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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

Putin decreta a invasão da Ucrânia

 Em longo pronunciamento pela televisão, o ditador Vladimir Putin reconheceu hoje a independência das "repúblicas populares" de Donetsk e Luhansk, províncias da Ucrânia parcialmente ocupadas por separatistas apoiados pelo Kremlin, e ordenou uma invasão do Exército da Rússia sob a alegação de que são "forças de paz" na guerra que matou mais de 14 mil pessoas desde abril de 2022, fomentada por ele. O ataque pode começar a qualquer momento. 

Há semanas, mais de 100 mil soldados russos cercam o território ucraniano numa tentativa de desestabilizar o país vizinho e fazer uma chantagem atômica com o Ocidente, que tenta negociar uma solução diplomática.

Enquanto Putin anunciava a retirada das forças russas, na terça-feira, o Parlamento em Moscou, submisso ao ditador, reconhecia a independência de Donestk e Lukansk, regiões do Vale do Rio Dom.

Leia mais em Quarentena News.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Russos e rebeldes cercam Debaltseve na Ucrânia

Tropas da Rússia e os rebeldes apoiados pelo Kremlin cercaram hoje a cidade de Debaltseve, no Leste da Ucrânia. A guerra na região recrudesceu desde que os separatistas recapturaram o aeroporto de Donetsk, em 21 de janeiro de 2015. Pelo menos 12 pessoas foram mortas hoje em combate.

Debaltseve é o último reduto ainda sob controle do governo da Ucrânia na região rebelada. As províncias de Donetsk e Luhansk foram declaradas "repúblicas populares" pelos rebeldes depois de referendos rejeitados internacionalmente.

O avanço dos rebeldes fortalece a posição da Rússia para a negociação direta entre os presidentes russo, Vladimir Putin, e ucraniano, Petro Porochenko, na quarta-feira. Putin quer criar zonas desmilitarizadas ao longo de uma linha demarcatória entre as forças de Kiev e os rebeldes. Com a ofensiva em curso apoiada por Moscou, a linha avança dia após dia.

sábado, 8 de novembro de 2014

Ucrânia denuncia nova invasão de forças da Rússia

Uma coluna com 32 tanques, 16 sistemas de artilharia e 30 caminhões do Exército da Rússia invadiram hoje a região ocupada pelos rebeldes no Leste da Ucrânia, denunciou ontem o Conselho de Defesa e Segurança Nacional do país.

Nas últimas duas semanas, armas, equipamentos e suprimentos foram enviados às províncias rebeldes de Donetsk e Luhansk, especialmente aos lugares onde a luta nunca parou, apesar do cessar-fogo acertado em setembro.

A Rússia não mudou de posição. Sempre garantiu os suprimentos à rebelião instigada pelo Kremlin depois da queda do presidente ucraniano Viktor Yanukovich em fevereiro de 2014. Talvez tenha aumentado o volume de remessas agora porque o inverno se aproxima e vai dificultar o transporte.

sábado, 1 de novembro de 2014

Rebeldes pró-Rússia fazem eleições no Leste da Ucrânia

As autoproclamadas Repúblicas Populares de Donetsk e Luhansk, no Leste da Ucrânia, realizam eleições neste domingo, 2 de novembro de 2014, uma semana depois das eleições parlamentares no país inteiro, organizadas pelo governo nacional ucraniano, que deram vitória aos partidos favoráveis à aproximação com o Ocidente. A Rússia - e só a Rússia - vai reconhecer o resultado das eleições dos rebeldes.

O objetivo é consolidar os movimentos separatistas insuflados pelo Kremlin, que lutam desde abril para anexar suas províncias à Federação Russa, a exemplo do que aconteceu com a Península da Crimeia em março, em flagrante desrespeito do governo Vladimir Putin ao direito internacional.

Putin não tem interesse em anexar as partes das províncias de Donetsk e Luhansk ocupadas pelos rebeldes. Quer manter a influência russa sobre toda a ex-república soviética da Ucrânia. Assim, a expectativa é de conflito de longo prazo parcialmente congelado entre a Ucrânia e a Rússia, e a Rússia e o Ocidente, em torno das relações entre as antigas repúblicas da União Soviética.

A crise ucraniana estourou em novembro de 2013, quando o então presidente Viktor Yanukovich suspendeu negociações de associação à União Europeia sob pressão de Putin, criou uma União Eurasiana para tentar resgatar um pouco do poder imperial soviético.

Um movimento de protesto saiu às ruas e tomou a Praça Maidan, no centro da capital, Kiev, gerando um impasse político que Yanukovich tentou resolver trazendo tropas de choque de reuniões de maioria étnica e linguisticamente russas para massacrar os rebeldes, que incluíam o grupo neonazista Setor de Direita.

Em meio ao caos, Yanukovich fugiu para a Rússia, que denunciou a segunda revolução ucraniana contra o jugo de Moscou desde o fim da URSS, em 1991, como um "golpe de Estado". A primeira foi a Revolução Laranja, em 2004, quando uma fraude tentou levar Yanukovich ao poder. Com a divisão entre os líderes da Revolução Laranja, os partidos pró-Rússia o elegeram primeiro-ministro em 2006 e presidente em 2010.

Desde a queda de Yanukovich, a Rússia nega legitimidade às novas autoridades da Ucrânia. Sob a alegação de que se trata de "um novo Estado", Putin ignorou o Memorando de Budapeste, assinado em 1994, para que a Rússia herdasse todo o arsenal nuclear soviético, comprometendo-se em troca a respeitar e defender a integridade territorial da Ucrânia.

Dias depois, no fim de fevereiro, paramilitares aliados à Rússia e soldados russos da base naval de Sebastopol, sede da Frota do Mar Negro da antiga URSS, dividida entre os dois países, tomaram o parlamento da supostamente autônoma região da Crimeia, região de maioria étnica russa.

Em 16 de março de 2014, um plebiscito não reconhecido internacional anexou a Crimeia à Federação Russia. Em cerimônia no Kremlin, no dia seguinte, Putin formalizou uma anexação proibida pela Carta da ONU, violando os princípios do direito internacional que proibem a guerra de conquista e a mudança de fronteiras pela força.

Como ninguém vai entrar numa guerra nuclear com a Rússia para resgatar a Crimeia, a sociedade internacional aceitou passivamente. No início de abril, foram as regiões de maioria russa do Vale do Rio Don que começaram a lutar pela independência com o apoio de Moscou. Em maio, houve plebiscitos não reconhecidos internacionalmente para criar as Repúblicas Populares de Donetsk e Luhansk. Os resultados oficiais deram 89% a favor da independência nas duas repúblicas.

Também em maio, o magnata Petro Porochenko, conhecido como o rei do chocolate, foi eleito presidente e decidiu lançar uma operação militar para retomar os territórios ocupados, sem sucesso. Mais de 3,6 mil pessoas morreram na guerra civil ucraniana desde então, sem que o governo de Kiev conseguisse restabelecer o controle sobre as áreas ocupadas pelo rebeldes apoiados pelo Kremlin.

Em 17 de julho, um míssil derrubou um voo Amsterdã-Kuala Lumpur da companhia aérea Malaysia Airlines, matando todas as 298 pessoas a bordo. A Rússia e a Ucrânia se acusaram pelo ataque ao avião de passageiros. Gravações pirateadas por serviços ocidentais supostamente revelam contatos entre rebeldes, que pensavam ter abatido um avião de transporte militar ucraniano, e militares russos.

O resultado preliminar do inquérito, realizado pela Holanda, concluiu que o avião foi abatido por um míssil, sem apontar responsáveis. A conclusão final deve ser apresentada em meados de 2015. Com esse prazo dilatado pululam teorias conspiratórias. O governo Putin insiste em que o Boeing foi abatido por aviões de caça da Ucrânia.

Quando o avião caiu, a televisão estatal Russia Today chegou a dizer que o alvo era o avião de Putin, que voltava de uma reunião de cúpula do grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) no Brasil. Depois a mídia governista inventou toda a sorte de teorias conspiratórias, inclusive que se tratava do Boeing da Malásia que desaparecera meses antes no Oceano Índico quando fazia a rota Kuala Lumper-Beijim.

A expectativa para amanhã é de vitória dos atuais primeiros-ministros interinos de Donetsk, Alexander Zakharchenko, e de Luhansk, Igor Plotnitsky.

domingo, 25 de maio de 2014

Rússia boicota eleição presidencial na Ucrânia

A eleição presidencial deste domingo na Ucrânia não está sendo realizada nas províncias de Donetsk, Luhansk e Slaviansk, onde não foi possível entregar urnas e cédulas de votação por causa do boicote dos separatistas pró-Rússia estimulados pelo Kremlin.

Em Donetsk, uma multidão teria marchado até a casa do homem mais rico da Ucrânia, Rinat Akhmetov, que conclamou a população local a resistir à intervenção russa. A casa estaria cercada por atiradores.

Akhmetov apoiava o presidente Viktor Yahukovich, afastado em 23 de fevereiro de 2014 em meio a uma revolta popular. Com a crise, virou um personagem importante por suas ligações com o poder em Moscou e Kiev.

O favorito para se tornar o próximo presidente da Ucrânia é outro magnata, Petro Porochenko, o rei do chocolate. A ex-primeira-ministra Yulia Timochenko, que perdeu a eleição de 2010 para Yanukovich por escassa margem e depois foi para a cadeia num processo iniciado pelo rival, também concorre, mas não tem grandes chances.

domingo, 11 de maio de 2014

Rebeldes russos cantam vitória em referendos na Ucrânia

Os rebeldes pró-Rússia da autoproclamada República Popular de Donetsk afirmaram hoje que 89% dos eleitores aprovaram a independência de sua região no Leste da Ucrânia, embora nem o Kremlin reconheça a legitimidade da consulta popular.

Também houve votação em Luhansk, onde os separatistas aliados a Moscou também organizaram o referendo, realizaram a votação, apuraram o resultado e se declararam vencedores. Agora, tanto em Donetsk quanto em Luhansk, pretendem formar seus próprios exércitos e declarar os ucranianos estrangeiros.

Talvez não seja suficiente para tomar o poder, mas vai atrapalhar ou até inviabilizar as eleições parlamentares e presidencial convocadas para 25 de maio na Ucrânia.

Pelos dados do comitê eleitoral de Donetsk, que não tem a menor credibilidade, 75% dos 3 milhões de eleitores aptos a votar compareceram às urnas hoje. Os números contrariam inteiramente as pesquisas de opinião realizadas no Leste da Ucrânia, onde cerca de 70% dos entrevistados manifestaram a intenção de permanecer sendo ucranianos.

A revolta da minoria russa, insuflada diretamente pelo homem-forte do Kremlin, Vladimir Putin, começou depois da queda do presidente ucraniano, Viktor Yanukovich, em fevereiro de 2014. No fim daquele mês, milicianos russos ocuparam o Parlamento Regional da Crimeia e convocaram um referendo que, em 16 de março, aprovou a anexação à Rússia.

No início de abril, o movimento chegou ao Leste da Ucrânia, onde a maioria da população é étnica e linguisticamente russa, mas, de acordo com as pesquisas, não quer aderir à Rússia.

Depois de fomentar a revolta para desestabilizar o governo provisório da Ucrânia e sabotar as eleições convocadas para 25 de maio, na semana passada, Putin desautorizou os referendos convocados pelos separatistas. Como quer manter a influência sobre toda a Ucrânia, especialmente sobre Kiev, o presidente da Rússia não tem interesse na divisão do país além da anexação da Crimeia.

Os Estados Unidos lamentaram que a Rússia não tenha usado sua influência sobre os rebeldes para evitar a realização dos referendos. Tropas russas voltaram a se concentrar junto à fronteira da Ucrânia, algumas com uniforme das forças de paz das Nações Unidas.

Só o Conselho de Segurança da ONU podem autorizar o envio de missões de paz. Se os russos invadirem sem aprovação da ONU, será uma intervenção militar.