumentam a cooperação militar entre si e com os Estados Unidos, o que pode provocar reações da Coreia do Norte.

Na reunião de cúpula do grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) a ser realizada em Joanesburgo, na África do Sul de 22 a 24 de agosto, a China e a Rússia devem fazer pressão para a entrada de novos membros. O Brasil e a Índia temem uma diluição da influência num grupo muito grande.

A Espanha realiza eleições em 23 de julho e a Argentina faz primárias em 13 de agosto. Nos dois países, há uma expectativa de vitória da direita e de ascensão da extrema direita. Meu comentário:

sábado, 4 de março de 2023

EUA e Alemanha prometem apoiar Ucrânia até fim da guerra

 O presidente Joe Biden recebeu ontem na Casa Branca o primeiro-ministro Olaf Scholz. Ambos reafirmaram o compromisso dos Estados Unidos e da Alemanha com a defesa da Ucrânia enquanto durar a guerra com a Rússia.

Em Nova Déli, durante reunião ministerial do Grupo dos 20, o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, teve o primeiro encontro com o ministro do Exterior russo, Serguei Lavrov, desde o início da guerra há pouco mais de um ano.

À margem da reunião do G-20, o grupo Quad (EUA, Índia, Japão e Austrália) manifestou "extrema preocupação" com a militarização do Mar do Sul da China pelo regime comunista chinês.

Israel vive uma crise dupla: uma revolta popular contra uma reforma judiciária que favorece a impunidade dos políticos e uma onda de violência entre colonos israelenses e palestinos na Cisjordânia ocupada.

A Índia cresceu 6,8% no ano passado e ultrapassou a antiga potência imperial, o Reino Unido, para se tornar a quinta maior economia do mundo. Meu comentário:

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

Índia reafirma que o tempo da guerra passou

Ao receber as delegações dos países do Grupo dos Vinte (G-20) em Bengaluru, o ministro da Informação da Índia, Anurag Thakur, declarou em entrevista que "hoje não é mais tempo para a guerra. A democracia, o diálogo e a democracia são o caminho à frente."

A reunião de ministros da Fazenda e presidentes de bancos centrais do G-20, que inclui os 19 países mais ricos do mundo e a União Europeia, coincide com o primeiro aniversário da invasão da Ucrânia pela Rússia. A Índia é neutra, não aderiu às sanções internacionais, compra petróleo russo com desconto, mas o primeiro-ministro Narendra Modi já deu o mesmo recado ao ditador Vladimir Putin.

O Congresso do México aprovou hoje uma reforma que enfraquece o Instituto Nacional Eleitoral ao reduzir o orçamento, o quadro de funcionários e o poder de punir políticos. A iniciativa é do presidente Andrés Manoel López Obrador, um populista de esquerda. Com seu Movimento de Reneração Nacional (Morena) liderando as pesquisas para a eleição de 2024, por que suscitar dúvidas sobre a lisura do pleito?

Na Argentina, a presidente das Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto, criticou a convocação pelo movimento peronista La Cámpora de uma manifestação em 24 de março em defesa da vice-presidente Cristina Kirchner, denunciada por corrupção. 24 de março é a data do golpe militar de 1976. É o dia da marcha anual Memória, Verdade e Justiça.

A semana com quatro dias de trabalho é uma ideia em teste em vários países europeus. Já foi adotada na Bélgica e na Islândia. A proposta é simples: para ganhar o mesmo salário trabalhando menos, é preciso fazer o mesmo trabalho em menos tempo, aumentando a produtividade. Meu comentário:

terça-feira, 2 de novembro de 2021

Segurança de Bolsonaro trata jornalistas como na ditadura militar

 Cenas de fascismo explícito envergonham o Brasil no exterior

O neofascismo explícito marcou a visita do presidente Jair Bolsonaro à Itália, onde ficou totalmente isolado na conferência de cúpula do Grupo dos Vinte (G-20), que reúne os 19 países mais ricos do mundo e a União Europeia, e se encontrou com líderes da extrema direita italiana. Com agressões a jornalistas que apenas tentavam fazer seu trabalho, lembrou a ditadura militar.

Leia mais em Quarentena News.

quinta-feira, 28 de outubro de 2021

Brasil chega a 607 mil mortes com média móvel de 337 mortes por dia

Com mais 399 mortes e 15.054 diagnósticos positivos da doença do coronavírus de 2019, o Brasil chegou nesta quinta-feira a 21.780.474 casos confirmados e 607.125 vidas perdidas na pandemia. A média diária de mortes dos últimos sete dias aumentou 6% em duas semanas para 337. Está abaixo de 400 há 17 dias. A média diária de casos novos subiu 10% em duas semanas para 11.986.

O total de casos confirmados no mundo está em 245.553.291, com 4.982.085 mortes. Mais de 223 milhões de pacientes se recuperaram, cerca de 17,44 milhões enfrentam casos leves ou médios e 75.099 estão em estado grave. A taxa de letalidade está há meses em 2%.

Nos EUA, mais 76.035 casos e 1.721 mortes foram registradas na quinta-feira. A média diária de casos novos nos últimos sete dias recuou 16% para 72.569, enquanto a média diária de mortes dos últimos sete dias baixou 13% para 1.381. O país soma o maior número de casos confirmados (45.826.141) e de mortes (743.359).

Mais de 6,94 bilhões de doses de vacinas foram aplicadas no mundo; 49% da população mundial tomaram ao menos uma dose, mas só 3,1% nos países pobres. Cerca de 40% estão plenamente vacinados.

A China lidera a vacinação com mais de 2,25 bilhões de doses aplicadas, seguida pela Índia (1,04 trilhão) e a União Europeia (586,4 milhões). Os EUA deram a primeira dose a 221,3 milhões de pessoas, 191,2 milhões (57,58% da população norte-americana) completaram a vacinação e 16,6 milhões receberam a dose de reforço.

No Brasil, 154,26 milhões receberam uma dose, 114,25 milhões (53,56% da população brasileira) completaram a vacinação e 7.825.324 tomaram a dose de reforço, num total de mais de 276,3 milhões de doses aplicadas. Meu comentário:

quarta-feira, 25 de março de 2020

Espanha passa a China e é segundo país em mortes pelo coronavírus

Com mais 738 óbitos, a Espanha ultrapassa a China. Já é o segundo país em número de mortes pela pandemia do novo coronavírus. Os Estados Unidos têm mais de 66 mil casos e pelo menos 944 mortes. A Casa Branca e o Congresso americano chegam a um acordo para aprovar um plano de US$ 2 trilhões, mais de R$ 10 trilhões de reais, para atacar a epidemia e sustentar a economia.

O presidente Jair Bolsonaro insiste em atacar as medidas de isolamento social. A embaixada dos EUA pede a todos os americanos que deixem o Brasil, que tem 2.554 casos e 59 mortes. No mundo inteiro, são 467.594 casos e 21.181 mortes. Mais de 113 mil pessoas foram curadas.

A Europa já tem conta mais de 13 mil mortes. Com quase 50 mil casas e 3 mil 647 mortes, a Espanha superou a China. É o segundo país com o maior número de mortes. A letalidade está em 7,4 por cento. O total de óbitos foi o maior num dia: 738 mortes. 

Na Itália, o país com maior número de mortes, mais 683 pessoas morreram em 24 horas, a Itália tem mais de 74 mil casos e 7 mil 503 mortes. A mortalidade chegou a 10 por cento.

Os Estados Unidos estão em terceiro lugar no número de casos, com mais de 66 mil casos, 11 mil a mais num dia, e pelo menos 944 mortes, com mortalidade de 1,4 por cento. 

A China, onde foi registrado o primeiro caso, em 17 de novembro, tem mais de 81 mil casos e 3 mil 287 mortes. Hoje, teve 67 casos novos, oficialmente todos importados, e 6 mortes. Meu comentário:

quinta-feira, 27 de junho de 2019

G-20 inicia com ameaça de guerra comercial virar guerra cambial

A reunião de cúpula do Grupo dos Vinte (G-20) será realizada nesta sexta-feira e no sábado em Osaka, no Japão, sob o risco de que as guerras comerciais deflagradas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, degenerem em guerras cambiais com grandes prejuízos para a economia global e forte impacto político.

A esperança é que um encontro paralelo de Trump com o ditador da China, Xi Jinping, encaminhe uma solução para o conflito comercial entre os dois países mais ricos do mundo. Mas há várias nuvens negras pairando sobre a economia mundial.

O principal comentarista econômico do jornal inglês Financial Times aponta sete grandes riscos para a economia global: o excesso de endividamento, a chamada estagnação secular, o populismo, a fraqueza da economia europeia, a fricção entre as grandes potências, o protecionismo e a incerteza. Meu comentário:

terça-feira, 18 de junho de 2019

Encontro Xi-Trump dá esperança de trégua na guerra comercial EUA-China

As bolsas de valores subiram hoje no mundo inteiro depois do anúncio de estímulos ao crescimento da Zona do Euro e de que o presidente Donald Trump vai se encontrar com o ditador Xi Jinping durante a reunião de cúpula do Grupo dos Vinte (G-20) marcada para 28 e 29 de junho, em Osaka, no Japão. Mas a concorrência estratégica entre as grandes potências deve durar décadas.

A economia global está em desaceleração e a guerra comercial EUA-China torna a situação ainda pior. A incerteza pesa sobre o setor industrial e suas cadeias produtivas globais. A geração de empregos nos EUA decepcionou no mês passado e o crescimento do segundo semestre é estimado em 1,5% ao ano.

Se houver um acordo, será mais uma trégua. Os EUA e a China estão envolvidos num conflito econômico, científico, tecnológico e militar pela supremacia mundial que deve se arrastar por muito tempo. Meu comentário:


segunda-feira, 10 de junho de 2019

Moeda chinesa atinge menor cotação em seis meses

A moeda chinesa, o yuan, caiu hoje à menor cotação em seis meses, 6,9358 por dólar, depois que o presidente do banco central da China indicou não haver limites para a baixa, noticiou o jornal inglês Financial Times.

Os economistas e investidores acreditavam que o limite tolerado pelas autoridades econômicas chinesas seria de 7 yuans por dólar. "Não penso que esta seja uma questão importante", declarou na sexta-feira o presidente do Banco Popular da China, Yi Gang.

Em consequência, o yuan caiu 0,4% hoje, depois de uma baixa de 2,9% em maio, alimentando a especulação de que possa se desvalorizar ainda mais. Yi vê um "tremendo" espaço para reduzir a taxa básica de juros e reduzir o volume de reservas que os bancos são obrigados a manter no banco central.

Os analistas esperam que um possível encontro entre o presidente Donald Trump e o ditador Xi Jinping durante a reunião do Grupo dos 20 em Osaka, no Japão, em 28 e 29 de junho, possa encaminhar uma solução para a guerra comercial entre Estados Unidos e China.

Uma moeda desvalorizada reduz o preço e aumenta a competitividade das exportações da China, mas pode aumentar a tensão com os EUA. Em relatório recente do Departamento do Tesouro, o governo Trump evitou acusar a China de manipular o câmbio, mas deixou a moeda chinesa em observação numa lista de 21 países que têm saldos comerciais com os EUA superiores a US$ 40 bilhões por ano.

domingo, 13 de janeiro de 2019

Trump esconde detalhes de encontros com Putin

O presidente Donald Trump foi além dos limites para esconder detalhes de suas conversas com o ditador da Rússia, Vladimir Putin, a ponto de tomar as notas feitas por seu intérprete numa ocasião e instruindo-o a não comentar o que ouvira, noticiou hoje o jornal The Washington Post.

Trump ficou com as anotações do intérprete depois do encontro com Putin na reunião do Grupo dos 20 em Hamburgo, na Alemanha, em 2017. Como é praxe do governo dos Estados Unidos registrar os contatos do presidente, altos funcionários da Casa Branca e do Departamento de Estado pediram as notas e ficaram sabendo da atitude inusitada de Trump.

É uma situação constrangedora por causa do inquérito do procurador especial Robert Mueller sobre um possível conluio da campanha de Trump com o Kremlin durante a campanha eleitoral de 2016. O presidente costuma excluir seus encontros com o ditador russo do escrutínio da opinião pública.

Depois da demissão do diretor-geral do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal americana, James Comey, em maio de 2017, o FBI abriu inquérito para saber que Trump estava beneficiando a Rússia, uma inimiga história dos EUA, consciente ou inconscientemente, revelou o jornal The New York Times.

Os serviços de inteligência dos EUA detectaram uma influência sem precedentes da Rússia na última eleição presidencial americana. A dúvida é se o esforço foi coordenado com a campanha de Trump. Pelo menos 14 assessores de Trump mantiveram contatos com russos.

Em entrevista no sábado à Fox News, o canal de notícias que apoia seu governo, Trump negou a intenção de esconder qualquer detalhe das reuniões. Quando a entrevista perguntou se alguma vez ele havia trabalhado para a Rússia, o presidente respondeu que "penso que esta é a coisa mais insultante que já me foi perguntada".

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Trump anuncia novo encontro com Kim no início de 2019

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, previu ontem que o segundo encontro de cúpula com o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Un, será realizado em janeiro ou fevereiro e que há três locais em consideração. Analistas internacionais acreditam que será realizado mais tarde.

Trump exige que a Coreia do Norte dê sinais de estar cumprindo a promessa de desmantelar seu programa nuclear, feita no primeiro encontro dos dois líderes, em 12 de junho de 2018, em Cingapura.

Durante o reunião de cúpula do Grupo dos 20 (19 países mais ricos do mundo e a União Europeia) realizada de 28 a 30 de novembro em Buenos Aires, Trump mandou um recado a Kim através do presidente da Coreia do Sul, Moon Jae In: os EUA estão prontos a cumprir suas promessas se a Coreia do Norte fizer o mesmo.

Depois do encontro em Cingapura, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, foi três vezes a Pyongyang, sem conseguir que o regime comunista norte-coreano apresentasse um cronograma de desarmamento nuclear.

Os EUA querem um plano para que a Coreia do Norte entregue 60% a 70% de suas armas nucleares em seis a nove meses. A ditadura stalinista de Kim rejeita o que chama de desarmamento unilateral. O governo sul-coreano está pronto para declarar o fim da Guerra da Coreia (1950-53), mas os EUA impõe o desarmamento nuclear como precondição.

Apesar das promessas de Kim, a atividade nos sítios de testes nucleares e de mísseis documentadas por satélites espiões dos EUA indicam que o programa atômico não foi congelado, muito menos desativado.

Pouco depois do encontro de Cingapura, o presidente americano afirmou que a ameaça nuclear norte-coreana estava afastada. Nada mais distante da realidade. Como em ocasiões anteriores, a Coreia do Norte prometeu abrir mão de seu programa nuclear militar. Ninguém acredita que o regime de Pyongyang faça isso depois de tanto esforço para desenvolver um arsenal nuclear como última garantia de sobrevivência.

Para assinar um acordo de paz definitivo pondo fim à Guerra da Coreia, o Norte pode pedir a retirada total das forças americanas do Sul da Península Coreana, o que interessa diretamente à China, maior aliada do regime comunista norte-coreano.

Desde o fim da União Soviética, em 1991, a Coreia do Norte faz uma chantagem atômica com o Ocidente, barganhando com o programa nuclear para obter ajuda de energia e alimentos para sua economia falida.

Quando Kim Jong Um chegou ao poder, em dezembro de 2011, meses depois da queda e morte do ditador Muamar Kadafi, da Líbia, que fizeram um acordo para abrir mão de suas armas de destruição em massa, o regime norte-coreano acelerou seu programa nuclear e de mísseis até adquirir capacidade de atacar diretamente o território dos EUA.

É altamente improvável que entregue suas armas atômicas sem garantias de segurança que só a China, sua maior aliada, pode dar. De qualquer maneira, seria uma vitória diplomática e militar da China. Os EUA reduziriam sua capacidade de atacar o território chinês num possível confronto futuro entre as superpotências.

Trump anuncia redução da tarifas sobre carros dos EUA na China

Dois dias depois do jantar em Buenos Aires onde foi acertada uma trégua na guerra comercial, o presidente Donald Trump anunciou hoje no Twitter uma redução nas tarifas de carros dos Estados Unidos importados pela China. O governo chinês não confirmou.

Durante um jantar com o ditador da China, Xi Jinping, no fim da reunião de cúpula do Grupo dos Vinte (G-20) na Argentina, os EUA prometeram não aumentar de 10% para 25% as tarifas sobre produtos importados da China no valor anual de US$ 100 bilhões.

Uma trégua de 90 dias vai dar aos negociadores das duas maiores economias do mundo um tempo para resolver suas profundas diferenças. Além de maior acesso ao mercado chinês, os EUA protestam contra o roubo de propriedade intelectual e a exigência de transferência de tecnologia.

As bolsas do mundo inteiro reagiram positivamente. Em Nova York, o Índice Dow Jones sobe de mais 200 pontos (0,88%), mas já esteve 400 pontos acima do fechamento da sexta-feira. Os preços do petróleo aumentaram cerca de 3%.

domingo, 2 de dezembro de 2018

Trump pretende retirar os EUA do Nafta

A bordo do avião presidencial Air Force One, na volta da reunião de cúpula do Grupo dos 20 em Buenos Aires, o presidente Donald Trump manifestou a intenção de retirar os Estados Unidos do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta). 

Isto dará seis meses para o Congresso aprovar o Acordo EUA-México-Canadá assinado na Argentina em 30 de novembro por Trump, o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, e o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau.

Com a manobra, o presidente americano pressiona o novo Congresso, com maioria da oposição democrata na Câmara de Representantes a aprovar o novo acordo. Se for rejeitado, não haverá mais o Nafta como alternativa.

Isto poderia criar um vácuo legislativo. Os EUA estariam fora da zona de livre comércio da América do Norte enquanto as leis que implementam o acordo continuariam em vigor. Como tem autoridade para regulamentar o comércio exterior do país, o Congresso poderia ignorar a decisão de Trump, mas corre o risco de ter de derrubar um veto presidencial.

Quando o presidente dos EUA consegue a chamada autoridade para promoção comercial, os acordos de comércio exterior passam por um processo de tramitação rápida no Congresso, que tem apenas 90 dias para aprovar ou rejeitar as propostas, sem a opção de emendar o texto acordado com outros países. Caso contrário, o acordo teria de ser renegociado indefinidamente.

 Ao sair do Nafta, Trump pressiona não só o Congresso dos EUA, mas também o Canadá e o México a ratificar o novo acordo. Nos três parlamentos, pode haver resistência.

sábado, 1 de dezembro de 2018

Trump e Xi jantam juntos e anunciam trégua na guerra comercial

No último tango da reunião de cúpula do Grupo dos 20 em Buenos Aires, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o ditador da China, Xi Jinping, jantaram juntos e prometeram evitar uma escalada na guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo, não impondo novas tarifas a partir de 1º de janeiro, noticiou a televisão estatal chinesa. Em troca, a China ficou de aumentar "substancialmente as importações de produtos agrícolas, energéticos e industrias dos EUA, informou o jornal The Washington Post.

A guerra comercial entre os EUA e a China inquieta os investidores, que temem uma recessão mundial se o conflito se agravar. Antes da partida da delegação americana da Argentina, o principal assessor econômico da Casa Branca, Larry Kudlow, comentou que o encontrou foi "muito bem".

Os dois países concordaram em não impor novas tarifas por 90 dias e reiniciar "imediatamente" as negociações sobre a política industrial chinesa, inclusive licenciamento de tecnologia americana, roubo de segredos industriais e barreiras não tarifárias.

Em tom otimista, no começo do jantar, que durou mais de duas horas, Trump declarou que a relação que mantém com Xi é "muito especial", enquanto fotógrafos e cinegrafistas registravam imagens do encontro mais esperado da reunião do G-20: "Esta é a principal razão por que provavelmente vamos terminar conseguindo algo que será bom para a China e bom para os EUA."

A bordo do avião presidencial Air Force One, Trump declarou: "Este foi um encontro surpreendente e positivo com possibilidades ilimitadas para os EUA e a China. É uma grande honra trabalhar com o presidente Xi."

Os objetivos do governo Trump são reduzir um déficit no comércio bilateral que atingiu US$ 375,5 bilhões em 2017 e conter o o desenvolvimento chinês em setores de alta tecnologia capazes de minar a supremacia militar dos EUA. Entre as exigências do governo Trump, estão o fim de um suposto roubo de propriedade intelectual de empresas americanas e da obrigação de transferir tecnologia à China.

A partir de 6 de julho de 2018, os EUA impuseram tarifas de 25% sobre 1.300 produtos importados da China, num valor anual de US$ 34 bilhões. Em 23 de agosto, entraram em vigor tarifas de 25% sobre uma lista adicional de 279 produtos chineses, que representam US$ 16 bilhões por ano em importações.

O governo chinês reagiu na mesma medida. Sobretaxou importações americanas num valor anual de US$ 50 bilhões. A China recorreu em agosto à Organização Mundial do Comércio (OMC) com duas reclamações: uma acusando as tarifas americanas sobre painéis de captação de energia solar de abalarem o mercado internacional do setor; outra, protestando contra as tarifas adicionais.

Em 24 de setembro, os EUA passaram a cobrar tarifas de 10% sobre mais US$ 200 bilhões em importações anuais da China, ameaçando aumentar para 25% no fim do ano, se não houver acordo. Trump advertiu que imporia tarifas sobre outros produtos chineses importados, no valor anual de US$ 267 bilhões, se a China retaliasse mais uma vez.

Isto cobriria todas as importações chinesas dos EUA, num total de US$ 505,5 bilhões em 2017. Se a versão da TV chinesa sobre o jantar estiver correta, esse aumento de tarifas sobre os US$ 200 bilhões e as novas tarifas sobre US$ 267 bilhões em produtos importados da China estariam suspensas.

A China respondeu com um tarifaço na mesma porcentagem sobre produtos americanos importados no valor US$ 60 bilhões. Não pôde retaliar no mesmo valor porque o total importado pelos chineses dos EUA no ano passado ficou em US$ 130 bilhões.

O encontro dos líderes em Buenos Aires foi o primeiro em mais de um ano, o primeiro desde o início da guerra tarifária. Se não houver acerto, Trump ameaça levar adiante a ameaça de sobretaxar todas as importações da China.

Na delegação americana na Argentina, estava o linha-dura Peter Navarro, autor do livro Morte pela China, principal assessor da Casa Branca para política comercial. Na última vez que se reuniu com chineses, em Beijim, Navarro discutiu aos berros com o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, que também participou do jantar.

Mnuchin e Kudlow defendem uma postura mais conciliatória com a China.

Trump prometeu ainda manifestar sua preocupação com as exportações chinesas do opióide sintético fentanil e outras drogas, responsáveis por uma epidemia sem precedentes de mortes por doses excessivas de opiáceos nos EUA, mais de 72 mil em 2017, cerca de 200 por dia. Os popstars Michael Jackson, Prince e Tom Petty morreram de overdoses de fentanil.

Antes da reunião, o diretor-geral do Departamento de Assuntos Econômicos Internacionais do Ministério do Exterior chinês, Wang Xiaolong, mostrou um otimismo cauteloso: "Espero e acredito que este encontro, nas atuais circunstâncias, tenha um efeito importante e positivo nas relações bilaterais. Desde que cada um adote uma atitude de respeito mútuo e igualdade, um diálogo construtivo será capaz de reduzir nossas diferenças."

Também foram ao jantar o secretário de Estado, Mike Pompeo; o assessor de Segurança Nacional, John Bolton; o representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer; e o genro e assessor especial de Trump, Jared Kushner.

O cardápio incluiu especialidades argentinas. A entrada foi uma salada de legumes com maionese de basílico e o prato principal, contra-filé com cebolas vermelhas. De sobremesa, panquecas de caramelo com chocolate e creme. Para beber, vinhos Catena Zapata Chardonnay e Malbec.

Qualquer alívio de tensão na guerra comercial das duas superpotências econômicas deve beneficiar ativos de risco, melhorando as cotações das moedas e das bolsas de valores de mercados emergentes como o Brasil. Mas as divergências entre China e EUA envolvem questões de longo prazo que não podem ser resolvidas num jantar, por melhores que sejam a carne e os vinhos argentinos.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Argentina convida Bolsonaro para reunião do G-20 em Buenos Aires

O ministro das Relações Exteriores, Jorge Faurie, convidou o presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, a participar da reunião de cúpula do Grupo dos 20 (19 países mais ricos do mundo e a União Europeia) marcada para 30 de novembro e 1º de dezembro, em Buenos Aires.

A Argentina está incomodada com algumas declarações do presidente eleito e sua equipe. Bolsonaro manifestou a intenção de fazer sua primeira viagem ao exterior ao Chile, ignorando a parceria histórica no Mercado Comum do Sul (Mercosul).

Seu superministro da Economia, o ultraliberal Paulo Guedes, menosprezou o bloco comercial e o país vizinho ao dizer que "nem a Argentina nem o Mercosul são prioridades". A Confederação Nacional da Indústria (CNI), protestou, observando que desvalorizar o Mercosul abre ainda mais a América do Sul às exportações da China.

"Não importa onde Bolsonaro vá primeiro, mas o grau de integração e diálogo que teremos", declarou o chanceler argentino.

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Bolsas sobem na China após conversa entre Trump e Xi

As bolsas de valores da China operam em alta na manhã desta sexta-feira depois que o presidente Donald Trump declarou que as negociações para acabar com a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China estão "avançando bem".

Trump revelou ter tido "uma conversa longa e muito boa" com o ditador Xi Jinping nesta quinta-feira. Os dois líderes devem se encontrar durante a reunião de cúpula do Grupo dos 20 (19 países mais ricos do mundo e a União Europeia) marcada para 30 de novembro na Argentina.

Um dos objetivos centrais do G-20 é reduzir as tensões comerciais, que ameaçam reduzir o ritmo de crescimento da economia mundial.

O índice CSI 300, das bolsas de Xangai e Xenzen, subiu 2,3%, a maior alta na semana, enquanto o índice das empresas chinesas na Bolsa de Hong Kong avançou 2,1%. No Japão, a Bolsa de Valores de Tóquio avançou 0,5%. No Brasil, a Bolsa de São Paulo chegou a um recorde histórico de 88.419 pontos por causa da melhora da situação internacional e da expectativa do mercado com o governo Jair Bolsonaro.

Para reduzir um déficit comercial de US$ 375,6 bilhões no ano passado, o governo Trump impôs sobretaxas sobre importações chineses num valor anual de US$ 250 bilhões e ameaçou impor tarifas maiores sobre todos os produtos da China vendidos nos EUA.