Durante encontro hoje com o ministro do Exterior da Rússia, Serguei Lavrov, a Arábia Saudita reafirmou hoje sua determinação de que o ditador Bachar Assad terá de sair para a guerra civil na Síria acabar, declarou o chanceler saudita, Adel al Jubeir, citado pela agência Reuters.
De sua parte, Lavrov disse que o encontro não resolveu as diferenças de posição dos dois países. A Rússia é aliada da ditadura de Assad e tem na Síria sua única base naval no Mar Mediterrâneo.
Com a ameaça do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Moscou quer aproveitar a oportunidade para iniciar negociações de paz entre o regime sírio e seus inimigos sunitas em busca de um acordo para dividir o poder.
Desde o início da guerra civil síria, em 15 de março de 2011, a Arábia Saudita apoia os rebeldes sunitas. Os sunitas são a maioria da população da Síria, mas o governo é dominado pela minoria alauíta, uma das seitas do xiismo.
As oposições, dos Estados Unidos, da União Europeia e dos regimes árabes sunitas admitem dividir o poder com o atual governo, desde que o ditador caia fora.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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terça-feira, 11 de agosto de 2015
sexta-feira, 22 de maio de 2015
Terrorista suicida ataca mesquita xiita na Arábia Saudita
Um homem-bomba matou 19 pessoas hoje num atentado terrorista contra uma mesquita xiita na Província Oriental da Arábia Saudita, onde se contra a maior parte da minoria xiita, de cerca de 20% do total da população do país. O Estado Islâmico do Iraque e do Levante reivindicou a autoria do ataque.
A Província Oriental é uma grande região produtora de petróleo que seria afetada por uma luta permanente contra o terrorismo. Isso deve atrair grande parte de agentes nos próximos dias, mas será uma operação permeada pela marginalização histórica dos xiitas na Arábia Saudita, dominada pelo wahabismo, uma seita radical do sunismo.
O terrorista entrou na mesquita situada na cidade de Katife e se autodetonou durante a oração do meio-dia, a mais importante da sexta-feira, dia da folga religiosa semanal dos muçulmanos.
Nos últimos meses, o governo saudita criou tribunais especiais antiterrorismo para examinar milhares de casos de prisão. O número de execuções aumentou bastante. Um anúncio do governo abrindo empregos para carrascos foi motivo da piada na Internet. O número de decapitações reflete a insegurança do regime.
Vários ataques realizados ou inspirados pelo Estado Islâmico visaram a região central da Arábia Saudita, de maioria sunita. O novo príncipe herdeiro nomeado pelo sultão Salman, Mohamed ben Nayef, há muito tempo ministro do Exterior e chefe do combate ao terrorismo, tem força renovada para aplicar a linha dura.
A Província Oriental é uma grande região produtora de petróleo que seria afetada por uma luta permanente contra o terrorismo. Isso deve atrair grande parte de agentes nos próximos dias, mas será uma operação permeada pela marginalização histórica dos xiitas na Arábia Saudita, dominada pelo wahabismo, uma seita radical do sunismo.
O terrorista entrou na mesquita situada na cidade de Katife e se autodetonou durante a oração do meio-dia, a mais importante da sexta-feira, dia da folga religiosa semanal dos muçulmanos.
Nos últimos meses, o governo saudita criou tribunais especiais antiterrorismo para examinar milhares de casos de prisão. O número de execuções aumentou bastante. Um anúncio do governo abrindo empregos para carrascos foi motivo da piada na Internet. O número de decapitações reflete a insegurança do regime.
Vários ataques realizados ou inspirados pelo Estado Islâmico visaram a região central da Arábia Saudita, de maioria sunita. O novo príncipe herdeiro nomeado pelo sultão Salman, Mohamed ben Nayef, há muito tempo ministro do Exterior e chefe do combate ao terrorismo, tem força renovada para aplicar a linha dura.
domingo, 7 de dezembro de 2014
Arábia Saudita prende 135 suspeitos de terrorismo
Em uma grande operação em várias cidades, a polícia da Arábia Saudita prendeu 135 suspeitos de terrorismo, revelou hoje o Ministério do Interior, citado pela agência de notícias Associated Press (AP). Pelo menos 26 presos são estrangeiros, sendo 16 sírios.
Os detidos são acusados de contrabandear armas, financiar extremistas e planejar ataques contra o reino saudita.
A Arábia Saudita, grande aliada e provedora de petróleo para os Estados Unidos, é a origem ideológica do salafismo, filho do wahabismo, a corrente do islamismo adotada como religião oficial do país, que vê todas as outras como suspeitas e está na raiz do jihadismo, a "guerra santa" permanente contra os infiéis.
Com a riqueza do petróleo, a partir da crise de 1973, esta monarquia absolutista com 6 mil príncipes e escasso controle sobre seus gastos transformou-se na grande exportadora e financiadora do extremismo muçulmano sunita.
Desde a vitória da Revolução Islâmica no Irã, idealizada pelo salafista egípcio Said Kutub, mas posta em prática pelo aiatolá Ruhollah Khomeini, um xiita, a Arábia Saudita disputa com o Irã uma supremacia ideológica sobre o islamismo.
Nas ruas do Califado autoproclamado em junho de 2013 no Norte do Iraque e parte da Síria pelo Estado Islâmico, sua polícia age com a mesma determinação e o rigor do Ministério de Propagação da Virtude e Combate ao Vício, a polícia religiosa saudita.
É a legitimidade do regime saudita que está em jogo quando combate os extremistas. O país se considera porta-voz e controlador dos islamitas radicais. Estes, por sua vez, consideram a família real saudita o exemplo da traição por sua aliança histórica com os EUA.
Os detidos são acusados de contrabandear armas, financiar extremistas e planejar ataques contra o reino saudita.
A Arábia Saudita, grande aliada e provedora de petróleo para os Estados Unidos, é a origem ideológica do salafismo, filho do wahabismo, a corrente do islamismo adotada como religião oficial do país, que vê todas as outras como suspeitas e está na raiz do jihadismo, a "guerra santa" permanente contra os infiéis.
Com a riqueza do petróleo, a partir da crise de 1973, esta monarquia absolutista com 6 mil príncipes e escasso controle sobre seus gastos transformou-se na grande exportadora e financiadora do extremismo muçulmano sunita.
Desde a vitória da Revolução Islâmica no Irã, idealizada pelo salafista egípcio Said Kutub, mas posta em prática pelo aiatolá Ruhollah Khomeini, um xiita, a Arábia Saudita disputa com o Irã uma supremacia ideológica sobre o islamismo.
Nas ruas do Califado autoproclamado em junho de 2013 no Norte do Iraque e parte da Síria pelo Estado Islâmico, sua polícia age com a mesma determinação e o rigor do Ministério de Propagação da Virtude e Combate ao Vício, a polícia religiosa saudita.
É a legitimidade do regime saudita que está em jogo quando combate os extremistas. O país se considera porta-voz e controlador dos islamitas radicais. Estes, por sua vez, consideram a família real saudita o exemplo da traição por sua aliança histórica com os EUA.
terça-feira, 28 de outubro de 2014
Arábia Saudita congela reaproximação com o Irã
Depois de seis meses de uma tentativa de se aproximar pela primeira vez da rival República Islâmica do Irã, a Arábia Saudita abortou a iniciativa diplomática por entender que não está ajudando a conter o regime dos aiatolás. Ao contrário, estaria abrindo espaço para aumentar a influência iraniana no Oriente Médio.
Numa reviravolta, o governo saudita passou a enfrentar o Irã em todas as frentes, como em guerras indiretas no Iêmen, na Síria e no Iraque. Acredita que precisa acumular força para ter melhores condições de negociar.
A Arábia Saudita, onde ficam as cidades sagradas de Meca e Medina, se considera guardiã dos princípios do islamismo e do mundo árabe. Sob a perspectiva saudita, o Irã é um grande país persa situado na extremidade leste do Oriente Médio que usa o xiismo, a sua corrente do islamismo, para projetar seu poderio no mundo árabe.
Com a queda da ditadura sunita de Saddam Hussein, a maioria xiita assumiu o poder no Iraque. Há então hoje um arco xiita que começa no Irã e segue pelo Iraque, a Síria e o Líbano até o Mar Mediterrâneo.
Os sauditas professam o wahabismo ou salafismo, uma seita ultrapuritana do islamismo, a mesma da rede terrorista Al Caeda (Ossama ben Laden era saudita) e do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que vê o xiismo como um desvio do verdadeiro Islã.
Desde maio, quando a Arábia Saudita anunciou disposição de iniciar um diálogo com seu maior adversário geopolítico, houve uma série de encontros bilaterais públicos. O último foi em 22 de setembro, em Nova York, durante a Assembleia-Geral das Nações Unidas, quando se reuniram os ministros do Exterior iraniano, Javad Zarif, e saudita, príncipe Saud al-Faissal.
Por um momento, parecia que a ameaça comum do Estado Islâmico pressionava as duas potências regionais a trabalhar em conjunto pela segurança do Oriente Médio. Há um conflito entre sunitas e xiitas que vai da região ao leste de Bagdá, no Iraque, até o Líbano, passando pela Síria.
Na região mais conflagrada do mundo, o diálogou não durou. Em 13 de outubro, ao receber o ministro do Exterior da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, em Jedá, o príncipe Saud atacou o Irã, acusando-o de manter forças de ocupação na Síria, no Iraque e no Iêmen.
O chanceler saudita responsabilizou a república islâmica por vários conflitos na região e advertiu: "Se o Irã quiser ser parte da solução na Síria, deve retirar suas forças de lá e de outros países."
Foi um golpe no diálogo. Para o principal negociador iraniano, o vice-ministro do Exterior, Amir Abdollahian, "se os comentários foram citados com precisão, pode-se dizer que vão contra a atmosfera existente. Sugerimos que a Arábia Saudita seja cautelosa com teorias conspiratórias e não perca a chance de ter um papel positivo na região."
Na visão saudita, as propostas iranianas de uma fraternidade pan-islâmica e união entre sunitas e xiitas são demagógicas e dissimuladas. Tentam criar uma falsa sensação de coexistência pacífica que os sauditas e outros sunitas consideram inviável. Assim, só podem ser neutralizadas se os sunitas tiverem uma posição negociadora forte. A própria disposição para negociar seria vista como sinal de fraqueza pelo rival.
A Arábia Saudita vê na república teocrática iraniana uma ameaça à sua monarquia absolutista. A Primavera Árabe derrubou repúblicas autoritárias e fracassou em todos os países, menos na Tunísia, sem afetar diretamente as monarquias petroleiras. Mas deixou no ar uma pressão latente por reformas até mesmo na monolítica elite saudita.
Ao mesmo tempo, aumentou o espaço de manobra do Irã, que chegou a saudar os movimentos pela democracia da Primavera Árabe como um "renascimento muçulmano" em repúdio a ditadores apoiados pelo Ocidente.
O governo saudita apostava na queda de Bachar Assad na Síria para minar a influência iraniana no mundo árabe, mas o ditador resistiu. Os rebeldes apoiados pelos sauditas foram menos capazes no campo de batalha do que a Frente al-Nusra, ligada à rede Al Caeda, e o Estado Islâmico. A relutância do presidente Barack Obama em apoiar a estratégia de mudança de regime na Síria irritou os sauditas.
Sob pressão por causa da difusão do fundamentalismo sunita que exporta desde que enriqueceu com a crise do petróleo dos anos 1970s, a Arábia Saudita está mais fraca no momento, enquanto o Irã se reabilita perante a sociedade internacional negociando com os Estados Unidos uma possível desmilitarização de seu programa nuclear.
Os EUA e o Irã ainda têm um considerável progresso a fazer se quiserem chegar a um acordo nuclear até a data-limite de 24 de novembro de 2014. Mesmo sem acordo, nenhum dos dois países tem interesse em desprezar o avanço nas relações bilaterais desde que aiatolá moderado Hassan Rouhani foi eleito presidente do Irã. Estavam rompidos desde a invasão da Embaixada dos EUA em Teerã, em 1979, depois da revolução islâmica.
Uma das principais revelações dos documentos do Departamento de Estado americano vazados pelo WikiLeaks há poucos anos foi um apelo do sultão da Arábia Saudita para que os EUA atacassem o Irã para destruir seu programa nuclear. Uma bomba atômica iraniana certamente vai deflagrar uma corrida armamentista nuclear no Oriente Médio.
Agora, os sauditas estão convencidos de que têm de cuidar eles mesmo de sua segurança. Estão treinado rebeldes sírios na Turquia com o apoio dos EUA, mas organizam seus próprios aliados para lutar contra o grupo xiita huti no Iêmen. O desafio é como enfrentar o Irã sem fortalecer milícias jihadistas como o Estado Islâmico.
Enquanto o conflito Irã-Arábia Saudita não for controlado, o esforço de guerra dos EUA e seus aliados contra o Estado Islâmico será enfraquecido e o Oriente Médio ficará sob a ameaça de uma grande conflagração entre sunitas e xiitas.
Para agravar a situação, um tribunal saudita condenou à morte recentemente o xeque Nimr al-Nimr, um clérigo dissidente xiita preso em 2012.
Numa reviravolta, o governo saudita passou a enfrentar o Irã em todas as frentes, como em guerras indiretas no Iêmen, na Síria e no Iraque. Acredita que precisa acumular força para ter melhores condições de negociar.
A Arábia Saudita, onde ficam as cidades sagradas de Meca e Medina, se considera guardiã dos princípios do islamismo e do mundo árabe. Sob a perspectiva saudita, o Irã é um grande país persa situado na extremidade leste do Oriente Médio que usa o xiismo, a sua corrente do islamismo, para projetar seu poderio no mundo árabe.
Com a queda da ditadura sunita de Saddam Hussein, a maioria xiita assumiu o poder no Iraque. Há então hoje um arco xiita que começa no Irã e segue pelo Iraque, a Síria e o Líbano até o Mar Mediterrâneo.
Os sauditas professam o wahabismo ou salafismo, uma seita ultrapuritana do islamismo, a mesma da rede terrorista Al Caeda (Ossama ben Laden era saudita) e do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que vê o xiismo como um desvio do verdadeiro Islã.
Desde maio, quando a Arábia Saudita anunciou disposição de iniciar um diálogo com seu maior adversário geopolítico, houve uma série de encontros bilaterais públicos. O último foi em 22 de setembro, em Nova York, durante a Assembleia-Geral das Nações Unidas, quando se reuniram os ministros do Exterior iraniano, Javad Zarif, e saudita, príncipe Saud al-Faissal.
Por um momento, parecia que a ameaça comum do Estado Islâmico pressionava as duas potências regionais a trabalhar em conjunto pela segurança do Oriente Médio. Há um conflito entre sunitas e xiitas que vai da região ao leste de Bagdá, no Iraque, até o Líbano, passando pela Síria.
Na região mais conflagrada do mundo, o diálogou não durou. Em 13 de outubro, ao receber o ministro do Exterior da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, em Jedá, o príncipe Saud atacou o Irã, acusando-o de manter forças de ocupação na Síria, no Iraque e no Iêmen.
O chanceler saudita responsabilizou a república islâmica por vários conflitos na região e advertiu: "Se o Irã quiser ser parte da solução na Síria, deve retirar suas forças de lá e de outros países."
Foi um golpe no diálogo. Para o principal negociador iraniano, o vice-ministro do Exterior, Amir Abdollahian, "se os comentários foram citados com precisão, pode-se dizer que vão contra a atmosfera existente. Sugerimos que a Arábia Saudita seja cautelosa com teorias conspiratórias e não perca a chance de ter um papel positivo na região."
Na visão saudita, as propostas iranianas de uma fraternidade pan-islâmica e união entre sunitas e xiitas são demagógicas e dissimuladas. Tentam criar uma falsa sensação de coexistência pacífica que os sauditas e outros sunitas consideram inviável. Assim, só podem ser neutralizadas se os sunitas tiverem uma posição negociadora forte. A própria disposição para negociar seria vista como sinal de fraqueza pelo rival.
A Arábia Saudita vê na república teocrática iraniana uma ameaça à sua monarquia absolutista. A Primavera Árabe derrubou repúblicas autoritárias e fracassou em todos os países, menos na Tunísia, sem afetar diretamente as monarquias petroleiras. Mas deixou no ar uma pressão latente por reformas até mesmo na monolítica elite saudita.
Ao mesmo tempo, aumentou o espaço de manobra do Irã, que chegou a saudar os movimentos pela democracia da Primavera Árabe como um "renascimento muçulmano" em repúdio a ditadores apoiados pelo Ocidente.
O governo saudita apostava na queda de Bachar Assad na Síria para minar a influência iraniana no mundo árabe, mas o ditador resistiu. Os rebeldes apoiados pelos sauditas foram menos capazes no campo de batalha do que a Frente al-Nusra, ligada à rede Al Caeda, e o Estado Islâmico. A relutância do presidente Barack Obama em apoiar a estratégia de mudança de regime na Síria irritou os sauditas.
Sob pressão por causa da difusão do fundamentalismo sunita que exporta desde que enriqueceu com a crise do petróleo dos anos 1970s, a Arábia Saudita está mais fraca no momento, enquanto o Irã se reabilita perante a sociedade internacional negociando com os Estados Unidos uma possível desmilitarização de seu programa nuclear.
Os EUA e o Irã ainda têm um considerável progresso a fazer se quiserem chegar a um acordo nuclear até a data-limite de 24 de novembro de 2014. Mesmo sem acordo, nenhum dos dois países tem interesse em desprezar o avanço nas relações bilaterais desde que aiatolá moderado Hassan Rouhani foi eleito presidente do Irã. Estavam rompidos desde a invasão da Embaixada dos EUA em Teerã, em 1979, depois da revolução islâmica.
Uma das principais revelações dos documentos do Departamento de Estado americano vazados pelo WikiLeaks há poucos anos foi um apelo do sultão da Arábia Saudita para que os EUA atacassem o Irã para destruir seu programa nuclear. Uma bomba atômica iraniana certamente vai deflagrar uma corrida armamentista nuclear no Oriente Médio.
Agora, os sauditas estão convencidos de que têm de cuidar eles mesmo de sua segurança. Estão treinado rebeldes sírios na Turquia com o apoio dos EUA, mas organizam seus próprios aliados para lutar contra o grupo xiita huti no Iêmen. O desafio é como enfrentar o Irã sem fortalecer milícias jihadistas como o Estado Islâmico.
Enquanto o conflito Irã-Arábia Saudita não for controlado, o esforço de guerra dos EUA e seus aliados contra o Estado Islâmico será enfraquecido e o Oriente Médio ficará sob a ameaça de uma grande conflagração entre sunitas e xiitas.
Para agravar a situação, um tribunal saudita condenou à morte recentemente o xeque Nimr al-Nimr, um clérigo dissidente xiita preso em 2012.
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quarta-feira, 31 de janeiro de 2007
Iraque está em guerra civil, diz estudo americano
O Iraque já está em guerra civil, e o principal desafio é evitar que o conflito se amplie para uma conflagração regional de conseqüências imprevisíveis para o mundo inteiro, adverte um estudo da Brookings Institution, um importante centro de pesquisas conservador.
"A cada dia o Iraque se afunda mais profundamente no abismo da guerra civil", constata o relatório, assinado por Kenneth Pollack e David Byman, ex-analistas de Oriente Médio para o governo dos Estados Unidos. "Perguntar quem ganha com este tipo de conflito é como perguntar quem ganhou com o terremoto em São Francisco".
Na busca de soluções para o caos no Iraque, o relatório chamado O Desmoronamento: como conter as conseqüências da guerra civil no Iraque examina como as guerras civis no Líbano, no Afeganistão, na Bósnia-Herzegovina, em Ruanda, na Chechênia, no Tajiquistão e no Congo transformaram-se em conflitos internacionais.
Seus resultados foram crises de refugiados, aumento do terrorismo internacional, radicalização de países vizinhos, tentativas de secessão, grandes prejuízos econômicos, inclusive para os países vizinhos, e intervenção militar dos países vizinhos ou de potências regionais e mundiais.
"Muito poucas nações conseguiram evitar que uma guerra civil degenere num conflito total", admitem os autores, para em seguida fazer um 'mea culpa' pela nação americana: "Foi a arrogância diante da História que nos fez pensar que poderíamos invadir o Iraque sem preparar a ocupação. Deveríamos mostrar muito mais humildade ao aceitar as lições para enfrentarmos o que tememos possa ser a próxima fase trágica da História do Iraque".
Na opinião dos autores, "a única coisa que evita uma guerra civil devastadora como as do Líbano (1975-90) e da Bósnia (1992-95) é a presença no Iraque de 140 mil soldados americanos. A não ser que os EUA e o governo do Iraque adotem uma ação radical para mudar o rumo dos acontecimentos, a guerra civil será uma ameaça para todas as monarquias petroleiras do Golfo Pérsico".
Como foi a invasão americana que provocou o caos ao derrubar a ditadura de Saddam Hussein e destruir a máquina do Estado iraquiano, os EUA não podem se eximir de sua responsabilidade, adverte o documento: "O Iraque está caindo rapidamente rumo uma guerra civil total. Desafortunadamente, os EUA não poderão simplesmente fugir do caos. Mesmo esquecendo o pesadelo humanitário que se produziria, uma guerra civil em grande escala não se limitaria ao Iraque: historicamente este tipo de conflito tem efeitos muito nocivos nos países vizinhos e em outros. Um contágio da guerra civil iraquiana seria um desastre. Os EUA têm interesses demais no Oriente Médio para ignorar as conseqüências. É imperativo que os EUA elaborem um plano para evitar uma guerra civil total no Iraque".
Outro analista observou que o poder dos EUA no Oriente Médio atingiu o pico em março de 2005, depois das eleições no Iraque. Naquele momento, falava-se de reformas democráticas na Arábia Saudita, no Egito e na Jordânia, e os protestos contra ao assassinato do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri pressionavam a Síria a retirar suas forças do Líbano depois de 30 anos.
Hoje, o Iraque afunda numa guerra civil e no caos da segurança pública, o movimento de Resistência Islâmica (Hamas) ganhou as eleições palestinas, fala-se na formação de um crescente xiita unindo o Irã aos xiitas iraquianos com tentáculos chegando até a milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus), que resistiu a uma ofensiva israelense em julho e agosto, e agora tenta derrubar o governo do Líbano. O Irã foi o maior beneficiário da invasão do Iraque e avança em seu programa nuclear, apesar das sanções moderadas impostas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Para evitar uma guerra civil total no Iraque e uma conflagração regional no Oriente Médio, o estudo da Brookings Institution faz 13 recomendações ao governo dos EUA:
• não tentar escolher um vencedor, ou seja, não apoiar nenhuma facção;
• evitar a divisão do Iraque, que aumentaria as expulsões e a "faxina étnica" contra minorias;
• não deixar o problema nas mãos das Nações Unidas;
• retirar as forças dos EUA dos grandes centros populacionais, a não ser que se empreguem 450 mil soldados;
• ajudar os países vizinhos;
• reforçar a estabilidade regional;
• dissuadir os países vizinhos de intervir;
• indicar limites claros ao Irã;
• criar um grupo de contato para negociações diplomáticas;
• preparar-se para crises no suprimento de petróleo;
• conter os curdos, evitando que declarem a independência;
• atacar as bases terroristas; e
• estabelecer zonas de segurança nas fronteiras do Iraque.
Além das questões humanitárias, a guerra civil no Iraque ameaça alterar a composição étnica e religiosa dos países vizinhos por causa de migrações forçadas, provocando um contágio, especialmente do conflito entre sunitas e xiitas, e novas guerras civis que desestabilizem outros países criando uma situação de anarquia que contribui para a instalação de bases terroristas.
As conseqüências econômicas também costumam ser desastrosas para toda a região. No caso do Oriente Médio, como principal fonte do petróleo importado pelo resto do mundo, os efeitos negativos podem provocar um novo choque na economia internacional.
"A cada dia o Iraque se afunda mais profundamente no abismo da guerra civil", constata o relatório, assinado por Kenneth Pollack e David Byman, ex-analistas de Oriente Médio para o governo dos Estados Unidos. "Perguntar quem ganha com este tipo de conflito é como perguntar quem ganhou com o terremoto em São Francisco".
Na busca de soluções para o caos no Iraque, o relatório chamado O Desmoronamento: como conter as conseqüências da guerra civil no Iraque examina como as guerras civis no Líbano, no Afeganistão, na Bósnia-Herzegovina, em Ruanda, na Chechênia, no Tajiquistão e no Congo transformaram-se em conflitos internacionais.
Seus resultados foram crises de refugiados, aumento do terrorismo internacional, radicalização de países vizinhos, tentativas de secessão, grandes prejuízos econômicos, inclusive para os países vizinhos, e intervenção militar dos países vizinhos ou de potências regionais e mundiais.
"Muito poucas nações conseguiram evitar que uma guerra civil degenere num conflito total", admitem os autores, para em seguida fazer um 'mea culpa' pela nação americana: "Foi a arrogância diante da História que nos fez pensar que poderíamos invadir o Iraque sem preparar a ocupação. Deveríamos mostrar muito mais humildade ao aceitar as lições para enfrentarmos o que tememos possa ser a próxima fase trágica da História do Iraque".
Na opinião dos autores, "a única coisa que evita uma guerra civil devastadora como as do Líbano (1975-90) e da Bósnia (1992-95) é a presença no Iraque de 140 mil soldados americanos. A não ser que os EUA e o governo do Iraque adotem uma ação radical para mudar o rumo dos acontecimentos, a guerra civil será uma ameaça para todas as monarquias petroleiras do Golfo Pérsico".
Como foi a invasão americana que provocou o caos ao derrubar a ditadura de Saddam Hussein e destruir a máquina do Estado iraquiano, os EUA não podem se eximir de sua responsabilidade, adverte o documento: "O Iraque está caindo rapidamente rumo uma guerra civil total. Desafortunadamente, os EUA não poderão simplesmente fugir do caos. Mesmo esquecendo o pesadelo humanitário que se produziria, uma guerra civil em grande escala não se limitaria ao Iraque: historicamente este tipo de conflito tem efeitos muito nocivos nos países vizinhos e em outros. Um contágio da guerra civil iraquiana seria um desastre. Os EUA têm interesses demais no Oriente Médio para ignorar as conseqüências. É imperativo que os EUA elaborem um plano para evitar uma guerra civil total no Iraque".
Outro analista observou que o poder dos EUA no Oriente Médio atingiu o pico em março de 2005, depois das eleições no Iraque. Naquele momento, falava-se de reformas democráticas na Arábia Saudita, no Egito e na Jordânia, e os protestos contra ao assassinato do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri pressionavam a Síria a retirar suas forças do Líbano depois de 30 anos.
Hoje, o Iraque afunda numa guerra civil e no caos da segurança pública, o movimento de Resistência Islâmica (Hamas) ganhou as eleições palestinas, fala-se na formação de um crescente xiita unindo o Irã aos xiitas iraquianos com tentáculos chegando até a milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus), que resistiu a uma ofensiva israelense em julho e agosto, e agora tenta derrubar o governo do Líbano. O Irã foi o maior beneficiário da invasão do Iraque e avança em seu programa nuclear, apesar das sanções moderadas impostas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Para evitar uma guerra civil total no Iraque e uma conflagração regional no Oriente Médio, o estudo da Brookings Institution faz 13 recomendações ao governo dos EUA:
• não tentar escolher um vencedor, ou seja, não apoiar nenhuma facção;
• evitar a divisão do Iraque, que aumentaria as expulsões e a "faxina étnica" contra minorias;
• não deixar o problema nas mãos das Nações Unidas;
• retirar as forças dos EUA dos grandes centros populacionais, a não ser que se empreguem 450 mil soldados;
• ajudar os países vizinhos;
• reforçar a estabilidade regional;
• dissuadir os países vizinhos de intervir;
• indicar limites claros ao Irã;
• criar um grupo de contato para negociações diplomáticas;
• preparar-se para crises no suprimento de petróleo;
• conter os curdos, evitando que declarem a independência;
• atacar as bases terroristas; e
• estabelecer zonas de segurança nas fronteiras do Iraque.
Além das questões humanitárias, a guerra civil no Iraque ameaça alterar a composição étnica e religiosa dos países vizinhos por causa de migrações forçadas, provocando um contágio, especialmente do conflito entre sunitas e xiitas, e novas guerras civis que desestabilizem outros países criando uma situação de anarquia que contribui para a instalação de bases terroristas.
As conseqüências econômicas também costumam ser desastrosas para toda a região. No caso do Oriente Médio, como principal fonte do petróleo importado pelo resto do mundo, os efeitos negativos podem provocar um novo choque na economia internacional.
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terça-feira, 30 de janeiro de 2007
Atentados matam 42 no último dia da Achura
Uma série de atentados contra fiéis matou pelo menos 42 iraquianos no último dia da Achura, a mais importante festa religiosa do calendário xiita, que celebra o martírio do imã Hussein, neto do profeta Maomé, em 680.
O primeiro ataque matou 12 pessoas em Janakin, perto da fronteira com o Irã, durante uma procissão em que os xiitas se autoflagelavam, punindo-se por não terem acorrido em defesa de Hussein no século 7. Outras 17 pessoas morreram num ataque com morteiros contra o bairro de Adamia, no Noroeste de Bagdá. Em Dour Mondali, a 100 quilômetros a noroeste da capital iraquiana, um homem-bomba detonou seus explosivos quando estava no meio de uma multidão de 150 pessoas que entravam numa mesquista, matando 23 e ferindo outros 60.
Em 2004, atentados suicidas mataram 171 pessoas em Bagdá e Carbalá, onde Hussein foi morto na batalha que marca o cisma entre sunitas e xiitas, cerca de 10% dos mais de 1 bilhão de muçulmanos. Neste ano, com 11 mil soldados e policiais patrulhando Carbalá, os terroristas procuraram outras localidades.
Ao depor no Senado dos Estados Unidos, o novo comandante das operações militares americanas no Oriente Médio, almirante William Fallon, declarou que "chegou o momento" de dar a volta por cima no Iraque.
O primeiro ataque matou 12 pessoas em Janakin, perto da fronteira com o Irã, durante uma procissão em que os xiitas se autoflagelavam, punindo-se por não terem acorrido em defesa de Hussein no século 7. Outras 17 pessoas morreram num ataque com morteiros contra o bairro de Adamia, no Noroeste de Bagdá. Em Dour Mondali, a 100 quilômetros a noroeste da capital iraquiana, um homem-bomba detonou seus explosivos quando estava no meio de uma multidão de 150 pessoas que entravam numa mesquista, matando 23 e ferindo outros 60.
Em 2004, atentados suicidas mataram 171 pessoas em Bagdá e Carbalá, onde Hussein foi morto na batalha que marca o cisma entre sunitas e xiitas, cerca de 10% dos mais de 1 bilhão de muçulmanos. Neste ano, com 11 mil soldados e policiais patrulhando Carbalá, os terroristas procuraram outras localidades.
Ao depor no Senado dos Estados Unidos, o novo comandante das operações militares americanas no Oriente Médio, almirante William Fallon, declarou que "chegou o momento" de dar a volta por cima no Iraque.
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