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terça-feira, 26 de agosto de 2025

Putin ainda aposta em vitória total na Ucrânia

 Dez dias depois do fracassado encontro de cúpula em que tirou o ditador Vladimir Putin do isolamento, o presidente Donald Trump deu novo prazo de duas semanas para a Rússia aceitar um cessar-fogo e acabar com a guerra de agressão contra a Ucrânia. Mas nada indica que vá exercer uma pressão real sobre o Kremlin.

Trump saiu do encontro com Putin dizendo que o ditador russo estava disposto a se reunir com o presidente Volodymyr Zelensky e a aceitar que países ocidentais deem garantias de segurança à Ucrânia. Isso foi desmentido pelo ministro do Exterior russo, Serguei Lavrov.

A Ucrânia, por sua vez, reafirmou que não pretende ceder territórios ocupados numa guerra de agressão e de conquista, ilegal à luz do direito internacional e da Carta das Nações Unidas.

Putin é frio e calculista. Aposta que a Ucrânia não vai resistir muito mais tempo a uma guerra de atrito. Só aceita a paz se conseguir mais do que conquistou no campo de batalha, abrindo o caminho para uma futura ofensiva que lhe permite tomar todo o país vizinho. Caso contrário, só vai parar a guerra se concluir que tem mais a perder do que a ganhar.

quarta-feira, 12 de abril de 2023

Vazamento do Pentágono revela vulnerabilidade da Ucrânia

O maior vazamento de documentos secretos dos Estados Unidos em dez anos revela vulnerabilidades da Ucrânia na guerra contra a invasão russa, como a escassez de munição e mísseis antiaéreos. Mostra que a inteligência norte-americana conseguiu penetrar em todos os serviços secretos da Rússia, mas também espionou aliados.

Antes da revelação bombástica, o ministro do Exterior russo, Serguei Lavrov, declarou que o objetivo estratégico da Rússia é mudar a ordem mundial, a ordem internacional liberada criada pelos EUA depois da Segunda Guerra Mundial. A Guerra da Ucrânia seria apenas uma etapa da luta contra a hegemonia norte-americana.

Num sinal de desaceleração da economia, os EUA registram um saldo positivo de 236 mil empregos em março, abaixo dos 326 mil de fevereiro.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê um crescimento menor para a economia mundial em 2023 e reduz a expectativa para o Brasil de 1,2% para 0,9%. Mas a queda da inflação para 4,65% ao ano aumenta a chance de um corte nas taxas de juros. 

A Bolsa de Valores de São Paulo subiu 4,29%, a maior alta desde 3 de outubro, e o dólar caiu para 5,01%, num sinal de que está entrando capital estrangeiro no país. Meu comentário:

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Secretário do Conselho de Segurança Nacional da Rússia visita Cuba

O secretário do Conselho de Segurança Nacional da Rússia, Nikolai Patruchev, esteve ontem em Havana, onde se encontra com o presidente Miguel Díaz Canel Bermúdez e o ministro do Interior de Cuba, Julio Cesar Gandarilla Bermejo, noticiou a agência russa Tass.

A visita é mais um sinal da estratégia russa de diversificar suas relações diplomáticas e fomentar uma rivalidade com o Ocidente. Durante o encontro, os dois países assinaram um memorando de entendimento para manter um diálogo permanente sobre questões como terrorismo, criminalidade e comércio de armas.

Em julho, o ministro do Exterior da Rússia, Serguei Lavrov, estiveram na ilha, onde se encontrou com o chanceler cubano, Bruno Rodríguez Parilla, para discutir o fortalecimento das relações econômicas entre os dois países, que eram aliados no tempo da União Soviética.

Sob pressão dos Estados Unidos por estatizar propriedades de americanos em Cuba, o ditador Fidel Castro se aproximou da União Soviética. Depois da fracassada tentativa de invasão da Baía dos Porcos, em abril de 1961, Fidel pediu proteção a Moscou.

O momento mais crítico da Guerra Fria foi a Crise dos Mísseis em Cuba. Em 14 de outubro de 1962, um avião-espião dos EUA fotografou mísseis nucleares que estavam sendo instalados na ilha. Durante duas semanas, as duas superpotências estiveram mais perto do que nunca de uma guerra nuclear.

Com a abertura promovida pelo líder soviético Mikhail Gorbachev a partir de março de 1985, o Kremlin se afastou do regime comunista cubano, que rejeitou as reformas liberalizantes. O fim da ajuda e do petróleo subsidiado da URSS provocou uma grave crise econômica em Cuba, o "período especial", marcado por um duro racionamento.

O alívio veio em 1999, com a ascensão ao poder de Hugo Chávez na Venezuela, que voltou a fornecer petróleo barato à ilha em troca de ajuda para manter a segurança interna e do trabalho de médicos cubanos. Com o virtual colapso da economia venezuelana e o fim da reaproximação com os EUA promovida pelo presidente Barack Obama, a ditadura Cuba tenta diversificar as parcerias para sobreviver.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Trump disse a russos que demissão de Comey aliviaria a pressão

Quando recebeu o ministro do Exterior, Serguei Lavrov, e o embaixador da Rússia em Washington, Serguei Kislyak, na Casa Branca, em 10 de maio de 2017, o presidente Donald Trump disse a eles que a demissão do diretor-geral do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos Estados Unidos, tinha aliviado uma grande pressão.

"Acabei de demitir o chefe do FBI. Ele era um louco, um maluco", comentou Trump, de acordo um documento resumindo o encontro divulgado pelo jornal The New York Times. "Enfrentei uma grande pressão por causa da Rússia. Isso foi retirado. Eu não estou sendo investigado."

O documento, baseado em notas tomadas durante a reunião, reforça a suspeita de que a demissão do diretor do FBI foi motivada pelo inquérito presidido por ele sobre a interferência indevida da Rússia na eleição presidencial dos EUA e um possível conluio da candidatura Trump com os russos.

Isso caracteriza obstrução de justiça. É motivo suficiente para abertura de um processo de impeachment do presidente.

Pior ainda: a investigação sobre a Rússia se aproxima de um funcionário da Casa Branca próximo de Trump, noticiou o jornal The Washington Post.

A Casa Branca não questionou a veracidade do documento citado pelo NY Times. Em nota, o porta-voz Sean Spicer alegou que Comey colocou uma "pressão desnecessária" sobre o governo Trump, prejudicando as relações diplomáticas com a Rússia em questões como a Síria, a Ucrânia e o Estado Islâmico.

"Ao posar grandiosamente e politizar a investigação sobre as ações da Rússia, James Comey criou uma pressão desnecessária na nossa capacidade de negociar com a Rússia", afirmou a nota oficial. "A investigação teria continuado e obviamente a demissão de Comey não acabaria com ela. Mais uma vez, a verdadeira história é que nossa segurança nacional foi minada pelo vazamento de conversas privadas e altamente confidenciais."

O encontro com os russos criou ainda mais problemas para Trump, quando o jornal The Washington Post revelou que o presidente passou ao russos informações ultrassecretas descobertas pelo serviço secreto de Israel.

Outro funcionário do governo defendeu Trump sob o argumento de que as conversas faziam parte da tática de negociação do presidente para mostrar aos russos que sua política de reaproximação com a Rússia tinha um elevado custo pessoal.

Depois de divulgação de um memorando interno do FBI em que Comey acusa Trump de pressioná-lo a encerrar a investigação sobre o general Michael Flynn, ex-assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, o Departamento de Justiça nomeou o ex-diretor do FBI Robert Mueller como procurador especial. Ele vai presidir o inquérito sobre a Rússia, a eleição e um possível conluio com a candidatura Trump.

Ontem, no seu primeiro comentário a respeito, em entrevista coletiva na Casa Branca, Trump declarou ser vítima da "maior caça às bruxas da história" dos EUA. Mas ele mesmo admitiu, em entrevista à rede de televisão NBC, que demitiu Comey por causa da investigação sobre a Rússia: "Quando decidi fazer isso, disse a mim mesmo, você sabe, essa história da Rússia com Trump é uma história fabricada."

Hoje, Trump embarcou para sua primeira viagem ao exterior. Começa pela Arábia Saudita, onde os EUA esperam vender US$ 110 bilhões em armas e articular uma aliança de países árabes sunitas contra o Irã e o terrorismo islâmico. Depois, vai a Israel, à Itália e à Bélgica.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Informação ultrassecreta revelada por Trump à Rússia veio de Israel

Os serviços secretos dos Estados Unidos advertiram Israel em janeiro que informes de inteligência passados ao governo Donald Trump poderiam vazar para a Rússia. Hoje o jornal The New York Times revelou que a fonte do segredo contados aos russos pelo próprio Trump foi Israel.

A informação é que a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante está planejando colocar bombas em computadores portáteis para explodir aviões. Levou os EUA a proibir o transporte desses computadores em voos saídos do Oriente Médio.

O segredo foi divulgado por Trump durante encontro com o ministro do Exterior da Rússia, Serguei Lavrov, e o embaixador russo em Washington, Serguei Kislyak, em 10 de maio. Em princípio, o governo israelense se negou a confirmar ter sido a fonte, mas dois agentes secretos disseram ao portal de notícias americano BuzzFeed News que Israel avisou os EUA sobre a nova ameaça à aviação comercial.

Para os serviços de inteligência de Israel, os "piores temores foram confirmados". Na sua primeira viagem ao exterior como presidente, Trump visita Israel em 22 e 23 de maio, onde certamente será cobrado pela indiscrição.

Nas últimas duas décadas, os serviços secretos dos EUA e de Israel intensificaram a cooperação tendo como principais alvos o Irã, a milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) palestino. Juntos, lançaram um ataque cibernético que atrasou o programa nuclear iraniano.

Pela lei americana, o presidente tem o direito de desclassificar qualquer informação confidencial. No caso, sem consultar o aliado que a forneceu corre o risco de entregar o agente e desmontar o plano que permitiu se infiltrar na máquina assassina do Estado Islâmico.

Até agora, o Estado Islâmico evitou ataques diretos contra Israel.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Trump é acusado de passar informações ultrassecretas à Rússia

Durante reunião com o ministro do Exterior da Rússia, Serguei Lavrov, e o embaixador russo em Washington, Serguei Kislyak, em 10 de maio, o presidente Donald Trump revelou informações ultraconfidenciais, acusou hoje o jornal The Washington Post. 

Essas informações seriam capazes de comprometer a fonte que descobriu que a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante planeja usar computadores portáteis para cometer atentados contra aviões comerciais.

A informação veio do serviço secreto de Israel, que conseguiu penetrar na máquina assassina do Estado Islâmico e não autorizou os Estados Unidos a repassá-la à Rússia. É tão sensível que os detalhes não foram revelados nem a países aliados e têm acesso restrito mesmo dentro dos serviços secretos dos EUA.

Para qualquer funcionário do governo americano, discutir o assunto com um país adversário seria ilegal. O presidente tem poder para desclassificar material secreto, mas não se espera que faça isso para contar vantagem sobre a "grande inteligência" que recebe todo dia sobre a ameaça terrorista, especialmente diante um país hostil aos interesses americanos.

O embaixador Kislyak está no centro da investigação sobre a interferência da Rússia na eleição presidencial dos EUA. O primeiro assessor de Segurança Nacional de Trump, general Michael Flynn, foi demitido por mentir ao vice-presidente Mike Pence sobre um encontro com Kislyak durante o período de transição. O ministro da Justiça e procurador-geral, Jeff Sessions, se declarou impedido de presidir o inquérito sobre a interferência russa por não ter revelado um encontro com Kislyak.

Um dia antes do encontro com os russos, o presidente demitiu o diretor-geral do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, James Comey, ao que tudo indica por investigar um possível conluio da campanha de Trump com a Rússia.

Como Trump está em guerra com a imprensa americana, não havia jornalistas dos EUA quando foram tiradas as fotos do encontro. Foram os russos que fizeram. Isso viola outra regra de proteção da segurança nacional dos EUA: nenhum estrangeiro pode entrar no Salão Oval da Casa Branca, o escritório do presidente, com equipamentos eletrônicos.

No início da noite, o assessor de Segurança Nacional de Trump, Herbert McMaster, fez uma breve declaração no jardim da Casa Branca para tentar desmentir a notícia: "O presidente e o ministro do Exterior revisaram ameaças comuns de organizações terroristas, inclusive à aviação. Em momento algum, foram discutidos métodos ou fontes de inteligência, e não foram reveladas operações militares que ainda não fossem conhecidas publicamente."

terça-feira, 4 de outubro de 2016

EUA rompem diálogo com a Rússia sobre a guerra civil na Síria

Diante da intensificação dos bombardeios da Força Aérea da Rússia na Batalha de Alepo, o secretário de Estado americano, John Kerry, anunciou ontem o rompimento do diálogo com Moscou na busca de uma solução negociada para a guerra civil na Síria.

"Juntos, a Rússia e a Síria rejeitaram a diplomacia e parecem continuar perseguindo uma vitória militar sobre corpos destroçados, hospitais bombardeados e crianças traumatizadas numa terra que sofre há muito tempo", desabafou Kerry, citado pelo jornal The New York Times.

Os militares dos dois países vão manter o contato para evitar choques durante "operações antiterrorismo na Síria", esclareceram porta-vozes da diplomacia dos Estados Unidos.

Depois de um breve cessar-fogo no mês passado, a ditadura de Bachar Assad e sua aliada Rússia voltam a apostar numa vitória militar do regime sírio. Em 28 de setembro, o secretário Kerry advertiu o ministro do Exterior russo, Serguei Lavrov, que suspenderia o diálogo se o assalto a Alepo não parasse.

A Rússia rejeitou as exigências e acusou os EUA de apoiar terroristas na Síria. O regime de Assad acusa todos os inimigos de terrorismo, embora o maior terrorista na guerra civil síria seja ele, se considerarmos que terrorismo é um ataque indiscriminado contra civis inocentes escolhidos ao acaso para quebrar a fibra moral do inimigo.

Para não entregar o poder, Assad destruiu seu próprio país com a ajuda do Irã e da Rússia, e a conivência indiferente da sociedade internacional.

O Brasil votou sistematicamente com a China e a Rússia no Conselho de Segurança das Nações Unidas, evitando a condenação do regime sírio sob a alegação de que serviria de pretexto para uma intervenção militar como a que derrubou o ditador Muamar Kadafi na Líbia.

Quando o presidente Barack Obama mandou a Força Aérea dos EUA bombardear a milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante para impedir o genocídio do povo yazidi, em agosto de 2014, a então presidente Dilma Rousseff propôs diálogo durante uma entrevista coletiva em Nova York durante a Assembleia Geral da ONU. Com o Estado Islâmico?

A responsabilidade do presidente Barack Obama também não pode ser ignorada. O presidente americano ameaçou bombardear as forças do regime se Assad usasse armas químicas na guerra.

Depois de um ataque que matou mais de mil pessoas na periferia da capital, Damasco, em agosto de 2013, Obama não cumpriu a ameaça. Aceitou um acordo mediado pela Rússia para supostamente acabar com o arsenal químico da Síria. Os ataques químicos esporádicos continuam até hoje.

Dois anos depois da hesitação de Obama, em 30 de setembro de 2015, a Força Aérea da Rússia entrou na guerra civil da Síria a pretexto de combater o terrorismo com uma política de terra arrasada semelhante à usada pelo protoditador Vladimir Putin na Guerra da Chechênia.

Na prática, a Rússia interveio para sustentar o regime e voltar a ser um ator geopolítico importante no Oriente Médio, o que a antiga União Soviética deixara de ser em 1977, quando o então presidente do Egito, Anuar Sadat, abandonou Moscou e se aliou a Washington para recuperar a Península do Sinai, ocupada por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967.

No momento, há pouco que os EUA possam fazer além de criticar a Rússia. Não vão correr o risco de uma guerra nuclear para defender a Síria. Mas junto com seus aliados na região vão continuar armando alguns grupos rebeldes ditos moderados.

Com a revolta da maioria sunita contra Assad, é altamente improvável uma paz estável na Síria sem a saída do ditador e o objetivo da guerra civil desde o começo é manter Assad no poder. A tragédia síria continua.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

EUA e Rússia anunciam trégua e plano de paz para a Síria

Os Estados Unidos e a Rússia chegaram a um acordo para acabar com a guerra civil na Síria que inclui um cessar-fogo no país inteiro e uma transição política, anunciou hoje o secretário de Estado americano, John Kerry, depois de encontro com o ministro do Exterior russo, Serguei Lavrov, em Genebra, na Suíça.

Depois de cinco anos de guerra civil em que mais de 400 mil pessoas foram mortas e 5 milhões fugiram do país, Kerry descreveu o acordo como um "momento da virada" para "reduzir a violência, aliviar o sofrimento e retomar o movimento rumo a uma paz negociada e uma transição política na Síria".

A trégua entre a ditadura de Bachar Assad, apoiada pelo Rússia, o Irã e a milícia extremista xiita libanesa Hesbolá, e os diversos grupos rebeldes apoiados pelos Estados Unidos, a Europa, a Turquia, a Arábia Saudita e outros países do Oriente Médio entra em vigor ao pôr-do-sol da segunda-feira, 12 de setembro de 2016. O cessar-fogo vai permitir a chegada de ajuda humanitária às regiões mais críticas como a parte da cidade de Alepo tomada pelos rebeldes e cercada pelo Exército.

Apesar das divergências, os EUA e a Rússia estão unidos no combate a organizações terroristas como o Estado Islâmico do Iraque e do Levante e a Frente de Combate no Levante (Jabhat Fatah al-Cham), criada pela rede terrorista Al Caeda.

O acordo pede o fim dos bombardeios da Força Aérea da Síria e a suspensão de missões de combate contra forças rebeldes, com a exceção das duas milícias terroristas citadas acima. O Estado Islâmico opera sozinho, mas a Frente de Combate no Levante está aliada a outros grupos islamistas no Exército da Conquista. Isso pode permitir a Assad continuar atacando os rebeldes.

A guerra civil da Síria chegou a um impasse. O regime sírio não consegue derrotar os rebeldes nem estes tiveram força para tomar o poder em Damasco. Com a intervenção militar da Rússia, a partir de 30 de setembro de 2015, Assad viu uma esperança de conseguir a vitória no campo de batalha. Fortalecido, não parece disposto a fazer concessões na mesa de negociações a oposicionistas que desqualifica como "terroristas".

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

OTAN reinicia cooperação com a Rússia

Diante de um inimigo comum, o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos Estados Unidos, está retomando a cooperação com a Rússia, anunciou hoje seu secretário-geral, o ex-primeiro-ministro norueguês Jens Stoltenberg.

O contato foi rompido em 2014 por causa da intervenção militar russa na ex-república soviética da Ucrânia. Stoltenberg citou progressos na implementação do Acordo de Paz de Minsk entre Rússia e Ucrânia, mas reconheceu o aumento das violações do cessar-fogo e o risco de reinício das hostilidades.

Antes do anúncio formal, o ministro do Exterior russo, Serguei Lavrov, havia revelado que os contatos entre a Rússia e o Ocidente estavam sendo restabelecidos gradualmente.

Um acerto entre os EUA e a Rússia é fundamental para acabar com a guerra civil na Síria. Enquanto os EUA e a Europa exigem a saída do ditador Bachar Assad, a Rússia insiste que ele é o governante legítimo do país. Sem o fim do conflito, será difícil derrotar o Estado Islâmico.

domingo, 15 de novembro de 2015

EUA e Rússia apresentam cronograma para a paz na Síria

Sob a liderança dos Estados Unidos e da Rússia, 17 países aprovaram hoje em Viena, na Áustria, um cronograma para acabar com a guerra civil na Síria, anunciaram em entrevista coletiva o secretário de Estado americano, John Kerry, e o ministro do Exterior russo, Serguei Lavrov, noticiou a agência Bloomberg.

Na primeira etapa, as Nações Unidas vão convocar uma conferência de paz entre o governo sírio e representantes da oposição a ser realizada até 1º de janeiro de 2016. A partir daí, o regime de Bachar Assad e os grupos de oposição reconhecidos internacionalmente teriam seis meses para negociar um cessar-fogo definitivo.

Uma nova Constituição da Síria deve ser redigida dentro de um ano e meio para permitir a realização de eleições em 2017.

Há uma lista de grupos armados que não participação das negociações, como o Estado Islâmico do Iraque e do Levante e a Frente al-Nusra, braço armado da rede terrorista Al Caeda na guerra civil síria. Assim, podem ser alvo de ataques depois do cessar-fogo.

O futuro do ditador Bachar Assad, um dos temas de discórdia entre os EUA e a Rússia, não foi mencionado. Há anos, os EUA, a União Europeia, a Turquia, a Arábia Saudita e as outras monarquias petroleiras do Golfo Pérsico exigem a queda de Assad como precondição para qualquer acordo de paz na Síria.

Do outro lado, a Rússia alega que o regime de Assad é o único governo legítimo da Síria e o Irã só aceita a saída do ditador se ele for derrotado nas urnas. Mas parece que a posição russa está mais flexível agora que Moscou e Washington têm um inimigo em comum. O Kremlin estaria disposto a aceitar o afastamento de Assad num período de transição.

domingo, 13 de setembro de 2015

Rússia reforça ajuda militar a Bachar Assad na Síria

A Rússia vai manter o apoio à ditadura de Bachar Assad, reafirmou hoje o ministro do Exterior russo, Serguei Lavrov, acrescentando que especialistas russos vão orientar as forças do governo da Síria no uso dos equipamentos comprados de Moscou, noticiou a agência Reuters.

Há poucos dias, imagens de satélite revelaram a chegada de um comboio de caminhões com ajuda da Rússia ao regime sírio. Oficialmente era apenas ajuda humanitária, mas ninguém conferiu o conteúdo da carga entregue am áreas dominadas por Assad.

Sob pressão internacional da Europa e dos Estados Unidos para aceitar um acordo que exclua Assad do futuro governo da Síria, o presidente Vladimir Putin deve discursar neste mês na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Deve explicar suas posições sobre a Síria, a Ucrânia, a crise econômica internacional, a queda nos preços do petróleo e as sanções internacionais contra a economia da Rússia.

A Síria é sede da única base naval da Rússia no Mar Mediterrâneo. Putin quer preservá-la. Defender Assad tornou-se uma questão de honra para o autoritário líder russo. É mais uma batalha de sua guerrilha particular contra o Ocidente.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Arábia Saudita: não há lugar para Assad no futuro da Síria

Durante encontro hoje com o ministro do Exterior da Rússia, Serguei Lavrov, a Arábia Saudita reafirmou hoje sua determinação de que o ditador Bachar Assad terá de sair para a guerra civil na Síria acabar, declarou o chanceler saudita, Adel al Jubeir, citado pela agência Reuters.

De sua parte, Lavrov disse que o encontro não resolveu as diferenças de posição dos dois países. A Rússia é aliada da ditadura de Assad e tem na Síria sua única base naval no Mar Mediterrâneo.

Com a ameaça do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Moscou quer aproveitar a oportunidade para iniciar negociações de paz entre o regime sírio e seus inimigos sunitas em busca de um acordo para dividir o poder.

Desde o início da guerra civil síria, em 15 de março de 2011, a Arábia Saudita apoia os rebeldes sunitas. Os sunitas são a maioria da população da Síria, mas o governo é dominado pela minoria alauíta, uma das seitas do xiismo.

As oposições, dos Estados Unidos, da União Europeia e dos regimes árabes sunitas admitem dividir o poder com o atual governo, desde que o ditador caia fora.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Rússia promete diálogo com novo presidente da Ucrânia

A Rússia está aberta ao diálogo com o novo presidente ucraniano, o bilionário Petro Porochenko, o rei do chocolate, quando a apuração estiver concluída, mas a Ucrânia deve encerrar as operações militares contra os separatistas aliados de Moscou, declarou hoje o ministro do Exterior russo, Serguei Lavrov.

Em entrevista coletiva como presidente eleito, Porochenko também se declarou aberto ao diálogo, mas não com "terroristas", desqualificando os separatistas que pegaram em armas sob a inspiração do Kremlin depois da queda do presidente Viktor Yanukovich, em 22 de fevereiro de 2014, em meio a uma revolta popular.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Rússia pede neutralidade à Ucrânia

O ministro do Exterior da Rússia, Serguei Lavrov, pediu hoje garantias legais de que a Ucrânia será um país neutro e não se torne membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Ele acrescentou que a Rússia está pronta para negociações com os Estados Unidos, a União Europeia e a Ucrânia na próxima semana, e que a dívida ucraniana estará em pauta.

A Ucrânia deve US$ 2,2 bilhões à Gazprom, a empresa estatal russa de gás. Ontem, o presidente Vladimir Putin ameaçou cortar o fornecimento de gás através da Ucrânia. Isso afetaria 18 países da Europa.

Lavrov negou que a Rússia pretenda anexar novas regiões da Ucrânia, a exemplo do que aconteceu com a Crimeia depois de uma intervenção militar e de um referendo realizado às pressas em 16 de março de 2014 sem fiscalização internacional.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Ucrânia introduz eleições para governos regionais

Diante da pressão da Rússia por federalismo, o governo provisório da ex-república soviética da Ucrânia prometeu acabar com a nomeação dos governadores regionais e introduzir eleições diretas para o cargo. Um inquérito acusou a tropa de choque do governo pelas mais de cem mortes ocorridas na revolução de fevereiro de 2014.

O ex-presidente ucraniano Viktor Yanukovich, responsável pelas mortes, admitiu hoje que cometeu um erro ao pedir uma intervenção militar russa na Ucrânia e prometeu negociar a devolução da Crimeia com o presidente Vladimir Putin.

"A Crimeia é uma tragédia, uma grande tragédia", lamentou o presidente deposto.

Durante um de seus longos e improdutivos encontros com o secretário de Estado americano, John Kerry, o ministro do Exterior russo, Serguei Lavrov, sugeriu que o federalismo seria a melhor maneira de proteger a cultura e as populações russas da Ucrânia.

A Rússia mantém grande quantidade de tropas na fronteira, na análise da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar ocidental, capazes de lançar uma grande invasão em 12 horas e tomar a Ucrânia em três a cinco dias.

quinta-feira, 20 de março de 2014

EUA amplia sanções ao Politburo de Putin

O presidente Barack Obama ampliou as sanções contra a Rússia depois que a Duma do Estado (Câmara) aprovou a anexação da Crimeia, acrescentando mais de 12 pessoas e um banco. Todos estão proibidos de viajar aos EUA e de fazer negócios com empresas e cidadãos americanos. A lista ampliada de Obama inclui muita gente próxima ao homem-forte do Kremlin, Vladimir Putin.

Nenhum dos punidos tem bens ou negócios nos Estados Unidos. Os alvos são do círculo íntimo de Putin, do novo Politburo da Rússia. Para não prejudicar futuras negociações, o presidente e o ministro do Exterior, Serguei Lavrov, foram excluídos.

O principal nome da nova lista é o chefe da Casa Civil do Kremlin, Serguei Ivanov. Um dos assessores mais próximos de Putin, chegou a ser cogitado para a Presidência em 2008, quando foi o atual primeiro-ministro Dimitri Medvedev acabou sendo o escolhido. Era um dos principais negociadores russos em questões de defesa com os EUA e a Organização do Tratado do Atlântico (OTAN).

Outro membro da intimidade do poder na Rússia listado por Obama é Yuri Kovalchuk, diretor do Banco da Rússia.

Um dos principais assessores do presidente para economia e finanças do presidente, Kovalchuk é conhecido como o banqueiro pessoal de Putin. É quem sabe onde onde o homem-forte do Kremlin esconde seu dinheiro, uma fortuna estimada em US$ 40 bilhões depois do festival de corrupção da Olimpíada de Inverno de Sóchi, a mais cara da história.

Guenadi Timchenko, dono da Gunvor, empresa registrada em Chipre com sede na Suíça que comercializa gás e petróleo, não teve participação direta na intervenção militar na Ucrânia e na anexação da Crimeia à Rússia. Mas está na lista. Tem fama de ser o negociador secreto de Putin em transações de petróleo e gás.

sexta-feira, 14 de março de 2014

EUA e Rússia não se entendem sobre Ucrânia

A dois dias do referendo sobre a região da Crimeia convocado a ponta de Kalachnikov, o secretário de Estado americano, John Kerry, e o ministro do Exterior russo, Serguei Lavrov, fizeram mais um encontro inútil em Londres, durante seis horas, sem chegar a nenhuma posição comum.

Com o cinismo e a cara-de-pau habituais, o chanceler da Rússia afirmou que o presidente Vladimir Putin ainda não tomou uma decisão sobre a anexação da Crimeia, preferindo esperar pela consulta popular como se esta fosse legítima.

O referendo foi convocado por um governo pró-russo da Crimeia formado numa votação sem o quorum mínimo depois que o parlamento regional foi tomado por homens armados não identificados, mas que todo o mundo, menos Putin e a cúpula do Kremlin, sabe que são russos.

A Rússia alega que os cidadãos de origem russa estão sendo ameaçados por um governo ilegítimo formado depois de um "golpe" contra o presidente Viktor Yanukovich, que na verdade fugiu da Ucrânia para não ser preso depois de mandar a polícia de choque atacar manifestantes na Praça da Independência, em Kiev. É uma alegação tão falsa quanto a de Hitler em relação a alemães para justificar invasões antes da Segunda Guerra Mundial.

Os Estados Unidos e a União Europeia condenam o referendo como ilegal à luz do direito internacional. A Constituição da Ucrânia exige que consultas populares sobre alterações de fronteiras sejam votadas pelo país inteiro.

Em represália, a UE e os EUA ameaçam impor sanções à Rússia já na segunda-feira.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Assad exige fim de ameaça para entregar armas

Em tom de desafio, o ditador Bachar Assad, reassegurado pelo adiamento do bombardeio dos Estados Unidos à Síria diante da iniciativa diplomática da Rússia, admitiu pela primeira vez que seu regime tem armas químicas, mas exigiu o fim da ameaça de uso da força para entregar suas armas químicas para destruição pelas Nações Unidas.

Durante entrevista à televisão russa, Assad reafirmou a disposição de seu governo de assinar a Convenção sobre a Proibição do Desenvolvimento, Fabricação, Estocagem e Uso de Armas Químicas e sua Destruição. Isso lhe daria 30 dias para revelar onde estão as armas proibidas.

"Isso não vai acontecer unilateralmente", advertiu Assad. "Os EUA precisam parar de ameaçar a Síria".

Neste momento, o secretário de Estado americano, John Kerry, e o ministro do Exterior russo, Serguei Lavrov, acabam de dar entrevista coletiva em que os EUA advertiram que a negociação "não é um jogo" e que "deve haver consequências" se o acordo não for cumprido.

Lavrov alegou que a posição política da Rússia estava claramente exposta em artigo do presidente Vladimir Putin publicado ontem no jornal The New York Times, alegando que ignorar o Conselho de Segurança levaria a ONU ao mesmo destino da Liga das Nações, extinta depois de não conseguir evitar a Segunda Guerra Mundial.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Obama admite suspender ataque se Síria entregar armas

O presidente Barack Obama considerou positiva a proposta da Rússia para que os Estados Unidos suspendam o ataque punitivo à Síria se a ditadura de Bachar Assad concordar em entregar suas armas químicas às Nações Unidas.

Em entrevista em Londres hoje pela manhã, o secretário de Estado americano, John Kerry, admitiu que a maneira de evitar o bombardeio seria a Síria abrir mão de suas armas químicas, colocando-as sob supervisão internacional.

Pouco depois, o ministro do Exterior da Rússia, Serguei Lavrov, entrou em contato com o regime de Assad para levar adiante a proposta e o secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, ficou de apresentar a solução ao Conselho de Segurança.

À tarde, em entrevista à rede de televisão americana NBC, Obama considerou a proposta um "avanço significativo", mas manifestou dúvidas quanto ao real compromisso do governo sírio de se desfazer das armas: "Vamos ver. John Kerry vai falar com seu colega russo. Vamos ver até onde estas propostas são sérias".

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Rússia nega vender armas "ilegalmente" à Síria

Diante de acusações da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, de que a Rússia está vendendo helicópteros de combate à Síria em meio a uma guerra civil com mais de 12 mil mortes, o ministro do Exterior russo, Serguei Lavrov, negou que seu país venda armas "ilegalmente" à ditadura de Bachar Assad. Ele acusou os Estados Unidos de armas os rebeldes que lutam há um ano e três meses contra o regime sírio.

A chefe da diplomacia dos EUA rejeitou a acusação de armar os rebeldes, mas os analistas militares temem que os recentes massacres e o fluxo de armas poderosas para os dois lados transforme o conflito numa guerra civil em grande escala, informa hoje o jornal The New York Times.