Em mais uma surpresa para os aliados dos Estados Unidos no Grupo dos Sete, que reúne as maiores potências industriais capitalistas (EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá), o presidente Donald Trump propôs fazer do G-7 uma zona de livre comércio, sem tarifas de importação nas transações entre os países-membros.
Foi uma surpresa porque Trump chegou à reunião de cúpula em Charlevoix, no Canadá, depois de anunciar a imposição de tarifas sobre as exportações de aço e alumínio dos aliados, no que pode facilmente virar uma guerra comercial.
"Sem tarifas, nem barreiras - é assim que deve ser. E sem subsídios", declarou o presidente americano antes de sair da reunião rumo a Cingapura, onde se encontra na terça-feira com o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Un. "Somos como aquele cofrinho de porquinho que todo o mundo está roubando. Isso vai acabar."
Em entrevista coletiva, Trump voltou a se queixar do protecionismo agrícola do Canadá e denunciou as políticas comerciais "brutais" da União Europeia: "Isso vai parar ou vamos parar de comerciar com eles."
O chefe da assessoria econômica da Casa Branca, Larry Kudlow, afirmou que a proposta de criar uma zona de livre comércio é resultado de uma "longa discussão" e não mais uma atitude impulsiva de Trump. Na sua opinião, é preciso "reduzir aquelas barreiras. De fato, ir para zero, sem tarifas, sem barreiras não tarifárias nem subsídios. Ao longo do caminho, vamos ter de limpar o sistema de comércio internacional."
Ao chegar ao poder, Trump retirou os EUA da Parceria Transpacífica (TPP), acertada pelo governo Barack Obama, e praticamente enterrou as negociações sobre uma Parceria Transatlântica de Comércio e Investimentos.
Antes de sair, Trump declarou ser contra uma iniciativa do Canadá para combater a poluição de plástico nos oceanos. O presidente americano deixou a reunião cedo neste sábado, antes do debate do G-7 sobre questões ambientais.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
Mostrando postagens com marcador barreiras não tarifárias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador barreiras não tarifárias. Mostrar todas as postagens
sábado, 9 de junho de 2018
Trump propõe transformar G-7 em área de livre comércio
Marcadores:
Alemanha,
barreiras não tarifárias,
Canadá,
Donald Trump,
EUA,
Europa,
G-7,
Japão,
Larry Kudlow,
Livre Comércio,
Protecionismo,
subsídios,
tarifas,
UE
sexta-feira, 4 de maio de 2018
EUA fazem exigências para evitar guerra comercial com a China
O governo Donald Trump apresentou hoje à China sua lista pesada de exigências para equilibrar o comércio entre os dois países e evitar uma guerra comercial entre as maiores economias do mundo, a começar por uma redução de 200 bilhões no saldo comercial chinês, que em 2017 chegou a US$ 375 bilhões.
A delegação americana acusou a China de roubo de tecnologia e propriedade intelectual. Exigiu o fim dos subsídios ao setor industrial dentro do programa Made in China 2025 (Fabricado na China 2025), que visa a tornar o país líder em tecnologias de ponta, num desafio à liderança tecnológica e militar dos EUA.
Um dos grandes objetivos não declarados da guerra comercial que Trump ameaça travar com a China é impedir que o país, que deve ultrapassar a economia americana entre 2020 e 2030, se torne uma superpotência tecnológica e militar capaz de superar os EUA. Pode dificultar e atrasar, mas dificilmente vai conseguir.
Dentro desta disputa tecnológica, os EUA vão restringir o investimento chinês nos EUA em vários setores de tecnologia de ponta e não aceitam retaliações, que com certeza virão. Ao mesmo tempo, querem mais facilidades para as empresas americanas investirem na China de olho no cobiçado mercado chinês.
Os EUA também querem a abertura do mercado chinês, com a redução de tarifas e a eliminação de barreiras não tarifárias aos produtos e serviços americanos, a "reciprocidade" cobrada por Trump. Ainda exigem que a China retire a reclamação contra os EUA na Organização Mundial do Comércio (OMC) porque Washington não trata a China como uma economia de mercado.
Não existe a menor chance da China aceitar estas exigências. Dentro do estilo de negociação de Trump, os EUA apresentaram uma lista maximalista na esperança de barganhar. A bola está com a China para continuar o jogo.
A delegação americana acusou a China de roubo de tecnologia e propriedade intelectual. Exigiu o fim dos subsídios ao setor industrial dentro do programa Made in China 2025 (Fabricado na China 2025), que visa a tornar o país líder em tecnologias de ponta, num desafio à liderança tecnológica e militar dos EUA.
Um dos grandes objetivos não declarados da guerra comercial que Trump ameaça travar com a China é impedir que o país, que deve ultrapassar a economia americana entre 2020 e 2030, se torne uma superpotência tecnológica e militar capaz de superar os EUA. Pode dificultar e atrasar, mas dificilmente vai conseguir.
Dentro desta disputa tecnológica, os EUA vão restringir o investimento chinês nos EUA em vários setores de tecnologia de ponta e não aceitam retaliações, que com certeza virão. Ao mesmo tempo, querem mais facilidades para as empresas americanas investirem na China de olho no cobiçado mercado chinês.
Os EUA também querem a abertura do mercado chinês, com a redução de tarifas e a eliminação de barreiras não tarifárias aos produtos e serviços americanos, a "reciprocidade" cobrada por Trump. Ainda exigem que a China retire a reclamação contra os EUA na Organização Mundial do Comércio (OMC) porque Washington não trata a China como uma economia de mercado.
Não existe a menor chance da China aceitar estas exigências. Dentro do estilo de negociação de Trump, os EUA apresentaram uma lista maximalista na esperança de barganhar. A bola está com a China para continuar o jogo.
Marcadores:
abertura econômica,
barreiras não tarifárias,
China,
disputa tecnológica,
economia de mercado,
EUA,
guerra comercial,
investimentos,
Made in China 2025,
OMC,
Saldo comercial,
tarifas
Assinar:
Postagens (Atom)