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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Primeiro-ministro da Tunísia pede demissão

Sem conseguir formar um governo de união nacional como desejava, o primeiro-ministro Hamadi Jebali renunciou ao cargo hoje na Tunísia, agravando ainda mais a crise política deflagrada pelo assassinato do líder esquerdista e defensor dos direitos humanos Chokri Belaïd, baleado quando saia de casa em 6 de fevereiro de 2013.

Seu próprio partido, o Nahda, rejeitou a proposta de formação de um governo tecnocrático. Jebali queria antecipar as eleições como saída para a crise, informa o jornal The New York Times.

Belaïd era um dos principais críticos do atual governo tunisiano, formado pelos partidos religiosos muçulmanos que ganharam as eleições realizadas depois da primeira revolução da chamada Primavera Árabe, que derrubou o ditador Zine ben Ali em 14 de janeiro de 2011.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Islamitas rejeitam governo de união na Tunísia

Os partidos islamitas que dominam a Assembleia Nacional da Tunísia rejeitaram ontem a proposta do primeiro-ministro Hamadi Jebali para formar um governo de união nacional e assim enfrentar a crise gerada pelo assassinato do líder esquerda Cokri Belaïd, um advogado marxista de 48 anos defensor dos direitos humanos.

Belaïd foi assassinado quando saía de casa em 6 de fevereiro de 2013. Ele era o mais eloquente porta-voz da oposição. Denunciava a ação crescente de milícias islamitas que querem sequestrar a revolução que derrubou, em 14 de janeiro de 2011, o ditador Zine ben Ali, que estava no poder havia 23 anos.

Há meses, a violência aumenta. Pelo menos desde outubro, há denúncias regulares de ameaças e ataques a liberais, esquerdistas, feministas, jornalistas e artistas, que são considerados infiéis ao Islã pelos integristas.

Como no caso da Irmandade Muçulmana no Egito, o partido dominante da Tunísia, o Nahda, não mostra interesse e num diálogo amplo e aberto com a sociedade. Ao não aceitar a proposta de união nacional, sente-se no direito de representar toda a sociedade. Mas a revolta popular está nas ruas e a polícia age com a mesma brutalidade do antigo regime.

Os sindicatos convocaram uma greve geral para hoje. Há riscos de novos conflitos violentos.

Como disse ontem o jornal francês Libération, a esperança é que o país onde nasceu a Primavera Árabe não seja o primeiro a enterrá-la.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Líder da oposição é morto na Tunísia

A Tunísia, onde começaram as revoluções da chamada Primavera Árabe, está em estado de choque. O advogado esquerdista Chokri Belaïd, secretário-geral do Partido dos Patriotas Democratas Unidos, aliado à Frente Popular, foi assassinado a tiros hoje de manhã quando saía de casa em Túnis.

"Uma bala atingiu a cabeça e outra o pescoço", contou chorando a advogada e aliada política Radhia Nasraoui por telefone ao jornal francês Le Monde.

O primeiro-ministro Hamadi Jebali denunciou o assassinato como "um ato criminoso, um ato de terrorismo não apenas contra Belaïd mas contra toda a Tunísia".

Depois de condenar a morte, o presidente Moncef Marzouki interrompeu uma viagem pela Europa, cancelou sua participação numa reunião de cúpula da Organização da Conferência Islâmica realizada no Cairo e voltou imediatamente ao país.

Em entrevista no Parlamento Europeu, o presidente afirmou: "Esse assassinato odioso tem como objetivo jogar os componentes laicos contra os componentes muçulmanos de nossa sociedade para provocar o caos. Ha forças políticas no interior da Tunísia contrárias ao sucesso dessa transição".

O presidente não quis dizer se suspeita de membros do antigo regime ou de extremistas muçulmanos. As maiores suspeitas recaem sobre aliados do governo islamita.

Ao meio-dia, cerca de 2 mil pessoas se reuniram diante do Ministério do Interior, no centro da capital, para protestar contra o assassinato de um dos maiores críticos do governo formado pelo partido islamita Nahda. A polícia atacou os manifestantes com gás lacrimogênio.

Em Sidi Bouazid, berço da revolta popular que derrubou o ditador Zine ben Ali em 14 de janeiro de 2011, também houve protestos e a polícia usou gás lacrimogênio.

Diante da crise política, o primeiro-ministro propôs a formação de um governo de união nacional.