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domingo, 22 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 22 de Fevereiro

 BATALHA DE BUENA VISTA

    Em 1847, durante a Guerra Mexicano-Americana (1846-48), o general norte-americano Zachary Taylor enfrenta o Exército do México, sob o comando do general Antonio López de Santa Anna, perto da cidade mexicana de Monterrey, na Batalha de Buena Vista.

Um exército dos Estados Unidos com 5 mil soldados sob o comando do general Taylor invade o Nordeste do México e toma Monterrey e Saltillo. Com 14 mil homens, o general Santa Anna parte de San Luis Potosí para enfrentar o inimigo.

Apesar da grande superioridade numérica, os mexicanos estão mal armados e mal treinados. Quando o Exército do México se aproxima, em 21 de fevereiro, Taylor move suas forças para La Angostura, perto da Fazenda de Buena Vista, onde há uma passagem entre duas cadeias de montanhas.

No dia seguinte, a cavalaria mexicana corta as linhas de comunicação de Taylor. O grande ataque do México acontece em 23 de fevereiro contra o flanco esquerdo das forças dos EUA. O fogo de artilharia pesada dos EUA contém a ofensiva mexicana. Os mexicanos perdem 1,5 mil homens e os norte-americanos 700.

Quando a noite cai, o Exército do México se retira. Taylor não persegue as forças de Santa Anna. Na Batalha do Cerro Gordo, em abril, Santa Anna não consegue deter o avanço das tropas do general Winfield Scott, que toma a Cidade do México em setembro, consolidando a vitória dos EUA.

No Tratado de Guadalupe Hidalgo, assinado em 2 de fevereiro de 1848, os EUA tomam 41% do território mexicano. O sucesso de Taylor o leva a conquistar a Presidência dos EUA na eleição de 1848.  

ROSA BRANCA

    Em 1943, três jovens estudantes intelectuais, idealistas e pacifistas, Hans e Sophie Scholl e Christoph Probster, que tentam fazer uma resistência não violenta contra o nazismo na Alemanha, são executados em Munique.

Três membros do grupo Rosa Branca, Hans Scholl, Alexander Schmorell e Wili Graf, estudantes de medicina na Universidade de Munique testemunham massacres de judeus pela SS, a força paramilitar do Partido Nazista.

De volta a Munique, formam o grupo Rosa Branca, que inicia suas atividades em 17 de junho de 1942. Com grande conhecimento de literatura, eles publicam panfletos citando grandes escritores alemães como Friedrich Schiller e Johann Wolfgang von Goethe.

Presos pela Gestapo, a polícia política do regime nazista, em 18 de fevereiro de 1943, eles são submetidos a um processo forjado em que não têm direito a falar e guilhotinados quatro dias depois.

CONTENÇÃO DA URSS

    Em 1946, o encarregado de negócios dos Estados Unidos em Moscou, George Kennan, envia um longo telegrama de 8 mil palavras ao Departamento de Estado com sua análise sobre a União Soviética, um dos documentos mais importantes da Guerra Fria, propondo a contenção do regime comunista até ele entrar em colapso.

O memorando observa que a URSS não acredita numa "coexistência pacífica permanente" com o Ocidente por causa da "visão neurótica das questões globais" resultante do "senso de insegurança instintivo da Rússia".

Por isso, acrescenta Kennan, os soviéticos suspeitam de todas as outras nações e entendem que sua segurança exige "uma luta paciente, mas mortal, até a destruição total da potência rival".

Assim, como a URSS é "refratária à lógica da razão", mas "altamente sensível à lógica da força", os EUA devem adotar uma política de "resistência forte" para conter a expansão soviética. Esta seria a base da política externa norte-americana durante a Guerra Fria.

OVELHA CLONADA

    Em 1997, os cientistas do Instituto Roslin, sob a direção de Ian Wilmut, em Edimburgo, a capital da Escócia, anunciam o nascimento da ovelha Dolly, o primeiro animal clonado a partir de um mamífero adulto.

Dolly é um marco na história da ciência. Antes, os animais são clonados a partir de um óvulo fertilizado ou de células embrionárias indiferenciadas ou parcialmente diferenciadas. Dolly é clonada com uma célula de glândula mamária de uma ovelha adulta da raça Dorset.

Os cientistas usam impulsos elétricos para fundir o núcleo da célula mamária com um óvulo cujo núcleo é removido. Então a célula mamária começa a se dividir. Esses embriões são transferidos para 13 animais que funcionam como barrigas de aluguel. Uma engravida. Dolly nasce 148 dias depois, o prazo normal de gestação de uma ovelha.

Depois que os veterinários descobrem que ela sofre de uma doença pulmonar avançada, Dolly é morta por eutanásia em 14 de fevereiro de 2003. Seu corpo embalsamado está em exposição no Museu Nacional da Escócia, em Edimburgo.

IMPEACHMENT DE YANUKOVICH

    Em 2014, o Parlamento da Ucrânia abre um processo de impeachment do presidente Viktor Yanukovich, sob a pressão de uma revolta popular, a Revolução da Praça Maidã ou Revolução da Dignidade, que começa em novembro de 2023, quando o presidente suspende negociações de associação com a União Europeia (UE).

Yanukovich nasce em 9 de julho de 1950 em Yenakiyeve, na Ucrânia, então parte da União Soviética. Ele estuda engenharia mecânica no Instituto Politécnico de Donetsk e entra para o Partido Comunista.

Com o fim da URSS, Yanukovich é eleito governador da província de Donetsk em 1997. Em 2002, o presidente Leonid Kuchma o nomeia primeiro-ministro. 

Yanukovich é o candidato do governo ucraniano e do Kremlin à sucessão em 2004. Mas seu adversário, Viktor Yuchenko, é envenenado com dioxina e seu rosto se transfigura diante do público. Uma onda de protestos toma as ruas na chamada Revolução Laranja e impede a eleição fraudulenta de Yanokuvich. Um terceiro turno, realizado em 26 de dezembro, dá ampla vitória a Yuchenko.

Na segunda tentativa, em 2010, Yanukovich é eleito com uma proposta de modernização da economia que incluía negociações com a UE. Seu governo é marcado por um retrocesso democrático, com a prisão da ex-primeira-ministra Yulia Timochenko, sua adversária na eleição presidencial de 2010, aumento da censura, corrupção e tráfico de influência.

A suspensão das negociações com a UE provoca protestos populares que se transformam em revolta diante da violenta repressão policial, com mais de 100 mortes.

A queda de Yanukovich, em 22 de fevereiro, marca o início da Guerra Russo-Ucraniana. Imediatamente, o ditador Vladimir Putin manda as forças russas tomar a Península da Crimeia, onde eram mais de 80% dos soldados da antiga Frota do Mar Negro da URSS, que era compartilhada.

Depois de um plebiscito forjado, a Rússia anexa a Crimeia em 17 de março de 2014. A partir de 6 de abril começa uma revolta insuflada pelo Kremlin nas províncias de Donetsk e Lugansk, cuja independência Putin reconhece dois dias antes de invadir a Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022, numa guerra de agressão que a Rússia pretendia vencer em dias, semanas ou poucos meses e está completando três.

Com a economia fragilizada, pelo menos 90 mil soldados mortos e mais de 1 milhão de jovens que saíram do país, o ditador russo recebe agora uma boia de salvação do presidente neofascista dos Estados, Donald Trump. 

sábado, 22 de fevereiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 22 de Fevereiro

BATALHA DE BUENA VISTA

    Em 1847, durante a Guerra Mexicano-Americana (1846-48), o general norte-americano Zachary Taylor enfrenta o Exército do México, sob o comando do general Antonio López de Santa Anna, perto da cidade mexicana de Monterrey, na Batalha de Buena Vista.

Um exército dos Estados Unidos com 5 mil soldados sob o comando do general Taylor invade o Nordeste do México e toma Monterrey e Saltillo. Com 14 mil homens, o general Santa Anna parte de San Luis Potosí para enfrentar o inimigo.

Apesar da grande superioridade numérica, os mexicanos estão mal armados e mal treinados. Quando o Exército do México se aproxima, em 21 de fevereiro, Taylor move suas forças para La Angostura, perto da Fazenda de Buena Vista, onde há uma passagem entre duas cadeias de montanhas.

No dia seguinte, a cavalaria mexicana corta as linhas de comunicação de Taylor. O grande ataque do México acontece em 23 de fevereiro contra o flanco esquerdo das forças dos EUA. O fogo de artilharia pesada dos EUA contém a ofensiva mexicana. Os mexicanos perdem 1,5 mil homens e os norte-americanos 700.

Quando a noite cai, o Exército do México se retira. Taylor não persegue as forças de Santa Anna. Na Batalha do Cerro Gordo, em abril, Santa Anna não consegue deter o avanço das tropas do general Winfield Scott, que toma a Cidade do México em setembro, consolidando a vitória dos EUA.

No Tratado de Guadalupe Hidalgo, assinado em 2 de fevereiro de 1848, os EUA tomam 41% do território mexicano. O sucesso de Taylor o leva a conquistar a Presidência dos EUA na eleição de 1848.  

ROSA BRANCA

    Em 1943, três jovens estudantes intelectuais, idealistas e pacifistas, Hans e Sophie Scholl e Christoph Probster, que tentam fazer uma resistência não violenta contra o nazismo na Alemanha, são executados em Munique.

Três membros do grupo Rosa Branca, Hans Scholl, Alexander Schmorell e Wili Graf, estudantes de medicina na Universidade de Munique testemunham massacres de judeus pela SS, a força paramilitar do Partido Nazista.

De volta a Munique, formam o grupo Rosa Branca, que inicia suas atividades em 17 de junho de 1942. Com grande conhecimento de literatura, eles publicam panfletos citando grandes escritores alemães como Friedrich Schiller e Johann Wolfgang von Goethe.

Presos pela Gestapo, a polícia política do regime nazista, em 18 de fevereiro de 1943, eles são submetidos a um processo forjado em que não têm direito a falar e guilhotinados quatro dias depois.

CONTENÇÃO DA URSS

    Em 1946, o encarregado de negócios dos Estados Unidos em Moscou, George Kennan, envia um longo telegrama de 8 mil palavras ao Departamento de Estado com sua análise sobre a União Soviética, um dos documentos mais importantes da Guerra Fria, propondo a contenção do regime comunista até ele entrar em colapso.

O memorando observa que a URSS não acredita numa "coexistência pacífica permanente" com o Ocidente por causa da "visão neurótica das questões globais" resultante do "senso de insegurança instintivo da Rússia".

Por isso, acrescenta Kennan, os soviéticos suspeitam de todas as outras nações e entendem que sua segurança exige "uma luta paciente, mas mortal, até a destruição total da potência rival".

Assim, como a URSS é "refratária à lógica da razão", mas "altamente sensível à lógica da força", os EUA devem adotar uma política de "resistência forte" para conter a expansão soviética. Esta seria a base da política externa norte-americana durante a Guerra Fria.

OVELHA CLONADA

    Em 1997, os cientistas do Instituto Roslin, sob a direção de Ian Wilmut, em Edimburgo, a capital da Escócia, anunciam o nascimento da ovelha Dolly, o primeiro animal clonado a partir de um mamífero adulto.

Dolly é um marco na história da ciência. Antes, os animais são clonados a partir de um óvulo fertilizado ou de células embrionárias indiferenciadas ou parcialmente diferenciadas. Dolly é clonada com uma célula de glândula mamária de uma ovelha adulta da raça Dorset.

Os cientistas usam impulsos elétricos para fundir o núcleo da célula mamária com um óvulo cujo núcleo é removido. Então a célula mamária começa a se dividir. Esses embriões são transferidos para 13 animais que funcionam como barrigas de aluguel. Uma engravida. Dolly nasce 148 dias depois, o prazo normal de gestação de uma ovelha.

Depois que os veterinários descobrem que ela sofre de uma doença pulmonar avançada, Dolly é morta por eutanásia em 14 de fevereiro de 2003. Seu corpo embalsamado está em exposição no Museu Nacional da Escócia, em Edimburgo.

IMPEACHMENT DE YANUKOVICH

    Em 2014, o Parlamento da Ucrânia abre um processo de impeachment do presidente Viktor Yanukovich, sob a pressão de uma revolta popular, a Revolução da Praça Maidã ou Revolução da Dignidade, que começa em novembro de 2023, quando o presidente suspende negociações de associação com a União Europeia (UE).

Yanukovich nasce em 9 de julho de 1950 em Yenakiyeve, na Ucrânia, então parte da União Soviética. Ele estuda engenharia mecânica no Instituto Politécnico de Donetsk e entra para o Partido Comunista.

Com o fim da URSS, Yanukovich é eleito governador da província de Donetsk em 1997. Em 2002, o presidente Leonid Kuchma o nomeia primeiro-ministro. 

Yanukovich é o candidato do governo ucraniano e do Kremlin à sucessão em 2004. Mas seu adversário, Viktor Yuchenko, é envenenado com dioxina e seu rosto se transfigura diante do público. Uma onda de protestos toma as ruas na chamada Revolução Laranja e impede a eleição fraudulenta de Yanokuvich. Um terceiro turno, realizado em 26 de dezembro, dá ampla vitória a Yuchenko.

Na segunda tentativa, em 2010, Yanukovich é eleito com uma proposta de modernização da economia que incluía negociações com a UE. Seu governo é marcado por um retrocesso democrático, com a prisão da ex-primeira-ministra Yulia Timochenko, sua adversária na eleição presidencial de 2010, aumento da censura, corrupção e tráfico de influência.

A suspensão das negociações com a UE provoca protestos populares que se transformam em revolta diante da violenta repressão policial, com mais de 100 mortes.

A queda de Yanukovich, em 22 de fevereiro, marca o início da Guerra Russo-Ucraniana. Imediatamente, o ditador Vladimir Putin manda as forças russas tomar a Península da Crimeia, onde eram mais de 80% dos soldados da antiga Frota do Mar Negro da URSS, que era compartilhada.

Depois de um plebiscito forjado, a Rússia anexa a Crimeia em 17 de março de 2014. A partir de 6 de abril começa uma revolta insuflada pelo Kremlin nas províncias de Donetsk e Lugansk, cuja independência Putin reconhece dois dias antes de invadir a Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022, numa guerra de agressão que a Rússia pretendia vencer em dias, semanas ou poucos meses e está completando três.

Com a economia fragilizada, pelo menos 90 mil soldados mortos e mais de 1 milhão de jovens que saíram do país, o ditador russo recebe agora uma boia de salvação do presidente neofascista dos Estados, Donald Trump. 

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

Hoje na História do Mundo: 22 de Fevereiro

ROSA BRANCA

    Em 1943, três jovens estudantes intelectuais, idealistas e pacifistas, Hans e Sophie Scholl e Christoph Probster, que tentam fazer uma resistência não violenta contra o nazismo na Alemanha são executados em Munique.

Três membros do grupo Rosa Branca, Hans Scholl, Alexander Schmorell e Wili Graf, estudantes de medicina na Universidade de Munique testemunham massacres de judeus pela SS, a força paramilitar do Partido Nazista.

De volta a Munique, formam o grupo Rosa Branca, que inicia suas atividades em 17 de junho de 1942. Com grande conhecimento de literatura, eles publicam panfletos citando grandes escritores alemães como Friedrich Schiler e Johann Wolfgang von Goethe.

Presos pela Gestapo, a polícia política do regime nazista, em 18 de fevereiro de 1943, eles são submetidos a um processo forjado em que não têm direito a falar e guilhotinados quatro dias depois.

CONTENÇÃO DA URSS

    Em 1946, o encarregado de negócios dos Estados Unidos em Moscou, George Kennan, envia um longo telegrama de 8 mil palavras ao Departamento de Estado com sua análise sobre a União Soviética, um dos documentos mais importantes da Guerra Fria, propondo a contenção do regime comunista até ele entrar em colapso.

O memorando observa que a URSS não acredita numa "coexistência pacífica permanente" com o Ocidente por causa da "visão neurótica das questões globais" resultante do "senso de insegurança instintivo da Rússia".

Por isso, acrescenta Kennan, os soviéticos suspeitam de todas as outras nações e entendem que sua segurança exige "uma luta paciente, mas mortal, até a destruição total da potência rival".

Assim, como a URSS é "refratária à lógica da razão", mas "altamente sensível à lógica da força", os EUA devem adotar uma política de "resistência forte" para conter a expansão soviética. Esta seria a base da política externa norte-americana durante a Guerra Fria.

IMPEACHMENT DE YANUKOVICH

    Em 2014, o Parlamento da Ucrânia abre um processo de impeachment do presidente Viktor Yanukovich, sob a pressão de uma revolta popular, a Revolução da Praça Maidã ou Revolução da Dignidade, que começa quando o presidente suspende negociações de associação com a União Europeia (UE).

Yanukovich nasce em 9 de julho de 1950 em Yenakiyeve, na Ucrânia, então parte da União Soviética. Ele estuda engenharia mecânica no Instituto Politécnico de Donetsk e entra para o Partido Comunista.

Com o fim da URSS, Yanukovich é eleito governador da província de Donetsk em 1997. Em 2002, o presidente Leonid Kuchma o nomeia primeiro-ministro. 

Yanukovich é o candidato do governo ucraniano e do Kremlin à sucessão, em 2004. Mas seu adversário, Viktor Yuchenko, é envenenado com dioxina e seu rosto se transfigura diante do público. Uma onda de protestos toma as ruas na chamada Revolução Laranja e impede a eleição fraudulenta de Yanokuvich. Um terceiro turno, realizado em 26 de dezembro, dá ampla vitória a Yuchenko.

Na segunda tentativa, em 2010, Yanukovich é eleito com uma proposta de modernização da economia que incluía negociações com a UE. Seu governo é marcado por um retrocesso democrático, com a prisão da ex-primeira-ministra Yulia Timochenko, sua adversária na eleição presidencial de 2010, aumento da censura, corrupção e tráfego de influência.

A suspensão das negociações com a UE provoca protestos populares que se transformam em revolta diante da violenta repressão policial, com mais de 100 mortes.

A queda de Yanukovich, em 22 de fevereiro, marca o início da Guerra Russo-Ucraniana. Imediatamente, o ditador Vladimir Putin manda as forças russas tomar a Península da Crimeia, onde tinham mais de 80% dos soldados da antiga Frota do Mar Negro da URSS, que era compartilhada.

Depois de um plebiscito forjado, a Rússia anexa a Crimeia em 17 de março de 2014. A partir de 6 de abril começa uma revolta insuflada pelo Kremlin nas províncias de Donetsk e Lugansk, cuja independência Putin reconhece dois dias antes de invadir a Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022.

sábado, 7 de setembro de 2019

Rússia e Ucrânia trocam prisioneiros em sinal de melhora nas relações

 As ex-repúblicas soviéticas da Rússia e da Ucrânia trocaram hoje 35 prisioneiros para cada lado. Foram libertados 24 soldados da Marinha ucraniania e Volodymyr Tsemakh, que está sendo investigado pelo abate de um avião de passageiros Boeing 777 da companhia aérea Malaysia Airlines em que as 298 pessoas a bordo morreram, em 2014.

As negociações delicadas e a cerimônia de troca de presos cuidadosamente coreografada indicam um avanço nas relações bilaterais e devem marcar o fim da guerra civil fomentada pelo Kremlin no Leste da Ucrânia no início de abril de 2014, embora um acordo de paz ainda pareça distante.

Em fevereiro de 2014, depois da queda do presidente Viktor Yanukovich, aliado de Moscou, soldados russos da Frota do Mar Negro baseados na cidade ucraniana de Sebastopol ocuparam a península da Crimeia, anexada ilegalmente pela Rússia no mês seguinte.

Mais de 13 mil pessoas morreram no conflito deflagrado pelo ditador russo, Vladimir Putin, como resposta à queda de Yanukovich. O novo presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, eleito em abril, colocou o fim do conflito como prioridade.

sábado, 5 de janeiro de 2019

Igreja Ortodoxa da Ucrânia se separa da Rússia

O patriarca Bartolomeu I, líder espiritual de 300 milhões de fiéis da Igreja Ortodoxa, criou hoje oficialmente em Istambul a Igreja Ortodoxa da Ucrânia, separando-a da Rússia, noticiou a agência Reuters.

O presidente da Ucrânia, Petro Porochenko, e o chefe da Igreja Ortodoxa Ucraniana, Epiphanius I, participaram da cerimônia, que formaliza uma ruptura histórica com a Rússia. A Igreja Ortodoxa Russa comparou o acontecimento ao Grande Cisma do Oriente, que dividiu a Cristandade, em 1054, dividindo as igrejas de Roma e de Constantinopla, e rompeu com o Patriarcado de Istambul.

A Rússia e a Ucrânia vivem em estado de guerra desde fevereiro de 2014, quando o Kremlin rejeitou a Revolução da Praça Maidan e a renúncia do presidente Viktor Yanukovich. Em seguida, tropas russas da Frota do Mar Negro tomaram a região da Crimeia, anexada ilegalmente por Moscou no mês seguinte.

Em abril de 2014, iniciou uma guerra civil fomentada pela Rússia no Leste da Ucrânia. Mais de 10 mil pessoas foram mortas neste conflito. Recentemente, a Rússia adotou uma posição mais agressiva, atacando navios ucranianos no Mar de Azov.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Ex-chefe da campanha de Trump é preso por conspirar contra os EUA

O ex-chefe de campanha e ex-assessor especial da Casa Branca Paul Manafort e seu sócio, Rick Gates, se apresentaram hoje a um tribunal federal em Washington e negaram ter culpa em 12 acusações, inclusive de fraude fiscal, lavagem de US$ 18 milhões e conspiração contra os Estados Unidos quando trabalhavam para o presidente da Ucrânia Viktor Yanukovich, deposto numa revolta popular em fevereiro de 2014.

São os dois primeiros denunciados na investigação do procurador especial Robert Mueller, ex-diretor-geral do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, sobre um possível conluio da campanha de Donald Trump com o Kremlin. Por enquanto, ficam em prisão domiciliar, informou o jornal The New York Times. Só a lavagem de dinheiro pode dar até 20 anos de cadeia.

Em outro processo, o ex-assessor de política externa da campanha de Trump George Papadopoulos reconheceu a culpa por mentir ao FBI sobre um contato com um professor ligado ao governo russo que prometeu revelar informações negativas sobre a candidata democrata, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton.

A denúncia de 31 páginas contra Manafort e Gates não cita o presidente nem o possível conluio com a Rússia. "Manafort usou sua riqueza escondida no exterior para levar uma vida luxuosa nos EUA sem pagar impostos sobre aquela renda", afirma o procurador especial. Gates é acusado de movimentar US$ 3 milhões em paraísos fiscais.

"Como parte do esquema, Manafort e Gates deram informações falsas a contadores, auditores fiscais e conselheiros legais", acrescenta a denúncia.

Yanukovich foi o beneficiário da fraude eleitoral que provocou a Revolução Laranja, na Ucrânia, em dezembro de 2004, afastando a ex-república soviética da Ucrânia da órbita de Moscou para desespero do protoditador russo, Vladimir Putin.

Quando finalmente chegou à Presidência, em 2010, Yanukovich trabalhou ativamente, em aliança com Putin, para evitar o ingresso da Ucrânia na UE e na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), como exigira a Revolução Laranja. Ao não assinar um acordo de associação com a Europa, em novembro de 2013, sob pressão do Kremlin, Yanukovich deflagrou nova revolução.

Depois de meses de protestos na Praça Maidan, Yanukovich renunciou em fevereiro de 2014. Putin aproveitou a revolução para intervir militarmente na Ucrânia, anexar a Península da Crimeia, sede da Frota do Mar Negro da antiga União Soviética, e fomentar uma rebelião no Leste do país.

Como a OTAN é a aliança militar da Europa e da América do Norte liderada pelos EUA, ao tentar impedir a adesão da Ucrânia, Manafort sabotou os interesses americanos, uma das acusações contra ele.

Por sua vez, Papadopoulos admitiu ter mentido ao FBI em janeiro sobre seus contatos com um professor russo que, de acordo com os autos do processo, tinha "conexões substanciais com funcionários do governo russo".

Na época, ele declarou que o encontro tinha ocorrido antes de trabalhar para a campanha de Trump. Em realidade, aconteceu dias depois do assessor entrar na campanha. O interesse do professor russo era por causa da proximidade com o candidato.

Em mensagens trocadas com os russos, Papadopoulos chegou a dizer que DT não poderia ir. Os entrevistadores acreditam que DT seja Donald Trump.

Manafort é um veterano estrategista do Partido Republicano e lobista. Trabalhou em campanhas presidenciais do partido desde Gerald Ford, em 1976. No século passado, foi assessor de ditadores como Ferdinand Marcos, das Filipinas, e Joseph Mobutu, do Zaire, hoje República Democrática do Congresso. Era editor do boletim de notícias Breitbart, que alavancou várias temas da campanha de Trump: imigração, comércio, antiglobalização.

Ele entrou na campanha de Trump em março de 2016 para tentar impedir a debandada de delegados à convenção nacional para candidatos mais ligados à máquina do partido. De junho e agosto, foi chefe da campanha e principal estrategista de Trump.

Ultranacionalista, Manafort defende políticas como o protecionismo econômico, é contra a globalização e não acredita nas teorias científicas que atribuem o aquecimento global ao homem. Quando o general John Kelly foi nomeado chefe da Casa Civil da Casa Branca para pôr um mínimo de ordem no governo Trump, Manafort caiu fora.

Ao sair do governo, declarou guerra aos atuais líderes do partido, prometendo apoiar nas eleições de 2018 candidatos comprometidos com o programa de Trump. Todos os deputados e senadores que discordarem de suas propostas de extrema direita devem enfrentar uma oposição feroz nas primárias do partido.

O procurador especial Robert Mueller foi nomeado em maio, depois que o presidente demitiu o então diretor-geral do FBI, James Comey, que se negou a encerrar o inquérito sobre as ligações do ex-assessor de Segurança Nacional general Michael Flynn com o Kremlin.

A Casa Branca festejou discretamente a denúncia contra Manafort e Gates porque os fatos que lhes são imputados aconteceram antes deles participarem da campanha de Trump. Mas, se condenados, as penas serão longas. Eles podem fazer delações premiadas.

domingo, 29 de maio de 2016

Rebeldes apoiados pela Rússia matam cinco soldados da Ucrânia

Nas últimas 24 horas, os rebeldes apoiados pela Rússia mataram cinco soldados do Exército da Ucrânia e feriram outros quatro nas províncias separatistas do Leste do país, afirmou um porta-voz militar ucraniano citado pela agência Reuters. Outros sete soldados da Ucrânia haviam sido mortos em 24 de maio.

O atual foco dos combates é cidade de Avdiikva, controlada pelo governo, que fica ao norte da cidade de Donetsk, dominada pelos rebeldes. Eles usaram armas leves e artilharia pesada, inclusive mosteiros.

A Rússia fomentou uma rebelião na Ucrânia depois da revolução da Praça Maidan, em Kiev. Uma onda de protestos de novembro de 2013 a fevereiro de 2014 derrubou o presidente Viktor Yanukovich, que sob pressão do Kremlin, havia rejeitado um acordo de associação com a União Europeia.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, denunciou um golpe de Estado e anexou em 17 de março de 2014 a península da Crimeia, uma região da Ucrânia de maioria russa onde fica a base naval da Frota do Mar Negro, que forneceu os soldados necessários.

Em abril daquele ano, começou a rebelião da população étnica e linguisticamente russa do Leste da Ucrânia. Um cessar-fogo anunciado em fevereiro de 2015 reduziu as hostilidades, mas não acabou com a guerra civil que causou mais de 7 mil mortes desde abril de 2014.

O reinício dos combates acontece no momento em que a UE decide se mantém as sanções econômicas impostas à Rússia junto com os EUA em resposta contra a intervenção militar russa na ex-república soviética da Ucrânia, que Moscou considera sua área de influência.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Presidente do Parlamento é eleito primeiro-ministro da Ucrânia

Depois de semanas de intensa luta política, o presidente do Parlamento da Ucrânia, Volodymyr Groysman, foi eleito hoje primeiro-ministro em substituição a Arseni Yatseniuk, que chefiava o governo há mais de dois anos, desde a revolução da Praça Maidan.

Como Groysman é próximo do presidente Petro Porochenko, sua nomeação representa uma trégua na disputa política em Kiev.

Desde a queda do presidente Viktor Yanukovich, aliado da Rússia, em fevereiro de 2014, Moscou anexou a península da Crimeia e fomentou uma rebelião no Leste da Ucrânia, transformando o país num campo de batalha com sérios prejuízos à economia.

De todos os países do mundo, só a Venezuela deve ter um desempenho econômico pior do que a Ucrânia em 2016.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Holanda rejeita em referendo acordo UE-Ucrânia

Apesar do mau tempo e do apoio do primeiro-ministro Mark Rutte, os holandeses rejeitaram ontem em referendo um acordo de associação da União Europeia com a ex-república soviética da Ucrânia. É um presente para as ambições imperiais do presidente da Rússia, Vladimir Putin, e para os eurocéticos britânicos que querem tirar o Reino Unido da UE.

O governo da Holanda prometeu acatar o resultado das urnas se a participação passasse de 30% do eleitorado, o que foi conseguido, mesmo com o vento, a chuva e o frio de um inverno atrasado. Cerca de 61% votaram não e 38% votaram sim.

A consulta popular foi iniciativa de uma campanha na Internet que conseguiu levantar o número de 300 mil assinaturas exigido pela lei holandesa para convocar o referendo.

É um golpe na política de associação com a Ucrânia, que provocou uma revolução na ex-república soviética, na queda do presidente Viktor Yanukovich e na intervenção militar da Rússia para anexar a península da Crimeia e fomentar uma rebelião de russos étnicos no Leste do país.

Durante a guerra civil na Ucrânia, um Boeing 777 da companhia aérea Malaysia Airlines foi abatido em território ucraniano, provavelmente pelos rebeldes apoiados pela Rússia, quando fazia o voo MH17 (Amsterdã-Kuala Lumpur) com 298 pessoas a bordo, sendo 193 holandeses.

O referendo holandês foi mais uma rebelião cidadã contra o poder da União Europeia, que na verdade deriva dos Estados nacionais, e portanto também contra o governo Mark Rutte.

Como em ocasiões anteriores, quando um país relativamente pequeno rejeita algum acordo, a UE deve propor a mesma medida de outra forma. Não vai abandonar o acordo de associação com a Ucrânia por causa da Holanda.

É mais um sintoma da crise de governabilidade da UE. O argumento de que será mais um país pobre a entrar para o mercado comum, provocando uma nova onda de migração por razões econômicas, é fraco. Serão necessários anos para a Ucrânia se tornar membro pleno do bloco europeu.

A rejeição do acordo interessa ao projeto russo de manter o controle sobre as ex-repúblicas soviéticas como esfera de influência. Mas nem econômica nem politicamente a Rússia tem muito a oferecer à Ucrânia. A Europa é muito mais atraente como mercado comum e como estilo de vida.

Essa vitória do não anima os eurocéticos britânicos, que pretendem vencer o referendo convocado para 23 de junho para decidir se o Reino Unido vai permanecer ou não na UE.

No momento, a média das pesquisas indica 51% a favor de ficar na UE e 49% querem sair. Se o Reino Unido sair do projeto de integração da Europa, é provável que a Escócia convoque novo referendo sobre a independência para deixar a Grã-Bretanha e voltar à UE.

sábado, 2 de janeiro de 2016

Nova doutrina de segurança da Rússia aponta EUA como inimigo

Pela primeira vez desde o fim da União Soviética, a Rússia passa a considerar oficialmente os Estados Unidos como ameaça à segurança nacional. 

Em 31 de dezembro de 2015, o presidente Vladimir Putin assinou assinou o documento com a nova estratégia de segurança nacional, em substituição a outro de 2009, quando o presidente era o atual primeiro-ministro, Dimitri Medvedev.

As versões anteriores não apontavam os EUA e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) como inimigas da Rússia. A tensão entre a Rússia e o Ocidente aumentou a partir do veto do Kremlin à associação da ex-república soviética da Ucrânia, em novembro de 2013.

Em fevereiro de 2014, o então presidente Viktor Yanukovich fugiu em meio a uma revolta popular que Moscou atribuiu a uma conspiração ocidental. Putin iniciou sua intervenção na Ucrânia ocupando militarmente a península da Crimeia, anexada à Federação Russa em 17 de março daquele ano depois de um referendo não reconhecido internacionalmente.

No mês seguinte, as populações etnica e linguisticamente russas do Leste da Ucrânia se rebeleram sob a inspiração do Kremlin alegando que havia uma ameaça à sua cultura no país. Desde então, mais de 6,5 mil pessoas foram mortas.

Em 17 de julho de 2014, um avião comercial da Malaysia Airlines foi derrubado pelos rebeldes com um míssil Buk, de fabricação russa, matando todos os 289 passageiros e 15 tripulantes.

Putin também aproveitou a hesitação do presidente Barack Obama em relação à guerra civil na Síria para tentar recolocar a Rússia como potência no Oriente Médio. Em 1977, quando o então presidente do Egito, Anuar Sadat, abandonou a esfera soviética e se aproximou dos EUA como única maneira de recuperar a Península do Sinai, a URSS deixara de ser uma potência mundial no Oriente Médio.

O presidente americano ameaçou bombardear a ditadura de Bachar Assad se usasse armas químicas, o que aconteceu comprovadamente em 21 de agosto de 2013, mas acabou desistindo de atacar.

Desde 30 de setembro desde ano, alimentando uma concorrência estratégica com os EUA e seus aliados na Europa e no Oriente Médio, a Rússia intervém na guerra civil da Síria com bombardeios aéreos para sustentar seu aliado Assad.

Como a justificativa oficial foi combater o terrorismo e o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que contra-atacou explodindo no ar um avião comercial russo com 224 pessoas a bordo na Península do Sinai, o inimigo comum reaproxima a Rússia do Ocidente.

Depois de mais de quatro anos e meio de paralisia das Nações Unidas por causa de vetos da Rússia e da China, Moscou e Washington articulam uma solução para a pior guerra civil em andamento hoje no mundo.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Interpol pede à Rússia extradição de Yanukovich

A Polícia Internacional (Interpol) pediu formalmente à Rússia a extradição do ex-presidente da Ucrânia Viktor Yanukovich por corrupção, apropriação indébita e desvio de dinheiro público, diz uma nota publicada no sítio da instituição.

Yanukovich fugiu da Ucrânia para a Rússia em 22 de fevereiro de 2014 em meio a uma revolta popular e ao virtual colapso de seu governo.

O governo russo declarou ainda não ter recebido o pedido. Promete examina-lo à luz dos tratados internacionais e das leis da Rússia. É altamente improvável que extradite Yanukovich, uma peça importante na guerra civil fomentada pelo Kremlin no Leste da Ucrânia depois de anexar ilegalmente a região da Crimeia em 17 de março do ano passado.

sábado, 13 de dezembro de 2014

Ucrânia suspende voos a três aeroportos

A companhia estatal de aviação civil da Ucrânia suspendeu por razões de segurança as operações de três grandes aeroportos do país, de Carcóvia, Dniepropetrovsk e Zaparojia.

Por causa da intervenção militar velada da Rússia desde a queda do presidente Viktor Yanukovich, desde maio estão cancelados os voos de e para o aeroporto internacional de Donetsk, uma das regiões rebeladas contra o novo governo central de Kiev.

Desde maio, estão proibidos os voos entre Carcóvia e Moscou e, a partir de dezembro, também entre Moscou e Dniepropetrovsk.

sábado, 1 de novembro de 2014

Rebeldes pró-Rússia fazem eleições no Leste da Ucrânia

As autoproclamadas Repúblicas Populares de Donetsk e Luhansk, no Leste da Ucrânia, realizam eleições neste domingo, 2 de novembro de 2014, uma semana depois das eleições parlamentares no país inteiro, organizadas pelo governo nacional ucraniano, que deram vitória aos partidos favoráveis à aproximação com o Ocidente. A Rússia - e só a Rússia - vai reconhecer o resultado das eleições dos rebeldes.

O objetivo é consolidar os movimentos separatistas insuflados pelo Kremlin, que lutam desde abril para anexar suas províncias à Federação Russa, a exemplo do que aconteceu com a Península da Crimeia em março, em flagrante desrespeito do governo Vladimir Putin ao direito internacional.

Putin não tem interesse em anexar as partes das províncias de Donetsk e Luhansk ocupadas pelos rebeldes. Quer manter a influência russa sobre toda a ex-república soviética da Ucrânia. Assim, a expectativa é de conflito de longo prazo parcialmente congelado entre a Ucrânia e a Rússia, e a Rússia e o Ocidente, em torno das relações entre as antigas repúblicas da União Soviética.

A crise ucraniana estourou em novembro de 2013, quando o então presidente Viktor Yanukovich suspendeu negociações de associação à União Europeia sob pressão de Putin, criou uma União Eurasiana para tentar resgatar um pouco do poder imperial soviético.

Um movimento de protesto saiu às ruas e tomou a Praça Maidan, no centro da capital, Kiev, gerando um impasse político que Yanukovich tentou resolver trazendo tropas de choque de reuniões de maioria étnica e linguisticamente russas para massacrar os rebeldes, que incluíam o grupo neonazista Setor de Direita.

Em meio ao caos, Yanukovich fugiu para a Rússia, que denunciou a segunda revolução ucraniana contra o jugo de Moscou desde o fim da URSS, em 1991, como um "golpe de Estado". A primeira foi a Revolução Laranja, em 2004, quando uma fraude tentou levar Yanukovich ao poder. Com a divisão entre os líderes da Revolução Laranja, os partidos pró-Rússia o elegeram primeiro-ministro em 2006 e presidente em 2010.

Desde a queda de Yanukovich, a Rússia nega legitimidade às novas autoridades da Ucrânia. Sob a alegação de que se trata de "um novo Estado", Putin ignorou o Memorando de Budapeste, assinado em 1994, para que a Rússia herdasse todo o arsenal nuclear soviético, comprometendo-se em troca a respeitar e defender a integridade territorial da Ucrânia.

Dias depois, no fim de fevereiro, paramilitares aliados à Rússia e soldados russos da base naval de Sebastopol, sede da Frota do Mar Negro da antiga URSS, dividida entre os dois países, tomaram o parlamento da supostamente autônoma região da Crimeia, região de maioria étnica russa.

Em 16 de março de 2014, um plebiscito não reconhecido internacional anexou a Crimeia à Federação Russia. Em cerimônia no Kremlin, no dia seguinte, Putin formalizou uma anexação proibida pela Carta da ONU, violando os princípios do direito internacional que proibem a guerra de conquista e a mudança de fronteiras pela força.

Como ninguém vai entrar numa guerra nuclear com a Rússia para resgatar a Crimeia, a sociedade internacional aceitou passivamente. No início de abril, foram as regiões de maioria russa do Vale do Rio Don que começaram a lutar pela independência com o apoio de Moscou. Em maio, houve plebiscitos não reconhecidos internacionalmente para criar as Repúblicas Populares de Donetsk e Luhansk. Os resultados oficiais deram 89% a favor da independência nas duas repúblicas.

Também em maio, o magnata Petro Porochenko, conhecido como o rei do chocolate, foi eleito presidente e decidiu lançar uma operação militar para retomar os territórios ocupados, sem sucesso. Mais de 3,6 mil pessoas morreram na guerra civil ucraniana desde então, sem que o governo de Kiev conseguisse restabelecer o controle sobre as áreas ocupadas pelo rebeldes apoiados pelo Kremlin.

Em 17 de julho, um míssil derrubou um voo Amsterdã-Kuala Lumpur da companhia aérea Malaysia Airlines, matando todas as 298 pessoas a bordo. A Rússia e a Ucrânia se acusaram pelo ataque ao avião de passageiros. Gravações pirateadas por serviços ocidentais supostamente revelam contatos entre rebeldes, que pensavam ter abatido um avião de transporte militar ucraniano, e militares russos.

O resultado preliminar do inquérito, realizado pela Holanda, concluiu que o avião foi abatido por um míssil, sem apontar responsáveis. A conclusão final deve ser apresentada em meados de 2015. Com esse prazo dilatado pululam teorias conspiratórias. O governo Putin insiste em que o Boeing foi abatido por aviões de caça da Ucrânia.

Quando o avião caiu, a televisão estatal Russia Today chegou a dizer que o alvo era o avião de Putin, que voltava de uma reunião de cúpula do grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) no Brasil. Depois a mídia governista inventou toda a sorte de teorias conspiratórias, inclusive que se tratava do Boeing da Malásia que desaparecera meses antes no Oceano Índico quando fazia a rota Kuala Lumper-Beijim.

A expectativa para amanhã é de vitória dos atuais primeiros-ministros interinos de Donetsk, Alexander Zakharchenko, e de Luhansk, Igor Plotnitsky.

domingo, 19 de outubro de 2014

Ucrânia demite 17 mil funcionários em Donetsk e Luhansk

O Ministério do Interior da Ucrânia demitiu 17 mil funcionários públicos das províncias de Donetsk e Luhansk, sob as acusações de "traição e irresponsabilidade" por ficarem ao lado dos rebeldes apoiados pela Rússia que tentam anexar o Leste ucraniano à Federação Russa.

Com uma lei sancionada em 9 de outubro de 2014, o presidente Petro Porochenko iniciou um expurgo dos funcionários do antigo governo de Viktor Yanukovich. O ex-presidente renunciou em 22 de fevereiro, em meio a uma revolta popular, depois de abandonar, em novembro de 2013, sob pressão da Rússia, negociações de associação à União Europeia.

A guerra movida por Porochenko sem sucesso para tentar retomar os territórios ocupados pelos rebeldes apoiados pelo Kremlin e o expurgo acentuam a divisão na sociedade ucraniana, que tem uma grande população étnica, linguística e culturalmente russa.

Na semana passada, Porochenko esteve com o presidente russo, Vladimir Putin, num encontro da União Europeia, mas não houve maior avanço. O homem-forte da Rússia deu um chá de banco na chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, e ampliou as sanções a produtos ocidentais, incluindo vários tipos de alimentos.

Em seu projeto de resgatar pelo menos parte do poder imperial soviético, Putin recusa-se a aceitar a independência da Ucrânia. A radicalização em Kiev joga a seu favor.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Parlamento da Ucrânia ratifica acordo com UE

O Parlamento da ex-república soviética da Ucrânia ratificou hoje o acordo de associação com a União Europeia, que afasta o país da órbita da Rússia, em meio a uma intervenção militar dissimulada promovida pelo Kremlin que causou o maior atrito com o Ocidente desde o fim da Guerra Fria.

A ruptura das negociações com a UE em novembro de 2013 deflagrou uma revolta popular que levou à queda e fuga do país, em fevereiro de 2014, do presidente Viktor Yanukovich, apoiado por Moscou. No mês seguinte, depois de um plebiscito não reconhecido internacionalmente, a Rússia anexou a província da Crimeia, que pertencia à Ucrânia.

Desde o início da abril, Moscou fomenta uma rebelião da população de origem russa no Leste da Ucrânia, provocando uma guerra civil em que mais de 2,6 mil pessoas foram mortas, inclusive 298 de um avião civil da Malaysia Airlines aparentemente abatido por engano pelos rebeldes separatistas.

A Rússia nega qualquer interferência no país vizinho, considerando o conflito uma problema interno ucraniano, mas mantém milhares de soldados de prontidão do outro lado da fronteira. Armas, equipamentos militares e voluntários russos apoiam a revolta.

Os Estados Unidos e a UE impuseram sanções econômicas à Rússia e seus agentes na Ucrânia, até agora sem grandes resultados práticos. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) está reforçando sua presença na Polônia e nas ex-repúblicas soviéticas do Mar Báltico (Estônia, Letônia e Lituânia), que se sentem ameaçada pela agressividade russa.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Ucrânia deve antecipar eleições parlamentares

Com o colapso da coalizão de governo em plena guerra contra os separatistas apoiados pela Rússia e a demissão hoje do primeiro-ministro Arseni Yatseniuk, o Parlamento da Ucrânia tem 30 dias para formar uma nova aliança majoritária. Se não conseguir, o presidente Petro Porochenko pode dissolver o parlamento e antecipar as eleições legislativas.

Os partidos Svoboda (Liberdade), de extrema direita, e a Aliança Democrática Ucraniana para a Reforma (ADUR), liderada pelo ex-campeão de boxe e ex-prefeito de Kiev Vitali Klitschko, retiraram o apoio ao governo. Eles foram as maiores forças por trás do movimento popular contra o presidente Viktor Yanukovich iniciado em novembro de 2013, quando ele rejeitou um acordo de associação com a União Europeia.

A atual legislatura ainda é a mesma, mas passou por grandes mudanças desde a revolta que derrubou Yanukovich, apoiado pela Rússia, o que levou à intervenção militar promovida pelo Kremlin e à anexação da Crimeia à Federação Russa.

Quando a revolta começou, o Partido das Regiões, de Yanukovich, tinha 187 das 450 cadeiras do Parlamento da Ucrânia. Governava com o apoio dos 32 deputados comunistas e dos 43 independentes. Com a queda de Yanukovich, houve uma debandada geral. O PR tinha ontem 87 deputados.

Com a revolução, surgiram três novos partidos: Ucrânia Europeia Soberana, com 35 deputados; Desenvolvimento Econômico, com 39; e Pela Paz e Estabilidade, com 34 cadeiras. Os dois primeiros apoiam a aproximação à UE e o terceiro, a aliança com a Rússia.

Os três partidos de oposição a Yanukovich que viraram parte do governo revolucionário também sofreram mudanças. O maior, chamado de Pátria, liderado pelos ex-primeiros-ministros Yatseniuk e Yulia Timochenko, é pró-Ocidente. Tem 86 deputados. A ADUR tem 41 deputados e a Svoboda, 35.

Porochenko, um bilionário conhecido como rei do chocolate, foi eleito em maio pelo partido Solidariedade, que não tem representação no Parlamento. As eleições parlamentares seriam assim uma oportunidade para fortalecer o poder do presidente.

sábado, 5 de julho de 2014

Separatistas ucranianos abandonam Sloviansk

Os rebeldes étnica e linguisticamente russos que lutam para anexar o Leste da Ucrânia à Federação Russa abandonaram hoje um reduto que dominavam há três meses na cidade de Sloviansk, anunciou o governo ucraniano.

A reconquista de Sloviansk é uma grande vitória do Exército da Ucrânia, que avança lenta mas firmemente desde o fim de um cessar-fogo há cinco dias. A cidade é um dos principais focos da insurgência russa contra o governo surgido da revolta popular que derrubou o presidente Viktor Yanukovich, em fevereiro de 2014.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

UE assina acordo com Ucrânia e indica novo presidente

Numa reunião de cúpula hoje em Bruxelas, a União Europeia deve assinar um acordo de associação com a Ucrânia e indicar o ex-primeiro-ministro de Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, como novo presidente da Comissão Europeia, o órgão executivo do bloco, a ser eleito pelo Parlamento Europeu.

A rejeição do acordo a ser assinado hoje pelo então presidente Viktor Yanukovich, em novembro de 2013, sob pressão da Rússia, levou a uma revolta popular e à sua queda em fevereiro. O presidente russo, Vladimir Putin, negou-se a reconhecer o governo revolucionário e iniciou uma intervenção na Ucrânia, anexando a Crimeia à Rússia em 17 de março de 2014.

Em abril, a revolta se alastrou para o Leste da Ucrânia, onde mais de 350 pessoas foram mortas. Ao pedir ao Conselho Federal, a câmara alta do Parlamento da Rússia, a revogação da autorização para enviar tropas à Ucrânia, Putin indicou a intenção de negociar. Ao mesmo tempo, usa as exportações de gás para tentar dividir a UE.

Além do acordo com a Ucrânia, o bloco europeu deve eleger Juncker para presidente da CE em substituição ao ex-primeiro-ministro português José Manuel Durão Barroso, a partir de 31 de outubro de 2014. A Suécia e a Holanda, que pareciam apoiar a posição do primeiro-ministro britânico, David Cameron, confirmaram ontem seu voto em Juncker, fechando com a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel.

Isolado, é improvável que Cameron tente vetar a eleição de Juncker, no momento em que está sendo pressionado tanto pelos eurocéticos do próprio Partido Conservador quanto pelo Partido da Independência do Reino Unido, que ganhou as eleições para o Parlamento Europeu no Reino Unido, a exemplo do que aconteceu com a Frente Nacional na França.

O primeiro-ministro da Irlanda, Enda Kenny anunciou uma nova reunião de cúpula para 17 de julho. Com a oposição do Reino Unido a Juncker, foi impossível definir os futuros ocupantes dos dois outros altos cargos da UE, o presidente do Conselho Europeu e o supercomissário de política externa.

A reunião de cúpula começou com um juntar em Ypres, na Bélgica, para relembrar os cem anos do início da Primeira Guerra Mundial. Em 28 de junho de 1914, o estudante radical sérvio Gavrilo Princip matou o arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro. O atentado deflagrou o conflito.

sábado, 7 de junho de 2014

Novo presidente da Ucrânia pede paz

Ao tomar posse hoje, o novo presidente da Ucrânia, Petro Porochenko, o rei do chocolate, pediu paz a reconciliação no país, onde separatistas russos tentam anexar regiões do Leste à Federação Russa, que tomou conta da região da Crimeia em 17 de março de 2014, depois de um referendo condenado internacionalmente.

O novo presidente rejeitou a anexação da Crimeia, dizendo que a península "é, sempre foi e sempre será território da Ucrânia", e declarou que a aproximação com a Europa é "irreversível", noticiou o jornal The Washington Post.

Primeiro, Porochenko pediu um minuto de silêncio em homenagem aos cem mortos na revolução de fevereiro. Em seguida, propôs negociações de paz aos separatistas do Leste da Ucrânia.

"Não quero guerra. Não quero vingança", afirmou o bilionário conhecido como rei do chocolate. Ele ofereceu anistia para "quem não tiver as mãos sujas de sangue" e salvo-conduto para os russos que entraram na Ucrânia para apoiar os separatistas, mas disse que não vai negociar com "pistoleiros".

Porochenko chega ao poder num momento crítico para a independência da ex-república soviética da Ucrânia, um país de 45 milhões de habitantes pressionado pela vizinha Rússia com suas ambições imperialistas. A queda do presidente Viktor Yanukovich em meio a uma revolta popular, em fevereiro de 2014, provocou a maior crise entre a Rússia e o Ocidente depois da Guerra Fria.

A Rússia negou legitimidade ao governo provisório surgido da revolução ucraniana, repudiando até mesmo o Memorando de Budapeste, de 1994, pelo qual a Ucrânia entregou a Moscou as armas nucleares herdadas. Fez uma intervenção militar velada, com soldados sem insígnia usando armamento russo.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Rússia promete diálogo com novo presidente da Ucrânia

A Rússia está aberta ao diálogo com o novo presidente ucraniano, o bilionário Petro Porochenko, o rei do chocolate, quando a apuração estiver concluída, mas a Ucrânia deve encerrar as operações militares contra os separatistas aliados de Moscou, declarou hoje o ministro do Exterior russo, Serguei Lavrov.

Em entrevista coletiva como presidente eleito, Porochenko também se declarou aberto ao diálogo, mas não com "terroristas", desqualificando os separatistas que pegaram em armas sob a inspiração do Kremlin depois da queda do presidente Viktor Yanukovich, em 22 de fevereiro de 2014, em meio a uma revolta popular.