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segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Morales vai para o México deixando vácuo de poder na Bolívia

O presidente Evo Morales aceitou asilo político do México e deixou hoje a Bolívia depois de renunciar ontem, junto com o vice-presidente Álvaro García Linera, o presidente da Câmara, Victor Borda, e a presidente do Senado, Adriana Salvatierra. Esta renúncia coletiva deixou o país acéfalo e um vácuo de poder. Foi uma aposta no caos.

Depois de 13 anos e 10 meses no poder, Juan Evo Morales Ayma, o primeiro presidente indígena da história da Bolívia, um país com maioria de índios e mestiços, renunciou ontem sob pressão de 20 dias de manifestações de protestos contra uma fraude eleitoral e um empurrão final do comandante das Forças Armadas, general Williams Kaliman.

Hoje à tarde, o ministro das Relações do Exteriores do México, Marcelo Ebrard, anunciou que o país vai receber Evo Morales como asilado político. O chanceler mexicano justificou a decisão alegando que a vida e a integridade de Morales correm perigo e que ele renunciou para evitar uma guerra civil na Bolívia. 

Ebrard afirmou que “houve um golpe porque o comandante do Exército pediu a renúncia do presidente.” Meu comentário:

México anuncia que Evo Morales pediu asilo político

Um dia depois de renunciar à Presidência da Bolívia sob pressão das Forças Armadas em meio a uma revolta popular contra uma fraude eleitoral, o ex-presidente Evo Morales pediu asilo político ao México, anunciou o ministro mexicano das Relações Exteriores, Marcelo Ebrard.

"Informamos que há alguns momentos recebemos uma chamada do presidente Evo Morales em que respondeu a nosso convite e solicitou verbal e formalmente o asilo em nosso país", declarou o chanceler mexicano em entrevista coletiva.

Ebrard justificou a decisão por "razões humanitárias" alegando que sua vida e sua integridade correm perigo" e acrescentou que "houve um golpe de Estado porque o Exército pediu a renúncia do presidente."

Morales e seus aliados, inclusive o ex-presidente Lula, o presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández, sua vice-presidente Cristina Kirchner e o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, denunciam um golpe, enquanto a oposição boliviana fala em revolta popular contra a fraude eleitoral apontada pela Organização dos Estados Americanos (OEA).

A renúncia coletiva do presidente, do vice e dos presidentes da Câmara e do Senado foi uma manobra para criar um vácuo de poder, uma aposta no caos. A segunda vice-presidente do Senado, Jeanine Áñez, deve assumir amanhã a Presidência da Bolívia interinamente até a realização de novas eleições dentro de 90 dias.

O líder rebelde Luis Fernando Macho Camacho, presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz, exige a renúncia de todos os deputados do Movimento ao Socialismo (MaS), o partido de Morales. Como eles ocupam dois terços das cadeiras da Assembleia Legislativa Plurinacional, se renunciarem, n!ao haverá quórum para eleger a presidente interina.

A senadora Jeanine Áñez foi levada hoje de helicóptero até a sede da Assembleia, onde convocou a sessão de amanhã e ofereceu garantias aos representantes do MaS. Em seguida, ela foi retirada do local por medo de que os partidários de Morales tomem o centro de La Paz.

Amanhã, a OEA realiza uma reunião de emergência em Washington para discutir a crise boliviana.

terça-feira, 16 de julho de 2019

Tribunal Constitucional da Guatemala veta acordo sobre imigração com EUA

O Tribunal Constitucional da Guatemala proibiu o presidente Jimmy Morales de assinar um acordo sobre imigração com os Estados Unidos chamado de "terceiro país seguro" para obrigar os refugiados a pedir asilo no primeiro país de trânsito. É mais uma jogada do presidente Donald Trump para tentar conter o fluxo migratório para os EUA.

Trump quer que os hondurenhos e salvadorenhos peçam asilo na Guatemala e que os guatemaltecos peçam asilo no México. Assim, só os mexicanos poderiam chegar até a fronteira dos EUA. Hoje, a maioria vem do Triângulo do Norte da América Central, da Guatemala, de Honduras e de El Salvador.

A designação da Guatemala como país um "terceiro país seguro" é impopular no país, que como o México sofre grande pressão do presidente americano. Trump está em campanha para a reeleição em 2020 e manipula o fantasma da imigração ilegal, um de seus temas favoritos para mobilizar o eleitorado branco sem curso superior.

O México está sob a ameaça permanente de um tarifaço de Trump, que não parece realmente interessado em resolver o problema da imigração, mas, sim, de usar a questão para manipular o eleitorado.

Em Honduras, há uma onda de protestos contra o presidente conservador Juan Orlando Hernández para marcar o aniversário de dez anos do golpe militar contra o presidente José Manuel Zelaya, em 28 de junho. Em dois de junho, manifestantes tocaram fogo em 62 caminhões e contêineres que iam para Porto Castela, noticiou o jornal hondurenho La Prensa.

Antes, em 31 de maio, os manifestantes queimaram pneus diante da entrada do setor de vistos da Embaixada dos EUA em Tegucigalpa. O incêndio chamuscou o muro externo da representação americana, mas logo foi apagado e não causou grandes danos.

As manifestações recomeçaram em 5 de junho em várias cidades hondurenhas, principalmente em Tegucigalpa e San Pedro Sula, a capital e o principal centro econômico do país. Em 2011, San Pedro Sula era responsável por dois terços do produto interno bruto de Honduras, estimado em US$ 45 bilhões.

No meio do fogo cruzado de gangues do tráfico de drogas para os EUA que o Estado hondurenho não tem poder para enfrentar, em 2015, San Pedro Sula foi considerada a cidade mais violenta do mundo, com um índice de homicídios de 187 para cada 100 mil habitantes.

Com crises econômica, política e de segurança pública, a tendência é que mais imigrantes saiam do país para tentar a sorte nos EUA.

Para ajudar a Guatemala, Honduras e El Salvador a enfrentar seus problemas, a Câmara dos Representantes dos EUA aprovou por unanimidade um projeto bipartidário para dar uma ajuda de US$ 577 milhões, informou o jornal guatemalteco Prensa Libre.

terça-feira, 30 de abril de 2019

Líder da oposição na Venezuela se refugia em embaixadas

Num sinal de que a rebelião em curso não deve derrubar a ditadura de Nicolás Maduro de imediato, o líder da oposição Leopoldo López entrou na Embaixada do Chile em Caracas. 

Preso desde 2014 e em prisão domiciliar desde 2017, López foi libertado ontem à noite por seus carcereiros como parte do movimento. Mais tarde, ele e a família foram para a representação diplomática da Espanha, país de que têm cidadania.

López é o principal líder do partido Vontade Popular, do presidente da Assembleia Nacional e autoproclamado presidente interino, Juan Guaidó. É o homem por trás de Guaidó.

De madrugada, López foi à base aérea de La Carlota, a maior da capital venezuelana. Estava ao lado de Guaidó quando este convocou o povo e as Forças Armadas a se rebelar contra o regime chavista.

Mais tarde, os dois foram a uma manifestação na Praça França e lideraram uma marcha de protesto no Oeste de Caracas, enquanto as forças de segurança leais a Maduro dispersaram uma concentração oposicionista em Chacaito.

O ditador convocou os coletivos, as milícias populares criadas pelo regime, que teriam hoje 2 milhões de membros. Mas, de acordo com o jornal venezuelano El Nacional, poucos saíram para defender Maduro.

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Fundador do WikiLeaks é preso e pode ser extraditado para os EUA

Depois de sete anos asilado na Embaixada do Equador em Londres, o anarquista australiano Julian Assange, fundador do WikiLeaks, uma empresa dedicada a piratear segredos de Estado e de grandes empresas, foi preso hoje. Ele pode ser extraditado para os Estados Unidos, onde é acusado de conspiração para invadir computadores e roubar documentos sigilosos.

O Equador suspendeu o asilo e autorizou a polícia britânica a entrar na embaixada e prender Assange, acusado no Reino Unido de violar os termos de sua liberdade condicional. Quando entrou na embaixada, Assange tinha contra si um mandado de prisão pan-europeu emitido pela Procuradoria-Geral da Suécia, que pretendia interrogá-lo por acusação de crimes sexuais.

Mais tarde, a Suécia retirou as acusações, mas Assange não poderia deixar a embaixada sem ser preso pela polícia britânica por violar os termos de sua liberdade condicional enquanto aguardava o julgamento do pedido de extradição para a Suécia.

Nos EUA, Assange é acusado de conspiração para violar computadores e roubar documentos sigilosos no caso que levou à prisão o soldado Bradley Manning, que mudou de sexo e hoje se chama Chelsea Manning. Mais de 250 mil documentos sigilosos do Departamento de Estado foram revelados pelo WikiLeaks.

Durante a campanha eleitoral de 2016, o então candidato Donald Trump pediu publicamente ao WikiLeaks que pirateasse o correio eletrônico da candidata democrata, Hillary Clinton, que usou um servidor privado quando era secretária de Estado.

"Eu amo o WikiLeaks", declarou Trump, que hoje tentou se distanciar de Assange. O WikiLeaks divulgou mensagens de correio eletrônico do Partido Democrata dos EUA pirateados pelo serviço secreto militar da Rússia em suas manobras para favorecer Trump. Assange afirmou que trabalhava contra Hillary para evitar uma nova guerra mundial.

O grande debate é se Assange agiu apenas para divulgar informações. Neste caso, estaria protegido pelo direito à liberdade de expressão garantido pela Constituição americana.

O presidente da Bolívia, Evo Morales, condenou "energicamente a detenção de Julian Assange e a violação da liberdade de expressão". O australiano se refugiou na embaixada equatoriana quando o país era governado pelo chavista Rafael Correa, aliado de Morales e da ditadura venezuelana. Seu sucessor e ex-aliado Lenin Moreno rompeu com Correa e hoje apoia o autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó.

sábado, 21 de julho de 2018

Equador deve expulsar Assange da embaixada em Londres

Depois de quase seis anos, o Equador se prepara para acabar com o asilo diplomático do fundador do WikiLeaks, Julian Assange. Ele deve ser expulso da embaixada equatoriana em Londres, talvez na próxima semana, e ser entregue às autoridades do Reino Unido

Em 2006, Assange, um programador de computadores australiano, criou o WikiLeaks, uma empresa dedicada a piratear arquivos confidencias e informações sigilosas de governos e empresas para expor publicamente suas ações supostamente irregulares.

Quatro anos depois, o WikiLeaks revelou arquivos secretos dos Estados Unidos sobre as guerras no Afeganistão e no Iraque, e mais de 250 mil documentos sigilosos do Departamento de Estado.

No mesmo ano de 2010, os EUA abriram uma investigação criminal e a Suécia emitiu um mandado de prisão pan-europeu para interrogar Assange por supostos crimes sexuais que ele teria cometido no país. Era acusado de estupro por forçar uma mulher a manter relações sexuais e de transar sem camisinha com outra.

Assange sempre alegou que os crimes sexuais eram uma desculpa da Suécia para prendê-lo e entregá-lo aos EUA. Em 7 de dezembro de 2010, ele se entregou às autoridades britânicas e foi libertado sob fiança para responder em liberdade ao processo de extradição para a Suécia.

O mandato de prisão pan-europeu parte do princípio de que toda pessoa terá direito a um julgamento justo em qualquer dos 28 países da União Europeia, uma vez que todos são democracias. Assim, a tendência é conceder a extradição se os delitos da acusação forem crimes no país onde o suspeito está.

Quando ficou claro que perderia, em agosto de 2012, Assange pediu asilo político em Londres à Embaixada do Equador, na época governado pelo esquerdista Rafael Correa, aliado do caudilho venezuelano Hugo Chávez.

Durante a campanha eleitoral de 2016 nos EUA, Assange divulgou várias séries de mensagens de correio eletrônico de um servidor privado usado irresponsavelmente pela candidata democrata Hillary Clinton quando era secretária de Estado, no primeiro governo Barack Obama (2009-13). Foi acusado de receber material de pirataria cibernética dos serviços da Rússia, que queria a eleição de Donald Trump.

Mais uma vez, negou tudo. Alegou ser contra Hillary por entender que suas políticas levariam a uma nova guerra mundial. Mas não afastou a suspeita de colaboração com a ditadura sinistra de Vladimir Putin.

Em 19 de maio de 2017, a procuradoria da Suécia encerrou o inquérito e revogou o mandado de prisão europeu. Assange não saiu da embaixada para não ser preso por violar os termos de sua liberdade condicional. Agora, aos 47 anos, está chegando a hora de enfrentar a realidade.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Justiça britânica mantém ordem de prisão de Julian Assange

A Justiça do Reino Unido decidiu nesta terça-feira manter o mandado de prisão contra Julian Assange, fundador do sítio WikiLeaks, especializado em vazar documentos secretos de governos e empresas, por violar os termos da liberdade condicional. Ele está refugiado há mais de cinco anos e meio na Embaixada do Equador em Londres e o governo equatoriano o pressiona a sair, informou o jornal inglês The Guardian.

Assange era alvo de um mandado de prisão europeu a pedido da Suécia, que queria interrogá-lo por crimes sexuais. Em 26 de janeiro, seus advogados pediram à Justiça britânica o relaxamento do mandado sob a alegação de que a Procuradoria da Suécia desistiu de interrogá-lo.

A defesa argumentou que "ele passou cinco anos em condições que, sob qualquer visão, são similares à prisão, sem acesso a tratamento médico adequado ou à luz do sol, em circunstâncias em que sua saúde física e psicológica se deteriorou, e corre sério perigo."

Em sua decisão, a juíza distrital Emma Arbuthnot reconheceu que Assange tem "um problema dentário terrível, ombro congelado e depressão". Mas a Procuradoria da Coroa contra-argumentou que "Assange foi solto em liberdade condicional mediante pagamento de fiança; tinha a obrigação de se render à custódia do tribunal e falhou ao não se entregar na hora marcada para fazer isso."

O ciberpirata australiano teme ser extraditado para os Estados Unidos, onde pode ser condenado à prisão perpétua com base numa denúncia secreta por divulgar documentos secretos do governo americano.

Durante esses anos de asilo político, Assange perdeu sua áurea de libertário e combatente pela liberdade contra governos e empresas poderosas. Associou-se à Rússia para atacar a candidatura de Hillary Clinton à Presidência dos EUA, beneficiando Donald Trump, que elogiou o WikiLeaks durante a campanha.

Em dezembro do ano passado, a Fundação pela Liberdade de Imprensa decidiu por unanimidade parou de arrecadar dinheiro para o WikiLeaks, como fazia desde Assange se asilou na embaixada.

No Equador, o atual presidente, Lenín Moreno, eleito em abril de 2017, rompeu com seu padrinho político e antecessor Rafael Correa, chavista e antiamericano. Está pressionando Assange a deixar a embaixada em Londres.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Ex-governador da Catalunha é denunciado e foge para a Bélgica

Sob ameaça de ser preso depois de ser denunciado por "rebelião, sedição e malversação de fundos", o governador deposto da Catalunha, Carles Puigdemont, e cinco secretários foram para a Bélgica, onde podem receber asilo político. Não se sabe se Puigdemont pretende formar um governo no exílio ou apenas preparar sua defesa.

Todo o governo deposto e a mesa diretora do Parlament foram acusados pelo procurador-geral José Manuel Maza, de rebelião, sedição, malversação e outros delitos com penas que somam mais de 30 anos de prisão

Um pedido formal de asilo pode gerar uma crise diplomática entre a Espanha e a Bélgica, admite o jornal espanhol El País. No domingo, o ministro de Migração e Asilo belga, o flamengo Theo Trancken, ofereceu asilo a Puigdemont, obrigando o primeiro-ministro francófono Charles Michel a retirar a oferta. Na Bélgica, os flamengos lutam pela independência da região de Flandres.

Bruxelas é a sede da União Europeia, mas, se o movimento pela independência esperava alguma solidariedade internacional, ela só veio de grupos separatistas.

Nenhum país europeu e muito menos a União Europeia vai apoiar qualquer movimento pela independência para não deflagrar um efeito dominó, reforçando o separatismo da Escócia, no Reino Unido; de Flandres, na Bélgica; da Córsega, na França; da Transilvânia, na Romênia; da Padânia, no Norte da Itália; e dos bascos, na própria Espanha.

O deputado Lluís Llach considera Puigdemont um "exilado", o que na sua opinião "é uma denúncia contra a Espanha ante as instituições europeias e internacionais, e nos conserva a dignidade do 1º de outubro", dia do referendo ilegal e ilegítimo sobre a independência da Catalunha.

"Puigdemont não é bem recebido pelas instituições", comentou um alto funcionário da burocracia da UE citado em El País.

A aventura da independência da Catalunha caiu no vazio. Os partidos já se mobilizam para as eleições de 21 de dezembro. Depois da grande manifestação de 300 mil pessoas ontem em Barcelona pela unidade da Espanha, hoje não houve a resistência civil à intervenção decretada pelo primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, com a aprovação do Senado, nos termos do art. 155 da Constituição do país.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Justiça dos EUA suspende mais um decreto anti-imigração de Trump

Um juiz federal do Havaí considerou inconstitucional por discriminação religiosa um segundo decreto do presidente Donald Trump proibindo a entrada nos Estados Unidos por 90 dias de cidadãos de seis países de maioria muçulmana e por 120 dias a concessão de asilo político. Trump prometeu levar o caso até a Suprema Corte a pretexto de proteger o país contra o terrorismo.

A Casa Branca fez várias alterações em relação ao primeiro decreto, rejeitado na primeira instância e pelo Tribunal Federal de Recursos de São Francisco, em segunda instância. Mas o juiz Derrick Watson vê um erro fundamental: a discriminação com base religiosa viola a Emenda nº 1 da Constituição dos EUA, que garantes as liberdades de expressão, religiosa, de associação para fins pacíficos e de processar o governo para reparar uma lesão ao direito individual.

Em comício para um grupo de seguidores em Nashville, no estado do Tennessee, o presidente reafirmou a intenção de "ir até a Suprema Corte para proteger o povo americano". Trump atribuiu a decisão judicial a "razões políticas" e alegou que faz os EUA "parecerem fracos" diante do resto do mundo.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Obama acaba com direito automático de asilo para cubanos nos EUA

Em mais um passo para normalizar as relações com Cuba, o presidente Barack Obama revogou ontem com efeito imediato uma política de imigração de mais de duas décadas conhecida como pé molhado, pé seco, que garantia automaticamente o direito de asilo nos Estados Unidos para cubanos que pisassem em solo americano.

O fim da medida era uma antiga reivindicação do regime comunista de Cuba e também da comunidade asilada nos EUA, que não quer ser confundida com os atuais migrantes, que considera migrantes econômico e não refugiados políticos.

Só em 2016, mais de 50 mil cubanos que chegaram sem visto foram admitidos nos EUA, informou o jornal The Washington Post. Desde a vitória da revolução liderada por Fidel Castro, em 1º de janeiro de 1959, cerca de 2 milhões de cubanos fugiram para os EUA

Sob o pretexto de que era uma política "formulada para outra era", a Guerra Fria, Obama tenta consolidar o reatamento das relações com Cuba, anunciado em dezembro de 2014, que está sob a ameaça.

A equipe de segurança nacional linha-dura do presidente eleito, Donald Trump, que assume o cargo em 20 de janeiro, promete revisar os acordos com Cuba e o Irã, este último para congelar por 10 anos o programa nuclear iraniano, evitando que o país desenvolva armas atômicas.

O atual presidente também acabou com a tramitação rápida de pedidos de entrada de pessoal médico cubano em missões internacionais interessado em se refugiar nos EUA.

"A mudança na política essencialmente acaba com a Lei de Ajuste em Cuba, de 1966, que presumia que os cubanos eram refugiados políticos que precisavam de proteção e permitia aos que permanecessem nos EUA por mais de um ano o direito de pedir de residência legal", observaram Julie Hirschfeld Davis e Frances Robles no jornal The New York Times.

Como o reatamento com Cuba não foi aprovado pelo Congresso, onde o Partido Republicano tinha e manteve a maioria na Câmara e no Senado, o presidente Trump está numa posição que lhe permite anular os acordos se o regime comunista cubano rejeitar sua proposta de renegociação. Basta revogar os decretos de Obama.

A reforma do regime comunista cubano está em andamento com as políticas de Raúl Castro que autorizaram a criação de pequenos negócios como bares, restaurantes, oficinas mecânicas e outros tipos de serviços.

O futuro de Cuba está numa reforma rumo à economia de mercado mais no estilo da Europa Oriental do que de países como a China e o Vietnã, que mantiveram o modo de governar comunista enquanto adotam a economia de mercado.

Se o governo Trump jogar duro como tudo indica, para agradar a sua base parlamentar de ultradireita, na contramão de Obama, tende a retardar a abertura política e econômica do regime cubano, que terá uma mudança de gerações em 2018, quando Raúl promete entregar o poder depois de 59 anos de ditadura dos irmãos Castro.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Merkel é reeleita líder do partido com 89,5% dos votos

Candidata única, a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, foi reeleita hoje líder da União Democrata-Cristã, um partido conservador de centro-direita, com 89,5% dos votos. Em 20 de novembro, ela anunciou a intenção de concorrer a um quarto mandato nas eleições parlamentares de setembro de 2017.

Sua popularidade foi arranhada por honrar a tradição de conceder asilo da Alemanha e da Europa no pós-guerra. Cerca de 1 milhão de refugiados entraram no país no ano passado, alimentando o discurso anti-imigração do novo partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD).

Merkel começou seu discurso de uma hora e um quarto prometendo que não haverá um influxo de refugiados como em 2015. Ela criticou o bombardeio aéreo a Alepo pela Rússia e a Síria, e advertiu o Reino Unido de que não vai haver uma Brexit à la carte, em que os britânicos possam escolher apenas os aspectos do mercado comum europeu que lhe interessem.

Com a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos, aumenta a responsabilidade de Merkel como líder do mundo ocidental e defensora da ordem internacional liberal pós-1945.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

UE começa a deportar migrantes para a Turquia

Mais de 200 imigrantes foram expulsos hoje da Grécia e enviados de volta à Turquia, na primeira deportação desde o acordo firmado entre a União Europeia e o governo turco em 20 de março de 2016, muito criticado pelos defensores dos direitos humanos.

Os imigrantes, na maioria do Paquistão e de Bangladesh, não têm direito a asilo políticos na Europa porque são considerados imigrantes econômicos. Pelo acordo, a UE vai aceitar um refugiado sírio em busca de asilo em troca de cada migrante deportado para a Turquia.

A Alemanha deve receber hoje o primeiro grupo de sírios candidatos a asilo.

O objetivo é desencorajar a entrada de imigrantes ilegais na Europa criando um mecanismo para que eles peçam asilo antes de tentar entrar na UE. Mais de um milhão de imigrantes e refugiados tentaram entrar na Europa no ano passado. 

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Colômbia pode oferecer asilo político a Maduro

A Colômbia está examinando a possibilidade de dar asilo político ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, admitiu a deputada colombiana María Fernanda Cabal, citada pelo jornal venezuelano El Nacional.

De acordo com a deputada, a União das Nações Sul-Americanas (Unasul) está procurando um lugar seguro para Maduro se ele deixar o poder. Com o colapso iminente da economia venezuelana, Maduro está sob pressão tanto da Assembleia Nacional, dominada pela oposição, quanto do chavismo.

Como o Tribunal Supremo de Justiça derrubou uma decisão do Parlamento que anulava seu decreto de emergência econômica, Maduro tem mais uma chance de enfrentar a pior crise econômica da história da Venezuela. Mas ele insiste em acusar os Estados Unidos e a elite venezuelana de uma "guerra econômica", ignorando sua responsabilidade pela crise.

Maduro, escolhido a dedo pelo finado caudilho Hugo Chávez e pelo ditador cubano Fidel Castro, é o símbolo maior da agonia, da corrupção e da incompetência do chavismo e de seu "socialismo do século 21".

Ontem, a Assembleia Nacional aprovou em primeira votação a anistia para presos políticos. Maduro já avisou que não aceita.

O governo venezuelano repudiou a notícia sobre o possível asilo de Maduro alegando que partiu de deputados uribistas, aliados do ex-presidente colombiano Álvaro Uribe (2002-10), um linha dura e inimigo histórico do chavismo.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Assange será interrogado na embaixada do Equador em Londres

Depois de mais de três anos asilado na Embaixada do Equador no Reino Unido, o australiano Julian Assange, fundador do sítio WikiLeaks, será interrogado, revelou o presidente equatoriano, Rafael Correa. O Equador fez um acordo com a procuradoria da Suécia para ele ser questionado sobre as acusações de abuso sexual.

Correa esclareceu que as autoridades suecas vão encaminhar as perguntas aos funcionários equatorianos, que farão o interrogatório, revelou o jornal britânico The Independent.

Assange vive desde agosto de 2012 na embaixada, situada no bairro londrino de Knightsbridge, onde se refugiou para não ser preso e extraditado para a Suécia com base num mandato de prisão europeu, que foi aceito pelas autoridades britânicas porque em princípio toda pessoa tem direito a um julgamento justo em qualquer país da União Europeia.

Ele é acusado por duas mulheres de abusos sexuais, que nega. Alega que tudo não passa de uma manobra para extraditá-lo para os Estados Unidos, onde é acusado de roubar documentos e revelar segredos de Estado através do WikiLeaks.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Mais de 43 mil cubanos foram para os EUA em 12 meses

O reatamento de relações acelera a migração de cubanos para os Estados Unidos. Durante o ano fiscal americano encerrado em 30 de setembro de 2015, mais de 43 mil cubanos entraram no país, 77% a mais do que no ano fiscal anterior, noticiou hoje o jornal Latin American Herald Tribune.

Foram 43.159 cubanos, em comparação com 24.218 de outubro de 2013 a setembro de 2014, revelou a polícia de fronteiras dos EUA. Os principais pontos de entrada são a fronteira com o México e as cidades de Miami, Tampa, Búfalo e Seattle.

A grande maioria (30.966) passou pelo México, enquanto 9.999 desembarcaram no aeroporto de Miami. Mais de 4 mil foram interceptados pela guarda costeira no Estreito da Flórida, o Mar do Caribe e o Oceano Atlântico.

Desde 1966, os EUA adotam uma política conhecida como "pé seco, pé molhado". Os imigrantes que conseguem chegar a terra firme têm direito de asilo político, enquanto os detidos no mar são devolvidos à ilha.

Para o diretor do Instituto de Pesquisas sobre Cuba da Universidade Internacional da Flórida, Jorge Duany, "é uma tendência que definitivamente vai continuar aumentando", especialmente através da fronteira seca com o México.

sábado, 14 de março de 2015

Vice-presidente de Serra Leoa pede asilo aos EUA

O vice-presidente do país africano de Serra Leoa, Samuel Sam Sumana, procurou asilo político na embaixada dos Estados Unidos depois que soldados cercaram sua casa, noticiou a televisão pública britânica BBC.

Na semana passada, Sumana foi expulso do partido do governo sob a acusação de criar um movimento político rival. Há duas semanas, ele anunciou que estava se internando voluntariamente para uma quarentena por causa da epidemia da febre hemorrágica ebola.

"Não me sinto seguro nesta manhã como vice-presidente", declarou o vice-presidente por telefone à agência de notícias Associated Press (AP). A embaixada americana não comentou a situação.

O ministro da Informação, Alpha Kanu, afirmou que os soldados foram enviadas à casa de Sumana para "reforçar a quarentena".

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Snowden deixa aeroporto de Moscou

O ex-técnico subcontratado pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos Edward Snowden, procurado por ter revelado a existência de um grande programa de espionagem via Internet chamado Prisma, deixou o aeroporto Cheremetievo, em Moscou, onde estava desde 23 de junho, informou o jornal The Washington Post, citando como fonte seu advogado russo, Anatoli Kucherena.

Snowden recebeu "asilo temporário" da Rússia pelo período de um ano e estaria "em local seguro em território russo, acrescentou o advogado.

Sob pressão do governo americano, quase 20 países, inclusive o Brasil, rejeitaram os pedidos de asilo. Ele recebeu ofertas da Bolívia, da Nicarágua e da Venezuela. Preferiu ficar na Rússia por enquanto para reavaliar suas opções.

A condenação do ex-soldado americano Bradley Manning por ter passado mais de 700 mil documentos sigilosos dos EUA ao sítio de Internet WikiLeaks complica a situação de Snowden, que alega ter denunciado a megaespionagem por não querer viver num mundo em que o Estado invade a privacidade de cidadãos inocentes.

Nos EUA, cerca de um terço da população o considera um herói e não quer que ele seja processado, enquanto um quarto o vê como um traidor da pátria. A Casa Branca declarou estar "extremamente desapontada" com o governo russo e comentou que a decisão mina a cooperação entre os EUA e a Rússia no combate ao crime.

O programa de megaespionagem Prisma rouba dados dos servidores das grandes empresas americanas de Internet, como Apple, Facebook, Google, Microsoft, PayPal, Skype e Yahoo, em busca de informações de interesse dos serviços secretos americanos.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Cinegrafista de Ahmadinejad pede asilo aos EUA

Um dos cinegrafistas da delegação do Irã que participou do debate de alto nível da Assembleia Geral das Nações Unidas, sob a liderança do presidente Mahmoud Ahmadinejad, pediu asilo aos Estados Unidos, revelou hoje o advogado Paul O'Dwyer.

Hassan Golkanbhan tem o direito de ficar legalmente nos EUA enquanto seu pedido é analisado.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Equador decide amanhã se dá asilo a Assange

O Equador anuncia nesta quinta-feira se aceita o pedido de asilo do australiano Julian Assange, fundador do WikiLeaks, que teve sua extradição para a Suécia, onde é acusado de agressão sexual, aprovada pela Justiça do Reino Unido.

Assange se considera vítima de uma conspiração para ser levado para os Estados Unidos, onde é procurado por revelar mais de 250 mil documentos sigilosos do Departamento de Estado. Em 19 de junho de 2012, esgotados todos os recursos contra a extradição, ele se refugiou na Embaixada do Equador em Londres.

Por força de um mandado de prisão europeu, o Reino Unido tem a obrigação de entregar Assange à Justiça da Suécia, na presunção de que ele terá direito a um julgamento justo em qualquer país da União Europeia.

Mesmo que obtenha asilo no Equador, Assange vai precisar de um salvo-conduto do governo britânico para chegar até o aeroporto. Ele não tem nem como sair da embaixada, que fica num primeiro andar, direto no estacionamento, onde um carro oficial da representação equatoriana teria direito a imunidade diplomática.

Assim, Assange pode ser preso mesmo que seu pedido de asilo político seja aceito.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Brasil dá asilo a senador boliviano Roger Pinto

Depois de ficar dez dias refugiado na Embaixada do Brasil em La Paz sob a alegação de ser perseguido pelo presidente Evo Morales, o senador boliviano Roger Pinto teve seu pedido de asilo político concedido pelo governo brasileiro.

O governo da Bolívia acusa o senador de corrupção.