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quarta-feira, 1 de abril de 2020

Pandemia está perto de um milhão de casos e 50 mil mortes, diz OMS

A Organização Mundial da Saúde adverte: o mundo terá 1 milhão de casos da pandemia do novo coronavírus e 50 mil mortes nos próximos dias. Os Estados Unidos passam de 200 mil casos e 5 mil mortes. A Espanha passa de 100 mil casos e tem um recorde de mortes num dia: 864 óbitos. Cinco países, Espanha, Itália, Estados Unidos, Reino Unido e França, registraram mais de 500 mortes hoje. 

O presidente Jair Bolsonaro volta mentir nas redes sociais, afirmando que já existe desabastecimento em Minas Gerais. A rádio CBN foi à Central de Abastecimento e desmentiu a notícia. A ministra da Agricultura, Teresa Cristina, confirmou que não está faltando comida no Brasil.

No mundo inteiro, são 935 mil 605 casos e 47 mil 208 mortes, letalidade de 5 por cento. Mais de 193 mil pessoas estão curadas.

Os Estados Unidos têm 215 mil 417 casos e 5 mil 109 mortes, com mortalidade de 2,37 por cento. 

A Itália tem o maior número de mortes, 13 mil 155, e 110 mil 574 casos, letalidade de 11,9 por cento, a mais alta do mundo, mas a situação parece estar se estabilizando. 

A Espanha tem 104 mil 118 casos e 9 mil 387 mortes, com mortalidade de 9 por cento depois de cinco dias seguidos com mais de 800 mortes. 

A China, onde a pandemia começou, teve oficialmente só 36 novos casos, todos importados, e 7 mortes. Ao todo, a China teve 82 mil 351 infectados e 3 mil 312 mortes, letalidade de 4 por cento. 

A Alemanha é o quinto país em casos, com 77 mil 872 contaminados e 931 mortes, com letalidade de 1,19 por cento. A França chegou a 57 mil 749 casos e 4 mil e 32 mortes, sendo 509 mortes hoje. A mortalidade está em quase 7 por cento. Meu comentário:

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Racionar gasolina na Venezuela é como racionar areia no deserto


Havia uma piada na extinta União Soviética que dizia o seguinte: “Se o Partido Comunista tomar o poder no Deserto do Saara, em dois anos, vai começar a faltar areia.” O editor-chefe do jornal francês Libération, Laurent Joffrin, lembrou essa história para comparar com a crise atual na Venezuela.

O país com as maiores reservas de petróleo do mundo vendeu mais de um trilhão de dólares em petróleo. Há algum tempo, não tem dinheiro nem para importar papel higiênico.

Nos últimos anos, os venezuelanos que moram perto das fronteiras com o Brasil e a Colômbia se acostumaram a comprar tudo nos países vizinhos, menos combustíveis, enquanto brasileiros e colombianos enchiam o tanque do lado da Venezuela.

A distorção é tanta que no ano passado, quando o governo aumentou os preços em 6 mil por cento, um dólar comprava 3 milhões e meio de litros. No início do ano, custava seis bolívares. Com a virtual destruição do valor da moeda venezuelana, o preço médio no resto do mundo era equivalente a 15 mil bolívares.

Agora, o impossível aconteceu. A gasolina na Venezuela está racionada. Os motoristas formam longas filas sem a garantia de que haverá combustível quando chegar a sua vez. Meu comentário:



Como de costume, o ditador Nicolás Maduro acusa os Estados Unidos. No início do ano, o governo Donald Trump impôs um boicote à empresa estatal Petróleos de Venezuela, a PdVSA, que agora inclui até as substâncias necessárias para refinar o petróleo venezuelano, que é pesado.

Mas a queda na produção vem desde a greve de 2002, quando o então presidente Hugo Chávez demitiu boa parte dos técnicos e especialistas.

No pico, em 1998, ano da primeira eleição de Chávez, a Venezuela produzia 3 milhões de barris de petróleo por dia. Com o sucateamento da empresa, a produção da maior riqueza do país caiu para 500 mil barris diários. Até o fim de 2020, pode baixar para 375 mil barris por dia.

Nos anos 1970s, a Venezuela tinha a maior renda per capita da América Latina. Quando Chávez assumiu o poder, em 1999, era a segunda maior, abaixo apenas da Argentina.

Com o virtual colapso da economia, o produto interno bruto caiu pela metade desde que Maduro sucedeu a Chávez, que morreu de câncer em 2013. A inflação de 2019 está estimada em 10 milhões por cento e o desabastecimento é generalizado, inclusive de remédios e alimentos.

Cada venezuelano perdeu em média oito quilos por falta de comida. A escassez de remédios aumenta a mortalidade e traz de volta doenças praticamente erradicadas como varíola e sarampo.

Diante da pior crise de uma economia relativamente desenvolvida na era moderna, mais de 4 milhões de venezuelanos fugiram do país nos últimos anos, informam as Nações Unidas. As universidades e centros de pesquisas venezuelanos já trabalhavam com este número meses atrás.

Em janeiro, quando Maduro tomou posse para um segundo mandato, depois de uma reeleição fraudulenta em maio do ano passado, o presidente da Assembleia Nacional dominada pela oposição, Juan Guaidó, acusou Maduro de usurpador e foi proclamado presidente interino.

Desde então, Guaidó tentou encurralar o regime chavista, primeiro se declarando presidente, depois com uma operação de ajuda humanitária liderada pelos Estados Unidos que o governo rejeitou e também convocando militares e a população em geral para uma rebelião contra a ditadura. Fracassou nas três tentativas.

Por iniciativa da Noruega, do México e do Uruguai, governo e oposição iniciaram um diálogo em Oslo onde a renúncia de Maduro chegou a ser cogitada. Não houve avanço na negociação. A oposição suspeita que seja apenas uma manobra diversionista para ganhar tempo.

Com o agravamento diário das condições de vida, a corrupção generalizada e uma violência descontrolada, com índice de homicídios inferior apenas ao de El Salvador, só as Forças Armadas sustentam o regime de Maduro.

A Venezuela tem mais de 2 mil generais. O alto oficialato tem mordomias que permitem driblar a crise ou até lucrar com ela através do contrabando e do tráfico de drogas. A oposição já ofereceu anistia para quem não cometeu crimes graves, mas a cumplicidade generalizada impede a queda da ditadura. Por enquanto.

Como os Estados Unidos não vão enviar soldados para morrer e atrapalhar a reeleição de Trump, e o Brasil e a Venezuela não vão fazer o trabalho pesado de uma operação terrestre, a ditadura de Maduro só vai cair quando houver uma divisão interna e um golpe dentro do regime. Já está na hora.

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Venezuela vai receber ajuda humanitária de emergência da ONU

Depois de anos de recusa sob o argumento de que justificaria uma intervenção militar na Venezuela, o ditador Nicolás Maduro pediu ajuda humanitária de emergência às Nações Unidas, como este blog antecipou há 12 dias. 

Uma ajuda inicial de US$ 9,2 milhões para saúde e alimentação foi liberada, mas ficará sob o controle de agências internacionais, noticiou hoje o jornal O Estado de São Paulo. É mais um sinal da falência do chavismo e seu "socialismo do século 21".

Até o mês passado, o regime chavista se recusava a admitir que o país está numa situação de "emergência humanitária", com mais de 80% da população vivendo abaixo da linha de pobreza, com renda mensal abaixo de R$ 180. Não permitia a atuação de agências humanitárias na Venezuela

É uma situação catastrófica. A inflação prevista para este ano deve chegar a 1.800.000%. A depressão reduziu o produto interno bruto em 50% nos últimos cinco anos. O desabastecimento é generalizado. Faltam mais de 80% dos produtos normalmente encontrados nos supermercados, especialmente remédios e alimentos.

Sob ameaça desta crise, a pior de uma economia relativamente desenvolvida da história recente, mais de 4 milhões de pessoas fugiram da Venezuela nos últimos quatro anos. A ajuda da ONU visa também a conter esta crise de refugiados.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) vai ficar com a maior parte do dinheiro para aplicar em hospitais, no pagamento dos funcionários do setor e na compra de medicamentos. Com a saída de um em cada três médicos, constatada pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), há uma explosão de casos de aids, tuberculose, sarampo e difteria, entre outras doenças.

Com a mortalidade infantil no nível de 40 anos atrás, o Fundo da ONU para a Infância (Unicef) vai receber US$ 2,6 milhões para a "recuperação nutricional de crianças com menos de cinco anos de idade, mulheres grávidas ou que estejam amamentando" e US$ 1,7 milhão serão destinados a outras mulheres a crianças.

terça-feira, 13 de março de 2018

Total de venezuelanos que saem do país aumentou 20 vezes

Só no ano passado, 94 mil venezuelanos pediram asilo em outros países. De 2014 até 7 de março de 2018, a fuga do país aumentou 20 vezes, e chegou a um total de 145,2 mil pessoas, revelou hoje o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR). Outras 444,8 mil pessoas saíram da Venezuela, mas não fixaram oficialmente residência no exterior.

A ONU atribui a emigração em massa "aos complexos acontecimentos políticos e socioeconômicos da Venezuela. Os motivos para a saída do território incluem insegurança e violência, falta de comida, remédios ou acesso a serviços sociais essenciais, assim como perda de renda."

Sob o desgoverno do ditador Nicolás Maduro, a Venezuela vive a pior crise econômica de sua história, apesar de ter as maiores reservas mundiais comprovadas de petróleo, por causa do fracasso do "socialismo do século 21" implantado pelo caudilho Hugo Chávez, que morreu em 5 de março de 2013.

Sem o talento nem o carisma do chefe, Maduro está arruinando a Venezuela numa escala sem precedentes para um país relativamente desenvolvido em tempo de paz. Com os controles de câmbio e preços, o regime chavista causou uma hiperinflação que deve chegar a 13.000% neste ano.

Desde a ascensão de Maduro, o produto interno bruto caiu pelo menos um terço. Isso caracteriza uma recessão econômica. Mas a situação é muito pior. Mais de 80% dos produtos desapareceram das prateleiras dos supermercados. Os venezuelanos perderam peso com a fome.

A vitória da oposição nas eleições parlamentares de dezembro de 2015 foi o último suspiro da democracia. O Tribunal Supremo de Justiça, subserviente ao regime, impugnou a eleição de cinco deputados para tirar a maioria de dois terços que em tese daria à oposição o direito de reformar a Constituição.

Depois de uma tentativa do TSJ de usurpar o Poder Legislativo da Assembleia Nacional, desafiada por uma onda de manifestações de protesto em abril, maio e junho de 2017, Maduro convocou uma Assembleia Nacional Constituinte eleita por regras especiais criadas pelo regime chavista.

A oposição boicotou a Constituinte de Maduro, que transformou definitivamente o regime numa ditadura ao marginalizar a Assembleia Nacional eleita democraticamente.

No ano passado, a Venezuela teve o segundo maior índice de homicídios do mundo fora de zonas de guerra, atrás apenas de El Salvador. Em 2014, o índice era de 62 homicídios para cada 100 mil habitantes por ano, de acordo com a então procuradora-geral Luisa Ortega. A taxa considera civilizada é até 10.

Como 95% dos mortos são homens e 69% jovens, a taxa de homicídios entre os jovens chegou a 225 por 100 mil no ano 2000. Cerca de 92% dos homicídios são cometidos com armas de fogo, 83% perto da casa das vítimas, 55% em altercações públicas e 55% das mortes violentas ocorrem nos fins de semana.

Para manipular a eleição presidencial, remarcada de 22 de abril para 20 de maio, a ditadura madurista vetou os principais candidatos, partidos e a grande aliança oposicionistas, antecipou a votação, prevista para ocorrer no fim do ano, e está distribuindo cestas básicas em áreas carentes.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Cesta básica custa 98 salários mínimos na Venezuela

O preço de uma cesta básica para uma família de cinco pessoas na Venezuela chegou em janeiro de 2018 a 24,4 milhões de bolívares. É um aumento de 47,9% em relação a dezembro de 2017 e de 3.829% em 12 meses, revela o relatório mensal do Centro de Documentação e Análise Social (Cendas) da Federação Venezuelana de Professores. São necessários 98 salários mínimos para comprá-la.

O salário mínimo, hoje de 248,5 mil bolívares, não é páreo para uma hiperinflação que deve chegar a 13.000% neste ano, de acordo com a previsão mais recente do Fundo Monetário Internacional (FMI). Um almoço custa em média 76 mil bolívares. No câmbio negro, o dólar vale hoje 226.536,12 bolívares.

A alta nos preços é impressionante, de 146% para o café, 84% para raízes e tubérculos, 74% para peixes e frutos do mar, 61% para carnes e derivados, 50,6% para frutas e hortaliças, 45% a 49% para grãos, cereais e derivados, 32% para leite, queijos e ovos, 17% para azeite e gorduras, 12% para açúcar e sal, e 1,3% para molhos e maioneses.

Enquanto o desabastecimento atinge mais de 80% dos produtos normalmente comercializados em armazéns e supermercados, a diferença entre os preços oficiais tabelados e os preços reais é de 179.174,5%.

Neste último relatório, aumentou a escassez de 52 produtos, inclusive sabonete, cera para assoalhos, papel higiênico, faldras, toalhas sanitárias, lâminas de barbear descartáveis, leite condensado, desodorante e dos seguintes medicamentos: Atamel, Losartán Potássico, Amlopidina, aspirinas, Omeprazol, Lansoprazol, Dilantin, Gilbenclamida, Gildan, Biofit, Tamsulon, Zyloric, Tamsulossina, Heprox, Secotex, Urimax e antialérgicos; e dos anticoncepcionais Belara e Trental.

Desde a morte do caudilho Hugo Chávez, em 5 de março de 2013, e da ascensão ao poder do ditador Nicolás Maduro, a economia venezuelana encolheu de 30% a 50%. Maduro é candidato à reeleição em 22 de abril. Os principais candidatos e a aliança oposicionista foram proibidos de concorrer.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Ditadura de Maduro é reprovada por 75% dos venezuelanos

O governo ditadorial de Nicolás Maduro, que tenta a reeleição em 22 de abril, é considerado ruim ou péssimo por 75% dos eleitores da Venezuela, indica uma pesquisa do Instituto Venezuelano de Análise de Dados (IVAD), citada pela Agência France Presse (AFP).

Das 1,2 mil pessoas ouvidas de 25 de janeiro a 5 de fevereiro, 58,4% descreveram o governo Maduro como péssimo, 16,6% como "mau" e 4,3% de regular a mau. Só 0,9% apontaram a ditadura como "excelente", 8,4% como "boa" e 10,2% de "regular para boa".

Um total de 77% entendem que a Venezuela precisa de um novo governo, 16% não veem necessidade e 7% não opinaram.

A popularidade de Maduro foi arrasada pela pior crise econômica da história da Venezuela, país com as maiores reservas mundiais de petróleo. O produto interno bruto caiu pela metade desde que Maduro sucedeu ao falecido caudilho Hugo Chávez, em 2013.

Para este ano, o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê hiperinflação de 13.000%. O desabastecimento de alimentos e medicamentos é generalizado.

A maioria dos entrevistados citou como o pior problema venezuelano a falta de comida e remédios (56,4%), seguida pela insegurança pública (44,9%) e o alto custo de vida (43,8%).

Neste ambiente de colapso econômico, 31,5% disseram estar muito dispostos a votar, enquanto 31,7% estão dispostos, 16,1% têm pouco interesse, 10,2% nenhum interesse e 10,6% são indiferentes.

Na pesquisa específica sobre a eleição presidencial de 22 de abril, 17,6% anunciaram a intenção de votar em Maduro e 23,6% no candidato oposicionista Henri Falcón, um chavista dissidente, ex-governador do estado de Lara.

O Conselho Nacional Eleitoral e a Assembleia Nacional Constituinte, subservientes a Maduro, vetaram a participação da aliança oposicionista Mesa da Unidade Democrática (MUD) e dos principais líderes da oposição, como o ex-governador e ex-candidato a presidente Henrique Capriles e o ex-prefeito Leopoldo López.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

OEA chama de farsa antecipação da eleição presidencial na Venezuela

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, ex-ministro do Exterior do Uruguai, denunciou ontem como uma "farsa" a decisão da Assembleia Nacional Constituinte ilegal e ilegítima da Venezuela de antecipar a eleição presidencial de 2018, que deve ser realizada até 30 de abril. Ele defendeu a imposição de sanções mais duras contra a ditadura de Nicolás Maduro.

Almagro apoiou a declaração dos 14 países do Grupo de Lima, inclusive Argentina, Brasil, Colômbia e México, as maiores economias da América Latina, em repúdio à manobra da ditadura chavista. Em nota, eles afirmaram que a decisão "impossibilita a realização de uma eleição presidencial democrática, transparente e com credibilidade".

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, advertiu que o mundo não vai reconhecer o resultado da eleição presidencial venezuelana. Os Estados Unidos apoiaram o Grupo de Lima: "Saudamos a declaração do Grupo de Lima diante da nova farsa eleitoral anunciada pelo regime da Venezuela."

Almagro afirmou que, "para sair da crise, é preciso haver eleições livres, sem candidatos e partidos proscritos, garantias para todos, observação internacional e sem presos políticos". Não existe nenhuma chance da ditadura militar chavista ou madurista, já que a deterioração geral da Venezuela é notável desde a morte do caudilho Hugo Chávez, em 2013, aceitar estas exigências.

Desde então, o produto interno bruto venezuelano caiu em um terço. A hiperinflação é estimada em mais de 2.600% ao ano e há desabastecimento generalizado de remédios e alimentos. Em dezembro de 2017, o custo da cesta básica passou de 16,5 milhões de bolívares ou 93 salários mínimos, alta de 129% em relação a novembro. Pela cotação do dólar no fim do ano, o equivalente a US$ 158.

O azeite, por exemplo, é vendido a 70,7 mil bolívares, 2.525 vezes acima do preço oficial tabelado, de 28 bolívares. Faltam nas prateleiras dos armazéns e supermercados carne de gado, carne de frango, leite em pó, leite condensado, margarina, aveia, açúcar, óleo de milho, farinha de milho, arroz, lentilhas, farinha de trigo, massa, molho de tomate, pão, queijo amarelo, sabonete, cera para assoalhos papel higiênico, toalhas sanitárias, desodorante e sabão para lavar roupa.

Diante do colapso da economia do país, Maduro decidiu antecipar as eleições para aproveitar a divisão das oposições e tentar consolidar seu poder antes da derrocada total.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Mortalidade materno-infantil dá um salto na Venezuela

Com a profunda crise econômica e a escassez de 85% dos medicamentos, a mortalidade infantil cresceu 30% e a a materna 66% no ano passado na Venezuela. Os casos de malária subiram 76%. Os dados são do Ministério da Saúde e não eram divulgados há dois anos.

A queda nos preços do petróleo e o fracasso da políticas de controle de preços e câmbio do "socialismo do século 21" causaram a pior crise econômica da história da república na Venezuela. Além da inflação de 800% ao ano e da queda de mais de 20% do produto interno bruto nos últimos anos, há um desabastecimento generalizado, de papel higiênico, arroz e óleo de cozinha até medicamentos. O impacto sobre a saúde pública é devastador.

No ano passado, a morte de crianças com até um ano de idade subiu 30% para 11.466 bebês, enquanto o total de mãe que morreram até 42 dias depois do parto aumentou em 66% para 756 mortes.

Desde o início da abril, depois que o Tribunal Supremo de Justiça, dominado pelo regime chavista, tentou fechar a Assembleia Nacional, controlada pela oposição, manifestantes protestam diariamente nas ruas de Caracas e outras cidades venezuelanas exigindo a saída do presidente Nicolás Maduro e a realização de uma nova eleição presidencial. Pelo menos 39 pessoas foram mortas nos protestos.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Venezuela de Maduro deixa OEA e se isola ainda mais

Por orientação do presidente Nicolás Maduro, cada vez mais acuado e isolado, a Venezuela vai deixar a Organização dos Estados Americanos (OEA) para evitar qualquer tipo de "intervencionismo", anunciou ontem a ministra do Exterior, Delcy Rodríguez, noticiou o jornal El Nacional. O processo deve durar 24 meses.

A chanceler venezuelana citou o exemplo de Cuba, excluída por causa da natureza antidemocrática do regime comunista, que descreveu como "revolucionário", e acusou uma "coalizão intervencionista" de agir para desestabilizar a Venezuela.

Com inflação de 800%, queda do produto interno bruto estimada em 19% no ano passado e desabastecimento generalizado, a Venezuela enfrenta a pior crise econômica de sua história recente.

Enquanto paga bilhões de dólares em juros de bônus da estatal Petróleos de Venezuela (PdVSA) e dos títulos da dívida pública do país para evitar o calote, o governo Maduro não é capaz de garantir o suprimento de produtos básicos. Faltam papel higiênico, medicamentos, alimentos básicos, farinha de trigo, óleo comestível. Os venezuelanos ficam horas em filas em busca de preços menores ou produtos escassos.

Pelo menos 30 pessoas morreram na atual onda de protestos iniciada em 6 de abril depois que o Tribunal Supremo de Justiça tentou dissolver a Assembleia Nacional, dominada pela oposição, e usurpar seus poderes legislativos, impondo na prática uma ditadura de Maduro.

Sob pressão interna e externa, o presidente recuou, mas acusa a burguesia nacional de conspirar com potências estrangeiras, notadamente os Estados Unidos, para derrubar o regime chavista. Entre as medidas de "resistência", prometeu ampliar os chamados "coletivos", as milícias da revolução bolivarista, responsáveis por várias mortes nos últimos dias.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Maduro é atacado com garrafas e ovos na Venezuela

Com o aumento da revolta popular contra o governo por causa da crise econômica na Venezuela, o presidente Nicolás Maduro foi xingado e alvejado com ovos e garrafas na terça-feira à noite em Caracas quando andava num jipe do Exército aberto. Cinco jovens de 15 a 20 anos foram presos como suspeitos do ataque.

Foi o segundo ataque contra Maduro em seis meses. Em setembro de 2016, a comitiva do presidente venezuelano foi atacada em Vila Rosa, na Ilha Margarita. Maduro foi obrigado a descer e fugir a pé cercado de gente que o xingava.

Dezenas de pessoas foram presas depois da revolta popular de Vila Rosa. Braulio Jatar, o primeiro jornalista a divulgar um vídeo do evento, está preso até hoje.

A ação direta contra Maduro acontece num momento de aumento da violência política na Venezuela. O país vive a pior crise econômica de sua história moderna, com inflação de 720% ao ano, queda de 17% do produto interno bruto nos últimos anos e desabastecimento generalizado.

Diante do fracasso do regime chavista e do "socialismo do século 21", a oposição obteve uma ampla vitória nas eleições parlamentares de 2015. Desde o início do ano passado, tem maioria na Assembleia Nacional.

Por orientação do regime, a Justiça impugnou a eleição de três deputados para tirar a maioria qualificada de dois terços, que daria direito de reformar a Constituição da República Bolivarista da Venezuela. Como os deputados foram empossados, o Tribunal Supremo tentou cassar os poderes constitucionais do Legislativo sob a acusação de desacato a uma decisão da Justiça.

Também na terça-feira, 11 de abril, aniversário do golpe contra o então presidente Hugo Chávez em 2002, um jovem de 14 anos, Brayan Principal, foi morto durante protesto contra Maduro em Barquisímetro, no estado de Lara.

Desde o início da atual onda de protestos, em 6 de abril, três pessoas morreram.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Colômbia rejeita abertura temporária da fronteira com a Venezuela

 A Colômbia quer a reabertura permanente da fronteira com a Venezuela e não apenas reaberturas temporárias para que venezuelanos possam comprar no exterior os produtos em falta no seu país, declarou hoje a ministro do Exterior, María Angela Holguín, citada pela agência Reuters.

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, fechou a fronteira durante a campanha para as eleições parlamentares de 6 de dezembro de 2015 a pretexto de combater a violência e o contrabando. Em duas oportunidades nos últimos 30 dias, mais de 160 venezuelanos saíram de Santo Antônio de Táchira para fazer comprar em Cúcuta, na Colômbia.

A próxima abertura deverá ser permanente, pressionou a chanceler colombiana.

Sob o impacto das políticas desastrosas do fracassado "socialismo do século 21" e da queda dos preços do petróleo, o regime chavista levou a Venezuela à pior crise econômica de sua história, com recessão de 18% em dois anos, inflação de 720% ao ano e desabastecimento de mais de 80% dos produtos encontrados normalmente num supermercado.

Com o país à beira do colapso, Maduro reabriu temporariamente a fronteira, mas isso não é solução para a tragédia venezuelana. Apesar de algumas iniciativas diplomáticas, os países da região não conseguiram articular o diálogo entre o governo e a oposição na Venezuela.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Regime chavista toma fábrica da Kimberly-Clark na Venezuela

O regime chavista da Venezuela ocupou ontem uma fábrica da companhia americana Kimberly-Clark, informou o ministro do Trabalho, Oswaldo Vera, citado pela agência Associated Press (AP).

A empresa suspendeu a produção no sábado alegando falta de matérias-primas por causa da crise econômica do país. A Kimberly-Clark fabricava fraldas descartáveis, papel higiênico e lenços de papel, que se tornaram extremamente escassos em meio ao desabastecimento generalizado, que atinge 80% dos produtos essenciais.

O governo Nicolás Maduro acusou a empresa de não ter anunciado o fechamento da fábrica com antecedência. Ameaça desapropriar e reativar todas as fábricas que pararem a produção.

Milhares de venezuelanos vão às compras na Colômbia

Mais de 35 mil venezuelanos atravessaram ontem a fronteira com a Colômbia na cidade de Cúcuta para comprar remédios e alimentos em falta na Venezuela. O governo venezuelano reabriu a fronteira, fechada há meses, durante 12 horas no domingo.

Às cinco da manhã, os venezuelanos começaram a cruzar a ponte Simón Bolívar entre a cidade de Santo Antônio do Táchira e Cúcuta, capital da província colombiana de Norte de Santander.

"Somos de Santo Antônio e honestamente não temos nenhuma comida para dar a nossas crianças, então era injusto a fronteira permanecer fechada", declarou uma mulher à agência de notícias espanhola EFE.

Aquele trecho da fronteira está fechado desde 19 de agosto de 2015 por ordem do presidente Nicolás Maduro a pretexto de combater o contrabando e a infiltração de grupos paramilitares na Venezuela. Depois, Maduro mandou fechar toda a fronteira, de 2.219 quilômetros.

"Compramos arroz, açúcar, manteiga, massa, papel higiênico, tudo o que pudemos trazer", disse Betty Rojas, agradecendo ao governo colombiano.

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, visitou Cúcuta na semana passada, quando prometeu pedir a Maduro a reabertura da fronteira.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Presidente do parlamento da Venezuela denuncia ameaça de golpe

O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, deputado Henry Ramos Allup, alertou ontem que uma parte das Forças Armadas está tramando um golpe contra o presidente Nicolás Maduro, noticiou o jornal venezuelano El Nacional.

Ramos Allup acusou o governo de tentar adiar a convocação de um referendo revogatório do mandato presidencial de Maduro e as eleições para governadores estaduais.

Com a economia em recessão profunda, inflação acima de 200% ao ano e desabastecimento generalizado, há fissuras na sociedade, no partido e no governo.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Inflação venezuelana vai a 720% ao ano, prevê FMI

O índice de preços ao consumidor da Venezuela já é o maior do mundo e vai mais do que dobrar em 2016, superando as piores expectativas dos analistas para chegar a 720% ao ano, adverte o Fundo Monetário Internacional (FMI), citado pela agência de notícias Bloomberg.

Esse número foi citado em nota do diretor do FMI para o Hemisfério Ocidental, Alejandro Werner. Como a inflação de 2015 foi estimada pelo Fundo em 275%, 720% representam uma alta de preços 2,6 vezes maior.

Isso é quatro vezes mais do que a mediana de 184% estimada por 12 economistas entrevistados pela Bloomberg. Bate a previsão mais pessimista do mercado, de 700% ao ano, da corretora japonesa Nomura.

A crise econômica, com hiperinflação e escassez de produtos básicos, recessão de 10% no ano passada e expectativa de queda de mais 8% neste ano, foi decisiva para a primeira derrota eleitoral do chavismo desde a vitória de Hugo Chávez na eleição presidencial de 1998. Em 6 de dezembro de 2015, pela primeira vez em 17 anos, a oposição elegeu a maioria da Assembleia Nacional.

O presidente Nicolás Maduro reagiu baixando um decreto de "emergência econômica" que deve ser rejeitado hoje pela Assembleia Nacional. Já foi rejeitado na comissão especial que o examinou. Na prática, a medida tira poderes do Poder Legislativo, cassando a maioria parlamentar oposicionista.

Apesar de ter faturado cerca de US$ 1 trilhão com as exportações de petróleo durante o regime chavista, com os controles de câmbio e de preços, faltam dólares para bancar as importações e honrar dívidas. Com a queda de 70% nos preços do petróleo desde junho de 2014, a Venezuela está à beira do colapso.

"A falta de moeda forte levou a uma escassez de bens intermediários e a uma falta generalizada de bens essenciais, inclusive de alimentos, que cobra um preço trágico", observou o diretor do FMI. "Os preços continuam numa espiral fora de controle."

Depois de mais de um ano sem divulgar estatísticas oficias, o Banco Central da Venezuela anunciou na semana passada que a inflação anual chegou a 141,5% ao ano no fim do terceiro trimestre de 2015. O dado anterior, de dezembro de 2014, apontava um crescimento de preços de 68,5% ao ano.

O BC acusou sítios de Internet que monitoram os preços do dólar no mercado negro de "destruir os preços" e instalar um "capitalismo selvagem" no país, atribuindo 60% da inflação à especulação. No mercado paralelo, são necessários hoje 927 bolívares para comprar um dólar e 1004 bolívares para comprar um euro.

Assembleia Nacional da Venezuela rejeita emergência econômica

A Assembleia Nacional da Venezuela, sob o controle da oposição depois de 17 anos de maioria chavista, deve rejeitar hoje o decreto do presidente Nicolás Maduro declarando estado de emergência econômica por 60 dias, o que lhe permitiria governar por decreto sem a necessidade de aprovação parlamentar, declarou o presidente da AN, deputado Henry Ramos Allup.

Maduro afirma que a medida é necessária para estabilizar a economia do país, que sofreu uma recessão de 10% no ano passado, enfrenta a maior inflação do mundo, de 270% ao ano de acordo com informações vazadas do Banco Central, e desabastecimento de 87% dos produtos básicos.

Além das políticas equivocadas do "socialismo do século 21" herdadas do finado caudilho Hugo Chávez, a economia venezuelana, totalmente dependente do petróleo, sofre com a queda de 70% nos preços internacionais do produto desde junho de 2014.

O decreto de Maduro foi considerado legal pelo Tribunal Supremo de Justiça, dominado pelo chavismo.

NOTA: Por 108 a 54, a Assembleia Nacional rejeitou o decreto. Para o líder da bancada oposicionista da Unidade Democrática, deputado Julio Borges, "lamentavelmente o decreto era mais do mesmo", uma repetição das políticas econômicas fracassadas que geraram a crise.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Maduro decreta estado de emergência econômica por 60 dias

Antes de discursar hoje pela primeira vez na Assembleia Nacional de maioria oposicionista, o presidente Nicolás Maduro deu um novo golpe nos poderes conquistados pela Unidade Democrática nas eleições parlamentares de 6 de dezembro de 2015. Decretou "estado de emergência econômica" por 60 dias na Venezuela, prorrogáveis por mais 60 dias.

O estado de exceção permite ao governo fazer compras em regime de urgência sem licitação, atropelar os "trâmites cambiais" do Banco Central da Venezuela para importar insumos e bens de consumo, e confiscar bens ou estatizar empresas privadas.

Com a queda dos preços do petróleo abaixo de US$ 30 por barril e o fracasso das políticas do "socialismo do século 21" adotadas nas últimas duas décadas, a economia venezuelana está à beira do colapso. Sob a inspiração do ministro da Economia, o marxista Luis Salas, Maduro aposta em mais socialismo.

Quando o caudilho Hugo Chávez chegou ao poder, em 1999, o petróleo respondia por 70% das exportações venezuelanas. Hoje, representa mais de 95%. É também a maior fonte de arrecadação do governo.

Por causa da baixa nos preços do petróleo, o regime chavista ficou sem dinheiro para importar produtos essenciais. A inflação venezuelana é a maior do mundo. Aproxima-se de 200% ao ano. Nas lojas e supermercados, o desabastecimento atinge 87% dos produtos. Faltam nas prateleiras arroz, carne, leite, óleo de cozinha, papel higiênico e medicamentos.

No discurso, Maduro deixou claro que pretende fazer exatamente o contrário do que prega a oposição, o fim dos controles sobre o câmbio e as importações. Ele afirmou que o governo investiu US$ 100 bilhões no ano passado e atribuiu a crise à queda nos preços do petróleo e ao "monstruoso ataque à moeda e ao regime cambial".

O regime chavista conseguiu impugnar na Justiça as eleições de três deputados do estado do Amazonas, tirando assim a supermaioria de dois terços ou 112 deputados que permitiria à oposição reformar a Constituição e convocar um referendo para revogar o mandato do presidente. Agora, Maduro se outorga plenos poderes para combater o que chama de "guerra econômica". Vai colecionar mais derrotas.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Maduro prorroga estado de emergência na Venezuela

O presidente Nicolás Maduro prorrogou hoje o estado de emergência nas cidades de Guajira, Mara e Almirante Padilla, no estado de Zulia, na Venezuela, informou o jornal El Universal. Também fechou a fronteira com a Colômbia em Paraguachón, no mesmo estado.

Nas últimas semanas, Maduro decretou emergência e fechou várias passagens de fronteira com a Colômbia no estado de Táchira depois de incidentes entre soldados venezuelanos e contrabandistas. Procura uma desculpa para manipular ainda mais as eleições parlamentares convocadas sob pressão internacional para 6 de dezembro de 2015.

Com a inflação para este ano estimada em 200%, recessão de 7% e desabastecimento de 75% dos produtos normalmente encontrados em supermercados, o governo está 20 pontos percentuais atrás da oposição nas pesquisas pré-eleitorais.

Sem a menor intenção de ceder o poder, o regime chavista barrou as candidaturas de vários líderes da oposição e denuncia uma série de conspirações internacionais sem apresentar provas convincentes. A Colômbia, alinhada com os Estados Unidos, é um bode expiatório frequente desde os governos do finado caudilho Hugo Chávez (1999-2013).

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Maduro apela para o estado de emergência

Com a inflação de 2015 projetada em 180%, queda do produto interno bruto de 10% e desabastecimento de 75% dos produtos básicos, as pesquisas sobre as eleições parlamentares de 6 de dezembro dão uma vantagem de 23 pontos percentuais à oposição na Venezuela. O presidente Nicolás Maduro fechou a fronteira com a Colômbia e declarou estado de exceção na região de Cúcuta. Pode fazer o mesmo em outras regiões do país, dando um autogolpe para adiar ou anular as eleições.

Em pesquisa da empresa Datanalisis, 87% dos venezuelanos consideraram a situação do país "má ou muito má" e 70% reprovaram o governo Maduro.

Sem a menor chance de vencer eleições livres e honestas, o regime chavista está disposto a tudo para não entregar o poder. Se a oposição conquistar maioria na Assembleia Nacional, o próximo passo será convocar um referendo revogatório para acabar com o governo Maduro e o pesadelo chavista.

Por isso, o governo vetou as candidaturas dos principais líderes da oposição sob o argumento de que estão sendo processados, embora não haja culpa formada na maioria dos casos. Também se nega a aceitar a presença de observadores internacionais da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da União Europeia.

O Centro Jimmy Carter, que fiscaliza eleições pelo mundo afora, saiu recentemente da Venezuela. Maduro só aceita a presença da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), que em nenhum momento foi capaz de mediar a crise venezuelana. É submissa aos governos autoritários da Argentina, da Bolívia, do Equador e da Venezuela, todos aliados do chavismo, assim como o governo Dilma Rousseff.

Cabe ao Brasil, como eterno a candidato a líder de uma região sem rumo, devastada por crises políticas e econômicas, que está crescendo menos do que a África, assumir a responsabilidade e deixar o eleitorado venezuelano decidir os destinos do país.

Se não quiser uma guerra civil no vizinho do Norte, o governo brasileiro deveria agir logo. Mas sua calamitosa política externa e a conivência de setores de esquerda que ainda sonham com a revolução bolivarista, a começar pelo assessor para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, apontam para o imobilismo e a incompetência. O compromisso com a democracia não vale para os aliados.

Desde que sucedeu o falecido caudilho Hugo Chávez, por falta de liderança e carisma, Maduro mais do que triplicou a indicação de militares para cargos civis como forma de comprar a lealdade das Forças Armadas. Há hoje mais de 900 militares em cargos da administração pública. É difícil que o fracassado regime chavista ceda o poder sem resistência.

Seu discurso vai no sentido contrário, afugentando investidores e não conversando com opositores. Maduro nada faz para pôr fim à crise. Prefere botar a culpa dos seus próprios erros em conspirações nacionais e internacionais.

A Venezuela tem hoje uma das mais altas taxas de mortalidade do mundo em países que não estão em guerra, atrás apenas de Honduras e El Salvador. A responsabilidade é do chavismo, que negligenciou a segurança pública. Mas o governo acusa a oposição de todo o crime violento.

"Crescem as suspeitas de que o governo quer criar um clima de caos como desculpa para anular as eleições", declarou a cientista política Maria Teresa Romero.

No início da semana, o governo apresentou um vídeo em que um suspeito de assassinar e esquartejar uma mulher, José Pérez Venta, acusa o senador americano Marco Rubio, o ex-presidente da Colômbia Álvaro Uribe, a atriz María Conchita Alonso e líderes da oposição de lhe pagar para desestabilizar a Venezuela.

Maduro decretou estado de emergência em Cúcuta em 22 de agosto e fechou a fronteira com a Colômbia, depois de um incidente em 19 de agosto, quando atiradores não identificados feriram três soldados, sob o pretexto de combater o contrabando e a infiltração de paramilitares colombianos pode ser estendido a outras regiões do país. Mais de mil colombianos foram expulsos da Venezuela.

Sob o estado de emergência, os manifestantes precisam pedir autorização para protestar com 15 dias de antecedência, o governo pode invadir residências e os militares assumem o controle de todas as atividades civis.

Como o estado de emergência não é a forma adequada para combater a criminalidade e o contrabando, que não são novidades, a suspeita é de preparação de um golpe de Estado contra as eleições. O governo examina a possibilidade de estender o estado de exceção aos estados de Mérida e Zulia. Em discurso na televisão há três, o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, o número dois do regime, declarou que o Poder Legislativo está pronto para aprovar novos estados de emergência.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Maduro manda fechar fronteira com a Colômbia

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, mandou fechar a fronteira com a Colômbia por 72 horas a partir de hoje, sob a alegação de que grupos paramilitares colombianos emboscaram três soldados venezuelanos em Santo Antônio, no estado de Táchira, na Venezuela, reportou o jornal colombiano El Espectador.

O governador de Táchira, José Gregorio Vielma Mora, declarou que os soldados foram feridos numa operação contra o contrabando. A Venezuela já fechou sua fronteira em outras ocasiões, geralmente por apenas algumas horas.

A escassez de alimentos é um problema na Venezuela há anos. Com a queda nos preços do petróleo desde 2014, a crise se agravou. A inflação ronda os 100% e pode chegar a 200% ao ano. O desabastecimento atinge uma grande quantidade de alimentos, medicamentos e outros produtos básicos.

Há três meses e meio das eleições parlamentares, o regime chavista luta desesperadamente para aumentar sua popularidade nas pesquisas, que indicam a vitória da oposição em 6 de dezembro. Os inimigos externos são fantasmas de que o arqui-incompetente usa para acusar a oposição de traição à pátria.