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segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Petro reata com Venezuela e anuncia cessar-fogo na Colômbia

 O novo presidente da Colômbia, Gustavo Petro, anunciou sábado, durante visita ao Departamento de Antióquia, uma trégua multilateral com os grupos guerrilheiros em atividade no país, noticiou hoje o jornal El Tiempo.

Em curto prazo, o esforço para pacificar o país vai aumentar a segurança e reduzir o risco de ataques nas zonais rurais. Mas não há garantia de sucesso. Qualquer acordo de paz vai depender da aprovação do Congresso e da adesão dos guerrilheiros.

Primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia, Petro prometeu na campanha a “paz total”, o fim de uma guerra civil que matou cerca de 500 mil pessoas desde 1948. 

O Exército de Libertação Nacional (ELN), hoje o maior grupo armado do país, enviou uma delegação de alto nível para Havana, a capital de Cuba, sede das negociações, e libertou dois grupos de reféns. O governo suspendeu as ordens de prisão dos líderes da guerrilha para que possam entrar contato com sua organização.

A bancada do Pacto Histórico, a coalizão de governo, apresentou ao Congresso um projeto para encaminhar as negociações. A proposta prevê a suspensão dos mandados de prisão e extradição dos comandantes de grupos armados que negociem a paz, inclusive dos chefões dos cartéis do tráfico de drogas. Autoriza governadores e prefeitos a participar de diálogos regionais com os rebeldes. E tenta assegurar que futuros governo mantenham as negociações.

O governo Juan Manuel Santos (2010-18) negociou a paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que abandonaram a luta armada em 2017, mas seu sucessor, Iván Duque, sabotou o processo de paz. Cerca de um terço dos guerrilheiros das FARC voltou à guerra.

Nesta segunda-feira, o embaixador colombiano Armando Benedetti apresentou credencias ao ministro do Exterior da Venezuela, Carlos Farías, e foi recebido pelo ditador Nicolás Maduro no Palácio de Miraflores, em Caracas, selando o reatamento entre os dois países, rompidos desde 23 de fevereiro de 2019, outra promessa de Petro.

Durante, a campanha, Petro, que foi ativista político do grupo guerrilheiro M-19, foi acusado de querer impor um regime como o venezuelano. Ele era amigo e admirador de Hugo Chávez, mas se tornou um crítico do regime chavista. Afirmou que “um pequeno grupo de pessoas se locupletando da renda do petróleo não pode-se chamar de revolução”. Petro é ecologista.

O restabelecimento de relações com a Venezuela ajuda o processo de paz colombiano porque os grupos armados costumam se refugiar no país vizinho.

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Líderes das FARC anunciam volta à luta armada

Três líderes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) denunciaram o acordo de paz assinado em 2016 com o presidente Juan Manuel Santos e anunciaram a volta à luta armada. 

Luciano Marín Aragón, que usa o nome de guerra de Iván Márquez, o principal negociador das FARC; o ex-deputado Seuxis Pausias Hernández, de nome de guerra Jesús Santrich; e o ex-comandante Hernán Darío Velázquez Saldarriaga, mais conhecido como El Paisa; divulgaram vídeo protestando contra o rumo que o processo de paz tomou no atual governo, do presidente conservador Iván Duque Márquez, aliado do ex-presidente Álvaro Uribe Vélez, um dos maiores adversários do acordo.

O presidente Iván Duque ordenou a prisão dos três e ofereceu uma recompensa de 3 milhões de pesos colombianos, pouco mais de 3 mil e 500 reais, por informações sobre o paradeiro dos rebeldes. Meu comentário:

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quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Líderes das FARC fogem para a Venezuela

Sob ameaça de prisão por envolvimento em atividades criminosas, dois líderes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), fugiram para a vizinha Venezuela. As autoridades colombianas procuram descobrir qual a rota de fuga, noticiou hoje a Rádio Caracol.

Na semana passada, soube-se da iminência da prisão de três líderes do antigo grupo guerrilheiro envolvidos em crimes comuns. É comum em processos de paz que guerrilheiros veteranos, que passaram anos na clandestinidade, não consigam se reintegrar à vida civil e entrem para organizações criminosas.

Se mais líderes das FARC forem presos, o histórico acordo de paz assinado em 24 de novembro de 2016 estará ameaçado. É provável que os ex-guerrilheiros presos recentemente tenham dado informações à polícia capazes de incriminar outros companheiros.

Desde a campanha eleitoral, o novo presidente, o conservador Iván Duque, empossado em 7 de agosto deste ano, promete revisar o acordo, especialmente as cláusulas que dão anistia a rebeldes que cometeram crimes de sangue e garantem 5% de vagas no Congresso para ex-guerrilheiros. A pressão sobre as FARC tende a aumentar.

Duque é afilhado político do ex-presidente e atual senador Álvaro Uribe (2002-10), um linha-dura que golpeou duramente a guerrilha, reduzindo significativamente sua ameaça. Seu ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, se tornou presidente e negociou o acordo, rejeitado por Uribe.

Uribe é investigado por ligações com grupos paramilitares de direita conhecidos como Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), que chegou a comparar com as vigilâncias de bairro nos Estados Unidos. Ganhou a guerra, mas não soube fazer a paz.

É muito difícil, praticamente impossível, a volta da guerra civil. Mas há rebeldes que renegaram o acordo e mataram jornalistas equatorianos, em abril de 2018, e outros envolvidos com o crime organizado.

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Novo presidente conservador toma posse na Colômbia

O conservador Iván Duque tomou posse hoje como presidente da Colômbia com uma agenda de reformas que inclui a redução dos impostos para empresas, a negociação de acordos de livre comércio e mudanças no acordo de paz assinado por seu antecessor, Juan Manuel Santos, com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).

Com o apoio do ex-presidente e atual senador Álvaro Uribe, Duque bateu no segundo turno o candidato esquerdista Gustavo Petro, ex-prefeito de Bogotá. Para atingir seus objetivos, vai precisar de um apoio de outros partidos políticos no Congresso, especialmente para alterar o acordo com as FARC para acabar com  uma guerra civil de mais de 50 anos.

Em pelo menos 30 cidades, as oposições se manifestaram para defender o acordo com as FARC e a proteção de seus militantes. Desde a assinatura do acordo histórico, em 2016, pelo menos 330 foram mortos.

Os conservadores liderados por Uribe e por Duque rejeitam a anistia para guerrilheiros que cometeram crimes de sangue e a reserva de 5% das cadeiras na Câmara e no Senado para o partido das FARC, que acabou sendo muito mais do que conquistariam nas urnas.

De qualquer maneira, o novo presidente vai adotar uma posição mais dura nas negociações com o Exército Nacional de Libertação (ELN), o segundo maior grupo guerrilheiro de esquerda da Colômbia, que violou a trégua acertada com o governo anterior.

No plano externo, a Colômbia negocia acordos de liberalização comercial com a Austrália, a Nova Zelândia, o Japão e a Turquia. Por causa da oposição dos setores agrícola e industrial, Duque pode retardar as negociações com o Japão e a Turquia.

Mesmo que forme uma ampla aliança, o novo governo vai depender da coesão interna dos partidos. Até 7 de setembro, os partidos precisam decidir se fazem aliança com o governo, ficam na oposição ou se serão independentes.

O Partido do Centro Democrático, de Duque, enfrenta as acusações de fraude e corrupção contra seu líder, o ex-presidente Uribe. As divisões internas do Partido Liberal também enfraquecem o apoio ao governo.

quinta-feira, 22 de março de 2018

Maduro corta três zeros da moeda da Venezuela

Com uma hiperinflação prevista em 13.000% neste ano, começa a faltar dinheiro na Venezuela. Hoje o ditador Nicolás Maduro anunciou sua solução: cortar três zeros da moeda nacional, o bolívar, que um dia o finado caudilho Hugo Chávez chamou de "bolívar forte".

A medida entre em vigor em 4 de junho, quando o regime começará a retirar de circulação as atuais notas do desvalorizado bolívar. As moedas de 50 centavos e 1 bolívar voltam a circular.

Ao anunciar o corte de zeros, o ditador culpou a Colômbia pela crise monetária venezuelana, de única a exclusiva responsabilidade das políticas do "socialismo do século 21" impostas pelo chavismo.

"Roubam o dinheiro. Mal termina de sair uma nova cédula e já estão levando para Cúcuta", acusou irresponsavelmente Maduro, citando a cidade colombiana na fronteira onde os venezuelanos tentam comprar tudo o que falta em seu país, ou seja, quase tudo, menos gasolina.

Maduro acusou irresponsavelmente os presidentes da Colômbia e da Assembleia Nacional da Venezuela, dominada pela oposição: "Essa máfia dirige [o presidente] Juan Manuel Santos assessorado por Julio Borges, como uma vingança para fazer mal à Venezuela."

No câmbio negro, o dólar foi vendido hoje a 231.334,02 bolívares em Caracas e a 259.622,64 em Cúcuta, na Colômbia. Um euro vale 284.672,70 bolívares em Caracas e 319.081,41 em Cúcuta.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

ELN anuncia trégua eleitoral na Colômbia

O Exército de Libertação Nacional tenta retomar as negociações de paz com o governo da Colômbia. Depois de romper a trégua e matar sete policiais, o grupo guerrilheiro de esquerda anunciou ontem um cessar-fogo durante as eleições parlamentares do próximo mês e propôs o reinício do diálogo.

"Quando nos aproximamos das eleições de 11 de março, mesmo que não endossemos este processo falho, em sinal de respeito aos homens e mulheres da Colômbia que irão votar, o ELN vai cessar suas operações militares ofensivas entre 9 e 13 de março", declarou o grupo em nota publicada na Internet.

Nestas eleições para a Câmara e o Senado, pela primeira vez, os ex-guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) vão participar do processo político como Forças Alternativas Revolucionárias do Comum (FARC), depois de um acordo negociado durante quatro anos, em Cuba. O partido preserva a marca registrada do que era o maior grupo guerrilheiro de esquerda colombiano.

As negociações com as FARC são o modelo para o ELN, que tem muito menos poder de barganha. As FARC, enfraquecidas pela guerra deflagrada pelo presidente Álvaro Uribe (2002-10), tinham 8 mil homens em armas quando o governo Juan Manuel Santos o diálogo pela paz, em 2012. O ELN tem entre 1,5 e 2 mil guerrilheiros desgastados por uma guerra sem sentido.

Na declaração de cessar-fogo, o ELN pede a Santos que "marque uma data para o início da quinta rodada de negociações e envie uma delegação para o diálogo em Quito. Naquela data, todos os nossos delegados também irão à capital do Equador."

O diálogo entre o governo Santos e o ELN começou em 7 de fevereiro de 2017, em Quito. Foi suspenso pelo presidente colombiano em 29 de janeiro de 2018 depois de vários ataques da guerrilha que resultaram na morte de sete policiais. Uma unidade de guerrilha urbana do ELN reivindicou um ataque a Barranquilla em que cinco policiais morreram e 41 saíram feridos.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Colômbia apreende mais de 12 toneladas de cocaína

Foi a maior apreensão de drogas no país mais ligado ao tráfico da América. Mais de 12 toneladas de cocaína foram confiscadas pela polícia da Colômbia perto da fronteira com o Panamá. O presidente Juan Manuel Santos estimou o valor da carga em US$ 360 milhões (US$ 1,172 bilhão).

A cocaína estava enterrada em quatro fazendas do departamento de Antioquia, no Noroeste da Colômbia. Santos responsabilizou o Clã do Golfo, considerado o grupo armado mais perigoso do país desde o acordo de paz e a desmobilização das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).

Os Estados Unidos, maiores aliados da Colômbia no combate ao tráfico de drogas e às guerrilhas de esquerda, estão pressionando o governo Santos por causa do aumento da área cultivada com coca. O presidente prometeu enviar 80 mil soldados às áreas antes ocupadas pelas FARC para evitar que sejam controladas por máfias do tráfico de drogas.

Desde o início do ano, as autoridades colombianas apreenderam 362 toneladas de cocaína, superando o total de 2016. A Agência de Repressão às Drogas (DEA) dos EUA estima que o país produza 910 toneladas de cocaína por ano.

Com mais de 2 mil membros, o Clã do Golfo é hoje a maior organização criminosa da Colômbia, superando o Exército de Libertação Nacional (ELN), o maior grupo guerriheiro marxista remanescente depois da paz com as FARC.

Seu líder é Dairo Antonio Úsuga David, mais conhecido pelo nome de guerra, Otoniel. Os EUA oferecem US$ 5 milhões por sua captura vivo ou morto.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Colômbia volta a negociar paz com ELN em janeiro

Ao mesmo tempo em que o Congresso ratificava o acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), o governo colombiano anunciou ontem o reinício, em janeiro de 2017, do diálogo com o Exército de Libertação Nacional (ELN), noticiou o jornal Latin American Herald Tribune.

Em declaração divulgada em Quito, a capital do Equador, onde será realizada a primeira rodada de negociações com o ELN, os representantes do governo manifestaram a esperança de que até lá seja libertado o ex-deputado Odín Sánchez, sequestrado pelo grupo.

O início de negociações de paz entre o governo e o segundo maior grupo guerrilheiro da Colômbia foi anunciado em 27 de outubro, em Quito. Por causa do sequestro de Sánchez, o presidente Juan Manuel Santos não viajou ao Equador.

Em 7 de novembro, o comandante supremo do ELN, Nicolás Rodríguez Bautista, de nome de guerra Gabino, perdão para dois rebeldes capturados pelo governo para soltar o ex-deputado. O governo colombiano respondeu que qualquer perdão "deve cumprir a lei em vigor".

A Colômbia agradeceu à colaboração do Equador e ao apoio de Brasil, Chile, Cuba, Noruega e Venezuela às negociações de paz com o ELN.

Com a ratificação pelo Congresso do acordo de paz com as FARC, os cerca de 7 mil homens em armas devem se concentrar em 20 áreas determinadas e entregar as armas sob a supervisão das Nações Unidas nos próximos seis meses. Mas a guerrilha advertiu que só vai depor as armas depois da aprovação de uma anistia para 2 mil guerrilheiros presos. É a próxima batalha legislativa do presidente Santos.

A oposição ao acordo, liderada pelo ex-presidente Álvaro Uribe, considera uma rendição a garantia de vagas no Congresso para as FARC nas duas próximas eleições, independentemente do resultado das urnas.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Congresso aprova novo acordo de paz com as FARC

O Congresso da Colômbia aprovou hoje uma versão revisada do acordo de paz negociado com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). A versão original foi rejeitada por pequena margem em referendo realizado em 2 de outubro de 2016.

O acordo de paz foi ratificado ontem no Senado e hoje na Câmara, onde o presidente Juan Manuel Santos tem maioria, sem necessidade de nova consulta popular. Santos ganhou o Prêmio Nobel da Paz 2016 mesmo com a derrota no referendo.

Apesar de algumas mudanças, os adversários do acordo, liderados pelo ex-presidente Álvaro Uribe, denunciam uma suposta impunidade para os guerrilheiros que durante 52 anos tentaram derrubar o governo colombiano.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Colômbia e FARC assinam acordo de paz revisado

O presidente Juan Manuel Santos e o líder máximo das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), Rodrigo Londoño, assinaram há pouco no Teatro Colón, em Bogotá, um acordo de paz revisado, depois que o primeiro texto foi rejeitado num referendo realizado em 2 de outubro de 2016.

A paz põe fim a um conflito de 52 anos, que tem sua origem na década de violência deflagrada pelo assassinato, em 9 de abril de 1948, do advogado Jorge Eliécer Gaitán, candidato do Partido Liberal à presidência.

Desta vez, o acordo deverá ser ratificado pelo Congresso, onde o governo Santos tem maioria, sem nova consulta popular. O grande adversário do acordo, o ex-presidente e atual senador Álvaro Uribe, insiste na convocação de novo referendo.

Uribe rejeita a cláusula do acordo que garante 5% das vagas na Câmara e no Senado nas duas próximas eleições independentemente do resulado nas urnas.

Santos ganhou o Prêmio Nobel da Paz, apesar da rejeição do acordo inicial no referendo. O comitê norueguês do Nobel declarou que seria mais um incentivo à paz. Pelo menos 220 mil pessoas morreram no conflito entre o governo e as FARC, maior grupo guerrilheiro de esquerda da Colômbia.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Presidente da Colômbia ganha Nobel da Paz por acordo com as FARC

Apesar da rejeição do acordo negociado com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) em referendo no domingo passado, ou talvez por isso mesmo, o presidente Juan Manuel Santos ganhou hoje o Prêmio Nobel da Paz.

Ao justificar a premiação, o comitê norueguês do Prêmio Nobel declarou hoje de manhã em Oslo que, apesar da derrota no referendo, o processo de paz não está morto. Emocionado, Santos dedicou o prêmio ao povo colombiano e declarou que o prêmio é "um compromisso para continuar tentar trazer a paz a meu país".

Entre mortos e desaparecidos, quase 300 mil pessoas morreram em 52 anos de guerra entre as FARC, que nasceram como braço armado do Partido Comunista Colombiano.

O acordo de paz, negociado durante quatro anos em Cuba, previa reforma agrária, o fim da luta armada, o desarmamento dos 7 mil guerrilheiros restantes, uma anistia parcial e um tribunal especial para julgar crimes contra a humanidade cometido pelos dois lados.

A derrota por margem escassa foi atribuída ao alto índice de abstenção (62%) e especialmente à oposição dos ex-presidentes Álvaro Uribe e Andrés Pastrana, insatisfeitos com as concessões feitas ao grupo guerrilheiro como anistia parcial e a garantia de dez cadeiras no Congresso nas duas próximas eleições.

No dia seguinte, tanto as FARC quanto o governo e os ex-presidentes concordaram que a guerra acabou. Ninguém quer voltar ao passado, mas será necessária uma renegociação delicada.

Vitorioso, o agora senador Uribe, de quem Santos foi ministro da Defesa, pediu que não sejam revistas as sentenças dos guerrilheiros já condenados, "alívio judicial" para soldados e policiais, e proteção aos rebeldes enquanto o acordo é revisto.

Em entrevista à televisão pública britânica BBC, a ex-senadora e ex-candidata a presidente Ingrid Betancur, sequestrada pelas FARC durante seis anos, entende que o acordo não garante a impunidade dos guerrilheiros.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Santos e as FARC prometem renegociar o acordo de paz

Apesar da derrota do acordo de paz negociado pelo governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) por pequena margem no referendo de ontem, o país hoje está mais perto da paz. Ninguém pensa em recomeçar a guerra civil.

No dia seguinte, o presidente Juan Manuel Santos reafirmou o compromisso do governo com o cessar-fogo permanente e a paz. As FARC fizeram o mesmo, insistindo que também estão comprometidas com o processo de paz.

O líder da campanha do não, o ex-presidente e agora senador Álvaro Uribe (2002-10), apresentou hoje suas condições para a paz: anistia aos guerrilheiros não condenados e "alívio judicial" para soldados e policias das Forças Armadas que tenham cometido crimes de guerra, informa o jornal El Espectador.

"Pedimos que não haja violência, proteção para as FARC e que cessem todos os delitos", declarou Uribe no calor da vitória.

Uribe, seu aliado e senador Iván Duque, o ex-presidente conservador Andrés Pastrana e o ex-procurador Alejando Ordóñez foram os grandes vencedores.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Colômbia e FARC assinam acordo de paz histórico

Depois de 52 anos de guerra civil e quatro de negociações, o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) assinaram hoje à noite na cidade de Cartagena um acordo de paz histórico, pondo fim a um conflito que matou cerca de 300 mil pessoas.

"Sejam bem-vindos à democracia", declarou o presidente Juan Manuel Santos depois de assinar o acordo juntamente com o líder das FARC, Rodrigo Londoño Echeverri, mais conhecido pelos nomes de guerra de Timoleón Jiménez ou Timochenko, diante de 15 presidentes latino-americanos e do secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki Moon.

O acordo precisa agora ser referendado nas urnas numa consulta popular convocada para o próximo domingo, 2 de outubro de 2016.

Bogotá está em festa. Pelo menos 13 mil pessoas se reuniram na Praça de Bolívar, no centro da capital colombiana, para acompanhar a assinatura do acordo de paz e festejar ao som de rock, rap, reggae e música caribenha.

O acordo prevê a concentração dos cerca de 8 mil guerrilheiros das FARC em zonas determinadas para entrega das armas, sua desmobilização e integração à vida civil. Quem cometeu crimes contra a humanidade não terá direito a anistia. Terá de responder a processo em tribunais especiais.

Para a Colômbia chegar à paz depois de décadas de guerra civil, falta agora o Exército de Libertação Nacional (ELN), outro grupo guerrilheiro marxista. Como o ELN reluta em negociar, há o temor de que alguns rebeldes das FARC simplesmente mudem para outro grupo.

A guerra civil colombiana começou em 9 de abril de 1948, com o assassinato do advogado Jorge Eliécer Gaitán, candidato do Partido Liberal à Presidência. Sua morte deflagrou uma explosão de violência, o Bogotaço. Mais de 2 mil pessoas foram mortas em 24 horas.

Era o início de um período de uma década conhecido na história da Colômbia como La Violencia, em que 200 mil pessoas foram mortas em conflitos políticos entre o Partido Conservador e o Partido Liberal que reviveram o conflito social histórico da Colômbia, que inclui a Guerra dos Mil Dias. Naquela década, liberais e esquerdistas foram para a clandestinidade.

As FARC nasceram em 1964 como braço armado do Partido Comunista Colombiano, de orientação soviética. Com o declínio do comunismo e o fim da União Soviética, a guerrilha passou a recorrer a sequestros, extorsão e tráfico de drogas para se financiar.

sábado, 24 de setembro de 2016

Conferência das FARC aprova acordo de paz com governo

A 10ª Conferência das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) aprovou ontem à noite o acordo de paz negociado nos últimos quatro anos com o governo colombiano para pôr fim a mais de 50 anos de guerra civil.

A decisão unânime foi tomada no fim da conferência convocada para preparar os guerrilheiros das FARC para entregar as armas e se reintegrar à vida civil como um partido político de esquerda com uma anistia parcial que levará alguns a tribunais especiais e à prisão. O encontro foi realizado na planície de Yari, um dos redutos dos guerrilheiros no Sul da Colômbia.

O acordo de paz será assinado em 26 de setembro de 2016 na cidade histórica de Cartagena pelo presidente Juan Manuel Santos e o líder das FARC, Rodrigo Londoño Echeverri, mais conhecido pelo nomes de guerra de Timoleón Jiménez e Timochenko.

Em 2 de outubro, o acordo será submetido a um referendo popular. O governo Santos e a oposição de esquerda apoiam o voto sim, enquanto a oposição conservadora linha-dura liderada pelo ex-presidente Álvaro Uribe defende a rejeição ao acordo, alegando que faz concessões demais aos guerrilheiros.

As pesquisas dão mais de 60% para o sim. Se o não ganhar, o governo adverte que o conflito armado pode se arrastar por mais uma década.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Comandante das FARC ordena cessar-fogo definitivo a partir de hoje

Daqui a uma hora e meia, à meia-noite deste domingo pelo horário colombiano, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) iniciam um cessar-fogo definitivo ordenado por seu comandante supremo, Rodrigo Londoño Echeverri, mais conhecido pelos nomes de guerra Timoleón Jiménez ou Timochenko. 

"Ordeno a todos os nossos comandos, a todas as unidades, a todos e a cada um de nossos e nossas combatentes a cessar fogo e as hostilidades de maneira definitiva contra o Estado colombiano a partir das 24 horas da noite de hoje", declarou Timochenko a jornalistas em Havana.

Depois de quatro anos de negociações em Cuba, um acordo foi anunciado na semana passada para pôr fim a 52 anos de luta armada para tentar impor um regime comunista. O acordo de paz deve ser assinado dentro de um mês na Colômbia por Timochenko e o presidente Juan Manuel Santos.

Em 2 de outubro, o acordo com as FARC será submetido a um referendo para obter a aprovação popular. Cerca de 60% dos colombianos são a favor do acordo, mas o resultado pode ser apertado porque o ex-presidente Álvaro Uribe, de quem Santos era ministro da Defesa, é contra a anistia parcial aos guerrilheiros.

O pai de Uribe foi sequestrado e morto. Durante o governo Uribe, as Forças Armadas da Colômbia obtiveram grandes vitórias na guerra contra as FARC, levando o grupo a negociar com Santos numa posição de clara inferioridade no campo de batalha depois de tentativas fracassadas nos governos Ernesto Samper e Andrés Pastrana.

Com as centenas de milhões de dólares que ganhavam com o tráfico de drogas, os guerrilheiros não viam razão para abandonar as armas e se integrar à sociedade. Ainda havia o precedente da União Patriótica, fundada em 1985 por ex-guerrilheiros, que teve mais de mil candidatos assassinados, inclusive à Presidência da Colômbia.

A paz com as FARC praticamente encerra uma guerra civil iniciada com o assassinato, em 9 de abril de 1948, do candidato liberal à Presidência da Colômbia, Jorge Eliécer Gaitán, que deflagrou uma explosão de violência, o Bogotaço. Mais de 2 mil pessoas foram mortas em 24 horas.

Era o início de um período de uma década na história da Colômbia conhecido como La Violencia, em que 200 a 300 mil. Naquela época, as oposições liberal e de esquerda foram para a clandestinidade. Nesta clima de violência política histórica, sem espaço para uma oposição de esquerda, as FARC nasceram em 1964 como braço armado do Partido Comunista Colombiano, de orientação soviética.

Com o declínio do comunismo como ideologia do financiamento da União Soviética, extinta em 1991, as FARC se reinventaram como um grupo narcoguerrilheiro, passando a traficar drogas para se financiar como historicamente faziam os grupos paramilitares de direita que combatiam os guerrilheiros de esquerda nas zonas rurais.

Mais 220 mil pessoas foram mortas e outras 90 mil desapareceram na guerra civil deflagrada pelas FARC. Cerca de 6,9 milhões fugiram de casa. Ao todo, desde 1948, o total de mortos na guerra civil colombiana é estimado entre 500 e 600 mil pessoas.

Resta ainda o Exército de Libertação Nacional (ELN), um grupo guerrilheiro marxista cristão, que resiste, mas não tem alternativa. Ao anunciar seu acordo de paz, as FARC aconselharam o ELN a fazer o mesmo. O governo teme que o grupo tente recrutar guerrilheiros e ocupar áreas que estavam em poder das FARC.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Milhares de venezuelanos vão às compras na Colômbia

Mais de 35 mil venezuelanos atravessaram ontem a fronteira com a Colômbia na cidade de Cúcuta para comprar remédios e alimentos em falta na Venezuela. O governo venezuelano reabriu a fronteira, fechada há meses, durante 12 horas no domingo.

Às cinco da manhã, os venezuelanos começaram a cruzar a ponte Simón Bolívar entre a cidade de Santo Antônio do Táchira e Cúcuta, capital da província colombiana de Norte de Santander.

"Somos de Santo Antônio e honestamente não temos nenhuma comida para dar a nossas crianças, então era injusto a fronteira permanecer fechada", declarou uma mulher à agência de notícias espanhola EFE.

Aquele trecho da fronteira está fechado desde 19 de agosto de 2015 por ordem do presidente Nicolás Maduro a pretexto de combater o contrabando e a infiltração de grupos paramilitares na Venezuela. Depois, Maduro mandou fechar toda a fronteira, de 2.219 quilômetros.

"Compramos arroz, açúcar, manteiga, massa, papel higiênico, tudo o que pudemos trazer", disse Betty Rojas, agradecendo ao governo colombiano.

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, visitou Cúcuta na semana passada, quando prometeu pedir a Maduro a reabertura da fronteira.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

ELN queima veículos e sequestra motoristas de ônibus na Colômbia

Às vésperas de iniciar negociações de paz com o governo da Colômbia, o Exército de Libertação Nacional (ELN) queimou oito veículos e sequestrou dois motoristas de ônibus numa estrada que liga os departamento de Choco e Risaralda, no Oeste do país, reportou hoje a Rádio Santa Fé.

Em 30 de março, as duas partes anunciaram a intenção de negociar a paz. O governo está prestes a fechar um acordo definitivo com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Se os dois grupos abandonarem a luta armada, será o fim de uma longa guerra civil iniciada com o assassinato do candidato liberal à Presidência Jorge Eliécer Gaitán em 9 de abril de 1948.

Desde então, estima-se que 500 mil pessoas foram mortas pela violência política na Colômbia. O governo quer negociar com os dois grupos guerrilheiros para evitar que rebeldes das FARC insatisfeitos com o acordo entrem para o ELN.

Sob pressão da queda nos preços internacionais do petróleo e do café, seus principais produtos de exportação, o crescimento caiu de 6,6% em 2011 para 3,1% em 2015, abalando a popularidade do presidente Juan Manuel Santos e do Partido Social de Unidade Nacional (PSUN).

Os problemas de segurança da Colômbia não devem desaparecer com os acordos de paz. A exemplo do que aconteceu na América Central, muitos guerrilheiros terão dificuldades para se reintegrar a vida civil e poderão aderir a organizações criminosas, especialmente as quadrilhas do tráfico de drogas para os Estados Unidos.

A Colômbia está saindo da guerra civil. Entra numa era de menos desafios ao poder do Estado com desenvolvimento econômico e político em ritmo abaixo do desejado, mas confiante num futuro de paz e prosperidade. Neste caminho, ainda vai enfrentar muitos desafios.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Colômbia inicia negociações de paz com o ELN

Enquanto pressiona as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) a marcar uma data para um acordo de paz definitivo, o governo colombiana anunciou hoje o início das negociações de paz com o Exército de Libertação Nacional (ELN), o segundo maior grupo guerrilheiro do país, informou a Rádio Caracol.

As negociações serão realizadas no Equador, com o Brasil, o Chile, Cuba e a Venezuela como facilitadores. Se assinar a paz com as FARC e o ELN, a Colômbia terá praticamente encerrado uma era de guerras civis contra movimentos guerrilheiros de esquerda.

Pouco depois do anúncio, o presidente José Manuel Santos declarou que são negociações distintas com um objetivo único, o fim do conflito, noticiou o jornal El Espectador. Santos deixou claro que os modelos político e econômico, e o regime de propriedade privada, não serão discutidos, mas, sim, a paz e a reintegração dos guerrilheiros à sociedade civil.

Várias regiões onde hoje há atividades guerrilheiras serão abertas à exploração de gás e petróleo, à mineração e à agricultura. Por outro lado, há uma expectativa de que guerrilheiros se envolvam em atividades criminosas como tráfico de drogas, sequestro e extorsão, a exemplo do que aconteceu na América Central.

As negociações com as FARC, realizada em Havana, estão em fase final. Deveriam ter sido concluídas há uma semana. O presidente Santos quer fechar um acordo definitivo com o ELN até o fim de seu segundo mandato, em 17 de agosto de 2018.

Se o ELN foi desmobilizado, a criminalidade tende a crescer nos departamentos de Arauca e Norte de Santander, junto à fronteira com a Venezuela.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Colômbia aceita contraproposta de trégua das FARC

O presidente Juan Manuel Santos aceitou ontem uma contraproposta das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) para iniciar um cessar-fogo em 16 de dezembro de 2015, em vez de 1º de janeiro, com sugeriu inicialmente o chefe de governo, noticiou ontem a Rádio Caracol.

Santos pediu às FARC que concentrem suas forças em áreas específicas para garantir que não haja novos choques com as tropas governamentais.

Depois de três anos de negociações de paz em Cuba, o governo colombiano e as FARC anunciaram em setembro um acordo provisório prometendo chegar a um acordo de paz definitivo até março de 2016, encerrando uma guerra civil de 52 anos que matou mais de 220 mil pessoas. A trégua é um passo importante nesta direção.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Presidente da Colômbia propõe cessar-fogo a partir de janeiro

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, propôs ontem um cessar-fogo bilateral com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), noticiou a rádio RCN. Como precondição, Santos exige que a guerrilha chegue até 31 de dezembro a um acordo sobre compensação das vítimas da guerra civil.

Depois de mais de 500 mil mortes desde 1948 e de mais de 220 mil desde que as FARC entraram na luta armada, em 1964, a Colômbia está mais perto do que nunca de um acordo de paz. Nas negociações de paz realizadas em Havana, a capital de Cuba, as duas partes anunciaram no mês passado um acordo para criar um tribunal especial para crimes cometidos na guerra civil e prometeram chegar a um acordo definitivo até março de 2016.

Uma trégua definitiva seria um passo fundamental para o fim da longa guerra civil colombiana.