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terça-feira, 26 de março de 2024

Putin admite que terror foi islamista mas acusa Ucrânia

Pela primeira vez desde o atentado terrorista contra um teatro da Grande Moscou com 139 mortes, o ditador da Rússia, Vladimir Putin, admitiu na segunda-feira que os responsáveis foram extremistas muçulmanos, mas acusou a Ucrânia e os Estados Unidos, seus inimigos escolhidos.

No dia seguinte ao ataque, Putin não mencionou os jihadistas do Estado Islâmico do Coração e acusou os terroristas de fugir em direção à Ucrânia. Ontem, alegou que há muitas "questões não resolvidas" e declarou que os EUA pode estar acobertando a participação da Ucrânia.

Os quatro acusados apresentados à Justiça com evidentes sinais de tortura são muçulmanos da ex-república soviética do Tajiquistão. Há 14 milhões de muçulmanos na Rússia, entre eles 1,3 milhão de tajiques, sem contar os imigrantes ilegais. A economia russa depende da mão de obra das ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central, mas os imigrantes são o novo alvo de Putin.

Diante da ameaça, a quatro meses do início da Olimpíada de Paris, a França elevou o alerta antiterrorismo para o nível máximo.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

China instala base militar perto da fronteira com o Afeganistão

A China transformou um posto militar no no Leste do Tajiquistão, perto da fronteira com o Afeganistão, numa base militar permanente. A presença militar chinesa na região tem três a quatro anos. O quartel tem pouco mais de 20 prédios e uma torre de vigia, revelou o jornal The Washington Post.

Nem o regime comunista chinês nem o governo tajique confirmou oficialmente a presença da base militar, quem a sustenta e quem a controla. Se a notícia for confirmada, será uma indicação do aumento da presença militar da China na Ásia Central, no momento em que os Estados Unidos planejam retirar suas forças do Afeganistão.

Entre outras razões, o governo chinês se preocupa com o contrabando e as ações de terroristas muçulmanos ao longo da fronteira entre o Afeganistão e o Tajiquistão. A polícia chinesa patrulha a área e fez várias incursões do lado afegão.

sábado, 12 de janeiro de 2019

Índia inicia diálogo conjunto com países da Ásia Central

O ministro do Exterior da Índia, Sushma Swaraj, foi hoje ao Usbequistão para o primeiro encontro do Diálogo Índia-Ásia Central, com representantes das ex-repúblicas soviéticas do Casaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Turcomenistão e Usbequistão.

O objetivo é fortalecer os laços da Índia com os países da Ásia Central pós-soviética, onde sua rival estratégica, a China, tem forte presença, especialmente com o projeto de recriar a Rota da Seda com a Iniciativa um Cinturão uma Estrada, uma série ambiciosa de obras de infraestrutura.

A Índia mantém relações bilaterais com todos os países da região e quer fortalecer os laços. Entre as propostas para ampliar o intercâmbio está o Corredor de Transporte Internacional Norte-Sul, uma rede de 7,2 mil quilômetros de rodovias, ferrovias e rotas marítimas ligado do Sul e o Centro da Ásia à Europa.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Talebã dominam maior parte de província do Afeganistão

A província afegã de Fariabe, que fica na fronteira com a ex-república soviética do Turcomenistão, está praticamente sob o controle da Milícia dos Talebã (Estudantes), noticiou a Rádio Azatlik, do Turcomenistão, citando como fonte um deputado representante da província no Parlamento do Afeganistão.

Com a retirada dos Estados Unidos, que devem manter apenas 9,8 mil homens no Afeganistão depois do fim de 2015, há um temor no Afeganistão e nos vizinhos Tajiquistão, Turcomenistão e Usbequistão de um ressurgimento dos Talebã capaz de ameaçar a segurança regional.

Os Talebã governaram o Afeganistão de 1996 a 2001, acabando com o caos do período pós Invasão Soviética (1979-89). Foram derrubados por uma invasão americana iniciada em 7 de outubro de 2001 para vingar os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, cometido pela rede terrorista Al Caeda, de Ossama ben Laden, que tinha suas bases no Afeganistão.

A Guerra do Afeganistão já é a mais longa da história dos EUA. Até o fim de 2014, o total de soldados americanos mortos era 2.312.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Iraque está em guerra civil, diz estudo americano

O Iraque já está em guerra civil, e o principal desafio é evitar que o conflito se amplie para uma conflagração regional de conseqüências imprevisíveis para o mundo inteiro, adverte um estudo da Brookings Institution, um importante centro de pesquisas conservador.

"A cada dia o Iraque se afunda mais profundamente no abismo da guerra civil", constata o relatório, assinado por Kenneth Pollack e David Byman, ex-analistas de Oriente Médio para o governo dos Estados Unidos. "Perguntar quem ganha com este tipo de conflito é como perguntar quem ganhou com o terremoto em São Francisco".

Na busca de soluções para o caos no Iraque, o relatório chamado O Desmoronamento: como conter as conseqüências da guerra civil no Iraque examina como as guerras civis no Líbano, no Afeganistão, na Bósnia-Herzegovina, em Ruanda, na Chechênia, no Tajiquistão e no Congo transformaram-se em conflitos internacionais.

Seus resultados foram crises de refugiados, aumento do terrorismo internacional, radicalização de países vizinhos, tentativas de secessão, grandes prejuízos econômicos, inclusive para os países vizinhos, e intervenção militar dos países vizinhos ou de potências regionais e mundiais.

"Muito poucas nações conseguiram evitar que uma guerra civil degenere num conflito total", admitem os autores, para em seguida fazer um 'mea culpa' pela nação americana: "Foi a arrogância diante da História que nos fez pensar que poderíamos invadir o Iraque sem preparar a ocupação. Deveríamos mostrar muito mais humildade ao aceitar as lições para enfrentarmos o que tememos possa ser a próxima fase trágica da História do Iraque".

Na opinião dos autores, "a única coisa que evita uma guerra civil devastadora como as do Líbano (1975-90) e da Bósnia (1992-95) é a presença no Iraque de 140 mil soldados americanos. A não ser que os EUA e o governo do Iraque adotem uma ação radical para mudar o rumo dos acontecimentos, a guerra civil será uma ameaça para todas as monarquias petroleiras do Golfo Pérsico".

Como foi a invasão americana que provocou o caos ao derrubar a ditadura de Saddam Hussein e destruir a máquina do Estado iraquiano, os EUA não podem se eximir de sua responsabilidade, adverte o documento: "O Iraque está caindo rapidamente rumo uma guerra civil total. Desafortunadamente, os EUA não poderão simplesmente fugir do caos. Mesmo esquecendo o pesadelo humanitário que se produziria, uma guerra civil em grande escala não se limitaria ao Iraque: historicamente este tipo de conflito tem efeitos muito nocivos nos países vizinhos e em outros. Um contágio da guerra civil iraquiana seria um desastre. Os EUA têm interesses demais no Oriente Médio para ignorar as conseqüências. É imperativo que os EUA elaborem um plano para evitar uma guerra civil total no Iraque".

Outro analista observou que o poder dos EUA no Oriente Médio atingiu o pico em março de 2005, depois das eleições no Iraque. Naquele momento, falava-se de reformas democráticas na Arábia Saudita, no Egito e na Jordânia, e os protestos contra ao assassinato do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri pressionavam a Síria a retirar suas forças do Líbano depois de 30 anos.

Hoje, o Iraque afunda numa guerra civil e no caos da segurança pública, o movimento de Resistência Islâmica (Hamas) ganhou as eleições palestinas, fala-se na formação de um crescente xiita unindo o Irã aos xiitas iraquianos com tentáculos chegando até a milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus), que resistiu a uma ofensiva israelense em julho e agosto, e agora tenta derrubar o governo do Líbano. O Irã foi o maior beneficiário da invasão do Iraque e avança em seu programa nuclear, apesar das sanções moderadas impostas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Para evitar uma guerra civil total no Iraque e uma conflagração regional no Oriente Médio, o estudo da Brookings Institution faz 13 recomendações ao governo dos EUA:
• não tentar escolher um vencedor, ou seja, não apoiar nenhuma facção;
• evitar a divisão do Iraque, que aumentaria as expulsões e a "faxina étnica" contra minorias;
• não deixar o problema nas mãos das Nações Unidas;
• retirar as forças dos EUA dos grandes centros populacionais, a não ser que se empreguem 450 mil soldados;
• ajudar os países vizinhos;
• reforçar a estabilidade regional;
• dissuadir os países vizinhos de intervir;
• indicar limites claros ao Irã;
• criar um grupo de contato para negociações diplomáticas;
• preparar-se para crises no suprimento de petróleo;
• conter os curdos, evitando que declarem a independência;
• atacar as bases terroristas; e
• estabelecer zonas de segurança nas fronteiras do Iraque.

Além das questões humanitárias, a guerra civil no Iraque ameaça alterar a composição étnica e religiosa dos países vizinhos por causa de migrações forçadas, provocando um contágio, especialmente do conflito entre sunitas e xiitas, e novas guerras civis que desestabilizem outros países criando uma situação de anarquia que contribui para a instalação de bases terroristas.

As conseqüências econômicas também costumam ser desastrosas para toda a região. No caso do Oriente Médio, como principal fonte do petróleo importado pelo resto do mundo, os efeitos negativos podem provocar um novo choque na economia internacional.