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sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Ex-assessor de Segurança Nacional de Trump admite que mentiu ao FBI

O general Michael Flynn, ex-assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, confessou hoje ser culpado por ter mentido ao FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos Estados Unidos, sobre seus contatos com o então embaixador da Rússia em Washington, Serguei Kislyak, durante o período de transição entre a eleição e a posse do presidente Donald Trump.

Quando foi entrevistado pelo FBI, em janeiro, antes de assumir o cargo, Flynn negou ter pedido ao embaixador russo para não reagir às sanções impostas pelo ainda presidente Barack Obama em 29 de dezembro de 2016, em retaliação à interferência do Kremlin nas eleições americanas. O governo Trump trataria a questão de outra maneira. No dia seguinte, o presidente Vladimir Putin anunciou que a Rússia não reagiria.

Como negou ter discutido as sanções com o embaixador, o general Flynn também não revelou ao FBI que Kislyak prometeu moderação na resposta russa para não prejudicar a reaproximação com a Rússia defendida por Trump durante a campanha eleitoral. Ambas as declarações são comprovadamente falsas e foram feitas "voluntária e conscientemente", acusa a denúncia.

Flynn é o funcionário mais alto do governo Trump incriminado na investigação sobre um possível conluio da campanha de Trump com o governo russo. Ele fez um acordo com o procurador especial Robert Mueller e deve revelar de quem partiu a ordem para manter contato com a Rússia. Sua confissão aperta o cerco a Trump.

Hoje, o jornal The New York Times revelou que Trump pressionou três líderes do Partido Republicano a encerrar a comissão parlamentar de inquérito do Senado sobre o mesmo assunto. Em 9 de maio de 2017, o presidente demitiu o diretor-geral do FBI, James Comey, depois de pressioná-lo sem sucesso a encerrar a investigação sobre o general Flynn.

Com a demissão de Comey, que chefiava a investigação do FBI, houve pressão e outro ex-diretor-geral do FBI, Robert Mueller, o antecessor de Comey, foi nomeado procurador especial para investigar o caso.

Trump já cogitou afastar Mueller. Isso o colocaria na posição de Richard Nixon quando demitiu o procurador especial do Escândalo de Watergate, Archibald Cox, no Massacre de Sábado à Noite, em 20 de outubro de 1973. Nixon renunciou no ano seguinte para escapar de um processo de impeachment.

A equipe de transição era chefiada pelo vice-presidente Mike Pence e seus principais assessores eram o genro e Trump, Jared Kushner; o futuro chefe da Casa Civil da Casa Branca, Reince Priebus; e Kathleen McFarland, que era assessora adjunta de Flynn e hoje é embaixadora em Cingapura. Daí partiram as ordens para o contato com Moscou e seus agentes. Kushner seria o responsável.

Em 29 de dezembro, quando Obama impôs sanções, Flynn ligou para um membro do primeiro time da equipe de transição, reunida no clube de golfe de Trump em Mar-a-Lago, na Flórida, "para discutir o que dizer ao embaixador russo sobre as sanções dos EUA".

sábado, 27 de maio de 2017

Genro de Trump queria canal direto de comunicação com a Rússia

O genro e assessor do presidente Donald Trump, Jared Kushner, pediu ao embaixador da Rússia em Washington, Serguei Kislyak, a criação de um canal de comunicação direta com o Kremlin durante o período de transição entre a eleição e a posse, revelou o jornal The Washington Post citando fontes dos serviços secretos dos Estados Unidos.

De acordo com mensagens interceptadas pela inteligência dos EUA, o embaixador Kiskyak comunicou a seus superiores em Moscou o pedido feito por Kushner  em encontros na Trump Tower em 1º e 2 de dezembro. A base ficaria dentro de instalações diplomáticas russas, com o objetivo evidente de evitar o monitoramento pelas autoridades americanas.

O ex-assessor de Segurança Nacional do governo Trump, general Michael Flynn, demitido por mentir ao vice-presidente sobre contatos com Kislyak, participou das reuniões, só admitidas em março pela Casa Branca, que tentou minimizar sua importância. Flynn está no centro da investigação do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, sobre a interferência da Rússia na eleição presidencial americana.

Kislyak teria ficado surpreso com a possibilidade de autorizar o uso do equipamento de telecomunicações da embaixada russa por causa dos riscos de segurança tanto para a Rússia quanto para a equipe de Trump. Nem os encontros nem as comunicações entre americanos foram vigiadas.

Para os serviços de inteligência dos EUA, o caso revela a enorme ingenuidade de Kushner ao tentar envolver um governo estrangeiros e adversário numa trama para enganar as autoridades americanas.

O FBI vigia constantemente os diplomatas, embaixada e consulados russos nos EUA e a Agência de Segurança Nacional (NSA) monitora suas comunicações internacionais. Se um funcionário da equipe de Trump entrasse e saísse várias vezes da Embaixada da Rússia, seria motivo de "grande preocupação" dos serviços secretos.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Trump disse a russos que demissão de Comey aliviaria a pressão

Quando recebeu o ministro do Exterior, Serguei Lavrov, e o embaixador da Rússia em Washington, Serguei Kislyak, na Casa Branca, em 10 de maio de 2017, o presidente Donald Trump disse a eles que a demissão do diretor-geral do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos Estados Unidos, tinha aliviado uma grande pressão.

"Acabei de demitir o chefe do FBI. Ele era um louco, um maluco", comentou Trump, de acordo um documento resumindo o encontro divulgado pelo jornal The New York Times. "Enfrentei uma grande pressão por causa da Rússia. Isso foi retirado. Eu não estou sendo investigado."

O documento, baseado em notas tomadas durante a reunião, reforça a suspeita de que a demissão do diretor do FBI foi motivada pelo inquérito presidido por ele sobre a interferência indevida da Rússia na eleição presidencial dos EUA e um possível conluio da candidatura Trump com os russos.

Isso caracteriza obstrução de justiça. É motivo suficiente para abertura de um processo de impeachment do presidente.

Pior ainda: a investigação sobre a Rússia se aproxima de um funcionário da Casa Branca próximo de Trump, noticiou o jornal The Washington Post.

A Casa Branca não questionou a veracidade do documento citado pelo NY Times. Em nota, o porta-voz Sean Spicer alegou que Comey colocou uma "pressão desnecessária" sobre o governo Trump, prejudicando as relações diplomáticas com a Rússia em questões como a Síria, a Ucrânia e o Estado Islâmico.

"Ao posar grandiosamente e politizar a investigação sobre as ações da Rússia, James Comey criou uma pressão desnecessária na nossa capacidade de negociar com a Rússia", afirmou a nota oficial. "A investigação teria continuado e obviamente a demissão de Comey não acabaria com ela. Mais uma vez, a verdadeira história é que nossa segurança nacional foi minada pelo vazamento de conversas privadas e altamente confidenciais."

O encontro com os russos criou ainda mais problemas para Trump, quando o jornal The Washington Post revelou que o presidente passou ao russos informações ultrassecretas descobertas pelo serviço secreto de Israel.

Outro funcionário do governo defendeu Trump sob o argumento de que as conversas faziam parte da tática de negociação do presidente para mostrar aos russos que sua política de reaproximação com a Rússia tinha um elevado custo pessoal.

Depois de divulgação de um memorando interno do FBI em que Comey acusa Trump de pressioná-lo a encerrar a investigação sobre o general Michael Flynn, ex-assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, o Departamento de Justiça nomeou o ex-diretor do FBI Robert Mueller como procurador especial. Ele vai presidir o inquérito sobre a Rússia, a eleição e um possível conluio com a candidatura Trump.

Ontem, no seu primeiro comentário a respeito, em entrevista coletiva na Casa Branca, Trump declarou ser vítima da "maior caça às bruxas da história" dos EUA. Mas ele mesmo admitiu, em entrevista à rede de televisão NBC, que demitiu Comey por causa da investigação sobre a Rússia: "Quando decidi fazer isso, disse a mim mesmo, você sabe, essa história da Rússia com Trump é uma história fabricada."

Hoje, Trump embarcou para sua primeira viagem ao exterior. Começa pela Arábia Saudita, onde os EUA esperam vender US$ 110 bilhões em armas e articular uma aliança de países árabes sunitas contra o Irã e o terrorismo islâmico. Depois, vai a Israel, à Itália e à Bélgica.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Informação ultrassecreta revelada por Trump à Rússia veio de Israel

Os serviços secretos dos Estados Unidos advertiram Israel em janeiro que informes de inteligência passados ao governo Donald Trump poderiam vazar para a Rússia. Hoje o jornal The New York Times revelou que a fonte do segredo contados aos russos pelo próprio Trump foi Israel.

A informação é que a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante está planejando colocar bombas em computadores portáteis para explodir aviões. Levou os EUA a proibir o transporte desses computadores em voos saídos do Oriente Médio.

O segredo foi divulgado por Trump durante encontro com o ministro do Exterior da Rússia, Serguei Lavrov, e o embaixador russo em Washington, Serguei Kislyak, em 10 de maio. Em princípio, o governo israelense se negou a confirmar ter sido a fonte, mas dois agentes secretos disseram ao portal de notícias americano BuzzFeed News que Israel avisou os EUA sobre a nova ameaça à aviação comercial.

Para os serviços de inteligência de Israel, os "piores temores foram confirmados". Na sua primeira viagem ao exterior como presidente, Trump visita Israel em 22 e 23 de maio, onde certamente será cobrado pela indiscrição.

Nas últimas duas décadas, os serviços secretos dos EUA e de Israel intensificaram a cooperação tendo como principais alvos o Irã, a milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) palestino. Juntos, lançaram um ataque cibernético que atrasou o programa nuclear iraniano.

Pela lei americana, o presidente tem o direito de desclassificar qualquer informação confidencial. No caso, sem consultar o aliado que a forneceu corre o risco de entregar o agente e desmontar o plano que permitiu se infiltrar na máquina assassina do Estado Islâmico.

Até agora, o Estado Islâmico evitou ataques diretos contra Israel.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Trump é acusado de passar informações ultrassecretas à Rússia

Durante reunião com o ministro do Exterior da Rússia, Serguei Lavrov, e o embaixador russo em Washington, Serguei Kislyak, em 10 de maio, o presidente Donald Trump revelou informações ultraconfidenciais, acusou hoje o jornal The Washington Post. 

Essas informações seriam capazes de comprometer a fonte que descobriu que a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante planeja usar computadores portáteis para cometer atentados contra aviões comerciais.

A informação veio do serviço secreto de Israel, que conseguiu penetrar na máquina assassina do Estado Islâmico e não autorizou os Estados Unidos a repassá-la à Rússia. É tão sensível que os detalhes não foram revelados nem a países aliados e têm acesso restrito mesmo dentro dos serviços secretos dos EUA.

Para qualquer funcionário do governo americano, discutir o assunto com um país adversário seria ilegal. O presidente tem poder para desclassificar material secreto, mas não se espera que faça isso para contar vantagem sobre a "grande inteligência" que recebe todo dia sobre a ameaça terrorista, especialmente diante um país hostil aos interesses americanos.

O embaixador Kislyak está no centro da investigação sobre a interferência da Rússia na eleição presidencial dos EUA. O primeiro assessor de Segurança Nacional de Trump, general Michael Flynn, foi demitido por mentir ao vice-presidente Mike Pence sobre um encontro com Kislyak durante o período de transição. O ministro da Justiça e procurador-geral, Jeff Sessions, se declarou impedido de presidir o inquérito sobre a interferência russa por não ter revelado um encontro com Kislyak.

Um dia antes do encontro com os russos, o presidente demitiu o diretor-geral do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, James Comey, ao que tudo indica por investigar um possível conluio da campanha de Trump com a Rússia.

Como Trump está em guerra com a imprensa americana, não havia jornalistas dos EUA quando foram tiradas as fotos do encontro. Foram os russos que fizeram. Isso viola outra regra de proteção da segurança nacional dos EUA: nenhum estrangeiro pode entrar no Salão Oval da Casa Branca, o escritório do presidente, com equipamentos eletrônicos.

No início da noite, o assessor de Segurança Nacional de Trump, Herbert McMaster, fez uma breve declaração no jardim da Casa Branca para tentar desmentir a notícia: "O presidente e o ministro do Exterior revisaram ameaças comuns de organizações terroristas, inclusive à aviação. Em momento algum, foram discutidos métodos ou fontes de inteligência, e não foram reveladas operações militares que ainda não fossem conhecidas publicamente."