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sexta-feira, 21 de novembro de 2025

EUA e Rússia propõem rendição da Ucrânia

 O presidente Volodymyr Zelensky, acossado por um escândalo de corrupção, prometeu negociar a paz com base num plano elaborado pelos Estados Unidos e a Rússia, sem a participação da Europa e da Ucrânia. Mas as primeiras informações sobre o plano de 28 pontos indicam que é inaceitável por qualquer líder ucraniano.

A proposta dá tudo o que a Rússia quer e não conseguiu em três anos e nove meses de uma guerra que matou provavelmente centenas de milhares de civis e militares. O Kremlin não faz qualquer concessão. 

O presidente Donald Trump deu prazo até quinta-feira da próxima sermana para a Ucrânia aceitar o plano. Zelensky declarou que este é um dos momentos mais difíceis da história do país. Tem de decidir entre aceitar o plano e reduzir sua dignidade ou perder o maior aliado.

Além de exigir o reconhecimento da soberania russa sobre as províncias da Crimeia, de Donetsk e de Lugansk, o plano proíbe a Ucrânia de entrar para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos EUA, e a presença de forças estrangeiras no país para garantir a paz. 

A Ucrânia ainda teria de reduzir suas Forças Armadas à metade, não ter armas como mísseis de longo alcance, capazes de atingir Moscou, fazer do russo a segunda língua oficial do país e realizar eleições dentro de 100 dias.

É uma tentativa de enfraquecer a Ucrânia, tornando-a um alvo mais fácil de uma futura ofensiva russa, e de afastar Zelensky numa eleição com forte influência russa. Deixa claro mais uma vez que o objetivo do ditador russo, Vladimir Putin, é dominar a Ucrânia, que o ultranacionalismo russo considera parte da Rússia.

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sexta-feira, 30 de setembro de 2022

Putin anexa 15% da Ucrânia e reduz chance de paz

 Diante de derrotas das forças da Rússia no campo de batalha, o ditador Vladimir Putin dobrou a aposta. Depois de plebiscitos forjados realizados de 23 a 27 de setembro, anexou hoje quatro regiões parcialmente ocupadas (Lugansk, Donetsk, Zaporíjia e Kherson) que representam 15% do território da Ucrânia e voltou a ameaçar com o uso de armas nucleares para defender os territórios ocupados. 

Enquanto elimina na prática as chances de negociações de paz, propôs um cessar-fogo que a Ucrânia e o resto do mundo não tem como aceitar. A guerra entra no momento mais perigoso. O presidente Volodymyr Zelensky declarou que não negocia com Putin, só com o próximo líder russo e pediu oficialmente a adesão da Ucrânia à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Depois de sete meses, Putin quer acabar logo com a guerra que chama de operação militar especial e está perdendo. Pretendia vencer em uma semana. Está atolado até hoje, com estimativa de 80 mil soldados russos mortos ou feridos. Em setembro, a Ucrânia recuperou 10 mil quilômetros quadrados de território.

Sob pressão, criticado até mesmo por líderes autoritários como os ditadores da China, Xi Jinping, e da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, Putin acelerou a realização dos plebiscitos e ordenou uma mobilização parcial. O Ministério da Defesa russo convocou 300 mil reservistas. 

Há uma fuga em massa de jovens russos de carro e de avião. Isso cria a ameaça de uma revolta interna na Rússia. Além da crescente oposição à guerra, quem é a favor, os ultranacionalistas, estão furiosos com a incompetência na condução da guerra.

Em discurso triunfalista no Salão São Jorge do Grande Palácio do Kremlim, depois de assinar os “tratados de adesão”, Putin afirmou que a anexação foi uma exigência das populações locais de origem russa com base no princípio de autodeterminação dos povos. 

O ditador citou “laços históricos” e um “destino comum”, argumentos que usa para alegar que a Ucrânia é parte da Rússia e nunca foi um país independente. 

Como o primeiro documento da história da Rússia é uma carta do príncipe Vladimir, em 988, adotando o cristianismo como religião oficial do Principado de Kiev num acordo com o Império Bizantino, a Rússia nasceu em Kiev, que Putin chama de “mãe de todas as cidades russas”.

Se a Rússia nasceu em Kiev e Kiev é a capital da Ucrânia, a Ucrânia é parte da Rússia. Hoje a Rússia Kievana é considerada o primeiro estado russo, fundado por vikings no século 9, durou até a invasão Mongol, em 1240, quando Kiev é arrasada. No seu momento de maior extensão, a Rússia Kievana ia do Mar Báltico ao Mar Negro.

Mas Kiev é uma das cidades mais antigas da Europa Oriental. Era um centro comercial no século 5. Teve mais de mil anos de independência da Rússia até o acordo dos cossacos da Ucrânia, que lutavam contra a Comunidade Polaco-Lituana, fizeram o Acordo da Pereslávia em 1654, pedindo proteção ao czar Aleixo I.

A Ucrânia se torna independente depois da Revolução Russa de 1917, mas os bolcheviques tomam o poder, transformam o país numa república soviética. Putin chegou a dizer que a Ucrânia é uma invenção de Vladimir Lenin e Josef Stalin, quando fundaram a União Soviética, em 1922.

Ele prometeu defender as regiões conquistadas numa guerra de agressão “com todos os meios disponíveis”, uma maneira indireta de falar em armas nucleares. Em seguida, foi à festa na Praça Vermelha.

É uma farsa. A Rússia anexou ilegalmente em março de 2014 a Península da Crimeia, um mês depois da queda do presidente ucraniano Viktor Yanukovich, aliado de Moscou. Em 6 de abril, daquele começou uma guerra no Leste da Ucrânia insuflada pelo Kremlin. Não havia movimento separatista. É obra de Putin.

Em 2014, os rebeldes aliados de Moscou declaram a independência das províncias de Donetsk e Lugansk. Nos Acordos de Minsk, em 2015, a Rússia negociou com a Alemanha, a França e a Ucrânia a devolução dos territórios à soberania ucraniana em troca de garantias de ampla autonomia.

Três dias antes do início da guerra, Putin reconheceu a independência das autoproclamadas repúblicas de Donetsk e Lugansk. E agora, ou só agora, foram anexadas à Rússia, antes que a contraofensiva da Ucrânia retome grandes áreas da região de Donbass, a bacia do Rio Dom.

Para justificar o fracasso, o ditador russo declara estar combatendo os Estados Unidos e seus aliados, que acusa de querer humilhar, dividir e destruir a Rússia. É um delírio paranoico de um líder armado com bombas atômicas.

Se em 2014, a resposta da sociedade internacional foi com sanções que não abalaram o Kremlin, desta vez, reforça a determinação dos Estados Unidos, do Reino Unido, da União Europeia (UE) e aliados de manter a frente unida de apoio à Ucrânia e rejeitar a anexação dos territórios conquistados em guerra, o que viola a Carta das Nações Unidas. Os EUA e a UE anunciaram novas sanções à Rússia.

A Rússia vetou uma resolução do Conselho de Segurança da ONU condenando a anexação. Dez países (EUA, Albânia, Emirados Árabes Unidos, França, Gana, Irlanda, México, Noruega, Quênia e Reino Unido) votaram a favor e quatro se abstiveram (Brasil, China, Índia e Gabão).

Os plebiscitos foram totalmente ilegais e ilegítimos, convocados em cima da hora, sem tempo para campanha, em zonas ocupadas militarmente. Os ucranianos votaram sob a mira de metralhadoras. Os soldados russos foram de casa em casa. 

Nos plebiscitos de Putin, os votos não são secretos. As cédulas tinham o tamanho de uma folha de papel de ofício. Foram colocadas em urnas transparentes. Os resultados falsificados tiveram em média 87% de votos pela anexação e 99% em Donetsk, o que lembra as eleições forjadas da União Soviética.

Para o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos EUA, Jens Stoltenberg, “é a maior escalada no conflito desde o início da guerra”

Na opinião do historiador e cientista político britânico Anatol Lieven, professor do King’s College de Londres e diretor do Quincy Institute for Responsible Statecraft, há “um fracasso total da estratégia russa na Ucrânia desde a invasão de 24 de fevereiro.” 

Lieven acredita que a convocação dos reservistas demorou porque é uma confissão do fracasso e de que a operação militar especial é uma guerra em grande escala. Uma derrota pode derrubar Putin.

“Se a Ucrânia expulsar a Rússia de Kherson e de grandes áreas de Donbass, a sobrevivência de Putin no poder estará em questão”, prevê o professor britânico.

Ao anexar partes da Ucrânia, o cientista político entende que o ditador russo “abandonou qualquer esperança de paz e está pronto para lutar indefinidamente” porque “esta anexação nunca será aceita pela Ucrânia, pelo Ocidente ou ser parte de qualquer acordo”.

Neste caso, a perspectiva é de uma guerra longa, de anos, ou várias guerras entremeadas por períodos de cessar-fogo sem que se chegue a um acordo de paz definitivo. Anatol Lieven compara com o que acontece há 75 anos na região da Caxemira, disputada entre a Índia e o Paquistão.

Diante de recentes declarações do presidente Joe Biden de que os EUA defenderão Taiwan se a China atacar a ilha que considera uma província rebelde, a China não vai abandonar Putin. Deve aumentar a ajuda militar e financeira à Rússia.

Mas o risco de um golpe contra Putin é cada vez maior, observa Anatol Lieven. Não seria necessariamente violento. Uma comissão de figurões da elite russa iriam ao Kremlin e ofereceriam garantias de imunidade contra processos e confisco de propriedades. Putin iria para sua dacha e teria uma vida tranquila longe dos holofotes, a exemplo do que aconteceu com o líder soviético Nikita Kruschev.

Em troca, os golpistas russos precisariam negociar com o Ocidente a normalização das relações. Uma Rússia enfraquecida econômica e militarmente pode ser mais perigosa porque vai continuar tendo armas nucleares. Lieven compara com a República de Weimar, que governou a Alemanha depois da Primeira Guerra Mundial até a ascensão do nazismo, em 1933, sob os fantasmas da rendição e da humilhação nacional.

O resultado, na Alemanha, foi Adolf Hitler e a Segunda Guerra Mundial. Agora, mesmo com a queda de Putin, poderia ser um endurecimento da guerra e sua ampliação além das fronteiras da Ucrânia.

A Guerra da Ucrânia ressuscitou os fantasmas da guerra nuclear e de uma Terceira Guerra Mundial. Meu comentário:

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

Putin anuncia início da guerra na Ucrânia

 Em pronunciamento na televisão da Rússia, o ditador Vladimir Putin anunciou há pouco ter ordenado uma "operação militar especial para proteger a Bacia do Rio Dom", o que significa tomar as províncias ucranianas de Donetsk e Lugansk, onde rebeldes apoiados pelo Kremlin proclamaram a independência de "repúblicas populares", e "desmilitarizar e desnazificar a Ucrânia". Isto implica uma ação muito maior e possível mudança de regime. 

A Ucrânia declarou que o país foi alvo de mísseis nas duas maiores cidades, a capital, Kiev, e Carcóvia, num total de dezesseis cidades. Os principais alvos são aeroportos, quartéis e arsenais. O governo ucraniano declarou que destruiu quatro tanques e matou pelo menos 50 soldados russos.

Putin afirmou que não pretende ocupar o território da Ucrânia, o que parecia indicar que a invasão se limitaria às duas províncias que a Rússia reconhece como países independentes. Mas forças russas desembarcaram em Odessa, no Sul do país, e tanques russos entraram pela fronteira com a Bielorrússia, no Norte, a rota mais curta para a capital. A se confirmar, seria uma invasão total, em três frentes.

O ditador russo intimou o Exército da Ucrânia a baixar as armas e não reagir, dizendo com o cinismo habitual que qualquer derramamento de sangue será responsabilidade do "atual regime", que considera ilegítimo. É clara sua intenção de mudar o regime.

Leia mais em Quarentena News.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

Putin decreta a invasão da Ucrânia

 Em longo pronunciamento pela televisão, o ditador Vladimir Putin reconheceu hoje a independência das "repúblicas populares" de Donetsk e Luhansk, províncias da Ucrânia parcialmente ocupadas por separatistas apoiados pelo Kremlin, e ordenou uma invasão do Exército da Rússia sob a alegação de que são "forças de paz" na guerra que matou mais de 14 mil pessoas desde abril de 2022, fomentada por ele. O ataque pode começar a qualquer momento. 

Há semanas, mais de 100 mil soldados russos cercam o território ucraniano numa tentativa de desestabilizar o país vizinho e fazer uma chantagem atômica com o Ocidente, que tenta negociar uma solução diplomática.

Enquanto Putin anunciava a retirada das forças russas, na terça-feira, o Parlamento em Moscou, submisso ao ditador, reconhecia a independência de Donestk e Lukansk, regiões do Vale do Rio Dom.

Leia mais em Quarentena News.

domingo, 29 de maio de 2016

Rebeldes apoiados pela Rússia matam cinco soldados da Ucrânia

Nas últimas 24 horas, os rebeldes apoiados pela Rússia mataram cinco soldados do Exército da Ucrânia e feriram outros quatro nas províncias separatistas do Leste do país, afirmou um porta-voz militar ucraniano citado pela agência Reuters. Outros sete soldados da Ucrânia haviam sido mortos em 24 de maio.

O atual foco dos combates é cidade de Avdiikva, controlada pelo governo, que fica ao norte da cidade de Donetsk, dominada pelos rebeldes. Eles usaram armas leves e artilharia pesada, inclusive mosteiros.

A Rússia fomentou uma rebelião na Ucrânia depois da revolução da Praça Maidan, em Kiev. Uma onda de protestos de novembro de 2013 a fevereiro de 2014 derrubou o presidente Viktor Yanukovich, que sob pressão do Kremlin, havia rejeitado um acordo de associação com a União Europeia.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, denunciou um golpe de Estado e anexou em 17 de março de 2014 a península da Crimeia, uma região da Ucrânia de maioria russa onde fica a base naval da Frota do Mar Negro, que forneceu os soldados necessários.

Em abril daquele ano, começou a rebelião da população étnica e linguisticamente russa do Leste da Ucrânia. Um cessar-fogo anunciado em fevereiro de 2015 reduziu as hostilidades, mas não acabou com a guerra civil que causou mais de 7 mil mortes desde abril de 2014.

O reinício dos combates acontece no momento em que a UE decide se mantém as sanções econômicas impostas à Rússia junto com os EUA em resposta contra a intervenção militar russa na ex-república soviética da Ucrânia, que Moscou considera sua área de influência.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Russos e rebeldes cercam Debaltseve na Ucrânia

Tropas da Rússia e os rebeldes apoiados pelo Kremlin cercaram hoje a cidade de Debaltseve, no Leste da Ucrânia. A guerra na região recrudesceu desde que os separatistas recapturaram o aeroporto de Donetsk, em 21 de janeiro de 2015. Pelo menos 12 pessoas foram mortas hoje em combate.

Debaltseve é o último reduto ainda sob controle do governo da Ucrânia na região rebelada. As províncias de Donetsk e Luhansk foram declaradas "repúblicas populares" pelos rebeldes depois de referendos rejeitados internacionalmente.

O avanço dos rebeldes fortalece a posição da Rússia para a negociação direta entre os presidentes russo, Vladimir Putin, e ucraniano, Petro Porochenko, na quarta-feira. Putin quer criar zonas desmilitarizadas ao longo de uma linha demarcatória entre as forças de Kiev e os rebeldes. Com a ofensiva em curso apoiada por Moscou, a linha avança dia após dia.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Rebeldes apoiados pela Rússia avançam na Ucrânia

Os rebeldes teleguiados pelo Kremlin cercaram as forças do governo da Ucrânia na cidade de Debaltseve e parecem ter assumido o controle de Vuhlehirsk, noticiou a agência Reuters. Os militares ucranianos disseram ainda estar resistindo, mas os repórteres não viram mais sua presença na cidade.

Mais cedo, um tiro de canhão atingiu em Donetsk, capital da província do mesmo nome. Pelo menos cinco pessoas morreram. É uma das duas regiões do Leste da Ucrânia declaradas "repúblicas populares" pelos rebeldes étnica e linguisticamente russos.

Amanhã, o secretário de Estado americano, John Kerry, visita Kiev, a capital da Ucrânia, onde vai discutir o envio de armas dos Estados Unidos à Ucrânia. Isso pode reforçar o discurso da propaganda oficial do protoditador Vladimir Putin, que apresenta o Exército ucraniano como uma força mercenária a serviço da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Mais de 5,8 mil pessoas morreram na guerra deflagrada por Putin na Ucrânia a partir de abril de 2014, depois de ter anexado ilegalmente a península da Crimeia no mês anterior.

Depois de um cessar-fogo acertado no ano passado, o conflito havia diminuído, mas o profundo declínio da economia da Rússia diante das sanções internacionais em retaliação contra a intervenção na Ucrânia e da queda nos preços do petróleo, Putin retomou o conflito em busca da popularidade perdida. Com o dinheiro no bolso dos russos perdendo rapidamente o valor, o truque sanguinário não vai funcionar.

sábado, 8 de novembro de 2014

Ucrânia denuncia nova invasão de forças da Rússia

Uma coluna com 32 tanques, 16 sistemas de artilharia e 30 caminhões do Exército da Rússia invadiram hoje a região ocupada pelos rebeldes no Leste da Ucrânia, denunciou ontem o Conselho de Defesa e Segurança Nacional do país.

Nas últimas duas semanas, armas, equipamentos e suprimentos foram enviados às províncias rebeldes de Donetsk e Luhansk, especialmente aos lugares onde a luta nunca parou, apesar do cessar-fogo acertado em setembro.

A Rússia não mudou de posição. Sempre garantiu os suprimentos à rebelião instigada pelo Kremlin depois da queda do presidente ucraniano Viktor Yanukovich em fevereiro de 2014. Talvez tenha aumentado o volume de remessas agora porque o inverno se aproxima e vai dificultar o transporte.

sábado, 1 de novembro de 2014

Rebeldes pró-Rússia fazem eleições no Leste da Ucrânia

As autoproclamadas Repúblicas Populares de Donetsk e Luhansk, no Leste da Ucrânia, realizam eleições neste domingo, 2 de novembro de 2014, uma semana depois das eleições parlamentares no país inteiro, organizadas pelo governo nacional ucraniano, que deram vitória aos partidos favoráveis à aproximação com o Ocidente. A Rússia - e só a Rússia - vai reconhecer o resultado das eleições dos rebeldes.

O objetivo é consolidar os movimentos separatistas insuflados pelo Kremlin, que lutam desde abril para anexar suas províncias à Federação Russa, a exemplo do que aconteceu com a Península da Crimeia em março, em flagrante desrespeito do governo Vladimir Putin ao direito internacional.

Putin não tem interesse em anexar as partes das províncias de Donetsk e Luhansk ocupadas pelos rebeldes. Quer manter a influência russa sobre toda a ex-república soviética da Ucrânia. Assim, a expectativa é de conflito de longo prazo parcialmente congelado entre a Ucrânia e a Rússia, e a Rússia e o Ocidente, em torno das relações entre as antigas repúblicas da União Soviética.

A crise ucraniana estourou em novembro de 2013, quando o então presidente Viktor Yanukovich suspendeu negociações de associação à União Europeia sob pressão de Putin, criou uma União Eurasiana para tentar resgatar um pouco do poder imperial soviético.

Um movimento de protesto saiu às ruas e tomou a Praça Maidan, no centro da capital, Kiev, gerando um impasse político que Yanukovich tentou resolver trazendo tropas de choque de reuniões de maioria étnica e linguisticamente russas para massacrar os rebeldes, que incluíam o grupo neonazista Setor de Direita.

Em meio ao caos, Yanukovich fugiu para a Rússia, que denunciou a segunda revolução ucraniana contra o jugo de Moscou desde o fim da URSS, em 1991, como um "golpe de Estado". A primeira foi a Revolução Laranja, em 2004, quando uma fraude tentou levar Yanukovich ao poder. Com a divisão entre os líderes da Revolução Laranja, os partidos pró-Rússia o elegeram primeiro-ministro em 2006 e presidente em 2010.

Desde a queda de Yanukovich, a Rússia nega legitimidade às novas autoridades da Ucrânia. Sob a alegação de que se trata de "um novo Estado", Putin ignorou o Memorando de Budapeste, assinado em 1994, para que a Rússia herdasse todo o arsenal nuclear soviético, comprometendo-se em troca a respeitar e defender a integridade territorial da Ucrânia.

Dias depois, no fim de fevereiro, paramilitares aliados à Rússia e soldados russos da base naval de Sebastopol, sede da Frota do Mar Negro da antiga URSS, dividida entre os dois países, tomaram o parlamento da supostamente autônoma região da Crimeia, região de maioria étnica russa.

Em 16 de março de 2014, um plebiscito não reconhecido internacional anexou a Crimeia à Federação Russia. Em cerimônia no Kremlin, no dia seguinte, Putin formalizou uma anexação proibida pela Carta da ONU, violando os princípios do direito internacional que proibem a guerra de conquista e a mudança de fronteiras pela força.

Como ninguém vai entrar numa guerra nuclear com a Rússia para resgatar a Crimeia, a sociedade internacional aceitou passivamente. No início de abril, foram as regiões de maioria russa do Vale do Rio Don que começaram a lutar pela independência com o apoio de Moscou. Em maio, houve plebiscitos não reconhecidos internacionalmente para criar as Repúblicas Populares de Donetsk e Luhansk. Os resultados oficiais deram 89% a favor da independência nas duas repúblicas.

Também em maio, o magnata Petro Porochenko, conhecido como o rei do chocolate, foi eleito presidente e decidiu lançar uma operação militar para retomar os territórios ocupados, sem sucesso. Mais de 3,6 mil pessoas morreram na guerra civil ucraniana desde então, sem que o governo de Kiev conseguisse restabelecer o controle sobre as áreas ocupadas pelo rebeldes apoiados pelo Kremlin.

Em 17 de julho, um míssil derrubou um voo Amsterdã-Kuala Lumpur da companhia aérea Malaysia Airlines, matando todas as 298 pessoas a bordo. A Rússia e a Ucrânia se acusaram pelo ataque ao avião de passageiros. Gravações pirateadas por serviços ocidentais supostamente revelam contatos entre rebeldes, que pensavam ter abatido um avião de transporte militar ucraniano, e militares russos.

O resultado preliminar do inquérito, realizado pela Holanda, concluiu que o avião foi abatido por um míssil, sem apontar responsáveis. A conclusão final deve ser apresentada em meados de 2015. Com esse prazo dilatado pululam teorias conspiratórias. O governo Putin insiste em que o Boeing foi abatido por aviões de caça da Ucrânia.

Quando o avião caiu, a televisão estatal Russia Today chegou a dizer que o alvo era o avião de Putin, que voltava de uma reunião de cúpula do grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) no Brasil. Depois a mídia governista inventou toda a sorte de teorias conspiratórias, inclusive que se tratava do Boeing da Malásia que desaparecera meses antes no Oceano Índico quando fazia a rota Kuala Lumper-Beijim.

A expectativa para amanhã é de vitória dos atuais primeiros-ministros interinos de Donetsk, Alexander Zakharchenko, e de Luhansk, Igor Plotnitsky.

domingo, 19 de outubro de 2014

Ucrânia mata nove pessoas em bombardeio a Donetsk

Pelo menos quatro civis foram mortos e outros nove saíram feridos ontem de um bombardeio da Ucrânia contra a cidade de Donetsk, tomada por rebeldes apoiados pela Rússia, informou hoje a agência de notícias russa RIA Novosti. O ataque também matou cinco rebeldes e feriu outros 30, acrescentou o comandante militar da autoproclamada República Popular de Donetsk.

Cerca de 3,7 mil pessoas foram mortas e outras 9 mil feridas desde o início, em abril de 2014, da revolta da população de origem russa no Leste da Ucrânia contra o governo central de Kiev, fomentada pelo Kremlin para manter o controle sobre a ex-república soviética.

Apesar do acordo de cessar-fogo assinado em 5 de setembro, as escaramuças se repetem esporadicamente e a Rússia está ampliando as sanções econômicas em retaliação às impostas pelos Estados Unidos e a União Europeia.

Os bombardeios tornam a paz e a reconciliação cada vez mais difícil na Ucrânia, onde o novo presidente iniciou um expurgo dos funcionários do antigo governo do presidente pró-Rússia Viktor Yanukovich, que renunciou em 22 de fevereiro, durante uma revolta popular em que mais de cem pessoas morreram.

Sob o peso das sanções, a economia russa está estagnada. Dentro do grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que reúne grandes economias emergentes, a Rússia deve ficar estagnada ou até ter uma pequena recessão em 2014. É o único país do grupo a crescer menos que o Brasil, que deve avançar apenas 0,3% neste ano.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Rebeldes anunciam tomada do aeroporto de Donetsk

Os rebeldes étnica e linguisticamente russos apoiados pelo Kremlin anunciaram hoje a conquista do aeroporto de Donetsk, no Leste da Ucrânia, que lutam para anexar à Rússia. Horas depois, o governo ucraniano admitiu que há uma feroz batalha em torno do aeroporto, mas declarou que está mantendo o controle.

De acordo com mensagem postada no Twitter pelo Conselho de Defesa e Segurança Nacional da Ucrânia, há um ataque continuado, mas a "Operação Antiterrorismo" ainda domina o aeroporto.

As duas partes negociam um cessar-fogo permanente que depende do presidente russo, Vladimir Putin. Não satisfeito com a anexação ilegal da Crimeia, em março de 2014, Putin fomenta desde abril a rebelião no Leste da Ucrânia. Sem interesse em desmembrar mais o país, seu objetivo parece ser enfraquecer a ex-república soviética para mantê-la sob a órbita de Moscou.

Na semana passada, o homem-forte da Rússia mandou carta à União Europeia exigindo a renegociação do acordo de associação entre a Ucrânia e a UE sob a alegação de "prejuízos à economia russa".

Esta guerra já matou mais de 3,5 mil pessoas e ainda parece longe do fim.

sábado, 13 de setembro de 2014

Ucrânia repele ataque ao aeroporto de Donetsk

As forças do governo da Ucrânia repeliram um ataque dos rebeldes separatistas apoiado pela Rússia contra o aeroporto de Donetsk, no Leste do país, noticiou hoje a agência France Presse, citando como fontes militares ucranianos.

O aeroporto de Donetsk continua em mãos das forças governamentais, enquanto os rebeldes apoiados pelo Kremlin dominam a cidade ao redor. A retomada dos combates viola o frágil cessar-fogo negociado entre Ucrânia e Rússia, que deveria estar em vigor desde 3 de setembro.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Ucrânia mata 40 para retomar aeroporto de Donetsk

O Exército da Ucrânia realizou uma ofensiva para retomar o aeroporto de Donetsk, no Leste do país, ocupado por separatistas aliados à Rússia. Pelo menos 40 pessoas foram mortas.

Na madrugada desta terça-feira, um dos líderes separatistas da cidade, Pavel Gubarev, escreveu no Facebook que uma granada disparada por foguete atingiu um caminhão que transportava rebeldes depois da batalha do aeroporto. O prefeito de Donetsk, Olexander Lukiachenko, disse que há 40 mortos e 43 feridos.

A Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) perdeu contato com sua equipe de observadores.

domingo, 25 de maio de 2014

Rússia boicota eleição presidencial na Ucrânia

A eleição presidencial deste domingo na Ucrânia não está sendo realizada nas províncias de Donetsk, Luhansk e Slaviansk, onde não foi possível entregar urnas e cédulas de votação por causa do boicote dos separatistas pró-Rússia estimulados pelo Kremlin.

Em Donetsk, uma multidão teria marchado até a casa do homem mais rico da Ucrânia, Rinat Akhmetov, que conclamou a população local a resistir à intervenção russa. A casa estaria cercada por atiradores.

Akhmetov apoiava o presidente Viktor Yahukovich, afastado em 23 de fevereiro de 2014 em meio a uma revolta popular. Com a crise, virou um personagem importante por suas ligações com o poder em Moscou e Kiev.

O favorito para se tornar o próximo presidente da Ucrânia é outro magnata, Petro Porochenko, o rei do chocolate. A ex-primeira-ministra Yulia Timochenko, que perdeu a eleição de 2010 para Yanukovich por escassa margem e depois foi para a cadeia num processo iniciado pelo rival, também concorre, mas não tem grandes chances.