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segunda-feira, 1 de julho de 2019

Acordo UE-Mercosul é vitória da globalização e do multilateralismo

O acordo de livre comércio entre o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a União Europeia (UE) assinado na sexta-feira é uma vitória da globalização, do multilateralismo e da ala mais pragmática do governo Jair Bolsonaro. 

A aprovação final depende da ratificação pelos 32 países envolvidos e o Parlamento Europeu. Vai haver forte resistência de sindicalistas e ecologistas dos dois lados do Oceano Atlântico e dos agricultores europeus.

O acordo de livre comércio cria um mercado de 780 milhões de pessoas que geram uma riqueza anual de quase 20 trilhões de dólares, 30% do produto mundial bruto. A expectativa é de investimentos diretos no Brasil de mais de 110 bilhões de dólares e aumento do produto interno bruto de 125 bilhões em 15 anos.

O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, o embaixador brasileiro Roberto Azevêdo, prevê um “salto de competitividade” para a indústria nacional. 


Vamos ter automóveis, queijos, vinhos e chocolates da melhor qualidade, com padrão europeu, mas o vinho só vai estar totalmente liberado em 12 anos.

É um aviso ao presidente Trump, um apoio às reformas do presidente Mauricio Macri na Argentina e uma tentativa de enquadrar Bolsonaro. O Brasil teve de se comprometer a ficar no Acordo de Paris para tentar conter o aquecimento global. Meu comentário:


Mais de 85% das exportações para a Europa ficarão livres de tarifas imediatamente.

O acordo elimina 93% das tarifas sobre exportações do bloco para o mercado europeu e 99% do comércio agrícola. 81,7% dos produtos agrícolas serão isentos de tarifas e o resto estará sujeito a cotas. 

A cota anual de 99 mil toneladas de carne bovina deve enfrentar resistência dos criadores europeus. A cota de carne de aves ficou em 180 mil toneladas por ano.

Foram excluídos 100 produtos ainda não revelados.

As compras públicas foram preservadas como política de desenvolvimento.

A UE libertou 100% do mercado para produtos industriais; 80% serão liberados imediatamente.

O Mercosul ficou de abrir 80% do mercado de produtos industriais em até 15 anos. Cerca de 60% das reduções de tarifas serão feitas em 10 a 15 anos.

Vão cair os impostos de importação de 35% sobre automóveis, 14% a 18% sobre autopeças, até 18% para produtos químicos, 27% sobre vinhos e de 20% a 35% sobre outras bebidas alcoólicas.

O acordo tem um recorde de 357 produtos tradicionais europeus que não pode receber o mesmo nome quando fabricados em outras regiões como o champanhe, o presunto de Parma, o speck tirolês, o queijo Comté francês e o queijo português São Jorge.

A reação mais forte veio da presidente do principal sindicato agrícola da França, Christine Lambert. Ela declarou que "semanas depois das eleições europeias, a inaceitável assinatura de um acordo União Europeia-Mercosul vai expor os agricultores europeus a uma concorrência desleal e os consumidores a uma fraude total."

O acordo precisa ser ratificado pelos parlamentos nacionais e o Parlamento Europeu. Vai haver forte pressão para o Brasil e o Mercosul se adaptarem aos padrões de qualidade da União Europeia. 

É provável que os produtores da França se aliem aos da Polônia, da Irlanda, da Itália e de outros países europeus para tentar derrubar o acordo. Os nacionalistas de extrema direita também são contra.

Em 17 de junho, cerca de 340 organizações não governamentais pediram a suspensão das negociações até a obtenção de garantias sobre as políticas sociais e ambientais de Bolsonaro. Uma das críticas é que, desde janeiro, o governo brasileiro autorizou o uso de 239 novos pesticidas; 31% são proibidos na União Europeia.

O grupo ecológico Greenpeace acusou Bolsonaro de "desmantelar as proteções ambientais, tolerar incursões de homens armados em terras indígenas e supervisionar um aumento espetacular do desmatamento da Amazônia que mina anos de progresso para proteger a floresta".

Também há obstáculos políticos na América do Sul. O candidato do peronismo kirchnerista à Presidência da Argentina na eleição de outubro e novembro, Alberto Fernández, que tem a ex-presidente Cristina Kirchner como vice e chefe, não vê "benefícios concretos para o país" e fala num "claro prejuízo para a indústria e o emprego na Argentina". Se Macri perder, dificilmente o acordo será aprovado.

Além do Acordo sobre a Mudança do Clima e das questões ambientais, o Brasil e o Mercosul se comprometem a respeitar as normas trabalhistas, os direitos humanos e as comunidades indígenas. É uma tentativa de enquadrar o governo Bolsonaro nas regras e normas europeias, contrariando as visões antiglobalistas, unilateralistas e antieuropeias dos seguidores do astrólogo Olavo de Carvalho, do patético ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e do medíocre assessor para assuntos internacionais do Palácio do Planalto, Filipe Martins, da ala de extrema direita do governo.

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Trump impõe tarifas a pretexto de combater imigração ilegal do México

O presidente Donald Trump anunciou ontem à noite no Twitter a imposição de tarifas de 5%, a partir de 10 de junho, sobre todos os produtos importados do México" para os Estados Unidos e ameaçou aumentá-las progressivamente "até que o problema da imigração ilegal seja remediado", noticiou a televisão pública britânica BBC

As tarifas serão aumentadas em 5 pontos percentuais por mês até chegarem a 25%. Para o responsável pelo setor de EUA do Ministério do Exterior mexicano, a medida é "desastrosa": "Se isto for colocado em prática, teremos de responder vigorosamente", declarou o embaixador Jesus Seade.

Trump lançou sua campanha eleitoral acusando os imigrantes mexicanos de serem traficantes, estupradores e assassinos. Antes de chegar à Casa Branca, prometeu construir um muro na fronteira sul dos EUA.

Em fevereiro, o presidente americano decretou emergência, embora o problema da imigração ilegal seja muito menor do que no início do século. A decisão está sendo contestada na Justiça.

Ontem, Trump repetiu o discurso eleitoreiro: "Durante anos, o México não nos tratou justamente, mas agora estamos afirmando nossos direitos como uma nação soberana."

Com a linha dura adotada pelo governo Trump, que chegou a separar menores de idade dos pais que tentavam pedir asilo aos EUA, seis crianças filhas de imigrantes morreram desde setembro de 2018.

Desde a aprovação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), em 1993, várias empresas transnacionais dos EUA, como a Coca-Cola, a Ford, a General Motors, a IBM e a John Deere, instalaram fábricas no México para exportar para o mercado americano.

sábado, 1 de dezembro de 2018

Trump e Xi jantam juntos e anunciam trégua na guerra comercial

No último tango da reunião de cúpula do Grupo dos 20 em Buenos Aires, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o ditador da China, Xi Jinping, jantaram juntos e prometeram evitar uma escalada na guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo, não impondo novas tarifas a partir de 1º de janeiro, noticiou a televisão estatal chinesa. Em troca, a China ficou de aumentar "substancialmente as importações de produtos agrícolas, energéticos e industrias dos EUA, informou o jornal The Washington Post.

A guerra comercial entre os EUA e a China inquieta os investidores, que temem uma recessão mundial se o conflito se agravar. Antes da partida da delegação americana da Argentina, o principal assessor econômico da Casa Branca, Larry Kudlow, comentou que o encontrou foi "muito bem".

Os dois países concordaram em não impor novas tarifas por 90 dias e reiniciar "imediatamente" as negociações sobre a política industrial chinesa, inclusive licenciamento de tecnologia americana, roubo de segredos industriais e barreiras não tarifárias.

Em tom otimista, no começo do jantar, que durou mais de duas horas, Trump declarou que a relação que mantém com Xi é "muito especial", enquanto fotógrafos e cinegrafistas registravam imagens do encontro mais esperado da reunião do G-20: "Esta é a principal razão por que provavelmente vamos terminar conseguindo algo que será bom para a China e bom para os EUA."

A bordo do avião presidencial Air Force One, Trump declarou: "Este foi um encontro surpreendente e positivo com possibilidades ilimitadas para os EUA e a China. É uma grande honra trabalhar com o presidente Xi."

Os objetivos do governo Trump são reduzir um déficit no comércio bilateral que atingiu US$ 375,5 bilhões em 2017 e conter o o desenvolvimento chinês em setores de alta tecnologia capazes de minar a supremacia militar dos EUA. Entre as exigências do governo Trump, estão o fim de um suposto roubo de propriedade intelectual de empresas americanas e da obrigação de transferir tecnologia à China.

A partir de 6 de julho de 2018, os EUA impuseram tarifas de 25% sobre 1.300 produtos importados da China, num valor anual de US$ 34 bilhões. Em 23 de agosto, entraram em vigor tarifas de 25% sobre uma lista adicional de 279 produtos chineses, que representam US$ 16 bilhões por ano em importações.

O governo chinês reagiu na mesma medida. Sobretaxou importações americanas num valor anual de US$ 50 bilhões. A China recorreu em agosto à Organização Mundial do Comércio (OMC) com duas reclamações: uma acusando as tarifas americanas sobre painéis de captação de energia solar de abalarem o mercado internacional do setor; outra, protestando contra as tarifas adicionais.

Em 24 de setembro, os EUA passaram a cobrar tarifas de 10% sobre mais US$ 200 bilhões em importações anuais da China, ameaçando aumentar para 25% no fim do ano, se não houver acordo. Trump advertiu que imporia tarifas sobre outros produtos chineses importados, no valor anual de US$ 267 bilhões, se a China retaliasse mais uma vez.

Isto cobriria todas as importações chinesas dos EUA, num total de US$ 505,5 bilhões em 2017. Se a versão da TV chinesa sobre o jantar estiver correta, esse aumento de tarifas sobre os US$ 200 bilhões e as novas tarifas sobre US$ 267 bilhões em produtos importados da China estariam suspensas.

A China respondeu com um tarifaço na mesma porcentagem sobre produtos americanos importados no valor US$ 60 bilhões. Não pôde retaliar no mesmo valor porque o total importado pelos chineses dos EUA no ano passado ficou em US$ 130 bilhões.

O encontro dos líderes em Buenos Aires foi o primeiro em mais de um ano, o primeiro desde o início da guerra tarifária. Se não houver acerto, Trump ameaça levar adiante a ameaça de sobretaxar todas as importações da China.

Na delegação americana na Argentina, estava o linha-dura Peter Navarro, autor do livro Morte pela China, principal assessor da Casa Branca para política comercial. Na última vez que se reuniu com chineses, em Beijim, Navarro discutiu aos berros com o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, que também participou do jantar.

Mnuchin e Kudlow defendem uma postura mais conciliatória com a China.

Trump prometeu ainda manifestar sua preocupação com as exportações chinesas do opióide sintético fentanil e outras drogas, responsáveis por uma epidemia sem precedentes de mortes por doses excessivas de opiáceos nos EUA, mais de 72 mil em 2017, cerca de 200 por dia. Os popstars Michael Jackson, Prince e Tom Petty morreram de overdoses de fentanil.

Antes da reunião, o diretor-geral do Departamento de Assuntos Econômicos Internacionais do Ministério do Exterior chinês, Wang Xiaolong, mostrou um otimismo cauteloso: "Espero e acredito que este encontro, nas atuais circunstâncias, tenha um efeito importante e positivo nas relações bilaterais. Desde que cada um adote uma atitude de respeito mútuo e igualdade, um diálogo construtivo será capaz de reduzir nossas diferenças."

Também foram ao jantar o secretário de Estado, Mike Pompeo; o assessor de Segurança Nacional, John Bolton; o representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer; e o genro e assessor especial de Trump, Jared Kushner.

O cardápio incluiu especialidades argentinas. A entrada foi uma salada de legumes com maionese de basílico e o prato principal, contra-filé com cebolas vermelhas. De sobremesa, panquecas de caramelo com chocolate e creme. Para beber, vinhos Catena Zapata Chardonnay e Malbec.

Qualquer alívio de tensão na guerra comercial das duas superpotências econômicas deve beneficiar ativos de risco, melhorando as cotações das moedas e das bolsas de valores de mercados emergentes como o Brasil. Mas as divergências entre China e EUA envolvem questões de longo prazo que não podem ser resolvidas num jantar, por melhores que sejam a carne e os vinhos argentinos.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

China tem o menor crescimento desde 2016

Com menor crescimento industrial e o temor dos exportadores diante da guerra comercial de Donald Trump, a China, segunda maior economia do mundo, teve uma queda no ritmo de expansão de 6,8% ao ano no primeiro trimestre para 6,7% ao ano no segundo trimestre de 2018.

A expectativa é que o conflito comercial com os Estados Unidos pese negativamente. De 18 produtos inicialmente, a lista de Trump tem hoje 10 mil produtos chineses que podem ser sobretaxados ao entrar no mercado americano.

O governo chinês freou as reformas para combater o endividamento das empresas e o excesso de capacidade instalada. Está cobrando dos governos municipais e provinciais metas para manter o crescimento econômico, hoje a maior fonte de legitimidade do regime comunista.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Trump ameaça impor tarifas sobre US$ 200 bilhões em importações da China

Numa ameaça de escalada rumo a uma guerra comercial, o presidente Donald Trump pediu a assessores que identifiquem uma lista de produtos chineses importados no valor de US$ 200 bilhões para aplicar tarifas de 10%, se a China não aceitar sua exigência de reduzir o déficit dos Estados Unidos no comércio bilateral, de US$ 375 bilhões no ano passado.

O governo Trump anunciou em 15 junho que os EUA passarão a cobrar tarifas de 25% sobre produtos chineses importados no valor de US$ 34 bilhões por ano a partir de 6 de julho e que estudam uma lista com produtos no valor US$ 16 bilhões. Prometeu assim sobretaxar um total de US$ 50 bilhões em importações anuais da China.

Imediatamente, a China prometeu fazer exatamente o mesmo nos mesmos valores e nas mesmas datas, para fúria de Trump: "Desafortunadamente, a China decidiu aumentar as tarifas sobre US$ 50 bilhões em importações dos EUA", declarou o presidente na mensagem em que pediu ao representante comercial do país, Robert Lighthizer, a nova lista de US$ 200 bilhões.

"Se a China aumentar suas tarifas de novo, vamos responder com tarifas adicionais sobre US$ 200 bilhões em bens", advertiu Trump. Mais uma vez, o governo chinês alerta: vai responder na mesma moeda.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

EUA sobretaxam importações e China anuncia retaliação

As duas maiores economias do mundo estão mais perto de uma guerra comercial capaz de abalar toda a economia mundial, com queda na produção e no comércio e aumento de preços.

Os Estados Unidos anunciaram hoje o aumento para 25% da tarifa de importação sobre produtos chineses, no valor total de US$ 50 bilhões, com foco no setor de alta tecnologia. 

A China prometeu responder na mesma medida. Vai cobrar uma taxa de 25% sobre produtos agropecuários, pesqueiros, automobilísticos e energéticos dos EUA.

"Minha grande amizade com o presidente Xi [Jinping], da China, e o relacionamento do nosso país com a China são ambos muito importantes para mim", declarou o presidente americano, Donald Trump. "O comércio entre nossas nações, no entanto, tem sido muito injusto por um tempo muito longo. Esta situação não é mais sustentável."

Desde a campanha eleitoral, Trump acusa a China de roubo de propriedade intelectual, de manipular o câmbio e de ter um mercado muito mais fechado do que os EUA. Depois de chegar à Casa Branca, parou de falar na manipulação do câmbio, mas exige uma forte queda no saldo comercial da China no comércio bilateral, que no ano passado foi de US$ 375 bilhões.

"Os EUA não podem mais tolerar a perda de tecnologia e propriedade intelectual através de práticas econômicas injustas", afirmou Trump, acrescentando as sobretaxas "serviriam como um passo inicial rumo ao equilíbrio nas relações comerciais entre os EUA e a China".

As sobretaxas americanas visam retardar desenvolvimento do setor de alta tecnologia da China e punir o alegado roubo de propriedade intelectual dos EUA. Um dos principais alvos do governo Trump é o programa Made in China 2025 (Fabricado na China 2025). A meta é atingir independência tecnológica até 2025. Seria uma ameaça à superioridade militar dos EUA.

A partir de 6 de julho, serão aplicadas tarifas de 25% a 818 linhas de produtos importados chineses, inclusive carros, tratadores, retroescavadeiras, helicópteros, máquinas e ferramentas industriais, no valor de US$ 34 bilhões de exportações anuais para os EUA.

Outras 284 linhas de produtos, cuja importação anual soma US$ 16 bilhões, serão objeto de consulta pública antes da aplicação das tarifas, entre eles máquinas industriais, plásticos e semicondutores chineses.

Em 24 de julho, o representante comercial dos EUA vai se reunir com representantes da indústria, que devem pedir a exclusão de produtos intermediários de suas cadeias produtivas. Os chips produzidos nos EUA, por exemplo, são enviados à China para embalagem e testes. Podem ser sobretaxados na volta.

"Tarifas sobre semicondutores vão prejudicar mais do que ajudar as companhias de semicondutores dos EUA, seus trabalhadores e os consumidores americanos", afirmou um porta-voz do setor. A proteção pressionaria as empresas americanas de alta tecnologia a tirar suas fábricas de China.

Neste caso, parte da produção pode voltar para os EUA, mas é provável que a maior parte vá para outros países de baixo custo de produção, com salários menores, onde as empresas estariam menos sujeitas a pressões para transferir tecnologia.

"Vamos parar, espero, a transferência de tecnologia, a transferência forçada de tecnologia", afirmou o representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, entrevista à televisão Fox News.

A Associação Americana da Indústria Têxtil e de Calçados agradeceu que as máquinas industrias do setor não foram sobretaxadas e observou que "quaisquer novas tarifas representam um peso enorme para o povo americano".

Depois de acusar os EUA de "provocar uma guerra comercial", o Ministério do Comércio da China prometeu impor "imediatamente medidas contrárias na mesma escala e força". O governo chinês vai ampliar de 106 para 653 a lista de tipos de produtos americanos visados.

Para manter a reciprocidade, a China vai dividir a retaliação em duas fases. Como os EUA, a partir de  6 de julho, o governo chinês vai impor tarifas de 25% sobre, no caso chinês 545 tipos de produtos americanos cuja importação soma US$ 34 bilhões por ano. Entre eles, estão soja, carnes de porco e de aves, pescados, veículos utilitários esportivos e carros elétricos.

Na segunda etapa, em data a ser definida dependendo da iniciativa do governo Trump, serão sobretaxadas pela China as importações de produtos químicos, carvão, petróleo bruto e equipamentos médicos. Aviões, motores de aviões e outros equipamentos aeronáuticos ficaram fora da lista.

Antes desta nova rodada de tarifaços, a China se ofereceu para comprar mais US$ 70 bilhões em produtos agropecuários e energia por ano dos EUA para evitar um conflito comercial. O presidente americano preferiu manter sua estratégia agressiva de negociações.

Trump ameaçou responder a qualquer retaliação da China com imposição de tarifas sobre US$ 100 bilhões de exportações chinesas. "A guerra comercial foi iniciada há muitos anos pela China e por outros", alegou o presidente americano, rejeitando as críticas de que o protecionismo vá aumentar preços e prejudicar a economia.

A economia já está bombando, disse Trump, e "depois que fizermos nossos acordos comerciais, espere para ver nossos números".

O problema é abrir conflitos em várias frentes. Os EUA acabam de sobretaxar as importações de aço e alumínio de aliados, o Canadá, o México e a União Europeia, em nome da "segurança nacional". Isso irritou aliados históricos isolou Trump na recente reunião de cúpula do Grupo dos Sete (EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá) quando ele deveria formar uma grande aliança contra a China.

domingo, 10 de junho de 2018

Trump exclui EUA do comunicado final do G-7

Irritado com críticas do primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, a seu protecionismo, o presidente Donald Trump orientou os representantes dos Estados Unidos a não assinar o comunicado final da reunião de cúpula do Grupo dos Sete (EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá), as maiores potências industriais democráticas.

A caminho de Cingapura, onde se encontra na terça-feira com o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Un, horas depois do fim do encontro, que havia terminado em clima positivo, Trump retirou os EUA do comunicado e ameaçou impor tarifas sobre a importação de automóveis do Canadá, numa escalada do conflito comercia com tradicionais aliados dos EUA.

"Baseado nas declarações falsas de Justin em sua entrevista coletiva e no fato de que o Canadá cobra tarifas maciças de nossos fazendeiros, trabalhadores e companhias, instruí os representantes dos EUA a não endossar o comunicado final enquanto examinamos a imposição de tarifas sobre os automóveis que inundam o mercado dos EUA", disparou Trump.

Em seguida, considerou-se traído: "O primeiro-ministro Justin Trudeau, do Canadá, foi tão delicado e suave durante nossos encontros do G-7 para dar uma entrevista coletiva depois que fui embora. Muito desonesto e fraco."

Trudeau declarou que o Canadá vai impor tarifas retaliatórias a partir de 1º de julho porque "os canadenses são polidos, são razoáveis, mas não serão intimidados".

Os países europeus, decepcionados com mais uma briga de Trump, preferiram manter "o comunicado acertado por todos os participantes". Foi a primeira reunião de cúpula do G-7 a terminar sem uma declaração final conjunta aprovada por todos os países-membros.

Antes de partir, o presidente americano afirmou que suas relações com Trudeau, a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, e o presidente da França, Emmanuel Macron, são nota 10. Trump culpou os governos anteriores dos EUA, e não os aliados, pelos acordos comerciais que deplora.

Trump propôs a criação de uma zona de livre comércio do G-7. Diante da imensidão da tarefa de negociar um acordo comercial deste tamanho, os aliados tomaram como uma jogada para desviar a atenção dos atuais conflitos comerciais.

Todos os países, menos os EUA, concordaram sobre a necessidade de combater o aquecimento global, enquanto os americanos "acreditam que o crescimento e o desenvolvimento econômico sustentável dependem do acesso universal a fontes de energia baratas e confiáveis".

Os EUA e o Japão não endossaram uma referência à necessidade de combater a poluição de plástico nos mares. No sábado, Trump voltou a defender o reingresso da Rússia no G-7, de onde foi excluída por anexar ilegamente a Crimeia, em clara violação ao direito internacional.

"Não estamos nem remotamente pensando nisso", comentou o primeiro-ministro do Canadá. A chanceler alemã considerou a proposta inaceitável porque "a Rússia não tomou nenhuma medida para restaurar a paz na Ucrânia".

sábado, 9 de junho de 2018

Trump propõe transformar G-7 em área de livre comércio

Em mais uma surpresa para os aliados dos Estados Unidos no Grupo dos Sete, que reúne as maiores potências industriais capitalistas (EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá), o presidente Donald Trump propôs fazer do G-7 uma zona de livre comércio, sem tarifas de importação nas transações entre os países-membros.

Foi uma surpresa porque Trump chegou à reunião de cúpula em Charlevoix, no Canadá, depois de anunciar a imposição de tarifas sobre as exportações de aço e alumínio dos aliados, no que pode facilmente virar uma guerra comercial.

"Sem tarifas, nem barreiras - é assim que deve ser. E sem subsídios", declarou o presidente americano antes de sair da reunião rumo a Cingapura, onde se encontra na terça-feira com o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Un. "Somos como aquele cofrinho de porquinho que todo o mundo está roubando. Isso vai acabar."

Em entrevista coletiva, Trump voltou a se queixar do protecionismo agrícola do Canadá e denunciou as políticas comerciais "brutais" da União Europeia: "Isso vai parar ou vamos parar de comerciar com eles."

O chefe da assessoria econômica da Casa Branca, Larry Kudlow, afirmou que a proposta de criar uma zona de livre comércio é resultado de uma "longa discussão" e não mais uma atitude impulsiva de Trump. Na sua opinião, é preciso "reduzir aquelas barreiras. De fato, ir para zero, sem tarifas, sem barreiras não tarifárias nem subsídios. Ao longo do caminho, vamos ter de limpar o sistema de comércio internacional."

Ao chegar ao poder, Trump retirou os EUA da Parceria Transpacífica (TPP), acertada pelo governo Barack Obama, e praticamente enterrou as negociações sobre uma Parceria Transatlântica de Comércio e Investimentos.

Antes de sair, Trump declarou ser contra uma iniciativa do Canadá para combater a poluição de plástico nos oceanos. O presidente americano deixou a reunião cedo neste sábado, antes do debate do G-7 sobre questões ambientais.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Trump sobretaxa aço e alumínio da UE, do Canadá e do México

Enquanto late mas não morde no conflito comercial com a China, o presidente Donald Trump preferiu sair atacando aliados dos Estados Unidos. Seu governo passa a cobrar a partir de amanhã tarifas de 25% sobre o aço e de 10% sobre o alumínio importados da União Europeia, do Canadá e do México, que imediatamente anunciaram retaliações.

"Hoje é um dia muito ruim para o comércio internacional", reagiu o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, ao anunciar a resposta da UE: aumento das tarifas de produtos tipicamente americanos, como bourbon, motocicletas e manteiga de amendoim.

No Canadá, o primeiro-ministro Justin Trudeau prometeu sobretaxas no valor de US$ 12,8 bilhões sobre produtos americanos. O México promete retaliar na mesma pedida das perdas que lhe forem impostas.

O governo Trump passou as últimas semanas negociando reduções no déficit comercial dos EUA com seus maiores parceiros comerciais, o que também inclui a China. Washington queria impor cotas.

A proposta de Trump foi considerada inaceitável por violar as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), especialmente pelo México e o Canadá, sócios dos EUA no Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta).

Por enquanto, só Argentina e Coreia do Sul aceitaram as restrições de exportação exigidas pelos EUA. O Brasil e a Austrália ainda estão isentos das sobretaxas americanas. As empresas brasileiras estariam dispostas a aceitar as cotas.

Outros países, como Índia, Japão, Rússia e Turquia, nunca estiveram isentos das sobretaxas.

Era o que a Europa temia. A guerra comercial de Trump não começa com a China, a superpotência ascendente que ameaça a liderança mundial dos EUA, mas com os aliados. Com sua mentalidade negocista, Trump quer levar vantagem em tudo. Ataca primeiro os mais fracos, embora sejam aliados, a recuam diante da China.

Os EUA decidiram colocar em lista negra a companhia de equipamentos de telecomunicações chinesa ZTE, suspeita de colaborar com espionagem e de estar a serviço do aparato militar da China. Bastou um telefonema do ditador Xi Jinping para Trump mudar de ideia.

Há muita insatisfação dentro do próprio Partido Republicano. Os conservadores entendem que Trump está perdendo a guerra comercial com a China.

A longo prazo, uma guerra comercial tende a deixar o muito inteiro mais pobre, além do risco de deflagrar guerras de verdade.

A Grande Depressão (1929-39) começou com o colapso da Bolsa de Valores de Nova York, mas foi alimentada por uma guerra comercial. Em 1932, 25% dos americanos e 12,5% dos alemães estavam desempregados. Franklin Delano Roosevelt foi eleito presidente dos EUA. O Partido Nacional-Socialista Trabalhista Alemão (nazista) tornou-se o mais votado na Alemanha.

Trump não conhece história. Como observou Edward Luce, no Financial Times, quer retroceder a 1929.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

EUA voltam a ameaçar a China com imposição de tarifas de importação

Depois de uma breve trégua de pouco mais de uma semana, os Estados Unidos voltaram a pressionar a China, ameaçando impor tarifas de importação sobre produtos chineses na tentativa de reduzir o déficit no comércio bilateral, que no ano passado chegou a US$ 375 bilhões.

Até meados de junho, os EUA vão apresentar uma lista de produtos importados no valor de US$ 50 bilhões por ano a serem taxados em 25%, sob a alegação de que a China leva vantagem sobre em propriedade intelectual e transferência de tecnologia. E vão continuar processando a China na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Os EUA também vão restringir investimentos e exportações de setores de alta tecnologia para tentar retardar o desenvolvimento chinês num setor essencial para a manutenção da superioridade militar americana. O alvo principal é o programa Made in China 2025.

"Há muitos anos, a China usa práticas industriais e comerciais injustas - inclusive dumping, barreiras discriminatórias, transferência forçada de tecnologia, excesso de capacidade e subsídios à indústria - que favorecem firmas chinesas e tornam impossível a competição de empresas americanas no mesmo nível", declarou em nota a Casa Branca.

"Os custos destas políticas para a indústria americana continuam crescendo", acrescentou a nota:

  • O roubo de propriedade intelectual pela China custa bilhões de dólares a cada ano aos inovadores americanos.
  • A China é responsável por 87% dos produtos falsificados apreendidos ao tentar entrar nos EUA.
  • Beijim proibiu as importações de carne de aves, tirando de seu mercado os agricultores e fazendeiros americanos.
  • Os EUA cobram tarifa de 2,5% sobre carros importados da China, enquanto a China mantém uma tarifa de 25% sobre carros americanos.

A resposta chinesa será dada diretamente ao secretário do Comércio dos EUA, Wilbur Ross, que visita à China de 2 a 4 de junho.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

EUA fazem exigências para evitar guerra comercial com a China

O governo Donald Trump apresentou hoje à China sua lista pesada de exigências para equilibrar o comércio entre os dois países e evitar uma guerra comercial entre as maiores economias do mundo, a começar por uma redução de 200 bilhões no saldo comercial chinês, que em 2017 chegou a US$ 375 bilhões.

A delegação americana acusou a China de roubo de tecnologia e propriedade intelectual. Exigiu o fim dos subsídios ao setor industrial dentro do programa Made in China 2025 (Fabricado na China 2025), que visa a tornar o país líder em tecnologias de ponta, num desafio à liderança tecnológica e militar dos EUA.

Um dos grandes objetivos não declarados da guerra comercial que Trump ameaça travar com a China é impedir que o país, que deve ultrapassar a economia americana entre 2020 e 2030, se torne uma superpotência tecnológica e militar capaz de superar os EUA. Pode dificultar e atrasar, mas dificilmente vai conseguir.

Dentro desta disputa tecnológica, os EUA vão restringir o investimento chinês nos EUA em vários setores de tecnologia de ponta e não aceitam retaliações, que com certeza virão. Ao mesmo tempo, querem mais facilidades para as empresas americanas investirem na China de olho no cobiçado mercado chinês.

Os EUA também querem a abertura do mercado chinês, com a redução de tarifas e a eliminação de barreiras não tarifárias aos produtos e serviços americanos, a "reciprocidade" cobrada por Trump. Ainda exigem que a China retire a reclamação contra os EUA na Organização Mundial do Comércio (OMC) porque Washington não trata a China como uma economia de mercado.

Não existe a menor chance da China aceitar estas exigências. Dentro do estilo de negociação de Trump, os EUA apresentaram uma lista maximalista na esperança de barganhar. A bola está com a China para continuar o jogo.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Trump ameaça China com tarifas de US$ 100 bilhões

Em uma escalada no conflito com a China capaz de levar a uma guerra comercial, o presidente Donald Trump ameaçou ontem impor tarifas de importação sobre produtos chineses no valor de US$ 100 bilhões (R$ 337 bilhões) por ano. Foi sua resposta ao anúncio chinês de impor tarifas de 25% sobre 106 produtos importados dos Estados Unidos, num valor anual de US$ 50 bilhões (R$ 168 bilhões).

Se esses anúncios eram vistos como instrumentos para negociar, ao dobrar a aposta, Trump não dá sinais de ceder: "Em vez de remediar sua má conduta, a China escolheu prejudicar nossos fazendeiros e industriais", protestou Trump.

"À luz da injusta retaliação chinesa, instruí [o representante comercial dos EUA] a considerar se seriam apropriadas tarifas adicionais de US$100 bilhões e, se tal, identificar os produtos para impor estas tarifas", acrescentou o presidente americano.

O conflito comercial começou quando Trump decidiu impor tarifas de 25% sobre as importações de aço e de 15% sobre as de alumínio e, em seguida, isentou aliados dos EUA, mas não a China. O governo chinês reagiu anunciando aumento de tarifas sobre 128 produtos importados dos EUA, quase todos do setor primário, no valor de US$ 3 bilhões (R$ 10 bilhões) por ano, mas deixou claro que não tem interesse numa guerra comercial que "não interessa à China, nem aos EUA, nem à economia global".

Quando o problema parecia se encaminhar para negociações, Trump anunciou há três dias uma retaliação no valor anual de US$ 50 bilhões sobre 1.333 produtos chineses com foco em setores de alta tecnologia. Parece uma jogada para conter o desenvolvimento tecnológico chinês e manter a supremacia dos EUA como maior potência mundial. O presidente alegou que há décadas a China rouba a propriedade intelectual dos EUA.

A China respondeu rapidamente na mesma moeda. Na quarta-feira, decidiu impor tarifas no valor de US$ 50 bilhões por ano, com foco em produtos agrícolas e industriais de estados onde o Partido Republicano venceu as últimas eleições.

De olho nas eleições no meio de seu mandato, em novembro deste ano, Trump pediu ao Departamento da Agricultura que "implemente um plano para proteger nossos fazendeiros e interesses agrícolas". É uma preparação para um conflito prolongado.

Nesta sexta-feira, o Ministério do Comércio chinês repetiu que "a China não quer uma guerra comercial, mas não tem medo de travar uma guerra comercial". Está pronta a aumentar a aposta e pagar para ver. Já recorreu à Organização Mundial do Comércio (OMC).

O governo Trump está dividido. O secretário do Tesouro, Steve Mnuchin, defende negociações para reduzir o saldo comercial chinês no comércio bilateral, que no ano passado chegou a US$ 375 bilhões (R$ 1,263 trilhão), enquanto o novo secretário de Estado, Mike Pompeo, e o novo assessor de Segurança Nacional, John Bolton, ambos da linha dura, querem confrontar a China.

A estratégia de Trump visa a reduzir um déficit comercial, que em fevereiro chegou a US$ 57,6 bilhões (R$ 194 bilhões), sendo US$ 34,7 bilhões (R$ 117 bilhões) só no comércio com a China.

No momento, o Índice Dow Jones, da Bolsa de Valores de Nova York, cai mais de 400 pontos por medo de uma guerra comercial entre as maiores economias do mundo, capaz de levar a economia mundial a uma nova recessão. O mercado já se acostumou com o sobe e desce. Na era Trump, a volatilidade é o normal.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

China responde a tarifaço de Trump com sobretaxas de US$ 50 bilhões

A China reagiu rapidamente às novas tarifas anunciadas ontem pelos Estados Unidos sobre 1.333 produtos chineses, taxando 106 categorias de produtos americanos importados dos EUA em 25%, num total de US$ 50 bilhões por ano. Entre os produtos visados, estão automóveis, produtos químicos e soja.

Os alvos principais da China são estados conservadores com grande produção agrícola onde Trump venceu a eleição presidencial. Depois de uma forte queda no primeiro momento, por medo de uma guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo, a Bolsa de Valores de Nova York se recuperou e fechou em alta de 0,96%.

"A China nunca sucumbiu a pressões externas", declarou o vice-ministro das Finanças, Zhu Guangyao. "A pressão externa vai apenas fazer o povo chinês se concentrar mais no desenvolvimento econômico. A postura da China é clara. Não queremos uma guerra comercial porque prejudicaria os interesses dos dois países."

Até agora, os tarifaços são considerados insuficientes para ter um grande impacto no comércio bilateral entre os dois países, de quase US$ 650 bilhões no ano passado, com saldo de US$ 375 bilhões para a China.

"Devemos negociar da maneira profissional", comentou o professor Jie Zhao, pesquisador da Universidade Fudan, em Xangai, "e torná-la menos ideológica e emocional."

O conflito começou quando o presidente Trump decidiu cobrar imposto de importação de 25% sobre importações de aço e de 15% sobre as de alumínio e, em seguida, deu isenções a aliados dos EUA, inclusive o Brasil.

As autoridades chinesas responderam cobrando tarifas sobre 128 produtos importados dos EUA, sobretudo produtos primários. Ontem, Trump anunciou sobretaxas num valor total de US$ 50 bilhões, acusando a China de roubar a propriedade intelectual dos EUA há décadas.

Um dos objetivos de Trump seria travar uma guerra tecnológica surda para impedir a China de superar os EUA em alta tecnologia, parte do projeto chinês para se tornar a maior potência mundial. O regime comunista chinês tem um programa chamado Fabricado na China 2025 para se tornar líder mundial em aeronáutica, robótica e carros elétricos.

terça-feira, 3 de abril de 2018

EUA impõem tarifa de 25% a 1.333 produtos importados da China

O governo Donald Trump anunciou hoje que dentro de semanas vai começar a cobrar 25% de imposto de importação sobre 1.333 produtos chineses, robôs e máquinas industriais a carros elétricos, motores a jato e locomotivas, em retaliação que o presidente denuncia como décadas de roubo de propriedade intelectual dos Estados Unidos pela China, noticiou o jornal inglês Financial Times.

A lista cobre produtos pelos quais os americanos pagaram à China US$ 50 bilhões no ano passado. É o lance mais ofensivo dos EUA no comércio bilateral desde que a China entrou na Organização Mundial do Comércio (OMC). A China deve responder na mesma medida, alimentando o risco de uma guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo.

"Esta ação protecionista unilateral viola seriamente os princípios e os valores fundamentais da OMC. Não serve os interesses da China, nem dos EUA e menos ainda da economia global", declarou em nota a embaixada chinesa em Washington.

O conflito começou com o anúncio de Trump de que imporia tarifas de 25% sobre o aço e de 15% sobre o alumínio importados. Em seguida, os EUA deram isenções a países aliados. A China respondeu aumentando as tarifas de importação de 128 produtos americanos, na maioria do setor agropecuário, visando diretamente estados conservadores que elegeram o atual presidente.

"A história sugere que é provável que haja negociações, o que vai provocar algum alívio aos investidores no curto prazo", comentou Tai Hui, estrategista do banco J P Morgan para a Ásia e o Pacífico. Mas, ressalva, "a tensão comercial sino-americana pode ter várias rodadas nos próximos anos. Isto pode levar os investidores a focar em setores e mercados asiáticos mais dependentes do consumo doméstico e menos expostos a disputas comerciais."

Por enquanto, "a escala atual da batalha tarifária é pequena para ter impacto material nos crescimentos chinês, americano ou global", previu Greg McKenna, estrategista da corretora AxiTrader.

domingo, 1 de abril de 2018

China impõe novas tarifas a 128 produtos dos EUA

Mais uma salva de tiros na guerra comercial entre as duas maiores potências econômicas do mundo. Em resposta às tarifas impostas pelo governo Donald Trump, a China anunciou hoje em Beijim que vai sobretaxar 128 produtos fabricados nos Estados Unidos, inclusive carnes, frutas e vinho, informou o canal americano de notícias econômicas CNBC.

As novas tarifas entram em vigor nesta segunda-feira, comunicou em nota o Ministério das Finanças da China. A Comissão de Tarifas Alfandegárias vai aplicar imediatamente tarifas de 25% sobre carne de porco e derivados e sucata de alumínio.

Outros 120 produtos primários americanos comprados pela China, de frutas silvestres e maçãs a amêndoas, nozes e castanhas, vão pagar 15% de imposto de importação.

Trump começou taxando todas as importações de aço em 25% e as de alumínio em 15%. Em seguida, passou a excluir países aliados dos EUA, inclusive o Brasil, mas manteve as tarifas para negócios com a China.

Há dez dias, Trump revelou planos para taxas as importações chinesas num valor total de US$ 60 bilhões por ano, numa tentativa de reduzir o déficit comercial dos EUA no comércio bilateral, que no ano passado foi de US$ 375,2 bilhões (R$ 1,24 trilhão).

Depois de fortes quedas pela ameaça de uma guerra comercial, a Bolsa de Nova York voltou a subir, com notícias de que os EUA estariam negociando secretamente para evitar os prejuízos de um conflito. O contra-ataque chinês indica que um acordo ainda está longe.

A retaliação chinesa se concentrou em produtos agropecuários. Os fazendeiros americanos exportaram US$ 20 bilhões para a China em 2017. O setor de carne suína e derivados vendeu US$ 1,1 bilhão aos chineses. A carne de porco é tradicionalmente a principal fonte de proteína animal na China. É o terceiro mercado mais importante para as exportações da suinocultura dos EUA.

O impacto total fica muito abaixo dos US$ 60 bilhões de Trump, sinal de que a China ainda está aberta a negociar. Mas não significa que vá ceder. O economista Robert Shiller, ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 2013, adverte para o risco de que sucessivas imposições de tarifas bilaterais de lado a lado levem à "crise econômica" ao "caos" e à "desaceleração do desenvolvimento".

quinta-feira, 22 de março de 2018

China faz lista de 128 produtos dos EUA para impor tarifas retaliatórias

O Ministério do Comércio da China revelou na manhã desta sexta-feira ter feito uma lista de 128 produtos importados dos Estados Unidos para responder à decisão do presidente Donald Trump de sobretaxar as importações de produtos chineses em até US$ 60 bilhões por ano, informou a televisão americana CNBC, especializada em noticiário econômico.

Entre os produtos visados, estão alumínio reciclado, canos de aço, carne de porco, porcos vivos, soja e sorgo. O total deve chegar a US$ 3 bilhões, 20 vezes menos do que o tarifaço ameaçado por Trump.

A China acusou o governo Trump de causar "danos graves" ao sistema multilateral de comércio e à "ordem normal do comércio global. A nota do ministério pede a realização de negociações urgentes com os EUA para evitar um impacto ainda maior nas relações bilaterais.

Em Washington, o representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, vai divulgar em 15 dias uma lista de produtos chineses a serem sobretaxados. A partir daí, haverá um prazo de 30 dias para um debate público e possíveis negociações. Cerca de 1,3 mil produtos foram examinados.

A proposta inicial era impor tarifas de até 25% com um valor de até US$30 bilhões por ano. Trump interferiu pessoalmente para dobrar este valor para US$ 60 bilhões. A China não vai deixar barato. Alega ter aumentado a proteção à propriedade intelectual e promete abrir setores de sua economia ainda fechados ao capital estrangeiro.

"Não queremos uma guerra comercial", declarou o embaixador chinês nos EUA, Cui Tiankai. "Mas não estamos com medo. Se alguém nos impuser uma guerra comercial, com certeza vamos contra-atacar e retaliar."

Trump impõe tarifas de US$ 60 bilhões por ano à China

O presidente Donald Trump anunciou hoje a decisão de impor tarifas no valor de até US$ 60 bilhões por ano às importações da China, que acusou por décadas comércio desleal, roubo de propriedade intelectual e segredos comerciais dos Estados Unidos. 

A China declarou estar pronta para uma guerra comercial de longo prazo entre as duas maiores economias do mundo. Por medo do impacto do conflito, o Índice Dow Jones da Bolsa da Valores de Nova York caiu mais de 700 pontos (2,9%).

É a segunda medida protecionista adotada pelo presidente americano para combater o que chama de "agressão econômica". A primeira foi sobretaxar as importações de aço em 25% e de  alumínio em 10%. Em 15 dias, os EUA deverão apresentar a lista dos produtos chineses a serem sobretaxados.

Além das tarifas, os EUA vão restringir a compra de empresas de alta tecnologia e a transferência de tecnologia para os chineses. Há um grande avanço da China para superar os EUA em alta tecnologia e os americanos consideram essa supremacia essencial para manter a posição de maior potência mundial.

Trump chegou à Casa Branca decidido a reduzir o déficit comercial dos EUA, que no ano passado chegou a US$ 566 bilhões. Com a China, subiu de US$ 347 bilhões para US$ 375 bilhões. Diante destas cifras, o presidente cobrou do governo chinês um plano para reduzir o déficit em US$ 100 bilhões. Sem uma resposta concreta, partiu para a ação.

Ao contrário do que pensa a maioria dos economistas, o presidente afirmou que as tarifas "vão nos tornar numa nação mais rica e mais forte", reduzindo "o maior déficit comercial que qualquer país já teve na história da humanidade. Está fora de controle."

O presidente adota na política as mesmas táticas de confrontação que aprendeu no mundo dos negócios. Ataca, tenta minar o poder do outro lado e depois recua um pouco, dando a impressão de ceder.

Nas tarifas sobre o aço e o alumínio, Trump acenou com isenção para os aliados dos EUA, inclusive o Brasil. Austrália, Canadá e Coreia do Sul conseguiram oficialmente a isenção. O alvo da guerra comercial é a China e os EUA podem precisar de aliados.

"Não queremos uma guerra comercial", declarou o embaixador chinês nos EUA, Cui Tiankai. "Mas não estamos com medo. Se alguém nos impuser uma guerra comercial, com certeza vamos contra-atacar e retaliar."

A China se defende alegando que aumentou a proteção à propriedade intelectual e prometendo abrir sua economia ao investimento estrangeiro.

quinta-feira, 8 de março de 2018

Trump sobretaxa importações e ameaça impor tarifas recíprocas

O presidente Donald Trump deu hoje o primeiro tiro numa guerra comercial de consequências imprevisíveis, capaz de abalar o sistema multilateral de comércio criado pelos Estados Unidos depois da Segunda Mundial (1939-45) para evitar a volta da Grande Depressão (1929-39). 

Além de sobretaxar as importações de aço em 25% e de alumínio em 10%, Trump ameaçou impor tarifas-espelho ou recíprocas no comércio exterior dos EUA. As novas tarifas entram em vigor em 15 dias. O Canadá e o México ficam isentos "por enquanto". Segundo maior exportador de aço para o mercado americano, o Brasil será afetado.

Ao lado de trabalhadores dos setores de aço e alumínio, o presidente se queixou do tratamento injusto que a maior economia da Terra teria recebido de seus rivais menos poderosos nas últimas décadas. Em seu estilo de palanque, mentiu sobre o déficit comercial dos EUA, dizendo ser de US$ 800 bilhões. No ano passado, foi de US$ 566 bilhões.

"Vocês qual a tarifa que carros importados dos EUA pagam na China? 25%. E os carros chineses pagam tarifa de 2,5?% para entrar nos EUA", afirmou Trump. "Isto vai mudar. Se cobram 25%, vamos cobrar 25%, tarifas-espelho, recíprocas."

Trump usou o argumento da segurança nacional, o artigo 232 da Lei de Comércio dos EUA, que não faz sentido porque o país não importa muito aço da China, só 2% do total. Os maiores exportadores de aço para o mercado americano são o Canadá e o Brasil, aliados e não inimigos dos EUA.

"Temos amigos e inimigos que lucraram muito conosco em comércio e defesa", acrescentou o presidente americano. "Se olharmos a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), a Alemanha paga 1% do produto interno bruto e nós pagamos 4,2% de um PIB muito maior. Não é justo."

Os maiores parceiros comerciais dos EUA, a China, a União Europeia e o Canadá, ameaçaram impor tarifas retaliatórias às exportações americanas, numa guerra comercial. A UE exporta aço no valor de cerca de 5 milhões de euros por ano e outro milhão de euros em alumínio para os EUA. A comissária de Comércio Exterior, Cecilia Malmström, preparou uma lista de produtos tradicionais americanos a serem sobretaxados, inclusive manteiga de amendoin e whiskey bourbon.

A decisão de excluir o Canadá e o México aumenta a pressão sobre esses países na renegociação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta).

Em protesto, depois de perder o debate com a ala protecionista, o principal assessor econômico da Casa Branca, Gary Cohn, um democrata, anunciou sua saída. A maioria dos economista prevê um aumento nos preços do aço e do alumínio com reflexos na fabricação de todos os produtos industriais dependentes destas matérias-primas.

Uma guerra comercial pode ter consequências arrasadoras. A última guerra comercial em escala global levou à Grande Depressão, principal causa econômica da Segunda Guerra Mundial.

Dentro do próprio Partido Republicano, os defensores do liberalismo econômico criticaram a decisão de Trump. O presidente da Câmara, deputado Paul Ryan, foi claro: "Estou em desacordo com estas decisão e creio que as consequências são imprevisíveis."

Enquanto os EUA adotavam o protecionismo econômico, 11 países (Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Cingapura, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru e Vietnã) assinaram hoje em Santiago, no Chile, a Parceria Transpacífica (TPP).

O acordo comercial negociado pelo governo Barack Obama foi repudiado por Trump assim que chegou à Casa Branca, em janeiro de 2017. Os outros países decidiram tocar a frente a TTP mesmo sem os EUA.

sexta-feira, 2 de março de 2018

Trump inicia guerra comercial

Ao impor tarifas de 25% sobre as importações de aço e de 10% sobre as importações de alumínio, o presidente Donald Trump deflagrou uma guerra comercial em escala global. Os maiores parceiros comerciais dos Estados Unidos, a China, a União Europeia e o Canadá ameaçam impor tarifas retaliatórias sobre exportações americanas.

Diante da ameaça de um grande conflito comercial, o Índice Dow Jones, da Bolsa de Valores de Nova York, caiu 586 pontos. Teve uma recuperação, mas terminou o dia em queda de 380 pontos (1,5%). O índice amplo Standard & Poor's 500 e a bolsa de ações de alta tecnologia Nasdaq fecharam em queda de 1,3%.

O dia começou com boas notícias. O número de novos pedidos de seguro-desemprego caiu na semana encerrada em 24 de fevereiro em 10 mil para 210 mil. É o menor desde 1969. O índice dos gerentes de compras do Institute for Supply Management chegou a 60,8, a maior leitura desde maio de 2004.

Com o anúncio inesperado de Trump impondo tarifas pesadas em nome da "segurança nacional" e da proteção de empregos nos EUA, repudiadas pelos deputados e senadores liberais economicamente do Partido Republicano e pelas grandes empresas transnacionais americanas, o mercado desandou.

Em consequência, o Índice Dow Jones voltou a ficar negativo para o ano. A Nasdaq registra alta de 4%. "Os comerciantes estão focando na questão das tarifas, enquanto os investidores estão olhando para o aumento dos lucros, a inflação baixa e as taxas de juros bastante baixas."

O Brasil, onde o aço representa 3% das exportações, ameaça recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) junto com outros países prejudicados. Mas Trump pode rejeitar a decisão e romper com a OMC, uma criação americana para promover o livre comércio e resolver conflitos comerciais, como ameaçou fazer tantas vezes, sob a alegação de que diminui a soberania dos EUA para negociar acordos internacionais.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Armênios voltam a protestar contra governo aliado da Rússia

As manifestações de protesto contra um aumento nas tarifas de energia elétrica lideradas pelo movimento "De Pé, Armênia!" foram reiniciadas na noite de hoje em Ierevã, a capital desta ex-república soviética aliada da Rússia.

O movimento exige a suspensão da alta nos preços da eletricidade até 1º de agosto de 2015.

As manifestações são comparadas à onda de protestos iniciada em novembro de 2013 na ex-república soviética da Ucrânia, que levaram à revolução da Praça Maidan, à queda do presidente Viktor Yanukovich e à intervenção militar russa para anexar a Crimeia e subverter a ordem no Leste da Ucrânia. Mas é improvável que ameacem o governo, a não ser que haja violência.

Como a empresa de energia elétrica é de propriedade de um oligarca russo próximo do Kremlin, os protestos têm um caráter contra a Rússia e as pretensões do protoditador Vladimir Putin de manter a influência sobre as repúblicas da antiga União Soviética.