O Partido Democrata entrou hoje com uma ação judicial acusando a campanha do presidente Donald Trump de conspirar com o governo e os serviços secretos da Rússia para derrotar a candidatura da ex-secretária de Estado Hillary Clinton à Presidência dos Estados Unidos, em 2016.
A ação, protocolada no tribunal federal de primeira instância de Manhattan, em Nova York, cita Donald Trump Jr., o genro do presidente, Jared Kushner, e Roger Stone, assessor de Trump há muitos anos, como parte da conspiração.
A Rússia é acusada de "um ataque descarado contra a democracia americana" ao invadir os computadores do Partido Democrata e vazar para o WikiLeaks 44 mil mensagens de correio eletrônico da campanha de Hillary.
Os democratas repetem o que fizeram em 1972, quando processaram o comitê de reeleição do então presidente Richard Nixon pedindo uma indenização de US$ 1 milhão pela invasão da sede central do partido no Edifício Watergate, em Washington. O Escândalo de Watergate levou à renúncia de Nixon, em 1974.
Em relatório divulgado no início deste ano, a CIA (Agência Central de Inteligência), o FBI (Federal Bureau of Investigation) e a NSA (Agência de Segurança Nacional) apontam o serviço secreto militar russo (GRU) como responsável pela pirataria cibernética.
Desde sua vitória, Trump afirma que não houve conluio com a Rússia. O caso está sendo investigado pelo procurador especial Robert Mueller, nomeado depois que o presidente demitiu o então diretor-geral do FBI, James Comey, em 9 de maio de 2017.
Comey acaba de publicar um livro em que acusa Trump de ser "moralmente incapaz" de presidir os EUA.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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sexta-feira, 20 de abril de 2018
Partido Democrata processa Rússia, campanha de Trump e WikiLeaks
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segunda-feira, 20 de março de 2017
FBI confirma investigação sobre conluio de Trump com a Rússia
Em depoimento no Congresso, o diretor-geral do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos Estados Unidos, confirmou que está em curso uma investigação sobre tentativas da Rússia de interferir nas eleições americanas e os contatos da campanha do presidente Donald Trump com o Kremlin.
"O Departamento da Justiça me autorizou a divulgar que em nossa missão de inteligência está investigando a interferência da Rússia na eleição presidencial de 2016", afirmou James Comey diante da Comissão de Inteligência da Câmara. "Isto inclui a investigação da natureza de quaisquer ligações entre indivíduos associados à campanha de Trump e o governo russo, e se houve qualquer coordenação entre a campanha e os esforços da Rússia."
Tanto o diretor-geral do FBI quanto o da Agência de Segurança Nacional (NSA), Michael Rogers, negaram haver qualquer indício de que a Trump Tower, sede das empresas do atual presidente, tenha sido alvo de escuta telefônica clandestina ordenada pelo então presidente Barack Obama durante a campanha eleitoral. Trump acusou Obama no Twitter semanas atrás.
Enquanto eles falavam, Trump voltou ao Twitter para dizer exatamente o contrário: "A NSA e o FBI disseram ao Congresso que a Rússia não influenciou o processo eleitoral." Nada mais distante da realidade.
Desde o início da campanha, em suas críticas à política externa de Obama e à sua primeira secretária de Estado, Hillary Clinton, Trump criticou as relações com a Rússia, prometendo melhorá-las em seu governo. Isso estimulou o protoditador russo, Vladimir Putin, que faz campanha e guerra cibernética contra a democracia ocidental, uma ameaça a seu autoritarismo.
"Putin odeia tanto Hillary Clinton", comentou o diretor-geral do FBI, que começou a interferir na campanha para minar a candidata democrata. O homem-forte do Kremlin atribui a Hillary e aos EUA as manifestações de protestos contra os resultados das eleições parlamentares de 2011 na Rússia.
Depois das revoltas da Primavera Árabe, Putin temia ser o próximo alvo do movimento pela democracia. A partir daquela época, iniciou uma guerrinha fria contra o Ocidente e trabalha ativamente para sabotar os processos eleitorais e apoiar candidatos de ultradireita contrários, por exemplo, à União Europeia. Bancos russos emprestaram 8 milhões de euros à neofascista Frente Nacional, da França, liderada por Marine Le Pen.
A Rússia não acreditava na vitória de Trump, observou Comey. Sua prioridade era derrubar Hillary. Mas Trump adotou um discurso sedutor para os ouvidos do Kremlin, com críticas à UE e à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), chamando a primeira de uma conspiração alemã para dominar a Europa e a segunda de obsoleta.
O ex-assessor de Segurança Nacional Michael Flynn caiu por haver mentido ao vice-presidente Mike Pence sobre encontros com o embaixador russo em Washington antes da eleição. Flynn negou haver falado sobre as sanções contra a intervenção militar russa na Ucrânia, mas a conversa estava sendo gravada pelos serviços de inteligência e ele foi desmentido. Trump alegou deslealdade para demiti-lo.
"O Departamento da Justiça me autorizou a divulgar que em nossa missão de inteligência está investigando a interferência da Rússia na eleição presidencial de 2016", afirmou James Comey diante da Comissão de Inteligência da Câmara. "Isto inclui a investigação da natureza de quaisquer ligações entre indivíduos associados à campanha de Trump e o governo russo, e se houve qualquer coordenação entre a campanha e os esforços da Rússia."
Tanto o diretor-geral do FBI quanto o da Agência de Segurança Nacional (NSA), Michael Rogers, negaram haver qualquer indício de que a Trump Tower, sede das empresas do atual presidente, tenha sido alvo de escuta telefônica clandestina ordenada pelo então presidente Barack Obama durante a campanha eleitoral. Trump acusou Obama no Twitter semanas atrás.
Enquanto eles falavam, Trump voltou ao Twitter para dizer exatamente o contrário: "A NSA e o FBI disseram ao Congresso que a Rússia não influenciou o processo eleitoral." Nada mais distante da realidade.
Desde o início da campanha, em suas críticas à política externa de Obama e à sua primeira secretária de Estado, Hillary Clinton, Trump criticou as relações com a Rússia, prometendo melhorá-las em seu governo. Isso estimulou o protoditador russo, Vladimir Putin, que faz campanha e guerra cibernética contra a democracia ocidental, uma ameaça a seu autoritarismo.
"Putin odeia tanto Hillary Clinton", comentou o diretor-geral do FBI, que começou a interferir na campanha para minar a candidata democrata. O homem-forte do Kremlin atribui a Hillary e aos EUA as manifestações de protestos contra os resultados das eleições parlamentares de 2011 na Rússia.
Depois das revoltas da Primavera Árabe, Putin temia ser o próximo alvo do movimento pela democracia. A partir daquela época, iniciou uma guerrinha fria contra o Ocidente e trabalha ativamente para sabotar os processos eleitorais e apoiar candidatos de ultradireita contrários, por exemplo, à União Europeia. Bancos russos emprestaram 8 milhões de euros à neofascista Frente Nacional, da França, liderada por Marine Le Pen.
A Rússia não acreditava na vitória de Trump, observou Comey. Sua prioridade era derrubar Hillary. Mas Trump adotou um discurso sedutor para os ouvidos do Kremlin, com críticas à UE e à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), chamando a primeira de uma conspiração alemã para dominar a Europa e a segunda de obsoleta.
O ex-assessor de Segurança Nacional Michael Flynn caiu por haver mentido ao vice-presidente Mike Pence sobre encontros com o embaixador russo em Washington antes da eleição. Flynn negou haver falado sobre as sanções contra a intervenção militar russa na Ucrânia, mas a conversa estava sendo gravada pelos serviços de inteligência e ele foi desmentido. Trump alegou deslealdade para demiti-lo.
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terça-feira, 23 de junho de 2015
EUA espionaram os três últimos presidentes da França
A Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos espionou regularmente de 2006 a maio de 2012 três presidentes da França, Jacques Chirac, Nicolas Sarkozy e o atual, François Hollande, revelaram hoje documentos vazados pelo WikiLeaks publicados pelo grupo Mediapart e o jornal francês Libération.
"No mundo da espionagem, não aliados nem amigos", resume o Libé, citando a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel. Indignada ao saber que era vigiada pelo serviço secreto americano, ela reagiu: "Espionagem entre amigos? Isso não se faz." E convidou o presidente Barack Obama a telefonar quando quisesse saber das novidades.
Os documentos vazados foram agrupados como Espionagem Elisée, com cinco relatórios da NSA. Dois foram mostrados pelos EUA aos serviços secretos aliados da Austrália, do Canadá, da Nova Zelândia e do Reino Unido. Três ficaram restritos à comunidade de informações dos EUA.
Durante o governo Jacques Chirac, a inteligência americana concluiu que o ministro do Exterior, Philppe Douste-Blazy era "propenso a fazer declarações inexatas ou inoportunas". Em 2008, depois do colapso do banco Lehman Brothers, o presidente Sarkozy estava convencido, ironizam os agentes dos EUA, de que era "o único homem capaz de resolver a crise".
O memorando mais recente é de uma conversa do presidente Hollande com o primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault sobre a crise da Grécia e o risco de saída do país da união monetária europeia.
Se os documentos pirateados pelo WikiLeaks eram sigilosos, não revelam nenhum segredo de Estado.
"No mundo da espionagem, não aliados nem amigos", resume o Libé, citando a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel. Indignada ao saber que era vigiada pelo serviço secreto americano, ela reagiu: "Espionagem entre amigos? Isso não se faz." E convidou o presidente Barack Obama a telefonar quando quisesse saber das novidades.
Os documentos vazados foram agrupados como Espionagem Elisée, com cinco relatórios da NSA. Dois foram mostrados pelos EUA aos serviços secretos aliados da Austrália, do Canadá, da Nova Zelândia e do Reino Unido. Três ficaram restritos à comunidade de informações dos EUA.
Durante o governo Jacques Chirac, a inteligência americana concluiu que o ministro do Exterior, Philppe Douste-Blazy era "propenso a fazer declarações inexatas ou inoportunas". Em 2008, depois do colapso do banco Lehman Brothers, o presidente Sarkozy estava convencido, ironizam os agentes dos EUA, de que era "o único homem capaz de resolver a crise".
O memorando mais recente é de uma conversa do presidente Hollande com o primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault sobre a crise da Grécia e o risco de saída do país da união monetária europeia.
Se os documentos pirateados pelo WikiLeaks eram sigilosos, não revelam nenhum segredo de Estado.
domingo, 31 de maio de 2015
Senado dos EUA deixa expirar a lei de megacoleta de dados
A autoridade legal usada pela Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos para coletar em massa dados sobre comunicações telefônicas e via Internet acaba à meia-noite de hoje pelo horário de Washington, 1h da madrugada desta segunda-feira em Brasília.
O líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, a favor da espionagem em massa, não conseguiu evitar a obstrução do senador libertário Rand Paul, um dos mais de dez aspirantes à candidatura do Partido Republicano à Presidência dos EUA em 2016.
Apesar da votação de 77 a 17 a favor da coleta de dados, Paul conseguiu adiar a aprovação da medida e cantou vitória porque um projeto da Câmara dos Representantes conhecido como Lei da Liberdade dos EUA vai proibir a coleta de dados em massa.
Alguns poderes da NSA vão caducar, noticiou o jornal The Washington Post. Será a primeira redução nos poderes do Estado para espionar os cidades desde a Lei de Vigilância e Inteligência Externa, de 1978. Os poderes foram ampliados pela Lei Patriótica, aprovada depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.
A nova lei limita a autoridade dada ao FBI, a polícia federal americana, para coletar "dados econômicos" como uso da Internet, pernoite em hotéis, aluguel de carros e faturas de cartão de crédito
"O ponto que eu quero destacar é que podemos pegar os terroristas usando a Constituição", declarou Paul. "Apoio a parte que acaba com a megacoleta de dados. Temo que a gente passe de megacoleta do governo para megacoleta das empresas."
A espionagem do cidadão comum americano em larga escala foi denunciada há dois anos pelo analista de sistemas Edward Snowden, que trabalhava como funcionário subcontratado da NSA. Ele está exilado na Rússia sob acusação de traição e espionagem.
Outro pré-candidato republicano, o senador Marco Rubio, filho de exilados cubanos, defendeu o programa de megacoleta de dados alegando que foi um instrumento importante na luta dos EUA contra o terrorismo depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, "sob rigorosa supervisão judicial e do Congresso".
"Depois desta noite, não há garantia de que as agências policiais e de inteligência dos EUA terão todos os instrumentos de que necessitam para proteger o povo americano diante da crescente ameaça terrorista", declarou Rubio em nota. "Permitir que qualquer destes programas expire é um erro, mas o que está acontecendo é uma consequência da difusão irresponsável de desinformação e de uma postura dissimulada. Nosso país está fadado a ser menos seguro e os americanos sob um risco de maior de ameaças terroristas crescentes."
O líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, a favor da espionagem em massa, não conseguiu evitar a obstrução do senador libertário Rand Paul, um dos mais de dez aspirantes à candidatura do Partido Republicano à Presidência dos EUA em 2016.
Apesar da votação de 77 a 17 a favor da coleta de dados, Paul conseguiu adiar a aprovação da medida e cantou vitória porque um projeto da Câmara dos Representantes conhecido como Lei da Liberdade dos EUA vai proibir a coleta de dados em massa.
Alguns poderes da NSA vão caducar, noticiou o jornal The Washington Post. Será a primeira redução nos poderes do Estado para espionar os cidades desde a Lei de Vigilância e Inteligência Externa, de 1978. Os poderes foram ampliados pela Lei Patriótica, aprovada depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.
A nova lei limita a autoridade dada ao FBI, a polícia federal americana, para coletar "dados econômicos" como uso da Internet, pernoite em hotéis, aluguel de carros e faturas de cartão de crédito
"O ponto que eu quero destacar é que podemos pegar os terroristas usando a Constituição", declarou Paul. "Apoio a parte que acaba com a megacoleta de dados. Temo que a gente passe de megacoleta do governo para megacoleta das empresas."
A espionagem do cidadão comum americano em larga escala foi denunciada há dois anos pelo analista de sistemas Edward Snowden, que trabalhava como funcionário subcontratado da NSA. Ele está exilado na Rússia sob acusação de traição e espionagem.
Outro pré-candidato republicano, o senador Marco Rubio, filho de exilados cubanos, defendeu o programa de megacoleta de dados alegando que foi um instrumento importante na luta dos EUA contra o terrorismo depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, "sob rigorosa supervisão judicial e do Congresso".
"Depois desta noite, não há garantia de que as agências policiais e de inteligência dos EUA terão todos os instrumentos de que necessitam para proteger o povo americano diante da crescente ameaça terrorista", declarou Rubio em nota. "Permitir que qualquer destes programas expire é um erro, mas o que está acontecendo é uma consequência da difusão irresponsável de desinformação e de uma postura dissimulada. Nosso país está fadado a ser menos seguro e os americanos sob um risco de maior de ameaças terroristas crescentes."
quinta-feira, 7 de maio de 2015
Justiça dos EUA declara ilegal coleta de dados telefônicos
O Tribunal Federal de Recursos de Nova York considerou ilegal a coleta sistemática de dados sobre ligações telefônicas de americanos pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA), reportou hoje o jornal The New York Times.
Por unanimidade, uma turma de três juízes decidiu que a Lei Patriótica, aprovada no governo George W. Bush para combater o terrorismo depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, não pode ser interpretada de forma a autorizar o programa de megaespionagem denunciado pelo ex-agente Edward Snowden. A NSA abusou dos poderes.
Na próxima semana, a Câmara dos Representantes dos EUA, dominada pela oposição republicana, pode votar um projeto capaz de alterar significativamente o programa, mas o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, é contra. Há dois outros casos questionando o programa em fase de apelação na Justiça do país.
Com a decisão da Justiça, aumenta a pressão sobre o Congresso, que precisa prorrogar a vigência da Lei Patriótica além do prazo atual, de 27 de julho de 2015.
A NSA cruza os dados sobre ligações telefônicas para tentar descobrir padrões de contato entre os cidadãos capaz de levantar suspeitas sobre atividades ilegais, numa violação do sigilo constitucional para proteger as telecomunicações.
"Esta decisão é uma vitória do Estado de Direito que vai pressionar o Congresso a agir", comemorou Alexander Abdo, porta-voz da União Americana das Liberdades Civis (ACLU). "A moderna tecnologia criou oportunidades enormes, mas também permite a vigilância numa escala sem precedentes numa sociedade livre. A decisão de hoje é uma oportunidade para redobrar a defesa dos princípios constitucionais que fizeram de nossa nação o que é hoje."
A contestada Seção 215 da Lei Patriótica também foi usada para o governo americano coletar em massa mensagens de correio eletrônico. A CIA (Agência Central de Inteligência), o serviço de espionagem da Presidência dos EUA, ainda coletou os dados sobre remessas e transferências internacionais de dinheiro. Essas duas questões não foram objeto da decisão anunciada hoje.
Por unanimidade, uma turma de três juízes decidiu que a Lei Patriótica, aprovada no governo George W. Bush para combater o terrorismo depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, não pode ser interpretada de forma a autorizar o programa de megaespionagem denunciado pelo ex-agente Edward Snowden. A NSA abusou dos poderes.
Na próxima semana, a Câmara dos Representantes dos EUA, dominada pela oposição republicana, pode votar um projeto capaz de alterar significativamente o programa, mas o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, é contra. Há dois outros casos questionando o programa em fase de apelação na Justiça do país.
Com a decisão da Justiça, aumenta a pressão sobre o Congresso, que precisa prorrogar a vigência da Lei Patriótica além do prazo atual, de 27 de julho de 2015.
A NSA cruza os dados sobre ligações telefônicas para tentar descobrir padrões de contato entre os cidadãos capaz de levantar suspeitas sobre atividades ilegais, numa violação do sigilo constitucional para proteger as telecomunicações.
"Esta decisão é uma vitória do Estado de Direito que vai pressionar o Congresso a agir", comemorou Alexander Abdo, porta-voz da União Americana das Liberdades Civis (ACLU). "A moderna tecnologia criou oportunidades enormes, mas também permite a vigilância numa escala sem precedentes numa sociedade livre. A decisão de hoje é uma oportunidade para redobrar a defesa dos princípios constitucionais que fizeram de nossa nação o que é hoje."
A contestada Seção 215 da Lei Patriótica também foi usada para o governo americano coletar em massa mensagens de correio eletrônico. A CIA (Agência Central de Inteligência), o serviço de espionagem da Presidência dos EUA, ainda coletou os dados sobre remessas e transferências internacionais de dinheiro. Essas duas questões não foram objeto da decisão anunciada hoje.
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quinta-feira, 10 de julho de 2014
Alemanha expulsa diretor do escritório da CIA
Diante de duas novas denúncias de espionagem dos Estados Unidos, a Alemanha pediu hoje ao mais alto funcionário da Agência Central de Inteligência (CIA), o serviço de espionagem americano, que saia do país. O governo alemão já havia convocado o embaixador dos EUA para pedir explicações.
"Ao representante dos serviços de inteligência americanos na Embaixada dos EUA, foi pedido que deixe a Alemanha", declarou o porta-voz Steffen Seibert, lendo uma nota oficial citada pelo jornal The Washington Post.
O porta-voz acrescentou que a expulsão foi decidida com base "no contexto das investigações em andamento da Procuradoria Federal bem como questões pendentes há meses sobre as atividades dos serviços de inteligência americanos, o que levou a Câmara Federal a criar uma comissão parlamentar de inquérito".
A crise entre os dois países, aliados na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), começou há um ano, com a revelação pelo ex-agente Edward Snowden da espionagem eletrônica em grande escala realizada pela Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA, inclusive do telefone celular da chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel.
Um alto funcionário da serviço secreto alemão foi preso há poucos dias sob a acusação de passar documentos confidenciais aos EUA. Outro cidadão alemão foi detido em outro caso de espionagem, o que aumentou a irritação da Alemanha, levando à expulsão do diretor da CIA.
"Ao representante dos serviços de inteligência americanos na Embaixada dos EUA, foi pedido que deixe a Alemanha", declarou o porta-voz Steffen Seibert, lendo uma nota oficial citada pelo jornal The Washington Post.
O porta-voz acrescentou que a expulsão foi decidida com base "no contexto das investigações em andamento da Procuradoria Federal bem como questões pendentes há meses sobre as atividades dos serviços de inteligência americanos, o que levou a Câmara Federal a criar uma comissão parlamentar de inquérito".
A crise entre os dois países, aliados na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), começou há um ano, com a revelação pelo ex-agente Edward Snowden da espionagem eletrônica em grande escala realizada pela Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA, inclusive do telefone celular da chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel.
Um alto funcionário da serviço secreto alemão foi preso há poucos dias sob a acusação de passar documentos confidenciais aos EUA. Outro cidadão alemão foi detido em outro caso de espionagem, o que aumentou a irritação da Alemanha, levando à expulsão do diretor da CIA.
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
Prisão de brasileiro ligado a Snowden foi legal
O Superior Tribunal de Justiça do Reino Unido considerou legal hoje a detenção do brasileiro David Miranda por nove horas no Aeroporto de Heathrow, em Londres, em 18 de agosto de 2013, com base na lei antiterrorismo. Ele é companheiro do jornalista americano Glenn Greenwald, que divulgou as denúncias de espionagem em grande escala feitas pelo ex-analista da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos Edward Snowden.
Miranda alegou que sua detenção era ilegal e uma violação dos direitos humanos. Mas os juízes consideraram "a medida apropriada às circunstâncias", tendo em vista o risco que o vazamento de segredos de Estado poderia causar à segurança nacional do país. "Seu objetivo era não apenas legítimo, mas urgente", declarou no voto o juiz Peter Openshaw, citado pela televisão pública britânica BBC.
Quando foi detido, David Miranda, de 28 anos, levava arquivos de computador para Greenwald, apreendidos junto com um computador, um telefone celular, cartões de memória e DVDs.
Ao saber da decisão, Greenwald, que mora no Rio de Janeiro, acusou a Justiça britânica de equiparar jornalismo a terrorismo.
Depois de vazar as informações confidenciais, Snowden se refugiou na China e na Rússia, onde recebeu asilo temporário. Entre suas revelações, está a espionagem dos EUA à presidente Dilma Rousseff, entre outros líderes estrangeiros, como a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, e o presidente da França, François Hollande, e à Petrobrás. Há um movimento para que ele receba asilo permanente no Brasil.
Miranda alegou que sua detenção era ilegal e uma violação dos direitos humanos. Mas os juízes consideraram "a medida apropriada às circunstâncias", tendo em vista o risco que o vazamento de segredos de Estado poderia causar à segurança nacional do país. "Seu objetivo era não apenas legítimo, mas urgente", declarou no voto o juiz Peter Openshaw, citado pela televisão pública britânica BBC.
Quando foi detido, David Miranda, de 28 anos, levava arquivos de computador para Greenwald, apreendidos junto com um computador, um telefone celular, cartões de memória e DVDs.
Ao saber da decisão, Greenwald, que mora no Rio de Janeiro, acusou a Justiça britânica de equiparar jornalismo a terrorismo.
Depois de vazar as informações confidenciais, Snowden se refugiou na China e na Rússia, onde recebeu asilo temporário. Entre suas revelações, está a espionagem dos EUA à presidente Dilma Rousseff, entre outros líderes estrangeiros, como a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, e o presidente da França, François Hollande, e à Petrobrás. Há um movimento para que ele receba asilo permanente no Brasil.
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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
UE propõe controle internacional da Internet
Diante da revelação de que os Estados Unidos usaram grandes empresas americanas da Internet para espionagem, a União Europeia deve propor hoje "medidas concretas" para internacionalizar o controle sobre a rede mundial de computadores, a começar pela distribuição de domínios.
A Comissão Europeia, órgão executivo da UE, quer estabelecer um cronograma para internacionalizar a corporação que registra nomes e domínios na rede, a ICANN (Internet Corporation for Assigned Names and Numbers), hoje totalmente americana, que também exerce outras funções, como controlar o roteamento do tráfego.
"Ações de inteligência e espionagem em larga escala levaram à perda de confiança na Internet e na sua atual estrutura de governança", sustenta a CE.
O Departamento do Comércio dos EUA aceita discutir a questão, mas não revelou se vai oferecer elementos essenciais da arquitetura da Internet que cede à ICANN sob contrato. Também reluta em levar a discussão para o âmbito das Nações Unidas, onde os governos de países não democráticos como a China e a Rússia poderiam tentar censurar a rede.
"Queremos trabalhar coletivamente para uma governança inclusiva com muitos participantes que mantenha a estabilidade de uma Internet aberta e inovadora", declarou o secretário de Comércio adjunto, Lawrence Strickling.
A UE conta com o apoio do Brasil. Em setembro de 2013, a presidente Dilma Rousseff cobrou na Assembleia Geral da ONU um controle internacional da Internet depois das revelações do ex-funcionário da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA) Edward Snowden de uma espionagem maciça, inclusive da própria Dilma.
Na proposta europeia, "a Internet deve continuar sendo a rede das redes, única, aberta, livre, não fragmentada, submetida às mesmas leis e normas aplicadas a outras aspectos das nossas vidas cotidianas."
O Encontro Global Multiparticipativo sobre o Futuro da Governança na Internet (Global Multi-stakeholder Meeting on the Future of Internet Governance) será realizado no Grand Hyatt Hotel, em São Paulo, em 23 e 24 de abril de 2014. A União Internacional de Telecomunicações (UIT), parte do Sistema ONU, se reúne em outubro na Coreia do Sul.
A Comissão Europeia, órgão executivo da UE, quer estabelecer um cronograma para internacionalizar a corporação que registra nomes e domínios na rede, a ICANN (Internet Corporation for Assigned Names and Numbers), hoje totalmente americana, que também exerce outras funções, como controlar o roteamento do tráfego.
"Ações de inteligência e espionagem em larga escala levaram à perda de confiança na Internet e na sua atual estrutura de governança", sustenta a CE.
O Departamento do Comércio dos EUA aceita discutir a questão, mas não revelou se vai oferecer elementos essenciais da arquitetura da Internet que cede à ICANN sob contrato. Também reluta em levar a discussão para o âmbito das Nações Unidas, onde os governos de países não democráticos como a China e a Rússia poderiam tentar censurar a rede.
"Queremos trabalhar coletivamente para uma governança inclusiva com muitos participantes que mantenha a estabilidade de uma Internet aberta e inovadora", declarou o secretário de Comércio adjunto, Lawrence Strickling.
A UE conta com o apoio do Brasil. Em setembro de 2013, a presidente Dilma Rousseff cobrou na Assembleia Geral da ONU um controle internacional da Internet depois das revelações do ex-funcionário da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA) Edward Snowden de uma espionagem maciça, inclusive da própria Dilma.
Na proposta europeia, "a Internet deve continuar sendo a rede das redes, única, aberta, livre, não fragmentada, submetida às mesmas leis e normas aplicadas a outras aspectos das nossas vidas cotidianas."
O Encontro Global Multiparticipativo sobre o Futuro da Governança na Internet (Global Multi-stakeholder Meeting on the Future of Internet Governance) será realizado no Grand Hyatt Hotel, em São Paulo, em 23 e 24 de abril de 2014. A União Internacional de Telecomunicações (UIT), parte do Sistema ONU, se reúne em outubro na Coreia do Sul.
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
EUA prometem não espionar líderes de países aliados
Em pronunciamento concluído há pouco no Departamento da Justiça, em Washington, o presidente Barack Obama afirmou que os Estados Unidos vão parar de espionar chefes de Estado e de governo de países aliados. A primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, o presidente da França, François Hollande, e a presidente Dilma Rousseff tiveram ligações telefônicas grampeadas pelos serviços secretos dos EUA, como revelou o ex-agente Edward Snowden seis meses atrás.
Obama também prometeu estender aos cidadãos comuns estrangeiros algumas das proteções à privacidade garantidas nos EUA. Um decreto presidencial dará nova orientação aos serviços secretos "para preservar aliados, relações comerciais, a privacidade e os direitos". O presidente rejeitou a recomendação do painel de que agentes federais precisem de autorização judicial para examinar transações financeiras e comunicações de empresas.
Com base no decreto presidencial, anunciou Obama, a partir de 28 de março de 2014, os chefes das agências de inteligência terão de obter uma autorização de um tribunal secreto para a segurança nacional para examinar os dados de ligações telefônicas. Até lá, o secretário da Justiça, Eric Holder, e oficiais de inteligência vão coordenar um plano de transição sobre o que fazer com a grande massa de dados armazenada pelo governo americano.
As atividades da Agência de Segurança Nacional (NSA) serão revisadas anualmente, e um painel de defensores públicos indicados pelo Congresso Nacional vai fiscalizar os pedidos de acesso a dados. Para o jornal The New York Times, a promessa de limitar a coleta de dados pode ter o mesmo destino do compromisso de fechar a prisão instalada na base naval de Guantânamo, em Cuba, reafirmada no primeira dia de governo, em janeiro de 2009, e jamais cumprida.
O presidente começou defendendo a espionagem como essencial à segurança do país mesmo antes da independência, em 1776. Citou um grupo chamado Filhos da Liberdade, ao qual pertencia Paul Revere, um heróis da luta pela independência. Os Filhos da Liberdade tinham a missão de descobrir que ações militares os britânicos estavam planejando.
A inteligência militar aliada foi decisiva na Segunda Guerra Mundial, ao decifrar os códigos usados nas mensagens da Alemanha e mais ainda durante a Guerra Fria "para penetrar na cortina de ferro" e coletar informações no Bloco Soviético, acrescentou Obama, para justificar as ações de espionagem de seu governo.
Mais complexo ainda, alegou, tornou-se o serviço de inteligência dos EUA depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001: "Agora, precisam identificar alvos e possíveis agressores em qualquer canto do mundo. Na década passada, demos grandes passos. Hoje a NSA consegue rastrear contatos e movimentos de terroristas. O relacionamento com agências estrangeiras mudou. Evitamos múltiplos ataques e salvamos vidas nos EUA e no exterior."
O risco de que o governo vá além dos limites também é maior, reconheceu Obama: "Depois do 11 de setembro, o governou passou a usar técnicas mais duras em interrogatórios", disse o presidente dos EUA, sem usar a palavra tortura.
"Vários aspectos complicam a tarefa de defender a nação protegendo as liberdades civis", argumentou. "Enquanto pegamos um terrorismo no Iêmen ou no Sahel, temos acesso a uma quantidade enorme de dados".
Os supercomputadores modernos e a Internet ampliaram o poder de espionagem de forma sem precedentes. "No mundo globalizado, várias agências coletam informações além de suas fronteiras, mas a capacidade dos EUA é única", admitiu Obama.
Ao mesmo tempo em que "necessitamos de mais informações sobre o mundo", raciocinou o presidente americano, "as agências de inteligência precisam fazer seu trabalho em segrego. O perigo de cometer excessos é mais agudo. Por todas estas razões, mantive minhas suspeitas em relação ao programa desde que cheguei à Casa Branca. Tentamos manter o Congresso a par. O que eu não fiz foi suspender esses programas porque nossa revisão inicial indicou que as agências de inteligência não estavam violando a lei."
Sempre defendendo a espionagem, Obama alegou que, "se houver outro atentado como os de 11 de setembro ou um ataque cibernético, os funcionários das agências serão cobrados por não ter ligado os pontinhos". Ele se negou a discutir "os atos e motivações de Snowden. Ninguém pode decidir por conta própria quando revelar segredos sem prejudicar nossa capacidade de proteger a população".
Os EUA querem "manter a liderança mundial preservando os direitos individuais, mas os atentados terroristas e os ataques cibernéticos não vão parar", justificou o presidente. "Ninguém espera que a China faça um debate aberto sobre seus programas de vigilância nem que a Rússia leve em consideração as preocupações de seus cidadãos com privacidade", acrescentou, alfinetando os países que acolheram Snowden.
Obama também prometeu estender aos cidadãos comuns estrangeiros algumas das proteções à privacidade garantidas nos EUA. Um decreto presidencial dará nova orientação aos serviços secretos "para preservar aliados, relações comerciais, a privacidade e os direitos". O presidente rejeitou a recomendação do painel de que agentes federais precisem de autorização judicial para examinar transações financeiras e comunicações de empresas.
Com base no decreto presidencial, anunciou Obama, a partir de 28 de março de 2014, os chefes das agências de inteligência terão de obter uma autorização de um tribunal secreto para a segurança nacional para examinar os dados de ligações telefônicas. Até lá, o secretário da Justiça, Eric Holder, e oficiais de inteligência vão coordenar um plano de transição sobre o que fazer com a grande massa de dados armazenada pelo governo americano.
As atividades da Agência de Segurança Nacional (NSA) serão revisadas anualmente, e um painel de defensores públicos indicados pelo Congresso Nacional vai fiscalizar os pedidos de acesso a dados. Para o jornal The New York Times, a promessa de limitar a coleta de dados pode ter o mesmo destino do compromisso de fechar a prisão instalada na base naval de Guantânamo, em Cuba, reafirmada no primeira dia de governo, em janeiro de 2009, e jamais cumprida.
O presidente começou defendendo a espionagem como essencial à segurança do país mesmo antes da independência, em 1776. Citou um grupo chamado Filhos da Liberdade, ao qual pertencia Paul Revere, um heróis da luta pela independência. Os Filhos da Liberdade tinham a missão de descobrir que ações militares os britânicos estavam planejando.
A inteligência militar aliada foi decisiva na Segunda Guerra Mundial, ao decifrar os códigos usados nas mensagens da Alemanha e mais ainda durante a Guerra Fria "para penetrar na cortina de ferro" e coletar informações no Bloco Soviético, acrescentou Obama, para justificar as ações de espionagem de seu governo.
Mais complexo ainda, alegou, tornou-se o serviço de inteligência dos EUA depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001: "Agora, precisam identificar alvos e possíveis agressores em qualquer canto do mundo. Na década passada, demos grandes passos. Hoje a NSA consegue rastrear contatos e movimentos de terroristas. O relacionamento com agências estrangeiras mudou. Evitamos múltiplos ataques e salvamos vidas nos EUA e no exterior."
O risco de que o governo vá além dos limites também é maior, reconheceu Obama: "Depois do 11 de setembro, o governou passou a usar técnicas mais duras em interrogatórios", disse o presidente dos EUA, sem usar a palavra tortura.
"Vários aspectos complicam a tarefa de defender a nação protegendo as liberdades civis", argumentou. "Enquanto pegamos um terrorismo no Iêmen ou no Sahel, temos acesso a uma quantidade enorme de dados".
Os supercomputadores modernos e a Internet ampliaram o poder de espionagem de forma sem precedentes. "No mundo globalizado, várias agências coletam informações além de suas fronteiras, mas a capacidade dos EUA é única", admitiu Obama.
Ao mesmo tempo em que "necessitamos de mais informações sobre o mundo", raciocinou o presidente americano, "as agências de inteligência precisam fazer seu trabalho em segrego. O perigo de cometer excessos é mais agudo. Por todas estas razões, mantive minhas suspeitas em relação ao programa desde que cheguei à Casa Branca. Tentamos manter o Congresso a par. O que eu não fiz foi suspender esses programas porque nossa revisão inicial indicou que as agências de inteligência não estavam violando a lei."
Sempre defendendo a espionagem, Obama alegou que, "se houver outro atentado como os de 11 de setembro ou um ataque cibernético, os funcionários das agências serão cobrados por não ter ligado os pontinhos". Ele se negou a discutir "os atos e motivações de Snowden. Ninguém pode decidir por conta própria quando revelar segredos sem prejudicar nossa capacidade de proteger a população".
Os EUA querem "manter a liderança mundial preservando os direitos individuais, mas os atentados terroristas e os ataques cibernéticos não vão parar", justificou o presidente. "Ninguém espera que a China faça um debate aberto sobre seus programas de vigilância nem que a Rússia leve em consideração as preocupações de seus cidadãos com privacidade", acrescentou, alfinetando os países que acolheram Snowden.
Obama anuncia mudanças cosméticas na espionagem
Como parte de uma reforma do programa de megaespionagem dos Estados Unidos, o presidente Barack Obama vai anunciar daqui a pouco em pronunciamento no Departamento da Justiça que a Agência de Segurança Nacional (NSA, do inglês) vai parar de armazenar dados sobre ligações telefônicas e passar a ter acesso a eles sob supervisão judicial.
O objetivo de Obama é restaurar a confiança, mas as medidas estão muito aquém do exigem os grupos de defesa dos direitos humanos, a suspensão total da espionagem, a não ser nos casos autorizados expressamente por juízes.
O escândalo estourou meses atrás, quando o ex-funcionário terceirizado da NSA Edward Snowden revelou um programa de espionagem em massa via Internet através das grandes empresas americanas do setor e a armazenagem de dados sobre todas as ligações telefônicas realizadas nos EUA e muitas no exterior.
Entre os alvos da espionagem americana, havia aliados como a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, e o presidente da França, François Hollande, além da presidente Dilma Rousseff, que cancelou uma visita de Estado aos EUA.
O objetivo de Obama é restaurar a confiança, mas as medidas estão muito aquém do exigem os grupos de defesa dos direitos humanos, a suspensão total da espionagem, a não ser nos casos autorizados expressamente por juízes.
O escândalo estourou meses atrás, quando o ex-funcionário terceirizado da NSA Edward Snowden revelou um programa de espionagem em massa via Internet através das grandes empresas americanas do setor e a armazenagem de dados sobre todas as ligações telefônicas realizadas nos EUA e muitas no exterior.
Entre os alvos da espionagem americana, havia aliados como a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, e o presidente da França, François Hollande, além da presidente Dilma Rousseff, que cancelou uma visita de Estado aos EUA.
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
NSA se infiltrou em servidores do Google e Yahoo
A Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos invadiu secretamente os elos de ligação entre os servidores e bancos de dados das empresas de Internet americanas Google e Yahoo no mundo inteiro, revelam documentos vazamentos pelo ex-funcionário subcontratado pelos serviços secretos Edward Snowden, denuncia o jornal The Washington Post.O general Keith Alexander, diretor da NSA, desmentiu a notícia, afirmando que a agência não tem autorização legal para fazer isso sem ordem judicial. Veja o esboço do esquema de espionagem.
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
Snowden deixa aeroporto de Moscou
O ex-técnico subcontratado pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos Edward Snowden, procurado por ter revelado a existência de um grande programa de espionagem via Internet chamado Prisma, deixou o aeroporto Cheremetievo, em Moscou, onde estava desde 23 de junho, informou o jornal The Washington Post, citando como fonte seu advogado russo, Anatoli Kucherena.
Snowden recebeu "asilo temporário" da Rússia pelo período de um ano e estaria "em local seguro em território russo, acrescentou o advogado.
Sob pressão do governo americano, quase 20 países, inclusive o Brasil, rejeitaram os pedidos de asilo. Ele recebeu ofertas da Bolívia, da Nicarágua e da Venezuela. Preferiu ficar na Rússia por enquanto para reavaliar suas opções.
A condenação do ex-soldado americano Bradley Manning por ter passado mais de 700 mil documentos sigilosos dos EUA ao sítio de Internet WikiLeaks complica a situação de Snowden, que alega ter denunciado a megaespionagem por não querer viver num mundo em que o Estado invade a privacidade de cidadãos inocentes.
Nos EUA, cerca de um terço da população o considera um herói e não quer que ele seja processado, enquanto um quarto o vê como um traidor da pátria. A Casa Branca declarou estar "extremamente desapontada" com o governo russo e comentou que a decisão mina a cooperação entre os EUA e a Rússia no combate ao crime.
O programa de megaespionagem Prisma rouba dados dos servidores das grandes empresas americanas de Internet, como Apple, Facebook, Google, Microsoft, PayPal, Skype e Yahoo, em busca de informações de interesse dos serviços secretos americanos.
Snowden recebeu "asilo temporário" da Rússia pelo período de um ano e estaria "em local seguro em território russo, acrescentou o advogado.
Sob pressão do governo americano, quase 20 países, inclusive o Brasil, rejeitaram os pedidos de asilo. Ele recebeu ofertas da Bolívia, da Nicarágua e da Venezuela. Preferiu ficar na Rússia por enquanto para reavaliar suas opções.
A condenação do ex-soldado americano Bradley Manning por ter passado mais de 700 mil documentos sigilosos dos EUA ao sítio de Internet WikiLeaks complica a situação de Snowden, que alega ter denunciado a megaespionagem por não querer viver num mundo em que o Estado invade a privacidade de cidadãos inocentes.
Nos EUA, cerca de um terço da população o considera um herói e não quer que ele seja processado, enquanto um quarto o vê como um traidor da pátria. A Casa Branca declarou estar "extremamente desapontada" com o governo russo e comentou que a decisão mina a cooperação entre os EUA e a Rússia no combate ao crime.
O programa de megaespionagem Prisma rouba dados dos servidores das grandes empresas americanas de Internet, como Apple, Facebook, Google, Microsoft, PayPal, Skype e Yahoo, em busca de informações de interesse dos serviços secretos americanos.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2006
Suspeitos demais
A Agência de Segurança Nacional dos EUA tem uma lista de 325 mil suspeitos de terrorismo, o que provocou protestos de grupos de defesa dos direitos humanos, que denunciam a erosão dos direitos civis causada pelo neomacarthismo pós 11 de setembro.
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