O lobista Paul Manafort, que foi diretor da campanha presidencial de Donald Trump, se encontrou várias vezes em segredo com o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, na Embaixada do Equador em Londres, onde ele está refugiado, noticiou hoje o jornal inglês The Guardian.
Manafort esteve com Assange em 2013, 2015 e 2016, quando se tornou diretor da campanha de Trump, afirmou o jornal. Em nota, ele negou tudo: "Nunca encontrei Julian Assange nem ninguém ligado a ele. Nunca estive em contato com ninguém ligado ao WikiLeaks, direta ou indiretamente. Nunca me dirigi a Assange ou ao WikiLeaks sobre qualquer assunto."
Esses encontros são de interesse do procurador especial Robert Mueller, que investiga a interferência da Rússia nas eleições de 2016 nos Estados Unidos e um possível conluio da campanha de Trump com o Kremlin para derrotar a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, candidata do Partido Democrata à Casa Branca.
Durante a campanha, em outubro de 2016, Trump disse: "Amo o WikiLeaks", uma empresa especializada em divulgar documentos e fatos sigilosos de governos e empresas. Em 2010, o WikiLeaks divulgou mais de 250 mil documentos do Departamento de Estado americano e imagens de ações desastradas dos militares americanos na invasão do Iraque.
Em 2016, o WikiLeaks revelou dezenas de milhares de mensagens de correio eletrônico da campanha de Hillary e do Partido Democrata pirateadas pelo GRU (Departamento de Central de Inteligência), o serviço secreto militar da Rússia, para favorecer Trump.
Ontem, a equipe do procurador especial acusou Manafort de mentir repetidas vezes aos investigadores, violando os termos de seu acordo de delação premiada. Ele perdeu o direito à redução da pena e deve ser sentenciado em breve e pelo menos dez anos de prisão.
Na semana passada, por um erro da equipe de Mueller, vazou a notícia de que há uma denúncia contra Assange, que está sob pressão do atual governo equatoriano para sair da embaixada.
Assange se refugiou na Embaixada do Equador no Reino Unido em 2012 para escapar de um mandado de prisão pan-europeu emitido pela Suécia. A primeira visita de Manafort aconteceu um ano depois, quando o lobista trabalhava para o então presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, aliado de Moscou.
A procuradoria sueca retirou as acusações, mas Assange deve ser preso no Reino Unido quando sair da embaixada por violar os termos de sua liberdade condicional. Aí, poderá ser extraditado para os EUA.
Um informe do serviço secreto do Equador visto pelo Guardian confirma que Manafort visitou Assange, assim como russos. Em março de 2016, Manafort esteve com Assange durante 40 minutos. Só mais tarde os equatorianos perceberam a importância das visitas do assessor de Trump.
De acordo com um dossiê do ex-agente secreto britânico Christopher Steele, Manafort estava no centro de uma conspiração da campanha de Trump com o governo Vladimir Putin para derrotar Hillary Clinton, que o ditador russo "odiava e temia".
Meses atrás, Mueller denunciou 12 agentes russos do GRU pela ciberpirataria da campanha democrata, que começou em março de 2016. Em junho daquele ano, Assange enviou mensagem ao GRU pedindo material sobre o diretório nacional do Partido Democrata. Os documentos foram enviados em meados de julho em arquivos anexados criptografados.
O cerco do procurador especial vai fechando, enquanto o presidente americano o acusa de "caça às bruxas" e de de chefiar uma equipe de "democratas raivosos". Ex-diretor-geral do FBI (Federal Bureau of Investigation), como a maioria dos funcionários dos serviços de segurança, Mueller era ligado ao Partido Republicano.
As acusações não passam de mentiras do presidente, o mais desonesto, antiético e imoral da história recente dos EUA.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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terça-feira, 27 de novembro de 2018
Diretor da campanha de Trump esteve com Assange
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sexta-feira, 20 de abril de 2018
Partido Democrata processa Rússia, campanha de Trump e WikiLeaks
O Partido Democrata entrou hoje com uma ação judicial acusando a campanha do presidente Donald Trump de conspirar com o governo e os serviços secretos da Rússia para derrotar a candidatura da ex-secretária de Estado Hillary Clinton à Presidência dos Estados Unidos, em 2016.
A ação, protocolada no tribunal federal de primeira instância de Manhattan, em Nova York, cita Donald Trump Jr., o genro do presidente, Jared Kushner, e Roger Stone, assessor de Trump há muitos anos, como parte da conspiração.
A Rússia é acusada de "um ataque descarado contra a democracia americana" ao invadir os computadores do Partido Democrata e vazar para o WikiLeaks 44 mil mensagens de correio eletrônico da campanha de Hillary.
Os democratas repetem o que fizeram em 1972, quando processaram o comitê de reeleição do então presidente Richard Nixon pedindo uma indenização de US$ 1 milhão pela invasão da sede central do partido no Edifício Watergate, em Washington. O Escândalo de Watergate levou à renúncia de Nixon, em 1974.
Em relatório divulgado no início deste ano, a CIA (Agência Central de Inteligência), o FBI (Federal Bureau of Investigation) e a NSA (Agência de Segurança Nacional) apontam o serviço secreto militar russo (GRU) como responsável pela pirataria cibernética.
Desde sua vitória, Trump afirma que não houve conluio com a Rússia. O caso está sendo investigado pelo procurador especial Robert Mueller, nomeado depois que o presidente demitiu o então diretor-geral do FBI, James Comey, em 9 de maio de 2017.
Comey acaba de publicar um livro em que acusa Trump de ser "moralmente incapaz" de presidir os EUA.
A ação, protocolada no tribunal federal de primeira instância de Manhattan, em Nova York, cita Donald Trump Jr., o genro do presidente, Jared Kushner, e Roger Stone, assessor de Trump há muitos anos, como parte da conspiração.
A Rússia é acusada de "um ataque descarado contra a democracia americana" ao invadir os computadores do Partido Democrata e vazar para o WikiLeaks 44 mil mensagens de correio eletrônico da campanha de Hillary.
Os democratas repetem o que fizeram em 1972, quando processaram o comitê de reeleição do então presidente Richard Nixon pedindo uma indenização de US$ 1 milhão pela invasão da sede central do partido no Edifício Watergate, em Washington. O Escândalo de Watergate levou à renúncia de Nixon, em 1974.
Em relatório divulgado no início deste ano, a CIA (Agência Central de Inteligência), o FBI (Federal Bureau of Investigation) e a NSA (Agência de Segurança Nacional) apontam o serviço secreto militar russo (GRU) como responsável pela pirataria cibernética.
Desde sua vitória, Trump afirma que não houve conluio com a Rússia. O caso está sendo investigado pelo procurador especial Robert Mueller, nomeado depois que o presidente demitiu o então diretor-geral do FBI, James Comey, em 9 de maio de 2017.
Comey acaba de publicar um livro em que acusa Trump de ser "moralmente incapaz" de presidir os EUA.
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