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quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Irã clama por liberdade

Quarenta e sete anos depois da Revolução Islâmica liderada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini, a ditadura teocrática do Irã enfrenta seu maior desafio, uma revolta popular sem precedentes, com mais de 2,5 mil mortes. 

O presidente Donald Trump ameaçou bombardear alvos do regime fundamentalista xiita se manifestantes fossem mortos. O ataque, ilegal à luz do direito internacional, pode acontecer neste fim de semana e iniciar uma nova guerra no Oriente Médio.

A atual onda de manifestações começou em 28 de dezembro no Grande Bazar, o mercado central de Teerã, em protesto contra a desvalorização da moeda e a inflação. Espalhou-se pelas 31 províncias do país. Em 8 de janeiro, o governo iraniano bloqueou a Internet e os telefonemas internacionais. No domingo passado, o massacre se tornou evidente nas imagens que conseguiram ser divulgadas no exterior.

 Não há garantia de que uma intervenção militar seja capaz de derrubar a ditadura. Bombardeios aéreos não têm como impedir as forças de segurança de continuar matando manifestantes. Mas regime dos aiatolás e da Guarda Revolucionária perdeu toda e qualquer legitimidade. Está condenado.

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domingo, 25 de setembro de 2022

Mulheres desafiam ditadura dos aiatolás no Irã

 Pelo menos 50 pessoas morreram em uma semana de uma revolta popular liderada por mulheres jovens contra a ditadura teocrática da República Islâmica do Irã, fundada em 1979 pelo aiatolá Ruhollah Khomeini. Elas estão cortando o cabelo, queimando o véu islâmico (hijab) e mostrando a cabeleira nua num desafio à “polícia da moralidade”.

A luta tem uma mártir. Mahsa Amini, uma jovem de 22 anos da região curda do Nordeste do Irã, visitava parentes na capital, Teerã, em 13 de setembro, quando foi presa da polícia religiosa, a polícia de costumes, por estar com o véu mal colocado, mostrando um pouco do cabelo.

Ela foi abordada numa saída do metrô. Estava com o irmão, que explicou eles eram do interior. Mahsa foi para a delegacia para ser “educada” sobre a maneira correta de usar o hijab.

Sua morte, no dia 16, num hospital de Teerã, depois de três dias de coma com lesões no crânio causadas por tortura, deflagraram a onda de protestos. É a maior desde que mais de 1,5 mil pessoas morreram em 2019 e 2020 em choques com a polícia durante manifestações contra uma alta nos preços dos combustíveis.

No túmulo, na cidade de Sakez, na região curda, está escrito: “Querida Ihina [nome curdo], você não morreu. Seu nome se tornou um símbolo.”

Multidões tomaram as ruas de cidades de 16 das 31 províncias iranianas e no exterior aos gritos de “morte ao ditador”, o aiatolá Ali Khamenei, sucessor de Khomeini como Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica.

Nas ruas e na Internet, mulheres iranianas estão cortando o cabelo, queimando o hijab e saindo à rua sem véu. Uma das líderes do movimento é Masih Alinejad, uma exilada iraniana que mora em Nova York sob a proteção do FBI, a polícia federal dos Estados Unidos. 

Há anos, ela estimula as iranianas a se rebelar contra o véu e mostrar na rede. Agora publicou um vídeo de Teerã onde uma manifestante diz: “Nosso sonho se tornar realidade. Finalmente, estamos queimando na rua o símbolo da nossa opressão.”

Elemento central da ideologia do regime fundamentalista xiita, o hijab cristaliza a vida insuportável da mulher iraniana, que ficou ainda pior com a eleição para presidente, em junho de 2021, do ultraconservador Ebrahim Raissi, ex-presidente do Supremo Tribunal do Irã.

O novo governo restringiu os métodos anticoncepcionais sob o pretexto de estimular a natalidade. Todo protesto, dos diretos da mulher à questão do meio ambiente, enfrenta uma dura repressão.

Para conter a revolta, além da repressão violenta, a partir de 19 de setembro, a ditadura dos aiatolás e da Guarda Revolucionária cortou a Internet em várias regiões do Irã. Desde o dia 21, aplicativos como WhatsApp e Instagram estão bloqueados por “razões de segurança nacional”.

Alguns dias atrás, Alinejad escreveu no Twitter: “Nós, mulheres do Irã, tiramos o véu e cantamos contra a ditadura religiosa com risco de prisão e morte, mas temos um sonho: queremos nos livrar do regime islâmico.”

sábado, 9 de novembro de 2019

Oposição rejeita diálogo e unidades policiais se amotinam na Bolívia

Várias unidades policiais de quatro departamentos da Bolívia aderiram hoje à revolta popular contra o presidente Evo Morales, acusado de fraude eleitoral para se reeleger para um quarto mandato, o que a rigor é proibido pela Constituição. A oposição rejeitou a proposta de diálogo do governo e o Exército avisou que não vai enfrentar a população. Quer uma solução pacífica.

"Não tenho nada a negociar com Evo Morales e seu governo", afirmou o ex-vice-presidente Carlos Mesa, candidato derrotado na apuração oficial das eleições de 20 de outubro e líder da oposição. A declaração acirrou ainda mais os ânimos e as manifestações de rua.

Partidários do governo bloquearam o acesso à cidade de El Alto para impedir que manifestantes de oposição fossem até La Paz, onde fica a sede do governo. Os policiais exigem os mesmos salários e regime de aposentadoria que os militares.

Como a polícia de La Paz aderiu à revolta, o regime militar Colorados de Bolívia estão garantindo a segurança do presidente. Sem acesso ao Palácio Queimado, Morales despacha no aeroporto da cidade vizinha de El Alto.

Milhares de camponeses produtores de coca estão marchando de Cochabamba em direção a La Paz. Eles atendem à convocação de Morales, que denuncia um "golpe de Estado" com o apoio do exterior, que ele não identificou. O presidente iniciou sua carreira política como líder do sindicato dos produtores de coca.

Pela lei boliviana, ganha no primeiro turno quem receber mais de metade dos votos válidos ou mais de 40% e uma vantagem de dez pontos percentuais sobre o segundo colocado. Uma apuração preliminar realizada na noite do dia da eleição indicava que haveria segundo quando foi suspensa sem maiores explicações.

No dia seguinte, a apuração manual voto a voto dava mais ou menos o mesmo percentual aos dois principais candidatos quando foi suspensa. Recomeçou então a contagem preliminar e o presidente obteve a vantagem de dez pontos percentuais, confirmada dias depois pela contagem mais lenta.

A interrupção abrupta da contagem despertou suspeitas, inclusive da missão observadora da Organização dos Estados Americanos (OEA), que defendeu uma recontagem e revisão geral dos votos. Desde o início, Morales alegou que as acusações eram parte de um golpe de Estado. Sua situação é cada vez mais difícil.

Proibido pela Constituição de se reeleger pela segunda vez, o presidente argumentou que o primeiro mandato havia sido sob a Constituição anterior. Depois de perder em 2016 um plebiscito que autorizaria a reeleição sem limites, apelou à Corte Suprema tendo por base uma decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos, o Tribunal de São José da Costa Rica, que entende que ser candidato é um direito fundamental.

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Poder popular desafia ditaduras da China e da Rússia

Apesar da ascensão do populismo e do neofascismo em países com longa tradição democrática, a democracia liberal está viva. As duas grandes potências que desafiam a democracia liberal enfrentam revoltas nas ruas e não tem outra resposta a não ser a repressão violenta.

O grande dilema do século 21 não é mais entre direita e esquerda. Em todas as democracias, o espectro político vai da extrema direita à extrema esquerda. O dilema é entre sociedades abertas e regimes políticos fechados.

Em entrevista recente ao jornal inglês Financial Times, o ditador russo, Vladimir Putin, anunciou a morte da democracia liberal. Mas, enquanto a Rússia moderniza seu arsenal nuclear para manter o status de grande potência, a maior ameaça a Putin vem de seu próprio povo.

Em Hong Kong, são os chineses que lutam para manter o sistema liberal e a sociedade aberta na antiga colônia britânica diante da interferência cada vez maior do regime comunista da China. Meu comentário:

sábado, 8 de setembro de 2018

Parlamento do Iraque discute revolta em Bássora em sessão extraordinária

O Parlamento do Iraque realizou uma sessão extraordinária hoje em Bagdá para discutir medidas de emergência para conter uma revolta popular em Bássora, a maior cidade da região de maioria xiita no Sul do país, onde o governo impôs um toque de recolher noturno, noticiou a Agência France Presse.

As manifestações foram provocadas pela deficiência dos serviços públicos essenciais como o fornecimento de água e de energia elétrica. Desde o início do mês, pelo menos 15 rebeldes morreram em confrontos com as forças de segurança.

Nesta semana, os rebeldes incendiaram o Consulado do Irã e atacaram o aeroporto local com três foguetes Katiúcha. Os ataques a grupos apoiados e financiados pelo Irã mostra um claro repúdio, mesmo em regiões de maioria xiita, à interferência iraniana nos assuntos internos do Iraque.

A violência tende a continuar enquanto os manifestantes não acreditarem nas promessas do governo central de Bagdá. A longo prazo, a consequência pode ser um movimento federalista para dividir o país em regiões com ampla autonomia, como já acontece na região curda no Norte do país.

domingo, 1 de julho de 2018

Pistoleiros leais a Ortega atacam Marcha das Flores na Nicarágua

A Marcha das Flores deveria ter sido uma manifestação pacífica em homenagem aos cerca de 20 menores de idade mortos nos protestos contra o governo Daniel Ortega desde 19 de abril. Mas pistoleiros leais ao regime assassino tocaiados desde a noite anterior numa propriedade privada atiraram contra a multidão. Duas pessoas morreram e 11 saíram feridas.

Com a violenta repressão, pelo menos 287 pessoas foram mortas desde abril, de acordo com a Associação Nicaraguense para os Direitos Humanos (ANPDH). O movimento era contra uma reforma da Previdência Social com aumento de contribuição e corte nas aposentadorias e pensões. Agora, exige a renúncia do presidente e da vice-presidente Rosario Murillo, sua mulher, a antecipação das eleições e a responsabilização dos responsáveis pelas mortes.

É a pior crise política no país desde o fim da guerra civil deflagrada pelos contrarrevolucionários nos anos 1980s, com o apoio do presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, depois da vitória da Revolução Sandinista e da queda da ditadura de Anastasio Somoza, em 17 de julho de 1979.

Ortega governou o país, primeiro como comandante da revolução. Foi eleito presidente em 1984, em eleição boicotada pela oposição a pedido do governo Reagan. Em 1990, perdeu a eleição para Violeta Chamorro.

O atual presidente voltou ao poder em 2007, com o apoio da velha oligarquia somozista que um dia combatera, ao se aliar ao ex-presidente Arnoldo Alemán, condenado por corrupção. No poder, mudou a composição da Corte Suprema e a Constituição para permitir a reeleição sem limites.

Sem a ajuda financeira que recebia da Venezuela no tempo de Hugo Chávez, Ortega foi obrigado a cortar os gastos públicos. A reforma previdenciária enterrou o governo. Ele resiste, mas a Igreja Católica suspendeu as negociações até que organizações internacionais investiguem as violações dos direitos humanos cometidas nos últimos meses.

terça-feira, 1 de maio de 2018

Parlamento da Armênia rejeita indicação de líder da oposição para primeiro-ministro

A Assembleia Nacional da ex-república soviética da Armênia rejeitou hoje a indicação do líder da oposição, deputado Nikol Panchinian, para chefiar um novo governo, oito dias depois da queda do primeiro-ministro e ex-presidente Serge Sarkissian, que estava no poder há dez anos.

Sarkissian pediu demissão depois de onze dias de manifestações de rua. Panchinian prometeu manter os protestos se a nomeação não fosse confirmada. O Parlamento fará nova votação para escolher um novo primeiro-ministro em 8 de maio.

O Partido Republicano da Armênia recebeu 49% dos votos nas eleições de 2 de abril. Sarkissian foi eleito primeiro-ministro em 17 de abril. Como tinha prometido não se candidatar ao cargo quando aumentou os poderes do primeiro-ministro, numa reforma constitucional aprovada em 2015, uma multidão saiu às ruas em protestos.

Depois de dez anos de governos medíocres, Sarkissian manobrou para continuar no poder, mas foi repudiado durante manifestações de rua por 11 dias.

Hoje Panchinian era candidato único. Precisava de 53 votos. Obteve apenas 45. Só recebeu um voto do Partido Republicano.

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Líder da oposição é nomeado primeiro-ministro da Armênia

O líder da revolta popular que derrubou o presidente Serge Sarkissian, deputado Nikol Pashinian, foi nomeado hoje primeiro-ministro da ex-república soviética da Armênia. Sua indicação deve ser confirmada hoje pelo Parlamento, em Ierevã, mas vai exigir votos de pelo menos 13 deputados de partidos ligados ao antigo governo.

Depois de ser presidente por dez anos, sem direito à reeleição, Sarkissian durou apenas seis dias no cargo de primeiro-ministro e caiu há uma semana em meio a uma onda de 11 dias de protestos. Quando aumentou os poderes do primeiro-ministro, ainda como presidente, prometeu nunca concorrer ao cargo.

Pashinian ameaçava manter as manifestações até a indicação de um oposicionista para chefiar o novo governo.

Em 2008, Sarkissian reprimiu com violência protestos contra sua eleição, decretou estado de emergência e colocou o então líder da oposição, Levon Ter-Petrossian, em prisão domiciliar. Dez pessoas foram mortas.

Desta vez, centenas de manifestantes foram presos, inclusive Pashinian, mas soltos em seguida. Quando 200 soldados da tropa de elite Boinas Azuis participaram desarmados de um protesto, em 23 de abril, o primeiro-ministro renunciou à chefia do governo.

A queda de Sarkissian depois de 11 dias seguidos de protestos reflete uma nova realidade nas antigas repúblicas da União Soviética. Desde a Revolução da Praça Maidan, na Ucrânia, em fevereiro de 2014, os governos, mesmo na Rússia e na Bielorrússia, relutam em reprimir as manifestações com muita violência, optando por um controle de massas com uma abordagem com menos confrontação.

O massacre na Praça Maidan levou à queda do presidente Viktor Yanukovich e à intervenção militar da Rússia, à anexação da Crimeia por Vladimir Putin e a uma guerra civil no Leste da Ucrânia. A violência provocou uma revolução e uma guerra. Mais de 10 mil pessoas foram mortas e o conflito não terminou.

Até na Bielorrússia, Alexander Lukachenko teme seguir o destino de Yanukovich. Depois de reprimir com dureza os protestos contra sua reeleição em 2010, há pouco o ditador suspendeu uma proposta de cobrança de impostos dos desempregados, que chamou de "parasitas sociais". Recuou diante das manifestações de rua.

Como os regimes pós-soviéticos são basicamente autoritários e centralizados, com uma repressão menos violenta, a expectativa é de maior mobilização política.

A Armênia é na prática um satélite da Rússia, dentro da política do ditador Vladimir Putin de restaurar o poder imperial soviético, que considera as ex-repúblicas da URSS como esfera de influência de Moscou.

Quando as reformas de Mikhail Gorbachev liberaram as forças nacionalistas na antiga URSS, houve uma guerra entre a Armênia e o Azerbaijão pelo controle da região de Nagorno-Karabakh, um enclave de maioria armênia dentro do Azerbaijão criado pelas remoções forçadas promovidas pelo ditador soviético Josef Stalin.

Além do Azerbaijão, a Armênia tem um conflito histórico com a Turquia, que acusa de genocídio durante a Primeira Guerra Mundial. Venceu o Azerbaijão com o apoio decisivo da Rússia, que mantém 5 mil soldados para garantir a segurança da Armênia.

O país é membro de duas organizações internacionais dominadas pela Rússia, a Organização do Tratado de Segurança Coletiva (Rússia, Armênia, Bielorrúsia, Casaquistão, Tajiquistão e Quirguistão) e a União Econômica da Eurásia, com os mesmos países, menos o Tajiquistão.

Assim, é improvável que Pashinian tente tirar a Armênia da esfera de influência da Rússia.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Primeiro-ministro da Armênia cai após dias de protestos de rua

Depois de dez anos no poder como presidente da Armênia, Serge Sarkissian durou apenas seis dias como primeiro-ministro. Nomeado em 17 de abril, pediu demissão hoje, sob pressão de onze dias de manifestações de rua em Ierevã, capital da ex-república soviética da região do Cáucaso.

"Eu deixo o cargo de dirigente do país", declarou Sarkissian, citado pela agência oficial de notícias Armenpress.

Poucas horas antes, foi libertado o deputado Nikol Panchinian, líder do movimento popular, que mandou seus seguidores festejaram: "Cidadão comum da Armênia, você ganhou! E ninguém pode te privar desta vitória. Eu te felicito, povo vitorioso."

A festa foi na Praça da República, no centro de Ierevã, diante da sede do governo. Milhares de pessoas se reuniram, se abraçaram e dançaram em meio a bandeiras da Armênia. Em vários bairros da cidade, donos de bares abriram garrafas de vinho e ofereceram um cálice a quem passava para brindar o futuro do país, informou a Agência France Presse.

O padrão se repete nas ex-repúblicas da União Soviética: um líder eleito democraticamente se alia à oligarquia que enriqueceu com as privatizações do fim do comunismo, enquanto a maioria não tem oportunidade, o setor público não funciona e é visto como corrupto. Aí, o povo sai às ruas e faz uma revolução, mas a oligarquia dominante mantém o poder.

Presidente de 2008 a 2018, Sarkissian foi o alvo central da cólera da população armênia. Eleito primeiro-ministro depois de dois mandados como presidente, sem direito à reeleição, ele pretendia continuar no poder depois de governos medíocres.

A taxa de pobreza da Armênia aumentou de 27,6% em 2008 para 29,8% em 2016, indicam dados do Banco Mundial. A renda média por habitante ficou praticamente estagnada nos últimos dez anos. Está hoje em US$ 3.770 por ano (R$ 12.985).

Com a crise da democracia representativa em criar um mundo melhor, como em tantos outros países, "a maioria da população não confia nas autoridades nem no sistema político do país", observa o analista Iuri Navoian, presidente da organização não governamental russa Diálogo, com sede em Moscou. "As autoridades e o povo constituem duas realidades opostas."

Dentro da política do ditador da Rússia, Vladimir Putin, de restaurar o poder imperial soviético, a Armênia, faz parte do chamado "exterior próximo", referência às ex-repúblicas do "império interior" soviético. É praticamente um satélite do Kremlin e mais uma revolta popular para inquietar Putin.

Quando aprovou uma reforma constitucional em 2015 aumentando os poderes do primeiro-ministro, Sarkissian prometeu não se candidatar ao cargo. O povo nas ruas cobrou a promissória.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Maduro é atacado com garrafas e ovos na Venezuela

Com o aumento da revolta popular contra o governo por causa da crise econômica na Venezuela, o presidente Nicolás Maduro foi xingado e alvejado com ovos e garrafas na terça-feira à noite em Caracas quando andava num jipe do Exército aberto. Cinco jovens de 15 a 20 anos foram presos como suspeitos do ataque.

Foi o segundo ataque contra Maduro em seis meses. Em setembro de 2016, a comitiva do presidente venezuelano foi atacada em Vila Rosa, na Ilha Margarita. Maduro foi obrigado a descer e fugir a pé cercado de gente que o xingava.

Dezenas de pessoas foram presas depois da revolta popular de Vila Rosa. Braulio Jatar, o primeiro jornalista a divulgar um vídeo do evento, está preso até hoje.

A ação direta contra Maduro acontece num momento de aumento da violência política na Venezuela. O país vive a pior crise econômica de sua história moderna, com inflação de 720% ao ano, queda de 17% do produto interno bruto nos últimos anos e desabastecimento generalizado.

Diante do fracasso do regime chavista e do "socialismo do século 21", a oposição obteve uma ampla vitória nas eleições parlamentares de 2015. Desde o início do ano passado, tem maioria na Assembleia Nacional.

Por orientação do regime, a Justiça impugnou a eleição de três deputados para tirar a maioria qualificada de dois terços, que daria direito de reformar a Constituição da República Bolivarista da Venezuela. Como os deputados foram empossados, o Tribunal Supremo tentou cassar os poderes constitucionais do Legislativo sob a acusação de desacato a uma decisão da Justiça.

Também na terça-feira, 11 de abril, aniversário do golpe contra o então presidente Hugo Chávez em 2002, um jovem de 14 anos, Brayan Principal, foi morto durante protesto contra Maduro em Barquisímetro, no estado de Lara.

Desde o início da atual onda de protestos, em 6 de abril, três pessoas morreram.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Parlamentos rivais rejeitam plano de paz da ONU para a Líbia

Os líderes dos dois Parlamentos rivais da Líbia se encontraram hoje e rejeitaram um plano de paz feito pelas Nações Unidas, um dia antes da esperada assinatura do acordo por líderes moderados, noticiou a agência Reuters.

A proposta da ONU inclui um cessar-fogo e a formação de um governo de união nacional. Não foi esclarecido se a cerimônia de assinatura será realizada. Dentro da Líbia, o plano é questionado sob a acusação de que a ONU não é neutra.

Em 31 de março de 2011, o Conselho de Segurança das Nações Unidas autorizou o uso da força para impedir que o ditador Muamar Kadafi massacre seu próprio povo em meio a uma revolta deflagrada pela chamada Primavera Árabe.

Desde a queda e morte de Kadafi, naquele ano, as milícias que o derrubaram disputam o poder. A Líbia vive em estado de anarquia e recentemente houve infiltração no país do Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Interpol pede à Rússia extradição de Yanukovich

A Polícia Internacional (Interpol) pediu formalmente à Rússia a extradição do ex-presidente da Ucrânia Viktor Yanukovich por corrupção, apropriação indébita e desvio de dinheiro público, diz uma nota publicada no sítio da instituição.

Yanukovich fugiu da Ucrânia para a Rússia em 22 de fevereiro de 2014 em meio a uma revolta popular e ao virtual colapso de seu governo.

O governo russo declarou ainda não ter recebido o pedido. Promete examina-lo à luz dos tratados internacionais e das leis da Rússia. É altamente improvável que extradite Yanukovich, uma peça importante na guerra civil fomentada pelo Kremlin no Leste da Ucrânia depois de anexar ilegalmente a região da Crimeia em 17 de março do ano passado.

domingo, 16 de novembro de 2014

Burkina Fasso fecha acordo para democratização

As Forças Armadas, os partidos políticos, líderes religiosos e da sociedade civil assinaram hoje um acordo para formar um governo provisório e preparar eleições para democratizar Burkina Fasso, anunciou ontem o coronel Isaac Zida, ex-subcomandante da guarda presidencial, informou a agência de notícias Reuters.

O coronel assumiu o poder no país da África Ocidental depois de uma revolta popular que derrubou o ditador Blaise Compaoré em 30 de outubro. Ele será sucedido pelo diplomata Michel Kafando.

"Mais do que uma honra, é uma responsabilidade e desde já entrevejo a imensidão da tarefa", declarou o presidente interino, citado pelo jornal francês Le Monde. "Aceitei naturalmente, como em cada vez que fui chamado pelo dever."

domingo, 2 de novembro de 2014

Outro general afirma estar no poder em Burkina Fasso

Em pronunciamento público, o ex-ministro da Defesa general Kouame Longue afirmou que está no comando de Burkina Fasso depois de ocupar a rádio e a televisão estatais em Uagadugu, a capital do país. É o terceiro militar que apresenta como chefe de Estado desde a queda do ditador Blaise Compaoré, que estava no poder há 27 anos, em 31 de outubro de 2014.

Hoje de manhã, uma multidão se concentrou diante da sede da rádio e da TV para denunciar um golpe de Estado. O Exército deu tiros para o ar para dispersar a multidão.

A tentativa de mudar a Constituição para permitir a Compaoré concorrer a um quinto mandato presidencial provocou uma revolta popular que mobilizou cerca de 100 mil pessoas nas maiores cidades burkinenses.

Depois de uma multidão enfurecida tocar fogo no Parlamento, em 30 de outubro, o comandante-em-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, a mais alta autoridade militar do país, general Nabéré Honoré Traoré, anunciou a dissolução do governo e da Assembleia Nacional. Prometeu realizar eleições e devolver o poder aos civis em 12 meses.

No dia 31, Compaoré renunciou oficialmente, depois de tentar ficar no cargo até as eleições de 2015, sob o compromisso de não concorrer e se retirar da vida pública.

Ontem, depois de um tiroteio no palácio presidente, em pronunciamento pelo rádio, o coronel Isaac Zida, subcomandante da guarda presidencial de Compaoré, autoproclamou-se dirigente máximo de Burkina Fasso: "Eu assumo as responsabilidades desta transição e de chefe de Estado para assegurar a continuidade do Estado."

O coronel Zida acrescentou que o ex-ditador estava "num lugar seguro" com "a integridade física e moral garantida", mas não falou em restituir o poder ao ex-chefe. Ele ainda estaria no comando.

Agora, é o ex-ministro da Defesa Kouame Longue que se apresenta como líder do governo. Isso indica que há uma luta de facções militares pelo poder em Burkina Fasso e não há garantia alguma de devolução do poder a um presidente eleito, muito menos de uma real democratização de um dos países mais pobres do mundo, 181º no ranking de desenvolvimento das Nações Unidas.

sábado, 1 de novembro de 2014

Coronel se autoproclama chefe de Estado em Burkina Fasso

Em pronunciamento pelo rádio hoje à noite, o coronel Isaac Zida, subcomandante da guarda do presidente deposto, Blaisé Compaoré, se apresentou como novo dirigente máximo de Burkina Fasso durante o período de transição até a eleição de um novo presidente pelo voto popular, que os militares prometeram realizar em até 12 meses.

"Eu assumo as responsabilidades de chefe desta transição  e de chefe de Estado para assegurar a continuidade do Estado", declarou o coronel, pedindo à Comunidade Econômica dos Países da África Ocidental (Ecowas, do inglês), a organização regional liderada pela Nigéria "apoio às novas autoridades".

Dois dias atrás, nota o jornal Le Monde, sentindo no ar um risco de golpe militar, foi o comandante do Estado-Maior das Forças Armadas, general Nabéré Honoré Traoré, que anunciou a dissolução do governo e da Assembleia Nacional depois que uma multidão enfurecida incendiou o Parlamento e casas de ministros num protesto contra a reeleição de Compaoré, no poder desde 1987, para um quinto mandato.

Houve um tiroteio de alguns minutos na área do palácio presidencial antes do pronunciamento de Zida. Ele afirmou que o ex-presidente está "num lugar seguro", com "sua integridade física e moral garantida", mas não falou em devolver o cargo a Compaoré.

sábado, 7 de junho de 2014

Novo presidente da Ucrânia pede paz

Ao tomar posse hoje, o novo presidente da Ucrânia, Petro Porochenko, o rei do chocolate, pediu paz a reconciliação no país, onde separatistas russos tentam anexar regiões do Leste à Federação Russa, que tomou conta da região da Crimeia em 17 de março de 2014, depois de um referendo condenado internacionalmente.

O novo presidente rejeitou a anexação da Crimeia, dizendo que a península "é, sempre foi e sempre será território da Ucrânia", e declarou que a aproximação com a Europa é "irreversível", noticiou o jornal The Washington Post.

Primeiro, Porochenko pediu um minuto de silêncio em homenagem aos cem mortos na revolução de fevereiro. Em seguida, propôs negociações de paz aos separatistas do Leste da Ucrânia.

"Não quero guerra. Não quero vingança", afirmou o bilionário conhecido como rei do chocolate. Ele ofereceu anistia para "quem não tiver as mãos sujas de sangue" e salvo-conduto para os russos que entraram na Ucrânia para apoiar os separatistas, mas disse que não vai negociar com "pistoleiros".

Porochenko chega ao poder num momento crítico para a independência da ex-república soviética da Ucrânia, um país de 45 milhões de habitantes pressionado pela vizinha Rússia com suas ambições imperialistas. A queda do presidente Viktor Yanukovich em meio a uma revolta popular, em fevereiro de 2014, provocou a maior crise entre a Rússia e o Ocidente depois da Guerra Fria.

A Rússia negou legitimidade ao governo provisório surgido da revolução ucraniana, repudiando até mesmo o Memorando de Budapeste, de 1994, pelo qual a Ucrânia entregou a Moscou as armas nucleares herdadas. Fez uma intervenção militar velada, com soldados sem insígnia usando armamento russo.

sábado, 17 de maio de 2014

Conflito entre milícias mata 43 pessoas em Bengázi

Pelo menos 43 pessoas foram mortas desde ontem num conflito entre milícias rivais em Bengázi, a segunda maior cidade da Líbia, que foi chamada de "capital dos rebeldes" durante a luta contra o ditador Muamar Kadafi, em 2011.

De um lado, estão as forças do general reformado Khalifa Hafter, um dos comandantes militares da revolta popular. Do outro, as milícias fundamentalistas Brigada 17 de Fevereiro, Brigada Escudo Líbio Nº 1 e Ansar al-Charia. Este último grupo foi responsável pelo ataque ao Consulado Americano em Bengázi em 11 de setembro de 2012, quando o embaixador dos EUA e outros três funcionários foram mortos.

O ataque ao consulado, descrito inicialmente pelo Departamento de Estado como uma revolta popular contra um filme ofensivo ao profeta Maomé em vez de ataque terrorista, é até hoje explorado politicamente pela oposição ao presidente Barack Obama no Congresso dos EUA. Agora, é uma tentativa de atingir a então secretária de Estado, Hillary Clinton, que desponta como candidata do Partido Democrata à Casa Branca em 2016.

Em vez de se preocupar com a crise decorrente do colapso do Estado na Líbia, o Partido Republicano tenta reescrever o passado para tentar a vitória no futuro. É uma receita para o fracasso nos EUA e na Líbia.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Rússia adia ajuda de US$ 2 bilhões à Ucrânia

Com sangue nas ruas e o presidente aliado sitiado no palácio, a Rússia adiou para sexta-feira a liberação de uma parcela de US$ 2 bilhões de total de US$ 15 bilhões em créditos à ex-república soviética da Ucrânia.

Em dezembro, depois que a Ucrânia abandonou negociações para se associar à União Europeia, o presidente russo, Vladimir Putin, ofereceu-se para comprar US$ 15 bilhões em títulos da dívida pública ucraniana e deu um desconto de 33% no gás natural que a Ucrânia importa da Rússia.

Diante da revolta popular contra a manutenção da dependência histórica em relação à Rússia, o Kremlin congelou a ajuda no fim de janeiro. Quando a oposição ucraniana foi recebida em Berlim pela primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, Putin resolveu liberar o dinheiro. Agora, segurou de novo.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Refugiados sírios já passam de um milhão

A revolta popular na Síria, que completa dois anos em 15 de março de 2013, e a violenta reação da ditadura de Bachar Assad levou mais de um milhão de pessoas a fugir do país, estimou hoje o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados.

Só neste ano, 420 mil pessoas saíram da Síria para escapar da guerra civil. Entre 7 a 8 mil sírios fogem por dia do país. Mais de um milhão se registraram como refugiados, mas a agência da ONU acredita que o número real seja muito maior.

Hoje, estima-se que haja 330 mil refugiados sírios no Líbano, 320 mil na Jordânia, mais de 185 mil na Turquia, 105 mil no Iraque e 8 mil no Norte da África, colocando uma tremenda pressão nestes países.

A população libanesa cresceu quase 10%, os serviços de água, energia, saúde e educação jordanianos estão no limite, e a Turquia gastou US$ 600 milhões para construir 17 campos de refugiados.

Até agora, a ONU só recebeu 20% do US$ 1,5 bilhão requisitados para ajuda de emergência, inclusive para 4 milhões de deslocados (refugiados internos), que saíram de suas casas mas não deixaram a Síria, noticia o jornal The New York Times.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Islamitas rejeitam governo de união na Tunísia

Os partidos islamitas que dominam a Assembleia Nacional da Tunísia rejeitaram ontem a proposta do primeiro-ministro Hamadi Jebali para formar um governo de união nacional e assim enfrentar a crise gerada pelo assassinato do líder esquerda Cokri Belaïd, um advogado marxista de 48 anos defensor dos direitos humanos.

Belaïd foi assassinado quando saía de casa em 6 de fevereiro de 2013. Ele era o mais eloquente porta-voz da oposição. Denunciava a ação crescente de milícias islamitas que querem sequestrar a revolução que derrubou, em 14 de janeiro de 2011, o ditador Zine ben Ali, que estava no poder havia 23 anos.

Há meses, a violência aumenta. Pelo menos desde outubro, há denúncias regulares de ameaças e ataques a liberais, esquerdistas, feministas, jornalistas e artistas, que são considerados infiéis ao Islã pelos integristas.

Como no caso da Irmandade Muçulmana no Egito, o partido dominante da Tunísia, o Nahda, não mostra interesse e num diálogo amplo e aberto com a sociedade. Ao não aceitar a proposta de união nacional, sente-se no direito de representar toda a sociedade. Mas a revolta popular está nas ruas e a polícia age com a mesma brutalidade do antigo regime.

Os sindicatos convocaram uma greve geral para hoje. Há riscos de novos conflitos violentos.

Como disse ontem o jornal francês Libération, a esperança é que o país onde nasceu a Primavera Árabe não seja o primeiro a enterrá-la.