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segunda-feira, 21 de agosto de 2023

Candidato anticorrupção é eleito presidente da Guatemala

 Com 58% dos votos, Bernardo Arévalo, do Movimento Semente, filho do primeiro presidente eleito democraticamente da história da Guatemala, conquistou no domingo uma vitória histórica para presidir o país mais rico da América Central. 

Arévalo, de centro-esquerda, venceu no segundo turno a ex-primeira-dama Sandra Torres Casanova, da União Nacional da Esperança (UNE), que teve 37% por cento dos votos. Seu maior desafio será enfrentar a corrupção endêmica.

O presidente Juan José Arévalo Bermejo (1945-51) foi eleito depois da Revolução Democrática, em 1944. Durante seu governo, houve mais de 30 tentativas de golpe.

Seu sucessor, Jacobo Árbenz Guzmán, foi deposto em 27 de junho de 1954 no primeiro golpe militar articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) na América Latina durante a Guerra Fria, por fazer a reforma agrária em terras da companhia bananeira norte-americana United Fruit.

A Guatemala cai então num período de instabilidade. Em 1960, começa uma das mais sangrentas guerras civis da Guerra Fria na América Latina, que dura 30 anos e mata cerca de 200 mil pessoas até a redemocratização, em 1994, quando o país tinha 9 milhões de habitantes. O presidente eleito hoje nasceu em 7 de outubro de 1958 no Uruguai, onde o pai estava exilado.

A ditadura militar foi responsável por 92% das mortes, a maioria destas (83%) de indígenas de origem maia, uma das três grandes civilizações pré-colombianas, num verdadeiro genocídio.

Em 12 de dezembro de 2006, um acordo com as Nações Unidas cria a Comissão Internacional Contra a Impunidade na Guatemala (CICIG), com os objetivos de investigar atos ilícitos das forças de segurança e de organizações clandestinas, combater a corrupção e o crime organizado.

A CICIG acusou de corrupção em 16 de abril de 2015 vários dirigentes políticos, inclusive Juan Carlos Monzón, secretário particular da vice-presidente Roxana Baldetti. Isso levou à renúncia de Baldetti e do presidente, general Otto Pérez Molina (2012-15).

Com a desmoralização dos políticos, em 2015, foi eleito presidente o ator e comediante Jimmy Morales (2016-20), mas a corrupção não diminuiu. Em janeiro de 2017, foram presos o irmão mais velho, Samuel Morales, e um filho do presidente, José Manuel Morales, por corrupção e lavagem de dinheiro.

Sete meses depois, Jimmy Morales expulsou o presidente da comissão da ONU, que investigava alegações de que seu partido recebera doações de campanha ilegais, inclusive de traficantes de drogas, e pedira ao Congresso que suspendesse a imunidade do presidente. Morales também foi acusado de receber um bônus ilegal de US$ 7,3 mil por mês do Ministério da Defesa e de abuso sexual de funcionárias públicas.

Em 7 de janeiro de 2019, Morales rompeu o acordo com a ONU e extinguiu a comissão, alegando que cometera atos ilegais e inconstitucionais, e abusos de poder. A CICIG desmantelou 70 organizações criminosas e teria evitado 20 a 30 mil homicídios.

Seu sucessor, o atual presidente, Alejandro Giammattei, foi eleito na quarta tentativa, em 2019, e assumiu o cargo em 14 de janeiro de 2020. Em 21 de novembro daquele ano, começou uma onda de protestos contra a adoção de um orçamento com fundos marcados para obras de infraestrutura de empresas privadas e cortes nos gastos de combate à pobreza e à desnutrição infantil, que afeta a metade das crianças até cinco anos de idade.

A resposta do governo é aumentar a repressão, com assassinato de líderes sindicais, indígenas e ambientalistas denunciadas pela Federação Internacional pelos Direitos Humanos e a Organização Mundial contra a Tortura. 

Em julho de 2021, a procuradora-geral María Consuelo Porras, demitiu o procurador especial anticorrupção, Juan Francisco Sandoval, por investigar casos de corrupção ligados ao presidente, inclusive financiamento ilegal da campanha eleitoral por empresas da construção civil.

Em 2022, o Congresso aprovou um projeto para aumentar as penas de prisão por aborto, proibir a educação sexual nas escolas e declarar homossexuais "grupos minoritários incompatíveis com a moral cristã". Depois de apoiar a iniciativa, Giammattei ameaçou vetar a lei por violar a Constituição e acordos internacionais. O Congresso recuou e suspendeu a tramitação da proposta.

Neste ano, só 2,9% dos guatemaltecos consideraram o governo bom. Sob Giammattei, aumentou muito a imigração para os EUA.

Num país com tal histórico de violência política e corrupção, o partido derrotado ontem denunciou irregularidades e ainda não reconheceu a vitória de Bernardo Arévalo de León, de 64 anos, mas ele foi cumprimentado pelos presidentes do México, Andrés Manuel López Obrador; de Honduras, Xiomara Castro; e de El Salvador, Nayib Bukele.

O atual presidente da Guatemala reconheceu a vitória e convidou Arévalo para uma reunião no palácio presidencial para iniciar a transição de governo.

terça-feira, 16 de julho de 2019

Tribunal Constitucional da Guatemala veta acordo sobre imigração com EUA

O Tribunal Constitucional da Guatemala proibiu o presidente Jimmy Morales de assinar um acordo sobre imigração com os Estados Unidos chamado de "terceiro país seguro" para obrigar os refugiados a pedir asilo no primeiro país de trânsito. É mais uma jogada do presidente Donald Trump para tentar conter o fluxo migratório para os EUA.

Trump quer que os hondurenhos e salvadorenhos peçam asilo na Guatemala e que os guatemaltecos peçam asilo no México. Assim, só os mexicanos poderiam chegar até a fronteira dos EUA. Hoje, a maioria vem do Triângulo do Norte da América Central, da Guatemala, de Honduras e de El Salvador.

A designação da Guatemala como país um "terceiro país seguro" é impopular no país, que como o México sofre grande pressão do presidente americano. Trump está em campanha para a reeleição em 2020 e manipula o fantasma da imigração ilegal, um de seus temas favoritos para mobilizar o eleitorado branco sem curso superior.

O México está sob a ameaça permanente de um tarifaço de Trump, que não parece realmente interessado em resolver o problema da imigração, mas, sim, de usar a questão para manipular o eleitorado.

Em Honduras, há uma onda de protestos contra o presidente conservador Juan Orlando Hernández para marcar o aniversário de dez anos do golpe militar contra o presidente José Manuel Zelaya, em 28 de junho. Em dois de junho, manifestantes tocaram fogo em 62 caminhões e contêineres que iam para Porto Castela, noticiou o jornal hondurenho La Prensa.

Antes, em 31 de maio, os manifestantes queimaram pneus diante da entrada do setor de vistos da Embaixada dos EUA em Tegucigalpa. O incêndio chamuscou o muro externo da representação americana, mas logo foi apagado e não causou grandes danos.

As manifestações recomeçaram em 5 de junho em várias cidades hondurenhas, principalmente em Tegucigalpa e San Pedro Sula, a capital e o principal centro econômico do país. Em 2011, San Pedro Sula era responsável por dois terços do produto interno bruto de Honduras, estimado em US$ 45 bilhões.

No meio do fogo cruzado de gangues do tráfico de drogas para os EUA que o Estado hondurenho não tem poder para enfrentar, em 2015, San Pedro Sula foi considerada a cidade mais violenta do mundo, com um índice de homicídios de 187 para cada 100 mil habitantes.

Com crises econômica, política e de segurança pública, a tendência é que mais imigrantes saiam do país para tentar a sorte nos EUA.

Para ajudar a Guatemala, Honduras e El Salvador a enfrentar seus problemas, a Câmara dos Representantes dos EUA aprovou por unanimidade um projeto bipartidário para dar uma ajuda de US$ 577 milhões, informou o jornal guatemalteco Prensa Libre.

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Trump impõe tarifaço anti-imigração e México propõe diálogo

Em resposta à ameaça de um tarifaço sobre todas as importações do México para os Estados Unidos, o presidente Andrés Manuel López Obrador enviou hoje uma carta ao presidente Donald Trump defendendo o diálogo. 

López Obrador deixou claro que não quer o confronto, argumentou que as pessoas emigram por necessidade e afirmou que "problemas sociais não podem ser resolvidos com impostos e medidas coercitivas".

O México enviou uma delegação a Washington para tentar negociar uma solução para a crise. "Se o problema de imigração não for remediado", escreveu Trump ontem no Twitter, as tarifas vão aumentar em cinco pontos percentuais por mês até chegarem a 25%. Meu comentário:


quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Trump ameaça enviar 15 mil soldados à fronteira com o México

Com medo de perder a maioria na Câmara dos Representantes nas eleições de 6 de novembro, o presidente Donald Trump usa a imigração ilegal como tema central da campanha. Diante do avanço de uma caravana com 7 mil centro-americanos, o presidente prometeu hoje enviar 15 mil soldados do Exército para a fronteira dos Estados Unidos com o México, noticiou o jornal The Washington Post.

"Vamos ter entre 10 e 15 mil soldados, além da Patrulha de Fronteiras e da Agência de Alfândega e Imigração (ICE)", afirmou Trump em comício na Flórida, dois dias depois de anunciar o envio de 5,2 mil. "Ninguém vai entrar. Não vamos deixar estas pessoas entrarem."

A maioria dos imigrantes foge da violência e da miséria de Honduras. Eles viajam a pé em grupos ou caravanas para não serem alvos fáceis de bandidos. Vão levar semanas para chegar aos EUA, mas aí as eleições terão passado. Trump acusa a oposição democrata de querer abrir as fronteiras do país e alega haver bandidos e terroristas muçulmanos na caravana sem apresentar nenhuma prova disso.

Ontem, o general responsável pela operação revelou que 5.239 soldados do Exército rumam para a fronteira para se somar a 2.092 membros da Guarda Nacional que já estão lá. Se o total de militares do Exército chegar a 15 mil, será o equivalente ao número de tropas que os EUA mantêm hoje no Afeganistão e mais de três vezes o tamanho da força que está no Iraque.

Os críticos de Trump descrevem a medida como uma manobra eleitoreira. Nos EUA, o voto não é obrigatório. O Partido Democrata, de oposição, está mobilizado por causa da impopularidade do presidente, aprovado por apenas 36% dos americanos.

Trump tenta fazer destas eleições intermediárias, de meio de mandato, as "eleições da caravana". Também insistiu hoje numa proposta inviável, de retirar o direito à cidadania americana de bebês que nascerem nos EUA de pais que não tenham direito legal a residir no país.

Este direito à cidadania é garantido pela Emenda nº 14 à Constituição dos EUA, de 1868, que só pode ser alterada por 2/3 das duas casas do Congresso e a ratificação por 75% dos estados da União. Trump e aliados alegam que não se aplica a imigrantes ilegais.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Trump ameaça cortar ajuda a Guatemala, Honduras e El Salvador

O presidente Donald Trump ameaçou hoje cortar ou suspender boa parte da ajuda dos Estados Unidos a Guatemala, Honduras e El Salvador, se esses países da América Central não contiverem a onda migratória. Uma caravana de cerca de 5 mil pessoas entrou no México no fim de semana e segue a pé por terra rumo à fronteira americana.

Impotentes diante da situação de violência, as máfias do tráfico de drogas e a miséria de seus países, estas repúblicas centro-americanas enfrentarão sérias crises internas tanto pela falta do dinheiro como pela forte reação negativa interna.

Trump quer fazer de sua política anti-imigração um dos temas centrais da campanha para as eleições intermediárias de 6 de novembro, quando o Partido Democrata pode retomar o controle da Câmara dos Representantes, o que prejudicaria sensivelmente seus planos de governo.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

México rejeita dinheiro dos EUA para repatriar centro-americanos

O presidente eleito do México, Andrés Manuel López Obrador, não vai aceitar a ajuda de US$ 20 milhões feita pelos Estados Unidos para mandar de volta os emigrantes da América Central, declarou hoje a futura ministra do Interior, Olga Sánchez Cordero.

A questão pode se tornar um ponto de atrito entre os Governos Donald Trump e López Obrador, que assume em 1º de dezembro. Eleito com mais da metade dos votos com uma plataforma de esquerda, AMLO, como é mais conhecido, colaborou com os Estados Unidos na renegociação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta).

É improvável que López Obrador suspenda os programas de controle da imigração ilegal da Guatemala, Honduras, El Salvador e Nicarágua. Em carta a Trump, defendeu o aumento da ajuda ao desenvolvimento desses países da América Central para meio de conter a imigração.

sábado, 1 de setembro de 2018

Guatemala expulsa comissão internacional anticorrupção

O presidente Jimmy Morales anunciou ontem que não vai renovar o mandato da Comissão Internacional contra a Corrupção e a Impunidade na Guatemala (CICIG), que termina neste mês de setembro, noticiou o jornal guatemalteco Prensa Libre.

Morales, um ex-humorista, é uma espécie de Tiririca da Guatemala. Foi eleito em 2015, depois da queda do presidente e da vice-presidente anteriores em escândalos de corrupção. No poder,  não se mostrou diferente dos antecessores. Foi acusado de práticas financeiras ilícitas.

Desde que a comissão foi criada, em 2006, com o apoio dos Estados Unidos, se tornou um instrumento importante da luta contra a corrupção na América Central. Se Morales expulsar mesmo a comissão, a Guatemala estará sujeita a sanções dos EUA.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Ortega admite antecipar eleição presidencial na Nicarágua

Depois de quase dois meses de manifestações de protesto em que pelo menos 139 pessoas foram mortas, o presidente Daniel Ortega admitiu diante do enviado especial dos Estados Unidos, Caleb McCarry, antecipar a eleição presidencial da Nicarágua, mas se negou a renunciar, como exige a oposição, noticiou ontem o jornal nicaraguense La Prensa.

Com a decisão do Exército de parar de reprimir os manifestantes, o ex-líder guerrilheiro está sendo obrigado a ceder à pressão das ruas. Se Ortega cair, a revolta contra a corrupção e o autoritarismo tende a se intensificar na Guatemala e em Honduras.

A revolta contra Ortega começou em 18 de abril, em protesto contra o aumento das contribuições previdenciárias e a redução nas pensões e aposentadorias. O governo recuou, mas a repressão violenta inflamou a situação, levando a Igreja Católica a pedir a saída do presidente.

Um dos nove comandantes da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), que tomou o poder em Manágua em 17 de julho de 1979, derrubando a ditadura de Anastasio Somoza, Ortega governou a Nicarágua de até 1990, quando perdeu a eleição presidencial para Violeta Chamorro.

Ortega voltou em 2007, em aliança com a oligarquia somozista, manipulou as instituições, mudou a composição do supremo tribunal, censurou a mídia e é acusado de corrupção e enriquecimento ilícito, ao lado da mulher e vice-presidente Rosario Murillo. Hoje, é comparado a Somoza.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Protesto contra Ortega termina com 16 mortes na Nicarágua

A polícia e unidades paramilitares ligadas à Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) atiraram contra uma manifestação de dezenas de milhares de pessoas ontem em Manágua, a capital da Nicarágua. Pelo menos 16 pessoas morreram e 79 saíram feridas, informou o jornal El Nuevo Diario.

A repressão violenta à marcha em homenagem às mães das mortos nos protestos de abril deve ampliar o movimento. Se o presidente Daniel Ortega cair, as oposições de outros países em crise da América Central, Guatemala e Honduras, devem fazer novas manifestações contra seus governos.

Em abril, Ortega propôs cortes de pensões e aumento nas contribuições previdenciárias, deflagrando uma onda de protestos, levando o presidente a recuar e voltar atrás em 23 de abril, depois de 53 mortes atribuídas principalmente às forças de segurança e a paramilitares ligados ao regime.

A Igreja Católica organiza os protestos contra a violência do governo e o Exército relutava em continuar atacando a multidão revoltada. Diante do uso de força mortal pelo governo, os bispos nicaraguenses se negam a retomar o diálogo.

Por causa do aumento nos preços do petróleo, há 20 dias, motoristas de táxi, ônibus e caminhões aderiram ao movimento. Depois de duas semanas de relativa calma, os protestos voltaram com força em 11 de maio nas principais cidades nicaraguenses: Manágua, León, Granada, Chinandega e Masaya.

No dia 12, o Exército pediu diálogo e declarou que não participaria mais da repressão contra os manifestantes. O Conselho Superior da Iniciativa Privada, que representa a elite empresarial, inclusive muitos aliados de Ortega, também defendeu o diálogo.

A dúvida é se Ortega resiste até a eleição presidencial de 2021, quando poderia voltar a ser candidato com base numa reforma que acabou com a limitação dos mandatos.

Um dos nove comandantes da FSLN, que tomou o poder em 17 de julho de 1979, Daniel Ortega governou a Nicarágua até ser derrotado por Violeta Chamorro na eleição presidencial de 1990. Voltou em 2007, em aliança com a oligarquia somozista que um dia combatera e desde então tenta se eternizar no poder.

Em Honduras, houve uma onda de protestos depois da contestada reeleição do presidente Juan Orlando Hernández, em novembro de 2017. A situação se acalmou com a divisão interna da oposição com a disputa pela liderança entre o ex-presidente José Manuel Zelaya e o candidato presidencial no ano passado, Salvador Nasralla. O Exército sustenta o governo conservador.

Na Guatemala, uma onda de manifestações contra a corrupção levou à queda do presidente Otto Pérez Molina, em 2015. O atual presidente, Jimmy Morales, um ex-humorista que chegou ao poder fazendo campanha contra os políticos e partidos tradicionais, também é alvo de investigações da Comissão contra a Impunidade, um órgão criado pelas Nações Unidas que as elites polícias e empresarias guatemaltecas querem desautorizar, na contramão da opinião pública.

Se Ortega cair, talvez o furacão da mudança varra também os governos do norte e nordeste da América Central.

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Império Maia era muito maior do que se pensava

Com uma nova técnica de aerofotografia a lêiser, arqueólogos descobriram as ruínas de mais de 60 mil construções escondidas sob a densa floresta tropical úmida das terras baixas do Norte da Guatemala e concluíram que a civilização maia era muito maior do que imaginava. Em vez de 5 milhões de pessoas, estima-se que a população fosse de 10 a 15 milhões.

Essa concentração populacional exigiu uma exploração intensiva da terra para produzir alimentos, levando a uma catástrofe ecológica e à decadência antes da chegada dos colonizadores espanhóis.

Ao lado dos astecas, no México, e dos incas, no Peru e no Equador, os maias foram uma das três grandes civilizações pré-colombianas. O Império Maia atingiu o apogeu no período maia clássico (200-900) e depois entrou em declínio.

As 60 mil construções incluem palácios, templos, pirâmides, casas, estradas e grandes plantações. Com a técnica conhecida como LiDAR (Light Detection and Ranging), revelou-se uma civilização mais complexa e interligada do que se supunha. Toda a Reserva da Biosfera Maia, no estado de Petén, na Guatemala, foi mapeada.

"Este mundo que foi perdido para a selva, de repente é revelado", comentou o engenheiro Albert Yu-Min Lin, explorador da National Geographic Society, dos Estados Unidos, citado pelo jornal The New York Times. "E o que se pensava ser uma civilização amplamente estudada e compreendida de repente está cheia de novidades."

O projeto foi iniciado por Pacunam, uma organização não lucrativa, com o auxílio do Centro Nacional de Mapeamento Aéreo por Lêiser, da Universidade de Houston, no Texas. Na primeira fase do projeto, foram investidos US$ 600 mil.

Além de descoberta e restauração de um tesouro arqueológico, o projeto visa a proteger a floresta tropical, impedir o desmatamento, atrair turistas e pesquisadores, combater a mudança do clima,  a exploração ilegal de madeira e o contrabando na fronteira.

A mesma técnica foi usada para descobrir construções ao redor do templo de Angkor, centro do Império Khmer, hoje no Camboja.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Trump cobra caro para proteger "sonhadores"

O governo Donald Trump enviou domingo ao Congresso uma proposta de política anti-imigração ilegal com medidas duras em troca de qualquer acordo para proteger os chamados "sonhadores", crianças e jovens que eram menores de idade quando entraram ilegalmente com suas famílias nos Estados Unidos.

Em 5 de setembro, o secretário da Justiça, Jeff Session, anunciou a revogação da Ação Diferida para Chegadas na Infância (DACA), um programa do governo Barack Obama para proteger 800 mil jovens ilegais. Muitos passaram a maior parte de suas vidas nos EUA e não têm grande ligação com seu país de origem.

Entre as exigências de Trump, estão dinheiro para construir um muro na fronteira com o México, verba para contratar mais 10 mil guardas de fronteira, regras mais duras para concessão de asilo político e o fim da ajuda federal para "cidades santuários", que não colaboram com as autoridades federais na caçada aos imigrantes ilegais. O México não vai pagar pelo muro como o presidente prometeu na campanha.

A Casa Branca também exige que as empresas usem o sistema de verificação E-Verify para não contratar imigrantes ilegais, impedir o acesso aos EUA da família extensa (avós, tios e primos) dos imigrantes que regularizaram a situação e fechar a fronteira para centenas de milhares que menores que fugiram da violência na América Central nos últimos anos.

Com a guerra do México contra as drogas, vários cartéis do tráfico transferiram parte de suas atividades para a América Central, onde países muito menores não tem recursos para enfrentar o seu poder financeiro e seu poder de fogo.

Honduras e El Salvador estão hoje entre os países mais violentos do mundo fora de zonas de guerra. Isso gerou uma migração de menores centro-americanos para os EUA.

Pelas regras atuais, se entrarem em território americano, esses menores têm o direito a uma audiência na Justiça para contar sua história e pedir asilo, num processo que pode durar até dois anos. Trump quer o direito de bloquear a entrada ou deportar sumariamente essas crianças.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Terremoto de 8,2 graus atinge costa sul do México

Um abalo sísmico de 8,2 graus na escala aberta de Richter abalou a costa sul do México, no Oceano Pacífico, perto da fronteira com a Guatemala, às 23h49 de quinta-feira, 7 de setembro (1h49 do dia seguinte em Brasília). É o maior terremoto a atingir o país desde 1985. Foi dado um alerta de tsuname no México e na América Central.

O epicentro foi no mar, a 150 quilômetros do litoral, mas o tremor foi sentido até na Cidade do México, a mil km de distância. Os estados mexicanos mais atingidos foram Oaxaca e Chiapas. Tuxla Gutiérrez, a capital de Chiapas, está sem eletricidade. Várias casas desabaram.

No primeiro momento, o terremoto foi avaliado em 8 graus. O serviço geológico dos Estados Unidos elevou a magnitude para 8,1 graus, mas o Serviço Sismológico do México estimou-o primeiro em 8,4 graus e depois em 8,2 graus.

A escala Richter é uma escala logarítmica que mede a amplitude da oscilação da costa terrestre. Cada ponto equivale a um terremoto dez vezes mais forte.

Nos dias seguintes, o total de mortos chegou a 96 pessoas.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Sandra Torres vai ao segundo turno com Jimmy Morales na Guatemala

Na disputa mais apertada pelo segundo lugar de uma eleição presidencial na Guatemala, a ex-primeira-dama Sandra Torres de Colom superou o empresário Manuel Baldizón e disputa o segundo turno com o comediante Jimmy Morales em 25 de outubro de 2015.

Com 97,3% das urnas apuradas, Morales, da Frente de Convergência Nacional (FCN), tem 23,91% dos votos contra 19,64% de Sandra Torres, da Unidade Nacional da Esperança (UNE), que superou o empresário Manuel Baldizón, da Liberdade Democrática Renovada (Lider), com 19,4%.

Esse resultado apertado provocou recursos das duas candidaturas. A Justiça eleitoral da Guatemala suspendeu a divulgação do resultado oficial até o julgamento dos recursos.

sábado, 2 de agosto de 2014

Câmara proíbe Obama de impedir deportações

Por 223-189, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, dominada pela oposição republicana, aprovou esta noite a Lei de Despesas de Emergência na fronteira, no valor de US$ 694 milhões, para ajudar a conter a imigração de menores de idade da América Central. Ao mesmo tempo, limitou a autoridade do presidente Barack Obama para impedir as deportações.

Mais de 57 mil crianças e jovens centro-americanos tentaram entrar ilegalmente nos EUA desde outubro de 2013. Como não vem de um país vizinho, a lei americana os dá o direito a uma audiência perante um juiz, o que pode demorar até quatro anos.

Os menores não são imigrantes econômicos. São refugiados das guerras das drogas e das gangues, ambas diretamente ligadas aos EUA. As drogas vão para o mercado americano. As gangues se formaram nas ruas de grandes cidades como Los Angeles. Mas os republicanos querem acelerar as deportações.

Por 216-192, a Câmara limitou os poderes do presidente para adiar as importações. Mais detalhes no jornal The Washington Post.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Crianças centro-americanas fogem para os EUA

Sob pressão da violência causada pela guerra do tráfico de drogas, há uma fuga em massa de crianças da América Central para os Estados Unidos. É o maior fluxo migratório para o país desde que cerca de 120 mil pessoas deixaram Porto Mariel de barco em 1980.

Desde outubro de 2013, mais de 52 mil menores foram detidos pelas autoridades de imigração dos EUA. É o dobro do ano passado inteiro e 10 vezes mais do que em 2009. O presidente Barack Obama pediu ao Congresso uma verba extra de US$ 4 bilhões para enfrentar o problema.

Os EUA tentam desestimular os centro-americanos a enviar seus filhos para o país na expectativa de serem aceitos como imigrantes, mas um estudo das Nações Unidas aponta que 58% fogem da violência causada pela guerra das drogas e das gangues participantes do conflito. Não são migrantes econômicos. São refugiados da guerra contra as drogas apoiada pelos EUA no México e na América Central.

De acordo com as autoridades de imigração americanas, "as crianças hondurenhas e salvadorenhas vêm de regiões extremamente violentas onde provavelmente consideravam o risco de viajar sozinhas para os EUA menor do que o de ficar em casa".

No caso de imigrantes ilegais menores do México, os EUA adotam uma política de repatriação automática. Desde 2008, com base na Lei de Proteção das Vítimas do Tráfico de Pessoas, as crianças da América Central têm direito a uma audiência perante um juiz. Por causa do grande número de casos, os menores podem esperar até três anos. Durante esse período, 90% ficam com parentes ou amigos nos EUA e os outros em centros de atendimento.

sábado, 14 de junho de 2014

Costa Rica: a mais antiga democracia da América Latina


A República de Costa Rica é um país da América Central cercado pela Nicarágua ao norte, o Mar do Caribe a leste, o Panamá a sudeste e o Oceano Pacífico a oeste. O país aboliu o Exército em 1949 e tem a mais longa tradição democrática da América Latina.

A Costa Rica é um exemplo de país que baseia sua atuação internacional na consolidação da democracia, notou Joseph Tulchin no livro The Consolidation of Democracy in Latin America (Londres, 1995).

A liderança nas negociações de paz nas guerras civis da América Central deu ao presidente costa-riquenho Óscar Arias Sánchez o Prêmio Nobel da Paz 1987. O país sedia a Corte Interamericana de Direitos Humanos, o Tribunal de São José, mencionado recentemente como uma última possibilidade de recursos para os réus do Mensalão.

DESENVOLVIMENTO HUMANO
Esta paz social se reflete nos indicadores socais. A Costa Rica tem um dos maiores índices de desenvolvimento humano da América Latina e o mais alto para países do mesmo nível de renda, como destacou o Relatório de Desenvolvimento da ONU de 2010.

A Costa Rica também se destaca em desenvolvimento sustentável. É o 5º país do mundo no ranking do Índice de Performance Ambiental calculado pelas universidades americanas de Yale e Colúmbia, depois de Suíça, Letônia, Noruega e Luxemburgo.

A New Economics Foundation, um instituto de pesquisas do Reino Unido, considera a Costa Rica o país mais verde e um dos mais felizes do mundo.

GEOGRAFIA
A Costa Rica possui duas planícies costeiras, uma banhada pelo Oceano Pacífico, rochosa e recortada, e outra pelo Atlântico, retilínea e sujeita aos furacões que açoitam o Mar do Caribe.

Uma cadeia de montanhas com vulcões ativos corta esse pequeno país de Norte a Sul. No centro da cordilheira centro-americana, há um planalto, a Meseta Central, onde ficam as principais cidades e vivem mais de 50% dos habitantes da Costa Rica. O ponto mais alto é o Cerro Chirripó, de 3.819 metros.

CLIMA
Situada entre os paralelos 8º e 12º Norte, a Costa Rica tem um clima tropical o ano inteiro, com uma estação chuvosa que vai de maio a novembro e cinco meses mais secos de dezembro a abril.

A temperatura média varia de 17ºC, na mínima, a 28ºC, na máxima.

POPULAÇÃO
Sua população, de 4,6 milhões de habitantes pelo censo de 2011, era 65,8% branca de origem europeia, principalmente espanhola, mas também alemã, italiana, francesa, britânica, holandesa, sueca e grega; 13,65% mestiça (brancos e índios); 9% imigrante, sobretudo asiáticos; 6,7% mulata (brancos e negros), 2,4% indígena e 1% negra.

Os costa-riquenhos são chamados popular e carinhosamente como ticos. Cerca de 64% moram em cidades e 36% em zonas rurais.

A capital, São José ou San José, tinha 288 mil habitantes pelo censo de 2011. É considerada uma das capitais mais seguras da América Latina. As outras cidades importantes do país, Alajuela, Cartago e Heredia, ficam próximas.

PRESERVAÇÃO
Cerca de 25% do território de 51,1 mil km2, um pouco maior do que o estado do Espírito Santo, são parques nacionais e áreas de preservação ambiental, uma porcentagem acima da média mundial entre os países desenvolvidos, de 13%, e dos países ricos, de 8%. O desmatamento foi praticamente reduzido a zero em 2005.

Com apenas 0,1% da superfície terrestre, a Costa Rica tem 5% da biodiversidade. O país tem 840 espécies de pássaros e mais de cem de mamíferos, além de grande variedade de répteis e anfíbios, inclusive uma espécie de iguana que é o réptil mais rápido do mundo.

Os parques nacionais de Corcovado e Tortuguero e a reserva florestal Nuvem Monteverde, famosos internacionalmente, são atrações turísticas importantes.

Até 2020, a Costa Rica pretende ser neutra em suas emissões de carbono, parando de contribuir para agravar o efeito estufa.

ECONOMIA
Com produto interno bruto de US$ 45 bilhões e renda per capita de US$ 9.672, estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI), a Costa Rica não é tão rica como o nome sugere nem tão pobre quanto seus vizinhos na América Central.

Cerca de 23% dos costa-riquenhos vivem na pobreza. A taxa de desemprego ficou em 7,8% em 2012 e o déficit comercial em 5,2% do PIB, com inflação de 4,5%.

A Costa Rica apresentou crescimento forte no início do século, com avanços de 7% em 2006 e 9% em 2007. Sob o impacto da crise internacional, a expansão caiu para 3% em 2008.

Desde 1999, o turismo rende mais do que as três principais colheitas de exportação: bananas, abacaxi e café. Em 2012, a Costa Rica recebeu 2,2 milhões de turistas estrangeiros, que deixaram US$ 2,4 bilhões no país.

Nos últimos anos, a indústria farmacêutica, o desenvolvimento de software e o ecoturismo se tornaram atividades importantes. Com a estabilidade e a educação de boa qualidade, a Costa Rica é desde 2003 o país da América Central que mais recebe investimentos estrangeiros diretos.

A indústria responde por 20% do PIB e um sexto do emprego.

O país aproveita sua estabilidade política para atrair capital. A Costa Rica é a “Suíça da América Central” e sofre pressões para eliminar características de paraíso fiscal.

Os serviços representam 60% do PIB, com destaque para os setores financeiro, imobiliário, comercial, de turismo, transporte e administração pública.

Em 2007, por pequena margem, com pouco mais de 51% dos votos, um referendo aprovou o Acordo de Livre Comércio da América Central e da República Dominicana com os EUA (Cafta).

POLÍTICA
A Costa Rica é uma república unitária com sete províncias com governadores nomeados pelo presidente.

O Poder Legislativo é unicameral, uma Assembleia Nacional com 57 deputados eleitos a cada quatro anos.

O presidente e dois vice-presidentes são eleitos por um mandato de quatro anos desde 1953. É a mais longa tradição democrática na América Latina.

Dois grandes partidos dominam a cena política, o Partido de Libertação Nacional (PLN), de centro-direita, e o Partido Unidade Social-Cristã (PUSC).

Em 2004, os ex-presidentes Rafael Ángel Calderón Fournier e Miguel Ángel Rodríguez Echeverría foram presos por enriquecimento ilícito.

MULHER NO PODER
Até  maio de 2014, a presidente era Laura Chinchilla Miranda, a primeira mulher a governar o país e a sexta na América Latina, a exemplo de María Estela Martínez de Perón e Cristina Fernández de Kirchner, na Argentina; Violeta Chamorro, na Nicarágua; Michelle Bachelet, no Chile; e Dilma Rousseff, no Brasil (eleita e empossada depois).

ANTIPARTIDOS

O atual presidente é Luis Guillermo Solís, um cientista político, historiador e acadêmico, eleito no segundo turno em abril de 2014 com 78% dos votos contra 22% de Johnny Araya, do até então governante Partido de Libertação Nacional. Solís fez campanha contra os partidos tradicionais.

CONSERVADORISMO
O PLN pertence à Internacional Socialista e promete “uma política progressista por um mundo melhor”. Na prática, Chinchilla é uma conservadora que centrou sua campanha eleitoral no combate ao crime, é contra o casamento gay, embora defenda a regulamentação da união civil de pessoas do mesmo sexo. Também é contra o aborto e até mesmo a pílula do dia seguinte.

Em 2013, uma pesquisa do instituto privado mexicano Consulta Mitofsky apontou Laura Chinchilla como a presidente mais impopular da América Latina, com apenas 13% de aprovação, logo atrás de Porfirio Lobo, de Honduras.

RELIGIÃO
O catolicismo é a religião oficial do país. O ex-presidente Óscar Arias Sánchez, ganhador do Prêmio Nobel da Paz, é a favor de uma reforma constitucional para criar um Estado secular. A atual presidente, Laura Chinchilla, é contra a mudança.

De acordo com pesquisa feita em 2007 pela Universidade da Costa Rica, 70,5% são católicos, sendo 44,9% católicos praticantes; 13,8% são evangélicos, 4,3% professam outras religiões e 11,3% não têm religião. Há uma pequena comunidade judaica na capital.

IDIOMAS
O espanhol é a língua oficial da Costa Rica. Também são faladas mais de cem línguas nativas, principalmente em reservas indígenas,

Mais de 10% falam inglês. Na costa do Caribe, a minoria negra fala um inglês crioulo no estilo jamaicano.

SAÚDE
A expectativa de vida é de 79,3 anos. Em 2002, apesar da religiosidade, 96% das mulheres usavam algum método anticoncepcional; 87% das mulheres grávidas têm atendimento pré-natal. Todas as crianças têm acesso a clínicas materno-infantis.

A alta qualidade da medicina tornou a Costa Rica um dos principais destinos do turismo médico na América Latina. Em 2006, o país recebeu 150 mil estrangeiros em busca de tratamento, na maioria americanos atraídos pela facilidade de transporte, qualidade e preço dos serviços médicos.

EDUCAÇÃO
O índice de alfabetização, de 94,9% da população, e a qualidade do ensino estão entre os melhores da América Latina. A Costa Rica tem 51 universidades públicas e privadas.

CULTURA
A maior influência vem da colonização espanhola, à qual se somam as influências africana, indígena e dos imigrantes. Na região do Mar do Caribe, há uma forte influência jamaicana, especialmente entre a população negra.

Várias danças caribenhas são populares, entre elas a salsa, a soca, a bachata, o calipso, o merengue, a cúmbia e o reggae.

O Teatro Nacional, em São José, de 1897, em estilo renascentista, é um dos orgulhos da cultura nacional. Desde 1971, a Costa Rida tem uma Orquestra Sinfônica Nacional.

Entre os escritores do século 20, destacam-se Fabián Dobles, Carlos Luis Fallas e Carmen Naranjo.

VESTUÁRIO
 A Costa Rica é uma sociedade cosmopolita com forte influência da Europa e dos Estados Unidos, de onde vêm seus principais modelos culturais e modas. Predominam os trajes executivos para homens e mulheres profissionais, e roupas mais despojadas para quem exerce atividades menos formais e os jovens, no estilo de vida americano adaptado a um clima tropical.

PRÉ-HISTÓRIA
Antes da chegada dos europeus, os povos índigenas da Costa Rica ficavam numa região intermediária entre as grandes civilizações dos Andes (inca) e da Mesoamérica (maias e astecas), no fim da área de influência do Império Asteca ao sul.

Sem uma cultura forte, suas tribos foram rapidamente absorvidas pelo Império Espanhol.

COSTA RICA.
Há divergências sobre se o nome Costa Rica foi usado primeiro por Cristóvão Colombo, que chegou à costa leste do país em 1502, na sua quarta e última viagem à América e ficou impressionado pelas joias de ouro usadas pelos nativos, ou se pelo conquistador espanhol Gil González Dávila. Ele desembarcou na costa oeste em 1522, se encontrou com nativos e se apropriou de parte do ouro deles.

De 14 de agosto a 16 de outubro de 1502, Colombo explorou a costa de Honduras, Nicarágua, Costa Rica e Panamá no Mar do Caribe.

HISTÓRIA
De 1540 a 1821, a América Central fez parte do Vice-Reino da Nova Espanha, com sede na cidade do México. Em 1821, ano da vitória final dos mexicanos sobre o Império Espanhol, tornou-se independente.

A colonização da América Central começa em 1524, cinco anos depois da conquista do México por Fernando Cortez. Em 1564, a coroa espanhola fundou a cidade de Cartago, no planalto central, o primeiro assentamento permanente.

CAPITANIA-GERAL
Em 1609, nasce a Capitania-Geral da Guatemala, oficialmente parte do Vice-Reino da Nova Espanha; na prática, tinha grande autonomia dentro do Império Espanhol.

A Costa Rica era a província mais ao sul da capitania, que incluía ainda Nicarágua, Honduras, El Salvador, Guatemala e o estado mexicano de Chiapas.

POBRE E ISOLADA
A distância da Guatemala, a proibição de negociar com o vizinho Panamá, que pertencia ao Vice-Reino de Nova Granada, com capital em Bogotá, e a falta de metais preciosos a tornaram pobre e isolada. A Costa Rica também não tinha uma grande população indígena que o colonizador pudesse escravizar, o que impediu a formação de grandes fazendas.

Em 1719, apesar do nome, a Costa Rica foi descrita como “a mais pobre e miserável colônia espanhola em toda a América”.

DEMOCRACIA RURAL
Essa pouca importância econômica contribuiu para que desde o início de sua História a Costa Rica fosse uma sociedade mais igualitária que as vizinhas, com uma espécie de “democracia rural”, sem o latifúndio e a escravidão que estão na origem da desigualdade social na América Latina.

O café foi introduzido em 1808 e se tornou uma das bases da economia, ao lado do turismo e dos serviços, especialmente financeiros.

INDEPENDÊNCIA
Como o resto da América Central, a Costa Rica nunca lutou diretamente contra a Espanha pela independência. Com a derrota final da Espanha na Guerra de Independência do México (1810-21), em 15 de setembro de 1821, as autoridades da Guatemala declararam a independência de toda a América Central.

Nesta data, festeja-se a independência, mesmo que, pela Constituição Espanhola de 1812, restaurada em 1820, depois do fim das guerras napoleônicas, a Costa Rica e a Nicarágua em tese formassem uma província autônoma com capital na cidade nicaraguense de León.

IMPÉRIO E FEDERAÇÃO
A exemplo dos outros países centro-americanos, a Costa Rica aderiu ao Primeiro Império Mexicano, sob Agustín de Iturbide, que entrou em colapso em 1823. Costa Rica, Nicarágua, El Salvador, Honduras e Guatemala formaram então a República Federal da América Central, que existiu em tese até 1839, mas exerceu pouca autoridade sobre a pobre e distante Costa Rica.

Em 1838, antes do fim da federação, a Costa Rica se retirou, proclamando a independência. Essa relutância em se ligar politicamente ao resto da América Central persiste até hoje. É um grande obstáculo à integração econômica regional.

CAFÉ
O café, vendido para a Europa a partir de 1843, logo se tornou o principal produto de exportação do país e base da economia costa-riquenha até o século 20.

Como as plantações se concentravam no planalto central onde até hoje vive a maior parte da população, foi preciso construir uma estrada de ferro ligando a região ao Oceano Atlântico.

FERROVIA
A ferrovia para Porto Limão (Puerto Limón) ficou pronta em 1890. É considerada uma das viagens de trem mais bonitas e agradáveis do mundo, em meio a uma luxuriante floresta tropical úmida da qual os nativos se envergonhavam até os anos 1980s, considerando-a um símbolo de atraso e subdesenvolvimento. Hoje, as florestas são motivos de orgulho nacional.

A maior parte da população negra da Costa Rica descende de jamaicanos que trabalharam na construção da estrada de ferro, uma empreitada épica comparada às obras do Canal do Panamá e da ferrovia Madeira-Mamoré, no Brasil, as duas últimas no início do século 20.

BANANAS
O empreiteiro da obra, o empresário americano Minor Keith, ganhou do governo costa-riquenho grandes extensões de terra onde introduziu a produção de bananas para exportar para os EUA, criando uma cultura alternativa ao café.

Em 1899, Keith se associaria a outros capitalistas para criar a United Fruit, empresa transnacional que teria grande influência política na América Central patrocinando golpes de Estado durante a Guerra Fria nas chamadas repúblicas de bananas. Foi rebatizada como Chiquita Brands para apagar a imagem golpista.

DITADURA
Considerada o país mais pacífico e estável da América Latina, a Costa Rica enfrentou dois períodos de violência política no século 20. O general Federico Tinoco Granados foi ditador de 1917-19. Sua queda, sob pressão do presidente americano Woodrow Wilson, levou a um declínio da influência dos militares na Costa Rica.

Em 1948, José Figueres Ferrer liderou uma rebelião armada depois de uma eleição presidencial contestada, disputada pelo ex-presidente Rafael Ángel Calderón Guardia e Otilio Ulate Blanco.

GUERRA CIVIL
A Guerra Civil entre figueristas e calderistas durou 44 dias. Com mais de 2 mil mortos, foi o conflito mais sangrento da Costa Rica no século 20. Vitoriosa, a junta liderada por José Figueres aboliu as Forças Armadas, substituída por uma Guarda Civil, e convocou uma Assembleia Nacional Constituinte.

DEMOCRACIA
Com a nova Constituição aprovada, a junta entregou o poder a um governo democrático em 8 de novembro de 1949. Figueres virou um herói nacional. Foi eleito presidente na primeira eleição presidencial democrática, em 1953.

Desde então, a Costa Rica realizou 13 eleições presidenciais democráticas, pacíficas e transparentes, respeitadas e acatadas internacionalmente.

CORTE INTERAMERICANA
Por causa desta tradição democrática, a Costa Rica foi escolhida pela Organização dos Estados Americanos (OEA) para sediar a Corte Interamericana de Direitos Humanos, o Tribunal de São José, instalado em 1979.

Vinte países aceitaram sua jurisdição, mas não os Estados Unidos, que nunca ratificaram a Convenção Americana de Direitos Humanos ou Tratado de São José. Trinidad-Tobago retirou-se em 1998 e a Venezuela em 2012, alegando interferência indevida em assuntos internos.

Além de resolver casos específicos sobre direitos humanos levados à sua jurisdição, o Tribunal de São José tem função de assessoria jurídica, dando opiniões e interpretações sobre matérias que lhes sejam submetidas pelos países-membros ou outros órgãos da OEA.

GUERRA FRIA
Durante a Guerra Fria, a estabilidade da Costa Rica foi abalada por guerras civis na Nicarágua, em El Salvador e na Guatemala. Sob pressão do presidente americano Ronald Reagan, Honduras tornou-se um porta-aviões dos EUA na América Central para ajudar as ditaduras de El Salvador e da Guatemala e os rebeldes contrários à Revolução Sandinista na Nicarágua.

A Costa Rica se negou a servir de base para os rebeldes antissandinistas. Sob a mediação do presidente costa-riquenho Óscar Arias Sánchez, em 7 de agosto de 1987, os cinco presidentes dos países da América Central assinaram o Acordo de Paz de Esquipulas, estabelecendo o marco jurídico para a cooperação econômica e a solução pacífica dos conflitos, observa Peter Calvert em The International Politics of Latin America (Manchester, 1994).

NOBEL DA PAZ
A proposta previa o fim das hostilidades, democratização, eleições livres, desmobilização de todas as forças irregulares, reconciliação nacional, controle de armas e ajuda aos refugiados.

O acordo valeu para Óscar Arias o reconhecimento internacional. Ele ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1987.

RELAÇÕES COM O BRASIL
Os dois países mantêm relações diplomáticas desde 1906. Jorgina de Freitas Fernandes, fraudadora do INSS, foi presa na Costa Rica em 1997 e extraditada em 1998.

O comércio bilateral chegou a US$ 140,84 milhões em 2010, com déficit de US$ 12 milhões para o Brasil.

ESPORTE
A Costa Rica participou da Olimpíada de Berlim, em 1936, e esteve presente em todos os Jogos de Verão desde 1956, em Melbourne, na Austrália.

Sua primeira e única medalha de ouro foi conquistada pela nadadora Claudia Poll Ahrens nos 200m nado livre em Atlanta, nos EUA, em 1996. O país ganhou ainda uma medalha de prata e duas de bronze em sua história olímpica.

Os esportes aquáticos são muito populares nos litorais dos dois oceanos.

FUTEBOL
O futebol é o grande passatempo nacional e o esporte favorito. A seleção nacional, Los Ticos, é a mais bem-sucedida da América Central. Foi três vezes campeã da Concacaf (Confederação de Futebol das América do Norte e Central e do Caribe), em 1963, 1969 e 1989 e sete vezes da Copa Centro-Americana. Acaba de se classificar para sua quarta Copa do Mundo.

Seu melhor desempenho foi em 1990, na Itália, quando a Costa Rica ficou no grupo do Brasil na primeira fase. Um dos destaques da equipe foi o brasileiro naturalizado costa-riquenho Alexandre Guimarães, centroavante titular.

A Costa Rica venceu a Escócia por 1-0, perdeu para o Brasil por 1-0 e derrotou a Suécia por 2-1, classificando-se para a segunda fase, quando foi eliminada pela Tcheco-Eslováquia por 4-1.

Em 2002, mais uma vez, a Costa Rica caiu no grupo do Brasil. Dessa vez, Alexandre Guimarães era o treinador. A Costa Rica ganhou da China por 2-0 e empatou em 1-1 com a Turquia, mas levou 5-2 do Brasil e foi eliminada.

Em 2006, na Alemanha, foram três derrotas: 4-2 para a Alemanha, 3-0 para o Equador e 2-1 para a Polônia.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Brasil gasta menos e América Central se reforça

A América Latina, o subcontinente com os maiores índices de homicídio do mundo, onde o risco de guerra entre os países é menor, os orçamentos de defesa aumentaram 2,2% em 2013 e 61% nos últimos 10 anos. O maior impacto vem da guerra contras as máfias do tráfico de drogas, observa o Instituto de Pesquisas sobre a Paz Internacional de Estocolmo (Sipri).

Na América do Sul, o avanço de 1,6% foi pequeno por causa de uma redução de 3,9% nas despesas militares do Brasil, que têm as maiores Forças Armadas da região, para US$ 31,5 bilhões. O Paraguai liderou o crescimento com alta de 33%, seguido pela Colômbia, que negocia a paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).

Diante da guerra do México contra as drogas, as gangues de traficantes migraram para a América Central, onde houve significativas altas nos orçamentos militares em Honduras (22%), na Nicarágua (18%) e na Guatemala (11%). O México gastou mais 5,1%.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Agente dos EUA mata em ação antidrogas em Honduras

Num sinal de crescimento envolvimento na guerra contra as drogas na América Latina, um policial da Agência de Repressão às Drogas dos Estados Unidos (DEA, do inglês) matou no sábado um hondurenho supostamente ligado ao tráfico de entorpecentes, admitiu ontem a Embaixada Americana em Tegucigalpa.

Nos últimos 15 meses, comandos de elite da DEA participaram de inúmeras operações realizadas em conjunto com as forças de segurança de vários países da América Central.

Por causa da violenta repressão no México, onde mais de 50 mil pessoas morreram desde que o presidente Felipe Calderón declarou guerra ao tráfico há cinco anos e meio, várias máfias se refugiaram na região. O primeiro tiroteio com americanos no meio foi em março de 2011.

O incidente fatal começou quando um avião-espião detectou a presença de um grupo de cerca de 40 pessoas retirando a carga de um avião na localidade de Bras Laguna. Quatro helicópteros do Departamento de Estado com policiais hondurenhos e um comando de elite da DEA foram para o local interceptar o descarregamento.

Durante a ação, cinco suspeitos foram intimados a se render. Quatro fizeram isso, mas um quinto fez movimentos como se estivesse procurando uma arma. Neste momento, foi baleado, supostamente num ato de legítima defesa do agente americano.

Cerca de 360 quilos de cocaína e várias armas foram apreendidas, informa o jornal The New York Times.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Tomás Borge morre aos 81 anos

O último fundador da Frente Sandinista de Libertação Nacional que ainda estava vivo, Tomás Borge Martínez, um dos nove comandantes da revolução que tomou o poder com a queda do ditador Anastasio Somoza Debayle, em 19 de julho de 1979, na Nicarágua, morreu hoje aos 81 anos.

Com a vitória da revolução, depois de 18 anos de luta da FSLN, Tomás Borge virou ministro do Interior, encarregado da polícia, no governo da junta dos nove comandantes da Revolução Sandinista, presidido pelo atual presidente Daniel Ortega, que foi derrotado por Violeta Chamorro em 1990 mas voltou ao poder em 2006.

Era considerado o mais linha dura dos comandantes, o mais stalinista, contrário à realização de eleições. Ele perseguiu adversários do regime, sendo acusado pelos índios miskitos, que vivem na pouco povoada costa atlântica da Nicarágua, de orquestrar sua remoção, reporta o jornal The Washington Post.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Deputados colombianos querem cultivo legal de coca e maconha

Para secar a fonte de renda das máfias do tráfico de drogas, o deputado liberal Hugo Velázquez e outros sete colegas do Câmara da Colômbia apresentaram um projeto de lei para descriminalizar o cultivo da coca e da maconha.

Os deputados alegam que haveria queda nos preços, estimulando os pequenos agricultores a plantar outras coisas, mas o ministro da Justiça da Colômbia, Juan Carlos Esguerra, adverte que a aprovação da lei violaria acordos internacionais assinados pelo país.

A proposta acaba com as penas de prisão para quem plantar coca ou maconha. "Precisamos dizer aos Estados Unidos e outros países consumidores que a Colômbia já pagou o suficiente, principalmente em sangue", pela proibição. "Não funcionou. É hora de mudar a estratégia", disse Velázquez, citado pela TV pública britânica BBC.

O novo governo da Guatemala, liderado pelo general da linha dura Otto Pérez Molina, também está disposto a legalizar as drogas porque o país foi envolvido pela guerra do governo do México contra as máfias do tráfico. Isso levou muitas gangues a se refugiar na América Central, desestabilizando países pobres marginalizados com o fim da Guerra Fria.