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terça-feira, 5 de novembro de 2019

Onze mil cientistas advertem que crise do clima virou emergência

Um dia depois que o presidente Donald Trump formalizou a retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris sobre Mudança do Clima, cerca de 11 mil cientistas de 153 países divulgaram um relatório. Eles advertem que o aquecimento global virou uma situação de emergência capaz de provocar um "sofrimento humano inimaginável", noticiou a televisão pública britânica BBC.

Ao analisar dados de 40 anos, os cientistas acusaram os governos de fracassarem ao enfrentar a crise do clima, deixando que a situação se transformasse em emergência, mas observam o surgimento de um forte movimento cidadão, da sociedade civil, com manifestações públicas, greves de estudantes secundaristas, passeatas e ações judiciais.

Os dados coletados indicam que o mês passado foi o mais quente da história, e os pesquisadores entendem que simplesmente medir a temperatura da superfície da Terra não basta para avaliar os riscos do agravamento do efeito estufa.

Para examinar os sinais vitais da mudança do clima, é importante, dizem os cientistas, observar o crescimento das populações humanas e de animais, o desflorestamento, o consumo de combustíveis fósseis como carvão e petróleo, e o consumo de carne por pessoa.Meu comentário:

sábado, 14 de junho de 2014

Costa Rica: a mais antiga democracia da América Latina


A República de Costa Rica é um país da América Central cercado pela Nicarágua ao norte, o Mar do Caribe a leste, o Panamá a sudeste e o Oceano Pacífico a oeste. O país aboliu o Exército em 1949 e tem a mais longa tradição democrática da América Latina.

A Costa Rica é um exemplo de país que baseia sua atuação internacional na consolidação da democracia, notou Joseph Tulchin no livro The Consolidation of Democracy in Latin America (Londres, 1995).

A liderança nas negociações de paz nas guerras civis da América Central deu ao presidente costa-riquenho Óscar Arias Sánchez o Prêmio Nobel da Paz 1987. O país sedia a Corte Interamericana de Direitos Humanos, o Tribunal de São José, mencionado recentemente como uma última possibilidade de recursos para os réus do Mensalão.

DESENVOLVIMENTO HUMANO
Esta paz social se reflete nos indicadores socais. A Costa Rica tem um dos maiores índices de desenvolvimento humano da América Latina e o mais alto para países do mesmo nível de renda, como destacou o Relatório de Desenvolvimento da ONU de 2010.

A Costa Rica também se destaca em desenvolvimento sustentável. É o 5º país do mundo no ranking do Índice de Performance Ambiental calculado pelas universidades americanas de Yale e Colúmbia, depois de Suíça, Letônia, Noruega e Luxemburgo.

A New Economics Foundation, um instituto de pesquisas do Reino Unido, considera a Costa Rica o país mais verde e um dos mais felizes do mundo.

GEOGRAFIA
A Costa Rica possui duas planícies costeiras, uma banhada pelo Oceano Pacífico, rochosa e recortada, e outra pelo Atlântico, retilínea e sujeita aos furacões que açoitam o Mar do Caribe.

Uma cadeia de montanhas com vulcões ativos corta esse pequeno país de Norte a Sul. No centro da cordilheira centro-americana, há um planalto, a Meseta Central, onde ficam as principais cidades e vivem mais de 50% dos habitantes da Costa Rica. O ponto mais alto é o Cerro Chirripó, de 3.819 metros.

CLIMA
Situada entre os paralelos 8º e 12º Norte, a Costa Rica tem um clima tropical o ano inteiro, com uma estação chuvosa que vai de maio a novembro e cinco meses mais secos de dezembro a abril.

A temperatura média varia de 17ºC, na mínima, a 28ºC, na máxima.

POPULAÇÃO
Sua população, de 4,6 milhões de habitantes pelo censo de 2011, era 65,8% branca de origem europeia, principalmente espanhola, mas também alemã, italiana, francesa, britânica, holandesa, sueca e grega; 13,65% mestiça (brancos e índios); 9% imigrante, sobretudo asiáticos; 6,7% mulata (brancos e negros), 2,4% indígena e 1% negra.

Os costa-riquenhos são chamados popular e carinhosamente como ticos. Cerca de 64% moram em cidades e 36% em zonas rurais.

A capital, São José ou San José, tinha 288 mil habitantes pelo censo de 2011. É considerada uma das capitais mais seguras da América Latina. As outras cidades importantes do país, Alajuela, Cartago e Heredia, ficam próximas.

PRESERVAÇÃO
Cerca de 25% do território de 51,1 mil km2, um pouco maior do que o estado do Espírito Santo, são parques nacionais e áreas de preservação ambiental, uma porcentagem acima da média mundial entre os países desenvolvidos, de 13%, e dos países ricos, de 8%. O desmatamento foi praticamente reduzido a zero em 2005.

Com apenas 0,1% da superfície terrestre, a Costa Rica tem 5% da biodiversidade. O país tem 840 espécies de pássaros e mais de cem de mamíferos, além de grande variedade de répteis e anfíbios, inclusive uma espécie de iguana que é o réptil mais rápido do mundo.

Os parques nacionais de Corcovado e Tortuguero e a reserva florestal Nuvem Monteverde, famosos internacionalmente, são atrações turísticas importantes.

Até 2020, a Costa Rica pretende ser neutra em suas emissões de carbono, parando de contribuir para agravar o efeito estufa.

ECONOMIA
Com produto interno bruto de US$ 45 bilhões e renda per capita de US$ 9.672, estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI), a Costa Rica não é tão rica como o nome sugere nem tão pobre quanto seus vizinhos na América Central.

Cerca de 23% dos costa-riquenhos vivem na pobreza. A taxa de desemprego ficou em 7,8% em 2012 e o déficit comercial em 5,2% do PIB, com inflação de 4,5%.

A Costa Rica apresentou crescimento forte no início do século, com avanços de 7% em 2006 e 9% em 2007. Sob o impacto da crise internacional, a expansão caiu para 3% em 2008.

Desde 1999, o turismo rende mais do que as três principais colheitas de exportação: bananas, abacaxi e café. Em 2012, a Costa Rica recebeu 2,2 milhões de turistas estrangeiros, que deixaram US$ 2,4 bilhões no país.

Nos últimos anos, a indústria farmacêutica, o desenvolvimento de software e o ecoturismo se tornaram atividades importantes. Com a estabilidade e a educação de boa qualidade, a Costa Rica é desde 2003 o país da América Central que mais recebe investimentos estrangeiros diretos.

A indústria responde por 20% do PIB e um sexto do emprego.

O país aproveita sua estabilidade política para atrair capital. A Costa Rica é a “Suíça da América Central” e sofre pressões para eliminar características de paraíso fiscal.

Os serviços representam 60% do PIB, com destaque para os setores financeiro, imobiliário, comercial, de turismo, transporte e administração pública.

Em 2007, por pequena margem, com pouco mais de 51% dos votos, um referendo aprovou o Acordo de Livre Comércio da América Central e da República Dominicana com os EUA (Cafta).

POLÍTICA
A Costa Rica é uma república unitária com sete províncias com governadores nomeados pelo presidente.

O Poder Legislativo é unicameral, uma Assembleia Nacional com 57 deputados eleitos a cada quatro anos.

O presidente e dois vice-presidentes são eleitos por um mandato de quatro anos desde 1953. É a mais longa tradição democrática na América Latina.

Dois grandes partidos dominam a cena política, o Partido de Libertação Nacional (PLN), de centro-direita, e o Partido Unidade Social-Cristã (PUSC).

Em 2004, os ex-presidentes Rafael Ángel Calderón Fournier e Miguel Ángel Rodríguez Echeverría foram presos por enriquecimento ilícito.

MULHER NO PODER
Até  maio de 2014, a presidente era Laura Chinchilla Miranda, a primeira mulher a governar o país e a sexta na América Latina, a exemplo de María Estela Martínez de Perón e Cristina Fernández de Kirchner, na Argentina; Violeta Chamorro, na Nicarágua; Michelle Bachelet, no Chile; e Dilma Rousseff, no Brasil (eleita e empossada depois).

ANTIPARTIDOS

O atual presidente é Luis Guillermo Solís, um cientista político, historiador e acadêmico, eleito no segundo turno em abril de 2014 com 78% dos votos contra 22% de Johnny Araya, do até então governante Partido de Libertação Nacional. Solís fez campanha contra os partidos tradicionais.

CONSERVADORISMO
O PLN pertence à Internacional Socialista e promete “uma política progressista por um mundo melhor”. Na prática, Chinchilla é uma conservadora que centrou sua campanha eleitoral no combate ao crime, é contra o casamento gay, embora defenda a regulamentação da união civil de pessoas do mesmo sexo. Também é contra o aborto e até mesmo a pílula do dia seguinte.

Em 2013, uma pesquisa do instituto privado mexicano Consulta Mitofsky apontou Laura Chinchilla como a presidente mais impopular da América Latina, com apenas 13% de aprovação, logo atrás de Porfirio Lobo, de Honduras.

RELIGIÃO
O catolicismo é a religião oficial do país. O ex-presidente Óscar Arias Sánchez, ganhador do Prêmio Nobel da Paz, é a favor de uma reforma constitucional para criar um Estado secular. A atual presidente, Laura Chinchilla, é contra a mudança.

De acordo com pesquisa feita em 2007 pela Universidade da Costa Rica, 70,5% são católicos, sendo 44,9% católicos praticantes; 13,8% são evangélicos, 4,3% professam outras religiões e 11,3% não têm religião. Há uma pequena comunidade judaica na capital.

IDIOMAS
O espanhol é a língua oficial da Costa Rica. Também são faladas mais de cem línguas nativas, principalmente em reservas indígenas,

Mais de 10% falam inglês. Na costa do Caribe, a minoria negra fala um inglês crioulo no estilo jamaicano.

SAÚDE
A expectativa de vida é de 79,3 anos. Em 2002, apesar da religiosidade, 96% das mulheres usavam algum método anticoncepcional; 87% das mulheres grávidas têm atendimento pré-natal. Todas as crianças têm acesso a clínicas materno-infantis.

A alta qualidade da medicina tornou a Costa Rica um dos principais destinos do turismo médico na América Latina. Em 2006, o país recebeu 150 mil estrangeiros em busca de tratamento, na maioria americanos atraídos pela facilidade de transporte, qualidade e preço dos serviços médicos.

EDUCAÇÃO
O índice de alfabetização, de 94,9% da população, e a qualidade do ensino estão entre os melhores da América Latina. A Costa Rica tem 51 universidades públicas e privadas.

CULTURA
A maior influência vem da colonização espanhola, à qual se somam as influências africana, indígena e dos imigrantes. Na região do Mar do Caribe, há uma forte influência jamaicana, especialmente entre a população negra.

Várias danças caribenhas são populares, entre elas a salsa, a soca, a bachata, o calipso, o merengue, a cúmbia e o reggae.

O Teatro Nacional, em São José, de 1897, em estilo renascentista, é um dos orgulhos da cultura nacional. Desde 1971, a Costa Rida tem uma Orquestra Sinfônica Nacional.

Entre os escritores do século 20, destacam-se Fabián Dobles, Carlos Luis Fallas e Carmen Naranjo.

VESTUÁRIO
 A Costa Rica é uma sociedade cosmopolita com forte influência da Europa e dos Estados Unidos, de onde vêm seus principais modelos culturais e modas. Predominam os trajes executivos para homens e mulheres profissionais, e roupas mais despojadas para quem exerce atividades menos formais e os jovens, no estilo de vida americano adaptado a um clima tropical.

PRÉ-HISTÓRIA
Antes da chegada dos europeus, os povos índigenas da Costa Rica ficavam numa região intermediária entre as grandes civilizações dos Andes (inca) e da Mesoamérica (maias e astecas), no fim da área de influência do Império Asteca ao sul.

Sem uma cultura forte, suas tribos foram rapidamente absorvidas pelo Império Espanhol.

COSTA RICA.
Há divergências sobre se o nome Costa Rica foi usado primeiro por Cristóvão Colombo, que chegou à costa leste do país em 1502, na sua quarta e última viagem à América e ficou impressionado pelas joias de ouro usadas pelos nativos, ou se pelo conquistador espanhol Gil González Dávila. Ele desembarcou na costa oeste em 1522, se encontrou com nativos e se apropriou de parte do ouro deles.

De 14 de agosto a 16 de outubro de 1502, Colombo explorou a costa de Honduras, Nicarágua, Costa Rica e Panamá no Mar do Caribe.

HISTÓRIA
De 1540 a 1821, a América Central fez parte do Vice-Reino da Nova Espanha, com sede na cidade do México. Em 1821, ano da vitória final dos mexicanos sobre o Império Espanhol, tornou-se independente.

A colonização da América Central começa em 1524, cinco anos depois da conquista do México por Fernando Cortez. Em 1564, a coroa espanhola fundou a cidade de Cartago, no planalto central, o primeiro assentamento permanente.

CAPITANIA-GERAL
Em 1609, nasce a Capitania-Geral da Guatemala, oficialmente parte do Vice-Reino da Nova Espanha; na prática, tinha grande autonomia dentro do Império Espanhol.

A Costa Rica era a província mais ao sul da capitania, que incluía ainda Nicarágua, Honduras, El Salvador, Guatemala e o estado mexicano de Chiapas.

POBRE E ISOLADA
A distância da Guatemala, a proibição de negociar com o vizinho Panamá, que pertencia ao Vice-Reino de Nova Granada, com capital em Bogotá, e a falta de metais preciosos a tornaram pobre e isolada. A Costa Rica também não tinha uma grande população indígena que o colonizador pudesse escravizar, o que impediu a formação de grandes fazendas.

Em 1719, apesar do nome, a Costa Rica foi descrita como “a mais pobre e miserável colônia espanhola em toda a América”.

DEMOCRACIA RURAL
Essa pouca importância econômica contribuiu para que desde o início de sua História a Costa Rica fosse uma sociedade mais igualitária que as vizinhas, com uma espécie de “democracia rural”, sem o latifúndio e a escravidão que estão na origem da desigualdade social na América Latina.

O café foi introduzido em 1808 e se tornou uma das bases da economia, ao lado do turismo e dos serviços, especialmente financeiros.

INDEPENDÊNCIA
Como o resto da América Central, a Costa Rica nunca lutou diretamente contra a Espanha pela independência. Com a derrota final da Espanha na Guerra de Independência do México (1810-21), em 15 de setembro de 1821, as autoridades da Guatemala declararam a independência de toda a América Central.

Nesta data, festeja-se a independência, mesmo que, pela Constituição Espanhola de 1812, restaurada em 1820, depois do fim das guerras napoleônicas, a Costa Rica e a Nicarágua em tese formassem uma província autônoma com capital na cidade nicaraguense de León.

IMPÉRIO E FEDERAÇÃO
A exemplo dos outros países centro-americanos, a Costa Rica aderiu ao Primeiro Império Mexicano, sob Agustín de Iturbide, que entrou em colapso em 1823. Costa Rica, Nicarágua, El Salvador, Honduras e Guatemala formaram então a República Federal da América Central, que existiu em tese até 1839, mas exerceu pouca autoridade sobre a pobre e distante Costa Rica.

Em 1838, antes do fim da federação, a Costa Rica se retirou, proclamando a independência. Essa relutância em se ligar politicamente ao resto da América Central persiste até hoje. É um grande obstáculo à integração econômica regional.

CAFÉ
O café, vendido para a Europa a partir de 1843, logo se tornou o principal produto de exportação do país e base da economia costa-riquenha até o século 20.

Como as plantações se concentravam no planalto central onde até hoje vive a maior parte da população, foi preciso construir uma estrada de ferro ligando a região ao Oceano Atlântico.

FERROVIA
A ferrovia para Porto Limão (Puerto Limón) ficou pronta em 1890. É considerada uma das viagens de trem mais bonitas e agradáveis do mundo, em meio a uma luxuriante floresta tropical úmida da qual os nativos se envergonhavam até os anos 1980s, considerando-a um símbolo de atraso e subdesenvolvimento. Hoje, as florestas são motivos de orgulho nacional.

A maior parte da população negra da Costa Rica descende de jamaicanos que trabalharam na construção da estrada de ferro, uma empreitada épica comparada às obras do Canal do Panamá e da ferrovia Madeira-Mamoré, no Brasil, as duas últimas no início do século 20.

BANANAS
O empreiteiro da obra, o empresário americano Minor Keith, ganhou do governo costa-riquenho grandes extensões de terra onde introduziu a produção de bananas para exportar para os EUA, criando uma cultura alternativa ao café.

Em 1899, Keith se associaria a outros capitalistas para criar a United Fruit, empresa transnacional que teria grande influência política na América Central patrocinando golpes de Estado durante a Guerra Fria nas chamadas repúblicas de bananas. Foi rebatizada como Chiquita Brands para apagar a imagem golpista.

DITADURA
Considerada o país mais pacífico e estável da América Latina, a Costa Rica enfrentou dois períodos de violência política no século 20. O general Federico Tinoco Granados foi ditador de 1917-19. Sua queda, sob pressão do presidente americano Woodrow Wilson, levou a um declínio da influência dos militares na Costa Rica.

Em 1948, José Figueres Ferrer liderou uma rebelião armada depois de uma eleição presidencial contestada, disputada pelo ex-presidente Rafael Ángel Calderón Guardia e Otilio Ulate Blanco.

GUERRA CIVIL
A Guerra Civil entre figueristas e calderistas durou 44 dias. Com mais de 2 mil mortos, foi o conflito mais sangrento da Costa Rica no século 20. Vitoriosa, a junta liderada por José Figueres aboliu as Forças Armadas, substituída por uma Guarda Civil, e convocou uma Assembleia Nacional Constituinte.

DEMOCRACIA
Com a nova Constituição aprovada, a junta entregou o poder a um governo democrático em 8 de novembro de 1949. Figueres virou um herói nacional. Foi eleito presidente na primeira eleição presidencial democrática, em 1953.

Desde então, a Costa Rica realizou 13 eleições presidenciais democráticas, pacíficas e transparentes, respeitadas e acatadas internacionalmente.

CORTE INTERAMERICANA
Por causa desta tradição democrática, a Costa Rica foi escolhida pela Organização dos Estados Americanos (OEA) para sediar a Corte Interamericana de Direitos Humanos, o Tribunal de São José, instalado em 1979.

Vinte países aceitaram sua jurisdição, mas não os Estados Unidos, que nunca ratificaram a Convenção Americana de Direitos Humanos ou Tratado de São José. Trinidad-Tobago retirou-se em 1998 e a Venezuela em 2012, alegando interferência indevida em assuntos internos.

Além de resolver casos específicos sobre direitos humanos levados à sua jurisdição, o Tribunal de São José tem função de assessoria jurídica, dando opiniões e interpretações sobre matérias que lhes sejam submetidas pelos países-membros ou outros órgãos da OEA.

GUERRA FRIA
Durante a Guerra Fria, a estabilidade da Costa Rica foi abalada por guerras civis na Nicarágua, em El Salvador e na Guatemala. Sob pressão do presidente americano Ronald Reagan, Honduras tornou-se um porta-aviões dos EUA na América Central para ajudar as ditaduras de El Salvador e da Guatemala e os rebeldes contrários à Revolução Sandinista na Nicarágua.

A Costa Rica se negou a servir de base para os rebeldes antissandinistas. Sob a mediação do presidente costa-riquenho Óscar Arias Sánchez, em 7 de agosto de 1987, os cinco presidentes dos países da América Central assinaram o Acordo de Paz de Esquipulas, estabelecendo o marco jurídico para a cooperação econômica e a solução pacífica dos conflitos, observa Peter Calvert em The International Politics of Latin America (Manchester, 1994).

NOBEL DA PAZ
A proposta previa o fim das hostilidades, democratização, eleições livres, desmobilização de todas as forças irregulares, reconciliação nacional, controle de armas e ajuda aos refugiados.

O acordo valeu para Óscar Arias o reconhecimento internacional. Ele ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1987.

RELAÇÕES COM O BRASIL
Os dois países mantêm relações diplomáticas desde 1906. Jorgina de Freitas Fernandes, fraudadora do INSS, foi presa na Costa Rica em 1997 e extraditada em 1998.

O comércio bilateral chegou a US$ 140,84 milhões em 2010, com déficit de US$ 12 milhões para o Brasil.

ESPORTE
A Costa Rica participou da Olimpíada de Berlim, em 1936, e esteve presente em todos os Jogos de Verão desde 1956, em Melbourne, na Austrália.

Sua primeira e única medalha de ouro foi conquistada pela nadadora Claudia Poll Ahrens nos 200m nado livre em Atlanta, nos EUA, em 1996. O país ganhou ainda uma medalha de prata e duas de bronze em sua história olímpica.

Os esportes aquáticos são muito populares nos litorais dos dois oceanos.

FUTEBOL
O futebol é o grande passatempo nacional e o esporte favorito. A seleção nacional, Los Ticos, é a mais bem-sucedida da América Central. Foi três vezes campeã da Concacaf (Confederação de Futebol das América do Norte e Central e do Caribe), em 1963, 1969 e 1989 e sete vezes da Copa Centro-Americana. Acaba de se classificar para sua quarta Copa do Mundo.

Seu melhor desempenho foi em 1990, na Itália, quando a Costa Rica ficou no grupo do Brasil na primeira fase. Um dos destaques da equipe foi o brasileiro naturalizado costa-riquenho Alexandre Guimarães, centroavante titular.

A Costa Rica venceu a Escócia por 1-0, perdeu para o Brasil por 1-0 e derrotou a Suécia por 2-1, classificando-se para a segunda fase, quando foi eliminada pela Tcheco-Eslováquia por 4-1.

Em 2002, mais uma vez, a Costa Rica caiu no grupo do Brasil. Dessa vez, Alexandre Guimarães era o treinador. A Costa Rica ganhou da China por 2-0 e empatou em 1-1 com a Turquia, mas levou 5-2 do Brasil e foi eliminada.

Em 2006, na Alemanha, foram três derrotas: 4-2 para a Alemanha, 3-0 para o Equador e 2-1 para a Polônia.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Xi anuncia fim da era do crescimento rápido

Ao participar do Fórum Boao, que reúne líderes empresarias da Ásia, o novo presidente da China, Xi Jinping, anunciou que a era do crescimento acelerado acabou: "Não é impossível crescer mais rápido. Não queremos crescer depressa demais."

É mais um sinal de que depois de três décadas de crescimento acelerado, em torno de 10% ao ano, os dirigentes chineses buscam um desenvolvimento mais equilibrado e sustentável, com mais atenção às desigualdades sociais e aos problemas ambientais. As principais cidades do país estão sufocadas pela fumaça e a poluição das águas causa desastres como a recente morte em massa de porcos.

"Não acredito que a China seja capaz de sustentar esse crescimento superrápido ou ultrarrápido", disse Xi. O novo dirigente máximo chinês atribui o crescimento de 7,8% no ano passado a "nossos esforços para controlar a velocidade do crescimento". Foi a menor expansão desde 1999.

Nos dois últimos anos, o governo chinês rebaixou de 8% para 7,5% a meta de crescimento. Quando ela era superada, o primeiro-ministro Wen Jiabao pedia desculpas ao Congresso Nacional do Povo por crescer acima da meta, que seria orgulho de qualquer país.

Xi prometeu um crescimento mais verde, dizendo que "a realização desta meta vai trazer força e vitalidade à economia chinesa". Ele garantiu que "a economia da China está em boa forma", capaz de sustentar a expansão por "um período longo". Na sua visão, ainda "há um enorme espaço para crescimento" na urbanização e na modernização da sociedade industrial.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Economia verde gera milhões de empregos no Brasil

A transição para uma economia mais verde rumo ao desenvolvimento sustentável criou 3,1 milhões de empregos nos Estados Unidos e 2,9 milhões no Brasil em 2010, aponta um relatório divulgado na sexta-feira em Buenos Aires pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), concluindo que a alegação de uma economia em maior harmonia com o meio ambiente destruiria empregos.

No caso brasileiro, um estudo do Banco Mundial afirma que a redução em um terço da emissão de gases que agravam o efeito estufa é compatível com a expansão da economia: "O país tem grande possibilidade de mitigar e reduzir suas emissões de carbono em setores como agricultura, energia transporte e gestão de resíduos sem afetar negativamente o crescimento econômico".

Ao lançar o relatório O desafio da promoção de empresas sustentáveis na América Latina e no Caribe,   a diretora regional da OIT, Elizabeth Tinoco, ressaltou que "sem empresas sustentáveis não haverá trabalho decente e sem trabalho decente não haverá empresas sustentáveis".

A diretora da OIT destacou que o crescimento recente da América Latina reduziu o desemprego urbano para 6,4%, um mínimo histórico, mas 50% ainda trabalham na economia informal e 40% não têm cobertura de saúde nem plano de aposentadoria.

O relatório adverte que a degradação do meio ambiente prejudica a economia como um todo e lamenta a falta de incentivos para as pequenas e médias empresas sejam reorientadas rumo à economia verde e ao desenvolvimento sustentável. Defende maior participação da mulher no mercado de trabalho e a equiparação dos salários de homens e mulheres.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Rio+20 quer combater pobreza com proteção ambiental

O grande desafio da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) é conjugar combate à pobreza com desenvolvimento econômico e proteção ambiental em meio à uma crise econômica internacional, afirmou hoje no Rio de Janeiro o subsecretário-geral da ONU para assuntos econômicos e sociais e secretário-geral da conferência, o chinês Sha Zukang.

Em 15 e 16 de dezembro, em Nova York, serão definidos a estrutura, o formato e os temas da conferência. Em meados de janeiro, deve sair o primeiro esboço ou anteprojeto de documento final.

Ao lançar no Rio o sítio em português da Rio+20, Sha destacou ainda a necessidade de implementar os planos e programas criados desde a Rio 92 de uma maneira coerente, com coordenação entre os diferentes governos e agências.

Para o secretário-geral, o desafio é ainda maior diante da crise econômica internacional: "Sabemos que os Estados Unidos e a Europa enfrentam uma crise rara entre os países desenvolvidos.  Essa crise se originou nos países ricos, mas suas vítimas não estão apenas lá. Seu maior impacto recai sobre os países e as populações mais vulneráveis".

Sua receita para enfrentar a crise é o desenvolvimento sustentável: "O modelo atual para o desenvolvimento é insustentável. Isto torna a Rio+20 ainda mais importante".

A conferência, explicou Sha, "é uma plataforma para chefes de Estado e de governo de mais de cem países, e se possível delegações dos 193 países-membros da ONU, discutirem meios e caminhos para enfrentar crises como a atual, inclusive o problema do desemprego. Pelo menos, haverá mais líderes do que na Rio 92".

Sete áreas foram consideradas prioritárias nas consultas entre governos e entidades da sociedade civil:
1. Combate à pobreza com empregos verdes e inclusão social.
2. Segurança alimentar e desenvolvimento da agricultura.
3. Gestão sustentável dos recursos hídricos.
4. Acesso à energia.
5. Sustentabilidade das grandes cidades.
6. Manejo dos oceanos.
7. Prevenção e preparação para enfrentar desastres naturais.

Mais importante, na opinião do subsecretário-geral da ONU, é integrar as políticas econômicas, sociais e ambientais. O mundo vem de um período de crescimento acelerado, especialmente na China, mas a um custo elevado, com crescente disparidade entre ricos e pobres e destruição da natureza.

"Este é o primeiro desafio", afirmou Sha. "O segundo é a implementação. A Rio 92 aprovou a Agenda 21 e uma declaração de princípios. Não faltam planos, cronogramas, declarações. Um roteiro de viagem seria muito útil. Precisamos honrar os compromissos assumidos. O desenvolvimento sustentável é o começo e não tem fim".

O secretário-geral da Rio+20, defendeu a necessidade de realizar ações coerentes e coordenadas: "Precisamos de mecanismos e instituições nos níveis global, nacional e regional. A nível global, temos muitas instituições. O problema é como fazer trabalharem juntas".

Por fim, defendeu a adoção de medidas concretas: "Desde 11 de setembro de 2001, há uma discussão sobre a definição de terrorismo internacional. Então, não se preocupem com a definição. Temos de nos concentrar em ações e soluções."

domingo, 14 de novembro de 2010

Papa pede reforma econômica e ajuda ao Haiti

No sermão deste domingo na Praça de São Pedro, em Roma, o papa Bento XVI defendeu uma mudança no modelo de desenvolvimento econômico e pediu mais ajuda para o Haiti enfrentar a epidemia de cólera.

Para Bento XVI, "a atual crise econômica, discutida nos últimos dias na reunião do G-20, precisa ser levada a sério. Tem inúmeros efeitos e serve de base para se pedir uma profunda revisão do modelo global de desenvolvimento econômico".

Na sua opinião, a crise financeira é um "sintoma agudo" que deve ser acrescentado à crescente desigualdade entre ricos e pobres, a fome, o desemprego generalizado e os problemas ambientais. O papa pediu aos governo do mundo que se esforçar para criar modelos de desenvolvimento sustentável.

"Queria expressar minha solidariedade com a querida população do Haiti", continuou Bento XVI, "que, por causa do terrível terremoto de janeiro passado, agora sofrem com uma série epidemia de cólera. Faço um apelo a todos para que façam o máximo possível para combater essa nova emergência e à comunidade internacional para que seja generosa".