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sábado, 11 de fevereiro de 2023

Lula retoma diplomacia presidencial

Com a visita aos Estados Unidos depois de ter ido à Argentina e uma viagem à China prevista para março, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta restaurar a política externa que seu ex-ministro Celso Amorim define como "ativa e altiva", partindo do princípio de que o Brasil deve participar de todos os debates internacionais.

A reunião com o presidente Joe Biden teve pontos de grande concordância, como a necessidade de defender a democracia diante do avanço da extrema direita em escala global, de preservar a Floresta Amazônica para reduzir o impacto do aquecimento global, e de combater a pobreza e a desigualdade social. O pomo da discórdia foi a invasão da Rússia na Ucrânia. Meu comentário:

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Trump e Biden fazem último debate civilizado e equilibrado

Presidente não obteve vitória para virar o jogo, que ainda não acabou

No último debate antes da eleição presidencial de 3 de novembro, o presidente Donald Trump e o ex-vice-presidente Joe Biden fizeram ontem à noite em Nashville, no estado do Tennessee, um duelo equilibrado e muito mais civilizado do que o primeiro, sem um nocaute. 

Líder nas pesquisas, Biden teve a clara preocupação de não se comprometer. Os temas mais polêmicos foram pandemia, saúde, corrupção, racismo e meio ambiente. Com os Estados Unidos polarizados e a opinião pública cristalizada, a expectativa é que não haja grande mudança no eleitorado. Cerca de 50 milhões já votaram antecipadamente.

Mais uma vez, Biden se apresentou como um homem decente, de caráter. Acusou Trump de ser "o presidente mais racista da história moderna do país" e de não pagar impostos, e previu um "inverno escuro", com o agravamento da pandemia do coronavírus de 2019 e possivelmente mais 200 mil mortes nos EUA.

Trump perguntou por que o candidato democrata não fez tudo o que promete nos 47 anos em que ficou no Senado e quando era vice-presidente nos governos Barack Obama (2009-17) e afirmou que uma vitória da oposição vai causar "uma recessão nunca vista". Atacou o que o outro não fez e não revelou o que pretende fazer num segundo mandato, além de recuperar a economia.

Leia mais em Quarentena News.

terça-feira, 22 de setembro de 2020

Bolsonaro nega na ONU responsabilidade por pandemia e queimadas

 Declaração voltada para seguidores não tem a menor credibilidade internacional

Em discurso previsível e sem qualquer novidade, o presidente Jair Bolsonaro rejeitou hoje, ao abrir a sessão de pronunciamentos de líderes nacionais na reunião anual da Assembleia Geral das Nações Unidas, a responsabilidade pelas maiores tragédias de seu governo: a morte de 138 mil brasileiros na pandemia do coronavírus de 2019 e as queimadas que destroem grandes áreas da Amazônia e do Pantanal. 

Bolsonaro culpou governadores e prefeitos pelo fracasso no combate à covid-19 e índios e caboclos pelas queimadas, absolvendo desmatadores, grileiros, mineiros e fazendeiros pela destruição da natureza.

Foi um discurso para o público interno. Mais uma vez, o presidente apelou para a mentira como arma política, pregando para convertidos. Nenhum estrangeiro deve ter sido convencido por suas alegações descoladas da realidade, do discurso de vítima de uma conspiração internacional contra a agricultura brasileira.

Leia mais em Quarentena News.

domingo, 15 de dezembro de 2019

Conferência do Clima termina sem avanços por obstrução do Brasil

A 25ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CoP-25)terminou hoje em Madri, dois dias depois do previsto, sem avanços. Não houve acordo para criar um mercado de negociação de créditos de carbono. O secretário-geral da ONU, António Guterres, lamentou a oportunidade perdida.

O Brasil foi apontado como um dos maiores responsáveis pelo fracasso. O patético ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, aproveitou encontros bilaterais com os países ricos para pedir dinheiro para a preservação da Amazônia, no que foi definido por negociadores estrangeiros como uma "chantagem imatura".

Numa atitude sem precedentes, o Brasil tentou excluir do documento final as últimas conclusões científicas do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), que publicou dois novos relatórios neste ano, mas acabou cedendo. Saiu acusando os países ricos. Diplomatas brasileiros descreveram a situação como mais uma perda do capital político do Brasil em negociações ambientais.

O mercado de créditos de carbono serviria para os países com baixas emissões venderem parte de suas cotas de poluição para outros países. Salles e sua equipe foram acusados de atacar o Acordo de Paris ao tentar descontar duplamente a contagem das reduções de emissões, pelo comprador e pelo vendedor.

Assim, o Brasil sai da conferência como um dos vilões do meio ambiente, ao lado dos Estados Unidos, da Arábia Saudita e da Austrália. O governo Jair Bolsonaro abre mãe da liderança internacional do Brasil, que vinha desde a Conferência da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio-92, reafirmada pela Rio+20.

A CoP-25 deveria ter sido realizada no Brasil, mas Bolsonaro não quis organizar a conferência alegando que seria um custo para o país em meio à crise econômica. A meta do IPCC é manter o aumento da temperatura média do planeta em 1,5ºC, no máximo 2ºC, para evitar consequências catastróficas, como fenômenos climáticos mais violentos, com secas, enchentes, furacões, tornados, destruição de solos e queda na produção de alimentos.

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Bolsonaro erra mais uma vez ao rejeitar ajuda do G-7

A guerrinha fria com a França não apaga o fogo das queimadas na Amazônia e ameaça o acordo de livre comércio do Mercosul com a União Europeia. Hoje, o presidente Jair Bolsonaro exigiu uma retratação do presidente da França, Emmanuel Macron, que o chamou de mentiroso.

Com a Floresta Amazônica em chamas, não se despreza uma ajuda de 20 milhões de dólares, cerca de 83 milhões de reais, por infantilidade, birra ou pensamento paranoico. 

No primeiro momento, o presidente justificou a falta de ação de governo por falta de recursos. Diante da forte reação internacional e de setores do agronegócio e da indústria interessados no acordo comercial, mobilizou as Forças Armadas para combater os incêndios. Meu comentário:

quinta-feira, 4 de julho de 2019

França lidera resistência ao acordo UE-Mercosul

Maior potência agrícola da União Europeia, a França será o principal centro da rejeição ao acordo de livre comércio assinado com o Mercado Comum do Sul (Mercosul). O acordo está sendo criticado até mesmo dentro da bancada do governo Emmanuel Macron, majoritária na Assembleia Nacional.

A estimativa é que os consumidores europeus vão economizar 4 bilhões de euros, mais de R$ 17 bilhões de reais, em impostos de importação a serem eliminados. Mas agricultores, ecologistas e sindicalistas temem danos ao meio ambiente e à qualidade da comida.

O grande temor está na abertura do mercado agrícola, fortemente protegido até há pouco pela política agrícola comum. Com esta abertura, o Mercosul vai poder exportar para a UE todo ano 159 mil toneladas de carne bovina, 180 mil toneladas de carne de frango, 45 mil toneladas de mel, 180 mil toneladas de açúcar e 60 mil toneladas de arroz.

Os europeus veem risco para a segurança alimentar e não veem garantias de avanços ambientais com as contrapartidas de preservação da natureza oferecidas pelo bloco sul-americano. Meu comentário:

A resistência francesa está hoje na manchete de Le Monde, o jornal mais importante da França. Em editorial, o jornal disse que pode ser uma oportunidade para a Europa fazer ouvir sua voz e aplicar seus padrões. 

Ao assinar o acordo, durante a reunião do Grupo dos Vinte (G-20) em Osaka, no Japão, o presidente Emmanuel Macron afirmou que todas as preocupações da França foram contempladas. Anteontem, em Bruxelas, a capital da União Europeia, Macron advertiu contra o "neoprotecionismo".

Mas o presidente francês está vulnerável depois da revolta dos coletes amarelos, que nasceu no interior, em zonas rurais, onde os moradores não queriam pagar mais pelo óleo diesel, frustrando os planos do governo para reduzir o consumo de combustíveis fósseis e o aquecimento global.

Os críticos alegam que o imperativo econômico da Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia, é negociar acordos de livre comércio para criar mais oportunidades para as exportações do bloco. Mas toda negociação exige concessões.

A comissária europeia de Comércio, a sueca Cecilia Malmström, que negociou o acordo, alega que o desafio da mudança do clima não será vencido sem comércio e desenvolvimento sustentável.

Além da questão econômica, o acordo tem objetivos políticos como manter o Brasil no Acordo de Paris sobre Mudança do Clima e pressionar o governo Jair Bolsonaro a adotar políticas sociais e ambientais dentro dos padrões europeus.

A maior resistência está no setor agrícola europeu. Para o presidente da Federação Nacional Bovina da França, Bruno Dufayet, “os criadores do Mercosul já são ultracompetitivos. Qual o interesse em reduzir as tarifas de importação quando sabemos que sua produção não atende aos critérios impostos na Europa?”

Os escândalos sanitários e de corrupção denunciados no Brasil nos últimos anos são citados pelos inimigos do acordo, especialmente o escândalo da JBS, maior exportadora mundial de carne bovina.

A Comissão Europeia afirma que “as normas europeias de segurança alimentar não vão mudar e deverão ser respeitadas em todas as importações.” Assim, os produtos agrícolas tratados com pesticidas proibidos na Europa estariam excluídos, assim como transgênicos e as carnes de animais que receberam hormônios.

Hoje, mais de 90% da soja e quase 90% do milho produzidos no Brasil são transgênicos. Mas a maioria dos portes dos países-membros não estão capacitados a fazer os controles alfandegários necessários. Um relatório de dezembro do ano passado constatou que “nenhum exame sobre presença de hormônios em carnes importadas foi realizada nas fronteiras da França; os exames sobre antibióticos só foram feitos nas carnes de ovelha e de cavalo”.

Com o aumento das cotas de importação, os riscos de fraude serão muito maiores.

A agricultura intensiva do Mercosul usa grandes quantidades de produtos químicos e farmacêuticos. Desde janeiro, o governo Bolsonaro aprovou 239 novos agrotóxicos, inclusive várias substâncias proibidas na Europa, como a atrazina, um herbicida.

Os pecuaristas brasileiros são os maiores consumidores de antibióticos para animais depois da China e dos Estados Unidos. O risco é de deterioração da qualidade da comida servida aos europeus.

Na opinião da diretora da organização não governamental Foodwatch, o Observatório da Comida, Karine Jacquemart, o acordo tornará “mais difícil estabelecer novas normas na Europa, novas exigências de etiquetagem ou regras mais estritas para certos insumos”. Os países do Mercosul poderiam recorrer à Organização Mundial do Comércio, a OMC, o que levaria a um “rebaixamento das normas ao longo do tempo”.

A questão ambiental é talvez a maior preocupação dos europeus. O acordo foi vendido como uma maneira de forçar o governo Bolsonaro a não sair do Acordo de Paris. O Brasil prometeu reduzir a emissão de gases de efeito estufa até 2025 em 37% em relação a 2005, a acabar com o desmatamento ilegal na Amazônia até 2030 e a replantar 12 milhões de hectares de florestas.

Os críticos do acordo argumentam que os mecanismos de fiscalização dos aspectos ambientais são frágeis. Em caso de não cumprimento, o acordo prevê apenas “consultas governamentais”. Se elas não derem resultado, será criada um “painel de especialistas independentes”, que faria apenas recomendações.

Entre 1985 e 2017, o Brasil destruiu uma área da Floresta Amazônica do tamanho da França. No mês passado, o primeiro da estação em que chove menos na região desde a posse de Bolsonaro, o desmatamento aumentou em 88 por cento.

Para Mathildé Dupré, do Instituto Veblen, especializado na economia da transição ecológica, “tendo em conta a política catastrófica do Brasil para o clima e a biodiversidade, é injustificável oferecer ao país vantagens comerciais. É preciso, ao contrário, bloquear o acesso ao mercado europeu como soja e carne bovina que contribuam com o desmatamento.”

A Comissão Europeia fez um estudo sobre o impacto do acordo na emissão de gases de efeito estufa ainda não divulgado. Samuel Leré, da Fundação Nicolas Hulot para a Natureza e o Homem, “na hora da emergência climática, a prioridade é utilizar as trocas comerciais para estimular a transição ecológica e não de assinar um acordo com um país cujas políticas vão contra este objetivo.”

As críticas injustificadas do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Sales, ao Fundo Amazônia e a tentativa de usar o dinheiro doado pela Noruega e a Alemanha para indenizar desmatadores deixam claro o desinteresse do atual governo brasileiro com a destruição da floresta. O Fundo Amazônia pode acabar.

As declarações do presidente falando em psicose ambientalista, do ministro do Meio Ambiente, da ministra da Agricultura, Tereza Cristina Dias, e do ministro de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, afirmando que o Brasil preserva a natureza, conspiram contra a aprovação final do acordo, que depende da ratificação pelo Parlamento Europeu e por todos os parlamentos nacionais dos 32 países envolvidos.

O Brasil é o país que mais desmata e que mais mata os defensores da floresta.

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Acordo UE-Mercosul é vitória da globalização e do multilateralismo

O acordo de livre comércio entre o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a União Europeia (UE) assinado na sexta-feira é uma vitória da globalização, do multilateralismo e da ala mais pragmática do governo Jair Bolsonaro. 

A aprovação final depende da ratificação pelos 32 países envolvidos e o Parlamento Europeu. Vai haver forte resistência de sindicalistas e ecologistas dos dois lados do Oceano Atlântico e dos agricultores europeus.

O acordo de livre comércio cria um mercado de 780 milhões de pessoas que geram uma riqueza anual de quase 20 trilhões de dólares, 30% do produto mundial bruto. A expectativa é de investimentos diretos no Brasil de mais de 110 bilhões de dólares e aumento do produto interno bruto de 125 bilhões em 15 anos.

O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, o embaixador brasileiro Roberto Azevêdo, prevê um “salto de competitividade” para a indústria nacional. 


Vamos ter automóveis, queijos, vinhos e chocolates da melhor qualidade, com padrão europeu, mas o vinho só vai estar totalmente liberado em 12 anos.

É um aviso ao presidente Trump, um apoio às reformas do presidente Mauricio Macri na Argentina e uma tentativa de enquadrar Bolsonaro. O Brasil teve de se comprometer a ficar no Acordo de Paris para tentar conter o aquecimento global. Meu comentário:


Mais de 85% das exportações para a Europa ficarão livres de tarifas imediatamente.

O acordo elimina 93% das tarifas sobre exportações do bloco para o mercado europeu e 99% do comércio agrícola. 81,7% dos produtos agrícolas serão isentos de tarifas e o resto estará sujeito a cotas. 

A cota anual de 99 mil toneladas de carne bovina deve enfrentar resistência dos criadores europeus. A cota de carne de aves ficou em 180 mil toneladas por ano.

Foram excluídos 100 produtos ainda não revelados.

As compras públicas foram preservadas como política de desenvolvimento.

A UE libertou 100% do mercado para produtos industriais; 80% serão liberados imediatamente.

O Mercosul ficou de abrir 80% do mercado de produtos industriais em até 15 anos. Cerca de 60% das reduções de tarifas serão feitas em 10 a 15 anos.

Vão cair os impostos de importação de 35% sobre automóveis, 14% a 18% sobre autopeças, até 18% para produtos químicos, 27% sobre vinhos e de 20% a 35% sobre outras bebidas alcoólicas.

O acordo tem um recorde de 357 produtos tradicionais europeus que não pode receber o mesmo nome quando fabricados em outras regiões como o champanhe, o presunto de Parma, o speck tirolês, o queijo Comté francês e o queijo português São Jorge.

A reação mais forte veio da presidente do principal sindicato agrícola da França, Christine Lambert. Ela declarou que "semanas depois das eleições europeias, a inaceitável assinatura de um acordo União Europeia-Mercosul vai expor os agricultores europeus a uma concorrência desleal e os consumidores a uma fraude total."

O acordo precisa ser ratificado pelos parlamentos nacionais e o Parlamento Europeu. Vai haver forte pressão para o Brasil e o Mercosul se adaptarem aos padrões de qualidade da União Europeia. 

É provável que os produtores da França se aliem aos da Polônia, da Irlanda, da Itália e de outros países europeus para tentar derrubar o acordo. Os nacionalistas de extrema direita também são contra.

Em 17 de junho, cerca de 340 organizações não governamentais pediram a suspensão das negociações até a obtenção de garantias sobre as políticas sociais e ambientais de Bolsonaro. Uma das críticas é que, desde janeiro, o governo brasileiro autorizou o uso de 239 novos pesticidas; 31% são proibidos na União Europeia.

O grupo ecológico Greenpeace acusou Bolsonaro de "desmantelar as proteções ambientais, tolerar incursões de homens armados em terras indígenas e supervisionar um aumento espetacular do desmatamento da Amazônia que mina anos de progresso para proteger a floresta".

Também há obstáculos políticos na América do Sul. O candidato do peronismo kirchnerista à Presidência da Argentina na eleição de outubro e novembro, Alberto Fernández, que tem a ex-presidente Cristina Kirchner como vice e chefe, não vê "benefícios concretos para o país" e fala num "claro prejuízo para a indústria e o emprego na Argentina". Se Macri perder, dificilmente o acordo será aprovado.

Além do Acordo sobre a Mudança do Clima e das questões ambientais, o Brasil e o Mercosul se comprometem a respeitar as normas trabalhistas, os direitos humanos e as comunidades indígenas. É uma tentativa de enquadrar o governo Bolsonaro nas regras e normas europeias, contrariando as visões antiglobalistas, unilateralistas e antieuropeias dos seguidores do astrólogo Olavo de Carvalho, do patético ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e do medíocre assessor para assuntos internacionais do Palácio do Planalto, Filipe Martins, da ala de extrema direita do governo.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Um milhão de espécies correm risco de extinção, alerta a ONU

A expansão da sociedade humana é responsável pela sexta grande era de extinção de espécies vivas da história da Terra, denuncia hoje um relatório das Nações Unidas produzido por mais de 450 cientistas e diplomatas. Um milhão de espécies de animais e vegetais, 25% do total, correm o risco de desaparecer.

A natureza selvagem perdeu metade de sua área. A biomassa dos mamíferos selvagens caiu em 82%. Mais de 40% das espécies de anfíbios, um terço dos corais, mais de um terço de todos os mamíferos marinhos e pelo menos um décimo dos insetos estão ameaçados. A queda na polinização ameaça a produção agrícola de uma perda de US$ 577 bilhões por ano e a degradação do solo reduziu a produtividade agrícola em 23%.

Durante três anos, os cientistas examinaram 15 mil relatórios e pesquisas para redigir esta advertência. O impacto sobre a humanidade é visível na escassez de água potável e na crescente instabilidade do clima causada pelo agravamento do efeito estufa em consequência da poluição industrial.

Três quartos de todas as terras foram transformadas em plantações, cobertas de concreto ou engolidas por barragens. Dois terços do ambiente marinho foram alterados por fazendas de piscicultura, rotas de navios, minas submarinas e outras intervenções. Três quartos dos rios e lagos são usados para a produção agropecuária.

Assim, mais de 500 mil espécies não encontram mais um ambiente adequado à sobrevivência a longo prazo e devem ser extintas nas próximas décadas.

"A saúde dos ecossistemas de que nós e outros espécies dependemos está se deteriorando mais rapidamente do que nunca. Estamos erodindo os alicerces de nossas economias, vidas, segurança alimentar, saúde e qualidade de vida no mundo inteiro", declarou o presidente da Plataforma Intergovernamental de Política Científica sobre Biodiversidade e Serviços de Ecossistemas, Robert Watson. "Perdemos tempo. Temos de agir já."

Uma "mudança transformadora" exige alterações profundas na ação governamental, nas regras do comércio internacional, um investimento maciço em florestas e mudança no comportamento individual como a redução no consumo de carnes e bens materiais.

sábado, 10 de novembro de 2018

Mais de 80% dos solos europeus têm resíduos de agrotóxicos

Uma análise de 317 amostras de solos onde são cultivados milho, trigo, legumes e uvas em 11 países da União Europeia constatou a presença de resíduos de pesticidas em mais de 80% dos casos, revelou uma pesquisa da Universidade de Wageningen, na Holanda, publicada na revista científica Science of the Total Environment.

A presença de pesticidas é a norma, não a exceção, concluiu o estudo. Foi testada a existência de 76 substâncias de combate a pragas da lavoura. Cerca de 58% das amostras tinham múltiplos resíduos de pesticidas até um máximo de 13 produtos químicos diferentes, enquanto 25% tinham um pesticida.

Entre os produtos químicos potencialmente perigosos encontrados, estão o glifosato, resíduos de DDT, proibido na Europa há décadas, e fungicidas como boscalida, epoxiconazol e tebuconazol. A maior concentração foi de 2,87 miligramas de pesticida por quilo de solo.

"Até agora, não existe uma legislação impondo limites ou padrões de qualidade para a presença de pesticidas aprovados no solo, ameaçando micro-organismos essenciais", declarou a professora Violette Geissen, do Grupo de Manejo da Terra e do Solo.

A professora advertiu: "É urgente adequar as políticas de proteção do solo a nível da UE. Além disso, os procedimentos atuais de aprovação de pesticidas devem ser reavaliados para cobrir os efeitos potenciais de misturas de resíduos de pesticidas sobre os organismos do solo."

Esta aí uma discussão importante no Brasil, o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, no momento em que um projeto de lei de autoria do ex-ministro da Agricultura Blairo Maggi tenta facilitar o licenciamento temporário e a aprovação definitiva de defensivos agrícolas, com amplo apoio dos fazendeiros e da bancada ruralista, uma das bases de apoio do futuro governo federal.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Justiça da Alemanha autoriza cidades a proibir veículos a diesel

O superior tribunal de justiça da Alemanha autorizou hoje os governos municipais a proibir o trânsito de veículos movidos a óleo diesel para combater a poluição e melhorar a qualidade do ar. Milhões de veículos podem sair de circulação, noticiou o jornal inglês The Guardian.

A decisão histórica revoluciona o maior mercado de automóveis da Europa. Cerca de 15 milhões de veículos são movidos a diesel na Alemanha. É um problema para a frágil coalizão liderada pela primeira-ministra conservadora Angela Merkel com o Partido Social-Democrata (SPD).

"O tribunal não impôs nenhuma proibição, mas trouxe clareza sobre a lei", declarou a ministra do Meio Ambiente, Barbara Hendricks. "As proibições podem ser evitadas. É minha meta e meu desejo que não entrem em vigor."

Em seu julgamento, o Tribunal Administrativo Federal, com sede na cidade de Leipzig, manteve a decisão de instâncias inferiores sobre o veto a veículos a diesel em Stuttgart e Düsseldorf, duas das cidades mais poluídas do país.

"É um grande dia para o ar puro na Alemanha", festejou Jürgen Resch, da Ajuda Ambiental Alemã, uma organização não governamental de proteção à natureza.

Ao criticar a decisão, o presidente da Associação da Indústria Automobilística da Alemanha, Matthias Wissmann, afirmou que "os padrões ambiciosos de qualidade do ar nas cidades alemãs podem ser atingidos sem proibições."

O excesso de óxidos de nitrogênio no ar causa uma série de problemas de saúde, de asma a derrame, matando entre 6 e 10 mil pessoas por ano na Alemanha. É um problema do óleo diesel, observou a televisão pública britânica BBC.

A norma da União Europeia é de no máximo 40 microgramas de óxidos de nitrogênio por metro cúbico de ar. Várias cidades alemãs, como Colônia, Düsseldorf, Munique e Stuttgart, várias vezes passam de 70 microgramas.

Mas o diretor da Associação de Municípios da Alemanha, Gerd Landsberg, considera difícil implantar e fiscalizar um veto a veículos a diesel com eficiência: "As prefeituras simplesmente não estão em posição de realizar em curto prazo a montanha burocrática necessária para aplicar uma proibição de dirigir" veículos a diesel.

Nem todos pensam assim. Em Hamburgo, o maior porto da Alemanha, situado no Norte do país, o senador verde Jens Kerstan promete banir o óleo diesel "em semanas" se a Câmara Municipal assim o decidir.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Poluição causou 9 milhões de mortes em 2015

A poluição foi responsável por 9 milhões de mortes em 2015, 16% do total. Cerca de 92% dessas mortes ocorreram em países de renda baixa ou média, como a China, a Índia, o Paquistão, Bangladesh, o Quênia e Madagascar, revelou um novo estudo publicado hoje na revista médica britânica The Lancet.

O prejuízo anual com a poluição é estimado em US$ 4,6 trilhões, equivalente a 6,2% do produto mundial bruto. A poluição do ar matou 6,5 milhões, enquanto a água poluída causou 1,8 milhão de mortes e a contaminação nos locais de trabalho, outras 800 mil mortes.

A maioria das mortes aconteceu na Índia (2,5 milhões) e na China (1,8 milhão), dois países com mais de um bilhão de habitantes e em crescimento acelerado. Os autores alegam que a poluição não é consequência inevitável do desenvolvimento. Basta aplicar as normas e leis dos países ricos para proteger suas populações.

Muitas dessas mortes foram causadas por doenças do coração, acidentes vasculares cerebrais, câncer de pulmão e enfizema pulmonar, tornando a contaminação ambiental um dos maiores fatores de risco para a morte prematura.

Como os países com mais mortes são pobres ou de renda média e a poluição afeta desproporcionalmente os mais pobres, em muitos casos, o problema é negligenciado, geralmente em nome de interesses econômicos. Agora mesmo, nos Estados Unidos, o país mais rico do mundo, o governo Donald Trump declarou "o fim da guerra ao carvão".

A Comissão sobre Saúde e Poluição da Lancet é um projeto de dois anos envolvendo mais de 40 cientistas das áreas de saúde e meio ambiente. Com base nos dados da pesquisa Peso Global da Doença, faz estimativas do impacto da poluição, seus custos econômicos e as dimensões da contaminação ambiental em escala global.

sábado, 10 de dezembro de 2016

Trump tem a menor aprovação de um presidente eleito dos EUA

A maioria dos americanos não votou em Donald Trump. No voto popular, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton venceu por mais de 2 milhões de votos. Assim, Trump chega à Casa Branca, em 20 de janeiro de 2017, com a menor aprovação de um presidente eleito dos Estados Unidos.

Trump tem hoje apenas 41% de aprovação, em contraste com 72% de Barack Obama, 65% de George Herbert Walker Bush e 62% de Bill Clinton pouco antes de assumirem a Presidência. George Walker Bush, que perdeu no voto popular para o então vice-presidente Al Gore no ano 2000, tinha 50%.

Com o aumento da polarização política, só 15% dos eleitores democratas apoiam o novo presidente, em constraste com 79% dos republicanos, o mesmo índice de George W. Bush.

Isso significa que o governo Trump começa sem o bônus de popularidade normalmente atribuído a um novo presidente. Cerca de 54% dos eleitores votaram contra o magnata imobiliário. Em vez de tentar aumentar seu apelo, os nomes indicados para o ministério e cargos importantes são aliados sem qualificação. Muitos são contra as agências governamentais pelas quais serão responsáveis.

O futuro diretor da Agência de Proteção Ambiental, Scott Pruitt, não acredita que o homem seja responsável pelo aquecimento global. O assessor de Segurança Nacional, general Michael Flynn, não considera o islamismo uma religião. Para ele, trata-se de uma ideologia política assassina. Flynn também divulgou notícias falsas durante a campanha.

Se for aprovado pelo Senado, o futuro secretário da Defesa será o general James Mattis, conhecido como Cachorro Louco. O secretário do Trabalho, Andy Puzder, é contra o aumento do salário mínimo e contra o pagamento de horas extras. Não admira que quase 60% dos americanos rejeitem Trump.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Papa fala de pobreza, imigração e aquecimento global nos EUA

Depois de passar por Cuba sem falar publicamente nos presos políticos do regime comunista, o papa Francisco chegou nos Estados Unidos indicando claramente as questões que deseja abordar durante a visita: a desigualdade social em meio à riqueza, a situação dos imigrantes ilegais latino-americanos e a proteção ao meio ambiente.

Com a popularidade de um popstar, Francisco atraiu a maior multidão reunida em Washington desde a posse de Barack Obama no primeiro mandato, em janeiro de 2009. Hoje à tarde, ele se torna o primeiro papa a discursar no Congresso dos EUA.

Suas críticas à ganância do capitalismo, sua tolerância com o homossexualismo e a promessa de perdão a quem faz aborto e se arrepende tornaram o papa alvo de críticas dos setores mais conservadores.

O governador de Nova Jérsei, Chris Christie, católico e aspirante à candidatura do Partido Repúblicano na eleição presidencial de 2016, declarou constrangido que "a infalibilidade do papa é em questões religiosas e não em política".

A Igreja Católica dos EUA, tradicionalmente conservadora, está à direita de Francisco. Outro tema delicado é a imigração. Descendente de italianos, o papa defendeu a legalização dos imigrantes e descreveu os EUA como um país construído por imigrantes.

Nos jardins da Casa Branca, Francisco deu apoio às negociações sobre o clima, advertindo que "o aquecimento global não é um problema que possa ser deixado para as próximas gerações". Também disse que veio em defesa da família e do casamento.

A maioria dos candidatos republicanos costuma afirmar que o aumento da temperatura média do planeta não é resultado da ação do homem, mais especificamente da queima de combustíveis fósseis como gás natural, carvão e petróleo.

As teses do papa estão mais próximas do Partido Democrata. Talvez ninguém tenha ficado tão feliz quanto Obama, observou o jornal The New York Times. Francisco já foi obrigado a esclarecer que não é comunista, orienta-se pela doutrina social da Igreja.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

VW admite fraude de normas antipoluição em 11 milhões de veículos

Depois de um grande esforço para se tornar o maior fabricante de automóveis do mundo, a empresa alemã Volkswagen reconheceu hoje que 11 milhões de veículos foram equipados com programas de computador para mascarar a emissão de poluentes e fraudar as normais de proteção ambiental.

Sob ameaça de um processo penal nos Estados Unidos, da convocação dos responsáveis pela empresa na Coreia do Sul e do pedido da França de uma investigação na Europa, a VW perdeu nos últimos dias 20% de seu valor de mercado.

Hoje, o diretor-presidente da empresa, Martin Winterkorn, prometeu que a manipulação jamais se repetirá. O escândalo das emissões de poluentes provocou uma onda de choque na Alemanha, onde a VW era considerada uma empresa-modelo e um orgulho nacional.

Na sexta-feira, as autoridades americanas denunciaram a fraude para mascarar a poluição gerada pelos veículos da VW movidos a óleo diesel, que poderia ser até 40 vezes acima do permitido. A multa pode chegar a US$ 18 bilhões.

A organização não governamental Conselho Internacional por um Transporte Limpo logo levantou a suspeita de que a fraude tenha sido cometida não só nos EUA, levando a União Europeia e a Coreia do Sul a exigir esclarecimentos e abrir investigações.

No primeiro semestre de 2015, a VW superou a japonesa Toyota em número de veículos vendidos, tornando-se a maior empresa do setor no mundo. Agora, essa liderança está ameaçada.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Papa Francisco lança primeira encíclica verde

Num duro ataque à ganância e ao sistema capitalista, o papa Francisco lançou a primeira encíclica papal dedicada prioritariamente ao meio ambiente, responsabilizando o homem pelo aquecimento global, a poluição, a destruição da natureza, o extermínio de espécies animais e de povos primitivos.

O papa ativista pressiona as grandes potências econômicas a chegar a um acordo para conter o agravamento do efeito estufa na 21ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, marcada para 30 de novembro a 11 de dezembro de 2015, em Paris.

A mobilização de Sua Santidade não surpreende.  Francisco se notabilizou por emitir opiniões sobre temas polêmicos como homossexualidade, pobreza, ganância do setor financeiro, o Genocídio Armênio cometido pelo Império Otomano na Primeira Guerra Mundial e a atual perseguição aos cristãos no Oriente Médio.

Francisco é um jesuíta. Sua ordem foi criada como um instrumento da Igreja Católica na chamada Contrarreforma, uma reação do Vaticano à Reforma Protestante iniciada pelo monge alemão Martinho Lutero, em 1517.

A Companhia de Jesus, fundada em 1534, foi sempre reformista, ativista e fortemente envolvida com a educação. Teve um papel fundamental na evangelização da América Latina e do Brasil, com personagens destacados como os padres José de Anchieta e Antônio Vieira.

Um encíclica papal é uma carta em que o Sumo Pontífice lança as políticas oficiais da Igreja para guiar os outros líderes da Igreja Católica e os fiéis em questões relevantes. Esta foi lançada dias depois do fracasso da conferência preparatória de Berlim, na Alemanha, encerrada em 11 de junho de 2015 sem avançar rumo a um acordo a ser fechado em Paris.

Com pouco mais de seis meses à frente, é improvável que se chegue a um acordo amplo e implementável capaz de conter o aumento da temperatura média do planeta em dois graus centígrados. Acima disso, os cientes do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima temem um aumento significativo de catástrofes naturais como secas, enchentes, furacões e tornados.

Ao longo da história, os papas exerceram papéis negativos e positivos. Sua influência diminui depois da importância de João Paulo II, o papa da Polônia, na fase final da Guerra Fria.

Como argentino e primeiro papa não europeu, Francisco tem influência considerável na América Latina, onde vivem cerca de 40% dos 1,1 bilhão de católicos do mundo. Só o Brasil em 12% dos católicos. Mas nada disso basta para garantir um acordo generoso para combater o aquecimento global.

Uma das primeiras respostas ao papa, antes mesmo da divulgação da encíclica, veio do Partido Republicano dos Estados Unidos, grande defensor da negação de que o homem seja responsável pelo aumento da temperatura da Terra, sob pressão das grandes companhias de petróleo, e do ex-governador da Flórida Jeb Bush, filho e irmão de ex-presidentes e candidato à Casa Branca em 2016.

"Não vou à igreja em busca de orientações políticas e econômicas", declarou Jeb durante a campanha.

Apesar dos esforços do papa Francisco, qualquer acordo a ser fechado em Paris será fraco, sem força para conter a emissão de gases carbônicos, que agravam o efeito estufa e aumentam a temperatura média do planeta.

No momento, com a maioria republicana no Senado, não existe a menor chance de um acordo de redução de emissões ser aprovado nos EUA. E se os EUA não se mexerem, a China, hoje a maior poluidora mundial, também não fará nenhuma concessão.

sábado, 21 de junho de 2014

Costa Rica é oásis de paz na América Central

Na madrugada de hoje, dei uma breve entrevista ao programa SporTV News para falar um pouco sobre a Costa Rica, o país sensação desta Copa do Mundo.

A Costa Rica tem a mais longa tradição democrática da América Latina, que vem desde 1949, enquanto Nicarágua, Honduras, El Salvador e a Guatemala saíram das guerras civis do século passado com muitas armas nas ruas e grandes populações marginalizadas. Hoje ainda enfrentam a migração de máfias de traficantes que fugiram da guerra do México contra as drogas.

Enquanto isso, a Costa Rica preserva 25% do seu território como parques nacionais e reservas ambientais. É o país com maior índice de desenvolvimento humano em sua faixa de renda per capita, pouco menos de US$ 10 mil por ano. Um dos cinco mais em proteção à natureza no ranking das universidades de Colúmbia e Yale, nos Estados Unidos.

Quando estive lá, em 1982, algumas pessoas tinham vergonha de terem mata atlântica. Hoje, estão ganhando dinheiro com ecoturismo, que já supera a participação da agricultura no produto interno bruto costa-riquenho.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Mundo vive melhor e pior momento, diz ONU

O mundo vive hoje o melhor e o pior dos tempos, com uma prosperidade sem precedentes enquanto mais de 1 bilhão de pessoas vivem na miséria e a desigualdade entre ricos e pobres aumenta, concluiu o relatório do Painel de Alto Nível do Secretário-Geral das Nações Unidos sobre Sustentabilidade Global de 2012, lançado hoje no Rio de Janeiro, um mês antes da Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20).

"A visão de longo prazo do Painel de Alto Nível sobre Sustentabilidade Global é erradicar a pobreza, reduzir a desigualdade e fazer com que o crescimento seja inclusivo e a produção e o consumo sejam mais sustentáveis, ao combater a mudança climática e respeitar outros limites planetários", diz o documento, distribuído na íntegra e num resumo executivo preparado pela ONU.

Vinte anos depois do Relatório Brundtland sobre Nosso Futuro Comum, reconhece o painel, "o conceito de desenvolvimento sustentável ainda não foi incorporado no fluxo do debate nacional e internacional sobre política econômica... Entretanto, integrar questões ambientais e sociais às decisões econômicas é vital para o sucesso".

Na ocasião, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, defendeu o fortalecimento do Programa das Nações Unidos para o Meio Ambiente (Pnuma), contrariando a posição da União Europeia, que gostaria de transformá-lo numa agência permanente da ONU, com mais poderes.

É mais um sinal de que o Brasil mantém uma posição atrasada, retrógrada e defensiva nas negociações internacionais sobre meio ambiente, sempre temeroso de ser cobrado pela calamitosa e irresponsável destruição da Floresta Amazônica, nosso maior patrimônio natural, avalizada pela aprovação do novo Código Florestal, que só interessa à agricultura predatória e aos desmatadores.

Confira aqui a gravação da entrevista coletiva distribuída pela ONU.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Fundação alemã forma agentes de mudança ambiental

A Fundação Konrad Adenauer realizará um curso de capacitação ambiental nesta semana no Rio de Janeiro. Ainda há vagas. Caso tenha interesse em participar, entre em contato através do email: kathrin.zeller@kas.de 


Mais informações: http://www.kas.de/brasilien/pt/events/50381/

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Pequena redução nas chuvas abalou civilização maia

O colapso dos maias, uma das três grandes civilizações pré-clolombianas da América, foi causada por uma redução relativamente pequena na quantidade de chuvas na América Central e no Sul do México, indica um novo estudo realizado pela Universidade de Southampton, na Inglaterra.

"Nossos dados mostram uma pequena redução nas chuvas entre o auge do período maia clássico e seu colapso, de 800 a 950 depois de Cristo", diz o professor Eelco Rohling, da Universidade de Southampton, chefe da equipe junto com o professor Martín Medina-Elizalde, do Centro de Pesquisa Científica de Yucatan, no México.

Pesquisas anteriores atribuíam a decadência maia a problemas ambientais que teriam reduzido a produtividade da agricultura tropical. O colapso está sendo estudado, entre outras razões, para tentar entender o impacto que o aquecimento global terá sobre a escassez de água e a produção de alimentos.

"As reduções na precipitação anual foram de apenas 25% a 40%, mas foram suficientes para que a evaporação fosse maior do que a chuva, reduzindo rapidamente a quantidade de água disponível", acrescenta Rohling. "Os dados indicam que a principal causa foi a diminuição das tempestades de verão".

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Reino Unido vai propor contabilidade verde na Rio+20

O Reino Unido vai aproveitar a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, a ser realizada em junho no Rio de Janeiro, para defender a adoção de uma "contabilidade verde", que leve em conta o valor da natureza e não apenas a produção econômica.

A ministra do Meio Ambiente, Caroline Spelman, vai lançar a iniciativa para mudança nos cálculos do produto interno bruto para o que chamou de PIB+. Seria incluído o que ela chama de "capital natural", avaliando-se ecossistemas como florestas, fontes de água e defesas naturais contra inundações, que no momento são consideradas grátis, noticia o jornal inglês The Independent.

A Rio+20 será realizada no 20º aniversário da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a chamada Cúpula da Terra. Fará um balanço da situação ambiental nos últimos 20 anos e avaliará processos em andamento como o aquecimento global e as tentativas de mitigá-lo.