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segunda-feira, 2 de abril de 2018

Candidato governista é eleito presidente da Costa Rica

Com pouco mais de 60% dos votos, o candidato de centro-esquerda Carlos Alvarado Quesada foi eleito ontem presidente da Costa Rica, a mais antiga democracia da América Latina, vencendo no segundo turno o pastor evangélico Fabricio Alvarado, que fez campanha contra o casamento gay.

A ampla maioria na região central do país e na província de Guanacaste, no Norte, garantiram a vitória expressiva de Carlos Alvarado. Pouco depois das 21h pela hora local (meia-noite em Brasília), o presidente eleito fez o discurso da vitória diante de centenas de seguidores reunidos na Praça Roosevelt, em São Pedro, depois de receber um telefonema do adversário reconhecendo a derrota.

"A proeza democrática que se ergueu hoje é uma proeza de toda a Costa Rica. Meu dever é unir esta República", afirmou Alvarado, citado pelo jornal costa-riquenho La Nación, convocando outros partidos para formar a aliança governista. "Não será um governo só do PAC", o Partido Ação Cidadã, social-democrata.

O novo presidente da Costa Rica toma posse em 8 de maio para cumprir um mandato de quatro anos. Carlos Alvarado nasceu em 1980. É jornalista e escritor, com Mestrado em Ciências Políticas pela Universidade da Costa Rica. Casado, tem um filho de quatro anos. Era ministro do Trabalho do governo Guillermo Solís quando seu nome foi lançado.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Pastor evangélico vence primeiro turno na Costa Rica

Com uma campanha contra o casamento gay, o pastor evangélico Fabricio Alvarado obteve 24,8% dos votos e ficou em primeiro lugar na eleição presidencial da Costa Rica, um dos países mais democráticos da América Latina. O segundo turno será disputado em 1º de abril.

A apuração ainda não terminou. Em segundo lugar, com 21,8%, está Carlos Alvarado, do partido centrista Ação Cidadã, hoje no poder com o presidente Luis Guillermo Solís. Ele não é parente do pastor. Em terceiro, vem o ex-deputado Antonio Álvarez, do Partido Libertação Nacional, social-democrata, o mais tradicional do país, com 18,5%, informa o jornal local La Nación.

Ao todo, 13 candidatos disputaram a eleição. O índice de abstenção foi de 34%. Também foram eleitos 57 deputados da Assembleia Legislativa, o parlamento unicameral costa-riquenho. O jornal La República prevê dificuldades para o futuro presidente com um parlamento fragmentado entre vários partidos.

O casamento de homossexuais virou um tema central da campanha depois que a Corte Interamericana de Direitos Humanos, com sede em São José, a capital da Costa Rica, conclamou os países da América Latina a reconhecê-lo. A CIDH é ligada à Organização dos Estados Americanos (OEA).

Um dos países líderes em proteção ambiental e energias renováveis, a Costa Rica lucra com o turismo ecológico. Uma das maiores preocupações do eleitorado é o aumento da violência relacionada ao tráfico de drogas.

sábado, 21 de junho de 2014

Costa Rica é oásis de paz na América Central

Na madrugada de hoje, dei uma breve entrevista ao programa SporTV News para falar um pouco sobre a Costa Rica, o país sensação desta Copa do Mundo.

A Costa Rica tem a mais longa tradição democrática da América Latina, que vem desde 1949, enquanto Nicarágua, Honduras, El Salvador e a Guatemala saíram das guerras civis do século passado com muitas armas nas ruas e grandes populações marginalizadas. Hoje ainda enfrentam a migração de máfias de traficantes que fugiram da guerra do México contra as drogas.

Enquanto isso, a Costa Rica preserva 25% do seu território como parques nacionais e reservas ambientais. É o país com maior índice de desenvolvimento humano em sua faixa de renda per capita, pouco menos de US$ 10 mil por ano. Um dos cinco mais em proteção à natureza no ranking das universidades de Colúmbia e Yale, nos Estados Unidos.

Quando estive lá, em 1982, algumas pessoas tinham vergonha de terem mata atlântica. Hoje, estão ganhando dinheiro com ecoturismo, que já supera a participação da agricultura no produto interno bruto costa-riquenho.

sábado, 14 de junho de 2014

Costa Rica: a mais antiga democracia da América Latina


A República de Costa Rica é um país da América Central cercado pela Nicarágua ao norte, o Mar do Caribe a leste, o Panamá a sudeste e o Oceano Pacífico a oeste. O país aboliu o Exército em 1949 e tem a mais longa tradição democrática da América Latina.

A Costa Rica é um exemplo de país que baseia sua atuação internacional na consolidação da democracia, notou Joseph Tulchin no livro The Consolidation of Democracy in Latin America (Londres, 1995).

A liderança nas negociações de paz nas guerras civis da América Central deu ao presidente costa-riquenho Óscar Arias Sánchez o Prêmio Nobel da Paz 1987. O país sedia a Corte Interamericana de Direitos Humanos, o Tribunal de São José, mencionado recentemente como uma última possibilidade de recursos para os réus do Mensalão.

DESENVOLVIMENTO HUMANO
Esta paz social se reflete nos indicadores socais. A Costa Rica tem um dos maiores índices de desenvolvimento humano da América Latina e o mais alto para países do mesmo nível de renda, como destacou o Relatório de Desenvolvimento da ONU de 2010.

A Costa Rica também se destaca em desenvolvimento sustentável. É o 5º país do mundo no ranking do Índice de Performance Ambiental calculado pelas universidades americanas de Yale e Colúmbia, depois de Suíça, Letônia, Noruega e Luxemburgo.

A New Economics Foundation, um instituto de pesquisas do Reino Unido, considera a Costa Rica o país mais verde e um dos mais felizes do mundo.

GEOGRAFIA
A Costa Rica possui duas planícies costeiras, uma banhada pelo Oceano Pacífico, rochosa e recortada, e outra pelo Atlântico, retilínea e sujeita aos furacões que açoitam o Mar do Caribe.

Uma cadeia de montanhas com vulcões ativos corta esse pequeno país de Norte a Sul. No centro da cordilheira centro-americana, há um planalto, a Meseta Central, onde ficam as principais cidades e vivem mais de 50% dos habitantes da Costa Rica. O ponto mais alto é o Cerro Chirripó, de 3.819 metros.

CLIMA
Situada entre os paralelos 8º e 12º Norte, a Costa Rica tem um clima tropical o ano inteiro, com uma estação chuvosa que vai de maio a novembro e cinco meses mais secos de dezembro a abril.

A temperatura média varia de 17ºC, na mínima, a 28ºC, na máxima.

POPULAÇÃO
Sua população, de 4,6 milhões de habitantes pelo censo de 2011, era 65,8% branca de origem europeia, principalmente espanhola, mas também alemã, italiana, francesa, britânica, holandesa, sueca e grega; 13,65% mestiça (brancos e índios); 9% imigrante, sobretudo asiáticos; 6,7% mulata (brancos e negros), 2,4% indígena e 1% negra.

Os costa-riquenhos são chamados popular e carinhosamente como ticos. Cerca de 64% moram em cidades e 36% em zonas rurais.

A capital, São José ou San José, tinha 288 mil habitantes pelo censo de 2011. É considerada uma das capitais mais seguras da América Latina. As outras cidades importantes do país, Alajuela, Cartago e Heredia, ficam próximas.

PRESERVAÇÃO
Cerca de 25% do território de 51,1 mil km2, um pouco maior do que o estado do Espírito Santo, são parques nacionais e áreas de preservação ambiental, uma porcentagem acima da média mundial entre os países desenvolvidos, de 13%, e dos países ricos, de 8%. O desmatamento foi praticamente reduzido a zero em 2005.

Com apenas 0,1% da superfície terrestre, a Costa Rica tem 5% da biodiversidade. O país tem 840 espécies de pássaros e mais de cem de mamíferos, além de grande variedade de répteis e anfíbios, inclusive uma espécie de iguana que é o réptil mais rápido do mundo.

Os parques nacionais de Corcovado e Tortuguero e a reserva florestal Nuvem Monteverde, famosos internacionalmente, são atrações turísticas importantes.

Até 2020, a Costa Rica pretende ser neutra em suas emissões de carbono, parando de contribuir para agravar o efeito estufa.

ECONOMIA
Com produto interno bruto de US$ 45 bilhões e renda per capita de US$ 9.672, estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI), a Costa Rica não é tão rica como o nome sugere nem tão pobre quanto seus vizinhos na América Central.

Cerca de 23% dos costa-riquenhos vivem na pobreza. A taxa de desemprego ficou em 7,8% em 2012 e o déficit comercial em 5,2% do PIB, com inflação de 4,5%.

A Costa Rica apresentou crescimento forte no início do século, com avanços de 7% em 2006 e 9% em 2007. Sob o impacto da crise internacional, a expansão caiu para 3% em 2008.

Desde 1999, o turismo rende mais do que as três principais colheitas de exportação: bananas, abacaxi e café. Em 2012, a Costa Rica recebeu 2,2 milhões de turistas estrangeiros, que deixaram US$ 2,4 bilhões no país.

Nos últimos anos, a indústria farmacêutica, o desenvolvimento de software e o ecoturismo se tornaram atividades importantes. Com a estabilidade e a educação de boa qualidade, a Costa Rica é desde 2003 o país da América Central que mais recebe investimentos estrangeiros diretos.

A indústria responde por 20% do PIB e um sexto do emprego.

O país aproveita sua estabilidade política para atrair capital. A Costa Rica é a “Suíça da América Central” e sofre pressões para eliminar características de paraíso fiscal.

Os serviços representam 60% do PIB, com destaque para os setores financeiro, imobiliário, comercial, de turismo, transporte e administração pública.

Em 2007, por pequena margem, com pouco mais de 51% dos votos, um referendo aprovou o Acordo de Livre Comércio da América Central e da República Dominicana com os EUA (Cafta).

POLÍTICA
A Costa Rica é uma república unitária com sete províncias com governadores nomeados pelo presidente.

O Poder Legislativo é unicameral, uma Assembleia Nacional com 57 deputados eleitos a cada quatro anos.

O presidente e dois vice-presidentes são eleitos por um mandato de quatro anos desde 1953. É a mais longa tradição democrática na América Latina.

Dois grandes partidos dominam a cena política, o Partido de Libertação Nacional (PLN), de centro-direita, e o Partido Unidade Social-Cristã (PUSC).

Em 2004, os ex-presidentes Rafael Ángel Calderón Fournier e Miguel Ángel Rodríguez Echeverría foram presos por enriquecimento ilícito.

MULHER NO PODER
Até  maio de 2014, a presidente era Laura Chinchilla Miranda, a primeira mulher a governar o país e a sexta na América Latina, a exemplo de María Estela Martínez de Perón e Cristina Fernández de Kirchner, na Argentina; Violeta Chamorro, na Nicarágua; Michelle Bachelet, no Chile; e Dilma Rousseff, no Brasil (eleita e empossada depois).

ANTIPARTIDOS

O atual presidente é Luis Guillermo Solís, um cientista político, historiador e acadêmico, eleito no segundo turno em abril de 2014 com 78% dos votos contra 22% de Johnny Araya, do até então governante Partido de Libertação Nacional. Solís fez campanha contra os partidos tradicionais.

CONSERVADORISMO
O PLN pertence à Internacional Socialista e promete “uma política progressista por um mundo melhor”. Na prática, Chinchilla é uma conservadora que centrou sua campanha eleitoral no combate ao crime, é contra o casamento gay, embora defenda a regulamentação da união civil de pessoas do mesmo sexo. Também é contra o aborto e até mesmo a pílula do dia seguinte.

Em 2013, uma pesquisa do instituto privado mexicano Consulta Mitofsky apontou Laura Chinchilla como a presidente mais impopular da América Latina, com apenas 13% de aprovação, logo atrás de Porfirio Lobo, de Honduras.

RELIGIÃO
O catolicismo é a religião oficial do país. O ex-presidente Óscar Arias Sánchez, ganhador do Prêmio Nobel da Paz, é a favor de uma reforma constitucional para criar um Estado secular. A atual presidente, Laura Chinchilla, é contra a mudança.

De acordo com pesquisa feita em 2007 pela Universidade da Costa Rica, 70,5% são católicos, sendo 44,9% católicos praticantes; 13,8% são evangélicos, 4,3% professam outras religiões e 11,3% não têm religião. Há uma pequena comunidade judaica na capital.

IDIOMAS
O espanhol é a língua oficial da Costa Rica. Também são faladas mais de cem línguas nativas, principalmente em reservas indígenas,

Mais de 10% falam inglês. Na costa do Caribe, a minoria negra fala um inglês crioulo no estilo jamaicano.

SAÚDE
A expectativa de vida é de 79,3 anos. Em 2002, apesar da religiosidade, 96% das mulheres usavam algum método anticoncepcional; 87% das mulheres grávidas têm atendimento pré-natal. Todas as crianças têm acesso a clínicas materno-infantis.

A alta qualidade da medicina tornou a Costa Rica um dos principais destinos do turismo médico na América Latina. Em 2006, o país recebeu 150 mil estrangeiros em busca de tratamento, na maioria americanos atraídos pela facilidade de transporte, qualidade e preço dos serviços médicos.

EDUCAÇÃO
O índice de alfabetização, de 94,9% da população, e a qualidade do ensino estão entre os melhores da América Latina. A Costa Rica tem 51 universidades públicas e privadas.

CULTURA
A maior influência vem da colonização espanhola, à qual se somam as influências africana, indígena e dos imigrantes. Na região do Mar do Caribe, há uma forte influência jamaicana, especialmente entre a população negra.

Várias danças caribenhas são populares, entre elas a salsa, a soca, a bachata, o calipso, o merengue, a cúmbia e o reggae.

O Teatro Nacional, em São José, de 1897, em estilo renascentista, é um dos orgulhos da cultura nacional. Desde 1971, a Costa Rida tem uma Orquestra Sinfônica Nacional.

Entre os escritores do século 20, destacam-se Fabián Dobles, Carlos Luis Fallas e Carmen Naranjo.

VESTUÁRIO
 A Costa Rica é uma sociedade cosmopolita com forte influência da Europa e dos Estados Unidos, de onde vêm seus principais modelos culturais e modas. Predominam os trajes executivos para homens e mulheres profissionais, e roupas mais despojadas para quem exerce atividades menos formais e os jovens, no estilo de vida americano adaptado a um clima tropical.

PRÉ-HISTÓRIA
Antes da chegada dos europeus, os povos índigenas da Costa Rica ficavam numa região intermediária entre as grandes civilizações dos Andes (inca) e da Mesoamérica (maias e astecas), no fim da área de influência do Império Asteca ao sul.

Sem uma cultura forte, suas tribos foram rapidamente absorvidas pelo Império Espanhol.

COSTA RICA.
Há divergências sobre se o nome Costa Rica foi usado primeiro por Cristóvão Colombo, que chegou à costa leste do país em 1502, na sua quarta e última viagem à América e ficou impressionado pelas joias de ouro usadas pelos nativos, ou se pelo conquistador espanhol Gil González Dávila. Ele desembarcou na costa oeste em 1522, se encontrou com nativos e se apropriou de parte do ouro deles.

De 14 de agosto a 16 de outubro de 1502, Colombo explorou a costa de Honduras, Nicarágua, Costa Rica e Panamá no Mar do Caribe.

HISTÓRIA
De 1540 a 1821, a América Central fez parte do Vice-Reino da Nova Espanha, com sede na cidade do México. Em 1821, ano da vitória final dos mexicanos sobre o Império Espanhol, tornou-se independente.

A colonização da América Central começa em 1524, cinco anos depois da conquista do México por Fernando Cortez. Em 1564, a coroa espanhola fundou a cidade de Cartago, no planalto central, o primeiro assentamento permanente.

CAPITANIA-GERAL
Em 1609, nasce a Capitania-Geral da Guatemala, oficialmente parte do Vice-Reino da Nova Espanha; na prática, tinha grande autonomia dentro do Império Espanhol.

A Costa Rica era a província mais ao sul da capitania, que incluía ainda Nicarágua, Honduras, El Salvador, Guatemala e o estado mexicano de Chiapas.

POBRE E ISOLADA
A distância da Guatemala, a proibição de negociar com o vizinho Panamá, que pertencia ao Vice-Reino de Nova Granada, com capital em Bogotá, e a falta de metais preciosos a tornaram pobre e isolada. A Costa Rica também não tinha uma grande população indígena que o colonizador pudesse escravizar, o que impediu a formação de grandes fazendas.

Em 1719, apesar do nome, a Costa Rica foi descrita como “a mais pobre e miserável colônia espanhola em toda a América”.

DEMOCRACIA RURAL
Essa pouca importância econômica contribuiu para que desde o início de sua História a Costa Rica fosse uma sociedade mais igualitária que as vizinhas, com uma espécie de “democracia rural”, sem o latifúndio e a escravidão que estão na origem da desigualdade social na América Latina.

O café foi introduzido em 1808 e se tornou uma das bases da economia, ao lado do turismo e dos serviços, especialmente financeiros.

INDEPENDÊNCIA
Como o resto da América Central, a Costa Rica nunca lutou diretamente contra a Espanha pela independência. Com a derrota final da Espanha na Guerra de Independência do México (1810-21), em 15 de setembro de 1821, as autoridades da Guatemala declararam a independência de toda a América Central.

Nesta data, festeja-se a independência, mesmo que, pela Constituição Espanhola de 1812, restaurada em 1820, depois do fim das guerras napoleônicas, a Costa Rica e a Nicarágua em tese formassem uma província autônoma com capital na cidade nicaraguense de León.

IMPÉRIO E FEDERAÇÃO
A exemplo dos outros países centro-americanos, a Costa Rica aderiu ao Primeiro Império Mexicano, sob Agustín de Iturbide, que entrou em colapso em 1823. Costa Rica, Nicarágua, El Salvador, Honduras e Guatemala formaram então a República Federal da América Central, que existiu em tese até 1839, mas exerceu pouca autoridade sobre a pobre e distante Costa Rica.

Em 1838, antes do fim da federação, a Costa Rica se retirou, proclamando a independência. Essa relutância em se ligar politicamente ao resto da América Central persiste até hoje. É um grande obstáculo à integração econômica regional.

CAFÉ
O café, vendido para a Europa a partir de 1843, logo se tornou o principal produto de exportação do país e base da economia costa-riquenha até o século 20.

Como as plantações se concentravam no planalto central onde até hoje vive a maior parte da população, foi preciso construir uma estrada de ferro ligando a região ao Oceano Atlântico.

FERROVIA
A ferrovia para Porto Limão (Puerto Limón) ficou pronta em 1890. É considerada uma das viagens de trem mais bonitas e agradáveis do mundo, em meio a uma luxuriante floresta tropical úmida da qual os nativos se envergonhavam até os anos 1980s, considerando-a um símbolo de atraso e subdesenvolvimento. Hoje, as florestas são motivos de orgulho nacional.

A maior parte da população negra da Costa Rica descende de jamaicanos que trabalharam na construção da estrada de ferro, uma empreitada épica comparada às obras do Canal do Panamá e da ferrovia Madeira-Mamoré, no Brasil, as duas últimas no início do século 20.

BANANAS
O empreiteiro da obra, o empresário americano Minor Keith, ganhou do governo costa-riquenho grandes extensões de terra onde introduziu a produção de bananas para exportar para os EUA, criando uma cultura alternativa ao café.

Em 1899, Keith se associaria a outros capitalistas para criar a United Fruit, empresa transnacional que teria grande influência política na América Central patrocinando golpes de Estado durante a Guerra Fria nas chamadas repúblicas de bananas. Foi rebatizada como Chiquita Brands para apagar a imagem golpista.

DITADURA
Considerada o país mais pacífico e estável da América Latina, a Costa Rica enfrentou dois períodos de violência política no século 20. O general Federico Tinoco Granados foi ditador de 1917-19. Sua queda, sob pressão do presidente americano Woodrow Wilson, levou a um declínio da influência dos militares na Costa Rica.

Em 1948, José Figueres Ferrer liderou uma rebelião armada depois de uma eleição presidencial contestada, disputada pelo ex-presidente Rafael Ángel Calderón Guardia e Otilio Ulate Blanco.

GUERRA CIVIL
A Guerra Civil entre figueristas e calderistas durou 44 dias. Com mais de 2 mil mortos, foi o conflito mais sangrento da Costa Rica no século 20. Vitoriosa, a junta liderada por José Figueres aboliu as Forças Armadas, substituída por uma Guarda Civil, e convocou uma Assembleia Nacional Constituinte.

DEMOCRACIA
Com a nova Constituição aprovada, a junta entregou o poder a um governo democrático em 8 de novembro de 1949. Figueres virou um herói nacional. Foi eleito presidente na primeira eleição presidencial democrática, em 1953.

Desde então, a Costa Rica realizou 13 eleições presidenciais democráticas, pacíficas e transparentes, respeitadas e acatadas internacionalmente.

CORTE INTERAMERICANA
Por causa desta tradição democrática, a Costa Rica foi escolhida pela Organização dos Estados Americanos (OEA) para sediar a Corte Interamericana de Direitos Humanos, o Tribunal de São José, instalado em 1979.

Vinte países aceitaram sua jurisdição, mas não os Estados Unidos, que nunca ratificaram a Convenção Americana de Direitos Humanos ou Tratado de São José. Trinidad-Tobago retirou-se em 1998 e a Venezuela em 2012, alegando interferência indevida em assuntos internos.

Além de resolver casos específicos sobre direitos humanos levados à sua jurisdição, o Tribunal de São José tem função de assessoria jurídica, dando opiniões e interpretações sobre matérias que lhes sejam submetidas pelos países-membros ou outros órgãos da OEA.

GUERRA FRIA
Durante a Guerra Fria, a estabilidade da Costa Rica foi abalada por guerras civis na Nicarágua, em El Salvador e na Guatemala. Sob pressão do presidente americano Ronald Reagan, Honduras tornou-se um porta-aviões dos EUA na América Central para ajudar as ditaduras de El Salvador e da Guatemala e os rebeldes contrários à Revolução Sandinista na Nicarágua.

A Costa Rica se negou a servir de base para os rebeldes antissandinistas. Sob a mediação do presidente costa-riquenho Óscar Arias Sánchez, em 7 de agosto de 1987, os cinco presidentes dos países da América Central assinaram o Acordo de Paz de Esquipulas, estabelecendo o marco jurídico para a cooperação econômica e a solução pacífica dos conflitos, observa Peter Calvert em The International Politics of Latin America (Manchester, 1994).

NOBEL DA PAZ
A proposta previa o fim das hostilidades, democratização, eleições livres, desmobilização de todas as forças irregulares, reconciliação nacional, controle de armas e ajuda aos refugiados.

O acordo valeu para Óscar Arias o reconhecimento internacional. Ele ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1987.

RELAÇÕES COM O BRASIL
Os dois países mantêm relações diplomáticas desde 1906. Jorgina de Freitas Fernandes, fraudadora do INSS, foi presa na Costa Rica em 1997 e extraditada em 1998.

O comércio bilateral chegou a US$ 140,84 milhões em 2010, com déficit de US$ 12 milhões para o Brasil.

ESPORTE
A Costa Rica participou da Olimpíada de Berlim, em 1936, e esteve presente em todos os Jogos de Verão desde 1956, em Melbourne, na Austrália.

Sua primeira e única medalha de ouro foi conquistada pela nadadora Claudia Poll Ahrens nos 200m nado livre em Atlanta, nos EUA, em 1996. O país ganhou ainda uma medalha de prata e duas de bronze em sua história olímpica.

Os esportes aquáticos são muito populares nos litorais dos dois oceanos.

FUTEBOL
O futebol é o grande passatempo nacional e o esporte favorito. A seleção nacional, Los Ticos, é a mais bem-sucedida da América Central. Foi três vezes campeã da Concacaf (Confederação de Futebol das América do Norte e Central e do Caribe), em 1963, 1969 e 1989 e sete vezes da Copa Centro-Americana. Acaba de se classificar para sua quarta Copa do Mundo.

Seu melhor desempenho foi em 1990, na Itália, quando a Costa Rica ficou no grupo do Brasil na primeira fase. Um dos destaques da equipe foi o brasileiro naturalizado costa-riquenho Alexandre Guimarães, centroavante titular.

A Costa Rica venceu a Escócia por 1-0, perdeu para o Brasil por 1-0 e derrotou a Suécia por 2-1, classificando-se para a segunda fase, quando foi eliminada pela Tcheco-Eslováquia por 4-1.

Em 2002, mais uma vez, a Costa Rica caiu no grupo do Brasil. Dessa vez, Alexandre Guimarães era o treinador. A Costa Rica ganhou da China por 2-0 e empatou em 1-1 com a Turquia, mas levou 5-2 do Brasil e foi eliminada.

Em 2006, na Alemanha, foram três derrotas: 4-2 para a Alemanha, 3-0 para o Equador e 2-1 para a Polônia.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Oposição vence eleição presidencial na Costa Rica

O ex-professor Luis Guillermo Solís, que não era político profissional, ganhou o segundo turno da eleição presidencial de ontem, 6 de abril de 2014, na Costa Rica com mais de 1,3 milhão de votos, 77,8% do total, noticiou hoje o jornal costa-riquenho La Nación. Foi a primeira vitória de uma terceira força política no país em 44 anos.

Solís, do Partido Ação Cívica (PAC), venceu Johnny Araya, do governante Partido de Libertação Nacional (PLN), de centro-direita. Prejudicado pela impopularidade da presidente Laura Chinchilla, a primeira mulher a governar a Costa Rica, o candidato oficial não passou de 22,2%.

A abstenção, de 43% no segundo turno, foi a maior em 60 anos, desde 1953, depois da redemocratização do país, que tem a mais longa tradição democrática da América Latina.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Mulher vai governar a Costa Rica

O candidata do governo, Laura Chinchilla, lidera com mais de 45% a apuração da eleição presidencial de domingo na Costa Rica. Só foram contados 11% dos votos, mas a vitória de Laura é dada como certa já no primeiro turno. Será a primeira mulher a governar a Costa Rica.

Pela lei eleitoral costarriquenha, um candidato precisa de no mínino 40% dos votos válidos para evitar um segundo turno.

O centrista Ottón Solís, do partido Ação Cidadã, que está em segundo com 22,46%, já reconheceu a derrota. Em terceiro, está o conservador Otto Guevara, com 21,31%.

Laura Chinchilla é social-democrata e deve manter as políticas do atual presidente, Óscar Arias, de abertura comercial e luta contra a criminalidade.

A Costa Rica tem a mais longa tradição democrática da América Latina. Aboliu o Exército em 1949 e nunca mais teve golpes de Estado. Tem a melhor distribuição de renda da América Central e cresce mais do que os vizinhos.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Mulher é favorita na Costa Rica

Um candidato conservador que quer dolarizar a economia da Costa Rica e aplicar a linha dura no combate ao crime ameaça a vitória no primeiro turno da candidata do governo. Mas o país deve eleger a primeira mulher para a Presidência.

Laura Chinchilla, apoiada pelo presidente Óscar Arias, está perto dos 40% necessários para ganhar no primeiro turno. Na reta final da campanha, ela enfrenta uma arrancada do ex-deputado conservador Otto Guevara e do centrista Otton Solís.

Guevara, do Movimento Libertário, é um advogado formado na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, que ficou famoso processando os sistemas públicos de saúde e previdência social por desperdício. Ele quer substiuir o colón, a moeda costarriquenha, pelo dólar.

A Costa Rica aboliu o Exército em 1949 e nunca mais teve golpes de Estado. É o país com a melhor distribuição de renda da América Central e cresce mais do que os vizinhos.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Presidente da Costa Rica critica o Brasil

O presidente da Costa Rica, Óscar Arias, que foi o mediador indicado pela Organização dos Estados Americanos (OEA) para a crise hondurenha, advertiu para o risco de isolar Honduras. Ele criticou o Brasil sem citar o nome do país, dizendo que não faz sentido apoiar a eleição fraudulenta no Irã e rejeitar o processo eleitoral no país centro-americano.

Durante a Conferência de Cúpula Ibero-Americana realizada em Estoril, em Portugal, o Brasil reiterou a decisão de não aceitar o resultado das eleições presididas por um governo que os países da região consideram ilegítimo.

sábado, 18 de julho de 2009

Zelaya pressiona por uma solução rápida

LONDRES - Longe do cargo há quase dois meses, o presidente deposto de Honduras, José Manuel Zelaya, apoiado pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, pressiona por uma solução rápida da crise hondurenha ainda neste fim de semana, o que parece altamente improvável.

Zelaya está na Nicarágua, onde planeja sua volta a Honduras. Uma segunda tentativa frustrada pode inflamar uma situação extremamente tensa desde o golpe de 28 de junho.

Na tentativa de mediar o conflito, o presidente da Costa Rica, Óscar Arias, ganhador do Prêmio Nobel da Paz por sua ação para pacificar a América Central no fim da Guerra Fria, propôs a formação um governo de união nacional, com anistia para Zelaya pelos supostos crimes cometidos.

Mas o presidente interino, Roberto Micheletti, não admite devolver o poder a Zelaya, e este não aceita participar de um governo ao lado dos golpistas. Então, que reconciliação nacional é essa?

A entrevista coletiva programada para o final da reunião de hoje foi suspenso. O diálogo recomeça amanhã.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Micheletti volta a Honduras sem falar com Zelaya

O presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, voltou hoje para Tegucigalpa, depois de conversar com o presidente da Costa Rica, Oscar Arias, mas sem falar com o presidente deposto, José Manuel Zelaya, que tem o apoio das Nações Unidas e da Organização dos Estados Americanos (OEA) para voltar ao cargo.

Zelaya acusou o governo de ser criminoso e exigiu a devolução da presidência em 24 horas.

Micheletti declarou ser a favor de uma "solução constitucional", manteve o compromisso de realizar eleições presidencial e legislativas, e deixou uma comissão de quatro membros para continuar as negociações.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

El Salvador enfrenta desafios da globalização

O primeiro presidente de esquerda a governar El Salvador, o jornalista Mauricio Funes, da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional, que de 1980 a 1992 travou uma guerra civil contra os governos da época, tomou posse no dia 1º de junho, diante da presença do presidente Luiz Inacio Lula da Silva e de outros líderes latino-americanos.

Menor país da América Central (ou do istmo centro-americano, se as ilhas do Caribe foram consideradas parte do subcontinente) e único sem saída para o Atlântico, El Salvador tem a maior densidade populacional. É o segundo país mais industrializado da região, depois da Guatemala.

El Salvador é uma sociedade oligárquica e violenta, como é a regra na América Central, com a exceção da Costa Rica, que tem a melhor distribuição de renda da região e a mais longa tradição democrática da América Latina, que vem desde 1949, quando o coronel José Figueres aboliu as Forças Armadas depois de uma sangrenta guerra civil no ano anterior.

Essa sociedade oligárquica e violenta, com seu profundo fosso social, foi enquadrada na Guerra Fria. As revoluções nas vizinhas Nicarágua e Guatemala, nos anos 70, e a reação dos EUA armando ditaduras sanguinárias, levaram a uma intensificação do confito social, com forte atuação de esquadrões da morte da extrema direita, liderada pelo major Roberto d’Aubuisson.

A guerra civil salvadorenha explode em 24 de março de 1980, quando o arcebispo de San Salvador, dom Oscar Romero, é assassinado durante a missa de domingo. Nos sermões, ele costumava denunciar os esquadrões da morte e as violações dos direitos humanos.

Em 1981, os grupos armados de esquerda se unem na Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional. Mas essa era uma guerra que eles não podiam vencer. Ronald Reagan assumira a presidência dos EUA em janeiro de 1981 prometendo não ceder mais nenhuma polegada de terra do planeta ao Império do Mal, depois da vitória da Revolução Sandinista, na Nicarágua, em 1979, no governo Jimmy Carter.

Honduras foi transformada no porta-aviões dos EUA no que os historiadores chamam de Segunda Guerra Fria, que vai da invasão soviética no Afeganistão, em 1979, até o degelo na era Gorbachev, que assumiu o poder em 1985.

Na América Central, um dos quintais do mundo, a Guerra Fria foi quente. Foram 75 mil mortos em El Salvador, outros 75 mil na Nicarágua e 200 mil na Guatemala, muito mais gente do que na América do Sul, onde a guerra suja matou 30 mil na Argentina, com uma população muito maior.

A rádio rebelde Venceremos dizia: “Se Nicarágua venció, El Salvador vencerá.” Mas a guerrilha não venceu. A FMLN chegou a ocupar 30%-40% do território salvadorenho. Bloqueava a Rodovia Pan-Americana e cobrava pedágio de guerra. Não passei lá, na minha longa viagem pela América Latina, em 1982. Fui até San Pedro de Sula, no Norte de Honduras, e de lá entrei na Guatemala.

Com o degelo na Guerra Fria, houve uma série de negociações e processos de paz apoiados pela ONU, os EUA e a URSS na Guatemala e em El Salvador, na Namíbia, no Marrocos e no Saara ocupado, no Camboja, em Angola e Moçambique.

A guerra civil salvadorenha termina em 1992. Uma comissão concluiu que os militares e paramilitares de direita foram responsáveis por 85% dos crimes, mas foi adotada uma anista ampla, geral e irrestrita.

Ao mesmo tempo, em paz, a América Central perdeu a importância geopolítica dos tempos da Guerra Fria e foi abandonada à sua própria miséria. As promessas de crédito, terra e emprego feitas no acordo de paz foram rapidamente substituídas por políticas de austeridade econômica inspiradas pelo Consenso de Washington. Desde 2001, a economia está dolarizada.

Como é característica dos processos de paz, deles resultam sociedades divididas, com uma casta de jovens endurecidos pela guerra que se acostumaram a viver na luta armada e uma grande quantidade de armas em circulação.

O resultado é o aumento da criminalidade e da violência sem objetivos políticos, com a formação de gangues e um intenso tráfico de armas. As Maras, as gangues que aterrorizam San Salvador, são famosas. Teriam mais de 150 mil membros e tentáculos que vão até os EUA. Confiram no YouTube.

A FMLN já tinha governado a capital, mas só chegou ao poder nacional agora, com o jornalista Mauricio Funes, que não pertenceu à guerrilha e tomou posse na última segunda-feira. Foi repórter durante a guerra civil e depois tinha um programa de televisão. É casado com uma brasileira.

domingo, 10 de maio de 2009

EUA confirmam terceira morte por gripe suína

Os Estados Unidos anunciaram hoje a terceira morte causa pela gripe suína ou gripe A (H1N1) no país, elevando para 50 o total de mortos pela epidemia em todo o mundo. No sábado, a Costa Rica registrou a primeira morte fora da América do Norte.

No mundo inteiro, o total de casos subiu para 4.657, em 29 países, com 2.532, em 44 estados dos EUA, que superou o México como principal foco da epidemia. Neste fim de semana, o Japão, a Noruega e a Austrália notificaram seus primeiros casos confirmados.

A primeira morte fora da América do Norte aconteceu no Hospital Rafael Calderón Guardia, em São José da Costa Rica. O diretor, Mario Martínez, revelou que o doente era um homem de 53 anos, sofria de asma e diabetes, e foi internado oito dias antes com uma infecção pulmonar. Ele não esteve no México, mas era músico e tinha contato com muita gente em ambientes fechados.

O médico acrescentou que os outros sete pacientes de gripe A da Costa Rica estão em condições "satisfatórias".

Gripes causadas por diversos vírus matam entre 250 a 500 mil pessoas por ano no mundo.