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quarta-feira, 26 de junho de 2019

Plano de paz de Trump para o Oriente Médio já nasce morto

A conferência Da Paz às Prosperidade foi aberta ontem no emirado árabe do Bahrein por Jared Kushner, genro e assessor do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O plano de paz é considerado natimorto por ignorar a reivindicação de uma pátria para o povo palestino. Pode servir de desculpa para a anexação da Cisjordânia ocupada. É a receita para uma guerra sem fim.

Desde que chegou à Casa Branca, Trump se aliou incondicionalmente ao primeiro-ministro linha-dura de Israel, Benjamin Netanyahu, e tomou medidas que desqualificam os Estados Unidos como mediador no conflito árabe-israelense.

Trump transferiu a embaixada americana de Telavive para Jerusalém, que é considerada uma cidade parcialmente ocupada. O setor árabe (oriental) foi tomado por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e a Carta das Nações Unidas proíbe a guerra de conquista.

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Princípe-herdeiro saudita acusa jornalista morto de islamismo radical

Em mais uma tentativa de acobertar o crime bárbaro de que é o principal suspeito, o príncipe-herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed ben Salman, afirmou em telefonema à Casa Branca que o jornalista Jamal Khashoggi era um militante perigoso da Irmandade Muçulmana, noticiou o jornal The Washington Post.

Ao falar com o assessor especial e genro do presidente Donald Trump, Jared Kushner, e o assessor de Segurança Nacional, John Bolton, o homem-forte da monarquia absolutista saudita fez um apelo para que os Estados Unidos mantenham a aliança com seu país.

A acusação numa conversa privada contraria as declarações oficiais da monarquia saudita de que foi "um erro terrível" e "uma tragédia terrível".

Ontem, o procurador-geral de Istambul, na Turquia, acusou o regime saudita de não colaborar com a investigação e revelou que Khashoggi foi estrangulado, decapitado e esquartejado de maneira "premeditada" logo depois de entrar no consulado saudita na cidade, em 2 de outubro, para pegar documentos necessários para se casar.

Khashoggi era um assessor da família real e se tornou um crítico das reformas que o príncipe prometeu realizar para modernizar o reino e prepará-lo para a era pós-petróleo. Sentindo-se ameaçado, o jornalista se autoexilou no ano passado nos EUA, onde era colaborador do Washington Post.

Na semana passada, ao participar de uma conferência para investidores, o príncipe apresentou outra versão: "O incidente que aconteceu é muito doloroso para todos os sauditas. Não é justificável." O embaixador saudita nos EUA descreveu Khashoggi no mês passado como um "amigo" que dedicou "grande parte de sua vida a servir o seu país".

A família negou, em nota enviada ao Post, que ele fosse um extremista muçulmano: "Jamal Khashoggi não era membro da Irmandade Muçulmana. (...) Jamal Khashoggi não era uma pessoa perigosa de maneira alguma. Qualquer alegação em outro sentido seria ridícula. Embora ele simpatizasse com certos objetivos da Irmandade, discordava nitidamente de outros, especialmente em relação à Arábia Saudita."

O regime saudita negou que o príncipe tenha feito tais alegações. A versão oficial mudou várias vezes. Inicialmente, a ditadura feudal afirmou que Khashoggi havia saído ileso do consulado. Depois, declarou que ele havia morrido ao se envolver numa briga com ausentes sauditas.

"Esta tentativa de assassinato de caráter reforça a hipótese de assassinato premeditado", comentou Bruce Riedel, ex-agente da CIA (Agência Central de Inteligência), hoje pesquisador da Brookings Institution.

A Casa Branca não confirmou o telefonema. Nos últimos dias, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o ditador egípcio, marechal Abdel Fattah al-Sissi, pediram ao governo Trump apoio ao príncipe saudita. Israel, a Arábia Saudita e o Egito são os maiores aliados dos EUA no Oriente Médio.

Esses países defendem o príncipe como aliado importante para isolar o Irã e combater o extremismo muçulmano sunita e o jihadismo. Os principais aliados dos EUA na Europa, Alemanha, França e Reino Unido, consideram MbS indefensável.

Kushner foi o grande advogado da aproximação com o príncipe. Por sua influência, Trump fez sua primeira visita ao exterior como presidente dos EUA à Arábia Saudita, apesar da objeção do secretário de Defesa, James Mattis, e do então secretário de Estado, Rex Tillerson.

O genro de Trump fez uma visita secreta a Riade em outubro do ano passado para discutir o plano de paz entre palestinos e israelenses. Dias depois, o príncipe deflagrou uma campanha anticorrupção que prendeu dezenas de rivais dentro da família real e grandes empresários sauditas. A campanha foi vista como uma manobra política para consolidar o poder

segunda-feira, 14 de maio de 2018

EUA inauguram embaixada em Jerusalém sob protesto palestino

Sob aplausos do primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu, os Estados Unidos transferiram hoje a Embaixada de Israel de Jerusalém para Telavive, com a presença de 800 convidados, inclusive o secretário do Tesouro, Steven  Mnuchin, o subsecretário de Estado, John Sullivan, a filha do presidente Donald Trump, Ivanka Trump, e seu marido, Jared Kushner, enviado especial para a paz no Oriente Médio.

"Só se pode construir a paz com base na verdade", declarou Netanyahu, afirmando que a medida contribui para a paz no Oriente Médio, enquanto o Exército de Israel matava dezenas de palestinos que protestavam junto à fronteira da Faixa de Gaza. "Jerusalém é e será sempre a capital de Israel."

Nos EUA, Trump alegou que Israel é um país soberano e tem o direito de instalar a capital onde quiser, contrariando uma política externa de 70 anos. Desde sua fundação, Israel declarou que Jerusalém seria sua capital, mas a resolução das Nações Unidas que criou o país queria transformá-la numa cidade internacional.

Para todos os efeitos, a capital da Israel era Telavive. Depois de ocupar o setor oriental (árabe) de Jerusalém na Guerra dos Seis Dias, em 1967, Israel aprovou uma lei em 1980 proclamando a cidade unificada pela força como capital do país.

Até hoje, nenhum dos 86 países com relações diplomáticas com o Estado judaico tinha embaixada em Jerusalém por causa do status de cidade ocupada da parte oriental. Depois dos EUA, a Guatemala e o Paraguai declararam a intenção de seguir o exemplo.

"Que dia de glória!", festejou Netanyahu. "Relembrem este momento histórico. Presidente Trump, ao reconhecer a história, você fez história."

Desde que Trump anunciou a transferência da embaixada, o movimento nacional palestino acusa os EUA de se desqualificarem como mediadores do processo de paz. Para os líderes da Autoridade Nacional Palestina, Trump acabou com a esperança de uma paz baseada na convivência de dois países, um árabe e outro judaico, no território histórico da Palestina.

Com 900 mil habitantes, cerca de 10% da população do país, Jerusalém é hoje a maior cidade de Israel. Os judeus são 62,3% da população da cidade, em comparação com 69,5% 20 anos atrás. A população palestina cresceu de 30,5% para 37,7%. Há 150 anos, os judeus são maioria na cidade.

Além da criação de uma pátria palestina e do futuro status de Jerusalém, a colonização dos territórios árabes ocupados e o direito de retorno dos palestinos expulsos de suas casas e terras desde a fundação de Israel são os maiores obstáculos à paz entre árabes e judeus.

De 2009 a 2014, o número de colonos israelenses na Cisjordânia ocupada cresceu 25% para cerca de 356 mil. A população palestina no território era de 2,72 milhões. A população total de Israel, excluídos os territórios ocupados era de 8,13 milhões; hoje se aproxima de 9 milhões.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Partido Democrata processa Rússia, campanha de Trump e WikiLeaks

O Partido Democrata entrou hoje com uma ação judicial acusando a campanha do presidente Donald  Trump de conspirar com o governo e os serviços secretos da Rússia para derrotar a candidatura da ex-secretária de Estado Hillary Clinton à Presidência dos Estados Unidos, em 2016.

A ação, protocolada no tribunal federal de primeira instância de Manhattan, em Nova York, cita Donald Trump Jr., o genro do presidente, Jared Kushner, e Roger Stone, assessor de Trump há muitos anos, como parte da conspiração.

A Rússia é acusada de "um ataque descarado contra a democracia americana" ao invadir os computadores do Partido Democrata e vazar para o WikiLeaks 44 mil mensagens de correio eletrônico da campanha de Hillary.

Os democratas repetem o que fizeram em 1972, quando processaram o comitê de reeleição do então presidente Richard Nixon pedindo uma indenização de US$ 1 milhão pela invasão da sede central do partido no Edifício Watergate, em Washington. O Escândalo de Watergate levou à renúncia de Nixon, em 1974.

Em relatório divulgado no início deste ano, a CIA (Agência Central de Inteligência), o FBI (Federal Bureau of Investigation) e a NSA (Agência de Segurança Nacional) apontam o serviço secreto militar russo (GRU) como responsável pela pirataria cibernética.

Desde sua vitória, Trump afirma que não houve conluio com a Rússia. O caso está sendo investigado pelo procurador especial Robert Mueller, nomeado depois que o presidente demitiu o então diretor-geral do FBI, James Comey, em 9 de maio de 2017.

Comey acaba de publicar um livro em que acusa Trump de ser "moralmente incapaz" de presidir os EUA.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Trump escreveu resposta mentirosa do filho sobre encontro com russa

O presidente Donald Trump interferiu pessoalmente na elaboração da nota mentirosa de seu filho Donald Trump Jr. para explicar um encontro com uma advogada e espiã russa durante a campanha eleitoral do ano passado, revelou hoje o jornal The Washington Post. A participação direta de Trump aumenta o risco de que seja acusado de obstrução de justiça no inquérito sobre a interferência indevida da Rússia na eleição de 2016.

A resposta de Trump Jr. começou a ser preparada por assessores do presidente durante a reunião de cúpula do Grupo dos Vinte (G-20) em Hamburgo, na Alemanha, em 7 e 8 de julho, diz o Post. O objetivo era se antecipar a notícia, divulgando uma nota que não pudesse ser desmentida por revelações futuras. Mas o presidente mudou de ideia.

Dentro do avião presidencial Air Force One, na volta para casa, Trump ditou pessoalmente a primeira versão, dizendo que o filho e a advogada russa tinham "discutido principalmente um programa de adoção de crianças russas" quando se encontraram, em junho de 2016.

A nota foi divulgada quando o jornal The New York Times preparava uma reportagem sobre a reunião, da qual também participaram o genro de Trump, Jared Kushner, e o chefe da campanha, Paul Manafort. Afirmava que o assunto discutido no encontro "não era tema da campanha".

Com a multiplicidade de versões circulando, três dias depois Trump Jr. admitiu ter recebido mensagens de correio eletrônico com promessa de um intermediário britânico de que os russos teriam informações comprometedoras sobre a adversária de Trump, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton. Mais ainda: as informações estavam sendo passadas como sinal do apoio do Kremlin à candidatura Trump.

O presidente fica assim mais vulnerável a uma acusação de obstrução de justiça no inquérito presidido pelo procurador especial Robert Mueller, ex-diretor-geral do FBI (Federal Bureau of Investigation ), a polícia federal dos EUA.

Em maio, Trump demitiu o então diretor-geral do FBI, James Comey. Recentemente, criticou o ministro da Justiça e procurador-geral Jeff Sessions, que se declarou impedido de presidir o inquérito por ter se encontrado com o embaixador russo.

Trump estaria interessado em se livrar de Sessions para afastar Mueller, mas está sob pressão dos deputados e senadores do Partido Republicano para respeitar a regra do jogo. Até indultar a si mesmo Trump admitiu em seus tuítes delirantes. O cerco se fecha.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Genro e assessor de Trump nega conluio com a Rússia

Em depoimento na Comissão de Inteligência do Senado dos Estados Unidos, o genro e assessor especial do presidente Donald Trump, Jared Kushner, negou hoje ter participado de um conluio com o governo da Rússia para ajudar o candidato republicano a vencer a eleição presidencial do ano passado.

Kushner admitiu ter mantido contato com funcionários russos em quatro ocasiões durante a campanha, mas negou que tenha havido algo impróprio nesses encontros: "Não participei de nenhum conluio e não sei de ninguém na campanha que tenha feito isso com algum governo estrangeiro."

Ele também negou ter recebido financiamento da Rússia para seus negócios privados: "Não tive nenhum contato impróprio. Não dependi de fundos russos para financiar minha atividades empresariais no setor privado."

O genro do presidente comprou parte do antigo prédio do jornal The New York Times do oligarca russo Lev Leviev, magnata imobiliário e do mercado de diamantes, acusado de lavagem de dinheiro.

Um ponto central de sua defesa foi negar a tentativa de abrir um canal de comunicação direto e clandestino com o Kremlin.

A interferência indevida da Rússia na eleição presidencial americana está sendo investigada pelo Congresso e pelo FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA. O inquérito policial é presidido por Roberto Mueller, ex-diretor do FBI.

terça-feira, 11 de julho de 2017

Trump elogia "transparência" do filho sobre contato com os russos

Depois de mais de 12 horas, o presidente Donald Trump reagiu à notícia do jornal The New York Times de que seu filho manteve contatos com o governo da Rússia para obter informações capazes de prejudicar a ex-secretária de Estado Hillary Clinton na eleição presidencial do ano passado nos Estados Unidos.

"Meu filho é uma pessoa de muitas qualidades e eu aplaudo sua transparência", declarou a porta-voz da Casa Branca Sarah Huckabee Sanders, lendo uma declaração do presidente.

Donald Trump Jr. divulgou hoje as mensagens de correio eletrônico trocadas com um intermediário que negociou um encontro com uma advogada russa que se apresentou como uma pessoa com informações capazes de ajudar seu pai na disputa eleitoral. Só fez isso depois que o jornal anunciou que iria publicá-los.

Os documentos oferecidos pelo Kremlin supostamente "incriminariam Hillary em seus negócios com a Rússia e seriam muito úteis a seu pai", disse o intermediário, o britânico Rob Goldstone, acrescentando: "Isso é obviamente informação sensível de altíssimo nível, mas é parte do apoio do governo russo a Trump."

"Eu amaria isso", respondeu Trump Jr. Goldstone, ex-repórter de jornal sensacionalista, é produtor musical e agente de um músico russo filho de um empresário ligado ao Kremlin.

Quatro dias depois da troca de e-mails, foi proposto um encontro em Nova York com "uma advogada do governo russo", Natalia Vesselnitskaya. Além de Trump Jr., participaram da reunião o genro e hoje assessor especial de Trump, Jared Kushner, e o coordenador da campanha, Paul Manafort, mas a advogada russa parecia mais interessada numa lei americana específica e não deu munição para atacar Hillary.

Desde julho do ano passado, o FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, investiga a interferência indevida da Rússia na eleição americana e um possível conluio com a campanha de Trump para eleger um candidato mais favorável ao Kremlin.

Para os analistas de espionagem, esse é o método clássico usado pelos agentes russos. A advogada é supostamente uma funcionária subalterna, sem vínculo direto com o Kremlin. Os serviços secretos mandam na Rússia e são superpoderosos.

O presidente Vladimir Putin foi diretor do Serviço Federal de Segurança, sucessor da polícia política da União Soviética, KGB (Comitê de Defesa do Estado). Estava em Dresden, na Alemanha Oriental, quando caiu o Muro de Berlim, em 1989, e considera o fim da URSS, em 1991, a "maior catástrofe geopolítica do século 20".

Na sua luta para restaurar pelo menos parte do poder imperial soviético, Putin trava uma guerra permanente contra o liberalismo e a democracia ocidental. O apoio a Trump, assim como à líder neofascista Marine Le Pen, na França, fazem parte da mesma estratégia antiliberal.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Trump deve anunciar saída dos EUA do acordo do clima de Paris

Depois de uma grande luta interna entre as facções da Casa Branca, o presidente Donald Trump anuncia amanhã às 15 horas (16h em Brasília) a posição de seu governo sobre o Acordo de Paris sobre Mudança do Clima, de 2015. A expectativa é que retire os Estados Unidos do processo de combate ao aquecimento global, adiantou o jornal britânico Financial Times.

É uma promessa de campanha de Trump que agrada sua base eleitoral. A maioria do Partido Republicano rejeita a conclusão de mais de 90% dos cientistas de que a atividade industrial humana é responsável pelo aumento da temperatura média do planeta.

A decisão coloca os EUA na contramão da história e de um acordo histórico assinado por 195 países e ratificado por 147, o primeiro em que todos os países se comprometeram a tomar medidas (voluntárias) para conter a emissão de gases que agravam o efeito estufa e causam a mudança do clima.

Dentro do governo, o principal estrategista de Trump, Steve Bannon, e o diretor da Agência de Proteção Ambiental, Scott Pruitt, defenderam a retirada dos EUA do acordo do clima. O genro e assessor especial Jared Kushner, a filha e assessora Ivanka Trump e o secretário de Estado, Rex Tillerson, ex-diretor-presidente da companhia de petróleo Exxon, são contra.

Na semana passada, Trump foi pressionado pelos países do Grupo dos Sete (EUA, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Canadá) a não rejeitar o acordo. Sem sucesso. Durante comício no fim de semana, a chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, desabafou, dizendo que a Europa não pode mais contar com o apoio dos EUA e do Reino Unido e deve "tomar seu destino em suas próprias mãos".

A União Europeia já entrou em contato com a China, maior poluidora mundial, para manter o combate ao aquecimento global. A posição dos EUA, segundo maior poluidor, reduz o estímulo para que grandes países em desenvolvimento como a Índia e a Indonésia se empenham decisivamente na luta contra a mudança do clima.

O objetivo do Acordo de Paris é conter o aumento da temperatura média do planeta em 2 graus centígrados em relação à era pré-industrial. Se nada for feito, as emissões de gases de efeito estufa deve chegar a 69 gigatoneladas, 69 bilhões de toneladas por ano até 2030.

A elevação da temperatura poderia ser de até 4 graus até o fim do século, com fortes consequência sobre secas, enchentes, a produção de alimentos e a vida marinha. Com o Acordo de Paris, a meta seria limitar as emissões a 56 gigatons.

sábado, 27 de maio de 2017

Genro de Trump queria canal direto de comunicação com a Rússia

O genro e assessor do presidente Donald Trump, Jared Kushner, pediu ao embaixador da Rússia em Washington, Serguei Kislyak, a criação de um canal de comunicação direta com o Kremlin durante o período de transição entre a eleição e a posse, revelou o jornal The Washington Post citando fontes dos serviços secretos dos Estados Unidos.

De acordo com mensagens interceptadas pela inteligência dos EUA, o embaixador Kiskyak comunicou a seus superiores em Moscou o pedido feito por Kushner  em encontros na Trump Tower em 1º e 2 de dezembro. A base ficaria dentro de instalações diplomáticas russas, com o objetivo evidente de evitar o monitoramento pelas autoridades americanas.

O ex-assessor de Segurança Nacional do governo Trump, general Michael Flynn, demitido por mentir ao vice-presidente sobre contatos com Kislyak, participou das reuniões, só admitidas em março pela Casa Branca, que tentou minimizar sua importância. Flynn está no centro da investigação do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, sobre a interferência da Rússia na eleição presidencial americana.

Kislyak teria ficado surpreso com a possibilidade de autorizar o uso do equipamento de telecomunicações da embaixada russa por causa dos riscos de segurança tanto para a Rússia quanto para a equipe de Trump. Nem os encontros nem as comunicações entre americanos foram vigiadas.

Para os serviços de inteligência dos EUA, o caso revela a enorme ingenuidade de Kushner ao tentar envolver um governo estrangeiros e adversário numa trama para enganar as autoridades americanas.

O FBI vigia constantemente os diplomatas, embaixada e consulados russos nos EUA e a Agência de Segurança Nacional (NSA) monitora suas comunicações internacionais. Se um funcionário da equipe de Trump entrasse e saísse várias vezes da Embaixada da Rússia, seria motivo de "grande preocupação" dos serviços secretos.