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sexta-feira, 4 de maio de 2018

Líder da oposição na Armênia encontra embaixadores estrangeiros

Além de obter o apoio do Partido Republicano da Armênia, o líder da oposição, deputado Nikol Panchinian, se encontrou ontem em Ierevã com os embaixadores da Rússia, dos Estados Unidos, da União Europeia e da Geórgia. A expectativa é que seja eleito primeiro-ministro em 8 de maio de 2018, pondo fim à atual crise política política.

Em 1º de maio, a Assembleia Nacional, onde o Partido Republicano tem a maior bancada, rejeitou Panchinian em primeira votação. Como líder da oposição, ele criticara e ameaçara punir os deputados governistas que apoiavam o ex-presidente e primeiro-ministro por seis dias, Serge Sarkissian, que caiu em 23 de abril depois de 11 dias de manifestações de rua convocadas por Panchinian.

Os encontros com embaixadores estrangeiros ajudam a indicar que Panchinian não deve mudar a política externa da ex-república soviética da Armênia, que vive na esfera de influência da Rússia, sob a proteção militar do Kremlin contra dois vizinhos, a ex-república soviética do Azerbaijão, com que disputa o território de Nagorno-Karabakh, e a Turquia, que os armênios acusam de genocídio durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18).

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Manifestantes fecham estradas em mais protestos na Armênia

As manifestações de protesto retomaram a força hoje na Armênia, com bloqueio de ruas, estradas e estações de trem e de metrô, um dia depois que a Assembleia Nacional rejeitou a indicação do líder da oposição, o deputado Nikol Pashinian, para primeiro-ministro, informou a Rádio Europa Livre, financiada pelo Congresso dos Estados Unidos. Os protestos devem continuar até nova votação para escolher um chefe de governo, em 8 de maio.

Os armênios saíram às ruas em 13 de abril para impedir o ex-presidente Serge Sarkissian de se tornar primeiro-ministro depois de dez anos e dois governos medíocres em que a economia não avançou e a pobreza aumentou. Ele desistiu em 23 de abril.

Ex-jornalista crítico da corrupção no governo, Pashinian só conseguiu um voto do Partido Republicano da Armênia, liderado por Sarkissian, depois de liderar o movimento por seu afastamento.

Até agora, as manifestações chegaram a reunir 100 mil pessoas na capital armênia, Ierevã, mas foram pacíficas e a reação das autoridades, moderada.

A Rússia, que mantém a Armênia em sua esfera de influência, com 5 mil soldados russos para defender esta ex-república soviética, acompanha com atenção, mas não espera mudanças na política externa.

Durante o debate na Assembleia Nacional, Pashinian deixou claro que vai manter a aliança com a Rússia, essencial para a segurança da Armênia, diante do conflito com a ex-república soviética do Azerbaijão pelo território de Nagorno-Karabakh e da inimizade histórica com a Turquia, que acusa de genocídio durante a Primeira Guerra Mundial.

Se a situação degenerar em caos e anarquia e as relações bilaterais estiverem ameaçadas, a Rússia pode intervir.

terça-feira, 1 de maio de 2018

Parlamento da Armênia rejeita indicação de líder da oposição para primeiro-ministro

A Assembleia Nacional da ex-república soviética da Armênia rejeitou hoje a indicação do líder da oposição, deputado Nikol Panchinian, para chefiar um novo governo, oito dias depois da queda do primeiro-ministro e ex-presidente Serge Sarkissian, que estava no poder há dez anos.

Sarkissian pediu demissão depois de onze dias de manifestações de rua. Panchinian prometeu manter os protestos se a nomeação não fosse confirmada. O Parlamento fará nova votação para escolher um novo primeiro-ministro em 8 de maio.

O Partido Republicano da Armênia recebeu 49% dos votos nas eleições de 2 de abril. Sarkissian foi eleito primeiro-ministro em 17 de abril. Como tinha prometido não se candidatar ao cargo quando aumentou os poderes do primeiro-ministro, numa reforma constitucional aprovada em 2015, uma multidão saiu às ruas em protestos.

Depois de dez anos de governos medíocres, Sarkissian manobrou para continuar no poder, mas foi repudiado durante manifestações de rua por 11 dias.

Hoje Panchinian era candidato único. Precisava de 53 votos. Obteve apenas 45. Só recebeu um voto do Partido Republicano.

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Líder da oposição é nomeado primeiro-ministro da Armênia

O líder da revolta popular que derrubou o presidente Serge Sarkissian, deputado Nikol Pashinian, foi nomeado hoje primeiro-ministro da ex-república soviética da Armênia. Sua indicação deve ser confirmada hoje pelo Parlamento, em Ierevã, mas vai exigir votos de pelo menos 13 deputados de partidos ligados ao antigo governo.

Depois de ser presidente por dez anos, sem direito à reeleição, Sarkissian durou apenas seis dias no cargo de primeiro-ministro e caiu há uma semana em meio a uma onda de 11 dias de protestos. Quando aumentou os poderes do primeiro-ministro, ainda como presidente, prometeu nunca concorrer ao cargo.

Pashinian ameaçava manter as manifestações até a indicação de um oposicionista para chefiar o novo governo.

Em 2008, Sarkissian reprimiu com violência protestos contra sua eleição, decretou estado de emergência e colocou o então líder da oposição, Levon Ter-Petrossian, em prisão domiciliar. Dez pessoas foram mortas.

Desta vez, centenas de manifestantes foram presos, inclusive Pashinian, mas soltos em seguida. Quando 200 soldados da tropa de elite Boinas Azuis participaram desarmados de um protesto, em 23 de abril, o primeiro-ministro renunciou à chefia do governo.

A queda de Sarkissian depois de 11 dias seguidos de protestos reflete uma nova realidade nas antigas repúblicas da União Soviética. Desde a Revolução da Praça Maidan, na Ucrânia, em fevereiro de 2014, os governos, mesmo na Rússia e na Bielorrússia, relutam em reprimir as manifestações com muita violência, optando por um controle de massas com uma abordagem com menos confrontação.

O massacre na Praça Maidan levou à queda do presidente Viktor Yanukovich e à intervenção militar da Rússia, à anexação da Crimeia por Vladimir Putin e a uma guerra civil no Leste da Ucrânia. A violência provocou uma revolução e uma guerra. Mais de 10 mil pessoas foram mortas e o conflito não terminou.

Até na Bielorrússia, Alexander Lukachenko teme seguir o destino de Yanukovich. Depois de reprimir com dureza os protestos contra sua reeleição em 2010, há pouco o ditador suspendeu uma proposta de cobrança de impostos dos desempregados, que chamou de "parasitas sociais". Recuou diante das manifestações de rua.

Como os regimes pós-soviéticos são basicamente autoritários e centralizados, com uma repressão menos violenta, a expectativa é de maior mobilização política.

A Armênia é na prática um satélite da Rússia, dentro da política do ditador Vladimir Putin de restaurar o poder imperial soviético, que considera as ex-repúblicas da URSS como esfera de influência de Moscou.

Quando as reformas de Mikhail Gorbachev liberaram as forças nacionalistas na antiga URSS, houve uma guerra entre a Armênia e o Azerbaijão pelo controle da região de Nagorno-Karabakh, um enclave de maioria armênia dentro do Azerbaijão criado pelas remoções forçadas promovidas pelo ditador soviético Josef Stalin.

Além do Azerbaijão, a Armênia tem um conflito histórico com a Turquia, que acusa de genocídio durante a Primeira Guerra Mundial. Venceu o Azerbaijão com o apoio decisivo da Rússia, que mantém 5 mil soldados para garantir a segurança da Armênia.

O país é membro de duas organizações internacionais dominadas pela Rússia, a Organização do Tratado de Segurança Coletiva (Rússia, Armênia, Bielorrúsia, Casaquistão, Tajiquistão e Quirguistão) e a União Econômica da Eurásia, com os mesmos países, menos o Tajiquistão.

Assim, é improvável que Pashinian tente tirar a Armênia da esfera de influência da Rússia.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Primeiro-ministro da Armênia cai após dias de protestos de rua

Depois de dez anos no poder como presidente da Armênia, Serge Sarkissian durou apenas seis dias como primeiro-ministro. Nomeado em 17 de abril, pediu demissão hoje, sob pressão de onze dias de manifestações de rua em Ierevã, capital da ex-república soviética da região do Cáucaso.

"Eu deixo o cargo de dirigente do país", declarou Sarkissian, citado pela agência oficial de notícias Armenpress.

Poucas horas antes, foi libertado o deputado Nikol Panchinian, líder do movimento popular, que mandou seus seguidores festejaram: "Cidadão comum da Armênia, você ganhou! E ninguém pode te privar desta vitória. Eu te felicito, povo vitorioso."

A festa foi na Praça da República, no centro de Ierevã, diante da sede do governo. Milhares de pessoas se reuniram, se abraçaram e dançaram em meio a bandeiras da Armênia. Em vários bairros da cidade, donos de bares abriram garrafas de vinho e ofereceram um cálice a quem passava para brindar o futuro do país, informou a Agência France Presse.

O padrão se repete nas ex-repúblicas da União Soviética: um líder eleito democraticamente se alia à oligarquia que enriqueceu com as privatizações do fim do comunismo, enquanto a maioria não tem oportunidade, o setor público não funciona e é visto como corrupto. Aí, o povo sai às ruas e faz uma revolução, mas a oligarquia dominante mantém o poder.

Presidente de 2008 a 2018, Sarkissian foi o alvo central da cólera da população armênia. Eleito primeiro-ministro depois de dois mandados como presidente, sem direito à reeleição, ele pretendia continuar no poder depois de governos medíocres.

A taxa de pobreza da Armênia aumentou de 27,6% em 2008 para 29,8% em 2016, indicam dados do Banco Mundial. A renda média por habitante ficou praticamente estagnada nos últimos dez anos. Está hoje em US$ 3.770 por ano (R$ 12.985).

Com a crise da democracia representativa em criar um mundo melhor, como em tantos outros países, "a maioria da população não confia nas autoridades nem no sistema político do país", observa o analista Iuri Navoian, presidente da organização não governamental russa Diálogo, com sede em Moscou. "As autoridades e o povo constituem duas realidades opostas."

Dentro da política do ditador da Rússia, Vladimir Putin, de restaurar o poder imperial soviético, a Armênia, faz parte do chamado "exterior próximo", referência às ex-repúblicas do "império interior" soviético. É praticamente um satélite do Kremlin e mais uma revolta popular para inquietar Putin.

Quando aprovou uma reforma constitucional em 2015 aumentando os poderes do primeiro-ministro, Sarkissian prometeu não se candidatar ao cargo. O povo nas ruas cobrou a promissória.